Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia



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Hebreus




HEBREUS 2:10 - Se Jesus já era perfeito, como pôde Ele ter sido aperfeiçoado por meio do sofrimento?

PROBLEMA: A Bíblia declara que Jesus era absolutamente perfeito e sem pecado, mesmo em sua natureza humana (2 Co 5:21; Hb 4:15; 1 Fe 2:22; 3:18; 1 Jo 3:3). Mas, de acordo com Hebreus 2:10, Jesus foi aperfeiçoado "por meio de sofrimentos". Ser aperfeiçoado, porém, implica que ele não era perfeito antes de ser aperfeiçoado, havendo assim uma contradição.

SOLUÇÃO: Jesus era absoluta e imutavelmente perfeito em sua natureza divina. Deus é perfeito (Mt 5:48), e Ele não pode mudar (Ml 3:6; Hb! 6:18). Mas Jesus foi também homem, e, como tal, sujeito a mudanças, embora sem pecado. Por exemplo, "crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça" (Lc 2:52). Se o seu conhecimento como homem crescia então a sua experiência também crescia. Desse modo, ele "aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu" (Hb 5:8). Nesse sentido ele foi "aperfeiçoado" por ter experimentado o sofrimento na sua própria vida sem pecado (cf. Jó 23:10; Hb 12:11; Tg 1:2-4). Isto é, ganhou todos os benefícios decorrentes da experiência do sofrimento sem ter pecado (Hb 4:15), portanto ele pode realmente confortar e encorajar aqueles que sofrem.

HEBREUS 2:14 - Quem tem o poder da morte: o diabo ou Deus?

PROBLEMA: O autor de Hebreus fala da vinda de Cristo para que "por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo" (Hb; 2:14). Mas em outras partes a Bíblia afirma que somente Deus tem o poder sobre a vida e a morte: "eu mato e eu faço viver" (Dt 32:39; cf. Jó 1:21).

SOLUÇÃO: Deus é soberano sobre toda vida. Somente ele a pode criar, e somente ele determinou o número de nossos dias (SI 90:10-12) e ordenou o dia de nossa morte (Hb 9:27). Mas por meio da tentação a Adão e Eva, o diabo conseguiu que o juízo de morte decorrente da desobediência, proferido por Deus, viesse sobre a raça humana (Gn 2:17; Rm 5:12).

Nesse sentido, pode-se dizer que o diabo teve o poder da morte (Hb 2:14). Entretanto, por ter provado a morte por todos os homens (Hb 2:9) e por ter ressuscitado triunfantemente da sepultura (Rm 4:25), Cristo agora tem "as chaves da morte e do inferno" (Ap 1:18), "o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o Evangelho" (2 Tm 1:10).



HEBREUS 2:17-18 - Cristo poderia ter pecado?

PROBLEMA: O escritor de Hebreus diz, a respeito de Cristo, que "convinha que, em todas as coisas, [ele] se tornasse semelhante aos irmãos... Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados (Hb 2:17-18). Isso quer dizer que Cristo poderia ter pecado?

SOLUÇÃO: Alguns argumentam que Cristo não poderia ter pecado. Acreditam que o nosso Senhor foi tentado como nós somos tentados, e que Ele pode "compadecer-se das nossas fraquezas" (Hb 4:15), mas que era incapaz de pecar.

Na defesa dessa posição argumentam, em primeiro lugar, que por ele ser Deus, e por Deus não poder pecar (Hb 6:17; Tg 1:13), Cristo também não poderia pecar. Segundo, já que Cristo não possuía a natureza humana decaída, como acontece conosco, não tinha propensão alguma para o pecado. Finalmente, observam que a sua tentação era apenas proveniente de fora de si mesmo, e nunca de seu interior. Daí, Cristo podia ser tentado sem ter a real possibilidade de pecar.

Outros estudiosos acreditam que Cristo poderia pecar (já que ele tinha livre-arbítrio), mas que mesmo assim não pecou. Em poucas palavras, o pecado lhe era possível, mas não aconteceu na vida de Jesus. Negar essa possibilidade "dizem" seria negar sua plena humanidade, sua habilidade de "compadecer-se das nossas fraquezas"(Hb 4:15), e isso ainda transformaria as tentações de Jesus numa charada. Observam que, mesmo sendo verdade que Jesus, como Deus, não podia pecar, não obstante ele podia ter pecado como homem (mas não pecou).

Como Jesus tinha duas naturezas, uma divina e outra humana, deve-se distinguir o que ele poderia fazer em cada natureza. Por exemplo, Como Deus, ele não poderia cansar-se, ter fome nem sono, mas como homem sentiu tudo isso. A sua natureza divina não podia morrer, mas como homem ele morreu. De igual modo, argumentam que, como Deus, Cristo não poderia pecar, mas como homem poderia.



HEBREUS 5:7a - Cristo teve um corpo de carne apenas antes da sua ressurreição?

PROBLEMA: Referindo-se aos "dias da sua carne" (de Jesus) como se fosse passado, pode parecer que Jesus não ressuscitou com um corpo da carne nem subiu ao céu com o mesmo corpo físico com que morre 1. Contudo, o próprio Jesus disse que seu corpo ressurreto era de "carne e ossos" (Lc 24:31), e o Credo dos Apóstolos confessa a "ressurreição da carne".

SOLUÇÃO: A frase "dias da sua carne" simplesmente refere-se a permanência temporária de Jesus neste mundo. Nada tem que ver com a natureza do seu corpo ressurreto. Está claro em muitas passagens que Jesus ressuscitou com um corpo literalmente de carne, um corpo físico e humano (veja os comentários de Lucas 24:39; 1 João 4:2-3).

HEBREUS 5:7b - Jesus vacilou diante da morte ou a enfrentou com coragem?

PROBLEMA: Por um lado, parece que Cristo vacilou diante da morte, já que ele fez "com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte" (Hb 5:7). Ele disse: "Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice!" (Mt 26:39). Por outro lado, somos levados a acreditai que em obediência Cristo corajosamente enfrentou a morte, pois "manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém" (L( 9:51), e com calma enfrentou a sua prisão, o seu julgamento, a sua crucificação, tendo muitas vezes assegurado aos seus discípulos que rei suscitaria de entre os mortos (Mt 12:40-42; Jo 10:18).

SOLUÇÃO: Cristo enfrentou a morte com coragem, mas não com ansiedade. Ele a encontrou desejando-a, não com indiferença. Cristo foi "obediente até à morte e morte de cruz" (Fp 2:8). Ele se aproximou dela com coragem e destemor, declarando: "Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la" (Jo 10:18). Ele se submeteu voluntariamente ao Pai, dizendo: "não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mt 26:39).

Apesar de toda a disposição e coragem que tinha, Cristo sentiu na carne todo o impacto emocional de sua morte iminente. De fato ele orou "com forte clamor e lágrimas", mas o escritor de Hebreus acrescenta que ele foi "ouvido por causa da sua piedade" (Hb 5:7).

Como homem, Jesus desejava que aquele cálice (a morte) passasse de si ( Mt 26:39), mas ele queria, tal como o Pai, que aquilo se realizasse para a salvação do mundo. Mesmo quando sua alma estava "angustiado" com a perspectiva da morte, ele não orou para que o Pai o salvasse daquela hora. Ele apenas disse: "que direi eu? Pai, salva-me desta hora?" E ele mesmo respondeu: "Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome" (Jo 12:27-28).

Ele nunca temeu a morte como tal, mas temeu ser expulso da presença do Pai (Mt 27:46). Com efeito, por sua morte Jesus venceu o poder e o temor da morte, sendo vitorioso sobre o diabo (Hb 2:14).



HEBREUS 6:4-6 (cf. 10:26-31) - Essa passagem ensina que os crentes podem perder a salvação?

PROBLEMA: Hebreus 6:4-6 parece ter sido escrito para os crentes porque contém certas características que somente são verdadeiras em relação a eles, tais como "participantes do Espírito Santo"(v. 4). Mas esse texto declara que, se eles caírem, impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia" (v. 6). Isso quer dizer então que os crentes podem perder a salvação?

SOLUÇÃO: Há basicamente duas interpretações dessa passagem. Há os que a tomam como referindo-se aos crentes, e há os que a consideram como referindo-se aos que não são crentes.

Aqueles que dizem que essa passagem se refere aos que não são crentes argumentam que todas essas características poderiam ser daqueles que professam meramente o cristianismo, mas que de fato não possuem o Espírito Santo. Observam que as pessoas referidas no texto não são descritas da maneira usual como um crente é caracterizado, como, por exemplo: quem nasceu "de novo" (Jo 3:3); ou quem está "em Cristo" (Ef 1:3); ou quem foi selado no Espírito Santo (Ef 4:30). Apontam para Judas Iscariotes como o exemplo clássico dessa situação. Ele andou com o Senhor, foi enviado e comissionado por Jesus em missões, tendo recebido "autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades" (Mt 10:1). Entretanto, em sua oração no Evangelho de João, Jesus falou de Judas como o "filho da perdição" (Jo 17:12).

Vários problemas surgem quando se toma essa passagem como relativa a não-crentes, mesmo para aqueles que sustentam a posição de que o crente pode perder a salvação (i.e., os arminianos). Primeiro, a passagem declara enfaticamente que impossível outra vez renová-los para arrependimento" (Hb 6:4,6). Mas poucos arminianos crêem que, uma vez tendo alguém apostatado, lhe seja possível ser salvo de novo.

Apesar de a descrição de tais pessoas no texto ser um pouco diferente das formas empregadas em outras partes do NT, algumas das expressões utilizadas muito dificilmente poderiam aplicar-se a pessoas não salvas. Por exemplo, (1) tais pessoas tinham experimentado o "arrependimento" (Hb 6:6), que é a condição para a salvação (At 17:30); (2) o texto refere-se àqueles "que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial" (Hb 6:4); (3) eles "se tornaram participantes do Espírito Santo" (v. 4); (4) "provaram a boa palavra de Deus" (v. 5); e (5) também "os poderes do mundo vindouro ' (v. 5).



É claro que, se eles são crentes, então a questão que surge é a respeito da sua situação depois que "caíram" (v. 6). Aqui a interpretação varia conforme a linha teológica adotada. Os arminianos argumentam freqüentemente que tais pessoas perderam de fato a salvação. Entretanto o texto parece indicar que elas não podem ser salvas de novo, o que a maioria dos arminianos rejeita.

Por outro lado, aqueles que sustentam um ponto de vista calvinista (como os autores deste livro) apontam para alguns fatos. Primeiro, a palavra correspondente ao verbo "cair" que aparece no texto (para-peiontas) não indica uma ação sem retorno. É, sim, uma palavra para "desviar-se do rumo", indicando que a situação daquelas pessoas não é desesperadora.

Segundo, o fato de que é "impossível" que eles de novo se arrependa n indica a natureza do arrependimento, ou seja, que é uma vez para sempre. Em outras palavras, eles não necessitam arrepender-se novamente, já que isso foi feito uma vez e é suficiente para a "eterna redenção" (Hb 9:12).

Terceiro, o texto parece indicar que não há necessidade de que os que se "desviaram"(apóstatas) se arrependam de novo para serem salvos, assim como não é mais necessário que Cristo morra de novo na cn z (Hb 6:6).

Finalmente, o autor de Hebreus chama de "amados" aqueles a quem ele está levando essa advertência, termo este que dificilmente poderia ser considerado apropriado para descrentes.

De qualquer forma, não há problema algum nessa passagem, a respeito da inspiração da Escritura. É simplesmente uma questão de interpretação da Bíblia por cristãos que têm em comum a crença de que ela é a inspirada Palavra de Deus em tudo o que afirma.



HEBREUS 7:3 - Esse versículo apóia a reencarnação?

PROBLEMA: Hebreus nos diz que Melquisedeque "não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus... permanece sacerdote perpetuamente" (Hb 7:3). Como Jesus assumiu este sacerdócio (7:21), alguns que aceitam a reencarnação usam a passagem citada para provar que ele é uma reencarnação de Melquisedeque. Será que eles têm razão?

SOLUÇÃO: Não, isso é um mau uso dessa passagem, o que está claro por| diversas razões. Em primeiro lugar, ela diz apenas que Melquisedeque foi "feito semelhante" a Jesus, e não diz que Jesus era Melquisedeque (Hb 7:3). Em segundo lugar, diz apenas que Cristo foi um sacerdote "segundo a ordem de Melquisedeque" (Hb 7:17), e não que ele era Melquisedeque.

Finalmente, o fato de que Melquisedeque tenha sido misterioso em seu nascimento e morte, sem genealogia (Hb 7:3), não prova a reencarnação - isso foi usado apenas como uma analogia ao eterno Messias, Jesus Cristo.



HEBREUS 7:9 - 10 - Esses versículos indicam que um embrião é simplesmente um ser humano em potencial, e não de fato uma pessoa humana?

PROBLEMA: O autor de Hebreus declara que Levi pagou dízimos a Melquisedeque por meio de Abraão. Entretanto, Levi somente nasceu centenas de anos depois. Assim, na realidade ele não poderia ter pago dízimos a Melquisedeque - isso ele somente poderia ter feito em potencial.

SOLUÇÃO: Esse texto não está falando de um embrião, e muito menos refere-se a ele como sendo um ser humano em potencial. Primeiro, não diz que Levi estava potencialmente em Abraão, mas estava apenas de maneira representativa ou figurativa.

Segundo, mesmo que Levi estivesse potencialmente em Abraão, disso não decorre que aquele era um embrião neste.

Terceiro, se Levi - que não tinha nem mesmo sido concebido quando dele se diz que estava "em Abraão" - fosse um ser humano em potencial, então nós somos seres humanos em potencial antes de sermos concebidos.

Quarto, se for assim, então até mesmo os espermatozóides humanos (antes de fertilizar um óvulo) são seres humanos em potencial, tal como os embriões. Mas isso é geneticamente incorreto. Um espermatozóide tem apenas 23 cromossomos, ao passo que um embrião tem 46 (veja os comentários de Salmo 139:13-16).



HEBREUS 7:19 - A Lei de Moisés foi perfeita ou imperfeita?

PROBLEMA: O salmista declarou que "alei do Senhor é perfeita" (SI 19:7). Ela revela o real caráter de Deus (cf. Lv 11:45). Entretanto, o autor de Hebreus insiste em que "alei nunca aperfeiçoou coisa alguma" (Hb 7:19), e assim Deus providenciou uma "superior aliança" (Hb 7:22). Ele argumenta que isso não teria sido necessário "se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito" (Hb 8:7). Assim, quem está com a razão? A lei é perfeita ou imperfeita?

SOLUÇÃO: A lei é perfeita em sua natureza, mas imperfeita em seus resultados. Ela é uma perfeita expressão da justiça de Deus, mas é um meio imperfeito para tornar o homem justo. Com certeza, isso não foi uma falha na lei em si, nem no propósito pelo qual ela foi dada por Deus, porque a lei nunca teve o propósito de redimir os pecadores (Tt 3:5-6; Ri 14:5), mas de revelar o pecado.

Como um padrão e um meio de revelar o pecado, a lei foi uma norma e um mestre impecáveis. Mas ela foi apenas um "aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé" (Gl 3:24). Ce mo um espelho, a lei tinha o propósito de revelar as nossas imperfeição ?s ao olharmos para ela; mas ela, tal como o espelho, não tinha o propósito de corrigir as nossas imperfeições.

A lei, portanto, é perfeita em si mesma, como uma norma e como o que revela o pecado, mas é imperfeita como um meio de nos capacitar a vencer o pecado.



HEBREUS 8:1 - Jesus é o nosso sacerdote ou o nosso sacrifício?

PROBLEMA: Cristo é apresentado como o "sumo sacerdote" dos crentes (cf 7:21). Entretanto, mais adiante Jesus é descrito como sendo "o sacrifício" pelos nossos pecados (Hb 9:26, 28; 10:10). O que é ele então?

SOLUÇAO: Jesus é corretamente representado por essas duas figuras. Ele é o nosso sacerdote por dirigir-se a Deus em favor do homem. Contudo, ele é o nosso sacrifício, por ter oferecido a si mesmo na cruz por nossos pecados. Ele é o ofertante e também a oferta; é o que sacrifica e o que é sacrificado. Ele "a si mesmo se ofereceu" (Hb 7:27).

HEBREUS 9:3-4 - O altar do incenso ficava no Santo Lugar ou no Santo dos Santos, atrás do véu?

PROBLEMA: De acordo com Êxodo 30:6 (cf. 26:33; 40:3), o altar do incenso encontrava-se no Santo Lugar, defronte do véu, e não no Santo dos Santos, atrás do véu. Entretanto, Hebreus 9:3-4 afirma que ele estava "por trás do... véu [no]... tabernáculo que se chama o Santo dos Saltos".

SOLUÇAO: Várias possíveis soluções têm sido sugeridas para essa dificuldade. Qualquer uma delas resolveria o problema.

1. O texto teria sido alterado por um erro de copista. Alguns eruditos observam que possivelmente haja uma deslocação de texto nessa passagem, e que a frase referente ao "altar de ouro" (v. 4) na verdade pertenceria ao versículo 2, junto com os demais utensílios no Santo Lugar. Eles observam que esta é a forma que consta em alguns manuscritos antigos, tais como no Vaticanus (no século IV), no Cóptico e em versões etiópicas.

Outros objetam dizendo que a evidência textual e praticamente todas as traduções modernas se opõem, de forma esmagadora, àquelas isoladas exceções. Dizem ainda que os poucos textos dessas exceções deixam a impressão de que são o resultado de uma tentativa de "corrigir" a passagem considerada difícil de ser entendida.

2. O altar estava do lado de dentro do véu. Aceitando-se o que diz Hebreus 9:3-4, tem-se argumentado que o altar do incenso sempre esteve dentro do Santo dos Santos. Essa posição é sustentada pelos seguintes argumentos. Primeiro, está de acordo com a afirmação bem clara de Hebreus 9:3-4.

Segundo, isso é o que se pode deduzir de outras passagens que falam desse altar como estando "diante da arca do Testemunho" (Êx 40:5), a qual encontrava-se no Santo dos Santos. Terceiro, há algumas versões em que 1 Reis 6:20 menciona o altar do incenso como pertencente ao santuário interior (como, por exemplo, a tradução inglesa de Phillip E. Hughes).

Os que se opõem a essa posição têm apresentado várias objeções. Primeiro, que ela está em desacordo com o que é registrado de forma bem clara no AT (por exemplo, Êx 30:6-10), cujos textos se referem ao altar de incenso como estando no Santo Lugar, junto com o pão e as lâmpadas. O sacerdote, que era proibido de entrar no Santo dos Santos (exceto no dia da expiação), servia no altar de incenso diariamente (Êx 30:6-11). Segundo, Filo, Josefo e outras autoridades judaicas apontaram com unanimidade para a localização do altar de incenso como sendo do lado de fora do véu, no Santo Lugar.

Finalmente, o NT também se refere a ele como estando do lado de fora do véu, onde os sacerdotes comuns, como Zacarias, ministravam (Lc l:5ss).

3. O véu era removido no dia da expiação. De acordo com essa posição, o altar do incenso permanecia normalmente do lado de fora do véu, no Santo Lugar. Entretanto, os que defendem essa posição crêem que, no dia da expiação, o véu era removido para trás de forma que o sacerdote pudesse ter fácil acesso ao altar de incenso, para usá-lo no Santo dos Santos. O que dá respaldo a essa posição decorre do seguinte: Primeiro, a Bíblia geralmente fala do altar de incenso como estando separado do Santo dos Santos por um véu (cf. Êx 30:6; Lv 16:12,15,17). A única ocasião em que esse altar ficava acessível ao sacerdote no Santo dos Santos era no dia da expiação (cf. Lv 16:2; Hb 9:7).

Finalmente, isso está de acordo com a tipologia do sacerdote do AT, que fazia uma vez por ano o que Cristo fez uma vez para sempre (cf. Hb 10:10-11), ou seja, a remoção do véu que nos separa de Deus. A esse respeito observa-se que Cristo rasgou o véu (Mt 27:51), e que não há mais separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos.

Os principais problemas a respeito dessa visão são os seguintes: Primeiro, não há passagem que realmente fale sobre o véu ser removido no dia da expiação. Segundo, isso pode levar essa tipologia longe demais, afinal de contas, nem tudo que o sacerdote do AT fazia prefigurava Cristo. Por exemplo, eles continuavam a oferecer sacrifícios após o dia da expiação (Hb 10:11); Cristo não fez isso. Terceiro, há passagens que com clareza dão a entender que o véu permanecia em seu lugar no dia d; expiação e que o sacerdote ia "para dentro do véu" para realizar o seu trabalho (Lv 16:12; cf. 15,17, 23, 27).

4. Havia dois altares de incenso. Alguns estudiosos afirmam que havia dois altares, um dentro e outro fora do véu, resolvendo assim a questão. Eis a solução tem o mérito de explicar todos os dados envolvidos, e de escapar de todas as dificuldades existentes nas duas posições precedentes.

Entretanto, há grandes problemas com essa posição. Primeiro, não há referência alguma a dois altares de incenso nem no AT nem no NT. Segundo, autoridades judaicas (tais como Filo e Josefo) não fazem referência a esse possível segundo altar.

Terceiro, se houvesse dois altares, então o autor de Hebreus poderia ser responsabilizado por uma grave omissão, já que ele não faz referência alguma ao altar de incenso do Santo Lugar, que fazia parte do ministério normal, diário, do sacerdote (Hb 9:3-4).

Finalmente, essa é uma sugestão que parece ser do tipo conciliadora, ou seja, propõe uma solução, mas sem apresentar uma base real para sustentá-la.

5. O incensaria de ouro difere do altar de ouro. Essa posição afirma que a palavra grega thumiaterion, que freqüentemente é traduzida por "altar de. ouro"(Hb 9:4) poderia ser também "incensário de ouro" (como traduzem as versões R-IBB e SBTB). Isso resolveria a dificuldade, já que o altar de incenso permaneceria fora do véu e o incensário de ouro ficaria do lado de dentro, onde o sacerdote poderia usá-lo no dia da expiação.

Em apoio a essa posição, os seguintes argumentos poderão ser considerados: Primeiro, "incensário" é uma tradução aceitável da palavra grega thumiaterion, que pode significar tanto o lugar como o instrumento do incenso. Segundo, essa mesma palavra grega é usada com o sentido de incensário em outras partes da versão grega do AT (cf. Ez 8:11; 2 Cr 26:19). Terceiro, essa posição tem o suporte do Mishnah judaico, que dá uma detalhada descrição desse incensário de ouro. Quarto, ela evita a evidente contradição de se ter um altar em dois lugares.

Quinto, ela está conforme o fato de que o altar de incenso geralmente é mencionado junto com o pão e as lâmpadas (que se acham sempre Santo Lugar), ao passo que o incensário de ouro é usado uma só vez por ano no Santo dos Santos (Lv 16:2,12, 29).

Sexto, a Arão, sumo sacerdote, foi expressamente ordenado que queimasse incenso num incensário diante do Testemunho no dia da expiação (Lv 16:12-13). Sétimo, na condição de mestre judeu, conhecedor da lei, o autor de Hebreus teria familiaridade com os utensílios e com o ritual do templo. Oitavo, sua mensagem não teria tido aceitação alguma, entre os leitores hebreus, caso tivesse ele cometido um erro tão grosseiro, mencionando erradamente a posição do altar do incenso.

Nono, considerando-se que esse instrumento de incenso era usado uma vez só por ano no Santo dos Santos, nada seria mais razoável do que admitir que ele fosse deixado lá.

Contudo, por mais que se possa falar em favor dessa posição, ela também enfrenta algumas objeções. Em primeiro lugar, a palavra grega em questão normalmente se traduz por "altar de ouro" (por exemplo, na ARA, na NVI, na EC, na TLH, na B V e na BJ) e não por "incensado de ouro" (que consta, porém, na R-1BB e na SBTB).

Segundo, se a tradução correta for "incensario de ouro", então o autor de Hebreus estará incorrendo num erro grosseiro de não fazer menção ao altar do incenso, e isso é pouco provável, considerando-se a sua relevância em meio aos utensílios do tabernáculo e no ofício sacerdotal diário.

Terceiro, se a referência fosse mesmo a um incensário, ele não teria sido feito de ouro, mas de bronze, para poder agüentar o calor das brasas do incenso. Finalmente, o mesmo termo é empregado por autoridades judaicas daquela época (Filo e Josefo) em referência ao altar de incenso.

6. O altar do incenso era removido no dia da expiação. Outros eruditos afirmam que Hebreus 9:3-4 é uma referência ao "altar de ouro" de incenso que era removido de seu local habitual, isto é, do lado de fora do véu, na data especial do dia da expiação. Há vários argumentos em favor dessa tese. Primeiro, ela resolve o aparente conflito ao sustentar que havia uma só peça, que era posta em dois lugares diferentes nas ocasiões apropriadas.

Segundo, ela explica todos os fatores envolvidos, de forma consistente. Terceiro, não faz uso da teoria de natureza especulativa da existência de dois altares. Quarto, parece ser inconcebível que o autor de Hebreus, escrevendo a hebreus cristãos, que tinham familiaridade com esses fatos, fosse errar ao mencionar a posição desse importante item do tabernáculo. Essa posição está livre dessa situação tão improvável.

Quinto, ela explica como o sumo sacerdote podia usar esse altar com tanta facilidade na purificação do Santo dos Santos no dia da expiação, uma vez que o altar de incenso havia sido removido para lá naquele dia.

Sexto, ela se ajusta muito bem às outras referências das Escrituras ao oferecimento de incenso na presença real de um santo Deus (Ap 8:3;9 13). Sétimo, ela é coerente com 1 Reis 6:22, que diz: "todo o altar [de incenso] que estava diante do Santo dos Santos".

Oitavo, Êxodo 30:6 (cf. 40:5) pode ser entendido como instruções p ra remover o altar do incenso para o Santo dos Santos no dia da expiação. De igual modo, Hebreus 9:6 pode abarcar também a menciona essa remoção, quando diz: "Ora, depois de tudo isto assim pre-p irado...".

Nono, o livro judeu Apocalipse de Baruque (6.7), que pertence a esse m esmo período, descreve o Santo dos Santos como um lugar que continha o altar do incenso.

Tem-se sugerido que, por não haver uma explícita referência à remoção do altar do incenso no dia da expiação, essa posição seja problemática. Assim também, alguns têm questionado como o sumo sacerdote poderia remover sozinho esse altar, que era pesado. Mas nenhum desses argumentos são fortes o suficiente, uma vez que nem tudo é explicitamente registrado nas Escrituras, e que os outros sacerdotes bem poderiam cuidar dos procedimentos necessários para o dia expiação.

7. O altar estaria "dentro" por uma associação doutrinária. Alguns estudantes da Bíblia sugeriram que o altar do incenso de fato se localizava lado de fora do véu, mas que em Hebreus 9:3-4 foi mencionado co-mb estando atrás do véu, em vista de sua forte ligação com a arca da arca e com o sacrifício expiatório que lá era oferecido.

Para resumir, Hebreus estaria mencionando o altar como estando lá dentro por uma questão de associação doutrinária, e não como referencia à sua localização física. Em apoio a essa conclusão eles citam o fato de que o autor de Hebreus usa o particípio "tendo" (echousa) em vez da expressão "no qual" (en hê), que claramente denotaria uma localização física.

Essa posição, é claro, resolveria muitos dos problemas associados às oi trás opiniões, mas ela em si cria seus próprios problemas. Em primeiro lugar, a mesma palavra {echousa), que tem o sentido de "tendo", é usada com um sentido físico nessa mesma passagem (cf. v. 4). Além disso, as dt as frases são usadas de forma intercambiável nesse texto, indicando que é mais uma questão de variação de estilo do que um desejo de dar uma impressão de um sentido não físico, mas relacionai.

Para resumir, embora qualquer uma dessas posições seja possível e poderia resolvera dificuldade, algumas delas parecem improváveis (1:7). Outras parecem ser mais prováveis (5 e 6). Não importando qual delas seja a correta, o fato é que essa questão não demonstra haver um erro na Bíblia. Pelo contrário, várias soluções aceitáveis acham-se disponíveis.

HEBREUS 9:4 -Havia três coisas na arca, ou apenas as tábuas de pedra?

PROBLEMA: Essa passagem declara que a arca da aliança tinha a urna de ouro contendo o maná, a vara de Arão, que floresceu, e as tábuas da aliança. Mas em outra parte é dito que apenas as tábuas de pedra lá estavam (Êx 40:20; Dt 10:5; 1 Rs 8:9). O que é certo?

SOLUÇÃO: As duas "tábuas de pedra"(i.e., os Dez Mandamentos) não são "o livro da lei". Este não foi posto na arca, mas ao lado dela (Dt 31:26). Originalmente, todos os três itens (as tábuas de pedra, a urna do maná e a vara de Arão) estavam na arca (como Hebreus 9:4 diz). Posteriormente, essas duas últimas coisas foram removidas (Êx 40:20).

HEBREUS 10:5-7 - Como podemos explicar a citação do Salmo 40, feita de forma distorcida?

PROBLEMA: O Salmo 40:6 cita o Messias dizendo: "abriste os meus ouvidos", mas o escritor de Hebreus cita-o como: "um corpo me formaste" (Hb 10:5). Não há semelhança alguma entre essas citações. O NT parece distorcer completamente a passagem do AT.

SOLUÇÃO: Essa dificuldade surge do fato de que o autor de Hebreus cita uma versão grega do AT (a Septuaginta), ao passo que o Salmo 40 originalmente foi escrito em hebraico. Entretanto, isso não resolve a dificuldade para todo aquele que crê na inspiração da Bíblia, já que uma vez que uma passagem é citada no NT, tem-se a garantia de sua veracidade. Como, então, esse aparente erro de citação pode ser explicado?

A solução pode recair no fato de que Hebreus é uma versão livre, e o Salmo é uma tradução mais literal da mesma idéia, a saber: "Tu me tens preparado para um serviço obediente". A frase do Salmo - "abriste os meus ouvidos" - pode ser uma figura de linguagem que se refere ao ato de furar a orelha de um escravo como sinal de submissão ao seu senhor. Nesse caso, Hebreus na verdade torna mais claro o sentido dessa obscura figura de linguagem, com sua versão mais "livre".

Outros declaram que isso é uma sinédoque, na qual uma parte está pelo todo. Isso quer dizer, se Deus está para "abrir as orelhas" (de forma que o Messias obedeça a Deus e se torne um sacrifício pelo pecado), então ele tem de "preparar um corpo" para si, no qual possa entrar no mundo e realizar a sua divina missão (cf. Hb 10:5). De qualquer modo, tem-se uma solução satisfatória para essa dificuldade, atendendo também ao princípio de que as citações do NT não precisam ser referências exatas, contanto que sejam fiéis à verdade contida no texto do AT.

HEBREUS 10:11 - Os sacrifícios do AT fizeram expiação pelos pecados?

PROBLEMA: Levítico 17:11 afirma que Deus estabeleceu sacrifícios de sangue "para fazer expiação" pelas nossas almas. Mas Hebreus parece contradizer isso, afirmando que o sacerdote da linhagem de Arão "sera apresenta dia após dia a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas v izes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados"(Hb 10:11). SOLUÇÃO: Os sacrifícios no AT não tinham o propósito de remover o pecado, mas de apenas cobri-lo até a vinda de Cristo, o qual, este sim, pôde n mover o pecado. Cada sacrifício de sangue antes de Cristo apontava pára ele. O cordeiro pascal era um tipo que prenunciava o comprimento e n "Cristo, nosso Cordeiro pascal, [que] foi imolado" (1 Co 5:7).

Os sacrifícios do AT apenas proporcionaram uma cobertura temporária dos pecados, até que Cristo propiciasse a solução definitiva ao problema do pecado. Cada oferenda do AT tinha como que uma "nota d e débito", que permaneceu aguardando até que fosse pago pelo "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (Jo 1:29).



HEBREUS 11:8 - Abraão sabia para onde ia, quando deixou a sua terra natal em obediência a Deus?

PROBLEMA: O autor de Hebreus nos informa de que Abraão "partiu sem saber aonde ia". Contudo, Gênesis 12:5 afirma que Abraão e sua família "partiram para a terra de Canaã".

SOLUÇÃO: Quando Abraão foi chamado por Deus, ele não sabia para onde acabaria indo. Deus lhe dissera simplesmente: "vai para a terra que te mostrarei" (Gn 12:1); ou, segundo a versão de Hebreus, "para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia" (Hb 11:8). A afirmação (Gn 12:5) de que ele partiu "para a terra de Canaã é o que o autor de Gênesis registrou em retrospectiva; não era algo que Abraão soubesse quando partiu.”
HEBREUS 11:21 (cf. Gn 47:31) - Há uma divergência a respeito da morte de Jacó?

PROBLEMA: Hebreus menciona que Jacó morreu em uma postura de adoração, "apoiado sobre a extremidade do seu bordão" (11:21). Contudo, Gênesis 47:31 diz que Jacó "se inclinou sobre a cabeceira da cama". Como conciliar essa visível contradição?

SOLUÇÃO: As palavras que em hebraico correspondem a "bordão" e a cama" são escritas com as mesmas consoantes. Como as vogais não eram escritas no texto original, mas foram acrescentadas por volta do ano 700 a.D., as palavras acima eram escritas da mesma forma, somente com as consoantes. A Septuaginta traduz essa passagem de Gênesis com a palavra "bordão", ao passo que textos judaicos posteriores da Massorá traduzem por "cama" em vez de "bordão". A luz disso, 'extremidade do seu bordão" (Hb 11:21) torna-se a tradução provável desses dois versículos, enquanto a versão que usa a palavra "cama" (de Gn 47:31) seria um erro no que diz respeito às vogais subentendidas.

HEBREUS 11:32 - Será que todos os nomes apresentados nessa "galeria dos homens de fé" deveriam mesmo fazer parte dela?

PROBLEMA: Por que Baraque, Sansão e Jefté são apresentados como grandes homens de fé, ao lado de Abraão, Moisés e José? Afinal de contas, eles erraram de muitas maneiras.

SOLUÇÃO: É verdade que Baraque não quis ir à guerra sem Débora, e demonstrou falta de liderança. Sansão tinha uma queda por mulheres e Jefté negociou com os amonitas, o que ele não deveria ter feito. Contudo, nenhum desses atos obrigaria necessariamente a exclusão de tais homens dessa lista de heróis da fé, pois, como o NT diz, "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3:23).

Isso é uma verdade até mesmo a respeito de outros mencionados nessa grande lista de homens de fé. Abraão mentiu a respeito de Sara, sua mulher, e Moisés matou um homem. Davi será sempre lembrado por seu adultério com Bate-Seba, mas mesmo assim Deus disse ser ele alguém "que andou após mim de todo o seu coração" (1 Rs 14:8).

O que destaca esses homens dos demais é a fé que tinham, e não os pecados que cometeram. A fé heróica desses homens propiciou sua inclusão nessa "galeria dos homens de fé". Por exemplo, mesmo depois de seu declínio, Sansão realizou poderosos atos de fé e conseguiu grandes coisas para Deus, destruindo mais inimigos de Deus na sua morte do que o fez em toda a sua vida (Jz 16:30).

HEBREUS 12:17 - Por que não pôde Esaú arrepender-se, se ele buscou isso com lágrimas?

PROBLEMA: A Bíblia nos informa de que Esaú "foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado". Mas por que Deus não aceitaria seu arrependimento sincero, já que ordena a todos os homens em toda parte que se arrependam (At 17:30), ficando pacientemente à espera de que as pessoas assim procedam (2 Pe 3:9)?

SOLUÇÃO: Há duas coisas importantes a observar com relação a essa passagem. Primeiro, a expressão "não achou lugar de arrependimento" pode referir-se à não-disposição de seu pai de mudar de idéia quanto a dar a herança a Jacó, e não ao arrependimento de Esaú. De qualquer modo, as circunstâncias não permitiram que Esaú tivesse a oportunidade de reverter a situação, obtendo a bênção.

Segundo, lágrimas não constituem um sinal seguro de que alguém tenha se arrependido de verdade. Pode-se ter até mesmo lágrimas de pesar e de remorso, que não alcançam o verdadeiro arrependimento nem a mudança de pensamento (cf. Judas, em Mateus 27:3).

Finalmente, esse texto não fala da bênção espiritual (salvação), mas da bênção terrena (herança). Deus sempre honra o arrependimento sincero de pecadores e lhes propicia a salvação (At 10:35; Hb 11:6).




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