Morfologia – ufpb



Baixar 46.65 Kb.
Encontro21.10.2017
Tamanho46.65 Kb.




MORFOLOGIA – UFPB

Histologia Odontológica


REFERÊNCIAS DA AULA DE DENTINA

Atenção --- ATUALIZADO EM 11/05/2001 ---atenção


  1. Conteúdo dos slides (contido neste documento);

  2. Capítulo de Dentina e Polpa do livro “Mjör, I., Fejerskov, O. Embriologia e Histologia Oral humana.Panamericana: São Paulo, 1991.” (não contido neste documento).

  3. Folheto “Padrões de reações da dentina” (contido neste documento).

DENTINA ---

Características gerais




  • Tecido dental duro com extensões citoplasmáticas de células localizadas na polpa dental;

  • Composição: em peso- 70% de mineral, 18% de material orgânico (93% de colágeno) e 12% de água. Em volume – 505 de mineral, 30% de material orgânico e 20% de água.

  • Relação com outros tecidos: menos mineralizado que o esmalte e mais mineralizado que o cemento e que o osso alveolar.

Tipos de dentina






  • Primária: dentina formada até o término da formação da raiz;

  • Secundária: formada após a formação da raiz. Padrão tubular irregular e formação lenta;

  • Terciária: formada em resposta a um estímulo externo. Se forma de maneira localizada dentro nas paredes da polpa dental e, muitas vezes, é atubular. Fromação mais rápida que a dentina secundária.

  • Esclerose dentinária: deposição de mineral dentro dos túbulos dentinários, não alterando o espaço da polpa dental. Relacionada à idade e a estímulos externos.

Partes componentes






  • Parte inorgânica:

  • cristais – em forma de agulhas e menores que os do esmalte;

  • Sais: hidroxiapatita, carbonatos, fosfato de cálcio, sulfato, flúor, cobre, zinco e ferro.

Parte orgânica



  • Colágeno: tipo I, formando 17% do tecido e 93% da matéria orgânica;

  • Outros: lipídios, glicosaminoglicanas (2%) e ácido cítrico (menos de 1 %).

Entidades estruturais






  • Odontoblasto; - tubúlos dentinários;

  • Dentina intertubular; - dentina peritubular;

  • Espaço periodontoblástico;

DENTINA ---

Odontoblastos


  • Partes: corpo e prolongamento;

  • Células ativas na produção de matriz;

  • Se dispõem em arranjo epitelióide;

  • Junções: Gap, desmossomos e junções oclusivas, entre si, com os fibroblastos e com fibras nervosas.

DENTINA ---

Túbulos dentinários


  • Conteúdo: prolongamento odontoblástico, líquor e matéria orgânica;

  • Diâmetro: varia na dentina e também ao longo do tempo. É maior nas porções próximas à polpa e diminui à medida que se aproxima do esmalte;

  • Volume: próximo à polpa – 80%; periferia da dentina – 4%;

  • Número: na periferia= 20mil/mm2; no centro= 30 mil/mm2;

  • Ramificações: junta ao cemento e ao esmalte.

DENTINA ---

Túbulos dentinários

Ramificações dos túbulos

1- Ramificações grandes/terminais (500-1000 nm): mais numerosos logo abaixo do limite amelo-dentinário;

2- Ramificações finas (300-700 nm): partem da periferia dos túbulos principais e podem se anastomosar. São mais numerosas na raiz.
3- Micro-ramificações (25-200 nm): não possuem dentina peritubular e se ramificam em todas as direções.

DENTINA ---

Dentinas peri e intertubular


  • Peritubular: mais mineralizada. Envolve os túbulos dentinários e está ausente na porção pulpar dos dentes recém-irrompidos;

  • Intertubular: entre os túbulos, perifericamente à dentina peritubular. Irregularmente mineralizada.

DENTINA ---

Destribuição do mineral


  • Dentina do manto: faixa adjacente ao limite amelo-dentinário;

  • Zona escura: faixa próximo à polpa coronal e as ramificações dessa faixa;

  • Dentina interglobular: na periferia da dentina, junto à união com o cemento. Inclui a zona granulosa de Tomes.

DENTINA ---

Dentina secundária


  • Início: após a formação da raiz e continua durante toda a vida útil da polpa dental;

  • Características: processo mais lento. Forma uma dentina com menos túbulos, geralmente irregulares, e menos mineralizada. Ocorre com mais intensidade no teto e no soalho da câmara pulpa.

Dentina terciária – reparativa – secundária irregular




  • Características: geralmente atubular, apresentando inclusões celulares. É formada em áreas localizadas, em resposta a estímulos externos ou irritação;

  • Células formadoras: fibroblastos pulpares em resposta à destruição localizada de odontoblastos por injúria;

  • Estímulos: processo carioso, atrição dental, preparo cavitário etc.;

Esclerose dentinária






  • Obliteração dos túbulos dentinários por deposição mineral;

  • Formação: a) crescimento da dentina peritubular; e/ou b) precipitação de minerais dentro dos túbulos;

  • Estímulos: envelhecimento, processo carioso, atrição etc.;

  • Efeitos: reduz a permeabilidade dentinária e a quantidade de água, formando uma barreira física à entrada de microorganismos.

Condições biológicas na cavidade bucal




  • 1) Dentina coberta por esmalte hígido;

  • 2) dentina coberta por esmalte com lesão cariosa ativa/inativa sem cavitação;

  • 3) dentina coberta por lesão cariosa ativa/inativa cavitária;

  • 4) dentina exposta na cavidade bucal por:

- cavidade cariosa ativa; - cavidade cariosa inativa;

- abrasão/erosão; -fratura dental/restauração.


Reações da superfície


  • Resultante de tratamentos: lama dentinária (com plugs) e glóbulos de fluoreto de cálcio;

  • Resultante de exposição ao ambiente oral: película adquirida e cálculo dental.


DENTINA – HISTOLOGIA ODONTOLÓGICA – 1º ESTÁGIO
PADRÕES DE REAÇÕES DA DENTINA

IVAR MJÖR

In: Thylstrup, A., Leach, A. Dentin and dentin reactions in the oral cavity. Oxford: IRL Press, 1987. 255p.p. 27-31.

Tradução: Frederico Barbosa de Sousa

INTRODUÇÃO
Os túbulos dentinários e seus conteúdos, a dentina peritubular, e a dentina intertubular constituem as principais entidades estruturais da dentina. Nos dentes recém erupcionados, não se encontra dentina peritubular próximo à pré-dentina (Fig. 1). No resto da dentina, uma dentina peritubular altamente mineralizada é encontrada circundando os túbulos dentinários (Fig. 1). A porção mais pulpar dos túbulos dentinários contém o processo odontoblástico, e a outra parte, mais longa, dos túbulos contém a extensão dos processos ou seus remanescentes. A interface entre os processos odontoblásticos, ou seus remanescentes, e a parede do túbulo dentinário é denominada de espaço periodontoblástico, e é local de várias reações vitais na dentina. Uma fina camada orgânica dos túbulos dentinários tem sido referida como lamina limitans.

Na dentina ocorrem várias mudanças teciduais em decorrência de várias fatores, incluindo alterações relacionadas à idade, reações ao processo carioso, atrição, e procedimentos e materiais restauradores. Basicamente dois tipos de reações podem ocorrer no complexo dentina-pré-dentina, i.e., formação de dentina secundária e mudanças intratubulares que causam obturação parcial ou completa dos túbulos dentinários.

Recentemente foram publicadas revisões sobre os padrões de reação da dentina, e suas considerações não serão reiteradas noa presente artigo de revisão.
DENTINA SECUNDÁRIA

O termo dentina secundária é usado para descrever a dentina que se forma após o dente ter erupcionado. Um tipo fisiológico de dentina secundária forma-se lentamente em toda a interface polpa/pré-dentina, embora com velocidades diferentes dependendo da localização. A dentina secundária irregular (Fig. 2), também referida como dentina reparadora, dentina de irritação e dentina terciária, se forma em áreas localizadas em resposta a certos estímulos externos ou irritação. Sua estrutura é mais irregular do que a da dentina primária ou da secundária fisiológica. Quando a dentina terciária se forma sem túbulos, tendo ou não inclusões celulares, ela é chamada de fibro-dentina ou “dentina de interface”. Quando a detina atubular está junto da camada de odontoblstos, pode-se encontrar focos isolados arredondados de calcificação da pré-dentina (NOTA DO TRADUTOR). Na Fig. 2, uma zona de dentina atubular representa uma descontinuação dos túbulos dentinários entre as dentinas primária e secundária. Esta situação afeta marcadamente a permeabilidade do complexo dentina primária/secundária. A dentina atubular de interface é formada provavelmente por fibroblastos ao invés de odontoblastos. De fato é provável que a presença desse tipo de dentina só seja encontrada quando os odontoblastos originais são destruídos por irritação local. Após sua formação, novos odontoblastos se diferenciam a partir de células indiferenciadas da polpa dental. Estes odontoblastos, por sua vez, irão continuar a formação da dentina secundária irregular. Uma formação parcial de dentina atubular de interface pode ocorrer onde alguns odontoblastos persistem, e a dentina atubular é formada entre os túbulos.


ALTERAÇÕES INTRATUBULARES

Os túbulos dentinários podem se tornar parcial ou completamente obturados em duas maneiras básicas. Uma é a formação de dentina no espaço peritubular, resultando no crescimento da dentina peritubular, representando uma alteração relacionada à idade. Este tipo de reação também é notada, embora num padrão mais irregular, em dentina coberta por corticosteróide/antibiótico e na dentina abrasonada.

A segunda maneira é pela precipitação de sais minerais dentro dos túbulos, sem aumento da espessura da dentina peritubular. Esse segundo tipo foi demonstrado subjacente à dentina desmineralizada in vitro, na lesão cariosa dentinária, isto é, na chamada “zona transparente”, e é algumas vezes encontrada na dentina coberta por hidróxido de cálcio (Fig. 4). Cristais de hidroxiapatita e de whitiloquita foram identificados nestes depósitos intratubulares. Os cristais depositados podem ter forma romboédrica (cilindro espesso) ou de agulha (cilindro fino). Embora estes dois processos sejam diferentes no tocante às reações biológicas que levam à obturação gradual dos túbulos, ambos levam à redução da permeabilidade dentinária, que é de grande importância do ponto de vista clínico.


PT


PT

Fig. 1. Alteração intratubular com aumento da dentina peritubular (PT) – na direita – e com deposição intratubular de cristais – na esquerda.






IT

PT

PT

PT

IT



PT




MUDANÇAS NA SUPERFÍCIE

Tratamentos na dentina, seja por desgaste, aplicações tópicas de químicos, ou exposição ao ambiente oral, resultam em mudanças na superfície. Uma “smear layer” cobre a dentina cortada. A “smear layer” contém raspas de dentina, provavelmente misturadas com saliva e componentes líquidos da dentina. A fina cama de “smear layer’ cobre as dentinas inter e peritubular e se estende um pouco para dentro dos túbulos dentinários. Ela não é removida por jato d’água, mas um breve tratamento ácido irá dissolvê-la. O tratamento da superfície da dentina com ácido irá não só remover a “smear layer”, como também irá dissolve a dentina peritubular altamente mineralizada, deixando túbulos dentinários abertos.

A dentina exposta ao ambiente oral, desde que este seja auto-limpante, irá se tornar hipermineralizada, provavelmente cobrindo as dentinas inter e peritubular e os túbulos. Uma mineralização similar da camada próxima à superfície foi mostrada em casos em que a dentina é exposta a cimentos ácidos. Outros tipos de precipitação de mineral podem ser intencionalmente induzidos na superfície da dentina. No ambiente oral, a superfície da dentina será coberta por um filme orgânico, a película.

Uma camada de material pode ser colocada sobre a dentina, i.e., na forma de material de base. Esta barreira física ajuda a reduzir a permeabilidade da dentina, e, assim, previne a penetração de agentes tóxicos dentro da polpa.
COMPONENTES ORGÂNICOS

O colágeno constitui o principal componente orgânico da matriz intertubular. A dentina peritubular altamente mineralizada tem uma escassa matriz orgânica.

O conteúdo dos túbulos dentinários contém o processo odontoblástico e seus remanescentes, fluido tecidual, e os componentes orgânicos do espaço periodontoblástico. O papel desses componentes orgânicos nas reações intratubulares não foram estudados em detalhes, exceto com relação à formação de dentina peritubular. O conteúdo dos túbulos pode ficar deslocado durante o preparo cavitário, sem deslocamento do núcleo odontoblástico para dentro dos túbulos. O significado do deslocamento do conteúdo dos túbulos não foi esclarecida.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

A estrutura da dentina é importante devido os túbulos dentinários serem caminhos para a polpa. Qualquer coisa que afete o diâmetro, o volume, e a química dos túbulos será de grande importância clínica porque tais mudanças afetarão a permeabilidade da dentina. Além disso, a estrutura da dentina é importante para o desenvolvimento de sistemas adesivos na Odontologia restauradora. É essencial que o conhecimento da estrutura e da química do tecido estejam disponíveis quando um sistema adesivo está para ser desenvolvido. A padronização e o teste de sistemas adesivos e de técnicas para determinar a adesão só podem ser feitos se o tecido envolvido é padronizado. Muitos dos estudos sobre adesão à dentina não consideraram as variações presentes na dentina em detalhes. As variações na estrutura e na química da dentina podem, assim, explicar as variações nos resultados obtidos em estudos sobre adesão à dentina.

NOTA DO TRADUTOR

Na literatura, alguns autores, como Björndal & Darvann (Caries Res., 1999), Smith et al. (Arch. Oral Biol., 1994) e Lesot et al. (Cells Mater., 1993) dividem a dentina terciária em três tipos:



  1. o primeiro é aquele cujas células formadoras são odontoblastos (com núcleos polarizados para a base e com citoplasma em contato com a pré-dentina e com túbulos da dentina normal - ortodentina);

  2. o segundo é aquele formado por células semelhantes a odontoblastos (núcleo polarizado, citoplasma em contato coma pré-dentina, mas sem contato com túbulos);

  3. o terceiro é um tipo de dentina atubular (com ou sem inclusões celulares) formada por células semelhantes a fibroblastos (sem núcleo polarizado e sem contato do citoplasma com a dentina normal). A dentina atubular é formada em situações de forte agressão, que provocam uma sensação dolorosa mais intensa, como nos estágios mais ativos das lesões cariosas.

Uma anestesia bem feita é mais necessária no tratamento de lesões cariosas dentinárias em estágio bastante agudo do que nos estágios inativos e/ou crônicos, porque a estimulação de terminações nervosas é mais intensa e a formação de dentina terciária é mais precária.



RAMIFICAÇÕES DOS TÚBULOS DENTINÁRIOS – ADENDO


PROF. FREDERICO BARBOSA DE SOUSA
Os túbulos dentinários não seguem da polpa ao limite amelo-dentinário sem apresentar ramificações. Durante seu trajeto, várias ramificações foram identificadas e podem ter o mesmo conteúdo das porções principais. Apesar de já ter sido provado que os prolongamentos odontoblásticos preenchem todo o trajeto dos túbulos dentinários principais, desde a polpa até a periferia da dentina (Holland, 1976; Siga et al., 1984; Holland, 1985), o conteúdo orgânico das ramificações ainda não foi esclarecido. Uma vez que o trajeto dos túbulos e seu conteúdo estão envolvidos na dentinogênese, no processo carioso, na sensibilidade dentinária e na adesão de materiais restauradores, o estudo de suas ramificações é bastante importante.

Com relação à progressão da desmineralização cariosa na dentina, a ocorrência dessas ramificações poderia sugerir que uma vez o ácido tivesse atingido a dentina, teria a possibilidade de se espalhar por todas as ramificações, atingindo, assim, uma área dentinária bem maior do que aquela que foi atingida pelo ácido no limite amelo-dentinário. Contudo, os estudos mais recentes indicam que a desmineralização segue o trajeto dos túbulos principais e não se espalha lateramente. Por outro lado, quando há uma micro-cavidade expondo a dentina, a cor da desmineralização geralmente é marrom, mesmo nas áreas que não foram expostas pela cavitação, indicando, assim, uma possível passagem de bactérias mortas e matéria orgânica pelas ramificações laterais dos túbulos.

Na área da adesão de materiais restauradores, a ocorrência das ramificações pode explicar forças de adesão diferentes para um mesmo adesivo restaurador em diferentes áreas do mesmo dente, pois há variações na densidade e no nos tipos de ramificações presentes em diferentes partes da estrutura dental. Os túbulos dentinários e suas ramificações são locais de penetração dos adesivos restauradores, onde estes penetram e endurecem, formando “tags” que se embricam mecanicamente e resistem às forças de tração.

De acordo com MJÖR & NORDAHL (Archs. Oral Biol., v.41, n.5, p.401-412, 1996), há três tipos de ramificações dos túbulos: (1) ramificações terminais, (2) ramificações finas e (3) micro-ramificações.


1 Grandes ramificações/terminais
Estas são o grupo de ramificações com maior diâmetro (0,5-1,0 m). Elas são regularmente encontradas nos 250 m mais periféricos da dentina, isto é, próximo ao limite amelo-dentinário e à junção cemento-dentina. Elas têm uma forma típica de “Y”, estão em maior número na coroa do que na raiz e terminam como ramificações em delta.
2 Ramificações finas
Estas ramificações têm diâmetro menor (300-700 nm) e se estendem perifericamente aos túbulos principais em ângulos de 45º, penetrando na dentina intertubular. Elas podem cruzar até cinco túbulos principais e geralmente se anastomosam com outras ramificações finas de outros túbulos. Tanto as ramificações terminais como as finas podem ser vistas à microscopia ótica e apresentam dentina peritubular. Elas são mais numerosas na parte média das raízes e são pouco numerosos na porção principal da dentina coronária (devido a ma maior densidade de túbulos principais nesta área).
3 Micro-ramificações

ESMALTE

POLPA

Ramificações terminais

Ramificações finas

DENTINA
Estas ramificações só podem ser vistas à microscopia eletrônica, apresentam diâmetro entre 25-200 nm (a maioria tem diâmetro de 50-100 nm) e não possuem dentina peritubular. Elas podem ocorrer em qualquer região dentinária do dente e partem perpendicularmente aos túbulos principais, penetrando na dentina intertubular, onde se ramificam e se anastomosam com outras micro-ramificações de outros túbulos. Suas ramificações secundárias podem ocorrer em todas as direções, enquanto nos outros tipos isto só ocorre em direção à periferia da dentina.




©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal