Mestrado profissional da sociedade brasileira de terapia intensiva


– RECOMENDAÇÕES PREVENTIVAS PARA SKIN TEARS NA PRÁTICA CLÍNICA



Baixar 150.3 Kb.
Página3/3
Encontro30.06.2019
Tamanho150.3 Kb.
1   2   3

8 – RECOMENDAÇÕES PREVENTIVAS PARA SKIN TEARS NA PRÁTICA CLÍNICA:
A partir da literatura pesquisada, um protocolo a cerca das estratégias de prevenção de skin tears é sugerido como forma de prevenir o surgimento da lesão e manter a integridade da pele.
8.1 – Conhecer fatores de risco e identificar potencial de risco associado.
O conhecimento dos fatores de risco associados à skin tears é o primeiro passo no desenvolvimento de estratégias preventivas; este conhecimento auxiliará o enfermeiro identificar os indivíduos com potencial de risco para lesão (Bianchi, 2012; LeBlanc & Baranoski, 2011; LeBlanc & Baranoski, 2009; Beneemi, 2009; Xiaoti Xu, 2008; Wick, 2008; Ratliff, 2007; Baranoski, 2003). A identificação do potencial de risco deverá ocorrer com a realização do exame físico, no momento da admissão do paciente e sempre que houver alteração em seu quadro clínico (Bianchi, 2012; LeBlanc & Baranoski, 2011; LeBlanc & Baranoski, 2009; Beneemi, 2009; Xiaoti Xu, 2008; Wick, 2008; Ratliff, 2007). O enfermeiro deve estar atento às alterações na pele nos locais de frequência de skin tears como áreas de edema, presença de púrpura, equimoses, rubor e ulceração de extremidades.
8.2 - Reconhecer e classificar a lesão:
Duas classificações são disponibilizadas para utilização na prática clínica: A classificação de Payne & Martin (1993) e a classificação de Carville et al, 2007, o STAR Skin Tears Classification System. Não importa a classificação utilizada, o importante é que os profissionais de saúde reconheçam, classifiquem e documentem a lesão para que skin tears seja reconhecida como uma ferida distinta.
8.3 - Realizar plano assistencial:

Implementar um plano assistencial enfatizando medidas de cuidado com a pele, realizar intervenções e fazer as mudanças necessárias no desenvolvimento de ações centrado nas necessidades do paciente.


8.4 – Propor medidas educativas (Bianchi, 2012; LeBlanc & Baranoski, 2011; LeBlanc & Baranoski, 2009; Beneemi, 2009; Battersby, 2009; Wick, 2008; Xiaoti Xu, 2008; Ratliff, 2007; Fleck, 2007; Baranoskl, 2000; Baranoski, 2003).
Educar profissionais de saúde, familiares e cuidadores para o cuidado do indivíduo sob o risco de desenvolver skin tears envolvendo todos no processo de identificação de fatores de risco e das principais intervenções preventivas para a prevenção do surgimento de skin tears tais como:

8.4.1 - Orientações de prevenção durante as rotinas diárias de cuidado:


- Reduzir, eliminar cisalhamento ou fricção, através de técnica de posicionamento e transferência adequada;

- Manter unhas curtas e preconizar a retirada de adornos dos profissionais de saúde durantes os cuidados assistenciais;

- Orientar a manipulação com extrema cautela dos pacientes sobe risco de lesão;

- Hidratar a pele aplicando hipo-alérgico duas vezes ao dia;

- Orientar sobre o banho morno;

- Incentivar a ingesta hídrica;


8.4.2– Orientações sobre segurança:
- Providenciar iluminação adequada, manter a luz do corredor acesa, a porta aberta e instalar alarme na cama;

-Retirar excesso de móveis, tapetes e equipamentos desnecessários para evitar quedas e auto-lesão;

- Remover obstáculo que estão perto da cama e no caminho do corredor e banheiro;

- Acolchoar suporte de braços e pernas de cadeiras de rodas;

- Utilizar cobertores e travesseiros para proteção de grades e camas;

- Fazer uso de calças e blusas de mangas compridas, roupas sem etiquetas e folgadas, meias na altura dos joelhos e sapatos anti-derrapantes.


8.4.3 – Orientações sobre curativos:
- Utilizar esparadrapo anti-aderente;

- Proteger o curativo com atadura e invólucro de gaze para proteger curativo, evitando materiais adesivos que possam lesionar a pele do paciente;

- Fazer o curativo sem pressionar a pele, facilitando na hora da remoção;

- Utilizar removedor ou outro emoliente para sua retirada;

- Fazer uma seta indicando a direção da lesão;

- Mensurar a ferida diariamente.


8.5 – Solicitar avaliação de outros profissionais (Bianchi, 2012; LeBlanc & Baranoski, 2011; LeBlanc & Baranoski, 2009; Wick, 2008).

Solicitar a opinião de outros profissionais especializados em feridas, consultar nutricionista para alimentação e hidratação adequada e considerar tratamento farmacológico, quando necessário.

8.6 – Realizar documentação (LeBlanc & Baranoski, 2011; LeBlanc & Baranoski, 2009; Beneemi, 2009; Baranoviski, 2000).

Documentar avaliações e informações sobre skin tears, registrando na evolução, condutas e tratamentos, é vital para reconhecimento da extensão do problema e para que essas lesões não sejam agrupadas dentro das categorias de úlceras de pressão. Informar sobre a ocorrência de skin tears é fundamental para que uma linguagem comum e universal possa ser usada para descrever esse tipo de ferida.



9 – CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Skin tears é uma ferida crônica, dolorosa, frequentemente associada às alterações fisiológicas decorrentes da idade e com complicações graves quando não tratada adequadamente. O envelhecimento é um fenômeno natural, mundial e irreversível e a fragilidade dos idosos decorrentes desse processo faz com que o conhecimento dos fatores de risco para esse tipo de lesão seja um fator determinante durante a prestação de cuidado.

Dados epidemiológicos demonstram uma preocupação crescente com a incidência de skin tears; o pouco conhecimento destas feridas entre os profissionais de saúde faz com que as skin tears sejam confundidas com outros tipos de ferida, como por exemplo, as úlceras por pressão, gerando a subnotificação e, como consequência, taxas epidemiológicas que não traduzem uma realidade mundial.
O estudo apresentou conceitos e definições sobre skin tears, e estabeleceu recomendações preventivas no gerenciamento dessas lesões, no entanto, mais pesquisas que demonstrem as reais taxas de prevalência e incidência no cenário mundial são determinantes para melhor compreensão da extensão do problema.

A prevenção de skin tears é um desafio para os profissionais de saúde; identificar, classificar e documentar essas lesões cutâneas é fundamental no gerenciamento destas feridas. Portanto, o enfermeiro deve estar atento e ter conhecimento sobre skin tears determinado intervenções preventivas precoces que possa reduzir o impacto dessas lesões.



10 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

AYELLO, E.A.; SIBBALD, RG. Preventing pressure ulcers and skin tears. In: Capezuti E, Zwicker D.; Mezey M.; Fulmer, T. editor(s). Evidence based geriatric nursing protocols for best practice, 3ed. New York: Springer Publishing Company, p. 403-29, 2008.

BATTERSBY, L. Exploring best practice in the management of skin tears in older people. Nursing Time, v.105, n.16, april, 2009.

BARANOSKI, S. Skin Tear: The enemy of frail skin. Advances in Skin and Wound Care, v.30, n.9, p.41-47, set. 2000.

BARANOSKI, S. How to prevent and manage skin tears. Advances in Skin & Wound Care, v.16, n.5, p. 268-70, set. 2003.

BELDON, P. Management options for patients with pretibial lacerations. Nurs Standard, v.30: p.53-60, 2008.

BENEEMI, M. Skin tears. Journal of Community Nursing, v.23, n.1, p.14-18, jan. 2009.

BIANCHI, J. Preventing, assessing and managing skin tears. Nursing Times, v.108, n.13, p. 12-16, mar. 2012.

BRILLART, B. Pressure sore and skin tears prevention and treatment during a 10-month program. Rehabil Nurs, v.30, n.3, p.91-85, may/jun.2005.

BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde da Pessoa Idosa e Envelhecimento. Série Pactos pela Saúde, 2006, vol. 6. Disponível em:



www.portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/volume12.pdf‎. Acesso em: 25-08-2013.

CYNTHIA, AF. Preventing and treating skin tears. Advances in Skin & Wound Care, v.20, n.6, p.315-320, 2007.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Envelhecimento-da-população-mundial-preocupa-pesquisadores. Disponível em< http//www.g1.globo.com> Acesso em 23-02-2013.

HESS, C.T. Tratamento de Feridas e úlceras. 4ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2002. 226p.

IRON, I. Feridas- Novas Abordagens, Manejo Clínico e Atlas em Cores. Editora Guanabara Koogan, 2005. 390p.

JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. HISTOLOGIA BÁSICA. 10ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 540p.

LeBLANC, K.; BARANOSkI, S. Prevention and Management of Skin Tears. Adv. Skin Wound Care, v.22, n.7, p.325-332, jul., 2009.

LeBLANC, K.; BARANOVISKI, S. Skin Tears: State of the Science: Concensus Statements for the Preventions, Prediction, Assessment, and treatment of Skin Tears. Advances in Skin & Wound Care, v.24, n.9, p. 2-15, set. 2011.

LeBLANC, K.; CHRISTENSEN D.; ORSTED H. L.; KEAST D. H. Best practice recommendations for the prevention and treatment of skin tears. Wound Care Canada, v.6, n.1, p.14-32, 2008.

MALONE, M. L.; ROZARIO, N.; GAVINSKY, M.; GOODWIN, J. The epidemiology of skin tears in the institutionalized elderly. J Am Geriatric Soc., v.39, n.6, p.591-595, 1991.

PAYNE, R.L.; MARTIN, M. Classifying and defining skin tears: need for a common language. Ostomy Wound Manage, v.39, n.5, p.16-20, 22-4, 26, 1993.

PAYNE, R.; MARTIN, M. Skin Tears: the epidemiology and management of skin tears in older adults. Ostomy Wound Manage, v.26, p.26-37, 1990.

PULIDO, K.C.S. Adaptação cultural e validação do instrumento “STAR - Skin Tears: Classification Systen”, para a língua portuguesa no Brasil. 189p. Dissertação de mestrado da Escola de Enfermagem de São Paulo, São Paulo. 2010.

RATLIFF C.R.; FLETCHER K.R. Skin Tears: a Review of the Evidence to support Prevention and treatment. Ostomy Wound Manage, v.53, n.3, p. 32-4, 36-40, mar. 2007.

ROBERTS. M. J. Preventing and Managing Skin Tears: A Review. Wound, Ostomy and Continence Nurses Society, v.34, n.3, p.38-40, may/jun, 2007.

SIBBALD, R. G.; WILLIAMSON, D.; CAMPBELL, K.; KEAST. D.; SIBBALD, D. Preparing the woud bed: Debridment, bacterial balance and moisture balance. Ostomy/wound management, v. 46, n.11, p. 14-35, 2000.

SMELTZER, S.C.; BARE, B.G. Tratado Médico-Cirúrgica. 10ed., v.2; Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2006.

WHITE, M.; KARAM, S.; COLWELL, B. Skin tears in frail elders. A principle approach to prevention. Geriatric Nurs, v.15, n.2, p.9-35, 1994.

WICK, J. Y. Skin tears: Preventions and treatment. The Consultant Pharmacist, v. 23, n.7, p. 508-518, 2008.

XU, X. B.S.; LAU. K. MD; TAIRA, B. R. M.D; SINGER, A. J. MD. The current management of skin tears. The American Journal Emergency Medicine, n.27, p. 729-733, 2009.







1   2   3


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal