Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia


JOÃO 1 - Quem foi "a senhora eleita"?



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2 João




2 JOÃO 1 - Quem foi "a senhora eleita"?

PROBLEMA: João enviou sua segunda carta a uma "senhora eleita". Alguns sugeriram que, por ter sido esta uma carta estritamente pessoal, dirigida a uma senhora em particular, ela não deve pertencer ao cânon das Escrituras. A "senhora eleita" era uma pessoa, ou não?

SOLUÇÃO: Primeiro, mesmo que a "senhora eleita" tenha sido uma determinada pessoa, isso não seria razão para excluir essa carta do cânon das Escrituras. Várias das epístolas de Paulo foram cartas pessoais escritas a pessoas em particular (por exemplo: Timóteo, Tito, Filemom).

Segundo, é possível que a senhora eleita não tenha sido uma pessoa em particular. Os comentaristas que têm feito proposições a respeito disso enquadram-se em duas categorias: os que defendem uma posição literal e os que aceitam a expressão como sendo figurativa.

Aqueles da posição literal dizem que se tratava de uma determinada pessoa, conhecida de João. Destacam-se alguns pontos na defesa dessa posição. Primeiro, parece ser mais natural considerar as palavras como destinando-se realmente a uma senhora e a seus filhos. Essa posição é compatível com as referências aos filhos da senhora eleita, à sua irmã (v. 13) e aos filhos da sua irmã (v. 13). A estrutura básica do cumprimento encontrado no versículo 1 está de acordo com a estrutura básica do cumprimento feito em 3 João 1 ("Ao... a quem eu amo na verdade"), que foi dirigido a uma pessoa em particular.

Finalmente, se o termo "senhora" refere-se à igreja, então a quem se refere a palavra "filhos"? Os "filhos" não fazem parte da igreja? São eles de alguma maneira diferentes em relação à igreja?

Terceiro, os que sustentam que se trata de uma figura de linguagem dizem que essa é uma referência à igreja como um todo ou a uma igreja local em particular. Os seguintes pontos são considerados em favor dessa posição. Primeiro, João afirma que essa senhora é amada não somente por ele, mas por "todos os que conhecem a verdade" (v. 1). Isso significaria que ela era conhecida de todos. Entretanto, essa observação é mais própria no caso de uma referência a uma igreja local do que a uma pessoa em particular.

Segundo, embora João tenha começado a carta com o tratamento na segunda pessoa do singular [“teus” filhos (v. 4), “peço-te” (v. 5)J, ele muda para a segunda pessoa do plural a partir do versículo 6] [“ouvistes” (v. 6), “perderdes” (v. 8), “convosco” (v.10)]. Agora, se ele estivesse se dirigindo literalmente a uma mulher, por que usaria o plural?

Terceiro, o apelo a que "nos amemos uns aos outros" (v. 5) faz mais sentido quando dirigido a uma comunidade de crentes do que a uma mulher e seus filhos.

Quarto, a personificação da igreja em termos femininos é comum na Bíblia (por exemplo, Efésios 5:29ss, onde Paulo desenvolve a idéia de que a igreja é a noiva de Cristo; 1 Pedro 5:13, onde Pedro usa uma expressão feminina com referência à igreja).

Embora não tenhamos como decidir essa questão em termos definitivos com base na informação disponível, é certo que, mesmo que essa carta tenha sido dirigida literalmente a uma mulher, isso não a excluiria do cânon das Escrituras. E não está claro que a referência seja a uma determinada senhora.

2 JOÃO 10 - Por que esse versículo nos manda não recebermos certas pessoas, se Jesus nos ordenou que amássemos nossos inimigos?

PROBLEMA: De acordo com Jesus, compete-nos amar nossos inimigos, abençoar aqueles que nos amaldiçoam e fazer o bem àqueles que nos odeiam (Mt 5:44). Entretanto, de acordo com João, não devemos receber em nossa casa, nem dar boas vindas, a quem venha até nós e não creia que Cristo veio em carne. Como é que devemos agir?

SOLUÇÃO: Temos de seguir essas duas instruções. A aparente divergência entre essas diretrizes surge do fato de que elas se referem a duas situações totalmente diferentes.

Na passagem de Mateus, Jesus está contrastando o seu próprio ensino com o dos fariseus. O princípio divino do amor deveria ser o princípio que guia as nossas vidas. Embora muitos sejam inimigos de Deus, ele ainda permite que a chuva caia sobre suas plantações, e que o sol brilhe sobre elas. Deus trata o ímpio com um amor bondoso, embora não deixe de considerar suas impiedades.

Como Paulo destaca em Romanos, a bondade de Deus não é um sinal de sua aprovação para com os atos do ímpio. Antes, a bondade de Deus tem o propósito de conduzi-lo ao arrependimento (Rm 2:4).

A passagem em 2 João não está falando de alguém que simplesmente venha nos visitar, mas refere-se aos falsos mestres, que são enganadores (v. 7) e que vêm para apresentar suas doutrinas.

Em primeiro lugar, João está instruindo as pessoas da igreja local a nato darem hospedagem àquelas pessoas, porque isso implicaria que a igreja estivesse aceitando ou aprovando o seu ensino. Os membros da igreja local foram orientados a nem mesmo darem um cumprimento cristão a elas, para que isso não fosse mal interpretado como sendo uma atitude de tolerância para com suas falsas doutrinas.

De forma alguma isso foi um mandamento para não amar o inimigo. De fato, a obediência às diretrizes dadas por João seria o ato supremo de amor por um inimigo. A clara demonstração de intolerância pára com a falsa doutrina seria um meio de comunicar aos falsos mestres a necessidade de se arrependerem. De forma contrária, se a igreja oi seus membros dessem acolhida a um falso mestre, ele seria encorajado em sua posição e consideraria tal atitude como uma aceitação de sua doutrina ou como o acobertamento de toda a sua injustiça.

Segundo, temos de nos lembrar de que, na igreja primitiva, os ministérios de evangelização e pastoral eram conduzidos primariamente por pessoas que viajavam de lugar para lugar. Esses pastores itinerantes de pendiam da hospitalidade dos membros de cada congregação local. João estava determinando que a igreja não estendesse tal hospitalidade a mestres de falsas doutrinas. Isso não se contradiz com o ensino de Jesus.

Temos de amar os nossos inimigos, mas não encorajá-los em seus atos malignos. Temos de fazer o bem aos que nos odeiam, mas não te-m as de fechar os olhos diante de sua impiedade. Jesus disse que devemos agir como filhos de nosso Pai. Naquele mesmo Sermão do Monte, Jesus prosseguiu advertindo os seus discípulos a terem todo o cuidado a respeito dos falsos profetas, "que se vos apresentam disfarçados em orelhas, mas por dentro são lobos roubadores" (Mt 7:15). João deu uma aplicação prática dessa advertência, assim encorajando a igreja local a manter sua pureza e devoção a Cristo.





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