Na esfera física, matéria e energia interagem entre si de muitas formas e níveis



Baixar 0.52 Mb.
Página10/13
Encontro11.06.2018
Tamanho0.52 Mb.
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   13

Estudos ocupacionais

Intuitivamente, é fácil deduzir que a exposição ocupacional à RF pode ser um problema muito mais grave para a saúde pública do que a exposição do público em geral, porque muitos trabalhadores são expostos diariamente a campos de RF muito mais intensos, por muitas vezes e por muito mais tempo, de modo que eles recebem “doses” agudas e crônicas muito maiores de radiação não ionizante. Exemplos destes trabalhadores são os técnicos de manutenção e instalação de antenas de RF, amplificadores e transmissores; os operadores de radar, incluindo a polícia e os operadores de radares de trânsito; operadores de máquinas de micro-ondas de soldar plásticos, técnicos e profissionais de saúde que utilizam aparelhos de terapia de micro-ondas e RF e dispositivos de imagens que usam intensos campos eletromagnéticos, como ressonância nuclear magnética (aparelhos de MRI). Portanto, evidências de uma relação causa/efeito para o câncer apareceriam mais provavelmente em condições ocupacionais do que em outras.


Embora dezenas de avaliações de risco em RF utilizando estudos de caso/controle e de correlação tenham sido publicados nos últimos 50 anos, poucos desses estudos epidemiológicos foram extensos ou bem conduzidos sobre a exposição ocupacional a RF e micro-ondas A maioria dos estudos revisados por Ahlbom et al. (2004) foi realizada nos anos 90s e início de 2000s e apresentavam muitas deficiências metodológicas. Por exemplo, nenhuma ou poucas medidas de exposição de RF foram feitas, e o grupo de indivíduos expostos foi categorizado somente em termos da sua descrição de trabalho e/ou distância dos transmissores.


Os principais resultados da saúde ocupacional publicados foram:


Neoplasias: a mortalidade total, total, incidência, incidência câncer de cérebro, de mama, de testículos, melanomas oculares, câncer de pulmão e leucemia
Outros resultados da saúde: incidência de doenças oculares (catarata), saúde cardiovascular e reprodutiva.

Brechenkamp et al (2003) avaliaram os métodos e os resultados de nove estudos de coorte que enfocaram diversos efeitos sobre a saúde de trabalhadores por exposição a RF, publicados entre 1980 e 2002. O tamanho das coortes variou entre 304 (3.362 pessoas-ano) e cerca de 200.000 pessoas (2,7 milhões de pessoas-ano). Os grupos de exposição ocupacional foram constituídos de trabalhadores que usavam aquecedores dielétricos em instalações de fabricação de plástico, trabalhadores que usavam dispositivos de rádio (profissional e amador), trabalhadores na produção de tecnologias de comunicação sem fio, usuários de aparelhos de radar da polícia canadense e os utilizados pelas forças armadas. Foram avaliados a mortalidade total, mortalidade por câncer, a incidência de câncer e outros desfechos. Em alguns dos estudos foi encontrado um aumento de risco para vários tipos de câncer nos participantes expostos, embora em diferentes órgãos. A revisão concluiu que, devido a deficiências metodológicas da maioria dos estudos de coorte, nenhuma conclusão pôde ser alcançada quanto à existência de se um risco mais elevado de câncer para estas exposições ocupacionais.


Da mesma forma, Ahlbom et al (2004) revisaram 10 estudos de coorte, realizados entre 1988 e 2002 (com uma grande sobreposição com a revisão de Brechenkamp et al.) e analisaram riscos relativos para tumores cerebrais e leucemia em profissionais de diversos setores de trabalho. Os riscos relativos ou razões de chances para ambos desfechos foram, em sua maioria, abaixo ou próximos da unidade, com apenas 2 dos 14 estudos sobre câncer de cérebro com RRs ligeiramente acima da unidade. Relataram ainda que 6 dos 12 estudos sobre leucemia apresentaram RRs grande, variando de 4.4 -7.7, sendo que dois deles, feitos na Polônia, sobre militares que viviam perto de transmissores de radar de alta potência. De acordo com os revisores, estes altos RRs poderiam ser explicados por vieses e erros metodológicos grosseiros, ou por fatores confundentes não controlados como a presença de contaminantes químicos no ambiente. O número de casos também variou muito, de 1 a 69 casos de leucemia e de 1 a 44 casos e tumores cerebrais. Os autores também revisaram 3 estudos caso/controle sobre a exposição a RF em relação a tumores no cérebro e leucemia. Nesses estudos, a maioria dos índices de risco relativo e taxas padronizadas de incidência resultaram abaixo ou ao redor da unidade, não mostrando associação, portanto.


Mais recentemente, um estudo caso/controle de risco ocupacional foi realizado pelo ramo alemão dos estudos INTERPHONE (Berg et al, 2006). Não foi achada nenhuma associação significativa entre a exposição à RF e tumores cerebrais quanto a gliomas (OR de 1.21) e meningiomas (OR de 1.34).

Até agora, o balanço desses estudos epidemiológicos sugere maiores riscos ocupacionais de câncer, decorrentes da exposição crônica a aparentemente maiores densidades de potência de RF, para diversos grupos, tais como operadores de radar, técnicos de instalação de telecomunicações e técnicos de manutenção, entre outros. O resultado que causa maior preocupação é o de aumento da taxa de leucemia, que deve ser questionado por causa dos efeitos de confusão e erros importantes do estudo. Nenhum efeito consistente foi demonstrado, mas não pode ser ainda refutado, devido à baixa qualidade e de curta duração dos estudos de coortes e de caso/controle realizados até agora.


A viabilidade de se fazer estudos de riscos ocupacionais, no entanto, é considerada baixa (Breckencamp et al, 2009), devido aos números pequenos de sujeitos expostos, ou devido ao fato de que os níveis de exposição não são muito altos quando comparados com a população em geral, menores durações de exposição devido a mudanças frequentes de emprego, mudanças tecnológicas e grande variabilidade não documentada de uso de equipamentos individuais de proteção (EPIs), e a impossibilidade de separar a exposição ocupacional às micro-ondas e RF das outras fontes de campos eletromagnéticos ou de outros fatores ambientais (por exemplo, os trabalhadores que trabalham com seladores e soldagem de plásticos também estão expostos simultaneamente aos vapores liberados pelos mesmos durante o processo).

Na América Latina, há atualmente uma crescente preocupação com a saúde dos técnicos que fazem o trabalho de manutenção muito próximos a antenas “vivas”, ou seja, que não são desligadas durante o trabalho de manutenção. Queimaduras de primeiro e segundo grau foram relatadas quando trabalhadores chegaram a tocar guias de ondas ou antenas de alta potência. Embora obrigados por lei, as operadores de telecomunicações em geral evitam cortar a energia para as antenas durante os trabalhos, devido ao medo de provocar desequilíbrios no funcionamento da rede. Parece haver pouco perigo, no entanto, se forem adotados um mínimo de prudência e de utilização de EPIs, tais como luvas e roupas pesadas, capacetes e materiais isolantes. Alanko & Hietanen (2007) vistoriaram e avaliaram os níveis de emissão de energia de RF em grandes conjuntos de antenas usadas pelas redes de telefonia móvel, e subestações de rádio e de TV digital e rádio amador, medidos perto das escadas de acesso às torres. Eles relataram que todos os valores medidos onde os trabalhadores normalmente ficam localizados durante os trabalhos estavam abaixo dos níveis de referência ocupacionais da ICNIRP.


Curiosa, mas fácil de entender o porquê, é a posição dos médicos do trabalho em geral, ou que estão no comando de programas de higiene ocupacional nas empresas de telecomunicações. Uma pesquisa com mais de 200 médicos do trabalho no Brasil (Sabbatini et al., 2008, manuscrito inédito e comunicação pessoal) mostrou que: 1) o conceito de radiação não-ionizante para a maioria dos médicos está relacionada à exposição ocupacional ao calor excessivo e à luz, ao sol, e à luz coerente (equipamentos de laser terapêuticos e industrial), equipamentos de solda de plástico por micro-ondas, o uso industrial dos raios ultravioletas, lâmpadas de arco, etc.; 2) poucos médicos têm conhecimentos sobre a exposição ocupacional a RF utilizada em radiocomunicação e seus riscos, mesmo aqueles que trabalham nesta indústria, 3) Eles consideram que este agente físico é muito fraco para se preocupar, comparado a outros muito mais agressivos e perigosos.




Análise de tendências de tempo

Alguns diriam que o extraordinário crescimento e proliferação das comunicações móveis é o maior experimento já feito pelo homem. Isto significa que literalmente bilhões de pessoas estão sendo expostas diariamente aos campos eletromagnéticos não-ionizantes emitidos por telefones celulares e por estações rádio-base, e que milhões foram expostos há 20 anos ou mais (embora no passado isso tenha ocorrido a níveis muito mais baixos do que atualmente). É importante notar também que as antenas de alta potência de transmissão de rádio existem há mais de um século, e que as antenas de radar e TV existem na maioria dos países há mais de 50 anos. Portanto, a exposição da população à RF artificialmente gerada não é uma coisa nova.


Assim, pensando unicamente com base no bom senso, seria de se esperar que, mesmo com taxas de risco relativo ligeiramente acima da unidade, a ciência epidemiológica já teria sido capaz de detectar um número considerável de novos casos de câncer a cada ano, devidos a esta exposição aumentada da população. Não devemos nos esquecer que o aparecimento da AIDS foi detectado com um número de casos pouco superior a 60, nos EUA.
Portanto, a pergunta é: onde estão esses novos casos de câncer, se realmente existe uma relação de causa-efeito entre exposição aumentada à RF em suas mais variadas fontes artificiais e indução e promoção de neoplasias in vivo?
Um dos subprodutos úteis da estimativa das taxas de risco e de incidência por meio de estudos de coorte metodologicamente rigorosos e altamente consistentes é a possibilidade de prever o número absoluto de casos de doenças que poderiam ser encontradas agora ou no futuro. Isto foi feito com sucesso com os fumantes de tabaco, por exemplo, e foi de grande valia para a saúde pública e para os muitos programas de prevenção, bem como para o planejamento de custos dos serviços de saúde, para o impacto de medidas preventivas, e assim por diante.

Curiosamente, esta abordagem tem sido notavelmente pouco adotada em estudos epidemiológicos de RF. Deveríamos então testar se as previsões subestimam ou superestimam a realidade. Um dos poucos exemplos deste tipo de análise foi um estudo da tendência temporal de incidência de melanoma uveal por Johansen et al. (2002), que notou que, a despeito de um aumento de 400% na incidência deste tipo de tumor na Dinamarca na década precedente, não foi encontrara uma correlação com o uso de telefones celulares.


Deste modo, é preciso resgatar uma outra ferramenta poderosa da epidemiologia: a análise das tendências temporais de determinadas doenças. Por exemplo, o câncer de cérebro é ainda uma doença rara, quando considerada em relação à população geral. Nos E.U.A., por exemplo, Deorah et al (2007) fizeram essa análise para todos os tipos de cânceres do cérebro, ajustada por idade. Sua incidência aumentou até 1987, quando o percentual inverteu de direção, diminuindo significativamente de 1.68 para 0.44%. Este período de queda coincidiu quase exatamente com a introdução em larga escala da telefonia móvel no país. Obviamente, essas variações de incidência podem não ter nada a ver com fatores ambientais: elas podem ser devidas simplesmente ao aumento do número de casos diagnosticados pelo uso generalizado de melhores tecnologias médicas para a detecção, como é o caso da tomografia cerebral (que ocorreu no inicio da década dos 80s), segmentos maiores da população testada, introdução de programas preventivos, etc.

Alguns estudos recentes têm abordado esta questão. Por exemplo, Muscat et al. (2006) analisaram a taxa de incidência de cânceres do sistema nervoso central (SNC) entre 1972 a 2002. Eles concluíram que essas taxas não se alteraram significativamente durante este período, apesar do crescimento exponencial dos assinantes de telefonia móvel a partir de 1984. Os resultados por Deorah et al. (2006) também falharam em confirmar a hipótese de que o risco de câncer cerebral e de sobrevivência nos E.U.A. teria sido afetado pelo aumento no número de casos, devido ao aumento da população exposta. Na Suíça, as taxas de mortalidade por tumores de cérebro, como em muitos outros países, mantiveram-se estáveis em todos os grupos etários (Röosli et al, 2007). Ajustadas por idade, a incidência e mortalidade por câncer do SNC estão realmente caindo na maioria dos países. No estudo por Röosli e colaboradores, a taxa anual de novos casos de câncer de cérebro de 45 a 59 anos de idade no período de 1987 à 2002 foi de -0.3% para homens e de - 0.4% para as mulheres. Há, contudo, um ligeiro aumento na incidência de câncer do cérebro entre os jovens, como para muitos outros tipos de cânceres, como de mama e tiróide, mas a razão para isso é atualmente desconhecida (Sterouvotava, 2006).


É importante notar, contudo, que o cálculo da associação estatística entre as tendências temporais de variáveis relevantes é cheio de dificuldades. Quaisquer duas variáveis que variarem para cima ou para baixo em sincronia irão gerar uma associação alta espúria, sem que isso necessariamente indique que elas são relacionadas causalmente. Além disso, considerando que o tempo de latência necessário para o aparecimento de câncer é geralmente muito grande, ainda não teríamos condições de detectar um aumento de câncer supostamente causado pelas populações cada vez mais maciças expostas à RF devido à comunicação móvel. Ele poderia vir a ocorrer, mas ainda em algum ponto no futuro. A maioria dos trabalhos científicos relatados nesta revisão, no entanto, indicam que esse aumento teria uma plausibilidade extremamente baixa.



Conclusões do Estudo Epidemiológico de Câncer

Da nossa revisão da literatura sobre a epidemiologia do câncer em pessoas expostas a radiofrequência nos níveis utilizados em telecomunicações, parece haver um consenso científico de que não há provas concretas para um risco aumentado de câncer e mortalidade entre os usuários de telefones celulares. Quanto à incidência de câncer, os resultados recentes (2007 e 2008) de estudos de coorte extensos, bem controlados e planejados (como a pesquisa dinamarquesa baseada em população) e grande estudos de caso/controle (como o do projeto INTERPHONE), proporcionaram a melhor evidência epidemiológica até o momento para uma ausência de risco, para usuários de até 15 anos de uso contínuo de aparelhos celulares . Todavia, ainda faltam dados para usuários de longo prazo (cânceres do cérebro podem ter latências de 30 anos ou mais).


Quanto à uma possível associação entre a exposição comunitária às estações rádio-base de telefonia celular e os efeitos na saúde, ela tem sido quase impossível de se comprovar, devido à falta de estudos extensos e de boa qualidade, e às dificuldades metodológicas inerentes a esse tipo de estudo. Infelizmente, o status científico da pesquisa epidemiológica nesta área baseia-se em terreno muito instável e sem justificativas válidas, uma vez que, em contraste com outras áreas de investigação melhor estabelecidas, "as questões de pesquisas de RF não são movidas por uma hipótese biofísica específica, mas por uma preocupação geral que existam efeitos desconhecidos ou mal compreendidos da radiofrequência" (Ahlbom et al, 2004).


As conclusões são melhor expressas por declarações apresentadas pelos seguintes autores e comitês de especialistas:




Ahlbom et al, 2004 (ICNIRP): "No geral, apesar de ocasionais associações significativas entre os vários tipos de tumores cerebrais e o uso de telefones celulares analógicos, não for relatada consistentemente qualquer associação em estudos de base populacional. O fator tempo nos estudos epidemiológicos e a falta de conhecimento sobre a exposição real do cérebro à RF durante o uso de telefones móveis até o presente (...) militam fortemente contra a atual capacidade de detectar qualquer associação verdadeira. Assim, as evidências atuais não são conclusivas quanto ao risco de câncer após uma exposição pesada à RF a partir de telefones móveis. (...) Resultados de estudos epidemiológicos até agora não dão nenhuma evidência consistente e convincente de uma relação causal entre exposição à RF e qualquer efeito adverso à saúde. Por outro lado, esses estudos têm deficiências demais para que seja descartada uma associação."


Ahlbom et al, 2009 (ICNIRP): Apesar das limitações metodológicas e os dados limitados sobre a latência longas e uso a longo prazo, os dados disponíveis não sugerem uma associação causal entre a utilização do celulares e os tumores de rápido crescimento, como gliomas malignos em adultos (pelo menos para os tumores com períodos curtos de indução). Para tumores de crescimento lento, tais como meningiomas e neuromas acústicos, bem como para gliomas entre os usuários de longo prazo, a ausência de associação relatada até agora é menos conclusiva, porque o período de observação foi curto. demais.

SCENIHR (2007): As evidências epidemiológicas indicam que o uso do telefone celular por menos de 10 anos não representa qualquer risco acrescido de tumores cerebrais ou neuroma do acústico. Os dados a longo prazo são escassos e as conclusões são, portanto, incertas e provisórias - no entanto, a partir dos dados disponíveis, parece que não há aumento do risco de tumores cerebrais em usuários de longo prazo, com exceção do neuroma acústico para as quais há alguma evidência de uma associação (...) Em conclusão, não houve efeitos para a saúde consistentemente demonstrados em níveis de exposição abaixo dos limites do ICNIRP criados em 1998. No entanto, a base de dados para esta avaliação é limitada especialmente para a exposição a longo prazo de baixo nível.


WHO / IARC (Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer) Borladodododododo Cancer Report 2008. http://www.iarc.fr/en/Publications/PDFs-online/World-Cancer-Report

"A radiação de radiofrequência emitida pelos telefones móveis tem sido investigadas em vários estudos. Há alguma evidência de que a longo prazo o uso pesado de telefones celulares pode estar associado a um moderado aumento do risco de gliomas, tumores da glândula parótida, e neuromas acústicos, porém, as evidências são conflitantes e o papel de vieses nestes estudos não pode ser descartado (…) Com referência à radiofrequência, os dados disponíveis não mostram qualquer excesso de risco de câncer cerebral e outras neoplasias associadas ao uso de telefones celulares (…) Após 1983 e, mais recentemente, durante o período de crescente prevalência de usuários de celulares, a incidência (de tumores cerebrais) se manteve relativamente estável para homens e mulheres."

As partes do estudo INTERPHONE que foram publicadas até agora em sua grande maioria não apoiam a existência de associações estatísticas elevadas entre a incidência de vários tipos de tumores do cérebro e a utilização de aparelhos de telefone celular, pelo menos para gliomas, meningiomas e neuromas, bem como para tumores das glândulas parótidas. As expectativas em torno da importância e resultados do INTERPHONE, portanto, têm sido amplamente justificada pelos seus resultados, que parecem ser os de maior qualidade e autoridade até agora. Estudos de coorte de grande escala e alta qualidade, como o COSMO (Schüz, 2006), bem como em modelos de exposição comunitária devem ser o próximo grande projeto para resolver as dúvidas que persistem sobre avaliação de risco em vários grupos etários, especialmente crianças.



Outros sintomas e doenças

É muito difícil superar os problemas metodológicos de estudos epidemiológicos com o objetivo de avaliar os riscos ligados à exposição à RF e outras doenças comuns. Uma razão importante é que, ao contrário dos estudos de incidência de câncer, a maioria das doenças candidatas não são submetidas a registro obrigatório, e que os prontuários dos pacientes são incompletos, muitas vezes imprecisos e contribuídos por tantos provedores de cuidados de saúde, que com os dados retrospectivos baseados em informações do paciente são geralmente pouco confiáveis.


Os distúrbios cardiovasculares, gastrointestinais, dos sistemas nervoso, endócrino e reprodutivo, constituíam até agora as principais áreas de interesse de estudos epidemiológicos, porém eles não foram adequadamente investigados. Algumas doenças degenerativas, como a síndrome amiotrófica lateral também foram consideradas.


Ahlbom et al. (2004) analisaram o efeito de vários tipos de exposição ocupacional à campos eletromagnéticos sobre outras doenças que não o câncer. A principal variável independente na maioria dos estudos foi a descrição de trabalho, e o número de indivíduos por estudo foi muito pequeno.


Em outra recente revisão de estudos epidemiológicos sobre o efeito da exposição à radiação eletromagnética emitida por estações rádio-base de antenas celulares, Röosli et al (2009) analisaram 17 artigos que foram considerados de qualidade científica satisfatória, dos quais 11 estudos epidemiológicos e seis de exposição controlada. A maioria dos artigos (14) examinou a associação entre a exposição e o bem-estar e sintomas inespecíficos e subjetivos de doença. descritos pelos pacientes (mal-estar, dor de cabeça, fadiga, náuseas, etc). A maioria dos estudos que procuraram estudar os efeitos agudos da exposição não encontraram nenhuma associação com os sintomas durante ou logo após a exposição às radiações de estações rádio-base Estudos realizados em laboratórios não encontraram nenhum padrão consistente de resposta, sugerindo que os sintomas relatados não tinha nada a ver com a exposição em si. Os estudos epidemiológicos não mostraram nenhuma evidência de que pessoas que vivem perto de estações rádio-base sejam diferentes daquelas que não vivem perto delas. Os autores afirmam que a exposição dos seres humanos em condições de campos eletromagnéticos acima de 1 V/m quase nunca ocorre, portanto, não é possível atribuir efeitos a eles.


Cataratas: Elas pareceriam ser um resultado plausível ao aquecimento local promovida por campos de micro-ondas emitidos por um telefone celular usado em proximidade dos olhos, e vários estudos anteriores haviam relatado um possível aumento na incidência de cataratas em diversos tipos de trabalhadores que lidam com pulsos de RF de alta intensidade, como o radar, televisão e rádio transmissores. A qualidade desses estudos iniciais, entretanto, foi baixa (WHO, 1993). Na revisão de Ahlbom, quatro destes estudos anteriores realizados entre 1965 e 1984 não apresentaram provas de um aumento do risco de cataratas nas categorias estudadas. Na maioria deles, não foram adequadamente controlados os possíveis efeitos de variáveis confundentes, tais como a exposição crônica ao sol sem óculos de proteção (um risco bem documentado).


Risco reprodutivo: Vários parâmetros foram avaliados em relação à exposição ocupacional à RF em 17 estudos realizados entre 1975 e 2000: qualidade do sêmen, fertilidade, aborto espontâneo, morte fetal, baixo peso no nascimento e defeitos de nascimento. Em 10 estudos, os casos foram fisioterapeutas, tanto homens como mulheres, que muitas vezes utilizavam fornos de micro-ondas e aparelhos de aquecimento de RF sem medidas de proteção. O restante foram operadores de radar e militares que trabalhavam com emissores de alta potência de RF. Não há estudos sobre técnicos de manutenção de sistemas de antenas de RF. A maioria dos estudos não conseguiu provar qualquer efeito grande, e mostrou taxas de risco relativo em torno de 1,3, com exceção de algumas evidências de uma redução do número de espermatócitos em três estudos. Segundo Ahlbom, "dada a susceptibilidade conhecida da espermatogênese ao aquecimento, mesmo sutil, a possibilidade de redução da fertilidade em homens expostos é razoável".




1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   13


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal