Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia


ROMANOS 1:19-20 - Os pagãos estão perdidos?



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Romanos




ROMANOS 1:19-20 - Os pagãos estão perdidos?

PROBLEMA: Jesus disse: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14:6). Também, Atos 4:12 diz a respeito de Cristo: "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos". Mas, e se alguém nunca ouviu o Evangelho de Cristo, estará ele eternamente perdido? Paulo parece responder a essa pergunta dizendo que sim. Mas é justo condenar as pessoas que nunca ouviram nada acerca de Cristo?

SOLUÇÃO: A resposta de Paulo é clara. Ele disse que os pagãos são "indesculpáveis" (1:20) porque "o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (1:19-20).

Dessa forma, os pagãos com justiça são condenados, por várias razoes. Primeiro, Romanos 2:12 afirma: "Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram, mediante lei serão julgados". Essa passagem ensina que o judeu é julgado pela Lei, as Escrituras hebraicas, mas o gentio é condenado pela "lei gravada no seu coração".

"Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os" (Rm 2:14-15, SBTB).

Segundo, a pergunta pressupõe inocência por parte do homem não salvo, que nunca ouviu o Evangelho. Mas a Bíblia nos diz que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3:23). Além disso, Romanos 1:18-20 diz que Deus se mostra claramente por meio da revelação natural, de forma que "tais homens são, por isso, indesculpáveis". Os seres humanos não são inocentes, tendo em vista a revelação natural de Deus.

Terceiro, se uma pessoa que nunca ouviu o evangelho na sua vida faz o melhor que pode, tal pessoa apenas está fazendo obras para a salvação. Mas a salvação é pela graça, "porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus" (Ef 2:8). De nenhuma maneira alguém pode fazer qualquer coisa para ter acesso ao céu. Se houvesse um jeito, então a obra de Cristo na cruz teria sido inútil.

Finalmente, um ponto importante é que a Bíblia diz: "buscai e achareis". Isto é, aqueles que buscarem a luz que têm na natureza, a qual não é suficiente para a salvação, encontrarão a luz de que necessitam para a salvação. Hebreus 11:6 diz: "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam". Atos 10:35 acrescenta: "pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável".

Deus tem muitas maneiras de fazer com que a verdade acerca da salvação por meio de Cristo chegue àqueles que o buscarem. Ele pode enviar um missionário (At 10) ou uma Bíblia (SI 119:130), pode dar-lhes uma visão (Dn 2; 7) ou enviar-lhes um anjo (Ap 14). Mas aqueles que derem as costas à luz que têm (pela natureza), e acharem-se perdidos nas trevas, não têm a quem culpar senão a si mesmos. Pois "os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más" (Jo 3:19).

ROMANOS 1:26 - Esse versículo quer dizer então que os homossexuais não devem ser heterossexuais, porque isso seria ir contra a natureza deles?

PROBLEMA: De acordo com alguns homossexuais, quando Paulo refutou o que é "contrário à natureza" em Romanos 1:26, ele não estaria declarando o homossexualismo como sendo algo moralmente errado, mas estaria dizendo apenas que ser heterossexual seria algo não natural para eles. "Não natural" teria um sentido sociológico, e não biológico. Assim, em vez de condenar as práticas homossexuais, argumenta-se que essa passagem na realidade as aprova para os homossexuais.

SOLUÇÃO: Quando a Bíblia declara que a prática homossexual é um ato "contrário à natureza" (Rm 1:26), ela está referindo-se à natureza biológica, e não à sociológica. Primeiro, o sexo é definido biologicamente nas Escrituras desde o princípio. Deus criou o ser humano como "homem e mulher" e então disse-lhes: "frutificai e multiplicai-vos" (Gn 1:27-28, SBTB). Essa reprodução somente seria possível se ele estivesse se referindo ao homem e à mulher biológicos.

Segundo, a orientação sexual é compreendida do ponto de vista biológico, e não sociológico, quando Deus disse: "por isso, deixa o homem piai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gn 2:24). Apenas um pai e uma mãe biológicos podem ter filhos; portanto a referência a "uma só carne" fala do casamento físico.

Terceiro, a passagem de Romanos diz que "começaram a cometer atos indecentes, homens com homens" (1:27, NVI). Isso com clareza indica que esse ato pecaminoso era de natureza homossexual.

Quarto, o que fizeram não era natural para eles, pois "mudaram o modo natural de suas relações" para relações não naturais (Rm 1:26). Assim, os atos homossexuais foram considerados não-naturais também para os homossexuais.

Quinto, desejos homossexuais são chamados também de "paixões infames" ou "paixões vergonhosas" (Rm 1:26, NVI). Assim, é evidente que Deus está condenando o pecado sexual praticado entre os que são do mesmo sexo biológico. Os atos homossexuais são contrários à natureza humana como tal, não apenas à orientação sexual de um homossexual.

ROMANOS 2:7 - A imortalidade é adquirida, ou já a possuímos?

PROBLEMA: Paulo fala que Deus dará vida eterna aos que "buscam... imortalidade" (NVI). Ele se refere também à sua aquisição na ressurreição (1 Co 15:53). Entretanto, Jesus ensinou que a alma é imortal, isto é, que ela não pode ser destruída pela morte (Lc 12:5). Paulo insiste ainda que a alma sobrevive à morte (2 Co 5:8; Fp 1:23; cf. Ap 6:9). Como é então: já possuímos a imortalidade, ou somente vamos adquiri-la na ressurreição?

SOLUÇÃO: A Bíblia reserva o termo "imortalidade" para os seres humanos no seu estado ressurreto. É algo adquirido, e não possuído antes da ressurreição, já que Jesus, que foi o primeiro a obter um corpo imortal ressurreto (1 Co 15:20), "trouxe à luz a vida e a imortalidade" (2 Tm 1:10) para o resto da humanidade.

Não obstante, o fato da imortalidade inclui a alma humana também, pois, como disse Jesus, a alma não é destruída pela morte física (Lc 12:5). Ela sobrevive à morte e vai ou para a presença de Deus (2 Co 5:8; Fp 1:23), se estiver salva, ou para o inferno, do qual terá plena consciência (Lc 16:22-26; Ap 19:20-20:15), se estiver perdida. Devido à alma (e/ou o espírito) não ser mortal, como é o corpo, é próprio dizer que a alma é imortal. Entretanto, a pessoa completa - alma e corpo - é ressuscitada para a imortalidade. Nesse sentido, a alma ganha imortalidade na ressurreição do corpo.

Entretanto, no sentido bíblico da vida eterna com um corpo imortal, os seres humanos não possuem imortalidade antes da ressurreição. Mesmo assim, somente Deus é intrinsecamente imortal (veja os comentários de 1 Timóteo 6:16); e a imortalidade que o homem tem provém de Deus.

ROMANOS 2:14-15 - Como aqueles que são por natureza pecadores podem guardar as leis da natureza de Deus?

PROBLEMA: Efésios 2:3 afirma que todos os homens são "por natureza, filhos da ira". Mas Paulo fala de gentios descrentes que "procedem, por natureza, de conformidade com a lei" (Rm 2:14). Essas duas situações parecem ser opostas entre si.

SOLUÇÃO: A passagem de Efésios está falando da causa das ações pecaminosas, ao passo que a de Romanos refere-se ao governo de nossas ações. A primeira relaciona-se com a nossa propensão ao pecado e a última, com a norma que define o que é pecado. Há uma diferença entre o que o homem é inclinado a fazer por sua natureza e o que ele deve fazer de acordo com a lei natural "gravada no seu coração" (Rm 2:15).

ROMANOS 5:12 - Essa afirmação implica que éramos apenas seres humanos em potencial antes do nosso nascimento, e não seres humanos reais?

PROBLEMA: De acordo com esse texto, "todos [os seres humanos] pecaram [em Adão]". Mas ainda não tínhamos nem mesmo sido concebidos, e muito menos nascido, quando Adão pecou. Portanto, não poderíamos estar na condição de seres humanos. Seríamos apenas seres humanos em potencial.

SOLUÇÃO: Por várias razões é evidente que esse texto não prova que os seres humanos que ainda não nasceram não são totalmente humanos. Primeiro, a passagem não está falando de um embrião no ventre, mas da maneira segundo a qual todos os homens estavam em Adão, o cabeça da raça humana.

Segundo, o fato de que todos nós estávamos genética, representativa ou potencialmente em Adão, e de que portanto tínhamos responsabilidade no seu pecado, revela que há uma corporalidade na natureza humana. Isto é, há uma unidade na humanidade, de forma a não se poder separar um membro de outro (cf. Rm 14:7), não importando onde cada um se localize.

Terceiro, o próprio fato de que todos somos declarados pecadores a partir da concepção (veja os comentários do Salmo 51:5), em virtude de estarmos em Adão, revela que o ser humano é considerado parte da verdadeira raça humana, não meramente um ser humano em potencial.

ROMANOS 5:14 - É justo o juízo sobre todas as pessoas por causa do pecado de Adão?

PROBLEMA: A morte veio a todas as pessoas por causa do pecado de Adão (Rm 5:12), mas Romanos 5:14 diz: "No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão" (SBTB). Mas se eles não pecaram, como Adão pecou, por que eles são responsabilizados?

SOLUÇÃO: Há dois tipos de pessoas que podem fazer parte dessa categoria (1) as criancinhas, e (2) aqueles que deliberadamente não desobedecem o preceito de Deus.

Primeiro, muitos eruditos bíblicos acreditam que os bebês e crianças que morrem antes da idade da responsabilidade moral irão para o céu. Isto baseia-se nos seguintes versículos: (1) Em 2 Samuel 12:23, quando aquela criança, filha de Davi, morreu, ele disse: "Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim". Isso implica que o bebê estava com o Senhor.



  1. No Salmo 139, Davi fala até mesmo de um bebê ainda não nascido como estando escrito no livro de Deus no céu (v.16).

  2. Isaías faz distinção entre aqueles que ainda não têm idade suficiente para "desprezar o mal e escolher o bem" (7:15), o que implica que eles não são moralmente responsáveis.

  3. Jesus acrescentou: "Se fósseis cegos, não teríeis pecado algum" 04 9:41).

  4. Paulo fala que o sacrifício de Cristo torna a todos justos (Rm 5:19), o que abrangeria até mesmo as criancinhas que tenham nascido em pecado (SI 51:5). (Veja também os comentários de 2 Samuel 12:23).

Segundo, como nosso representante todos nós pecamos [em Adão], e, em conseqüência, a culpa do pecado de Adão foi atribuída a todos nós. Mas a morte de Cristo cancelou isso e libertou a humanidade dessa culpabilidade (Rm 5:18-19). Mesmo assim, aqueles que atingem a idade da consciência moral são responsáveis pelo seu pecado pessoal e, portanto, com justiça condenados.

Assim, aqueles que não pecaram à semelhança de Adão, não obstante pecaram em Adão (Rm 5:12). Por isso é que a morte ainda reinou desde o tempo de Adão e Moisés. Romanos 2:14-15 afirma que os gentios, mesmo não tendo a Lei de Moisés, servem de lei para si mesmos. Eles têm a lei escrita em seu coração, e sua consciência testemunha os seus procedimentos. Os homens depois de Adão ainda são pecadores e responsáveis por suas ações.

Somente porque as pessoas não pecam à semelhança de Adão, não significa que elas não sejam pecadoras. Em outras palavras, isso não quer dizer que os homens não são responsabilizados por suas ações. O homem morre porque peca (Rm 6:23). Deus é justo em condenar o pecado, e é misericordioso em prover a salvação àqueles que a receberem.

ROMANOS 5:19 - Se todos são feitos justos por Cristo, por que não são todos salvos?

PROBLEMA: Os eruditos concordam que, pelo contraste feito por Paulo entre "um só" e "muitos" nesse versículo, estes "muitos" deve significar "todos". Porque diz também que "muitos" se "tornaram pecadores" pelo pecado de "um só" (de Adão), e Paulo já tinha concluído que "todos pecaram" [em Adão], uns poucos versículos antes (Rm 5:12). Mas já que todos "se tornaram pecadores" significa que todos de fato pecaram, então por que nesse mesmo versículo todos "se tornarão justos" não significa que todos serão salvos?

SOLUÇÃO: Há duas respostas que sintetizam essa questão: o universalismo e o particularismo. Isto é, aqueles que alegam que esse versículo é uma prova de que todas as pessoas acabarão sendo salvas e aqueles que crêem que apenas alguns serão salvos. Como a Bíblia claramente rejeita o universalismo (veja os comentários de Colossenses 1:20), vamos ater-nos aqui às duas colocações feitas pelos particularistas.

A posição potencial: Alguns eruditos acreditam que Paulo está se referindo simplesmente a que "muitos se tornarão justos", pela morte de Cristo, num sentido potencial. Isso significa que, pela cruz, todas as pessoas se tornam passíveis da salvação, mas que nem todas se salvarão. Os que defendem essa posição apontam para o fato de que o paralelo não é perfeito, pois nos "tornamos pecadores" em Adão sem a nossa livre escolha pessoal. Não obstante, não podemos nos tornar justos em Cristo se não aceitarmos, por nossa livre escolha, esse "dom" de Deus (5:16-17).

A posição judicial: De acordo com essa posição, todos os homens "se tornaram pecadores" no mesmo sentido de que "se tornarão justos", ou seja, judicialmente. Isto é, tanto Cristo como Adão foram nossos representantes legais. E como em Adão toda a humanidade que dele proveio tornou-se oficialmente pecadora perante Deus, não obstante, em Cristo todos se tornam oficialmente justos, embora não pessoalmente numa condição de fato. E assim como toda pessoa que atinge a idade da responsabilidade (veja os comentários de 2 Samuel 12:23 e Romanos 5:14) tem de pecar ela mesmo para tornar-se culpada, cada um precisa aceitar individualmente a Cristo para ser pessoalmente salvo.

Cristo removeu a culpa oficial e judicial que estava imposta à humanidade por causa do pecado de Adão. Isso não significa que todos estão de fato salvos, mas somente que não mais se acham legalmente condenados.



ROMANOS 8:3 -Jesus veio realmente num corpo humano de carne, ou apenas em sua semelhança?

PROBLEMA: Paulo afirma que Jesus veio "em semelhança de carne pecaminosa", mas não declara que ele é feito de carne humana, ainda que a Bíblia cite repetidamente o fato de Jesus ter sido encarnado em carne humana, ou seja, de ser verdadeiramente humano, não apenas semelhante a um humano.

SOLUÇÃO: Jesus não foi apenas semelhante aos homens - ele foi um homem. Ele não veio só em semelhança à carne humana, mas veio com um corpo de carne realmente humana. Nesse ponto as Escrituras são claras. João declarou: "E o Verbo [Cristo] se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1:14). Posteriormente ele advertiu que todo aquele que não confessa "que Jesus Cristo veio em carne" não é de Deus (1 Jo 4:2-3; cí 2 Jo 7). De igual forma, Paulo insistiu que "Deus se manifestou em carne" (1 Tm 3:16, SBTB).

Noutra parte, nesse mesmo livro, Paulo usa a expressão "semelhança" no sentido de "ser realmente como", não como apenas tendo a "aparência de ser como" (Rm 1:23; 5:14; 6:5). Assim, bem pode ser que Paulo não estivesse fazendo diferenciação entre "semelhança" e "tal como". Ou, quando Paulo afirmou (em Romanos 8:3) que Jesus veio "em semelhança de carne", talvez ele não estivesse se referindo à carne humana como tal, mas à "carne humana pecaminosa". Jesus tinha verdadeiramente carne humana, mas sua carne era apenas semelhante à carne humana pecaminosa, porque ele não tinha pecado (Hb 4:15; 1 Pe 3:18; 1 Jo 3:3).

De qualquer modo, em Filipenses 2, Paulo fala de Cristo ter-se tornado "em semelhança de homens", com o sentido de que ele era um ser humano (v. 7). Assim, mesmo sem o adjetivo "pecaminosa" (colocado após "carne" em 8:3), Paulo fala da "semelhança" aos homens como sendo o mesmo que "ser humano".

ROMANOS 8:26 - O nosso mediador é Cristo ou o Espírito Santo?

PROBLEMA: Em 1 Timóteo 2:5 vemos que "há... um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem". Mas Romanos 8:26 nos informa de que o Espírito Santo intercede por nós a Deus "com gemidos inexprimíveis". Como pode então ser Cristo o único mediador, se o Espírito Santo também se interpõe entre nós e Deus?

SOLUÇÃO: Cristo é o único mediador; o Espírito Santo é apenas um intercessor. Foi Cristo, e somente ele, que morreu por nossos pecados (Hb 1 :l-2), tornando possível a nossa reconciliação com Deus (2 Co 5:19). O Espírito Santo não morreu por nossos pecados; ele ora ao Pai em nosso favor, com base na obra redentora de Cristo. Além disso, a intercessão do Espírito Santo não é feita no céu, como a obra de Cristo é (1 Jo 2:1-2), mas é feita em nos. O Espírito que em nós habita intercede por nós ao Pai baseado na obra mediadora do Filho.

ROMANOS 8:30 - Todos os que foram chamados são salvos, ou apenas parte deles?

PROBLEMA: Paulo mostra que todos a quem Deus "chamou" também "justificou" e "glorificou" (Rm 8:30). Mas Jesus disse que "muitos são chamados, mas poucos escolhidos" (Mt 20:16).

SOLUÇÃO: A palavra "chamou" está sendo usada em sentidos diferentes. Isso não é algo incomum nas diversas línguas humanas. Considere, por exemplo, a seguinte sentença: "O suco da manga que ele saboreava caiu e manchou a manga da sua camisa". Obviamente a palavra "manga" está sendo usada em dois sentidos diferentes. Da mesma maneira, Paulo e Jesus estão empregando o verbo "chamar" com sentidos diferentes, o que pode ser evidenciado da seguinte maneira:


CHAMADA GERAL

CHAMADA ESPECIFICA

Chamada para a salvação

Chamada de salvação

Para todos os homens

Somente para crentes

Não efetiva

Efetiva para a salvação

Em resumo, quando Jesus referiu-se a que muitos são "chamados", ele estava falando de um convite geral para que todos viessem a crer. Paulo, entretanto, refere-se àqueles que receberam uma chamada específica de Deus, pela qual Deus leva os crentes à salvação. O primeiro caso é a chamada a todos para a salvação; o segundo é a chamada de salvação a alguns.



ROMANOS 9:13 - Como Deus poderia odiar Esaú, sendo ele um Deus de amor?

(Veja os comentários de Malaquias 1:3.)



ROMANOS 9:17 - Como poderia Faraó estar livre, se Deus endureceu o coração dele?

PROBLEMA: Deus disse a Faraó: "Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra" (Rm 9:17). Em cumprimento disso, está escrito que Deus endureceu o coração de Faraó (Êx 4:21; cf. Êx 7:3). Mas se Deus levantou Faraó e ainda endureceu o coração dele para realizar os seus propósitos divinos, então Faraó não está isento de responsabilidade em relação às ações que praticou?

SOLUÇÃO: Primeiro, Deus em sua onisciência sabia de antemão exatamente como o Faraó iria agir, e ele usou isso para realizar os seus propósitos. Deus prescreveu os meios da ação livre, porém teimosa, de Faraó, bem como o fim da libertação de Israel. Em Êxodo 3:19, Deus disse a Moisés: "Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir se não for obrigado por mão forte". Faraó rejeitou o pedido de Moisés e somente depois de dez pragas foi que finalmente ele deixou o povo ir.

Segundo, é importante notar que Faraó primeiramente endureceu o seu próprio coração. No início, quando Moisés aproximou-se de Faraó com vistas à libertação dos israelitas (Êx 5:1), Faraó respondeu: "Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel" (Êx 5:2).

A passagem que Paulo cita (em Romanos 9:17) é Êxodo 9:16, a qual, no contexto, refere-se à praga das úlceras, a sexta praga. Mas Faraó endurecera o seu coração antes de Deus afirmar o que afirmou. Somente porque Deus levantou Faraó, isso não quer dizer que Faraó não seja responsável por suas ações.

Terceiro, Deus usa a injustiça dos homens para mostrar a sua glória. Deus ainda considera Faraó responsável, mas no processo do endurecimento do seu coração o Senhor usou Faraó para manifestar a sua grandeza e glória.

Deus às vezes faz uso de atos maus para obter bons resultados. A história de José é um bom exemplo disso. José foi vendido por seus irmãos, e mais tarde tornou-se o governante do Egito. Lá ele salvou muitas vidas durante o tempo de fome. Quando mais tarde ele se revelou aos seus irmãos e os perdoou, ele disse: "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida " (Gn 50:20). Deus pode usar atos perversos para manifestar a sua glória (veja também o que é exposto sobre Êxodo 4:21).

ROMANOS 10:5 - Cumprir a lei traz vida?

PROBLEMA: Paulo parece dizer que cumprir a lei traz vida, quando ele cita Levítico (18:5): "o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela" (Rm 10:5). Mas em outra passagem o próprio Paulo a c lama de "lei do pecado e da morte" (Rm 8:2). Ele afirma categoricamente: "o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte" (Rm 7:10).

SOLUÇÃO: Cumprir a lei não traz a vida da salvação a ninguém. Nisso a Bíblia é clara como um cristal. Paulo disse aos gálatas: "se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente de lei" (Gl 3:21). Ele acrescentou: "ninguém será justificado diante dele por obras da lei" (Rm 3:20). Pois "pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo vivera' pela fé" (Gl 3:11).

Como entender então aquelas passagens que parecem dizer que a lei trará vida? Elas têm de ser entendidas sob o enfoque de uma condição hipotética, não como uma realidade. Teoricamente, aquele que cumprisse a lei de forma perfeita seria perfeito, mas na realidade ninguém consegue fazer isso. Pois "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3:23). E "qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos" (Tg 2:10). Para resumir: cumprir a lei traz vida?




SIM

NÃO

Hipoteticamente
Teoricamente
Se for cumprida

Na realidade
Na prática
Ma não há quem a cumpra



ROMANOS 11:26-27 - Como pode haver um futuro para a nação de Israel, já que eles rejeitaram o Messias?

PROBLEMA: A nação de Israel evidentemente rejeitou Cristo como seu Messias (Rm 9-10; cf. Jo 1:10-11), e a Bíblia diz que as promessas de Abraão vão para a sua descendência espiritual, não para os seus descendentes segundo a carne (Rm 4; Gl 3). Por que então Romanos 11 fala de um futuro para a nação de Israel?

SOLUÇÃO: Abraão tem tanto uma descendência espiritual como uma literal. Todo aquele que crê em Cristo pode tornar-se um herdeiro espiritual da promessa de justificação (Rm 4; cf. Gn 15), porque Cristo veio da semente de Abraão (Gl 3:16).

Entretanto, há promessas também para os que são literalmente descendentes de Abraão, os judeus, as quais ainda não foram cumpridas por completo. Por exemplo, Deus prometeu incondicionalmente que os descendentes (na carne) de Abraão herdariam a terra da Palestina para sempre (Gn 12:1-3; 13:15-17; 15:7-21; 17:8). Apenas por um curto tempo na história de Israel eles herdaram essa terra (Js 11:23), mas Deus a deu a eles por um juramento incondicional (cf. Gn 15:7-21), "para sempre"(Gn 13:15) e em "possessão perpétua" (17:8). Como Deus não pode quebrar uma promessa incondicional (Hb 6:17-18; 2 Tm 2:13), essa promessa ainda está por ser cumprida para a nação de Israel.

Em Romanos 9-11, Paulo está falando dos que são literalmente descendentes de Abraão, os israelitas. Ele os chama de "meus parentes segundo a carne; que são israelitas" (Rm 9:3-4, SBTB) e de "Israel" (Rm 10:1, SBTB, R-IBB, EC). Esse mesmo grupo nacional (Israel), que foi temporariamente excluído, será de novo enxertado na árvore, e todo o Israel será salvo" (Rm 11:26).

Jesus falou acerca desse tempo em Atos 1, quando os discípulos lhe perguntaram: "Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?" (At 1:6). Sua resposta não foi uma repreensão severa por não compreenderem as Escrituras, mas uma palavra firme de que apenas o Pai sabe os "tempos ou épocas" em que tais coisas ocorrerão (v. 7).

Anteriormente Jesus havia falado da regeneração, dizendo que, quando "o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também [vós, os que me seguistes,] vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel" (Mt 19:28). De fato, no último livro da Bíblia, o apóstolo João falou de Deus resgatando da tribulação "cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel" (Ap 7:4).

Assim, tudo corrobora para que creiamos que Deus honrará o seu pacto incondicional com Israel, de dar-lhe a terra da Palestina para sempre.






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