Na esfera física, matéria e energia interagem entre si de muitas formas e níveis


Organização Mundial da Saúde (2010) – Fact Sheet No. 193



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Organização Mundial da Saúde (2010) – Fact Sheet No. 193

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs193/en/index.html
"Um grande número de estudos investigou os efeitos dos campos de radiofrequência na atividade elétrica do cérebro, na função cognitiva, no sono, na frequência cardíaca e pressão arterial em voluntários humanos. Até o presente, essas investigações não sugere nenhuma evidência consistente dos efeitos adversos para a saúde da exposição a campos de radiofrequência em níveis abaixo daqueles que causam aquecimento dos tecidos. Além disso, as pesquisas não foram capazes de fornecer suporte a uma relação de causalidade entre a exposição aos campos electromagnéticos e os sintomas auto-relatados, ou "hipersensibilidade electromagnética".

Estudos experimentais em seres humanos na América Latina

Nós não encontramos qualquer estudo experimental humano significativo sobre os efeitos dos campos de RF na saúde humana na América Latina.




Principais Conclusões e Declaração do Grupo Latino-Americano de Especialistas sobre Estudos em Seres Humanos


Estudos experimentais com seres humanos foram realizados com o intuito de investigar possíveis efeitos agudos dos campos de RF, especialmente aqueles emitidas por telefones móveis em íntimo contato com o corpo humano, em diversos sistemas orgânicos de voluntários humanos saudáveis. A maioria dos estudos de boa qualidade não apresentaram resultados danosos significativos, ou então relataram alterações pouco significativas nos parâmetros fisiológicos e comportamentais de interesse.

No sistema nervoso, muitas funções cognitivas e comportamentais foram investigadas, tanto em crianças como em adultos, e é agora amplamente aceito que não existem efeitos significativos do uso de telefone celular sobre parâmetros cognitivos e comportamentais. Em relação às alterações no EEG de repouso, embora os estudos iniciais tenham mostrado um leve aumento na frequência alfa e no sono REM, estudos mais recentes e melhor concebidos utilizando a polissonografia não puderam demonstrar qualquer efeito sobre o EEG e os padrões de sono. Outros efeitos investigados da RF de baixo nível emitidas pelos telefones celulares nos sistemas sensoriais, tais como dor, visão, audição e os sistemas vestibulares, bem como sobre os sistemas endócrino e cardiovascular foram todos negativos, ou seja, sem evidência demostrada. Podemos concluir, portanto, que à exceção de pequenas variações inconclusivas no desempenho de tarefas cognitivas e de EEG, a exposição dos usuários de telefones celulares dentro da escala normal de intensidade e frequência não afeta o sistema nervoso central estruturalmente ou funcionalmente.


Pelo fato do cérebro ser o órgão mais próximo da antena de um telefone celular em uso junto ao ouvido, ele seria teoricamente o mais afetado pela radiação não-ionizante emitida pelo mesmo, tanto pelos efeitos térmicos quanto não-térmicos. No entanto, apesar de sua conhecida sensibilidade a agentes físicos e químicos externos, tal fato, apesar de ter sido extensamente estudado pela ciência, não foi comprovado, o que nos permite inferir que outros órgãos, mais distantes da fonte de radiação, também não o seriam.

Mesmo nos estudos que foram capazes de demonstrar um efeito moderado, estes não foram prejudiciais à saúde, e sua importância na exposição a longo prazo não pôde ser verificada. Estudos utilizando imagem funcional do cérebro e termografia profunda têm mostrado que não existe aquecimento significativo causado diretamente pela irradiação RF, tanto no osso como no cérebro.


Em relação à chamada síndrome de hipersensibilidade eletromagnética, a conclusão é que indivíduos que se auto denominam sensíveis não conseguem detectar exposição à RF mais do que indivíduos insensíveis, e que seus sintomas não são devidos à exposição a RF, mas sim a outros fatores.


Estudos Epidemiológicos
Devido às dificuldades éticas e metodológicas dos estudos de exposição a campos eletromagnéticos a longo prazo nos seres humanos utilizando abordagens experimentais, os pesquisadores têm recorrido a observação, ou seja, a estudos epidemiológicos (Repacholi & Cardis, 1997).

O objetivo dos estudos epidemiológicos é testar estatisticamente se há um nexo causal entre a exposição a um agente ambiental e seus efeitos sobre o suposto estado de saúde dos indivíduos expostos. Eles usam estudos especialmente concebidos que tentam determinar associações entre variáveis independentes (nível de exposição) e determinadas variáveis dependentes (estado de saúde, o desenvolvimento ou agravamento de uma doença, etc) através da coleta de dados a partir de amostras da população. Os três desenhos de pesquisa mais utilizados são os de coorte ou longitudinais, de caso/controle e os transversais. Além disso, em relação à comunicação sem fio baseada em RF, existem duas situações de exposição diferentes: a RF em campo afastado, emitidos por antenas das estações rádio-base, pontos de acesso WiFi, etc., e a RF em campo próximo, emitida por dispositivos portáteis (por exemplo, telefones celulares).


Nesta seção analisaremos o estado dos conhecimentos dados pelos projetos de investigação epidemiológica sobre riscos à saúde decorrentes da exposição a campos de RF em contextos diversos, abrangendo a literatura publicada até maio de 2010. É apresentada também uma análise crítica das questões metodológicas e um resumo atual das investigações epidemiológicas, bem como um breve resumo das conclusões do grupo de especialistas.




As questões metodológicas na epidemiologia de RF

Apesar de estudos epidemiológicos poderem ser realizados em muitas áreas da saúde ambiental, o caso das exposição a baixos níveis de campos eletromagnéticos não-ionizantes é especial, pois é uma das áreas de investigação que mais sofre de vários problemas metodológicos sérios. Antes de iniciar nossa revisão da literatura, seria útil discuti-las brevemente. Uma discussão mais detalhada e propostas de soluções para estes problemas seguir-se-á à revisão da literatura.




De acordo com a publicação da Organização Mundial de Saúde sobre Campos Electromagnéticos, na série sobre Saúde Ambiental (WHO, 1993),

"Os estudos epidemiológicos sobre a associação entre o câncer e os campos de RF são dificultados por uma série de fatores: a maioria dos membros de qualquer população está exposta a níveis de RF muito baixos, e é muito difícil estabelecer o grau de exposição de RF em indivíduos por um período significativo de tempo. O controle de fatores de confusão também é importante é muito difícil de ser feito".
Apesar de ter sido feita em 1993, nossa opinião é que ela continua válida até hoje. A evolução metodológica da epidemiologia desde essa data tem sido grande, mas ainda não conseguiu resolver completamente os problemas fundamentais que são intrínsecos à natureza do problema, como veremos.


A detecção de associações (e possíveis relações causa-efeito) através da investigação epidemiológica na área de agentes ambientais de muito baixa intensidade precisa de um tempo de exposição suficiente para que os efeitos com grande latência tenham tempo de se manifestar, bem como de boa precisão e capacidade de classificar os indivíduos em grupos de risco diversos.
A esse respeito a principal limitação desses estudos epidemiológicos é que eles são capazes apenas de evidenciar associações entre variáveis dependentes e independentes, e geralmente não têm força suficiente, por serem estudos observacionais com grande número de variáveis não controladas, de comprovar relações causa-efeito definitivas, como acontece com as abordagens experimentais, e sim apenas indicá-las como prováveis. Diversas fontes de viés e fatores confundentes dificultam chegar a conclusões científicas com força de evidência grande, como notou Bradford Hill, que listou nove pontos que devem ser satisfeitos para que esta se manifeste em um estudo epidemiológico.

Apesar dessas dificuldades, seu alto custo e longa duração, os estudos epidemiológicos são fundamentais para a avaliação adequada de riscos ambientais da RF. O banco de dados de trabalhos científicos registrados do Projeto Campos Eletromagnéticos e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS-EMF) listava até o primeiro trimestre de 2010 um número de 383 estudos epidemiológicos publicados, dos quais 147 tratavam de telefonia móvel e comunicação de dados sem fio. Destes, 65 eram estudos do tipo caso/controle, 15 eram estudos longitudinais baseados em coortes, representando cerca de 50% dos estudos publicados. Trinta e dois dos estudos epidemiológicos registrados investigaram a associação entre exposição à RF e sintomas subjetivos (21), sistema nervoso e comportamento (8), e teratogenicidade, reprodução e desenvolvimento (3).


Estudos ecológicos: a extensão da irradiação por campos eletromagnéticos
Como os estudos epidemiológicos são realizados em condições de exposição natural das pessoas à irradiação, obviamente devem considerar o grau de exposição a todas as fontes de radiofrequência, naturais ou artificiais, e da contribuição de cada frequência em termos de sua densidade de potência.
Até recentemente, muito pouco se sabia sobre a exposição média dos seres humanos em ambientes urbanos aos campos artificiais de radiofrequência usados em telecomunicações, particularmente de telecomunicações móveis. Um estudo, por Frei et al (2009) utilizou dosímetros pessoais, portados continuamente por voluntários na Suíça durante uma semana, para avaliar o grau de exposição. Eles descobriram que a exposição média foi baixa (0,13 mW/m2, variando de 0,014 a 0,881 mW/m2. Este nível correspondeu a um gradiente de campo médio de 0,22 V/m, bem abaixo dos limites internacionais de segurança de 10 V/m para campos eletromagnéticos.
A exposição a frequências utilizadas em telecomunicações móveis deveu-se principalmente às estações rádio-base de telefonia celular (32%), telefones celulares (29%) e telefones sem fio do tipo DECT (22%). Os maiores níveis foram registrados no interior dos veículos de transporte fechados, como os trens (1,16 mW/ m2 e bondes ou ônibus (0,36 mW/ m2), em aeroportos (0,74 mW/m2), e foram em média duas vezes maiores durante o dia do que à noite (sendo esta última de 0,08 mW/ m2 somente).
Além da exposição aos dispositivos emissores utilizados na comunicação móvel de voz, tem aumentado recentemente a preocupação em relação ao grau de exposição diária a dispositivos de transmissão de dados sem fio, tais como WLANs (Wireless Local Area Networks) e Bluetooth.
Outras fontes comuns de exposição à RF têm sido pouco investigadas tais como os dispositivos de vigilância de bebês (“babá eletrônica”), telefones sem fio domésticos, e fones de ouvido sem fio para uso em ambientes fechados. Schmid et al. (2007a) mediram a exposição combinada de todos esses dispositivos nos interiores de casas e escritórios, chegando à conclusão de que eles são baixos, atingindo a média de aproximadamente 0,1% do limiar de densidade potência definido pelo ICNIRP. As exposições a estações rádio base e placas de comunicação de WLANs foram da ordem de 20 mW/m2 . Nenhum dos dispositivos, mesmo aqueles mantidos próximos ao corpo, ultrapassou esses limites. Medições ao ar livre de estações de base de redes sem fio do tipo WiFi resultou em níveis 2 a 3 ordens de magnitude inferiores aos níveis medidos em recintos fechados, o que indica níveis negligenciáveis em relação aos níveis de segurança adotados atualmente.
Joseph et al. (2008) estimaram SARs (Taxa de Absorção Específica) de exposição ao ar livre do público em geral, para vários locais e cenários. O nível médio absorvido a partir de estações rádio-base GSM foi da ordem de 0,26 V/m, correspondente a um SAR dentro do percentil de 95% de 2,08 μW/kg (o nível de segurança recomendado pelo ICNIRP é de 4 W/kg para o corpo inteiro). Em outras palavras, observou-se em ambientes externos um SAR de aproximadamente 5 décimos milionésimos do nível de segurança!

As fontes de informação para a revisão

Duas bases de dados principais foram utilizadas para encontrar as fontes de informação utilizadas na presente revisão: MEDLINE (Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, através do serviço de busca on-line PubMed), e o banco de artigos publicados mantido pelo EMF and Health Project da Organização Mundial de Saúde. Nós complementamos a busca por meio de alertas bibliográficos e de vários serviços de notícias especializadas, como o RF Gateway.


Consultamos também as principais pesquisas comparativas, revisões críticas e meta-análises de literatura, a fim de melhor filtrar o grande número de artigos relevantes, tais como Breckenkamp et al. (2003), Röosli et al (2003), Kundi et al. (2004), Elwood (2004), Lahkola et al. (2006), Krewski et al. (2007), Moulder et al (2005), Hardell et al., (2007), Ahlbom et al. (2004, 2009). Importantes questões metodológicas em relação aos grandes estudos epidemiológicos de exposição à radiofrequência (RF) foram colocadas por Rothman et al (1996), Schüz & Mann (2000 ), Ahlbom et al (2004), Morrissey (2007), Neitzke (2007), Kuhnlein et al (2008), os quais utilizamos para a presente revisão.


Duas revisões por Ahlbom et al (2004, 2009) analisaram a literatura sobre a epidemiologia dos efeitos da RF de 100 kHz e 300 GHz na saúde humana, dividindo-a em estudos de exposição de RF a partir de fontes de transmissores e de telefones móveis, e abrangendo os efeitos possíveis da exposição a longo prazo sobre o risco de várias doenças, como câncer, doenças cardiovasculares, e resultados adversos sobre a fertilidade e gravidez. Suas conclusões podem ser consideradas relevantes, porque foram encomendadas pelo ICNIRP e realizadas por seu grupo de especialistas em epidemiologia.


Além disso, estudamos de perto e levamos em conta as competentes comissões nacionais e internacionais que têm realizado extensas e periódicas revisões da literatura, tais como a ICNIRP, o Grupo Independente de Especialistas para Telefones Móveis (IEGMP), o ex-Comitê de Proteção Radiológica do Reino Unido (agora denominada de Agência de Proteção da Saúde), e outros, de vários países. Por exemplo, um grupo de peritos da Comissão Européia chamado SCENIHR (em tradução, Comité Científico sobre Riscos Emergentes Novos e Recentemente Identificados), elaborou dois pareceres sobre os efeitos possíveis dos campos eletromagnéticos (CEM), campos de radiofrequência (RF) e radiação de micro-ondas na saúde humana, que atualizaram os que tinham sido o que tinha sido fornecido em 2001 pelo CSTEE (Comité Científico sobre a Toxicidade, Ecotoxicidade e Ambiente). As avaliações de ambas instituições foram baseadas principalmente em artigos avaliados pelos pares.


Incidência e Mortalidade de Câncer


Estudos de Exposição Comunitária

Esta é a categoria de estudo epidemiológico que menos foi pesquisada e que mais carece de dados de boa qualidade. Foram excluídos da presente revisão os estudos de baixa qualidade, publicados em revistas sem revisão dos pares, ou na forma de relatórios técnicos ou resumos de congressos, com falta de controles, e que tenham envolvido um número pequeno de sujeitos de pesquisa, uma vez que a força da evidência que eles fornecem é muito baixa.


Dos oito estudos epidemiológicos sobre a mortalidade e a incidência de câncer por exposição comunitária de populações, publicados até 2001 (revisados por Ahlbom et al. 2004), todos foram focados nos possíveis efeitos de transmissores de rádio e de TV sobre a incidência de tumores cerebrais e de leucemia infantil. Todos tiveram também um pequeno número de casos e tipicamente envolveram menos de cinco casos observados de câncer. A distância da fonte da antena foi o principal critério de classificação da exposição, o que é uma forma bastante inadequada de estimar a variável independente, produzindo grande fontes de imprecisão. As taxas de risco relativo (RR) observadas foram todas pequenas, próximas a um (1), de modo que nenhuma associação entre a proximidade de uma antena e a incidência ou mortalidade de câncer pode ser demonstrada. A avaliação feita por Ahlbom et al (2004) afirmou claramente que:
"Até à data presente nenhum estudo aceitável sobre qualquer tipo de desfecho foi publicado sobre este assunto. Por um lado, os resultados de estudos válido seriam de grande valor em relação a uma preocupação social, por outro, seria difícil de conceber e realizar um estudo válido, e não há nenhum motivo científico para conduzir um estudo sem validade."
Esta situação não se alterou até a data da presente revisão e muito poucos novos estudos de exposição comunitária têm contribuído para o conhecimento científico neste contexto. Estudos mais extensos e robustos são claramente necessários nesta área.
Um grupo de especialistas examinou recentemente a viabilidade de tais estudos (Neubauer et al, 2007), analisando as questões críticas metodológicas. Eles concluíram que tais estudos são viáveis, porém teriam que ser levadas em conta todas as fontes emissoras relevantes capazes de causar exposição à RF, e não somente as usadas na telefonia móvel, por exemplo. A maioria dos estudos epidemiológicos não faz isso, e parece assumir de forma pouco racional que a única fonte de RF nos mesmos é a que eles estão focando, sendo que as demais se distribuiriam uniformemente por todos os grupos de comparação (casos e controles). Como muitos são análises retrospectivas, não têm como levantar essa informação e portanto perdem a validade.
Apesar disso ser bem conhecido, muitas investigações epidemiológicos relutam em controlar essas variáveis relacionadas à exposição à RF, por várias razões, sendo a mais importante uma carência de instrumentos adequados, capazes de medir com confiabilidade e de forma continua a exposição pessoal individual, e que só recentemente foram desenvolvidos. Nesse sentido, Schüz et al (2000) chegaram à conclusão de que:
"os estudos em nível populacional dos supostos efeitos adversos de ondas de rádio emitidas por estações rádio-base de telefonia móvel não são viáveis, uma vez que não há nenhuma métrica válida para estimar a exposição histórica.. O ritmo do desenvolvimento da infraestrutura das telecomunicações por radiofrequência também ocorre de tal forma que é improvável que as medições de hoje sejam bons indicadores de risco, tanto no passado como no futuro. O complexo de características de propagação que afetam os feixes de antenas de estação base incluem os efeitos de blindagem e reflexões múltiplas das paredes das casas e outros edifícios. Esses fatores, combinados com a presença de outras fontes ambientais de ondas de rádio, fazem com que a distância das estações rádio-base seja um pobre substituto para a exposição a ondas de rádio dentro de casa."

Além disso, a potência das densidades de antenas típicas são tão baixas que é altamente improvável de ocorrer um efeito biofísico (Repacholi, 1998). Assim, os pesquisadores têm se concentrado em estudos epidemiológicos relativos aos telefones celulares e usuários de outros dispositivos de comunicação por RF.




Estudos com Usuários de Celulares

Ahlbom et al. (2004) examinaram 10 estudos epidemiológicos relacionados ao câncer realizado entre 1999 e 2003, sendo três na Suécia (todos pelos mesmos autores, liderados por L. Hardell), um na Finlândia, um na Dinamarca, e outros nos EUA. Apenas os estudos com grupos de risco bem definidos, expostos por um período de tempo suficiente (pelo menos 2 a 3 anos) foram incluídos. Lakhola et al (2006) realizaram uma meta-análise de 12 trabalhos originais de investigação epidemiológica da incidência de tumores cerebrais em um total de 2.780 casos, sendo que a maioria dos estudos revisados coincidiam com os revisados por Ahlbom et al (2004). No entanto, Lakhola e colaboradores melhoraram a metodologia estatística, ao realizar uma meta-análise e recalcular todas a razões de chances (odds ratio) para os mesmos tipos histológicos de tumores de modo a obter uma maior precisão.


Kundi et al. (2004) revisaram quase que exatamente o mesmo conjunto de estudos epidemiológicos revisados por Ahlbom et al. (2004) e Lakhola et al. (2006), mas chegaram a conclusões bastante diferentes. Finalmente, Ahlbom et al. (2009) revisaram estudos epidemiológicos mais recentes, incluindo a maioria dos estudos conjuntos do projeto multinacional INTERPHONE publicados até aquele momento (discutido mais detalhadamente em uma seção específica, mais adiante).

Com exceção de dois estudos de coorte realizados até recentemente, todos os demais estudos utilizaram a metodologia epidemiológica de caso/controle. O número de casos estudados foi maior do que aqueles de exposição comunitária a transmissores de RF, mas ainda não foi suficiente, por causa da baixa incidência da doença. Os desfechos estudados foram principalmente os tumores do sistema nervoso central e dos olhos, tais como gliomas, neuromas acústicos, meningiomas e melanoma uveal, respectivamente. A justificativa para isso é que estudos de laboratório demonstraram maior absorção e distribuição de energia de RF de telefones celulares na cabeça e pescoço, pelo menos para aqueles que não usam um dispositivo de viva-voz. Um dos estudos analisados por Ahlbom et al. (2009) referia-se a tumores nas glândulas salivares, e cinco outros analisaram tumores do SNC de vários os tipos.


Quatorze cálculos independentes da risco relativo (RR) foram iguais ou inferiores a 1, significando que não se conseguiu demonstrar um risco significativo para os usuários de telefone celular. Cinco estudos tiveram RRs ligeiramente maiores do que 1 (entre 1,1 e 1,5), mas estes também não foram significativamente diferentes da unidade.
Um estudo realizado por Hardell et al. (2003), entretanto, destoou dos demais, ao descrever uma RR estatisticamente significativa de 3,5 para a incidência de neuromas do nervo acústico em pacientes que usaram telefones celulares, quando se levava em conta um efeito de lateralidade (ou seja, a incidência do tumor foi maior no lado da cabeça em que o usuário de celulares relatava mais utilizar para falar). Este último estudo foi manchete em todo o mundo, apesar do fato dos outros nove estudos não terem apresentado associações significativas baseadas em medidas de risco relativo. De acordo com uma análise sobre a lateralidade dos efeitos realizadas pelo grupo de CEM e saúde da SCENIHR, que foi publicado em um relatório em 2009, este parâmetro é altamente suscetível a um viés de recordação, pois os pacientes do grupo portador de tumores (casos) têm conhecimento de qual lado da cabeça foi afetado pelo tumor, enquanto que os pacientes sem câncer (controles) evidentemente não sabiam qual o lado da cabeça seria relevante para a análise (em um estudo pareado típico, os pacientes que tiveram tumores em um determinado lado da cabeça teriam que ser pareados com controles com o mesmo lado, o que é impossível). Portanto, podem ocorrer relatos exagerados em número sobre qual o lado da cabeça foi afetado entre casos. Posteriormente, este estudo de Hardell et al (2007) foi confrontado quanto a algumas questões metodológicas, tais como a falta de controle para fatores confundentes importantes, e não se conseguiu reproduzi-lo posteriormente por outros grupos que analisaram o mesmo tipo de tumor, na mesma região da Europa (Escandinávia).
Com exceção de neuromas do acústico, todos os outros estudos caso/controle revisados por Ahlbom et al (2004) apresentaram resultados nulos para uma possível associação entre o uso de telefone celular e tumores da glândula parótida, melanoma uveal, meningiomas e leucemias. Outros estudos caso/controle bem feitos, como os de um grupo nacional de pesquisadores da Dinamarca, indicaram resultados semelhantes, em relação a neuromas do nervo acústico (Christensen et al., 2004), meningiomas e gliomas de baixo e alto grau, mesmo quando foram analisados usuários de mais de 10 anos de uso continuo de celulares (Christensen et al., 2005).


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