Nervos cranianos I ao VI



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NERVOS CRANIANOS I AO VI

MED UERJ 2015

PROF. LUCIANO FAVORITO

Juliana S. Rodrigues



  • Lembrar que os nn. Cranianos têm fibras aferentes e eferentes. Porem nem todo nervo craniano é aferente e eferente: alguns são só eferentes, outros só aferentes, outros mistos, etc.

  • As fibras aferentes dos nn. Cranianos podem ser:

  • Somáticas gerais: envolvidas na dor, temperatura e pressão

  • Somáticas especiais: relacionadas aos orgaos do sentido

  • Viscerais gerais: transmitem dor visceral.

  • Viscerais especiais: também envolvidas nos órgãos do sentido

Então, os órgãos dos sentidos tem fibras especiais, que estão envolvidas na audição, olfato, etc.

  • As fibras eferentes existem três tipos:

  • Somáticas: atuam no controle no controle dos mm. estriados

  • Viscerais especiais: atuam nos músculos miotônicos derivados dos arcos braquiais (mm. principalmente que vão originar os mm. da cabeça e do pescoço)

  • Viscerais gerais: inervam os mm. lisos.

I: NERVO OLFATÓRIO

  • Origem aparente no encéfalo: bulbo olfatório

II: NERVO ÓPTICO

  • Origem aparente no encéfalo: quiasma óptico

III: NERVO OCULO MOTOR

  • Origem aparente no encéfalo: entre a ponte e o mesencéfalo

IV: NERVO TROCLEAR

  • Origem aparente no encéfalo: no dorso da ponte

V: NERVO TRIGÊMEO (mais calibroso dos nervos cranianos)

  • Origem aparente no encéfalo: no braço da ponte

VI: NERVO ABDUCENTE

  • Origem aparente no encéfalo :no sulco bulbo pontino

OBS: III, IV e VI são estudados em conjunto pois atuam em conjunto na inervação dos mm. oculares.

  1. NERVO OLFATÓRIO

  • As células principais que transmitem o olfato ficam localizadas na cavidade nasal, mas elas não ocupam toda a cavidade nasal. Elas são células especializadas (células olfatórias) que ocupam a região superior do septo nasal, a região da concha nasal superior e uma pequena parte da concha nasal média. Essas células apresentam fibras que atravessam a lamina crivosa do etmóide, se dirigindo para o bulbo olfatório.

  • Apresenta fibras aferentes viscerais especiais. (sua única função é o olfato)

  • No bulbo olfatório existem os glomérulos olfatórios, que recebem as informações desses neurônios, dessas células especializadas localizadas na mucosa olfatória. Esses glomérulos transmitem as informações olfatórias ao encéfalo através do tracto olfatório, que atravessa essa região do bulbo olfatório. Essas informações vão para o lobo temporal, na região do úncus e do giro parahipocampal

  • Diversas são as lesões que podem acometer o nervos olfatório: podem ser lesões centrais ou periféricas. Talvez a mais comum seja a lesão da mucosa olfatória, que pode ser aguda ou crônica. Por exemplo, as infecções respiratórias causam uma congestão da mucosa nasal, dificultando a transmissão desses impulsos nervosos. Então, o individuo que tem a rinite, tem uma dificuldade muito grande de sentir os odores habituais (ANOSMIA: AUSENCIA DE OLFAÇÃO). Drogas por via nasal podem promover a morte dessas células da mucosa olfatória. Indivíduos com lesão no lobo temporal pode levar a problemas no olfato. O individuo, por exemplo pode sentir cheiros que não existem (CACOSMIA). Essa cacosmia é muito comum associada a casos de epilepsia. As fraturas da base do crânio : um indicativo de que a base do crânio está fraturada é o traumatismo crânio encefálico seguido do hematoma peridural (chamado olho de guaxinim), nesses casos, o nervo olfatório pode ser lesado, levando à perda do olfato. As lesões crânio- encefálicas podem estar associadas à rinorréia, principalmente se você lesa a região do etmóide (lamina crivosa lesada: extravasamento do líquor para a cavidade nasal).

Lembrar que:

Anosmia: ausência de olfato

Cacosmia: alteração na interpretação do olfato, muito associada à crises epiléticas.


  1. NERVO ÓPTICO

  • Aferente somático especial

  • A origem desse nervo é na retina

  • Esse nervo, a cada lado, vai se encontrar no quiasma óptico, onde existe um cruzamento das fibras (lembrar que o quiasma óptico tem uma íntima relação com a hipófise)

  • Do quiasma óptico, após o cruzamento, se origina o trato óptico. Esse trato vai se dirigir para o corpo geniculado lateral, da onde partem as radiações ópticas que vão se dirigir para o lobo occipital, aonde fica o córtex visual, na área 17.

  • O corpo geniculado lateral fica no diencéfalo, ao lado do corpo geniculado medial, que está envolvido na audição (região do metatálamo)

  • A região mais importante para a visão é a retina, onde existem células especializadas na interpretação da visão, que são os cones e os bastonetes. A retina tem varias camadas.

  • O n. óptico é um trato de fibras nervosas que apresentam quatro porções que podem ser mais ou menos bem vistas:

-porção intra ocular (justaposta ao globo ocular)

-porção intraorbital (parte que está atravessando a órbita)

-porção intra canalicular (parte que está atravessando o canal óptico). (de 5 a 6 mm)

-porção intracraniana (do canal óptico ao quiasma óptico). É a maior porção do nervo óptico. (torno de um 1cm)



  • Canal óptico e fissura orbital superior: localizados na porção do etmóide na órbita.

  • É pela fissura orbital superior que vão passar o III, IV e o VI pares cranianos e o ramo oftálmico do n. trigêmio

  • O canal ótico tem em torno de 4 mm de extensão; é mais lateral e inferior (em relação à fissura orbital superior); apresenta uma abertura orbitária e uma craniana. No interior do canal óptico existe um anel tendinoso, que é onde se origam a maior parte dos mm. motores oculares.

  • As lesões do II par podem ter varias manifestações.

  • CAMPOS VISUAIS:

-cada olho tem dois campos visuais: o campo visual temporal (lateral) e o nasal (medial)

-o campo visual nasal se projeta na retina temporal

-o campo visual temporal se projeta na retina nasal (existe uma inversão do campo visual em relação à sua projeção na retina)

>lesões :

-amaurose: cegueira. Pode se unilateral ou bilateral

-Escotomas: falhas no campo visual

-hemianopsias: heterônimas ou homônimas. A heterônima é quando lados diferentes do campo visual são acometidos. Ou seja, você perde o campo visual temporal e temporal ou nasal e nasal. A homônima é quando o mesmo lado do campo visual é perdido. Ou seja, nasal e temporal (estão indo para o mesmo lado). Por isso, no primeiro momento, homônima devia ser nasal e nasal. Mas não é por que essas fibras se cruzam e , por isso, vão para lados diferentes.


  • Nervo óptico tem fibras que levam informações da retina temporal e da retina nasal

  • A retina temporal tá levando informações do campo visual nasal e vice versa.

  • Na região do quiasma óptico, parte das fibras do n. óptico ficam do mesmo lado e parte vão para o lado oposto. A retina temporal se junta com a retina nasal do lado oposto, formando o trato óptico que vai para o corpo geniculado lateral



  • O trato óptico traz informações da retina nasal lateral e temporal contra lateral, portanto. Lesões aí serão as homônimas (vão para o mesmo lado, mesma incidência dos raios).

  • Lesão no n. óptico: (tumor, trauma…) > amaurose (cegueira total no lado acometido)

  • Lesão do quiasma óptico (muito freqüentemente causados por tumores hipofisários) > perda das retinas nasais. Se elas estão lesadas, há uma perda dos campos temporais: hemianopsia heterônima bilateral.

  • C - Lesão parcial ,perto do quiasma, há lesão apenas da retina temporal: hemianopsia nasal do olho acometido.

  • D – lesão do trato óptico: vão causar hemianopsias homônimas

  • E – lesão nas radiações ópticas. Desenvolvimento de quadrantopsias.

  • Lesão do lobo occipital, onde ocorre a lesão da região que interpreta os estímulos visuais: manifestações clinicas semelhantes de D, hemianopsia homônima.

  • Meningioma (tumor do n. óptico): individuo pode desenvolver amaurose.



  1. NERVOS OCULARES: III, IV E VI (atravessam a fissura orbital superior junto com o ramo oftálmico do n. trigêmio)

  • São responsáveis pela inervação dos mm. que movem o globo ocular

  • Mm. oculares:

Existem dois tipos:

  • Mm. retos :

-Músculo reto medial

-Músculo reto lateral

-músculo reto superior

-músculo reto inferior



  • Mm. oblíquos: formam tipo uma alça que dá esse formato obliquo desses mm. Esses mm. giram o globo ocular para baixo e para cima.

- Músculo oblíquo superior

-Músculo oblíquo inferior

Ponto de fixação proximal desses músculos: anel tendinoso do canal óptico

Ponto de fixação distal: próprio globo ocular



  • NERVO OCULOMOTOR

  • Formado por fibras eferentes somáticas e fibras eferentes viscerais gerais (atua na movimentação do olho e na convergência do cristalino, midríase, miose)

  • É responsável pela inervação de todos os músculos, exceto o reto lateral (inervado pelo n. abducente) e o obliquo superior (inervado pelo n. troclear). Inerva também o m. levantador da pálpebra superior.

  • A lesão no III par vai paralisar todos os mm. que ele inerva. O individuo perde os reflexos pupilares (midríase: a pupila fica dilatada direto, não responde mais ao estímulo da luz), fica com uma ptose (perde inervação do m. levantador da pálpebra). O olho só consegue continuar de movimentando lateralmente, por conta da preservação do m. reto lateral (olho ligeiramente inclinado para baixo e abduzido, praticamente paralisado).

  • ANEURISMAS DE CARÓTIDA: causa mais freqüente para lesão desses nervos. Aneurismas na região do polígono de Willis podem comprimir esses nervos, principalmente o III, IV pares.



  • NERVO TROCLEAR

  • Não atua sobre o cristalino, então só apresenta fibras eferentes somática

  • Inerva apenas o m. oblíquo superior

  • Lesões do nervo troclear: são raras. O individuo tem dificuldade de mexer o olho para baixo e lateralmente. Isso causa a diplopia (visão dupla). O individuo sente muito isso quando desce escadas.

  • É o único n. que tem origem na porção posterior do mesencéfalo



  • NERVO ABDUCENTE

  • Formado por fibras eferentes somáticas

  • Inerva o m. reto lateral

  • Se origina no sulco bulbo pontino

  • Lesão : muito freqüente nos aneurismas e traumas porque esse nervo é o mais exposto. A lesão causa paralisia do m. reto lateral. A manifestação clinica é o desvio medial do globo ocular (estrabismo convergente). Isso também leva a uma diplopia.

  • Não confundir isso com o estrabismo infantil: ali, o problema é de fixação muscular (fragilidade muscular, que melhora com fisioterapia)



  1. NERVO TRIGÊMIO

  • Misto, apresenta tanto uma raiz sensitiva quanto uma motora

  • Sua raiz sensitiva fica localizada no gânglio de gasser (na região do cavo trigeminal, que é uma prega da dura máter que abriga a origem do n. trigêmio). O gânglio sensitivo do nervo fica nessa região

  • Tem fibras aferentes somáticas gerais

  • Raiz motora, principalmente no ramo mandibular, que será responsável pela inervação dos mm. da mastigação. Essa raiz apresenta fibras eferentes viscerais especiais

  • Nervos trigêmio recebe esse nome por conta de suas 3 raizes. Oftálmica, mandibular e maxilar

  • É o mais espesso dos nn. Cranianos

  • Tem vários núcleos: motor (na ponte), mesencefálico (perto do aqueduto cerebral), espinhal (na parte inferior da ponte e do bulbo) e os neurônios do ganglio trigeminal (ficam na ponte, no núcleo principal ovalar e no núcleo espinhal). Esses núcleos estão localizados no tronco encefálico e têm funções específicas.

  • A raiz oftálmica atravessa a fissura orbital superior

  • A raiz mandibular, o forame oval

  • A maxilar, o forame redondo.

  • Áreas de inervação do trigêmio: sensitiva do oftálmico, do maxilar e do mandibular.

  • Neuralgia do trigêmio: uma das principais lesões que podem acometer o n. trigêmio. Uma doença de etiologia obscura aonde o individuo tem uma hiperestimulação sensitiva do trigêmio e o indivíduo desenvolve dores terríveis nessa região de inervação sensitiva do n. trigêmio. Para melhorar essa neuralgia, pode ser feita uma lesão cirúrgica no gânglio de gasser.

  • Parte motora: todos os mm. da mastigação e o ventre anterior do m. digástrico são inervados pela raiz maxilar do n. trigêmio.

  • N. oftálmico apresenta algumas ramificações. É dele que partem os nn.: frontal, lacrimal e nasociliar. Esses 3 ramos vão ser responsáveis pela inervação sensitiva dessa área facial.

  • N. maxilar: inervação da maxila, principalmente dos processos alveolares superiores. Tem grande importância clinica nos bloqueios odontológicos. É dessa raiz do trigemio que se origina o n. infraorbital (que atravessa a fissura orbital inferior), os nn. Palatinos menores e maiores que vão inervar a região do palato, o n. naso palatino, o n. faríngeo.

  • Raiz mandibular: é responsável, dentre outras coisas, pela inervação da arcada inferior. Nn. Alveolares inferiores: ramo mais importante da raiz mandibular. É muito freqüentemente anestesiado em procedimentos odontológicos.

  • Lesões no V par: traumas, tumores, aneurismas. Algumas patologias podem acometer o n. trigêmio, destaque para a esclerose múltipla. Algumas características da lesão do trigêmio: paralisia dos mm. da mastigação e a mandíbula, por conta do trajeto das fibras desses músculos, desvia para o mesmo lado da lesão. O individuo perde a sensibilidade térmica e dolorosa da face. Dessas patologias, a esclerose múltipla, a poliomielite podem cursar com lesão do trigêmio (total ou parcial). O indivíduo tem perda do reflexo corniano (que é aferido com a ajuda de um algodão, faz-se um leve estímulo na córnea com algodão: se o individuo está com o reflexo normal, ele fecha a pálpebra e retrai o crânio, se não está, ele deixa que o algodão seja passado pela córnea sem grandes problemas)

  • Neuralgia do trigêmio: freqüente. Causa dores terríveis no trajeto da inervação sensitiva do n. trigêmio.





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