Nas Fronteiras da Loucura



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NAS FRONTEIRAS DA LOUCURA

CENA 1 - POSTO DE ATENDIMENTO
Bezerra e Lúcia estão no palco conversando com os 2 guardas do portal. Miranda entra pelo meio da platéia.
LÚCIA: Boa Noite (ou Boa Tarde) Manoel! Seja bem-vindo a mais esse trabalho de caridade. É um prazer tê-lo em nossa companhia para auxiliarmos nossos irmãos que se valem dessa época festiva do carnaval para se entregar a prazeres mundanos que tantas conseqüências maléficas trazem para si e para muitos outros.
MIRANDA: Obrigado Lúcia. O prazer é todo meu em poder auxiliar e aprender nessa nobre tarefa realizada por vocês.
Bezerra acaba de dar instruções aos guardas do portal, que voltam ao seu posto do lado esquerdo do palco, e se encaminha até Lúcia e Miranda.
MIRANDA: Dr. Bezerra!
BEZERRA: Miranda! Que bom que também está engajado nessa tarefa em um período do ano tão complicado como esse! Sei do seu imenso apreço no estudo dos processos obsessivos e, estando conosco nesse posto de atendimento, terá muitos casos a elucidar aos nossos irmãos encarnados.
LÚCIA: Inúmeros distúrbios obsessivos se desenrolam nos 4 dias do Carnaval, época festiva em que encontramos encarnados em total sintonia com grupos de irmãos inferiores. Abrindo brecha ao se entregarem ao álcool e demais drogas, que são utilizadas como evasão às responsabilidades pelos homens, eles entram em sintonia com os obsessores, que os influenciam diretamente.
MIRANDA: Muitas influências chegam até mesmo ao caso da loucura, não é mesmo? Observo em meus estudos que muitos homens se deixam envolver em tal grau que perdem a consciência dos seus atos, se tornando joguetes nas mãos deles.
LÚCIA: Isso ocorre muitas vezes Miranda. Afinal, é muito tênue a linha divisória entre a sanidade e o desequilíbrio mental. Passa-se de um lado para o outro com relativa facilidade, sem que haja uma mudança expressiva no comportamento da criatura. A obsessão é uma fronteira perigosa para a loucura. Sutil e transparente a princípio, agrava-se em razão da tendência negativa com que agasalha o infrator dos códigos da vida.
BEZERRA: Nesse contexto, o Espiritismo desempenha um relevante papel, qual seja o de prevenir o homem dos males que ele gera para si mesmo e lhe cumpre evitar, como dando os recursos para superar a problemática obsessiva. Nesse trabalho, poderemos acompanhar diversos casos como os que você citou, auxiliando em muitos deles. Esse posto de atendimento central atende a diversos pedidos de socorro, quer seja pelos próprios encarnados envolvidos em momentos de lucidez quer pelos seus entes queridos que os acompanham e não desejam seu mal. O Centro de Comunicações do Posto registra os apelos e toma as decisões, encaminhando assistentes hábeis para cada tipo de necessidade.
MIRANDA: E só existe esse posto de atendimento?
LÚCIA: Não. Há diversos subpostos espalhados em pontos diferentes, estrategicamente mais próximos dos lugares reservados aos grandes desfiles e às mais expressivas aglomerações de carnavalescos. Esse é apenas um Posto de Socorro central, localizado nessa praça arborizada, no coração da Cidade do Rio.
Miranda fixa o olhar no grupo de obsessores que acabaram de entrar (ESQUERDA). Dois em pé, segurando um terceiro, que se debate e geme muito.
MIRANDA: O que são eles? Por que não conseguem atravessar o portal?
BEZERRA: São grupos de desordeiros desencarnados, muito perigosos. Usam de sarcasmo e ironia para tentar nos desequilibrar e encontrar sintonia mental. Montamos sempre uma guarda na entrada do posto para mantê-los afastados.

CENA 2 - A GUARDA DO POSTO



OBSESSOR I: Venham socorrer a infeliz que chora entre nós! (tom sarcástico)
OBSESSOR II: Vejam o desespero dela!
OBSESSOR I: Onde há caridade? Seremos tão odientos que não recebemos compaixão? Também somos mortos, esquecidos de Deus. Onde há piedade? (Ironia)
LÚCIA: Aquela criatura amarrada a correntes trata-se de espírito muito sofredor, que lhes caiu nas mãos desde quando se encontravam encarnados. Transitavam na Terra em situação relevante, trajando roupas de alto preços e ocupando situações invejáveis. Mas, fizeram mal uso. Triunfaram sobre o fracasso dos outros, sorriam no mar de lágrimas dos que prejudicavam. A morte a todos alcança e hoje se encontram submetidos a mentes quão impiedosas quanto à deles enquanto na Terra. Sofrem o que fizeram sofrer...
MIRANDA: E o auxílio divino não os alcança?
LÚCIA: Sim, ninguém se encontra ao desamparo. Mas é necessário que se predisponha a receber ajuda. Por enquanto, suas dores são mais frutos da revolta e do desespero que arrependimento e sincera aceitação do que lhes ocorre. Logo que isso ocorra, mudam de faixa vibratória e a Misericórdia Divina os alcança. Enquanto isso permanecem assim.
Os espíritos começam a se retirar, dizendo injúrias (ESQUERDA):
- Covardes!

- Impiedosos!


BEZERRA: Vamos Miranda! Há muito trabalho a ser feito. Antes vamos observar um pouco um grupo de pessoas que pensa se divertir, não fazendo idéia do quanto são observados, influenciados e, muitas vezes, vampirizados pelos obsessores que os cercam.

BLACK-OUT


SAÍDA

3 – DIREITA

GUARDAS – ESQUERDA
CENA 3 - CARNAVAL
Um grupo de pessoas passa. Música alta de carnaval. Vários espíritos estão juntos, incentivando ao vício (bebida, sexo e drogas). As pessoas não percebem, mas seguem os “conselhos”. Bezerra,Lúcia e Miranda entram (DIREITA).
BEZERRA: Não se creia que todos quantos desfilam nos carros do prazer se encontram em festa. Incontáveis têm a mente subjugada por problemas que procuram fugir, usando o corredor enganoso que leva à loucura; diversos suicidam-se, propositalmente, pensando escapar das frustrações que os atormentam em longo curso; numerosos anseiam por alianças de felicidade que os momentos de sonho parecem prometer, despertando, depois, cansados e desiludidos...
LÚCIA: Raros descontraem-se sadiamente, desde que os apelos fortes se dirigem à queima de todas as reservas de dignidade e respeito, nas fornalhas dos vícios e embriagues dos sentidos. Por isso, os Benfeitores da Humanidade assinalaram a Kardec que a Terra é um planeta de provas e expiações, onde programamos o crescimento para Deus. Não nos cabe, no entanto, duvidar da vitória do amor e do êxito que todos conseguirão hoje ou mais tarde. O fatalismo da vida é para o bem e a destinação é para a felicidade. Cabe a nós, ajudar, sem críticas.
BEZERRA (fechando os olhos por um momento): Nosso auxílio está sendo necessitado em outro setor do Posto de atendimento. Acabei de sintonizar com a central. Vamos até lá.

BLACK-OUT

SAÍDA

CARNAVALESCOS– DIREITA

BEZERRA – ESQUERDA

CENA 4 –ERMANCE



Melide,Lúcia e Miranda estão no palco. Bezerra entra (ESQUERDA).
BEZERRA: Ela acaba de fazer uma cirurgia para drenar as cargas de energia venenosa geradas pelo medo e que poderiam prejudicá-la.
MIRANDA: O que aconteceu?
MELIDE: Essa é minha neta Ermance. Ela era portadora de deficiência cardíaca, em função de um suicídio cometido numa reencarnação passada com um tiro no coração.

De organização física frágil, aos 18 anos, era belíssima. Levava uma vida digna, baseada em princípios religiosos firmes.

Aceitando os insistentes pedidos de amigos, veio observar o carnaval e passear, sem dar-se conta dos perigos a que se expunha. Seu grupo não passou despercebido de rapazes de conduta viciosa, que logo se aproximaram. Um deles conseguiu convencê-la a conversar e caminhar um pouco com ele. Depois de pouco tempo, ele a convidou a descansar em casa de pessoa amiga, onde disse ter combinado que aguardaria os restantes dos amigos dela. Embora relutasse, acabou sendo convencida.

Chegando a casa, Ermance deu-se conta da cilada. Não tendo resistência física para lutar contra o rapaz, o medo se fez e ela entrou em choque.


LÚCIA: O rapaz que, na verdade, era um aliciador de jovens para a prostituição, aplicou-lhe um lenço umedecido com clorofórmio, cuja a dose provocou-lhe uma parada cardíaca.

No desespero, ela se lembrou da avozinha já falecida e da Mãe de Jesus a quem muito amava. O seu apelo foi de imediato atendido, estando sua avozinha ao seu lado, dando assistência.

A irmã Melide rogou socorro, sendo atendida pelos assessores do nosso campo para liberação plena do espírito.
MELIDE: Pode-se imaginar a angústia dos amigos, que não a levaram de volta ao lar, de minha filha e meu genro, a esta altura e no dia seguinte até que a polícia localizasse o corpo.
BEZERRA: Cara irmã, o insucesso amargo, porém bem suportado, será convertido pelas Leis Divinas em futura paz e renovação da família. Encontrará nossa Ermance, mais tarde, em situação feliz.

Sabíamos que ela não teria uma existência muito longa em função de seu coração fraco por causa do suicídio passado. Além disso, o atentado ao pudor da moça não se consumou. Ela não merecia.

A irmã Melide irá acompanhar a família e sustentá-la no período em que Ermance aqui ficará em repouso para oportuna transferência e despertamento posterior.

Vá. Há outros trabalhos a serem realizados irmã.


Saem Lúcia e Melide(ESQUERDA). Bezerra e Miranda permanecem conversando no palco.


CENA 5– ACIDENTE DE CARRO



Entram Lúcia e D.Ruth (ESQUERDA).
LÚCIA: Precisamos de sua ajuda Dr. Bezerra. Houve um acidente nas proximidades do centro da cidade. Quatro jovens, aparentemente embriagados, dirigiam em alta velocidade quando de repente um outro carro, também em alta velocidade, fez uma ultrapassagem. Em função de um obstáculo à frente, o carro freiou repentinamente. O de trás, como também estava correndo, para não bater, desviou-se subindo o canteiro e caindo nas águas lodosas do mangue. Todos morreram.
D. RUTH: Um deles é meu neto, de apenas 17 anos, cujo o corpo jaz no fundo do pântano. Deixou-se arrastar por colegas igualmente irresponsáveis, vindo a sofrer este trágico acidente.

Como estava realizando um serviço em local próximo, senti a mente de meu netinho se envolvendo em alegrias dissolventes. Fui atraída pelo vínculo que nos mantêm unidos e percebi o que aconteceria.

Tentei inspirá-lo para que pedisse ao amigo para diminuir a velocidade, mas não consegui. Induzi-o para que mandasse parar, mas ele não registrou meus pensamentos. Sua mente estava entorpecida, em função do álcool e das drogas.

Acompanhei a tragédia sem nada poder fazer. Receio agora que eles caiam nas mãos de irmãos infelizes, que vampirizam as últimas energias orgânicas, e que se preparam para atacá-los.


BEZERRA: Tranqüilize-se. Vamos ajudá-los. Mas é necessário que estejamos em harmonia e que tenhamos confiança integral na Providência

Vamos!
Todos saem (ESQUERDA).



Quatro jovens entram (DIREITA) e deitam-se no chão, gemendo.

Dois espíritos trevosos se aproximam (DIREITA).
VAMPIRIZADOR I: Vamos esperar que terminem de morrer para que possamos pegar toda energia desses corpos.
Eles vão se aproximando. Bezerra e os outros chegam. (ESQUERDA).
VAMPIRIZADOR II: Chegaram os salvadores! Vêm em nome do Crucificado, que a si mesmo não salvou. Eles são nossos!
VAMPIRIZADOR I: Formemos uma muralha em torno deles e impeçamos que se intrometam nos nossos direitos. Vamos esmagar esses impostores não convidados.
Bezerra entra em prece e todos os acompanham. Uma luz fraca de início, o ilumina.
VAMPIRIZADOR II: São feiticeiros! Retiram fogo dos céus e nos está a queimar. Fujamos!
VAMPIRIZADOR I: São apenas mágicos, utilizando-se de forças mentais. Os desgraçados que acabam de morrer são nossos e daqui não arredaremos pé...
Um clarão mais forte se fez e eles fogem (DIREITA). Um espírito evoluído vem do meio da platéia, com canhão aceso.
ESPÍRITO EVOLUÍDO: Ouvi seu pedido de ajuda e sua prece a Deus pelos rapazes.
Os rapazes gritam de dor e alucinação. Morrendo e se retorcendo. Um a um, todos são ajudados. A avó cuida de seu neto.

As roupas são deixadas no local, indicando o corpo inerte que fica. Ouve-se uma sirene de polícia.
BEZERRA: Partamos daqui. Nada mais há a fazer.
Todos saem (DIREITA).
BLACK-OUT

CENA 6- HOSPITAL



Entram os rapazes deitados no chão. Estão tendo “pesadelos”. Entram do outro lado do palco, Melide e Ermance na maca.

Bezerra, Miranda e Lúcia entram. (DIREITA)
LÚCIA (para Miranda): Os pacientes foram colocados em recinto especial para que ficassem adormecidos.

Assim que as famílias tomarem conhecimento do infortúnio que as alcança, a falta de preparo espiritual para as realidades da breve existência corporal desatará aflições imensas, provocando a atração ao lar de alguns daqueles seres queridos, ora em situação delicada.


BEZERRA: Este era o motorista. Infelizmente, o nosso amigo buscava o acidente em razão da ingestão de drogas que se permitira.

Sua mente está praticamente bloqueada.

Nosso amigo já estava habituado ao uso de drogas fortes, o que lhe danificou consideravelmente a organização espiritual
Lúcia se dirige na direção de Fábio (o neto)
LÚCIA: O nosso Fábio estava sendo iniciado. Já havia passado da maconha e estava agora experimentando as anfetaminas.

Por isso ele não ouviu os apelos da avó. Não tinha condições de sintonizar.

Felizmente, não teve tempo de se envolver demais podendo, ao menos, estar em condições de ser socorrido.

Mantenhamos a fé em Cristo e o tratamento com passes para acalmá-los


Do outro lado do cenário estava uma jovem (Ermance) e Melide.
BEZERRA: Vejamos como passa Ermance.
Bezerra aplica-lhe um passe. Sua avó (Melide) Vem para perto dela.
MELIDE: Ela começa a sofrer com os apelos que vem do lar. Tenho tentado amparar minha filha e meu genro, que estão desesperados com a perda provisória de sua filha. Felizmente, estão reagindo um pouquinho.
BEZERRA: Ela vai despertar.
Ermance abre os olhos e a surpresa toma conta dela.
ERMANCE: Deus meu!...Estou sonhando!... Vovó, vovó querida, me ajuda!
A avó a abraça com ternura e em silêncio.
ERMANCE: Vovó me raptaram e agora querem me matar. Tenho medo. Quero voltar para casa. (Começa a chorar)
A avó não se perturba.
MELIDE: O rapto não se consumou, minha querida. Tudo está bem. Estamos juntas. Agora acalma-se, e lembre-se da oração.
ERMANCE: Estou sonhando com você, vovó. Que bom!
MELIDE: De certo modo você está despertando de um sonho demorado no corpo.
ERMANCE (se assustando): Eu digo sonho porque você já morreu, né, vovó!?
MELIDE: Que palavra imprópria é a morte! (Certo humor) Não existe aniquilamento, é apenas um ciclo que se fecha e outro que se inicia, muito mais amplo.
ERMANCE: Eu sei, vovó! Mas acontece que você já não pertence ao número dos vivos. Parece que a morte não lhe fez bem!
MELIDE: Ah! Minha querida! Mas agora você ficará aqui comigo.
ERMANCE: Ah, não! Vovó, eu não quero morrer!
MELIDE: E não morrerá! Você está livre, viva...já venceu a morte.
ERMANCE: Então, eu também já não pertenço ao número dos vivos?! E papai? E a mamãe?
MELIDE: Deus nunca nos desampara. Durma, descanse meu amor. Para sonhar com as alegrias do céu.
Melide deita a cabeça de Ermance na cama.

Os rapazes que estavam do outro lado começam a gemer alto. Bezerra,Lúcia e Miranda vão em direção a eles.
LÚCIA: Seus corpos vão ser enterrados. Eles estão sentindo as vibrações de seus entes queridos.
VOZES:
- Meu filho! Por que? Por que?
- O seu filho matou o meu! Ele estava drogado!
- Não é possível! Ele não faria isso! Era um bom menino!
- Era drogado, sim! Todos drogados!
- Ah! Meu filho!
BEZERRA: As nossas providências de socorro não geram clima de privilégio.

O Senhor nos recomendou dar a quem pede, abrir a quem bate, facultar a quem busca, dentro das possibilidades de merecimento dos que recorrem ao auxílio.

Quando trouxemos os nossos jovens, objetivamos poupá-los da agressão de entidades vulgares. Graças à misericórdia de Deus, conseguimos. A cruz, porém, é intransferível. Podemos ajudar a diminuir o peso, mas não podemos transferi-la de ombros.

Esperemos e observemos!


O motorista se levanta com uma expressão de loucura.
LÚCIA: Foi atender os que o chamam sob chuvas de blasfêmias e acusações.
Fábio e o outro jovem permanecem.
BEZERRA: Estes estão em condições menos piores. Foram poupados das cenas fortes e à presença do cadáver. Além do corpo, cada espírito acorda conforme o amanhecer que preparou para si mesmo.
BLACK-OUT

SAÍDA

JOVENS + 3 - DIREITA

MELIDE + ERMANCE – ESQUERDA

CENA 7 – PALESTRA
Entram Miranda e Lúcia conversando (DIREITA).
MIRANDA: Incrível essa palestra de Bezerra sobre o problema das drogas não é mesmo Lúcia? Não sabia que aqui no Posto também tinham atividades desse tipo.
LÚCIA: Você percebeu que, além dos desencarnados, muitos espíritos ligados ao corpo estavam presentes no local?
MIRANDA: Sim. Estavam desdobrados durante o sono não é? Bezerra me explicou que eles já apresentam lucidez para tal tarefa e que já estão habituados a incursões de tal porte. Se preparam melhor para a atividade socorrista.
Miranda pára e reflete um pouco.
MIRANDA: Se todos os encarnados soubessem o que realmente ocorre no Carnaval enquanto se iludem com a diversão dos prazeres carnais passageiros... A maioria desistiria dessa festa.
LÚCIA: Cada um está no seu momento de ouvir e fazer. Muitos ainda não despertaram. Não podemos auxiliar aqueles que não buscam ajuda, apenas estarmos aqui no momento em que solicitarem-a. Cabe a nós trabalharmos ao máximo para minimizarmos as conseqüências devastas trazidas com o Carnaval. E anime-se Miranda! Ainda há muito trabalho. Ainda mais hoje, o último dia de carnaval, no qual a maioria das pessoas busca a entrega total.
Entra Arthur aflito (ESQUERDA).
ARTHUR: Genésio!Por favor, me ajude! Minha filha tentou suicídio e peço que intercedam por ela para que não retorne à pátria espiritual nesta condição. Bezerra já está no local.
LÚCIA: Acalme-se Arthur! Vamos agora mesmo para lá.
Todos saem (DIREITA).

BLACK-OUT


CENA 8– NOEMI



Entra uma maca com uma jovem (com os punhos enfaixados) em cima com um obsessor ao lado. (ESQUERDA) Logo após, chegam Bezerra,seus auxiliares e Arthur. (DIREITA).

VOZ MÉDICO: Ela tentou cortar os pulsos.Parada cardíaca! Depressa, massagem.
OBSESSOR PUNHO: Quiseste morrer e assim será. Não escaparás. Agora é conosco.
Dr. Bezerra se aproxima do algoz e este o vê.
OBSESSOR PUNHO: Ela é minha! Veio às minhas mãos por livre e espontânea vontade.
BEZERRA (VOZ SERENA): Não sou eu quem te tomará o ser que amesquinhas senão o nosso Pai. Não é a hora dela. O acontecimento será como quer o Criador e não como nós desejamos. É a tua vez de ceder...
OBSESSOR PUNHO: Não a cederei. Só a força. Venha tomá-la.
Bezerra não se altera. Ele se concentra e entra em prece. A sala se ilumina.
BEZERRA: Em nome de Deus...Devolva esta jovem ao corpo!
O obsessor ficou paralisado e anda refletindo para a frente. Ela abre os olhos e respira forte.
BEZERRA: A vida é patrimônio de Deus e todos nós nos encontramos situados nela com propósitos superiores que nos estão reservados.

A sua anuência, meu amigo, é abençoado acerto, que lhe abre uma nova oportunidade.

Observe, agora,

Em nome de Deus!


Uma Senhora entra (DIREITA).
MÃE (amorosa): Meu filho...
A surpresa o choca. Ele cai de joelho.
OBSESSOR PUNHO: Mamãe!
Ele chora desesperadamente. Ela o abraça e também chora, comovida.
BEZERRA: A ovelha que se perdeu foi agora encontrada.
MÃE: Podemos levá-lo para o posto central, para um breve tratamento?
BEZERRA: Sem dúvida!
Os dois saem (DIREITA).
MIRANDA: Dr. Bezerra, o que aconteceria se o nosso irmão persistisse no erro? Que recursos seriam utilizados?
BEZERRA: Não há força que supere o amor. Ao recorrer à prece, nos ligamos com os planos mais altos do céu, que possibilitou essa visita fazendo com que ele recordasse da mãe.

O amor que nele estava doente, escravo da revolta, rompeu as amarras e ele cedeu, o que lhe facultou sintonizar com seus familiares.



Não esqueçamos do ensino sempre atual de Jesus: “Pedi e obtereis”. È necessário pedir, saber fazê-lo e esperar com receptividade.
ARTHUR: Noemi sobreviverá! Deus seja louvado! Obrigado Dr Bezerra! Obrigado meus irmãos por todo o apoio. A minha pobre filha renasceu no nosso lar,sob grave provação devido as suas raízes com o passado. Enalda,sua mãe, sofrera uma grande injúria de Noemi em encarnação passada, devendo ser resgatado nesta vida os laços do perdão através de sua posição de genitora. Contudo, minha esposa, é imatura no que tange aos compromissos nobres, sonha com os prazeres extenuantes a que gostaria de se entregar, pouco lhe importando as consequências deles. Nessa condição, se envolveu com o marido de Noemi, Cândido, não vindo por pouco a responder pelo suicídio da filha necessitada de amparo.
BEZERRA: Instrua-a em sonho Arthur para que ela consiga transformar a vingança que planeja em ato de perdão. Ela vai ouví-lo. No mais, cabe a nós esperarmos a sua recuperação física, sempre nos mantendo em sintonia mental com ela para que consigamos chamá-la para a conduta do amor.

Todos concordam.
BLACK-OUT


CENA 9 – ASSALTO


Dois guardas caminham pelo palco conversando animadamente (DIREITA). Bezerra, Miranda e Lúcia estão no palco. Bezerra vai até um deles e cochicha ao ouvido que ele volte.
GUARDA I: Vamos dar uma outra volta por ali?
GUARDA II: Que mané volta! Já está quase na hora de encerrarmos o nosso turno e já passamos por ali! Quero aproveitar um pouco do meu carnaval ainda...
GUARDA I: Não sei por que, mas tenho que voltar até lá. Intuição...
Guarda I volta e o outro o segue reclamando. Uma jovem sai correndo (ESQUERDA) e chega até eles esbaforrida.
JOVEM: Ai... guardas! Ainda bem que vocês estão aqui! Dois rapazes tentaram me agarrar!
Um dos guardas vai até eles e volta. (ESQUERDA)
VOZES: Ih.. sujou! Vamos embora. A polícia está aqui!

GUARDA I: Foram pegos pela patrulha... Mas você está bem? Vamos até a delegacia para você apresentar queixa.
JOVEM: Não, não quero. Foi só um susto, graças à Deus.
GUARDA II: Mas você não pode deixá-los soltos.
JOVEM: Não, o susto também valeu para eles. Não quero vê-los mais.
GUARDA II: Se você prefere assim... O que você estava fazendo andando sozinha a essa hora da noite?
JOVEM: Uma senhora amiga minha, estava doente e precisava de ajuda. Mesmo sabendo do perigo pela hora, orei e resolvi ir.
GUARDA I: Que sorte a sua eu e meu colega passarmos por aqui, então...
JOVEM: É, graças a Deus, que atendeu ao meu pedido de ajuda!
GUARDA II: Vamos, vamos te levar para casa.
Eles saem (ESQUERDA).

Dr. Bezerra e os auxiliares observam o desenrolar da cena.
MIRANDA: A moça não estava em tarefa de caridade? Como explica essa grande agressão de que foi vítima? Poderiam ter-lhe causado prejuízos irreversíveis!
BEZERRA: A oração nos imuniza contra o mal e nos dá força para suportá-lo, mas não muda os nossos necessários processos de evolução.

No caso dessa jovem, graças à rápida aflição experimentada anulou grande e futuros sofrimentos que lhe pesavam na bagagem evolutiva, por erros graves cometidos no passado na área sexual.

Nesta vida, consciente da necessidade da depuração, dispôs-se à renovação pelo amor e pelo trabalho edificado sob a luz do conhecimento espírita. Isso lhe gerou mérito que puderam alterar os fatores cármicos da atual existência.
LÚCIA: Além disso, ela triunfou sobre si mesma quando teve a oportunidade de apresentar queixa e não o fez. Ela os perdoou. Eles ficarão retidos até amanhã e aproveitarão a lição.

Nenhuma rogativa honesta, dirigida ao senhor, fica sem resposta.



CENA 10 - CASAL DISPLICENTE
Casal entra conversando(ESQUERDA) enquanto Bezerra, Lúcia e Miranda ainda conversam em um canto.
MULHER: Vamos nos divertir a valer hoje amor! Será nossa despedida do carnaval, já que nos encontramos no pórtico de uma vida nova, a fim de não ficarmos no futuro frustrados.
HOMEM: Ai... eu não sei... Você mesmo ouviu na reunião que fomos lá no centro espírita que o carnaval apresenta muitos perigos para aqueles que sintonizam com a atmosfera do local.
MULHER : Então meu amor! Nós não nos sintonizaremos. Somos pessoas de bem, com tarefas de caridade, freqüentando o centro... Nenhum espírito inferior virá nos incomodar!Estamos com a armadura do centro!
HOMEM (rindo): Você é mesmo uma boba... Vamos então... Uma noite não vai custar tanto. Mas não podemos abusar hein!
Grupo de obsessores chega a um canto(ESQUERDA) enquanto outros foliões entram na cena e o casal começa a dançar. Bezerra, Lúcia e Miranda se aproximam do grupo mal-intencionado.
OBSESSOR III: Convidei-os para ajudar-me numa empresa, se que todos nos beneficiaremos. Ela pertence a todos os injustiçados.
OBSESSORES: Bravo!!! (aplaudindo)
OBSESSOR III: É o meu desejo apenas alcançar o casal. Irei me utilizar de Júlia, que vocês conhecerão, atirando sobre ela um maníaco sexual, embriagado, para gerar confusão... Ela é médium e será mais fácil de perduadir à bebida e ao lança perfume. Otávio, aturdido com a situação, se verá cheio de ciúmes.
OBSESSOR I: O amor dessa gente é ótimo veículo para nossos planos! (todos riem)
OBSESSOR II: Ele provavelmente ficará muito irritado com a situação! (ri, acompanhado pelos outros) Pegará o carro e baterá em um edifício,árvore ou quem sabe um abismo (empolgado)!
Todos riem. Bezerra se aproxima deles.
BEZERRA: Irmãos, já é tempo de cuidardes da vossa paz...
OBSESSOR III: Não o escutem. Ele é conhecido como perturbador dos nossos planos e serve do outro lado da linha...
BEZERRA: Não desejo interferir nos vossos planos, que vos pertencem. Ocorre que soa a momento de encontrardes a vossa paz. O desequilíbrio é ácido a queimar quem o transporta...
OBSESSOR II: Saiamos daqui, vamos! Este é o nosso momento e o infame vem pertubar-nos?
BEZERRA: Examinai! Tendes sofrido muito até hoje, sem qualquer resultado: assim ocorre, porque o desejais. Revoltai-vos com quem vos magoou e repetis o erro deles, que se rebelarão e volverão à cobrança. Até quando?
LÚCIA: Só o amor ao próximo como a vós mesmos solucionará a dificuldade. Tende amor a vós mesmos, pensando em vosso progresso, na libertação do mal que teima por dominar-vos e, superada essa fase, o amor se dilatará na direção do vosso próximo. Não amanhã, porém, agora, neste momento. Jesus espera por nós, amoroso, sem qualquer exigência.
Todos congelam e Miranda se vira para a platéia.
CENA 11– ENCERRAMENTO
MIRANDA: E vocês, caros espíritos da platéia. Que mágoas também não guardam daquele vizinho encrenqueiro, do membro da família irresponsável, do colega de trabalho intragável? Como é fácil nos vermos no lado oposto. Somos sempre os ofendidos... Mas quantos nós ainda não perdoamos? Não deixe que a vitrine que hoje vêem diante de seus olhos, em que desfilam desgraças alheias, os acometa. A responsabilidade é maior ainda para nós, que já temos o conhecimento.

Mulher do casal descongela e vem a frente.
MULHER: Graças à intervenção do Dr Bezerra, não fomos importunados pelo grupo de obsessores. O que os comandava foi chamado à emoção com a presença de um antigo ícone religioso em vida.
Obsessores descongelam e um frei entra (DIREITA). Miranda e a mulher observam o desenrolar da cena, Os outros congelados.
OBSESSOR III: Frei Arnaldo! (emocionado, ajoelha-se) Confessai-me que sou um desventurado, a fim de que possa alcançar o perdão de Deus e consiga rever minha mãe...
FREI: Confessemo-nos ao Senhor e arrependamo-nos sinceramente, dispondo-nos para a recuperação pelo bem que nos impusemos fazer.
A mãe do obsessor entra(DIREITA) e ele a abraça, chorando. Ela agradece por terem ouvido a sua prece e sai com ele. Os demais obsessores também se ajoelham diante do Frei e saem todos juntos. (ESQUERDA) O homem do casal também descongela.
HOMEM: Poucos minutos depois saímos do local. Vítima de repentina dor de cabeça, Júlia pediu para ir para casa repousar.
Os dois saem. (DIREITA) Lúcia e Bezerra também descongelam.
LÚCIA: Nesta noite (ou tarde) vocês foram cúmplices do trabalho que realizamos durante os quatro dias do carnaval. Cabe a você 3 decisões... se manter indiferente, participar do trabalho ou ser atendido por ele. Cada espírito acorda conforme o amanhecer que preparou para si mesmo.
BEZERRA: O caminho da vida é para a felicidade. Podemos escolher as lágrimas ou o suor como ferramentas para chegar até ela. E lembrem-se, não há força que supere o amor... Oremos...
DR. BEZERRA: Senhor da vida!

Nós que sempre te pedimos, fazemos uma pausa para oferecer-te o nosso reconhecimento.

Por tudo de mal que poderia haver sucedido e não ocorreu.

Pelas oportunidades não perdidas e pelas tentativas acertadas:

Pela sintonia mantida com os teus mensageiros e as instruções recebidas;

Pelo desejo de servir em teu nome e a ação que foi conjugada;

Por sempre nos socorrer e auxiliar, nós te agradecemos.

Considerando o que ainda há para fazer e como necessitamos realizá-lo, agradecemos, desde já, por nos colocar na lista de ação.



Senhor, louvado sejas!
MIRANDA: O nosso ontem é longo. O amanhã é de esperança para a felicidade. Mas, o hoje é o divisor do tempo, o momento decisivo, o convite imediato à ação que não pode esperar. Aproveitemos a oportunidade e confiemos sempre!









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