Na esfera física, matéria e energia interagem entre si de muitas formas e níveis



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Doenças cardiovasculares: São raros os estudos epidemiológicos de boa qualidade sobre a incidência e risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão e doença isquêmica do coração. Um vínculo biofísico e etiológico específico que pudesse causar estas doenças por campos de RF é difícil de explicar, e todos os inúmeros fatores de risco importantes para doenças cardiovasculares nem sempre foram isolados adequadamente nos estudos existentes, tais como a herança genética, intensidade do estresse crônico, tabagismo, dieta, exercício, dislipidemias, etc. Um grande estudo de coorte com quase 200.000 funcionários da Motorola (Morgan et al, 2000) expostos à RF mostrou uma tendência oposta (apesar de que não estava claro o grau de exposição dos indivíduos ou controles). Foi observada menor mortalidade, internação hospitalar e menor incidência de doenças cardiovasculares entre os usuários de telefone celular do que nos controles, com riscos relativos em torno de 0.5, mostrando, assim, o chamado “efeito do trabalhador saudável”.


Alterações comportamentais: Devido ao fato de que dados comportamentais obtidos por entrevistas subjetivas são de baixa confiabilidade, foram realizados poucos estudos epidemiológicos caso/controle e de coortes sobre o efeito de radiações não ionizantes de baixo nível sobre o comportamento humano. Uma exceção é Divan et al (2008), que analisaram a associação entre a exposição materna pré-natal e pós-natal a celulares e problemas comportamentais em crianças no âmbito de um estudo de grande coorte prospectivo/retrospectivo. Mães de 13.159 crianças na Dinamarca responderam a questionários sobre seu uso de telefones celulares durante a gravidez por até sete anos antes do parto, bem como o comportamento e o uso de telefones celulares pelos seus filhos. Os autores relataram razões de chances ajustadas de 1,8 para problemas comportamentais observados em crianças que tinham tido "possível" exposição pré e pós-natal ao uso de telefones celulares pelas suas mães. A conclusão foi que a exposição "ao uso de telefones celulares foi associada com dificuldades de comportamento como hiperatividade e problemas emocionais em torno da idade de entrada da escola." O estudo, infelizmente, teve uma série de possíveis vieses e de variáveis de confusão, e até mesmo os autores puseram em dúvida o significado dos seus resultados, uma vez que "as associações observadas não são necessariamente (...) causais e a confusão causadas por problemas comportamentais não medidos poderia ter produzido tais resultados. Além disso, este é o primeiro estudo do tipo (...) e aguarda a replicação."

Sintomas não específicos: diversos grupos de pessoas que vivem perto de estações rádio-base de telefonia móvel têm relatado uma vasta gama de sintomas, como fadiga, mal-estar, vertigem, tontura, distúrbios do sono, dores de cabeça, sintomas gastrintestinais, como náuseas e diarréia, perda de apetite, sintomas visuais, diminuição da libido, perda de memória e concentração e depressão, supostamente causados por esta proximidade. Deve-se notar que estes são sintomas muito comuns em muitas doenças, ou são eventos isolados, sem uma causa específica. Eles também têm sido associados com leves distúrbios mentais, estresse, ansiedade, depressão, manifestações psicossomáticas (somatização) e outros transtornos afetivos. Projetos experimentais (chamados de estudos de provocação) são mais adequados para investigar o aparecimento desses sintomas em relação à exposição de RF em indivíduos. As investigações epidemiológicas existentes sofreram de vários problemas metodológicos que normalmente invalidaram seus resultados, principalmente devido a erros de amostragem, forte viés de recordação, e outros, que são discutidos abaixo Não obstante, diversos estudos de secção transversal de baixa qualidade têm sido realizados (Santini et al, 2002, 2003, Navarro et al, 2003, Hutter et al, 2006), causando grande alarme entre a população e obtendo respostas das autoridades públicas. Não foram publicados controle de caso ou estudos de coorte sobre este assunto. Estudos transversais são inadequados porque não preveem controles com pessoas que residam em áreas distantes dos locais de estação rádio-base. Além disso, não eram estudos cegos, abrindo a possibilidade de vieses e de vários outros erros. O levantamento realizado por Hutter era um pouco melhor concebido do que Santini e Navarro (o estudo de Navarro usando dados de uma estação base apenas!).
Mais recentemente, um grupo de pesquisa na Alemanha realizou um estudo epidemiológico transversal de base populacional, investigando os efeitos adversos para a saúde de estações rádio-base de telefonia móvel (Berg- Beckoff et al., 2009). Na primeira fase do estudo, foi realizado um levantamento em nível nacional de mais de 30 mil entrevistados que responderam a um questionário por via postal sobre sua saúde geral, queixas e sintomas, bem como a proximidade (de até 500 m) a antenas de telefonia celular. Como resultado, cerca de 18% dos entrevistados estavam preocupados com possíveis efeitos na sua saúde, enquanto que um adicional de 10% atribuíram seus problemas de saúde às estações de base. Na segunda fase do estudo, a medição de campos de RF foi realizada nas residências de cerca de 3.000 respondentes. Nenhuma correlação foi encontrada entre a proximidade de estações rádio-base e queixas de saúde, porém os respondentes que apresentavam distúrbios de sono se queixaram mais do que os outros de problemas de saúde.
Schüz et al. (2009) avaliaram outros distúrbios do sistema nervoso, que não o câncer, no estudo de coorte dinamarquês de mais de 420 mil habitantes, tanto para os usuários de curto, quanto de longo prazo, de telefones celulares, usando registros de saúde de base hospitalar. Os usuários de telefones celulares tiveram um risco 10 a 20% maior de enxaqueca, vertigem e de 30 a 40% menor risco de epilepsia, demência e outras doenças degenerativas do sistema nervoso, como Alzheimer, Parkinson, esclerose lateral amiotrófica, esclerose múltipla, etc . Os resultados são difíceis de interpretar no entanto, porque apenas uma fração dos pacientes com sintomas prodrômicos aparecem nos registros de internação (simples vertigem e dores de cabeça geralmente não são doenças que exigem internação), e por vários vieses que poderiam estar em operação em relação ao fiabilidade dos registos assinante do uso do telefone celular.

O efeito nocebo

Na verdade, a preocupação com os efeitos na saúde de FEM parece resultar de notícias alarmantes divulgadas pela imprensa e pela Internet, provocando em algumas pessoas um certo número de sintomas psicossomáticos e sinais que são similares a outros transtornos de ansiedade, como síndrome do pânico (Röosli, 2008). Este é um tipo de efeito chamado de nocebo (Bonneux, 2007). ele é o oposto do efeito placebo e às vezes é extremamente prejudicial para a qualidade de vida das pessoas afetadas, às vezes impedindo o trabalho normal. A esse respeito, Röosli (2008) concluiu que


"os riscos para a saúde devidos à manutenção de sustos ambientais por estudos falso-positivos têm sido negligenciados. A hipótese nocebo afirma que as expectativas de doença causam doença no indivíduo expectante. Manter a ansiedade, promovendo dúvidas na mente de pessoas crédulas sobre a qualidade do ambiente em que elas vivem pode causar doenças mentais graves. A ansiedade causada por isso na área da saúde é um problema de saúde pública, que deve ser abordado em seu próprio direito.


Usar um dosímetro de RF pessoal permitiria uma melhor medida de exposição à RF, ao nível individual e fazer correlações com sintomas subjetivos, de uma forma muito semelhante à dos gravadores de ECG de Holter usado em diagnósticos de cardiologia. Recentemente, o primeiro estudo utilizando esta abordagem foi publicado (Thomas et al, 2008). Os autores não encontraram nenhuma associação estatisticamente significativa entre a exposição à RF e sintomas crônicos ou entre a exposição e sintomas agudos.

Estudos epidemiológicos na América Latina

Nós não encontramos qualquer estudo epidemiológico significativo sobre os efeitos dos campos de alta frequência eletromagnética na saúde humana. Em São Paulo, Brasil, um grupo de pesquisa multi-institucional foi estabelecido para estudar epidemiologicamente a exposição a campos eletromagnéticos de frequências muito baixas (ELF) gerados por linhas de transmissão elétrica de alta voltagem.



Principais conclusões dos estudos epidemiológicos

Concluímos, portanto, que os estudos epidemiológicos de RF publicados até agora não conseguiram demostrar consistentemente e e em nível significativo a existência de possível efeitos adversos à saúde de campos eletromagnéticos não ionizantes nos espectros de radiofrequência e micro-ondas em nível de potência abaixo dos limiares de segurança recomendados, e que numerosas falhas metodológicas, combinados com o pequeno número de desfechos de saúde analisados até agora, não permitem conclusões definitivas, sobretudo no que se refere à crianças. Nossas conclusões estão em linha com as de outros organismos internacionais e nacionais de especialistas, declarações oficiais, tais como:




Comissão Europeia (2009). Health Effects of Exposure to EMF. Opinion of the Scientific Committee on Emerging and Newly Identified Health Risks (SCENIHR) (p. 4).

Concluiu-se que a partir de três linhas independentes de evidência (epidemiológica, estudos com animais e estudos in vitro) que a exposição a campos de RF é improvável de levar a um aumento de câncer em seres humanos".


http://ec.europa.eu/health/ph_risk/committees/04_scenihr/scenihr_opinions_en.htm

Holanda, Relatório do Conselho de Saúde (2009) Atualização Anual 2008:
"A comissão discute ainda a relação entre os campos eletromagnéticos e a atividade do cérebro e entre os campos eletromagnéticos e sintomas de saúde. Em ambos os casos, a Comissão conclui que não há provas científicas de que a exposição em níveis ambientais de campos eletromagnéticos de radiofrequência provoque problemas de saúde. "

http://www.gr.nl/index.php


ICNIRP (2009): Declaração sobre "Guidelines for limiting exposure to time-varying electric, magnetic, and electromagnetic fields (up to 300 GHz)"

".. é a opinião do ICNIRP que a literatura científica publicada desde 1998 não forneceu nenhuma evidência de efeitos adversos abaixo das restrições básicas e não necessita de uma revisão imediata das suas orientações sobre a limitação da exposição a campos eletromagnéticos de alta frequência


http://icnirp.org/documents/StatementEMF.pdf
Agência Francesa de Meio Ambiente e Segurança e Saúde Ocupacional (2009):
• ".. os dados experimentais atualmente disponíveis não indicam efe9tos de curto ou a longo prazo da exposição à campos eletromagnéticos de RF, e nem os dados epidemiológicos atuais apontam para os efeitos da exposição a curto prazo. As dúvidas permanecem quanto aos efeitos de longo prazo, entretanto o grupo declara, que nenhum mecanismo biológico foi criado para apoiar a presença de danos de longo prazo."

http://www.afsset.fr/upload/bibliotheque/964737982279214719846901993881/Rapport_RF_20_151009_l.pdf
E, finalmente, a partir da fonte de maior autoridade, as análises da literatura feitas pelo grupo de especialistas do WHO EMF Project, dos milhares de artigos científicos publicados em revistas sobre todos os aspectos referentes aos campos eletromagnéticos e saúde permitiram as seguintes declarações oficiais:
Organização Mundial da Saúde (2007)
"Apesar de extensa investigação, até a recente data não há nenhuma evidência para concluir que a exposição a campos eletromagnéticos de baixo nível seja prejudicial à saúde humana." (Key Point n º 6)

http://www.who.int/peh-emf/about/WhatisEMF/en/index1.html
"Até agora, todas as opiniões de especialistas sobre os efeitos na saúde da exposição a campos de RF chegaram à mesma conclusão: Não há consequências adversas à saúde estabelecidas a partir de exposição à campos de RF em níveis abaixo das diretrizes internacionais sobre limites de exposição, publicado pela Comissão Internacional sobre Radiações Não-Ionizantes (ICNIRP, 1998). "Crianças e Celulares: Declaração de Esclarecimento (segundo parágrafo)

http://www.who.int/peh-emf/meetings/ottawa_june05/en/index4.html
Fact Sheet No. 304: Campos eletromagnéticos e saúde pública: Estações rádio-base e tecnologias sem fio (Maio de 2006)

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs304/en/index.html
"Conclusões: Considerando-se os níveis de exposição muito baixos e resultados de pesquisa coletados até o momento, não há evidência científica convincente de que os sinais fracos de RF de estações rádio-base e redes sem fio causem efeitos adversos à saúde."
Fact Sheet No. 193: Campos electromagnéticos e saúde pública: telefones celulares (Maio de 2010)

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs193/en/index.html



"Muitas dos grandes os estudos epidemiológicos multinacionais foram concluídas ou estão em curso, incluindo estudos caso/controle e estudos de coorte prospectivos que examinaram vários parâmetros de saúde em adultos. Até a data presente, os resultados de estudos epidemiológicos não fornecem evidências consistentes de uma relação causal entre a exposição a radiofrequência e qualquer efeito adverso à saúde. No entanto, estes estudos têm limitações demais para excluir completamente uma associação (...) O crescente uso de telefones celulares e a falta de dados com respeito à utilização dos mesmos durante períodos de tempo mais longos do que 15 anos justificam a realização de pesquisas sobre o uso de telefones celulares e o risco de câncer no cérebro . Em particular, com a recente popularidade do uso do celular entre jovens e, portanto, um período de vida potencialmente mais longa de exposição, a OMS promoveu a investigação complementar sobre este grupo. ".
As fortes evidências e o conhecimento sobre as relações entre a exposição pessoal a campos eletromagnéticos, tais como aqueles usados em RF de radiodifusão e de comunicação, ainda são limitados, principalmente devido à relativa falta de estudos epidemiológicos mais amplos e bem controlados, bem como um conjunto restrito de desfechos de saúde que tenham sido estudados até agora. Adicione-se a isso tudo as significativas dificuldades metodológicas decorrentes de tais estudos. Os estudos que indicaram uma associação positiva são escassos e são significativamente superados pelos estudos com resultados negativos. Não há coerência satisfatória entre os estudos. Meta-análises bem conduzidas em relação à incidência de câncer de cabeça e cérebro sugerem que não existe risco (por exemplo, Lakhola et al.,2006).
Isso se aplica a resultados relacionados à neoplasia, tais como cânceres de cabeça e pescoço para os resultados como para efeitos adversos sobre o sistema reprodutivo (por exemplo, esterilidade, deformações fetais, etc), bem como para outros sintomas e efeitos prejudiciais à saúde que foram estudados, tais como sobre os sistemas cardiovascular, endócrino, distúrbios oculares, efeitos sobre o sistema nervoso e a chamada Síndrome de Hipersensitividade Eletromagnética (Electromagnetic Hypersensitivity Syndrome - EHS). Razões de risco relativo calculadas empiricamente foram, em sua maioria, próximas à unidade, o que indica ausência de risco, ou, em caso maiores do que um, com valores relativamente baixos, que são difíceis de interpretar devido à baixa incidência dessas doenças nas amostras estudadas.
Esta falta de evidência é particularmente aguda em estudos epidemiológicos de longo prazo relativos à exposição comunitária a estações rádio-base Os baixos níveis de RF utilizados por esses modernos equipamentos digitais sugerem que são esperadas latências extremamente longas para qualquer manifestação de saúde decorrentes da exposição crônica, mas nenhum estudo foi terminado até agora que tenha endereçado latências de tempo superiores a 10 anos.
Assim, estudos epidemiológicos longitudinais e prospectivos de décadas de observação de alta qualidade terão que ser realizados antes de qualquer evidência poder ser fornecida a este respeito. Além disso, não existem dados epidemiológicos sobre grupos de usuários específicos, como crianças.
Declarações da Comissão de Especialistas Latino-Americanos
Os membros da Comissão concluíram que, em vista das dificuldades metodológicas e dos grandes custos envolvidos neste tipo de investigação, este tipo de pesquisa não é uma prioridade para a região, neste momento, e que estas poderia, ser melhor exercidas por países com mais recursos, como está sendo feito dentro do projeto INTERPHONE. É claro que seus resultados podem ser ampliados aos países latino-americanos.
A Comissão sugere, ainda, que existe, outras orientações de pesquisas epidemiológicas em saúde em relação ao financiamento das pesquisas e da atenção à saúde, devido aos enormes custos humanos e econômicos de doenças como dengue, malária, doença de Chagas, tuberculose, Aids, desnutrição, transtornos do desenvolvimento, e outros, que ainda são predominantes, porem mal financiados e negligenciadas pelas indústrias farmacêuticas e os estabelecimentos médicos dos países mais desenvolvidos.
As questões metodológicas em estudos epidemiológicos
Ahlbom et al. (2004) chamaram a atenção para as muitas dificuldades que cercam os estudos puramente observacionais e epidemiológicos de resultados adversos para a saúde da exposição a campos de RF de médio e longo prazo.
Outros autores, como Auvinen et al (2006) também comentaram sobre estes pontos, argumentando que melhorias consideráveis deveriam ser feitas nos fatores que afetam a validade dos estudos epidemiológicos sobre os efeitos na saúde do uso de telefones móveis, tais como quanto à arquitetura dos estudos, e avaliação acurada da exposição.
Deste modo, devido à grande importância de se qualificar a revisão crítica e sistemática dos estudos epidemiológicas, decidimos mencionar e discutir brevemente alguns dos principais pontos de qualidade metodológica neste ponto.
A diversidade de contribuição das fontes de exposição: Valberg et al (2007) indicaram que o corpo humano absorve cerca de 5 vezes mais energia de RF proveniente de transmissões de rádio FM e TV (em torno de 100 MHz) do que de frequências emitidas por estações rádio-base usadas em comunicações móveis (cerca de 1-2 GHz). Existem poucas razões para que um estudo epidemiológico destaque a certeza da exposição a uma antena de estação rádio-base de telefonia móvel, por exemplo, só porque ela fica perto do local onde os indivíduos vivem, com exceção de uma avaliação da prevalência da exposição, mas isso não justifica a exclusão de outras fontes de emissão de RF, a não ser que seja feito uma análise espectral de forma prospectiva ao longo da exposição. Deste modo. há poucas evidências atualmente que justifiquem que estudos epidemiológicos derivem suas conclusões exclusivamente aos efeitos nocivos das ondas de rádio emitidas a partir de antenas de telefonia móvel, negligenciando as ondas de rádio emitidas em frequências produzidas por outros tipos de transmissores presentes na proximidade dos sujeitos estudados (Schüz et al, 2000). Estes autores realizaram experiências que mostram que a contribuição de frequências de telefonia móvel de RF total é pequena, e que a densidade de potência total reflete muito mais as frequências utilizadas pelas rádios FM, AM e canais de televisão. Como é impossível que as pessoas sejam submetidas a uma única faixa de frequência por qualquer período de tempo significativo, a determinação da contribuição de cada banda ao risco global continua a ser uma proposta difícil, na melhor das hipóteses (Neubauer et al, 2007). De fato, alguns autores sugerem que "é praticamente impossível eliminar a exposição à RF a partir de outras fontes para o estudo dos efeitos isolados de telefones celulares na saúde." (Kohli et al, 2009), de modo que não se pode inferir de forma nenhuma um nexo causal da RF devida a uma fonte única (por exemplo, telefones celulares ou estações rádio-base).
Exposição mal estimada da população: esta é a maior fraqueza metodológica presente na maior parte dos estudos epidemiológicos. Com as técnicas usadas pelos estudos apresentados até agora, especialmente para a exposição comunitária e ocupacional, é quase impossível determinar com algum grau de confiabilidade a intensidade da variável independente, que é a Taxa de Absorção Específica (SAR) para diferentes partes do corpo, mesmo quando as densidades de energia de campo são medidas.
Muitos estudos ocupacionais, por exemplo, usaram apenas uma descrição do trabalho dos sujeitos expostos como um indicador aproximado de exposição (Ahlbom et al, 2004), ou usaram a distância dos mesmos à fonte mais próxima de RF para determinar os casos e controles, ou se basearam apenas em cálculos teóricos de distribuição de RF a partir de uma antena, a várias distâncias. Uma vasta gama de variações de exposição, em intensidade ou tempo foram combinados, até mesmo em estudos aparentemente bem projetados. Portanto, a confiabilidade e robustez dos elementos destas investigações epidemiológicas são muito baixas e não podem ser confiáveis para chegar a qualquer evidência. Breckencamp et al (2008) fizeram uma comparação entre as exposições calculadas baseadas em dados técnicos das antenas de RF de telefonia celular e os níveis mensurados por dosímetros, e concluíram que a correlação entre ambos é muito baixa (0,28 em média), bem como a especificidade e sensibilidade de tais cálculos para estimar as intensidades reais de campo, que as distâncias calculadas a partir de mapas introduzem um grande grau de incerteza em relação às intensidades medidas, e que apenas dosímetros envergados pessoalmente deveriam ser usados em estudos epidemiológicos de exposição comunitária, devido aos grandes erros itnroduzidos por mensurações indiretas ou representativas (“proxies”). Deste modo, Auvinen et al (2003) sugeriram que a maior parte das conclusões de "presença" ou de "ausência de efeitos" observados seriam quase sempre devidas ao acaso e não a um nexo real.
Além disso, é criticamente importante utilizar dados mais objetivos dos os que são auto-relatados pelos usuários quanto à intensidade de uso dos telefones celulares, tanto para estudos experimentais quanto epidemiológicos. O número e a duração das chamadas efetuadas, através da obtenção de informações dos provedores de telecomunicações é uma medida desse tipo, mas é difícil saber quem estava realmente utilizando o telefone quando a chamada foi feita, ou se estava sendo feita por meio de fones de ouvido ou dispositivos de viva-voz. Schüz & Johansen (2007) acharam uma concordância de apenas 60% entre o uso auto-relatado (uma medida que sofre toda espécie de vieses de memória, por si só), e os registros objetivos das operadoras de telefonia celular. Isso, evidentemente, representa tal margem de erro para calcular riscos relativos envolvendo números pequenos de sujeitos, que é de se espantar que existam trabalhos respeitáveis, como o INTERPHONE, que fazem uso de auto-relatos de uso de telefones celulares remontando a 10 anos ou mais, atrás.


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