Ministério Terapêutico 7



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Ministério Terapêutico

A Atitude


O assunto hoje é a atitude, nossa e dos que passam por aflições. Aflições de modo geral, mas o foco é na doença e na morte.

“Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança.” 1Tes.4:13. O Apóstolo Paulo julgou necessário escrever esse texto por vários motivos. Um deles foi para que os crentes não superestimassem o valor da vida e da saúde, que é uma atitude que encoraja a revolta contra a doença e a morte. Ele queria que a aflição fosse suportada pacientemente. Isto requer certo desprendimento de si mesmo e da preocupação com saúde e “vida a qualquer custo”.

Na realidade só quem conheceu o bem maior de Jesus Cristo pode pretender tal desprendimento de forma equilibrada, uma vez que não há nada na Bíblia que autorize o cristão a procurar ou desejar o sofrimento. Mas quando ele vem, e ele vem mesmo, esse conhecimento faz a diferença.

1Pe.2:20-21; 2Co.6:4-5; Rom.12:12.

Porém a vivência com Cristo não nos leva apenas à aceitação da aflição. É também uma fonte de energia curativa. Lembremos da questão colocada por Jesus ao paralítico no Tanque de Betesda: “Você quer ser curado?”. Jo.5:6. A questão não era supérflua. A resposta foi. V.7. O paralítico não respondeu à pergunta, mas lamentou seu infortúnio, a falta de ajuda. Notem que ele esperava ajuda apenas dos outros, e não dele mesmo, que foi o que Jesus perguntou. Jesus foi direto ao ponto.

A atitude desse paralítico é a regra, tanto que o Senhor desconsiderou a resposta e o curou. Se a atitude da Igreja for a desse homem, o resultado será a procura incessante de curas milagrosas. Assim fazendo, o ensino do Senhor, de Paulo, de Pedro, da Bíblia como um todo é desconsiderado.

Ficamos preocupados quando vemos algumas palavras de Jesus retiradas de seu contexto e usadas para “exigir” curas de Deus. Ex. Jo.14:12.

Que milagres e curas ocorriam na igreja apostólica não há dúvida. Já estudamos sobre isso quando vimos o texto de Atos 8:9-25. Vimos também o ensino apostólico, que não encoraja uma experiência especial aos crentes. No entanto, somos quase que diariamente confrontados com desafios de curas miraculosas, como que essas curas fossem a condição normal da vida do cristão, e que se uma cura não ocorrer, é sintoma de doença espiritual.

Essas afirmações não apenas estão teologicamente erradas, como trazem conseqüências sérias aos doentes, como veremos.

Elas diminuem a grandeza de Cristo. Cristo foi único, e trouxe de fato curas e milagres. Mas se enfatizarmos muito o fato de que Ele foi um homem caridoso, que se condoia do nosso sofrimento, e que operava milagres e curas. Minorando todo sofrimento, nós perdemos o foco. Claro que Ele fez tudo isso, mas Ele era infinitamente mais do que isso. Não devemos esquecer o supremo propósito de Deus para com a humanidade. (“Para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”). Toda a plenitude de Deus estava em Cristo, e a encarnação foi um evento único na história. Nunca houve um homem como Ele, nem nunca haverá.

Essas afirmações mudam o conteúdo do Evangelho. A ênfase na cura do corpo pode desviar o foco da redenção da cruz, e da realidade da ressurreição. Não é evangelho. Não é da cura das doenças que a humanidade precisa desesperadamente, mas da salvação do pecado(1Pe.2:24). É claro que Cristo se preocupava e se preocupa conosco. Tanto que se entregou como sacrifício por nós. E isso é o Evangelho. Não há outro.

Essas afirmações dividem as atenções da Igreja. Uma ênfase falsa na cura leva a Igreja ou o cristão como individuo a procurar experiências especiais. Muda o contexto da santidade pela obediência para a satisfação pessoal pela cura. O que, já vimos, não é o ensino do N.T. E leva muitos crentes a caírem na conversa de pregadores “miraculosos”.

Essas afirmações também confundem os pacientes. Quando a necessidade real chega, o doente fica na expectativa da cura, e pode não tomar as ações necessárias; a comunidade, ao invés de atuar, fica na expectativa do milagre, ou abandona o caso pela evidência de “falta de fé”, sem atuar, auxiliando no tratamento, ajudando a superar as realidades e limitações impostas pela doença, e a seguirem juntos adiante.

Existem alternativas para atuar em um ministério terapêutico, sem ser só milagres. Esses são, hoje, decisões do Espírito Santo de Deus.

Nos já vimos que a terapêutica era parte integral do ministério do Senhor e seus Apóstolos. Mas o que é ministério?

Ministério é uma palavra cheia de significado. A palavra grega diakonos, que significa um ministro, indica o que serve a mesa, que assiste ao que tem fome e precisa de sustento, que está atento para suprir as necessidades do próximo. Ele não deve ser confundido com o doulos, que seria o escravo. O ministro é livre, ele atua de maneira responsável e independente. Ele toma a iniciativa.

Quando Jesus foi à casa de Maria e de Marta, Marta “servia”, ou seja, ministrava. No casamento de Cana da Galileia, os que serviam as mesas e levavam o vinho eram “ministros”. Depôs que a sogra de Pedro foi curada de sua febre ela levantou-se e “ministrava” aos que estavam em sua casa, talvez cozinhando. A mesma palavra foi usada para definir a atividade das mulheres que seguiam a Jesus e cuidavam das suas necessidades. Já os da casa de Estéfanas se dedicavam ao serviço (ministério) do santos (1Co. 16:15).

Ministrar é, então, atender as necessidades físicas pessoais dos que precisam. E isso é muito mais importante que tentar soluções sobrenaturais. É a esse ministério de cuidados pessoais que se associa a terapêutica. Isso sem nunca esquecer que embora nós estejamos limitados aos meios naturais, não há limite à providência de Deus, à ação soberana do Espírito Santo. A fé de Davi em Deus não foi menor pelo fato de ele ter usado uma funda e uma pedra para derrotar Golias. Ou seja, Deus pode agir de maneira sobrenatural, mas nós não o limitamos quando reconhecemos que Ele age por meios naturais. Como o Bom Samaritano, que pegou o viajante machucado, o levou a hospedaria e pagou pelos cuidados. É interessante observar a importância de se ministrar pela advertência do Senhor em Mateus 25:40 a 45. (E quando estava enfermo, não foi visitado.)



E quanto a morte? De todos os medos do coração do homem, o medo da morte é o maior. Creio que nada consegue erradicar completamente esse medo, na pessoa de sã consciência. A única solução para enfrentar a morte é estar com o Senhor. Foi Ele que disse que não devemos ter medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma (Mat. 10.28). Ensino que Paulo reforçou como já vimos.

Jesus Cristo conheceu o sofrimento, a morte e a ressurreição. A esperança que temos é que a morte não nos separa do Senhor. Nosso relacionamento será pleno por ocasião de nossa ressurreição. Assim, mesmo passando, todos nós, pelos sofrimentos, pelas doenças, e confrontados pela morte, a atitude é de ver a vida como luz, por que vem de Deus, e temos esperança até na morte. Essa visão positiva nos leva ao ministério terapêutico.


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