Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia


PEDRO 1:2 - Somos santificados pela verdade de Deus ou pelo Espírito de Deus?



Baixar 2.59 Mb.
Página50/55
Encontro11.06.2018
Tamanho2.59 Mb.
1   ...   47   48   49   50   51   52   53   54   55

1 Pedro




1 PEDRO 1:2 - Somos santificados pela verdade de Deus ou pelo Espírito de Deus?

PROBLEMA: Pedro fala nesse texto sobre "santificação do Espírito", mas Jesus orou: "Santifica-os na verdade" (Jo 17:17). Como somos então separados para Deus: por seu Espírito ou por sua verdade?

SOLUÇÃO: Somos santificados pela verdade de Deus, que provém do Espírito de Deus. O Espírito de Deus é a causa ativa (pela qual Deus opera em nosso coração), e a verdade de Deus é a causa instrumental (por meio da qual Deus opera em nosso coração). Em resumo, Deus é a fonte, e a verdade de Deus é o meio da nossa santificação.

1 PEDRO 3:15 - Por que Pedro ordena aos crentes que raciocinem sob e sua fé, já que a Bíblia diz em outro texto para simplesmente crerem?

PROBLEMA: Vez após vez as Escrituras insistem em dizer que basta simplesmente crer em Jesus Cristo (cf. Jo 3:16; At 16:31). Hebreus declara que "sem fé é impossível agradar a Deus" (Hb 11:6). Paulo afirmou que "O mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus" (1 Co 1:21, R-1BB). Contudo, Pedro instrui os crentes a "responder", a dar a "razão" de s ia fé. A fé e a razão não se opõem entre si?

SOLUÇÃO: A fé e a razão não são mutuamente exclusivas. Não se deve crer em alguma coisa sem antes verificar se tal coisa é digna de ser objeto da nossa crença. Por exemplo, bem poucas pessoas se submeteriam a uma grave operação médica por uma pessoa totalmente desconhecida, de quem não se tenha informação alguma, a não ser a suspeita de que seja um charlatão. Da mesma maneira, Deus não exige de nós que exerçamos uma fé cega.

Como Deus é um Deus racional (Is 1:18), e como nos fez criaturas racionais à sua imagem (Gn 1:27; Cl 3:10), ele quer que olhemos antes de pularmos. Nenhuma pessoa racional deve pisar num elevador sem primeiro constatar que nele há um piso. De igual modo, Deus quer que o nosso passo de fé seja dado à luz da evidência, e não como um salto no escuro.

A Bíblia é cheia de exortações para que façamos uso da razão. Jesus ordenou: "Amarás o Senhor teu Deus... de todo o teu entendimento" (Mt 22:37; grifos do autor em todas as citações aqui). Paulo disse também: "tudo o que é verdadeiro,... nisso pensai" (Fp 4:8, R-IBB, SBTB). Paulo ainda "argumentava... com os judeus" (At 17:17, R-IBB) e com os filósofos no Areópago (v. 22ss), ganhando muitos para Cristo (v. 34). Os bispos foram instruídos a "encorajar a outros pela sã doutrina e... refutar os que se opõem a ela" (Tt 1:9, EC). Paulo declara ter sido "posto para defesa do evangelho" (Fp 1:17, SBTB). Judas instou conosco para batalharmos "diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 3, SBTB). E Pedro ordenou que estivéssemos "sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1 Pe 3:15).

Há dois tipos de fé. O entendimento da relação entre esses dois tipos é uma chave para discernirmos a relação que há entre a fé e a razão.







QUE

EM

Anterior

Posterior

Com evidência

Sem evidência

Mente

Vontade

Prova

Persuasão

Razão humana

Espírito Santo

O diabo crê que Deus existe, mas ele não crê em Deus. A fé que está no âmbito da mente funciona com base numa evidência que a razão humana pode ver. A fé em Deus (em Cristo), entretanto, é um ato da vontade humana, sob a persuasão do Espírito Santo. Portanto, "crer que" nunca salvará ninguém (cf. Tg 2:14-20) - somente crerem Cristo é que proporcionará isso.

Entretanto, nenhuma pessoa, por ser racional, deveria crer em alguma coisa, a menos que primeiro tivesse evidências para crer que isso fosse verdadeiro. Nenhum viajante sensível entra num avião que esteja com uma das asas quebrada. Assim, a razão é válida como base para se crer que, mas é uma exigência errada para se crerem (cf. Jo 20:27-29).

1 PEDRO 3:18 - Jesus ressuscitou no Espírito ou com um corpo físico? PROBLEMA: Pedro declara que Cristo foi "morto, sim, na carne, mas vivificado me espírito". Isso parece implicar que Jesus não tenha ressuscitado carne, mas somente em seu espírito, o que conflita com a afirmação Jesus de que seu corpo ressurreto era de "carne e ossos" (Lc 24:39).

SOLUÇAO: Interpretar essa passagem como prova de uma ressurreição espiritual, e não física, não é nem necessário nem consistente com o contexto e com o restante das Escrituras. Várias razões dão suporte a essa conclusão.

Primeiro, a passagem pode ser traduzida assim: "Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito" (NV1). Essa passagem é traduzida e m a mesma colocação pela SBTB e outras.

Segundo, o paralelo entre a morte e "tornar a viver" normalmente se refere à ressurreição do corpo no NT. Por exemplo, Paulo declara que "Cristo morreu e tornou a viver" (Rm 14-9, R-IBB), e que "de fato, [Cristo] foi crucificado em fraqueza; contudo, vive pelo poder de Deus" (2 Co 13:4).

Terceiro, o contexto refere-se ao evento como sendo "a ressurreição de Jesus Cristo" (3:21), mas esta é entendida em todo o NT como sendo uma ressurreição corporal (cf. At 4:33; Rm 1:4; 1 Co 15:21; 1 Pe 1:3; Ap20:5).

Quarto, mesmo que "espírito" se refira ao espírito humano de Jesus (i í não ao Espírito Santo), o significado do versículo não pode ser o de que Jesus não tinha um corpo ressuscitado. Caso contrário, a referência a seu "corpo" (carne) antes da ressurreição significaria que ele não tinha um espírito humano. Parece melhor tomar a palavra "carne" nesse contexto como uma referência à sua total condição de humilhação antes da ressurreição, e a palavra "espírito" como referindo-se ao seu ilimitado poder e à sua vida imortal após a ressurreição.

1 PEDRO 3:19 - Pedro apóia a idéia de que uma pessoa pode ser salva depois da morte?

PROBLEMA: Em 1 Pedro 3:19 lemos que, após a morte, Cristo "foi e pregou aos espíritos em prisão". Mas a Bíblia diz também que "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo 9:27”. Esses dois versículos parecem ensinar posições mutuamente opostas.

SOLUÇÃO: A Bíblia é clara quanto a não haver uma segunda oportunidade para a salvação, depois da morte (cf. Hb 9:27). O livro do Apocalipse registra o Julgamento do Grande Trono Branco, no qual aqueles cujos nomes não são encontrados no livro da vida são lançados no lago de fogo (Ap 20:11-15).

Lucas nos informa de que, depois da morte, a pessoa vai ou para o céu (para o seio de Abraão) ou para o inferno, e há posto um grande abismo entre o céu e o inferno, de forma que "os que querem passar" de um lado para o outro "não podem" (Lc 16:26). Toda a urgência que há de se responder a Deus nesta vida, antes da morte, dá ainda um respaldo adicional ao fato de que não há esperança além do túmulo (cf. Jo 3:36; 5:24).

Há outros modos de se entender essa passagem, sem o envolvimento de uma segunda oportunidade de salvação após a morte. Alguns alegam que não está claro que a frase "espíritos em prisão" seja uma referência a seres humanos, argumentando que em parte alguma da Bíblia essa expressão é aplicada a seres humanos no inferno. Declaram que esses espíritos são anjos caídos, já que os "filhos de Deus" (anjos caídos, veja Jó 1:6;2:1; 38:7) foram "desobedientes... nos dias de Noé (1 Pe3:20; cf. Gn 6:1-4).

Pedro pode estar se referindo a isso em 2 Pedro 2:4, onde ele menciona os anjos pecando, imediatamente antes de referir-se ao dilúvio (v. 5). Em resposta, argumenta-se que os anjos não se casam (Mt 22:30), e que certamente eles não poderiam relacionar-se em casamento com os seres humanos, já que, sendo espíritos, eles não têm os órgãos reprodutivos.

Uma outra interpretação é que essa seja uma referência a uma proclamação de Cristo, feita aos espíritos dos que já passaram, quanto ao triunfo de sua ressurreição, declarando-lhes a vitória que ele alcançou por sua morte e ressurreição, como é indicado no versículo precedente (veja l Pe 3:18).

Alguns sugerem que Jesus não ofereceu esperança alguma de salvação àqueles "espíritos em prisão". Apontam para o fato de que o texto não diz que Cristo os evangelizou, mas que simplesmente proclamou-lhes a vitória da sua ressurreição. Insistem em que não há nada nessa passagem que afirme ter havido uma pregação do evangelho aos que estão no inferno.

Em resposta a essa posição, outros observam que bem no capítulo seguinte Pedro, aparentemente dando continuidade a esse assunto, diz que "foi o Evangelho pregado também a mortos" (1 Pe 4:6). Essa posição corresponde ao contexto da passagem em questão, está de acordo com o ensino de outros versículos (cf. Ef 4:8; Cl 2:15) e evita os maiores problemas da outra posição.

1 PEDRO 4:6 - O evangelho é pregado às pessoas depois de sua morte?

PROBLEMA: Pedro diz que "foi o Evangelho pregado também a mortos". Isso parece querer dizer que as pessoas têm uma oportunidade para serem salvas depois de sua morte. Mas isso entra em conflito com Hebreus 9:27, que afirma categoricamente que "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo".

SOLUÇÃO: Primeiro, deve-se notar que não há versículo algum na Bíblia que estenda a esperança da salvação para após a morte. A morte é o ponto final, e há apenas dois destinos - o céu e o inferno, entre os quais há um grande abismo, que não pode ser atravessado (veja os comentários de 1 Pedro 3:19). Assim, seja o que for que a expressão "pregado a mortos" possa significar, isso não implica que haja salvação após a morte.

Segundo, essa é uma passagem não clara, sujeita a muitas interpretações, e portanto nenhuma doutrina deve basear-se numa passagem duvidosa como essa. Os textos difíceis devem ser sempre interpretados à luz dos que são claros, e não o contrário.

Terceiro, há outras possíveis interpretações dessa passagem que não entram em conflito com o ensino do restante das Escrituras. (1) Por exemplo, é possível que ela se refira àqueles que agora estão mortos, e que ouviram o Evangelho no tempo em que estavam vivos. Em apoio a isso é citado o fato de que o Evangelho "foi pregado" (no passado) àqueles que estão "mortos" (situação presente). (2) Ou, alguns crêem que essa não seja uma referência a seres humanos, mas aos "espíritos em prisão" (anjos) mencionados em 1 Pedro 3:19 (cf. 2 Pe 2:4 e Gn 6:2). (3) Ainda outros afirmam que, embora os mortos sofram a destruição de sua carne (1 Pe 4:6), ainda vivem com Deus em virtude do que Cristo fez por meio do Evangelho (ou seja, sua morte e ressurreição). Essa mensagem de vitória foi anunciada por Cristo em pessoa ao mundo espiritual depois de sua ressurreição (cf. 1 Pe 3:18).




1   ...   47   48   49   50   51   52   53   54   55


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal