Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia



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Colossenses




COLOSSENSES 1:18 - Se Cristo é o primogênito na criação, então como ele pode ser Deus?

PROBLEMA: João declarou ser Cristo eterno e igual a Deus (Jo 1:1; 8:58; 20:28). Mas parece que Paulo está querendo dizer que Cristo era apenas urna criatura, o primogênito (criado) no universo.

SOLUÇÃO: Paulo com clareza declara que Cristo é Deus nessa mesma carta, ao dizer que ele criou todas as coisas (1:16) e que "nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (2:9). A referência a Cristo como "primogênito" não significa ser Ele o primogênito na criação, mas o primogênito de toda a criação (v. 15), uma vez que "ele é ante s de todas as coisas" (v. 17). "Primogênito", nesse contexto, não significa o primeiro a nascer, mas o herdeiro de todas as coisas, o Criador e proprietário de tudo. Sendo o Criador de "todas as coisas", ele não pode ter sido um ser criado.

COLOSSENSES 1:20 - Esse versículo ensina que todos serão salvos (universalismo)?

PROBLEMA: O apóstolo Paulo escreveu aos colossenses: "porque aprouve a Deus que,... havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele [Cristo], reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus" (Cl 1:19-20). Se Paulo diz que todas as coisas são reconciliadas com Cristo, mediante a sua morte e ressurreição, isso parece implicar que todas as pessoas serão salvas. Mas outros textos das Escrituras declaram que muitos se perderão (por exemplo, Mt 7:13-14; 25:41; Ap 20:11-15).

SOLUÇÃO: Antes de tudo, Paulo não está falando acerca da salvação universal, mas apenas da soberania universal de Jesus Cristo. Em outras palavras, toda autoridade foi dada a Jesus Cristo no céu e na ter-(Mt 28:18). Em virtude de sua morte e ressurreição, Cristo, como o Ultimo Adão, é Senhor sobre tudo o que foi perdido pelo Primeiro Adão (cf. 1 Co 15:45-49).

Note o contraste entre essas duas passagens cruciais de Paulo:





EFÉSIOS / COLOSSENSES

FILIPENSES

Todos que estão em Cristo


Todos que se dobrarão diante de Cristo


Todos

Todos

no céu

no céu


na terra

na terra


...

debaixo da terra


Todos os que são salvos

Todos os que lhe estão sujeitos


Quando Paulo fala dos que estão "em Cristo" (i.e., dos que são salvos), não inclui "os que estão debaixo da terra" (i.e., os perdidos). Entretanto, todas as pessoas, salvas e não salvas, um dia se dobrarão diante de Cristo e reconhecerão o seu senhorio universal. Mas em parte alguma das Escrituras há o ensino de que todas as pessoas serão salvas. A muitos Jesus dirá: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25:41).

João disse que o diabo, a besta e o falso profeta, e todos aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida serão lançados no lago de fogo para sempre (Ap 20:10-15). Lucas fala do grande e intransponível abismo existente entre o céu e o lugar, chamado inferno, em que os que rejeitaram a Deus vivem em tormentos (Lc 16:19-31). Paulo fala a respeito da punição dos ímpios como sendo "eterna destruição, banidos da face do Senhor" (2 Ts 1:7-9). Jesus declarou que Judas estava perdido, e chamou-o de "filho da perdição" (Jo 17:12). É evidente, por todas essas passagens, que nem todos serão salvos.

COLOSSENSES 1:24 - Como a morte de Cristo na cruz pode ser suficiente para a salvação, se Paulo fala acerca do que resta das aflições de Cristo?

PROBLEMA: A Bíblia declara que a morte de Jesus na cruz foi suficiente e também completa para a nossa salvação (Jo 19:30; Hb 1:3). Contudo, Paulo afirma que temos de preencher "o que resta das aflições de Cristo". Mas se a cruz é totalmente suficiente, então como pode estar faltando ainda alguma coisa no sofrimento de Cristo por nós?

SOLUÇÃO: A morte de Cristo na cruz é suficiente para a nossa salvação. A Bíblia dá um grande destaque, com muita clareza, a esta verdade. Antevendo a cruz, Jesus disse ao Pai: "eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer" (Jo 17:4). Na cruz ele exclamou: "Está consumado!" (Jo 19:30). O livro de Hebreus declara inequivocamente que "com uma única oferta [na cruz], aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados" (Hb 10:14). E isso ele o fez "por si mesmo" (Hb 1:3,SBTB), sem a ajuda de ninguém.

Não obstante, há um sentido em que Cristo ainda sofre mesmo depois de haver morrido. Jesus disse a Paulo: "Por que me persegues?" Nesse sentido, nós também podemos sofrer por ele, já que Paulo diz: "vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele" (Fp 1:29). Mas de modo algum o nosso sofrimento por Cristo é um meio de expiação. Somente Jesus sofreu pelo pecado. Nós sofremos por causa do pecado (nosso e dos outros), mas nunca pelo pecado.

Cada pessoa tem de levar a culpa de seu próprio pecado (Ez 18:20) e aceitar o fato de que Cristo sofreu pelo seu pecado (1 Pe 2:21; 3:18; 2 Go 5:21). Quando sofremos por Cristo, experimentamos uma dor como parte do seu corpo espiritual, que é a Igreja; mas somente o que Cristo sofreu no seu corpo físico na cruz é eficaz em relação aos nossos pecados. O nosso sofrimento, então, é em serviço, não para a salvação.

COLOSSENSES 2:8 - Esse versículo quer dizer que os cristãos não devem estudar filosofia?

PROBLEMA: Paulo nos adverte: "Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas" (Cl 2:8). Isso significa que os cristãos não deveriam estudar filosofia? Se for assim, por que Deus nos deu uma mente e nos ordenou que pensássemos (Mt 22:37) e que raciocinássemos (1 Pe 3:15)?

SOLUÇÃO: Primeiro, a Bíblia não é contra a filosofia, da mesma forma que não é contra a religião. Ela não é contra a filosofia, mas é contra a filosofia, que Paulo chama de "vãs sutilezas" (v. 8). De igual modo, a Bíblia não se opõe à religião, mas apenas à vã religião (cf. Tg 1:26-27).

Paulo não está falando de filosofia em geral, mas de uma filosofia em particular, geralmente entendida como sendo uma forma primitiva do gnosticismo. Isso se evidencia por ter Paulo usado o artigo definido (no grego), que poderia ser traduzido por "a filosofia" ou "esta filosofia". Paulo estava se referindo a essa filosofia em particular, da linha do gnosticismo, que havia invadido a igreja em Colossos, e que envolvia o legalismo, o misticismo e o ascetismo (cf. Cl 2); não se referia a toda filosofia.

Ainda, o próprio Paulo recebera um bom treinamento nas filosofias de seus dias, e até mesmo as citava de quando em quando (cf. At 17:28; T: 1:12). Ele com sucesso "arrazoou" com os filósofos gregos no Areópago, ganhando até mesmo alguns para Cristo (At 17:17, 34).

Em outras passagens ele disse que um bispo deve ser capaz de "exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem" (Tt 1:9), e que ele tinha sido "incumbido da defesa do Evangelho" (Fp 1:16). Pedro exortou os crentes, dizendo: "estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1 Pe3:15). Com efeito, Jesus disse que o grande mandamento é amar "o Senhor teu Deus de todo ... o teu pensamento" (Mt 22:37, SBTB).

Finalmente, Deus não premia a ignorância. De fato, ele sabe que nós não podemos ter "cuidado" em relação a uma filosofia, se nós não a conhecemos. Ninguém irá consultar um médico que não estudou medicina. Mas é aqui que está o perigo. O cristão deve aproximar-se das falsas filosofias deste mundo da mesma maneira como um pesquisador da Medicina se aproxima do vírus da AIDS. O cientista deve estudá-lo objetivamente e com todo cuidado, para descobrir todo o mal que ele traz, mas não subjetivamente e de forma pessoal, a ponto de ser contaminado por essa doença.

COLOSSENSES 2:16 - Os cristãos são obrigados a guardar o Shabbath?

(Veja os comentários de Êxodo 20:8-11 e Mateus 5:17-18.)


COLOSSENSES 3:20 - Paulo contradiz Jesus quando exorta os filhos a obedecerem a seus pais em tudo?

PROBLEMA: Paulo disse aos filhos que em tudo obedecessem a seus pais, Jesus por sua vez falou: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim" (Mt 10:37). Certamente os filhos não devem obedecer a um pai ou uma mãe que lhes ordene amaldiçoar a Deus, ou odiar Jesus, ou ainda matar um irmão.

SOLUÇÃO: Um texto tem de ser compreendido dentro do seu contexto. A expressão "em tudo" de Colossenses 3:20 não inclui as coisas que desagradam ao Senhor, já que logo a frase seguinte diz: "pois isso agrada ao Senhor" (3:20, NVI). Além disso, na passagem paralela de Efésios, escrita no mesmo tempo, Paulo explicitamente qualifica esse mandamento, dizendo: "Filhos, obedecei a vossos pais «o Senhor" (Ef 6:1). Isso torna claro que um filho não deve obedecer a seus pais se eles lhe mandarem fazer alguma coisa contrária à vontade de Deus.

COLOSSENSES 3:22 - Esse mandamento não perpetua a escravatura?

(Veja o que é abordado sobre Filemom 16.)



COLOSSENSES 4:16 - O que aconteceu com a epístola dos Laodicenses, que foi extraviada?

PROBLEMA: Paulo refere-se à epístola "de Laodiceia" como sendo uma carta que ele escreveu e que deveria ser lida pela igreja de Colossos, assim como a carta inspirada aos Colossenses deveria ser lida pelos laodicenses. Entretanto, não existe tal epístola aos Laodicenses, do primeiro século (embora haja uma falsa, do século IV). Mas é muito estranho que um livro inspirado tenha desaparecido. Por que Deus inspira-ri í uma carta assim, para a fé e a prática da igreja (2 Tm 3:16-17), e depois permitiria que fosse destruída?

SOLUÇÃO: Há duas possibilidades. Primeiro, é possível que Deus não pretendesse incluir na Bíblia todos os textos inspirados e com autoridade divina. Lucas refere-se a outros Evangelhos (Lc 1:1), e João afirmou que houve muitas outras coisas que Jesus fez, que não foram registradas no seu Evangelho (Jo 20:30; 21:25). Assim, é possível que D íus tenha pretendido que figurassem no cânon das Escrituras apenas o; livros inspirados que ele, com sua providência, preservou.

A segunda possibilidade é que há razões muito boas para se acreditar que a epístola "de Laodiceia" na verdade não tenha sido perdida, mas que seja realmente o livro de Efésios. Em primeiro lugar, o texto n o a chama de epístola aos laodicenses, mas de epístola "de Laodicéia"(4:16), o que dá a entender que ela provinha dessa cidade, não importando o nome que pudesse ter tido.

Segundo, sabe-se que Paulo escreveu Efésios na mesma época em que ele escreveu Colossenses, e que a enviou a outra igreja daquela mesma região.

Terceiro, há evidências de que o livro de Efésios originalmente não tinha esse nome, mas era uma carta circular que foi enviada às igrejas da Ásia Menor. É interessante que em alguns dos primeiros manuscritos não consta a expressão "em Éfeso", de Efésios 1:1. Certamente é estranho que Paulo, tendo antes passado três anos ministrando aos efésios (At 20:31), não lhes tenha enviado nenhuma saudação pessoal, se é que a carta aos Efésios era destinada exclusivamente a eles. Em contraste, Paulo ainda não tinha ido a Roma, mas enviou saudações a muitas pessoas em sua carta aos Romanos (Rm 16:1-16).

Quarto, nenhuma epístola aos Laodicenses é jamais citada pelos primitivos pais da Igreja, embora suas citações do NT sejam superiores a 36.000, e incluam todos os livros e quase todos os versículos do NT.

Uma falsa epístola aos Laodicenses apareceu no século IV, mas os eruditos não crêem que ela seja a carta a que Paulo se referiu. Com efeito, ela é basicamente uma compilação de citações de Efésios e de Colossenses, a qual o Conselho de Nicéia (787 a.D.) chamou de "falsa epístola".






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