Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia


TIAGO 1:2 - Devemos evitar provações e tentações?



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Tiago




TIAGO 1:2 - Devemos evitar provações e tentações?

PROBLEMA: Jesus instruiu os seus discípulos a orar: "não nos deixes cair em tentação" (Mt 6:13). Mas Tiago diz: "tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações" (Tg 1:2).

SOLUÇÃO: As duas situações são diferentes, como vários fatores indicam. Primeiro, Tiago está falando de provações pelas quais nós "passamos", e Jesus refere-se a coisas nas quais não deveríamos querer nos "deixar cair". Segundo, Tiago está falando de provações e Jesus, de tentações. Não é pecado passar por provações, mas quando se cai numa tentação, isso leva ao pecado.

Finalmente, assim como o crente não deve ir em busca de provações, de modo masoquista, também não deve evitá-las a todo custo. Deus p ode trabalhar nelas e, por meio delas, aperfeiçoar as nossas vidas (cf. J J 23:10; Hb 12:11; Tg 1:3-4). (Veja os comentários de Mateus 6:13.)



TIAGO 1:13 - Se Deus a ninguém tenta, então por que ele tentou Abraão?

PROBLEMA: A Bíblia diz: "pôs Deus Abraão à prova" (Gn 22:1), o que pode dar a entender que Deus tivesse tentado a Abraão. Mas Jesus ensinou os seus discípulos a orarem a Deus, dizendo: "não nos deixes cair em tentação" (Mt 6:13). Como então pode Tiago dizer, a respeito de Jesus: "Ele mesmo a ninguém tenta" (Tg 1:13)?

SOLUÇAO: Deus não tentou Abraão (nem a ninguém) a pecar. Deus provou Abraão, para ver se este pecaria ou se permaneceria fiel a ele. Deus permite que Satanás nos tente (cf. Mt 4:1-10; Tg 4:7; 1 Pe 5:8-9), mas Tiago está certo ao dizer que o próprio Deus nunca "a ninguém tenta".

Deus não pode ser tentado pelo pecado, uma vez que ele é absoluto e imutavelmente perfeito (Mt 5:48; Hb 6:18), nem pode ele tentar ninguém a pecar (Tg 1:13). Quando nós, seres humanos sujeitos ao pecado, somos tentados, é porque nos permitimos ser levados pelos desejos da nossa cobiça (Tg 1:14-15). A origem da tentação procede de dentro de nós, não de fora. Procede do homem caído, não de um Deus sem pecado.

Conquanto Deus não tente nem possa tentar ninguém ao pecado, ele permite que sejamos tentados por Satanás e por nossas concupiscências. É claro, o seu propósito ao permitir (mas não ao produzir nem ao promover) o mal é fazer-nos mais perfeitos. Deus permitiu que Satanás provasse a Jó, de forma que este pudesse dizer: "se ele me provasse, sairia eu como o ouro" (Jó 23:10). Deus permitiu que o mal sobreviesse sobre José por meio das mãos de seus irmãos, mas no fim José pôde dizer a eles: "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem" (Gn 50:20).

TIAGO 2:12 - A lei traz liberdade ou escravidão?

PROBLEMA: Pelo que Tiago diz, a lei de Deus traz liberdade para a vida do cristão, já que ela é descrita como sendo a "lei da liberdade". Isso parece estar em conflito direto com o ensino do apóstolo Paulo de que a lei de Moisés "gera para escravidão" (Gl 4:24).

SOLUÇÃO: Tiago e Paulo estão falando de duas leis diferentes. Paulo está falando da lei de Moisés do AT, a que "se refere ao monte Sinai" (Gl 4:24), enquanto Tiago está falando da "lei da liberdade" do NT, a que Paulo se refere como "a lei de Cristo" (Gl 6:2), que nos libertou da lei da escravidão. Como Paulo se expressou, "o que fora impossível à lei [de Moisés], no que estava enferma pela carne", todavia "a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte" (Rm 8:2-3). A lei de Moisés foi escrita em pedra, mas a lei de Cristo é inscrita pelo Espírito em nossos corações (Jr 31:31; 2 Co 3:3-7). As duas leis podem ser resumidas como segue:


A LEI DE MOISÉS

A LEI DE CRISTO

Traz escravidão

Fraca, na carne

Escrita em pedra


Traz liberdade

Poderosa, no Espírito

Escrita no coração




TIAGO 2:19 - Se os demônios crêem em Deus, por que então não são eles salvos?

PROBLEMA: De acordo com a Bíblia, tudo o que se precisa para alcançar a salvação é crer "no Senhor Jesus Cristo" (At 16:31), pois ele veio "para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:16). Paulo diz que a salvação vem "ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio" (Rm 4:5). Sendo assim, por que então o os demônios não são salvos, já que a Bíblia admite que "até os demônios crêem" (Tg 2:19)? SOLUÇÃO: Os demônios não são salvos porque eles não exercem a fé salvadora. Esse é precisamente o argumento de Tiago, a saber, que não é qualquer tipo de fé que salva uma pessoa. Somente o tipo de fé que produz boas obras pode salvar (Tg 2:17). Conquanto sejamos salvos só pela fé, a fé que salva não pode permanecer só. Ela está sempre acompanhada de boas obras. Não somos salvos pelas obras (Ef 2:8-9), mas somos salvos para as boas obras (Ef 2:10).

A diferença entre a fé que salva e a fé não-salvadora é que a primeira é apenas a crença de que Deus existe. A segunda é a fé em Deus. Nenhuma pessoa é salva por crer que Deus existe, que Cristo morreu pelos pecados que ela tenha praticado e que ressuscitou. A pessoa tem de crer r ele (i.e., confiar nele). De igual forma, ninguém pode ir até o último andar de um edifício pelo elevador se simplesmente crer que o elevador p ode levá-lo até lá. Tem-se de crer «o elevador (ou seja, confiar nele) a ponto de entrar dentro dele e deixar-se levar por ele até chegar lá.

Os demônios não crêem em Deus (não confiam em Deus) para sua salvação; eles simplesmente crêem que Deus existe, mas continuam em sua rebelião contra ele (Jd 6; Ap 12:4).

TIAGO 2:21 - Se Abraão foi salvo pelas obras, por que a Bíblia diz que ele foi justificado pela fé?

PROBLEMA: Paulo claramente ensina que somos justificados pela fé e não pelas obras (Rm 1:17): "Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça" (Rm 4:5). Também: "não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou" (Tt 3:5). E: "pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2:8-9).

Mas Tiago parece contradizer precisamente isso ao declarar: "uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente" (2:24), pois "a fé em obras é morta"(2:26). De fato, enquanto Paulo disse que Abraão foi santificado pela fé (Rm 4:1-4), Tiago declara: "Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado?" (Tg 2:21). Não estão essas declarações em franca oposição?



SOLUÇÃO: Tiago e Paulo estariam em contradição se estivessem falando da mesma coisa, mas há várias indicações no texto de que não foi este o caso. Paulo está falando da justificação perante Deus, ao passo que Tiago está falando da justificação perante os homens. Isso se evidencia belo fato de que Tiago enfatiza que devemos "mostrar" (2:18) a nossa é. Tem de ser algo que possa ser visto pelos outros em "obras" (2:18-20).

Tiago reconheceu que Abraão foi justificado perante Deus pela fé, não por obras, ao dizer: "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça" (2:23). Quando ele acrescenta que Abraão foi justificado "por obras" (v. 21), ele está falando do que Abraão fez que podia ser visto pelas pessoas, ou seja, do oferecimento de seu filho Isaque no altar (2:21-22).

Paulo, por sua vez, está destacando a raiz da justificação (a fé), enquanto Tiago está destacando o fruto da justificação (as obras). Ambos, porém, reconhecem essas duas coisas. Logo depois de afirmar que somos "salvos pela graça, mediante a fé" (Ef 2:8-9), Paulo rapidamente acrescenta: "somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Ef 2:10). De igual modo, logo depois de declarar que "não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou" (Tt 3:5-7), Paulo compele "os que têm crido em Deus [que] sejam solícitos na prática de boas obras" (Tt 3:8). A relação entre Paulo e Tiago pode ser resumida da seguinte maneira:


PAULO

TIAGO

Justificação perante Deus

Justificação diante dos homens

A raiz da justificação

O fruto da justificação

Justificação pela

Justificação pelas obras

A fé como produtora de obras

As obras como aprova de que há fé



TIAGO 3:6-A expressão "curso da natureza" refere-se à reencarnação?

PROBLEMA: Tiago refere-se nessa passagem ao "curso da natureza" (R-IBB, SBTB, EC), que alguns entendem como se referindo a uma "roda viva". Há quem considere ser essa uma referência à reencarnação, por crer que a vida anda em ciclos de nascimento, morte e renascimento (em outro corpo). Será esta uma correta interpretação dessa passagem?

SOLUÇÃO: Tiago não está falando de reencarnação. Isso é evidente por várias razões. Primeiro, o contexto está falando do poder e da persuasão existentes na "língua" humana e de todos os seus amplos efeitos. Segundo, o "curso da natureza" refere-se ao desenrolar da vida em geral, não que a alma das pessoas seja reciclada. Terceiro, Tiago afirmou haver perdão de pecados (cf. 5:20) e oração de petição (5:15-17), e essas duas coisas são contrárias à doutrina do carma, que está por trás da reencarnação e que afirma que o que for semeado nesta vida será colhido na próxima vida (sem exceções).

Finalmente, mesmo que houvesse alguma questão quanto a como e; se versículo deveria ser interpretado, uma passagem não muito clara sempre deve ser entendida à luz de uma que seja clara. E a Bíblia clara-n ente se opõe à reencarnação (veja Hb 9:27; Jo 9:2).



TIAGO 5:1-6 - As riquezas são uma bênção ou uma maldição?

PROBLEMA: Salomão louvou as riquezas como sendo uma bênção de Deus, ao dizer: "Na casa do justo há grande tesouro" (Pv 15:6; c:. SI 112:3). Entretanto, Tiago advertiu os ricos, dizendo: "Atendei a ;ora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão" (Tg 5:1). Como ficamos?

SOLUÇÃO: Os textos que falam que Deus abençoa os justos com riquezas n ferem-se à promessa geral de Deus quanto a suprir as necessidades d aqueles que vivem retamente. As exceções a isso confirmam a regra g irai, não a diminuem. As passagens que nos advertem quanto à maldição da riqueza dirigem-se aos que idolatram as riquezas, amando-as e não a Deus (cf. também Lc 12:21). Esses dois tipos de textos são verdadeiros e complementares.

TIAGO 5:12 - O juramento é proibido ou é abençoado?

PROBLEMA: Esse e muitos outros versículos (cf. Os 4:2; Mt 5:33-37) condenam o juramento. Ainda Tiago diz: "Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto". Jesus tinha dito a mesma coisa, a saber: "de modo algum jureis; nem pelo céu... nem pela terra" (Mt 5:34-35). Por outro lado, há muitas passagens na Bíblia que falam de juramentos abençoados por Deus (cf. n 21:24; Dt 6:13). De fato, anjos fizeram juramentos (Ap 10:5-6), como o próprio Deus o fez (Hb 6:13).

SOLUÇÃO: Obviamente há um bom e um mau sentido no ato de jurar, que podem ser contrastados da seguinte maneira:


BONS JURAMENTOS

MAUS JURAMENTOS

Verdadeiros

Falsos

Para o bem

Para o mal

Sagrados

Profanos

Significativos

Vãos

Sérios

Frívolos

Judiciais

Secretos

Nada há na Bíblia que condene o juramento feito num tribunal para dizer a verdade, toda a verdade, e nada além da verdade, e assim ajude-me Deus". Por outro lado, juramentos secretos, feitos em organizações de fraternidades, que são contrárias à Palavra de Deus, são proibidos pelos textos citados acima. Até mesmo Jesus submeteu-se a ser posto sob juramento perante o sumo sacerdote no seu julgamento (Mt 26:63).



TIAGO 5:17- A seca teve duração de três anos ou de três anos e meio?

PROBLEMA: Tanto nessa passagem como em Lucas 4:25 é mencionada uma seca de três anos e meio nos tempos de Elias. Mas em 1 Reis 17:1 (e 18:1) a seca é referida como tendo durado três anos.

SOLUÇÃO: Há três possíveis soluções. Primeiro, os três anos podem ser um número arredondado. Segundo, o terceiro ano em 1 Reis pode ter sido contado a partir do momento em que Elias esteve com a viúva de Sarepta, não sendo o período completo da seca. Terceiro, é possível que a seca tenha começado seis meses antes do período da fome, tornando precisas as duas passagens. Assim, elas estariam referindo-se a coisas diferentes.



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