Ministério da saúDE


‘ Notificar e investigar todos os casos



Baixar 1.08 Mb.
Página8/15
Encontro21.10.2017
Tamanho1.08 Mb.
1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   ...   15

‘ Notificar e investigar todos os casos.


A investigação visa descartar outros agentes etiológicos. Avaliar a situação epidemiológica do momento (doenças semelhantes em familiares e na área de convívio). Deve ser realizada avaliação clínica e, se necessário, laboratorial para identificar características das diferentes suspeitas etiológicas.

Meningites virais: enterovírus: echo, coxsackie; herpes simples e outros. O LCR das meningites virais apresenta as mesmas características (predomínio de células linfomononucleares) das pós-vacinais, e o diagnóstico etiológico só será estabelecido pela cultura e sorologias específicas no LCR.

Meningites bacterianas: Importante afastar a possibilidade de meningite bacteriana, já que nestes casos se faz necessário o uso de antibióticos. O LCR apresenta predomínio de polimorfonucleares. Lembrar que as meningites virais, na fase inicial, apresentam aumento de polimorfonucleares. O diagnóstico etiológico se faz no LCR através do bacterioscopia direta, da cultura, da contra-imunoeletroforese (CIE) e do teste do látex.

4.2.2.2. Conduta

a) Avaliação clínica para definição de conduta adequada.

b) Há contra-indicação das doses subseqüentes no caso de meningites, encefalites ou encefalopatias.

c) Nos outros envolvimentos neurológicos, deve-se avaliar cada caso em particular.



4.2.3. Púrpura Trombocitopênica

Casos de púrpura trombocitopênica foram descritos inicialmente após a vacinação contra sarampo, posteriormente contra rubéola e mais comumente após a tríplice viral. Com o início entre 2 a 3 semanas após a vacinação e com uma freqüência de 1/30.000 a 1/40.000 vacinados. Geralmente de evolução benigna.



4.2.3.1. Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.



4.2.3.2. Conduta

a) Tratamento com especialista.

b) Contra-indicar doses subseqüentes em pacientes com púrpura pós-vacinal

c) Pessoas com história anterior de púrpura trombocitopênica podem ter um risco aumentado de apresentar púrpura pós-vacinal. A decisão de vacinar dependerá da relação risco-benefício. Na grande maioria das vezes o benefício da vacinação é maior porque o risco de ter um quadro de púrpura após a doença é maior do que após a vacina. Quando se optar pela revacinação após a ocorrência de púrpura, recomenda-se um intervalo mínimo de 6 semanas entre a doença e a vacina.



4.2.4. Artralgia e/ou artrite

São associadas ao componente da rubéola, sendo mais freqüente após a puberdade e no sexo feminino. Início entre 1 a 3 semanas após a vacinação, e com duração variando de 1 a 21 dias. Aproximadamente, 25% das mulheres adultas vacinadas com a cepa RA 27/3 podem apresentar problemas articulares. As articulações mais afetadas são: interfalangianas, metacarpo-falangianas, joelhos, cotovelos e tornozelos. A associação entre artropatia crônica e a vacina contra rubéola é controversa, não havendo provas suficientes da relação direta entre elas.



4.2.4.1. Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos


4.2.4.2. Conduta

a) Tratamento sintomático.

b) Nos casos mais graves encaminhar para avaliação do especialista para afastar outros diagnósticos.

c) Não contra indica doses subseqüentes.



4.2.5. Parotidite, pancreatite, orquite e ooforite

São eventos associados à vacina da caxumba. Parotidite de curso benigno e de curta duração, 0,7% a 1,4% dos primovacinados poderá apresentar no 10o ao 21o dia após vacinação. Comparando percentuais em relação as cepas, observou-se : Jerryl Lynn em 1,6% dos vacinados e a cepa Urabe AM9 em 1% a 2%. Pancreatite, orquite e ooforite podem ocorrer, porém, são bastantes raras e sem gravidade.



4.2.5.1. Notificação e investigação

Não notificar.



4.2.5.2. Conduta

a) Tratamento sintomático.

b) Não contra-indica doses subseqüentes.

4.2.6. Reações de hipersensibilidade

Raramente ocorrem reações de hipersensibilidade com a vacina tríplice. São reações menores e geralmente consistem em urticária no local da aplicação, podendo, menos freqüentemente, apresentar em outras áreas do corpo. Ocorre, geralmente, nas primeiras 24 a 48 horas após aplicação da vacina.

As reações de hipersensibilidade estão associadas à gelatina utilizada como estabilizante em algumas apresentações e aos antibióticos. A alergia à neomicina ou outros antibióticos existente em traços na vacina, é geralmente de contato, acarretando apenas pápula pruriginosa no local da aplicação. A maioria das crianças com história de reação anafilática a ovos não tem reações adversas á vacina.

As reações anafiláticas são extremamente raras e caracterizam-se por uma ou mais das seguintes manifestações: urticárias, sibilos, laringoespasmo, edema de lábios, hipotensão e choque. A anafilaxia é imediata, ocorrendo nas primeiras 2 horas, sendo mais freqüente nos primeiros 30 minutos após a aplicação da vacina.



4.2.6.1. Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.



4.2.6.2. Conduta

a) Tratamento sintomático e orientação. No caso de anafilaxia, internamento.

b) Contra-indicar doses subseqüentes quando a alergia for de natureza anafilática, sistêmica, grave (choque, obstrução respiratória etc).

c) Alergia ao ovo, mesmo quando grave, não contra indica o uso da vacina Tríplice e Dupla Viral. Foi demonstrado em muitos estudos que pessoas com alergia ao ovo, mesmo aquelas com hipersensibilidade grave, têm risco insignificante de reações anafiláticas a estas vacinas. Não se recomenda o teste cutâneo, pois ele não tem valor preditivo. Por precaução as pessoas com anafilaxia grave ao ovo devem ser vacinadas em ambiente hospitalar.

No maior resumo da literatura sobre o assunto, nenhuma de 284 crianças com alergia a ovo confirmada (teste alimentar cego) mostrou qualquer evento adverso grave na rotina de vacinação contra sarampo (Intervalo de confiança de 95% [IC] 99.0% - 100%). A vacinação foi “tolerada” por todas as 1.209 crianças com teste cutâneo positivo para ovo (95% IC 99,75% - 100%) e por 1.225 (99,84%) de 1.227 crianças com história de alergia a ovo (95% IC 99,41% - 99,98%).

QUADRO 9.1
EVENTOS ADVERSOS PÓS-VACINA TRÍPLICE VIRAL – MANIFESTAÇÕES LOCAIS E REGIONAIS



EVENTO ADVERSO

DESCRIÇÃO

TEMPO

APLICAÇÃO/EVENTO



FREQUÊNCIA

CONDUTA

EXAME

-Ardência, hiperestesia, eritema, enduração.


-Vermelhidão e edema no local da aplicação.

-1o dia.

-Pouco freqüentes.

-Investigar e acompanhar.

-Notificar apenas casos de maior intensidade ou “surtos” de reações locais.







-Nódulo ou pápula com rubor.

-Podem ocorrer em indivíduos com hipersensibilidade aos componentes da vacina.








-Investigar e acompanhar.




-Linfadenopatia regional.


-Linfonodos hipertrofiados.




-Raro.







-Abscesso quente.

-São quentes, vermelhos e dolorosos. Podem aparecer sinais de flutuação e fistulização. Neste caso, houve conta-minação por germes piogênicos.


-Até 15o dia.




-Investigar e acompanhar.

-Indicar antimicrobiano para processo infeccioso agudo, inespecífico de pele.





QUADRO 9.2
EVENTOS ADVERSOS PÓS-VACINA TRÍPLICE VIRAL – MANIFESTAÇÕES SISTÊMICAS I



EVENTO ADVERSO

DESCRIÇÃO

TEMPO

APLICAÇÃO/EVENTO



FREQUÊNCIA

CONDUTA

EXAME

-Febre ≥ 39,5o C.


-Está associada a qualquer um dos componentes da vacina.


-Entre o 5o e o 12o dia após vacinação.


-5 a 15% dos primo-vacinados.


-Notificar, investigar e acompanhar.1





-Cefaléia, irritabilidade, febre baixa, conjuntivite e/ou manifestações catar-rais.

-Estão associadas aos componentes do sarampo e da rubéola.

-Entre o 5o e o 12o dia após vacinação.


-0,5 a 4 % dos primo-vacinados.


-Notificar, investigar e acompanhar.7





-Exantema.

-Pode ter extensão variável. Dura em torno de 2 dias.


-Entre o 7o e o 10o dia após vacinação .


-5% dos primovacinados.


-Notificar, investigar e acompanhar.7





-Linfadenopatia.

-Associada ao componente da rubéola.


-Entre o 7o e 21o dia após a vacinação.


-Menos de 1% dos primo-vacinados.


-Investigar e acompanhar.7





-Meningite.

-Está relacionada ao componente da caxumba.


-Entre o 15o e 21o dia após a vacinação .


-Cepa Jeryl Lynn: 1/250.000 a 1/1.800.000.

-Cepa Urabe: 1/11.000 a 1/400.000.

-Cepa Leningrad-Zagreb:

1/3.390.


-Notificar, investigar e acompanhar.

-Avaliação clínica e, se necessário, laboratorial.

-Contra-indicar doses subseqüentes.


-Exame de LCR.2

-Encefalite.

-Relacionado ao componente do sarampo e ao da caxumba.


-Entre 15 a 30 dias após a vacinação.

-Semelhante ao da população não vacinada: 1/1.000.000 - 1/2.500.000


-Notificar, investigar e acompanhar.

-Contra-indicar doses subseqüentes.





QUADRO 9.3
EVENTOS ADVERSOS PÓS-VACINA TRÍPLICE VIRAL – MANIFESTAÇÕES SISTÊMICAS II




EVENTO ADVERSO

DESCRIÇÃO

TEMPO

APLICAÇÃO/EVENTO



FREQUÊNCIA

CONDUTA

EXAME

-Pan-encefalite esclero-sante subaguda pós-vacinal (PEESA).


-Não há dados epidemiológicos docu-mentados que realmente comprovem o risco vacinal.


-Entre 15 a 30 dias após a vacinação.

-Estimativa de 0,7/1.000.000 de doses nos EUA.


-Notificar, investigar e acompanhar.

-Contra-indicar doses subseqüentes.






-Outras manifestações neurológicas.


-Ataxia, mielite transversa, neurite ótica, síndrome de Guillain Barre e paralisia ocular motora.

-São consideradas associações temporais a vacina tríplice viral.










-Notificar, investigar e acompanhar.

-Avaliar cada caso em particular, para decidir indicação de doses subseqüentes.






-Púrpura trombocitopê-nica.


-Geralmente de evolução benigna.

-2 a 3 semanas após a vacinação.

-1/30.000 a 1/40.000 vacinados.

-Notificar, investigar e acompanhar.

-Contra-indicar doses subseqüentes.3







-Artralgia e/ou artrite.

-As articulações mais afetadas são: interfalangianas, metacarpo-falangianas, joelhos, cotovelos e tornozelos.

-Associado ao componente da rubéola, com duração de 1 a 3 semanas.




-Entre 1 a 3 semanas após a vacinação.

-25% das mulheres vacinadas com a cepa RA 27/3.


-Notificar, investigar e acompanhar.

-Tratamento sintomático, nos casos mais graves indicar avaliação de especialista.






-Parotidite, pancreatite, orquite e ooforite.


-Associado aos componentes da caxumba.

-10o ao 21o dia após a vacinação (parotidite).

-Parotidite: com cepa Jeryl Lynn: 1,6%, com cepa Urabe AM9 1 a 2% dos vacinados.

-Outros: bastante raros.




-Investigar e acompanhar.

-Não contra-indica doses subseqüentes.






-Reações de hipersensibilidade.


-Urticária no local ou, menos freqüentemente, em outras áreas do corpo.


-Geralmente nas primeiras 24 a 72 horas após a vacinação.

-Raras.

-Notificar, investigar e acompanhar.

-Não contra-indica doses subseqüentes.






-Reação anafilática.

-Urticárias, sibilos, laringoespasmo, edema de lábios, hipotensão e choque.


-Habitualmente na primeira hora após a aplicação da vacina.

-Extremamente raras.

-Notificar, investigar e acompanhar.

-Contra-indicar doses subseqüentes.







3 Pessoas com história anterior de púrpura trombocitopênica podem ter um risco aumentado de apresentar púrpura pós-vacinal. A decisão de vacinar dependerá da avaliação do risco-benefício (vide texto).

Capítulo 10

Vacinas contra Tétano e Difteria – dT e DT
1. Introdução

A vacina antitetânica e antidiftérica é a única vacina de uso rotineiro na gestante sendo indicada como imunização primária ou como reforço, no intuito de prevenir o tétano neonatal pela transferência passiva transplacentária de anticorpos da mãe para o feto.

A incidência e gravidade das reações adversas causadas pela vacina dupla bacteriana, particularmente reações locais, podem ser influenciadas pelo número anterior de doses aplicadas, nível prévio de antitoxina, tipo e quantidade do adjuvante, via e método de administração da vacina, presença de outros antígenos na preparação escolhida e talvez pela concentração do toxóide ou pela presença de organomercuriais pesados usados como preservativo.



2. Composição

A vacina dupla bacteriana é composta pelos toxóides tetânico e diftérico adsorvidos em hidróxido de alumínio, tendo o timerosal como conservante.

A apresentação do tipo infantil (DT) diferencia-se do tipo adulto (dT) pela concentração da dose imunizante do toxóide diftérico: 2UI/ml (por dose) na vacina tipo infantil (especificamente utilizada para a vacinação de crianças de 2 meses a 6 anos e 11meses que tenham contra-indicação médica formal de receber o componente pertussis) e 0,5UI/ml (por dose) na vacina tipo adulto(indicado a partir dos sete anos de idade). Ambas as apresentações contém 2 UI/ml por dose do toxóide tetânico.

Atualmente a apresentação do toxóide tetânico puro (TT) não está disponível no mercado.


3. Contra-indicações e precauções gerais

3.1.Contra-indicações:

- A ocorrência de reação anafilática ou eventos neurológicos subseqüentes à aplicação da vacina dupla bacteriana constitui contra-indicação absoluta para administração de outras doses dessa vacina.

3.2. Precauções:

- Se ocorrer uma reação local grave compatível com reação tipo Arthus, é importante observar o intervalo de 10 anos após a aplicação da última dose da vacina para se fazer a dose de reforço.

- Doenças agudas febris moderadas ou graves recomendam adiar a vacinação até a resolução do quadro com o intuito de não se atribuir a vacina as manifestações da doença..


4. Eventos adversos


4.1. Manifestações locais
As mais importantes reações adversas são as que ocorrem no local de aplicação. Diversos estudos correlacionam o aumento de incidência de reações locais com o número de doses aplicadas, sendo que ambos os toxóides diftérico e tetânico contribuem para a reatogenicidade local. Em geral, 50 a 85% dos receptores de doses de reforço apresentam dor e aumento da sensibilidade no local da vacina e em 25 a 30% pode ocorrer edema e eritema. Reações locais mais significativas, tais como edema acentuado, são encontradas em menos de 2% dos vacinados. Geralmente essas reações manifestam-se nas primeiras 2 a 8 horas após a administração da vacina e o quadro costuma ser mais intenso entre o 2º - 3º dia, quando pode haver incapacidade funcional transitória do membro em que foi aplicada, com melhora parcial no 4º dia e desaparecimento da sintomatologia ao final da 1ª semana, sem seqüelas.

Os adjuvantes que contêm alumínio, em produtos adsorvidos, podem teoricamente causar alterações inflamatórias locais com maior freqüência que os toxóides fluidos, devido à ativação do sistema complemento e estimulação de macrófagos induzidos pelo adjuvante.

A freqüência de reações locais pode aumentar com a administração subcutânea do toxóide, sendo superior à verificada com sua aplicação por via intramuscular. Injeções subcutâneas de toxóides contando adjuvante com alumínio podem induzir o aparecimento de abscessos estéreis no local em que a vacina foi aplicada, que raramente são dolorosos e pruriginosos. Os nódulos subcutâneos resolvem-se em semanas a meses e dificilmente podem durar anos e necessitar de remoção cirúrgica.

Em alguns estudos, verificou-se a associação entre os níveis de antitoxina tetânica circulante e a intensidade das reações locais: se o título preexistente for elevado, a incidência de reações locais é maior.

Há relatos de reações locais muito intensas, como, por exemplo, edema que se estende do cotovelo até o ombro, após a inoculação do toxóide tetânico no deltóide, particularmente em pessoas que receberam múltiplas doses dessa vacina.

Essas pessoas possuem níveis de antitoxina sérica mais elevados (de 2 a 160 UI/ml) do que os detectados naquelas que não apresentam reações ou apresentam apenas reações sistêmicas leves. Admite-se que anticorpos pré-formados formam complexos com o toxóide depositado, induzindo intensa resposta inflamatória (reação ou fenômeno de Arthus ou reação de hipersensibilidade do tipo III). Os principais sintomas são: dor, tumefação e rubor podendo estender-se e afetar todo o membro. A reação tem um pico de evolução entre 4 e 6h, é auto limitada e benigna e evolue bem após alguns dias. Em alguns casos, o infiltrado afeta os tecidos profundos, podendo causar necrose. Na pele se observam bolhas e vesículas cheias de serosidade e pústulas que evoluem para crostas, que ao caírem, deixam uma úlcera profunda.

Em alguns indivíduos, o timerosal pode estar implicado na reação local (hipersensibilidade tardia – tipo IV), porém é um evento raro e ocorre se a vacina for administrada via subcutânea

4.1.1. Notificação e investigação

V. Anexo 1.

Notificar e investigar os casos com abscessos, reações locais muito intensas ( edema e/ou vermelhidão extensos, limitação de movimentos acentuada e duradoura) e também o aumento exagerado da freqüência de reações locais associadas eventualmente a erros de técnica ou a lote vacinal (“surtos”).



4.1.2. Conduta

V. Anexo 1.

a)Tratamento sintomático.

b)Abscessos devem ser submetidos à avaliação médica para conduta apropriada.

c)Não há contra-indicação para a administração de doses subseqüentes.

d)Se houver história de reação local grave, condizente com reação tipo Arthus, a dose de reforço só poderá ser administrada com um intervalo de 10 anos após a aplicação da última dose.


5.2. Manifestações Sistêmicas
5.2.1. Manifestações gerais

Doses de reforço de dT associam-se com febre em 0,5 a 7% dos casos, sendo raramente observadas temperaturas superiores a 39ºC.

A febre pode ou não acompanhar as reações locais, quando a associação está presente as manifestações locais são acentuadas, isto se observa nos indivíduos com altas concentrações de antitoxina tetânica. Cefaléia, irritabilidade, sonolência, perda do apetite, vômitos e linfonodomegalia podem ocorrer, embora com menor freqüência.


5.2.1.1. Notificação e investigação

Desnecessários.

5.2.1.2. Conduta
a)Tratamento sintomático.

b)Avaliação do caso para afastar patologia concomitante

c) Não há contra-indicação para doses subseqüentes


5.2.2. Reações de hipersensibilidade
Nos EUA, de 1991 a 1995 foram relatadas 1,6 reações alérgicas importantes (estridor, broncoespasmo ou anafilaxia) por milhão de doses distribuídas de dT (1,6/1.000.000).

Pode haver reação local grave compatível com reação do tipo Arthus (hipersensibilidade tipo III).



5.2.2.1. Notificação e investigação
Notificar e investigar todos os casos
5.2.2.2. Conduta

Tratamento adequado da reação anafilática (V. Anexo 1) .

Em caso de anafilaxia ha contra-indicação de doses subseqüentes. Em situações de risco estes indivíduos deverão receber imunização passiva



5.2.3. Neurológicas

A neuropatia do plexo braquial relaciona-se com a aplicação de doses repetidas do toxóide tetânico, de que resulta a formação de imunocomplexos, responsáveis pela reação inflamatória que se instala, de modo semelhante ao que se observa com a administração do soro antitetânico. Sua incidência é de 0,5- 1 caso/ 100.000 vacinados e manifesta-se dentro de 1 mês da administração do toxóide tetânico (2-28 dias)..

A plexopatia pode estar presente no mesmo lado ou do lado oposto à injeção da vacina e, algumas vezes pode ser bilateral. Caracteriza-se por um quadro doloroso constante, profundo e freqüentemente severo na região superior do braço e cotovelo seguido de fraqueza e atrofia muscular proximal, após alguns dias ou semanas. A perda da sensibilidade pode acompanhar o déficit motor, mas em geral é menos notada.

Contudo a mononeuropatia, definida como disfunção limitada da área inervada por um nervo periférico, não se correlaciona especificamente à vacina dupla bacteriana, podendo ocorrer quando outros agentes forem administrados inadvertidamente (técnica incorreta ou variante anatômica do trajeto nervoso). O dano nervoso resulta da irritação química ou ação tóxica da solução injetada resultando em processo inflamatório e fibrose locais, existindo, portanto, um período de latência entre a administração do injetável e a apresentação clínica. Por exemplo: lesão do nervo radial decorrente da injeção profunda no músculo deltóide resultando em queda do punho.

A Síndrome de Guillain Barré (SGB), também conhecida como polirradiculoneurite inflamatória com lesão de desmielinização segmentar, edema, infiltração linfocitária intersticial e perivenosa com dissociação albuminocitologica no liquido cefalorraquidiano (proteinorraquia com discreto aumento de linfócitos). A estimativa de ocorrência da SGB após a administração do toxóide tetânico é de 0,4/1.000.000 doses distribuídas.

Os sintomas aparecem normalmente de 5 dias a semanas após o inicio da vacina. O paciente apresenta febre, câimbras, formigamentos e parestesias que evoluem para déficit motor de intensidade variável iniciando geralmente nos membros inferiores e se estendendo para os superiores.O déficit motor e simétrico homogêneo e normalmente transitório. A atrofia muscular e ausente ou discreta. A síndrome evolui em 12 a 15 dias quando começa a regressão dos sintomas. O período de convalescença dura de uma a duas semanas e as seqüelas são raras.

É desconhecido até o momento, se a vacina dupla bacteriana pode aumentar o risco de recorrência da SGB em indivíduos com história pregressa desta patologia, associada ou não com vacina.

3.2.4. Notificação e investigação

Sim.
3.2.5. Conduta

a) Avaliação por neurologista.

b) Contra-indicação à aplicação de doses subseqüentes.

c) Avaliação criteriosa do risco-benefício da vacina para pessoas com história pregressa de SGB.


QUADRO 10.1
EVENTOS ADVERSOS APÓS VACINA CONTRA TÉTANO E DIFTERIA


EVENTO ADVERSO

DESCRIÇÃO

TEMPO APLICAÇÃO/EVENTO

FREQUÊNCIA

CONDUTA

EXAME

- Local

- Dor, edema, eritema

1o.dia

1 / 2 a 1/4 doses

-Aumenta com a repetição das doses



-Notificar e investigar reações muito intensas ou “surtos”.

- Manter esquema, exceto se reação tipo Arthus (obedecer intervalo de 10 anos)

-V. Anexo 1.





-Gerais

-Febre, cefaléia, irritabilidade, sonolência, perda do apetite e vômito

24-48 horas

1/14 a 1/200 doses

-Não notificar

- Tratamento sintomático

- Manter esquema





-Reação anafilática

-V. Anexo 1.

-Menos de 2 horas, geralmente primeiros 30 minutos

1,6/1.000.000 doses



-Notificar e investigar

-Contra-indica doses subseqüentes. Usar imunização passiva, em situações de risco. V. Anexo 1.






-Síndrome de Guillain-Barré

-Paralisia flácida ascendente, dissociação albumino-citológica no líquor

- 5 dias – 6 semanas

-Extremamente rara (0,4/1.000.000 doses)

-Notificar e investigar.

-Tratamento especializado.

-Contra-indica doses subsequentes.


-Investigação clínica e laboratorial especializada.

-Neurite do Plexo Braquial (Plexopatia)

Dor, fraqueza e atrofia muscular em braço(s)/ cotovelo (s)

- 2-28 dias

0,5-1,0/1.000.000



-Notificar e investigar.

-Avaliação neurológica.

-Contra-indica doses subsequentes


-ÍDEM



Capítulo 11

Vacina contra a Influenza - INF
1. Introdução

A vacina contra a influenza (gripe) tem um perfil de segurança excelente sendo utilizada no Brasil em estratégia de campanha anual para a população com 60 anos ou mais e nos CRIES, para adultos e crianças acima de 6 meses, em situações clínicas especiais.

As vacinas contra influenza utilizadas no Brasil são inativadas contendo vírus mortos, fracionados ou em subunidades não podendo portanto causar influenza (gripe).

Quadros respiratórios simultâneos podem ocorrer sem relação causa-efeito com a vacina.

2. Composição

São obtidas através de culturas de vírus em líquido alantóide de embriões de galinha, contendo 15 mcg de dois subtipos de sorotipo A e 15 mcg de uma cepa de sorotipo B. Variam anualmente conforme a identificação das cepas circulantes. Na sua composição entram ainda, antibióticos, como a neomicina ou polimixina e timerosal como conservantes.
3. Precauções e contra-indicações gerais
3.1. Contra-indicacões:
A vacina inativada contra influenza está contra-indicada em pessoas com história de alergia severa à proteína do ovo de galinha, assim como a qualquer componente da vacina. Desta forma, reações anafiláticas graves a doses anteriores também contra-indicam doses subseqüentes.
3.2. Precauções:

Em doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença.


4. Eventos adversos
4.1. Manifestações locais

Manifestações locais como dor no local da injeção, eritema e enduração ocorrem em 10% a 64% dos pacientes, sendo benignas autolimitadas geralmente resolvidas em 48 horas.

Os abscessos geralmente encontram-se associados com infecção secundária ou erros de técnica de aplicação.


4.1.1. Notificação e investigação

Notificar e investigar casos como abscesso quente, reações locais muito extensas com limitação de movimentos ou “surtos” de reações locais que podem estar associados a erro de técnicas ou lote vacinal.


4.1.2. Conduta

a) Analgésico, se necessário;

b) Eventos locais graves e abcessos devem ser avaliados pelo médico assistente;



  1. Não há contra-indicação para administração de doses subseqüentes.
4.2. Manifestações sistêmicas

Febre, mal estar e mialgia que podem começar 6 a 12 horas após a vacinação e persistir por um a dois dias.

Estas manifestação são mais freqüentes em pessoas que não tiveram contato anterior com os antígenos da vacina.


4.2.1. Notificação e investigação

Não há necessidade, pois na grande maioria são reações benignas e autolimitadas.


4.2.1. Conduta




  1. Tratamento sintomático;

  2. Avaliar o caso para afastar outros diagnósticos diferenciais;

  3. Não há contra-indicação formal para doses subseqüentes.
4.2.1 Reações de hipersensibilidade

Reações anafiláticas (hipersensibilidade do tipo I de Gell e Coombs) são raras com a vacina contra influenza e podem ser devidas à hipersensibilidade a qualquer componente da vacina principalmente as proteínas residuais do ovo de galinha.

Reações anafiláticas graves a doses anteriores também contra-indicam doses subseqüentes.

4.2.1.1 Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.
4.2.1.2. Conduta

a) Tratamento rápido e adequado (ver anexo I);

  1. Existe contra-indicação formal para doses subseqüentes. Em situações epidemiológicas especiais de risco, deve ser avaliada a sua aplicação.
4.2.2. Manifestações Neurológicas
4.2.2.1. Síndrome de Guillain Barré- SGB

É uma enfermidade bastante rara que se caracteriza por polirradiculoneurite inflamatória com lesão de desmielinização segmentar, edema, infiltração linfocitária intersticial e perivenosa com dissociação albuminocitológica no líquido cefalorraquidiano (hiperproteinorraquia com discreto aumento de linfócitos).

O paciente apresenta febre, formigamento e parestesias que evoluem para déficit motor de intensidade variável, começando geralmente nos membros inferiores e se estendendo para os membros superiores. O déficit motor é simétrico, homogêneo e normalmente transitório. A atrofia muscular é ausente ou discreta. A síndrome evolui em 12 a 15 dias, quando começa a regressão dos sintomas. O período de convalescença dura de 1 a 2 semanas. As seqüelas são raras.

Mais da metade dos pacientes descreve uma infecção viral antecedente. São mais comuns as infecções do trato respiratório e o restante trata-se principalmente de infecções gastrointestinais.

Enterite causada por cepas específicas do Compylobacter jejuni é a doença desencadeante em até 18% dos casos. Certas infecções virais como as causadas por citomegalovírus e Epstein-Barr são fortemente associados à SGB. Mais raramente algumas vacinas de vírus vivos atenuados ou mortos, procedimentos cirúrgicos e processos malignos também podem anteceder à SGB, geralmente os sintomas aparecem entre 7 a 21 dias até 6 semanas após exposição ao possível agente desencadeante. Muitos estudos vêm sendo realizados sobre as possíveis causas da SGB, no entanto, nenhum comprovou a relação dos raros casos com o uso da vacina contra influenza.

É desconhecido até o momento se a vacina da influenza pode aumentar o risco de recorrência da SGB em indivíduos com história pregressa desta patologia.


4.2.2.2. Notificação e investigação

Notificar e investigar todo o indivíduo que desenvolver quadro neurológico compatível com a SGB de 7 dias até 6 semanas após receber a vacina contra a influenza.


4.2.2.3. Conduta

a) Avaliação e acompanhamento neurológico dos casos.

  1. Avaliação criteriosa do risco-benefício da vacina para pessoas com história pregressa de SGB.


Quadro 11.1

EVENTOS ADVERSOS PÓS-VACINAL CONTRA A VACINA INFLUENZA (Gripe)




Evento adverso


Descrição


Tempo decorrente
Aplicação/

Evento


Frequencia


Conduta


Observação

Locais

Dor local

Eritema


Enduração

1-2 dias após a vacinação durando 48 horas

10-64% dos vacinados

Notificar e investigar abscesso quente e reações locais muito extensas com limitações de movimento.

Analgésicos, se necessário



Não contra-indica doses subseqüentes.

Eventos locais graves devem ser avaliados pelo médico.



Manifestações gerais

Febre.

Mialgias. Cefaléia.

Sintomas “flu”-like leves


6-12 horas após a vacinação durando 48 horas

_

Tratamento sintomático.

Afastar diagnósticos diferenciais.



Não há contra-indicação formal para doses subseqüentes.

Reações anafiláticas

Urticária, sibilos, laringoespasmo, edema de lábio, hipotensão arterial e choque

Menos de 2 horas após a aplicação da vacina

_

Tratamento rápido e adequado (ver anexo 1).

Contra-indicação formal para doses subseqüentes.

Síndrome de Guillain-Barré (SGB)

Polirradiculoneurite inflamatória com lesão de desmielinizalção, parestesias e deficit motor ascendente de intensidade variável

7-21 dias até 6 semanas após a vacinação

_

Notificar e investigar. Acompanhamento especializado.

Avaliar risco-benefício da revacinação.


Capítulo 12

Vacina contra Pneumococo 23 valente – Pn23



1. Introdução

A vacina pneumocócica polissacarídica 23 valente é utilizada no Brasil , com o propósito de imunizar pessoas com 60 anos de idade ou mais, residentes em instituições fechadas como asilos, casas geriátricas, hospitais e casas de repouso. Nesta população, a vacina é aplicada em dose única com apenas um reforço cinco anos após a dose inicial.

A vacina pneumocócica 23 valente é bem tolerada e pouco reatogênica, e os eventos adversos quando ocorrem, em geral, são leves, de curta duração e limitados ao local de aplicação da vacina. Reações locais mais intensas são observadas com maior freqüência em dose de revacinação precoce, especialmente em pessoas com altos títulos de anticorpos para o pneumococo.

Esta vacina também está disponível nos CRIES (Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais) para crianças a partir de 2 anos de idade e adultos, em situações clínicas especiais que determinam maior risco de infecção invasiva pelo pneumococo.(Vide Manual do CRIE).


2. Composição

É uma vacina polivalente, preparada a partir de polissacarídeos capsulares bacterianos purificados, contendo 23 sorotipos do Streptococcus pneumoniae (pneumococo). Cada dose de 0,5 ml da vacina contém 0,025 mg de cada um dos seguintes sorotipos: 1, 2, 3, 4, 5, 6B, 7F, 8, 9N, 9V, 10A, 11A, 12F, 14, 15B, 17F, 18C, 19A, 19F, 20, 22F, 23F, 33F. Contém ainda fenol como conservante e solução tampão isotônica composta de cloreto de sódio, fosfato de sódio dibásico, fosfato de sódio monobásico e água para injeção.



3. Contra-indicações e precauções gerais

3.1. Contra-indicação:

- Reações graves e de hipersensibilidade a qualquer componente da vacina pneumocócica 23 valente contra-indicam dose subseqüente.


3.2. Precauções gerais:

-A carência de estudos a cerca dos efeitos da vacina pneumocócica 23 valente sobre o feto é o motivo pelo qual esta vacina não é recomendada para gestantes, especialmente no primeiro trimestre de gestação.

-Dose de reforço devem ser evitadas em pessoas vacinadas há menos de três anos, pelo risco de desenvolver reações locais e sistêmicas.

- Em doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença..


4. Eventos adversos
4.1. Manifestações locais

Vermelhidão, enduração e dor no local da injeção, podem ocorrer em aproximadamente 30% a 50% das pessoas vacinadas. Em geral, essas manifestações são leves e bem toleradas, com duração de 24 a 48 horas. De acordo com a literatura, os eventos locais são mais proeminentes em adultos jovens, mas sua gravidade diminui com a idade, de forma que pessoas mais idosas geralmente têm pouco ou nenhum desconforto local

Reações locais mais intensas (do tipo Arthus) têm sido relatadas após revacinação precoce e parecem estar relacionadas à presença de altos títulos de anticorpos contra os sorotipos vacinais. Os principais sintomas são: dor, tumefação e rubor. O infiltrado afeta os tecidos profundos causando necrose. Na pele observam-se bolhas e vesículas cheias de serosidade e pústulas que evoluem para crostas. As crostas ao caírem, deixam uma úlcera profunda. Esta reação inicia-se várias horas após a imunização, usualmente atinge um pico de 12 a 36 horas. São auto-limitadas e resolvem-se após alguns dias.

4.1.1. Notificação e Investigação

Notificar reações locais graves, os casos de abscesso e “surtos” de reações locais eventualmente associados a lote vacinal e/ou erro de técnica. Manter sistema local de registro para verificação de surto.
4.1.2. Conduta

a) Tratamento sintomático ou segundo indicado para o caso (V. anexo 1).

4.2 Manifestações Sistêmicas
4.2.1. Manifestações Gerais

Febre baixa, astenia, mialgia, dor nas articulações e cefaléia, também podem ocorrer, embora raramente, em menos de 1% dos vacinados. Essas manifestações são leves e transitórias, desaparecendo em aproximadamente 24 horas.
4.2.1. 1.Notificação e investigação

Não notificar. Investigar somente os casos graves ou surtos. Manter sistema local de registro para a verificação de surto.
4.2.1.2. Conduta

  1. Tratamento - sintomático, se necessário. V. Anexo 1.
4.2.2. Reações de hipersensibilidade

Anafilaxia e manifestações alérgicas são eventos raros e podem ocorrer como reação a qualquer um dos componentes da vacina. A anafilaxia ou reação de hipersensibilidade do tipo I de Gell & Coombs, ocorre nas primeiras duas horas após exposição ao alérgeno, mais freqüentemente nos primeiros 30 minutos, apresentando-se com uma ou mais das seguintes manifestações: urticária, sibilos, laringoespasmo, edema de lábios, hipotensão e choque.

4.2.2.1- Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.



4.2.2.2 – Conduta:

  1. Tratamento específico da anafilaxia (ver anexo 1 ).

b) Contra-indica dose subseqüente da vacina


QUADRO 12.1
EVENTOS ADVERSOS PÓS VACINA CONTRA PNEUMOCOCO 23 VALENTE


EVENTO ADVERSO

DESCRIÇÃO

TEMPO DECORRENTE APLICAÇÃO/

EVENTO


FREQUÊNCIA

CONDUTA

Observação

Manifestações locais

-Eritema, dor, enduração.

-1º dia

30% -50%

Tratamento sintomático (ver anexo 1 ).

Não notificar



Manter sistema local de registro para verificação de surto.

Manifestações sistêmicas

-Febre >=38,5º, mialgia, artralgia, cefaléia, astenia.

1º dia

<1%

Tratamento sintomático (Ver anexo 1).

Notificar febre acima de 39,5ºC



Manter sistema local de registro para verificação de surto.

-Reação anafilática

urticária, sibilos, laringoespasmo, edema de lábios, hipotensão e choque.


- Nos primeiros 30 minutos até 2 horas.

--

-Tratamento imediato (V. Anexo 1)

-Notificar e investigar.




Contra-indica dose subsequente.

Capítulo 13



Vacina Contra a Raiva Humana – RC/RD (cultivo celular/diplóide), RV (cultivo celular/vero), RG (cultivo celular/embrião de galinha)



  1. Introdução

A vacina contra a raiva em uso rotineiro no Brasil a partir de 2002 é a vacina de cultivo celular.

As vacinas de cultivo celular são produzidas por meio de cultura de tecidos isentos de tecido nervoso, as mais comuns são as de célula diplóide humanas (human diplóide cell vaccine-HDCV), de células Vero (purified vero cell vaccine-PVCV), de embrião de galinha (purified chick embrio cell vaccine-PCECV), e de embrião de pato (purified duck embrio vaccine-PDEV).

Estas vacinas são mais imunogênicas e menos reatogênicas que a vacina Fuenzalida e Palacios, que é cultivada em cérebro de camundongos recém-nascidos e foi utilizada rotineiramente no Brasil até 2002.


  1. Composição

Toda vacina contra raiva de uso humano é constituída por suspensão de vírus rábicos inativados e purificados:

2.1. Vacinas cultivadas em cultura de células:

2.1.1.Vacina produzida em células diplóides humanas (human diploid cell vaccine-HDCV) - vírus da raiva cepa PM/WI 38-1503-3M cultivada sobre células diplóide humana (fibroblastos humanos). Os vírus sofrem filtração, ultrafiltração e inativação pela -propiolactona. Contém 5% de albumina humana, fenolsufonftaleína e sultato de neomicina ( 150g) - apresentada na forma liofilizada o diluente é a água estéril.

2.1.2. Vacina purificada produzida em cultivo de células Vero (purified Vero cell vaccine - PVCV) - cepa Pitman-Moore cultivada em rim de macaco verde afrianos, inativada pela  próprio lactona. Possui maltose e albumina humana, o diluente é cloreto de sódio a 4%.

2.1.3 Vacina purificada produzida em células de embrião de galinha (purified chick - embryo cell vaccine - PCECV) - CEPA Flury Lep-C25 desenvolvida em fibroblasto de embrião de galinha, inativa pela -propiolactona contém albumina humana e traços de neomicina, clortetraciclina e anfotericina B.

2.1.4 Vacina purificada produzida em embrião de pato (purified duck - embryo vaccine - PDEV) - CEPA Pitman-Moore, inativada pela -propiolactona. Possui lactose, sucrose, timerosal, gelatina, L cyteína, HCL, K2H, PO4 e NACL, o diluente é água destilada.
2.2. Vacinas cultivadas em culturas de tecido nervoso:
2.2.1. Vacina Fuenzalida & Palácios modificada - vacina produzida em cérebro de camundongos recém-nascidos inoculados com a cepa Pasteur de vírus fixo, posteriormente os vírus são inativados pela -propiolactona, alto poder antigênico e contém cerca de 2% de substância nervoso.
Observações:

a) A vacina em produção pelo Instituto Butantan - vacina cultivada em células Vero, não terá na sua composição albumina humana.

b) É imperiosa a leitura das bulas devido a possíveis alterações dos componentes da vacina.


  1. Contra-indicacões e precauções gerais:

3.1. Contra-indicações :

- Não há contra indicação para a vacina anti-rabica devido a gravidade da doença que apresenta letalidade igual a 100%;

3.2. Precauções:

- Em eventos adversos neurológicos ou de hipersensibilidade grave, após reavaliacão da necessidade da manutenção do tratamento profilático, a vacina deve ser substituída por outra que não contenha albumina humana. Na impossibilidade de troca da vacina, administrá-la sob tratamento especifico prévio.

. - Evitar o uso de álcool e exercícios físicos exacerbados durante todo tratamento profilático da raiva.

4. Manifestações locais

Caracterizadas por dor, prurido, edema, enduração, pápulas urticariformes, são relatadas em 15 a 25% dos vacinados. Outras manifestações locais relatadas são: abscesso no local da injeção e linfadenopatia regional.

Estas reações são conseqüência da introdução da agulha e do conteúdo vacinal no tecido muscular. A hiperestesia se produz pela irritação dos terminais nervosos locais. O eritema se deve a vasodilatação reativa, que favorece a absorção.

O prurido e as pápulas urticariformes são conseqüências da liberação de histamina e serotoninas e outras substâncias vasoativas

O enfartamento ganglionar revela a atividade das células retículo endoteliais e dos macrófagos para eliminar os restos da vacina.

Os abscessos ocorrem quando há a contaminação no local de inoculação e estão normalmente relacionados à erro de técnica.


4.1.1. Notificação e investigação

Não notificar.

Investigar somente os casos graves de manifestações locais e os surtos.

Manter sistema local de registro para a verificação de surtos.


4.1.2. Conduta

  • Avaliação clínica

  • Tratamento com analgésico, se necessário

  • Compressas frias, se necessário (vide anexo)

  • Não há contra-indicação para doses subseqüentes.


5. Manifestações sistêmicas

5.1. Manifestações gerais

Febre, mal-estar, cefaléia, náuseas, dor abdominal, dores musculares e tonturas são referidas de 10% a 20% dos casos, e podem ocorrer durante ou após a administração do esquema vacinal.



5.1.1. Notificação e investigação

Não notificar.

Investigar somente os casos graves e os surtos.

Manter sistema local de registro para a verificação de surtos.


5.1.2. Conduta

a)Tratamento sintomático.

b)Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

c)Afastar outros diagnósticos diferenciais.


5.2. Manifestações de hipersensibilidade

A incidência destas reações é de onze casos para cada 10.000 vacinados. As manifestações alérgicas são mais freqüentes em indivíduos que recebem doses de reforço para profilaxia da pré-exposição e reexposição aumentando para aproximadamente 6% dos vacinados. As manifestações alérgicas têm sido associadas à presença de albumina humana (conservante), alterada pela  - propiolactona substância utilizada para a inativação do vírus.

As manifestações alérgicas mais freqüentes são: exantema pruriginoso generalizado, urticária, artralgia, artrites, angioedema, e raramente anafilaxia. (vide anexo 1)
5.2.1. Notificação e Investigação

Notificar e investigar todos os casos.



5.2.2. Conduta

a)A maioria dos casos e revertida com o uso de anti-histamínicos, somente em casos esporádicos há necessidade de uso de corticóides ou adrenalina.

b)Avaliar a necessidade da manutenção do esquema.

c)Nas reações leves ou moderadas fazer a vacina PVCV após avaliação do caso e se necessário sob uso de anti-histamínico.

d)Nas reações graves, incluindo a anafilaxia, havendo a necessidade de continuidade do tratamento ou em nova exposição de risco, substituir a vacina por outra com composição distinta das vacinas PVCV e HDCV( ambas contém albumina humana como conservante ).
5.3. Manifestações neurológicas

As reações neurológicas pós vacinação contra a raiva podem ser centrais, periféricas ou mistas. Nas vacinas de cultivo de células isentas de tecido nervoso, usadas atualmente, a incidência destes eventos é muito baixa e a literatura refere um caso para cada 500.000 vacinados. A incidência de acidentes neurológicos quando se utiliza vacinas preparadas em tecido nervoso é de um caso para 80.000 vacinados.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até junho de 1990 foram registrados seis casos de reações neurológicas temporalmente associadas à vacina produzida em cultivo de célula diplóide humana. Quanto à vacina produzida em cultivo de célula vero, apesar de não haver relato de casos, acredita-se que sejam semelhantes às da HDCV. Outro estudo publicado em Presse Med 1991 (Paris e Moulins), relata mais cinco casos de acidentes neurológicos pós vacina anti-rábica cultivada em célula diplóide humana.

Apesar da baixa freqüência destes eventos, é importante que se avalie e acompanhe todos os indivíduos com sinais e sintomas inespecíficos que podem estar relacionados com comprometimento do sistema nervoso.


a - Fraqueza e parestesias - A OMS refere cinco casos. Destes, quatro evoluíram sem seqüela. Um paciente apresentou seqüela do músculo deltóide.
b - Síndrome de Guillain-Barré - Polirradiculoneurite inflamatória com lesão de desmielinização segmentar, edema, infiltração linfocitária intersticial e perivenosa com dissociação albuminocitológica no líquido cefalorraquidiano (proteinorraquia com discreto aumento de linfócitos). Os sintomas aparecem normalmente de 5 dias a semanas após o início da série vacinal.

O paciente apresenta febre, cãibras, formigamentos e parestesias, que evolui para déficit motor de intensidade variável, começando geralmente nos membros inferiores e se estendendo para os membros superiores. O déficit motor é simétrico, homogêneo e normalmente transitório. A atrofia muscular é ausente ou discreta. A síndrome evolui em 12 a 15 dias, quando começa a regressão dos sintomas. O período de convalescência dura de uma a duas semanas. As seqüelas são raras.

A paralisia pode cursar com o comprometimento do bulbo o que caracteriza formas clínicas mais graves como predomínio de paralisias e complicações respiratória (paralisia ascendente tipo Landry), tem sentido cefálico e ascendente das pernas ao tronco, braços, músculos do pescoço e crânio com o acometimento da face, língua e outros músculos comandados pelo bulbo. Há a necessidade de assistência respiratória.
d - Neurite - A neurite pode acometer um ou vários feixes nervosos. Tem início normalmente com febre alta e, em geral, paralisia temporária facial, oculomotora, glossofaríngea e/ou dos nervos vagos.
e - Encefalopatia - Encefalite perivascular. Os pacientes apresentam febre, lombalgia obnubilação, estupor, confusão mental, convulsões e sintomas meningeos como rigidez de nuca, cefaléia e vômitos.

Outros sintomas como ataxia, atetose e outros movimentos involuntários, indicam o comprometimento do cerebelo. Há um caso relatado na literatura.


f - Reação tipo esclerose múltipla - leucoencefalite desmielinizante recorrente semelhante a esclerose em placas. Um caso relatado.

Os principais sintomas da esclerose múltipla dependem dos locais anatômicos envolvidos. Alguns sintomas relatados são diplopia, perda visual monocular, distúrbio da marcha, fraqueza espástica das pernas, perda sensorial nas extremidades inferiores, espasticidade, perda da agilidade, ataxia cerebelar, problemas neuropsicológicos que incluem depressão, labilidade emocional e alteração cognitiva.


5.3.1. Notificação e investigação:

- Notificar e investigar todos os casos. Devido a raridade do evento a investigação tem como principal objetivo esclarecer o diagnóstico etiológico incluindo o diagnóstico diferencial com a encefalite rábica.
5.3.2. - Conduta:

- Avaliação e tratamento imediato e específico das manifestações neurológicas.

- Avaliar a necessidade da continuação do esquema, se necessário, utilizar vacina isenta de albumina humana.


QUADRO 13

Eventos Adversos pós-vacina contra Raiva


Evento Adverso

Descrição

Tempo decorrente da aplicação

Freqüência

Conduta

Exames

Local

dor, prurido, edema, enduração, pápulas urticariformes

No momento da aplicação e poucas horas após. O eritema pode diminuir de intensidade ou desaparecer após 6 a 8 horas surgindo após nova dose.

15% a 25% dos vacinados.

  • Notificar e investigar os casos graves e surtos.

  • Tratar com analgésicos e/ou compressas frias - se necessário, manter esquema.

Clínico

Manifestções gerais

Febre, mal-estar, cefaléia, náuseas, dor abdominal, dores musculares e tonturas

Durante ou após o término do esquema.

10% a 20% dos vacinados.

  • Não notificar.

  • Tratamento sintomático.

  • Manter esquema

Clínico

Hipersensibilidade

exantema pruriginoso generalizado, urticária, artralgia, artrites, angioedema, e raramente anafiláxia.

Manifestações tardias mais de 2 horas após a vacinação geralmente 2 a 21 dias pós vacina. Manifestações imediatas - nos primeiros 30 minutos até 2 horas após a vacina

11/10.000 vacinados -

Nas revacinações a incidência aumenta para 6%



  • Notificar e investigar os casos graves.

  • Tratamento específico (vide anexo)

  • Na anafilaxia e reações graves, substituir a vacina.

Clínico

Fraqueza e parestesias

fraqueza e parestesias que podem acometer um ou mais membros e área do corpo.

7 a 21 dias após o inicio do esquema vacinal. Até 6 semanas.

5 casos relatados

até 1990


  • Notificar e investigar todos os casos.

  • Tratamento específico.

Clínico, neurológico e laboratorial visando diagnóstico diferencial

Síndrome de Guillain -Barré

O paciente apresenta febre, cãibras, formigamentos e parestesias, que evolui para déficit motor de intensidade variável, começando geralmente nos membros inferiores e se estendendo para os membros superiores. O déficit motor é simétrico, homogêneo e normalmente transitório. A atrofia muscular é ausente ou discreta.

idem

3 casos até 199

  • Notificar e investigar todos os casos.

  • Tratamento específico.

Clínico, neurológico e laboratorial visando diagnóstico diferencial.

Neurite

- inicia normalmente com febre alta e, em geral, paralisia temporária facial, oculomotora, glossofaríngea e/ou dos nervos vagos.



7 a 21 dias após o início do esquema vacinal.

-

  • Notificar e investigar todos os casos.

  • Tratamento específico.

Clínico, neurológico e laboratorial visando diagnóstico diferencial

Encefalopatia

Os pacientes apresentam febre, lombalgia obnubilação, estupor, confusão mental, convulsões e sintomas meningeos como rigidez de nuca, cefaléia e vômitos.Outros sintomas como ataxia, atetose e outros movimentos involuntários, indicam o comprometimento do cerebelo. Há um caso relatado na literatura.


7 a 21 dias após o início do esquema vacinal.

1 caso relatado até 1990

  • Notificar e investigar todos os casos.

  • Tratamento específico.

Clínico, neurológico e laboratorial visando diagnóstico diferencial

Reação tipo esclerose múltipla

Os principais sintomas dependem dos locais anatômicos envolvidos. São relatados diplopia, perda visual monocular, distúrbio da marcha, fraqueza espástica das pernas, perda sensorial nas extremidades inferiores, espasticidade, perda da agilidade, ataxia cerebelar, problemas neuropsicológicos que incluem depressão, habilidade emocional e alteração cognitiva.


7 a 21 dias após o início do esquema vacinal.

1 caso relatado

  • Notificar e investigar todos os casos.

  • Tratamento específico.

Clínico, neurológico e laboratorial visando diagnóstico diferencial



Capítulo 14



Imunobiológicos Disponíveis nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais - CRIEs




1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   ...   15


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal