Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia



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1 Coríntios




1 CORÍNTIOS 1:17 - Paulo se opôs ao batismo nas águas?

PROBLEMA: Paulo declara que Cristo não o enviou para batizar. Contudo, Cristo comissionou os seus seguidores a fazer "discípulos de todas ag nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo)" (Mt 28:19). Então Paulo contradisse Cristo?

SOLUÇÃO: Paulo não se opunha ao batismo, mas ele não cria ser o batismo uma condição para a salvação (veja os comentários de Atos 2:38). O próprio Paulo foi batizado nas águas (Atos 9:18; 22:16) e ensinou sobre o batismo em suas epístolas (cf. Rm 6:3-4; Cl 2:12). De fato, nessa passagem (1 Co 1), Paulo admite ter batizado várias pessoas (vv. 14,16), como o fez como carcereiro de Filipos depois de sua salvação (At 16:31-33). Conquanto acreditasse que o batismo com água fosse um símbolo da salvação, ele não cria que o batismo fizesse parte do Evangelho ou que fosse essencial para a salvação.

1 CORÍNTIOS 2:8 - Como Paulo pôde dizer que os poderosos deste século não conheceram a Cristo, se Jesus apresentou-se diante deles no seu julgamento?

PROBLEMA: O apóstolo afirma que "nenhum dos poderosos deste século conheceu [a sabedoria de Deus, que é Cristo]; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória". Contudo, Jesus apresentou-se diante das autoridades dos judeus e dos gentios, inclusive Pilatos, Herodes e Caifás (cf. Mt 26-27; Mc 14-15; Lc 22-23; Jq 18-19).

SOLUÇÃO: Primeiro, Paulo não disse que eles não conheceram a Cristo, mas que não conheceram o "mistério" sobre a redenção de Cristo, que permanecera escondido por tanto tempo (1 Co 2:7-8; cf. Ef 3:3-4).

Segundo, eles sabiam que tinham consentido que Cristo fosse crucificado (cf. Mt 21:38), mas o fizeram "por ignorância" (cf. At 3:17), desconhecendo as implicações de sua decisão. Eles estavam moralmente cegos (cf. Jo 16:3), embora tivessem tido a compreensão do fato físico e social que foi a crucificação de Jesus de Nazaré.



1 CORÍNTIOS 3:11 - Quem é o fundamento da igreja: Cristo ou os apóstolos?

PROBLEMA: Nesse texto, Paulo insiste em dizer que "ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo". Por outro lado, ele disse aos efésios que a Igreja é edificada "sobre o fundamento dos apóstolos" (Ef 2:20). Qual é então o fundamento da igreja?

SOLUÇÃO: A resposta está logo em seguida, no versículo da última citação: "sendo ele mesmo, Jesus Cristo, a pedra angular" (Ef 2:20). Cristo é o fundamento num sentido primário, e os apóstolos por ele escolhidos são o fundamento num sentido secundário. Cristo é, por assim dizer, o alicerce, e os apóstolos são o fundamento sobre ele construído (veja Mt 16:16-18).

Cristo é o elo central que mantém o fundamento apostólico da Igreja. Foram os seus feitos (sua morte e sua ressurreição) e a doutrina dos apóstolos (cf. At 2:42) a respeito dele que constituíram o fundamento da igreja cristã.



1 CORÍNTIOS 3:13-15 - Essa passagem dá suporte à doutrina católica do purgatório?

PROBLEMA: Os católicos romanos apelam para essa passagem como base da doutrina de uma punição temporária daqueles que não são suficientemente bons para irem diretamente para o céu. Apontam para o fato de que a passagem fala de pessoas que sofrerão "dano" quando suas obras se queimarem com o fogo, mas que acabarão sendo salvas (1 Co 3:15). Será que a Bíblia ensina que há um inferno temporário (purgatório), onde as pessoas sofrem por causa de seus pecados, antes de poderem ir ao céu?

SOLUÇÃO: Em parte alguma a Bíblia ensina a doutrina do purgatório. Essa doutrina é contrária a muitos fatos das Escrituras. Primeiro, o inferno é um lugar permanente de "fogo eterno" (Mt 25:41). Ele impõe uma "penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor" (2 Ts 1:9; veja os comentários deste versículo). Jesus declarou ser o inferno um lugar em que nunca "o fogo se apaga" e onde o corpo nào "morre" (Mc 9:45-48).

Segundo, uma vez no inferno, ninguém pode sair dele. Jesus disse que "está posto um grande abismo,... de sorte que os que quiserem passar" de um lado para o outro não têm como fazê-lo (Lc 16:26). Isso é verdadeiro mesmo que eles lastimem estar lá (Lc 16:23, 28).

Terceiro, a doutrina do purgatório é uma afronta à completa e suficiente obra de Cristo na cruz, com a sua morte. Quando Jesus morreu por nossos pecados (1 Co 15:3), Ele proclamou: "Está consumado!" (Jo 19:30). Olhando para o que iria acontecer na cruz, Jesus orou ao Pai, dizendo: "eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer" (Jo 17:4). O livro de Hebreus nos informa de que "tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, [Jesus] assentou-se à destra de Deus" (Hb 10:12). "Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados" (Hb 10:14).

Quarto, o único purgatório por que alguém passou foi o purgatório dt Cristo na cruz, quando ele purgou os nossos pecados. O autor de Hebreus declara que "depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas" (Hb 1:3).

Quinto, a doutrina do purgatório baseia-se no livro apócrifo de 2 Macabeus (12:46), o qual diz que rezar pelos mortos, para que sejam absolvidos de seus pecados, é um modo de pensar santo e piedoso. Mas esse livro, do segundo século antes de Cristo, não diz ser inspirado, como também não afirma isso nenhum dos demais livros apócrifos. O livro de 1 Macabeus até mesmo nega a sua inspiração (1 Mac 9:27).

Os livros apócrifos jamais foram aceitos pelo judaísmo como sendo inspirados. Nem Jesus nem os autores do NT jamais os citaram como in ipirados. Até mesmo Jerônimo, o católico romano tradutor da importante Bíblia em latim chamada Vulgata, rejeitou 2 Macabeus juntamente com os demais livros apócrifos. Além disso, 2 Macabeus não foi oficialmente acrescentado à Bíblia pela Igreja Católica Romana senão em li 46 a.D., cerca de 29 anos depois que Lutero deu início à Reforma, durante a qual ele falou contra o purgatório e contra as orações em favor dos mortos.

Finalmente, mesmo quando 2 Macabeus foi acrescentado por Roma na Bíblia (junto com os demais livros apócrifos), ela rejeitou outro livro apócrifo, que fala contra orações pelos mortos. O livro de 2 Esdras (chamado de 4 Esdras pelos católicos), falando do dia da morte, declara: "ninguém jamais orará por outro naquele dia" (2 Esdras 7:105). Rejeitando este livro e aceitando Macabeus, a Igreja Católica manifestou arbitrariedade na decisão da escolha de livros que suportassem as dou-tr nas que ela tinha acrescentado à Bíblia.

Concluindo, em 1 Coríntios, Paulo não está falando de purgatório, mas do "tribunal de Cristo", perante o qual todos os crentes comparecerão para receber sua recompensa "segundo o bem ou o mal que tiver fé to por meio do corpo" (2 Co 5:10). Toda nossa "obra" vai ser "revelada pelo fogo" e "se permanecer a obra de alguém,... esse receberá galardão (1 Co 3:13-14).

Sendo que a salvação do inferno é pela graça, não por obras (Rm 4:5; Ef 2:8-9; Tt 3:5-7), está claro que essa passagem está falando da "obra" e do "galardão" do crente, por servir a Cristo, e não de um possível purgatório onde o cristão (em vez de Cristo) tivesse de sofrer pelos pecados que praticou.

1 CORÍNTIOS 3:19 - Como Paulo pôde considerar inspiradas as palavras de Elifaz, se Deus o repreendeu por dizê-las a Jó?

PROBLEMA: Em 1 Coríntios 3:19 o apóstolo Paulo cita do livro de Jó uma afirmativa feita por Elifaz, um dos amigos de Jó, a saber: "porquanto está escrito: 'Ele apanha os sábios na própria astúcia deles'" (cf. Jó 5:13). Contudo, no livro de Jó, Deus disse a Elifaz: "A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó" (Jó 42:7). Se o que Elifaz disse não era reto, então as suas palavras podem ser consideradas inspiradas?

SOLUÇÃO: Primeiro, Deus não disse que tudo que tinha sido falado por Elifaz era falso, mas apenas as suas acusações de que Deus estaria punindo Jó por causa dos pecados dele. Nesse ponto Elifaz e seus amigos não falaram o que era correto segundo Deus. Porque Deus considerava Jó um homem "íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal" (Jó 2:3).

Satanás pensou que, diante de determinadas circunstâncias, Jó blasfemaria contra Deus (2:4-5). Portanto, tudo o que aconteceu a Jó foi permitido por Deus para mostrar que ele não blasfemaria. O que aconteceu não foi por Jó ter pecado. À luz disso, os amigos de Jó estavam errados. Mas isso não significa que eles não tenham dito nada que fosse verdadeiro em seus discursos. Por exemplo, certamente Elifaz estava correto ao dizer que Deus "faz chover sobre a terra e envia águas sobre os campos" (5:10). De igual modo, foi correto o que ele disse ao afirmar que Deus "apanha os sábios na sua própria astúcia" (Jó 5:13).

Segundo, Paulo emprega a frase "está escrito" ao referir-se ao texto citado. Essa é uma prática padrão do NT para mostrar que uma determinada passagem tem autoridade (cf. Mt 4:4,7,10). Assim, o inspirado NT aprova aquela declaração como sendo verdadeira. Realmente, o fato de que Deus faz uso dessa mesma verdade básica na sua declaração a Jó (37:24) dá a sua divina aprovação a ela, tornando-a apropriada para que Paulo a cite como inspirada.

1 CORÍNTIOS 5:9 - Se Paulo escreveu outra epístola inspirada, por que Deus permitiu que ela se perdesse?

PROBLEMA: Paulo refere-se a uma epístola anterior escrita por ele aos coríntios, da qual não se tem conhecimento. Mas desde que ela foi escrita por um apóstolo a uma igreja e continha instruções espirituais de quem possuía autoridade, tal carta deve ser considerada inspirada. Isso levanta a seguinte questão: Como pôde então Deus permitir o extravio de uma epístola inspirada.

SOLUÇÃO: Há três possibilidades nessa questão. Primeiro, pode ser que n$m todas as cartas apostólicas tenham tido o propósito de estar no cânon das Escrituras. Lucas refere-se a "muitos" outros evangelhos (1;1). João dá a entender que houve muitas coisas mais, que Jesus fez, mas que não foram registradas (20:30; 21:25). E possível que Deus não pretendesse que essa assim chamada "carta perdida" aos coríntios integrasse o cânon dos livros que foram preservados para a fé e prática das futuras gerações, como aconteceu com os demais 27 livros do NT (e com os 39 do AT).

Segundo, alguns crêem que a carta referida (em 1 Co 5:9) pode não estar perdida afinal, mas ser uma parte de um livro existente na Bíblia. Pór exemplo, ela poderia ser parte do trecho que conhecemos como sendo 2 Coríntios (capítulos de 10 a 13), que alguns acreditam ter sido posto junto com os capítulos de 1 a 9. Para isso baseiam-se no fato de que os capítulos de 1 a 9 têm notoriamente um tom diferente em relação ao restante do livro de 2 Coríntios (capítulos de 10 a 13).

Isso pode indicar que o trecho foi escrito numa ocasião diferente. Além disso, apontam para o uso da palavra "agora" ( em 1 Co 5:11), em contraste com um implícito "então", quando o livro anterior fora escrito Observam também que Paulo refere-se a "cartas" (no plural) que ele tinha escrito, em 2 Coríntios 10:10.

Terceiro, outros acreditam que em 1 Coríntios 5:9 Paulo esteja se referindo ao presente livro de 1 Coríntios, ou seja, ao mesmo livro que ele estava escrevendo naquela hora. Em apoio a isso observam o seguinte:

1) Embora o tempo verbal grego empregado aqui, o aoristo ("escrevi"), possa referir-se a uma carta do passado, ele poderia referir-se também ao mesmo livro. Isso é chamado de um "aoristo epistolar", porque se refere ao mesmo livro em que ele está sendo usado.

2) Em grego, o aoristo não é um tempo do passado como tal. Ele refere-se ao tipo de ação, e não propriamente ao tempo da ação. Ele identifica uma ação completa, que pode até mesmo ter levado muito tempo para ser realizada (cf. Jo 2:20).

3) tempo aoristo com freqüência implica uma ação decisiva, sendo que no caso Paulo estaria dizendo mais ou menos o seguinte: "Estou escrevendo-lhes em caráter decisivo..." Isso certamente está de acordo com o contexto dessa passagem, na qual ele está instando a Igreja a tomar uma medida imediata de excomungar um membro impuro.

4) Outro "aoristo epistolar" foi usado por Paulo nessa mesma carta, quando ele disse: "Não estou escrevendo na esperança de que vocês façam isso por mim" (1 Co 9:15, NVI).

5) Não há absolutamente indicação alguma na história da igreja primitiva de que uma tal carta de Paulo, além das conhecidas 1 e 2 Coríntios, tenha existido. A referência em 2 Coríntios 10:10, dizendo: "as cartas... são graves", pode significar tão somente "o que ele escreve é grave". E o "agora" de 1 Coríntios 5:11 não indica necessariamente que era uma carta posterior. Esta palavra pode ser traduzida por "não" (BJ), ou como uma expressão de ênfase: "o que eu digo é que..." (TLH e, com pequena variação, BV).

1 CORÍNTIOS 6:2-3 - Como os santos julgarão o mundo e os anjos?

PROBLEMA: A Bíblia assegura que Deus é o juiz do mundo (SI 96:13; At 17:31; Ap 20:11-15), até mesmo dos anjos maus (2 Pe 2:4; Ap 12:9). Por que, então, Paulo afirma que os cristãos serão os juizes do mundo e dos anjos?

SOLUÇÃO: Obviamente, Deus é o juiz dos homens e anjos perversos num sentido diferente do que serão os crentes. Qualquer que seja o julgamento que tivermos de fazer, será na condição de representantes ou delegados de Deus, não em virtude de nenhum direito que pudéssemos ter inerente a nós mesmos. Somos apenas os instrumentos mediante os quais Deus executa o seu julgamento. Não competirá a nós tomar as decisões finais.

Não está bem claro o que exatamente Paulo antevia nessa passagem, mas de fato sabemos de outros trechos da Escritura que há certos sentidos em que legitimamente se pode dizer que os crentes julgarão o mundo. Primeiro, durante o reinado de Cristo, os apóstolos também se assentarão "em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel" (Mt 19:28).

Segundo, aqueles que foram fiéis a Cristo durante a tribulação "viveram e reinaram com Cristo durante mil anos" (Ap 20:4). João disse: "Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada a autoridade de julgar" (Ap 20:4).

Terceiro, alguns crêem que Deus vai julgar os ímpios pela piedosa conduta dos crentes. Jesus até mesmo disse a respeito dos habitantes de Nínive que eles "se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas" (Mt 12:41). Aparentemente, Deus vai apresentar pecadores que se arrependeram como exemplos para aqueles que não se arrependeram, e estes então serão condenados com justiça por seus próprios contemporâneos. De igual modo, os anjos que pecaram no ambiente de perfeição do céu serão julgados com base na conduta de homens que foram salvos no ambiente imperfeito da terra (2 Pe 2:4).



1 CORÍNTIOS 6:9 - A condenação do homossexualismo feita por Paulo foi simplesmente uma opinião pessoal dele?

PROBLEMA: Paulo disse aos coríntios que "nem imorais,... nem homossexuais ativos ou passivos... herdarão o Reino de Deus" (6:9-10, N VI). Mas nesse mesmo livro ele admitiu estar dando a sua "opinião" pessoal (l Co 7:25). De fato, Paulo admitiu: "não tenho mandamento do Senhor" (v. 25); e "digo eu, não o Senhor" (v. 10). Não foi isso então, por sua própria confissão, simplesmente uma opinião pessoal de Paulo, não obrigatória, a respeito dessa questão?

SOLUÇÃO: A condenação do homossexualismo feita por Paulo tem autoridade divina e não é apenas sua opinião particular. Isso se torna claro ao examinarmos com cuidado a evidência de que dispomos. Em primeiro lugar, a condenação mais clara da homossexualidade feita por Paulo acha-se em Romanos 1:26-27, e ninguém que aceita a inspiração das Escrituras contesta a autoridade divina desse texto.

Em segundo lugar, as credenciais apostólicas de Paulo estão firmemente estabelecidas nas Escrituras. Ele declarou em Gaiatas que as suas revelações não tinham sido inventadas por homem algum, mas tinham sido recebidas "mediante revelação de Jesus Cristo" (Gl 1:12).

Em terceiro lugar, Paulo declarou aos coríntios: "as marcas de um apóstolo - sinais, maravilhas e milagres - foram demonstradas entre vocês" (2 Co 12:12, NVI). Em resumo, ele tinha exercitado a sua autoridade apostólica no seu ministério para com os cristãos de Corinto.

Em quarto lugar, mesmo no livro de 1 Coríntios, em que a autoridade de Paulo é severamente contestada pelos críticos, sua autoridade divina torna-se evidente por três razões. (1) Ele começa o livro declarando possuir "palavras... ensinadas pelo Espírito" (1 Co 2:13). (2) Ele conclui o livro dizendo: "o que lhes estou escrevendo é mandamento do Senhor" (14:37, NVI). (3) Mesmo no controvertido capítulo 7, em que dizem que Paulo está dando a sua opinião pessoal não inspirada, ele declara: "também eu tenho o Espírito de Deus" (v. 40).

De fato, quando ele disse: "eu, não o Senhor", ele não queria dizer que as suas palavras não eram inspiradas pelo Senhor; isso iria contradizer tudo o mais que ele falasse. Pelo contrário, aquelas palavras significavam que Jesus não tinha falado diretamente acerca daqueles pontos quando na terra, mas ele prometera a seus apóstolos que enviaria o Espírito Santo para os guiar "a toda a verdade" (Jo 16:13). E o ensino de Paulo em 1 Coríntios foi um cumprimento daquela promessa.

1 CORINTIOS 6:13 - Se Deus vai destruir o corpo, então como ele poderá ser ressuscitado?

PROBLEMA: Paulo disse: "Os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele" (1 Co 6:13). Com isso, alguns argumentam que o corpo ressuscitado não terá a anatomia ou fisiologia do corpo anterior à ressurreição. Por outro lado, Paulo deu a entender que reconheceremos os nossos queridos no céu (1 Ts 4:13-18).

SOLUÇÃO: O corpo que vai para o túmulo é o mesmo corpo, feito imortal, que dele há de sair. Isso é provado pelo fato de que: o túmulo de Jesus ficou vazio; ele tinha as cicatrizes da crucificação no seu corpo (Jo 20:27); o seu corpo era "carne e ossos"(Lc 24:39); as pessoas podiam tocar nele, e assim fizeram (Mt 28:9); e ele podia comer alimentos físicos, o que fez em várias ocasiões (Lc 24:40-42).

Quanto a 1 Coríntios 6:13, um cuidadoso estudo do contexto revela que, quando Paulo diz que Deus destruirá tanto os alimentos como o estômago, ele está se referindo ao processo da morte, não à natureza do corpo ressuscitado. Além disso, conquanto o corpo ressuscitado possa não ter necessidade de se alimentar, ele tem a capacidade para fazê-lo. Comer no céu será um prazer, sem ser uma necessidade.

Assim, o corpo que a morte "destrói" é o mesmo que a ressurreição restaura. Argumentar que não haverá um corpo ressuscitado porque o estômago será "destruído" é equivalente a declarar que as outras partes do corpo - a cabeça, os braços, as pernas, o tronco - não ressuscitarão, porque a morte as tornará em pó também.

1 CORÍNTIOS 7:10-16 - Paulo contradisse o que Jesus falou sobre o divórcio?

PROBLEMA: Essa passagem de 1 Coríntios fala de um crente que é casado com um descrente. A certo ponto, Paulo diz: "Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã"(v. 15). Jesus disse em Mateus 5:32 e 19:8-9 que se pode divorciar de uma esposa somente no caso de infidelidade conjugai. Paulo está advogando o divórcio ou a separação?

SOLUÇÃO: Não há contradição entre o que Paulo diz e as palavras do Senhor Jesus. Primeiro, Paulo diz que se um dos cônjuges é crente e o outro não, e na hipótese de o cônjuge descrente não querer apartar-se, o crente não deve insistir que se aparte (vv.12-13). Segundo, Paulo diz que se a esposa deixar o marido, ela deverá ficar sem um novo casamento (v. 11). Isso de igual forma valerá para um marido que deixar a esposa.

Paulo não diz que o cônjuge crente deve divorciar-se ou se casar de novo, se o cônjuge descrente apartar-se. Em lugar disso ele sugere que permaneça sem contrair novo casamento (v. 11), sem dúvida na esperança de uma reconciliação. O ideal de Deus para o casamento é a união de um homem com uma mulher até a morte (1 Co 7:2; cf. Rm 7:1 -2). Portanto, enquanto houver esperança de reabilitação do casamento, os dois são obrigados a tudo fazer para tal fim. Isso está de pleno acordo com o que Jesus disse sobre a permanência do casamento (em Mateus 5:33 e em 19:7-9).



1 CORÍNTIOS 7:12 (cf. 7:40) - Como as palavras de Paulo podem ser inspiradas, se ele diz estar apenas dando a sua opinião?

PROBLEMA: Em duas passagens de 1 Coríntios (7:12, 40), o apóstolo Paulo parece dar a entender que ele estava escrevendo sob sua própria autoridade, não com a do Senhor. Primeiro ele diz: "Aos mais digo eu, não o Senhor" (l Co 7:12). E em 7:40 ele diz: "e penso que também eu tenho o Espírito de Deus", o que pode dar a entender que Paulo não está seguro quanto a ter o Espírito Santo. Como esses versículos poderão então harmonizar-se com a autoridade divina reclamada por Paulo erji suas epístolas? (cf. Gl 1:11-17; 2 Tm 3:16-17).

SOLUÇÃO: Primeiro, a respeito de 1 Coríntios 7:12, Paulo está referindo-se ao fato de que o Senhor não abordou diretamente essa questão quando ele falou do divórcio e do casamento (Mt 5:31-32; 19:4-12). Assim, Paulo aborda precisamente essa questão, dando a sua visão, com autoridade, quanto a uma esposa crente permanecer com um marido descrente.

Segundo, Paulo não tinha dúvida alguma quanto a possuir o Espírito Santo nessa questão, já que ele disse claramente: "também eu tenho o Espírito de Deus" (1 Co 7:40). Assim, essa passagem não pode ser usa-d; para mostrar que Paulo estaria dizendo não ter autoridade divina.

Finalmente, Paulo de modo claro afirmou sua autoridade divina nessa mesma carta, declarando o que ele escreveu como sendo "palavras... ensinadas pelo Espírito" (1 Co 2:13). De fato, ele conclui a carta dizendo "ser mandamento do Senhor o que vos escrevo" (14:37). Dessa for-m a, suas palavras no capítulo 7 devem ser consideradas em harmonia com essas enfáticas declarações.

1 CORÍNTIOS 8:4 - Se os ídolos nada são, por que Deus condena a idolatria?

PROBLEMA: Paulo afirma que "o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo". Contudo, a Bíblia repetidamente condena a idolatria (cf. Êx 20:4), e até mesmo Paulo disse que há demônios por trás dos ídolos (1 Co 10:19). Está ele então declarando que os demônios nada são?

SOLUÇÃO: Paulo não nega a existência de ídolos, mas simplesmente a cumplicidade de eles afetarem crentes maduros que comerem carne que lhes tenha sido oferecida (cf. 8:1). Não é a realidade dos ídolos, mas é a sua divindade que Paulo nega. O diabo realmente engana os idolatras (1 Co 10:19), mas ele não pode destruir a carne que Deus criou e que disse ser algo bom (Gn 1:31; 1 Tm 4:4), mesmo que alguém a tenha oferecido a um ídolo.

1 CORINTIOS 9:24 - Paulo encoraja, ou não, a corrida para obter um alvo espiritual?

PROBLEMA: Nesse texto, o apóstolo encoraja o crente a correr "de tal maneira que o alcanceis". Entretanto, em Romanos, Paulo nos informa de que "não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia" (9:16).

SOLUÇÃO: A primeira passagem está falando de galardões que realmente dependem de nossas obras (cf. 1 Co 3:1 lss e 2 Co 5:10), ao passo que a outra fala da salvação, a qual é pela graça e não por obras (Rm 4:5; Ef 2:8-9; Tt 3:5-7).

1 CORINTIOS 10:8 - Paulo cometeu um erro ao citar quantas pessoas morreram?

PROBLEMA: Paulo diz nesse versículo que 23.000 pessoas morreram. Em Êxodo 32:28, o número de pessoas referidas como tendo sido mortas é 3.000. Isso parece ser um erro.

SOLUÇÃO: Primeiro, em Êxodo 32:28 as pessoas foram mortas à espada, e as que Paulo menciona morreram pela espada e por causa de uma praga. Êxodo 32:35 diz: "Feriu, pois, o Senhor ao povo, porque fizeram o bezerro que Arão fabricara". Paulo dá o total incluindo os que foram mortos pela espada e pelo ferimento do Senhor (pela praga). Mas Êxodo 32:28 nos fornece apenas o número dos que foram mortos pela espada.

Segundo, alguns acham que o número de pessoas mortas que Paulo fornece relaciona-se com um relato de juízo ocorrido em Números 25:9, que diz terem sido mortas 24.000 pessoas. Isso pode ser respondido de duas maneiras. Primeiramente, a passagem de Números não dá um período de tempo específico dentro do qual tantas pessoas morreram, mas o apóstolo Paulo disse que 23.000 morreram num só dia. A passagem de Números, entretanto, não especifica quantos foram mortos num só dia, mas fornece o número total de mortes. Além disso, alguns estudiosos dizem que Paulo não se refere a Números, porque 1 Coríntios 10:7 cita Êxodo 32:6, enquadrando-se assim o contexto de 1 Coríntios com Êxodo 32:28.



1 CORINTIOS 11:5 - As mulheres deveriam usar véu enquanto oram?

PROBLEMA: Paulo insistiu que "toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça" (v. 5). Isso quer dizer que as mulheres devem usar véu na igreja hoje, ou isso é puramente cultural? E se for cultural, então como é que ficamos sabendo o que é e o que não é cultural?

SOLUÇÃO: Várias considerações vão trazer luz a esse difícil problema. Primeiro, precisamos fazer uma distinção entre o significado do texto e a sua significância. O significado éo que ele diz às pessoas naquela cultura, e a significância é como ele se aplica em nossa atual situação cultural. Não há dúvida alguma sobre o seu significado. O texto quer dizer exatamente o que ele diz. Quando as mulheres em Corinto retiravam o véu e oravam na igreja, elas desonravam sua cabeça (o marido, 11:3, 7, 9f 11). Naqueles dias, o véu era um símbolo do respeito da mulher para dom o seu marido. Em tal contexto cultural, era imperativo que a mulher usasse o véu na igreja, ao orar ou profetizar.

Segundo, há uma diferença entre mandamento e cultura. Os mandamentos das Escrituras são absolutos - a cultura é relativa. Por exemplo, são poucos os que acreditam que ainda se aplica para o dia de hoje a ordem que Jesus deu a seus discípulos de não levarem um par 4e sandálias a mais, em suas jornadas evangelísticas. E a maior parte c os cristãos literalmente não mais saúdam "todos os irmãos com beijo santo" (1 Ts 5:26, NVI). Nem acreditam que levantar "mãos santas" durante a oração seja essencial na oração em público (1 Tm 2:8).

Há um princípio por trás de cada um desses mandamentos que é ab-luto, mas sua prática não é. O que o crente deve fazer é absoluto, mas como fazê-lo é relativo, dependendo da cultura. Por exemplo, os cristãos devem cumprimentar-se um ao outro (isto é o "o que"); mas como cumprimentam-se é relativo a suas respectivas culturas. Em algumas culturas, como no NT, é com um beijo; em outras é com um abraço; e ainda em outras é com um aperto de mãos.

Muitos eruditos bíblicos acreditam que esse princípio é também verdadeiro a respeito do uso do véu. Isto é, que as mulheres, em todas as culturas e em qualquer tempo da história têm de demonstrar ter respeito para com seus maridos (o "o que"), mas "como" tal respeito deve ser evidenciado nem sempre precisa ser com um véu. Por exemplo, pode ser pelo uso de uma aliança de casamento ou por qualquer outro símbolo cultural.



1 CORINTIOS 11:14 - Como pode a natureza ensinar que é errado para o homem usar cabelo comprido, se o comprimento do cabelo é algo cultural?

PROBLEMA: Paulo fez a seguinte pergunta: "Não vos ensina a própria natureza ser desonroso para o homem usar cabelo comprido?" Mas o comprimento do cabelo de um homem é relativo à cultura e ao tempo em que ele vive. Não é algo que se saiba pela natureza.

SOLUÇÃO: Essa é uma passagem difícil, e os comentaristas não concordam entre si quanto ao seu sentido. Mas há duas maneiras pelas quais podemos entendê-la.

Entendendo a natureza subjetivamente. Nesse sentido, "natureza" denota sentimentos instintivos ou um sentido intuitivo quanto ao que seja apropriado. Isso certamente pode ser afetado por hábitos e práticas culturais. Se esse é o sentido da passagem, então a afirmativa de Paulo significa mais ou menos o seguinte: "Os vossos próprios costumes não vos ensinam que o cabelo comprido é desonroso para o homem?" Essa interpretação é difícil de se justificar, em termos do significado normal da palavra "natureza" (pliusis), a qual no NT tem um sentido muito mais forte do que "costumes" (cf. Rm 1:16; 2:14).

Entendendo a natureza objetivamente. Nesse sentido, "natureza" significa a ordem das leis naturais. Paulo fala do homossexualismo como sendo "contra a natureza" (Rm 1:26), e fala que os gentios têm conhecimento - do que é certo e do que é errado - "pela natureza", isto é, pela "lei escrita em seus corações" (Rm 2:15). Nesse sentido, ele está dizendo algo assim: "Até mesmo os pagãos, que não têm nenhuma revelação especial, ainda assim têm uma inclinação natural para distinguir os sexos por meio do comprimento do cabelo, as mulheres geralmente tendo um cabelo mais cheio e mais comprido".

Os seres humanos instintivamente distinguem os sexos de diversos modos, dos quais um é o comprimento do cabelo. Há exceções decorrentes da necessidade (saúde, segurança), da perversidade (homossexualismo) ou de uma prática de santidade (o voto de nazireu). Mas essas somente servem para provar a regra geral que se baseia na tendência natural de se diferenciar os sexos com base no comprimento do cabelo.

Com certeza, nenhum padrão absoluto do que seja um cabelo "comprido" estaria na mente de Paulo. Isso variaria de acordo com a cultura. O ponto principal era permitir a distinção entre os sexos. Foi por essa razão que o AT também proibiu o homem de vestir-se como a mulher (Dt 22:5), uma prática que daria margem a toda sorte de impropriedades, tanto de ordem social como moral.

1 CORINTIOS 12:31 - Se cobiçar é pecado, por que Paulo nos diz para cobiçarmos os melhores dons?

PROBLEMA: Um dos Dez Mandamentos nos diz: "Não cobiçarás..." (Ex 20:17). Contudo, Paulo encoraja os crentes da igreja cristã de Corinto a procurarem "com zelo os melhores dons" (l Co 12:31); isto não é uma cobiça?

SOLUÇÃO: "Procurar com zelo" é diferente de cobiçar; não significa "ter um forte desejo de possuir aquilo que é dos outros", o que é errado e proibido pela Lei.

1 CORÍNTIOS 15:5-8-Jesus apareceu somente a crentes?

PROBLEMA: Alguns críticos tentaram lançar dúvida quanto à validade d,a ressurreição de Cristo, insistindo que ele apareceu somente a crentes, mas nunca a incrédulos. Isso é verdade?

SOLUÇÃO: E incorreto declarar que Jesus não apareceu a incrédulos. Isso está claro por muitas razões. Primeiro, ele apareceu ao então maior dos que não criam em Jesus, Saulo de Tarso (At 9:lss). A Bíblia dedica uma boa parte de vários capítulos para contar essa história (At 9; 22; 26).

Segundo, até mesmo os discípulos de Jesus eram ainda descrentes c a ressurreição quando pela primeira vez ele lhes apareceu. Quando Maria Madalena e outros relataram que Jesus tinha ressuscitado, "tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas" (c 24:11). Mais tarde, Jesus teve de repreender os dois discípulos no caminho de Emaús quanto à descrença em sua ressurreição: "Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!" (Lc 24:25).

Mesmo depois de Jesus ter aparecido às mulheres, a Pedro, aos dois discípulos e aos dez apóstolos, ainda Tome disse: "Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos e ali não puser o meu dedo, e não puser a r unha mão no seu lado, de modo algum acreditarei" (Jo 20:25). Após a ressurreição, Tome dificilmente poderia ser considerado um crente.

Finalmente, além de aparecer aos seus incrédulos discípulos, Jesus apareceu também a alguns que não eram absolutamente discípulos. Ele apareceu ao seu irmão Tiago (1 Co 15:7), que, com seus outros irmãos, não era crente antes da ressurreição (Jo 7:5). Assim, é simplesmente falso afirmar que Jesus não apareceu a descrentes.



1 CORÍNTIOS 15:5-8 - Por que Jesus apareceu a apenas uns poucos?

PROBLEMA: Alguns críticos sugeriram que o fato de somente alguns terem visto Jesus após a ressurreição indica que ele necessariamente teria que estar invisível ao olho humano, materializando-se a algumas pessoas, em determinadas ocasiões. Mas isso é contrário à posição que tem s do tradicionalmente defendida pelos cristãos de que a ressurreição de Jesus foi literal e física.

SOLUÇÃO: Primeiro, Jesus não apareceu a apenas uns poucos. Ele apareceu a mais de 500 pessoas (1 Co 15:6), inclusive a muitas mulheres, a seus próprios apóstolos, a seu irmão Tiago e a Saulo de Tarso (que então era quem mais se opunha aos cristãos).

Segundo, Jesus não apareceu apenas em poucas ocasiões. Ele apareceu em pelo menos doze ocasiões diferentes, durante um período de quarenta dias (At 1:3) e em muitas localidades geográficas diferentes. (Veja o diagrama na questão sobre Mateus 28:9).

Terceiro, Jesus não permitiu que ninguém lançasse mãos sobre ele, mesmo antes de sua ressurreição. Numa ocasião, uma multidão descrente tentou pegá-lo para "o precipitarem abaixo. Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se" (Lc 4:29-30; cf. Jo 8:59; 10:39).

Quarto, mesmo antes de sua ressurreição, Jesus escolhia aqueles para quem Ele realizava milagres. Ele recusou-se a fazer milagres na sua terra natal "por causa da incredulidade deles" (Mt 13:58). Ele ainda desapontou Herodes, que esperava vê-lo praticar alguma maravilha (Lc 23:8). A verdade é que Jesus recusou-se a lançar pérolas aos porcos (Mt 7:6). Em submissão à vontade do Pai (Jo 5:30), Ele era soberano a respeito do que fazia, antes e depois da ressurreição. Mas isso de modo algum prova que Ele teria de necessariamente estar invisível e imaterial tanto antes como depois da ressurreição.



1 CORÍNTIOS 15:10 - Paulo se vangloriou, o que é contrário ao ensino das Escrituras?

PROBLEMA: Paulo vangloriou-se, quando declarou: "trabalhei muito mais do que todos eles". Em 2 Coríntios 11:16, Paulo até mesmo admitiu que estava se gloriando um pouco, declarando que em nada ele era inferior aos demais apóstolos (cf. 2 Co 12:11). Mas o próprio Paulo admitiu que a jactância é algo errado, e que "ninguém se vanglorie na presença de Deus" (1 Co 1:29). E Provérbios exorta: "Seja outro o que te louve, e não a tua boca" (Pv 27:2).

SOLUÇÃO: Antes de mais nada é importante notar que, quando vangloriou-se, Paulo admitiu: "O que falo, não o falo segundo o Senhor e sim como por loucura, nesta confiança de gloriar-me" (2 Co 11:17). Além disso, Paulo qualificava suas vanglorias com frases do tipo: "ainda que nada sou" (2 Co 12:11) e "não eu, mas a graça de Deus comigo" (1 Co 15:10) e sua motivação não era o louvor a si mesmo nem a autodefesa, mas a defesa e a difusão do Evangelho.

Finalmente, Paulo não se gloriou na carne. Ele se gloriou, porém, no Senhor e no privilégio de se humilhar e de ser perseguido por causa dele (2 Co 11:22ss). Tal tipo de "vangloria" está em perfeita harmonia com uma verdadeira humildade.



1 CORINTIOS 15:20 - Foi Jesus o primeiro, de todos os tempos, a ser ressuscitado de entre os mortos?

PROBLEMA: A Bíblia parece declarar que Cristo foi o primeiro de todos os que ressuscitaram de entre os mortos, chamando-o de "as primícias dos que dormem". Entretanto, há muitas outras ressurreições registradas na Bíblia, que aconteceram antes da ressurreição de Jesus, tanto no AT (cf. 1 Rs 17:22; 2 Rs 13:21) como no NT (cf. Jo 11:43-44; At 20:9). Gomo então a ressurreição de Jesus pode ter sido a primeira?

SOLUÇÃO: Quando Jesus retornou dos mortos, esta foi a primeira ressurreição real. Todas as demais foram simplesmente casos de ressuscitamento ou de revivificação de um corpo morto. Há cruciais diferenças entre a ressurreição e um simples ressuscitamento.

A ressurreição é para um corpo imortal, ao passo que o ressuscitamento é meramente a volta para o corpo mortal (cf. 1 Co 15:53). Isso quer dizer que Lázaro e qualquer outro que tenha ressuscitado dos mortos, que não Cristo, um dia vieram a morrer de novo. A ressurreição de Cristo foi a primeira que é referida como a de quem vive "pelos séculos dos séculos" (Ap 1:18).

Além disso, o corpo ressurreto tem certas qualidades sobrenaturais, não inerentes ao corpo mortal, tais como a possibilidade de aparecer e desaparecer da vista imediatamente (Lc 24:31) ou entrar num quarto fechado (Jo 20:19).

Finalmente, mesmo sendo a ressurreição mais que o ressuscitamento, ela implica também no revivificar o corpo, porém acrescido ce outras características. Corpos ressuscitados morrem de novo, mas o corpo ressurreto de Jesus é imortal. Ele conquistou a morte (Hb 2:14; 1 Co 15:54-55),ao passo que corpos que foram simplesmente revivificados um dia acabarão por ser conquistados pela morte. Entretanto, o fato de Jesus ter sido o primeiro a ressuscitar com um corpo imortal não significa que esse corpo que ascendeu seja imaterial. A ressurreição é muito mais do que reanimar um cadáver, embora isto também ocorra. Foi o mesmo corpo de "carne e ossos" ( .c 24:39) que ressuscitou.



1 CORÍNTIOS 15:29 - Quando Paulo falou de se batizar pelos mortos, ele não está contradizendo o ensino de que cada pessoa individualmente tem de crer?

PROBLEMA: Paulo disse: "que farão os que se batizam por causa dos mortos?" Isso parece dizer que, se alguém se batiza por uma pessoa morta, então esse morto é salvo. Mas isso está em total conflito com o claro ensino das Escrituras de que todos - que têm idade suficiente para entender - têm de crer por si mesmos para serem salvos (Jo 3:16; Sm 10:9-13; cf.Ez 18:20).

SOLUÇÃO: Essa é uma passagem obscura e isolada. Não é sábio basear nenhuma doutrina numa passagem assim. Antes, deve-se sempre usar as passagens claras das Escrituras para interpretar as que não são claras.

A Bíblia é enfática na questão de que o batismo não salva (veja os comentários de Atos 2:38). Somos salvos pela graça mediante a fé, não por obras (Ef 2:8-9; Tt 3:5-7; Rm 4:5). Além disso, nada podemos fazer para obter a salvação para outra pessoa. Cada um tem de pessoalmente crer (Jo 1:12). Cada pessoa tem de fazer a sua livre escolha (Mt 23:37; 2 Fe 3:9).

Os eruditos têm diferentes opiniões quanto ao que Paulo quis dizer nessa passagem. As seguintes interpretações são possíveis:

Alguns crêem que Paulo esteja se referindo a uma prática herética que havia entre os coríntios, que tinham ainda muitas outras falsas crenças (cf. 1 Co 5; 12). Com efeito, Paulo estaria dizendo: "Se vocês não acreditam na ressurreição, por que então se empenham na prática de se batizarem pelos mortos? Vocês são inconsistentes em suas próprias (falsas) crenças." Os que entendem assim pensam que, por ser tal prática do batismo pelos mortos — tão obviamente errada, Paulo nem precisou condená-la de modo explícito. Observam ainda que Paulo disse que "eles" (subentendido) se batizam por causa dos mortos; ele não disse que "nós" nos batizamos pelos mortos (v. 29).

Outros sugerem que Paulo está se referindo simplesmente ao fato de que o batismo de novos convertidos está suprindo as vagas deixadas pelos crentes que já morreram e foram estar com o Senhor. Se for isso, então o sentido dessa passagem será: "Por que vocês continuam a encher a igreja de novos convertidos, que são batizados, que tomam o lugar daqueles que já morreram, se vocês realmente não crêem que há esperança para eles além do túmulo?"

Ainda outros acham que Paulo está apontando o fato de que o batismo simboliza a morte do crente com Cristo (Rm 6:3-5). A palavra grega traduzida como "por causa dos" (eis) pode ter o sentido também de "com vistas a". Assim, ele estaria dizendo: "Por que vocês se batizam com vistas à sua morte e ressurreição com Cristo, se vocês nem mesmo crêem na ressurreição?"

Outros mais há que mostram que a preposição grega (huper) significa, como as versões de Almeida traduzem, "por causa dos" não no sentido de "pelos" mortos, mas expressando um ato feito "para os" que estão mortos. Eles se baseiam no fato de que Paulo diz: "Se, absolutamente, os mortos não ressuscitam, por que se batizam por causa deles?" (v. 29).

Como era comum no tempo do NT a pessoa ser batizada assim que recebia o Evangelho, o batismo era um sinal de sua fé em Cristo; portanto, Paulo estaria dizendo: "Por que ser batizado, se não há ressurreição? Por que batizar para ficar morto?" Pois mais tarde ele diz que se não há ressurreição, então "comamos e bebamos, que amanhã morreremos" (v. 32).

Qualquer que seja a correta interpretação, não há razão para acreditar que Paulo estivesse contradizendo o seu claro ensino feito em outras partes da Escritura, ou o ensino de toda a Bíblia, segundo o qual é patente que cada pessoa tem de, por sua livre vontade, receber ou rejeitar o dom gratuito de Deus, que é a salvação.

CORÍNTIOS 15:33 -Ao citar um poeta pagão como parte das Escrituras, Paulo não está assim proferindo que um texto pagão é também inspirado?

(Veja o segundo comentário de Tito 1:12.)



1 CORÍNTIOS 15:37 - Paulo está ensinando que o corpo ressurreto é diferente daquele que foi semeado - uma espécie de reencarnação?

PROBLEMA: De acordo com esse versículo, "[não semeamos] o corpo que há de ser". Alguns consideram que isso significa que o corpo ressurreto é um corpo diferente, um corpo "espiritual" (v. 44), que não é necessariamente material (veja os comentários de 1 Co 15:44). Isso então prova que não ressuscitaremos com o mesmo corpo físico de carne e ossos som que morremos?

SOLUÇÃO: Há de fato mudanças no corpo ressurreto, mas a mudança não é para um corpo não físico - não é para um corpo substancialmente diferente daquele que possuímos agora. A semente que vai para a terra produz mais sementes da mesma espécie, não sementes imateriais. É nesse sentido que Paulo pode dizer: "não semeias [não fazes morrer] o corpo que há de ser", já que ele é imortal e não pode morrer. O corpo ressuscitado é diferente por ser imortal (1 Co 15:53), não por ser um corpo imaterial. A respeito de seu corpo ressurreto, Jesus disse: "Sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" (Lc 24:39).

Há muitas razões para sustentar que o corpo ressurreto de Jesus, embora transformado e glorificado, é identicamente o mesmo corpo de carne e ossos que ele tinha antes da ressurreição. E como a ressurreição de nossos corpos será como a de Jesus (Fp 3:21), essa verdade é válida para a ressurreição do corpo do crente.

Observe estas características do corpo ressurreto de Jesus: (1) Era o mesmo corpo, com as cicatrizes da crucificação feitas nele antes da ressurreição (Lc 24:39; Jo 20:27). (2) Foi o mesmo corpo que, ressuscitando, deixou vazio o sepulcro (Mt 28:6; Jo 20:5-7; cf. Jo 5:28-29). (3) O corpo físico de Jesus não se degradou no túmulo (At 2:31). (4) Jesus disse que p mesmo corpo destruído será reconstruído (Jo 2:19-22). (5) O corpo imortal "reveste" o mortal, mas não o substitui (1 Co 15:53). (6) A planta que provém da semente é tanto genética como fisicamente ligada à semente. O que se semeia é o que se colhe (1 Co 15:37-38). (7) Era o mesmo corpo de "carne e ossos" (Lc 24:39), que podia ser tocado (Mt 28:9; Jo 20:27) e que podia comer alimentos físicos (Lc 24:41-42).

A "mudança" (1 Co 15:51) que ocorre na ressurreição, a que Paulo se refere, é uma mudança no corpo, não uma mudança de corpo. As mudanças na ressurreição são acidentais, não substanciais. São mudanças em qualidades secundárias, não em qualidades primárias. Trata-se da mudança de um corpo físico corruptível para um corpo físico incorruptível; de um corpo físico para um corpo não físico; de um corpo físico mortal para um corpo físico imortal. Porém não é a mudança de um corpo material para um não-material.



1 CORÍNTIOS 15:44 - O corpo ressurreto é material ou não material?

PROBLEMA: Paulo declara que o corpo ressurreto é um "corpo espiritual" (1 Co 15:44) mas um corpo espiritual não é material. Entretanto, outra parte da Bíblia declara que o corpo ressurreto de Jesus era feito de "carne e ossos"(Lc 24:39).

SOLUÇÃO: Um corpo "espiritual" é um corpo imortal, não um corpo imaterial. Um corpo "espiritual" é aquele que é dominado pelo espírito, não um corpo desprovido de matéria. A palavra grega pneumatikos (nessa passagem traduzida como "espiritual") significa um corpo dirigido pelo espírito, em oposição ao que está sob o domínio da carne. Ele não é governado pela carne que perece, mas pelo espírito que permanece (1 Co 15:50-58). Assim, "corpo espiritual" não significa corpo imaterial e invisível, mas imortal e imperecível. Isso é claro em vista dos seguintes fatos:

Primeiro, observe o paralelismo mencionado por Paulo:





CORPO ANTERIOR

À RESSURREIÇÃO

CORPO POSTERIOR

À RESSURREIÇÃO

Terrestre (v. 40)

Corruptível (v. 42)

Fraco (v. 43)

Mortal (v. 53)

Natural (v. 44)


Celestial

Incorruptível

Poderoso

Imortal


[Sobrenatural]

Todo o contexto indica que "espiritual" (pneumatikos) poderia ser traduzido por "sobrenatural" em contraste com "natural". Isto fica claro pelos paralelos de "corruptível" e "incorruptível", "mortal" e "imortal". Com efeito, esta mesma palavra grega (pneumatikos) é traduzida como "sobrenatural" em 1 Coríntios 10:4, que fala de uma rocha sobrenatural "que os seguia" no deserto.

Segundo, a palavra "espiritual"(pneumotikos) em 1 Coríntios refere-se a objetos materiais. Paulo falou da "rocha espiritual" que seguia Israel no deserto e eles "beberam da... fonte espiritual" (1 Co 10:4). A história no AT (Êx 17; Nm 20) revela que foi uma rocha física, produzida de modo sobrenatural, da qual eles literalmente obtiveram água para beber.

Jesus, em João 6, multiplica, de maneira sobrenatural, a quantidade de pães de modo a alimentar cinco mil pessoas. Embora se trata-se de pão literalmente material, poderia ter sido chamado de "pão espiritual", devido a sua origem sobrenatural. Com esse mesmo sentido, o maná oferecido a Israel pôde ser chamado de "manjar espiritual" (1 Co 10:3).

Além disso, quando Paulo falou sobre um "homem espiritual" (1 Co 2:15), obviamente não estava se referindo a alguém que fosse visível, imaterial, que não tivesse um corpo físico, mas sim a um homem de carne e osso cuja vida era vivida pelo poder sobrenatural e Deus e dirigida pelo Espírito. O homem espiritual é aquele que é ensinado pelo Espírito e que recebe as coisas que provêm do Espírito de Deus (1 Co 2:13-14).

O corpo ressurreto pode ser chamado de "corpo espiritual", no mesmo sentido em que chamamos a Bíblia de "livro espiritual". A despeito de sua origem e poder espirituais, tanto o corpo ressurreto como a Bíblia são feitos de matéria.



1 CORINTIOS 15:45 - Cristo, depois de sua ressurreição, passou a ser um espírito vivificante, ou obteve ele um corpo físico?

PROBLEMA: Paulo afirma aqui que Cristo foi feito "espírito vivificante" depois da sua ressurreição. Alguns têm até mesmo usando esta passagem para provar que o corpo ressurreto de Jesus não era físico.

SOLUÇÃO: Não é este o caso, por várias razoes.

Primeira, "espírito vivificante" não fala da natureza do corpo ressurreto, mas da origem divina da ressurreição. O corpo físico de Jesus veio de volta à vida somente pelo poder de Deus (cf. Rm 1:4). Assim, Paulo está falando de uma origem espiritual, não de sua substância física como corpo material (veja também os comentários de 1 Co 15:44).

Segunda, se "espírito" descrevesse a natureza do corpo ressurreto de Cristo, então Adão (com quem ele é contrastado) não teria uma alma, ja que ele é descrito como "formado da terra, terreno" (v. 47). A Bíblia, porém, diz com clareza que Adão era "uma alma vivente" (Gn2:7).

A terceira razão é que o corpo ressuscitado de Jesus é chamado de "corpo espiritual"(v. 44), sendo que esta palavra "espiritual", conforme discutido em 1 Coríntios 15:44, é a mesma palavra empregada por Paulo para descrever alimentos materiais e uma rocha física (1 Co 10:4).

Quarta, o corpo ressurreto, referido como "corpo" (Sõma), e relativo a um ser humano em particular, sempre indica tratar-se de um corpo físico.

Em resumo, o corpo ressurreto é chamado de "espiritual" e "espírito vivificante" porque provém do mundo espiritual, não porque sua substância é imaterial. O corpo ressurreto sobrenatural de Cristo do céu", assim como o corpo natural de Adão era "da terra" (v. 47). Mas da mesma forma como aquele que era "da terra" tem uma alma imaterial, também aquele "do céu" tem um corpo material.



1 CORÍNTIOS 15:50 - Se a carne e o sangue não podem entrar no céu, então como pode haver uma ressurreição física?

PROBLEMA: A Bíblia fala da ressurreição do corpo físico do túmulo (Jo 5:28-29), o qual é composto de "carne e ossos" (Lc 24:39), e que deixa um túmulo vazio com a ressurreição (Mt 28:6). Entretanto, de acordo com este versículo, "a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus".

SOLUÇÃO: Concluir, a partir desta frase, que o corpo ressurreto não será um corpo físico, de carne, não tem base bíblica. Em primeiro lugar, a frase seguinte, omitida na citação acima, indica claramente que Paulo está falando não da carne no corpo ressurreto, mas da carne que é corruptível: "nem a corrupção herdar a incorrupção" (v. 50). Paulo, portanto, não está afirmando que o corpo ressurreto não será de carne, mas que ele não será de carne corruptível.

Segundo, para convencer os discípulos, que estavam cheios de temor, de que cie não era um espírito imaterial (Lc 24:37), Jesus enfaticamente lhes disse: "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" (Lc 24:39). Pedro declarou que o corpo ressurreto era o mesmo corpo de carne que foi ao túmulo e que nunca viu a corrupção (At 2:31), o que também foi reafirmado por Paulo (At 13:35). João dá a entender, portanto, que seria ir contra Cristo negar que ele permanece "na carne" mesmo depois da sua ressurreição.

Terceiro, esta conclusão não pode ser invalidada por se declarar que o corpo ressurreto de Jesus era de carne e ossos, e não de carne e sangue, pois, se era de carne e ossos, tratava-se literalmente de um corpo material, tivesse ou não sangue. "Carne e ossos" acentua mais a solidez do corpo ressurreto de Jesus; são sinais mais claros de sua tangibilidade do que o sangue, que não pode ser tão facilmente visto ou tocado.

Quarto, a frase "carne e sangue" neste contexto aparentemente significa carne e sangue mortais, ou seja, um mero ser humano. Isto tem o suporte de empregos semelhantes dessa expressão no NT. Quando Jesus disse a Pedro: "Não foi carne e sangue que to revelaram" (Mt 16:17), ele não estava se referindo a tais substâncias existentes no corpo, o que obviamente não poderiam lhe ter revelado ser ele o Filho de Deus. Não, a interpretação mais natural de 1 Coríntios 15:50 parece ser que os seres hi manos, como agora são: terrenos e corruptíveis, não podem herdar o reino glorioso e celestial de Deus.





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