Na esfera física, matéria e energia interagem entre si de muitas formas e níveis



Baixar 0.52 Mb.
Página2/13
Encontro11.06.2018
Tamanho0.52 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   13

Estudos In Vitro


A primeira parte da revisão examina evidências experimentais baseadas tanto em modelos de ensaios in vitro (culturas de células e tecidos isolados) e in vivo (animais vivos). A segunda parte analisa a literatura sobre os efeitos da RF sobre os desempenhos humanos e vários outros parâmetros de saúde, tanto do ponto de vista laboratorial (estudos de provocação), quanto por meio de estudos de observações epidemiológicas. Esta revisão concentrou-se basicamente na exposição de seres humanos a níveis de radiação compatíveis com as estações rádio-base (os chamados riscos da comunidade) e durante a operação individual de aparelhos de telefone celular junto ao corpo.
A conclusão geral dos estudos in vitro é que, até existem provas insuficientes e há a falta de provas consistentes e válidas para estabelecer uma relação de causa-efeito entre a exposição a baixos níveis de RF e os efeitos de curto prazo sobre a regulação do ciclo celular, mecanismos de transporte de membrana, apoptose, genotoxicidade, taxas de mutação, expressão de gene e proteína, danos ao material genético e proliferação celular, transformação e diferenciação de células e tecidos. Alguns dos efeitos relatados que foram estabelecidos parecem ter pouco significado quanto ao câncer ou ao impacto sobre os sistemas celulares maiores, pelo menos quando a exposição à RF é mantida abaixo dos níveis de segurança recomendados, mesmo por longos períodos de tempo. Assim, há muito pouca plausibilidade para os efeitos a nível celular que possam levar a danos em níveis mais elevados de órgãos ou para a saúde humana.

Estudos Experimentais em Animais


Em relação aos estudos em animais vivos, um dos efeitos mais significativos da RF a ser relatado é o rompimento da barreira hematoencefálica (BBB). Isso foi relatado em pequenos animais de laboratório em menos de 30% dos estudos revisados. No entanto, estudos mais bem controlados não têm relatado estes efeitos e parece que os resultados positivos podem ser explicados mais simplesmente pelos efeitos do aquecimento descontrolado. Além disso, a tradução de tais resultados aos seres humanos, com o crânio com geometrias completamente diferentes e do fluxo sanguíneo, é muito duvidoso.

A indução e a promoção de tumores ou neoplasias do sangue por exposição de animais ao RF, bem como o aparecimento de antecessores celulares e moleculares da tumorigênese, etc., também tem sido investigada. Apesar de usarem a exposição à RF, medida na forma de taxas de absorção específica (SAR), muito superior às que as pessoas estão normalmente expostas, e em alguns casos, exposição por todo o tempo de vida dos animais, cerca de 93% dos estudos in vivo publicados desde 1990 mostraram não existirem efeitos significativos no curto ou longo prazo. Além disso, a média de sobrevida dos grupos irradiados dos animais não foi afetada em cerca de 96% dos estudos.


Não existem evidências convincentes apresentadas para efeitos da RF aguda ou crônica em outros parâmetros fisiológicos e bioquímicos em animais. Assim, a conclusão geral, depois de mais de 20 anos de estudos in vivo, é que não puderam ser demonstrados efeitos consistente ou importantes de RF em animais intactos, abaixo dos padrões internacionais de segurança. Não parece haver nenhum efeito importante fisiopatológico dos campos de RF, além do efeito térmico causado pela exposição a campos muitas vezes maiores do que aquelas encontradas na nossa vida e ambientes de trabalho.


Estudos Experimentais em Humanos


Estudos de provocação humanos têm investigado principalmente possíveis efeitos sobre o sistema nervoso, incluindo muitas respostas cognitivas e comportamentais, em resposta ao baixo nível de campos RF emitidos por telefones móveis perto de crianças, bem como em adultos. É agora geralmente aceito que não existem efeitos significativos do uso de telefone celular ou de proximidade razoável a antenas irradiantes das estações rádio base. Outros efeitos investigados sobre a dor, visão, audição e da função vestibular, bem como sobre os sistemas endócrino e cardiovascular, foram majoritariamente negativas. Paladar e olfato não foram estudados, até agora. Mesmo nos estudos que relataram um efeito leve, estes não foram considerados como prejudiciais à saúde. No entanto, a sua importância da exposição a longo prazo não pôde ser verificada. Estudos com imagens funcionais do cérebro e de termografia infravermelha profunda têm mostrado que não há nenhum aquecimento significativo causado diretamente pela exposição à RF  sobre o osso ou no cérebro.

Na chamada "síndrome de hipersensibilidade à RF", 4-5% da população relata serem sensíveis aos campos de RF, sendo que alguns destes indivíduos intolerantes relatam sintomas de má saúde e uma série de sintomas subjetivos angustiantes durante e após o uso de telefone celular e de exposição a outros dispositivos emissores de radiofrequência, ou estar perto de um local de antena RF. Estes sintomas são bastante inespecíficos e estão presentes em muitas doenças, tais como sintomas de resfriado e gripe (dor de cabeça, náuseas, fadiga, dores musculares, mal-estar, etc.) No entanto, vários estudos, revisões sistemáticas e meta-análises, nos últimos 15 anos, concluíram que a hipersensibilidade e os sintomas observados não têm correlação com a exposição à RF dos indivíduos. Não existe atualmente qualquer base científica para caracterizar hipersensibilidade à RF como uma síndrome médica.


Pode-se concluir, a partir de estudos experimentais humanos que as atuais evidências baseadas em ciência apontam não haver efeitos adversos nos seres humanos abaixo dos limiares térmicos, sem influências perigosas sobre o bem-estar e estado de saúde dos usuários e não usuários de telefones celulares e as pessoas que vivem perto de estações rádio-base, e que não existe nenhuma evidência convincente para efeitos adversos cognitivos, comportamentais e neurofisiológicos e outros efeitos fisiológicos.


Estudos Epidemiológicos


 No que diz respeito à exposição da comunidade a partir de antenas de estações rádio-base, existe um consenso científico de que esses níveis são milhares de vezes abaixo dos padrões internacionais de segurança, mesmo a curtas distâncias das antenas. Os poucos estudos epidemiológicos publicados, com um grau mínimo de qualidade aceitável não demonstraram quaisquer efeitos claros da exposição à RF na morbidade, mortalidade, efeitos sobre o bem-estar e o estado de saúde de grupos populacionais que vivem perto de fontes de RF. Estudos de longa duração estão faltando, no entanto. Além disso, é difícil separar a exposição às estações de base e dos telefones celulares dos de outras fontes, tais como rádio e televisão, com algum grau de precisão.

Por outro lado, um número muito maior de estudos epidemiológicos, investigando os possíveis efeitos da exposição à RF de usuários de telefones celulares foram publicados. Muitos deles têm uma boa qualidade metodológica e um grande número de sujeitos. Embora em alguns grandes estudos de coorte não tenham sido detectados maiores riscos para os usuários de telefones celulares por um período de até 15 anos, quando comparados aos não-usuários, para uma série de resultados, incluindo tumores malignos e benignos do sistema nervoso; um pequeno número de estudos epidemiológicos restritos têm contestado esses resultados para alguns tumores, entre os usuários pesados e de longo prazo, no lado mais utilizado da cabeça. Maiores e melhores estudos controlados, tais como INTERPHONE (um estudo colaborativo internacional, que envolveu 16 estudos de caso-controle melhor controlados em 13 países diferentes), geralmente relataram falta de associação estatística, exceto para o discutível risco ligeiramente maior de gliomas e neuromas acústicos para usuários com mais de 10 anos de uso. Não há estudos epidemiológicos com exposições de longa duração superior a 20 anos que tenham sido publicados até o momento, bem como nenhum estudo abordando os riscos à saúde do uso do telefone celular por crianças e adolescentes.


Os estudos epidemiológicos de associação entre a exposição das populações a RF de telefones celulares ou estações rádio-base e vários outros problemas de saúde, como doenças neurodegenerativas, doenças cardiovasculares, catarata, alterações de saúde reprodutiva, mudanças de comportamento e sintomas inespecíficos, etc., resultou em sua maioria sem  associações estatisticamente significativas.


Além disso, há um grande número de dificuldades metodológicas em estudos epidemiológicos de exposição à RF de baixo nível, incluindo vários tipos de vieses que são difíceis de identificar e compensar.


Concluímos, portanto, que os estudos epidemiológicos publicados até agora não mostraram qualquer efeito adverso sobre a saúde de tamanho considerável, incontestável e reprodutível, e que inúmeras falhas metodológicas, com apenas os poucos resultados até agora analisados, não permitem conclusões definitivas, sobretudo no que diz respeito às crianças e à exposição contínua por períodos superiores a 20 anos.



1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   13


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal