Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia


JOÃO 1:1 - Jesus é Deus ou apenas um deus?



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João




JOÃO 1:1 - Jesus é Deus ou apenas um deus?

PROBLEMA: Os cristãos crêem que Jesus é Deus, e com freqüência citam essa passagem para provar isso. Entretanto, as Testemunhas de Jeová traduzem esse versículo assim: "e o Verbo (Cristo) era um deus", porque rio grego não há um artigo definido ("o") antes da última palavra.

SOLUÇÃO: No grego, quando o artigo definido é usado, normalmente e3e destaca o indivíduo e, quando não, a referência é à natureza daquilo que é indicado. Assim, esse versículo poderia ser traduzido "e o Verbo era da natureza de Deus". A completa deidade de Cristo tem o suporte não somente no uso dessa mesma construção, em geral, mas também em outras referências a Jesus como Deus, em João (cf. 8:58; 10:30; 20:28) e no restante do NT (cf. Cl 1:15-16; 2:9; Tt 2:13).

Além disso, alguns textos do NT usam o artigo definido e falam de Cristo como "o Deus". Portanto, não importa se João empregou ou não o artigo definido - a Bíblia claramente ensina que Jesus é Deus, não apenas um deus (cf. Hb 1:8).

E que Jesus é Jeová (Yahveh), isso está claro pelo fato de o NT atribuir a Jesus características que no AT se aplicam somente a Deus (cf. Jô 19:37 e Zc 12:10).

JOÃO 1:18 - Por que João diz que ninguém jamais viu a Deus, se outros versículos declaram que veremos a Deus?

PROBLEMA: Por um lado a Bíblia declara que ninguém pode ver a Deus, mas por outro ela diz: "Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus" (Mt 5:8). Diz também que os servos do Senhor "contemplarão a sua face" (Ap 22:4) e ainda que "haveremos de vê-lo como ele é"(ljp3:2).

SOLUÇÃO: Os versículos que ensinam que ninguém pode ver a Deus referem-se ao homem mortal nesta vida. Até mesmo a Moisés foi recusado esse privilégio (Êx 33:23). O homem mortal não tem condições para ser exposto assim. Entretanto, o que o mortal não pode ver nesta vida, o homem imortal verá na próxima vida (1 Co 13:12; Ap 22:4).

Isso é conhecido como a visão beatífica (bem-aventurada), e será o clímax espiritual do crente ao ver a Deus face a face, ao conhecê-lo diretamente em sua essência e não meramente de forma indireta, como reflexo através das coisas criadas (Rm 1:18-20).



JOÃO 1:18 - Somente Jesus é o Filho de Deus?

PROBLEMA: Jesus é chamado de "o Filho unigênito" (SBTB) nesse versículo. Contudo, num dos versículos anteriores João nos informa de que pela fé podemos ser feitos "filhos de Deus" (1:12). Se somos filhos de Deus, como Jesus pode ser o unigênito (o único Filho) de Deus?

SOLUÇÃO: Há uma gigantesca diferença entre os sentidos das expressões "Jesus é o Filho de Deus" e "nós somos filhos de Deus". Primeiro, ele é o único Filho de Deus; eu sou apenas um filho de Deus. Ele é o Filho de Deus com "F" maiúsculo; os seres humanos podem tornar-se filhos de Deus somente com "f" minúsculo.

Jesus é o Filho de Deus pelo direito eterno de herança (Cl 1:15); nós somos filhos de Deus apenas por adoção (Rm 8:15). Ele é o Filho de Deus porque é Deus por sua própria natureza (Jo 1:1), ao passo que nós tão-somente fomos feitos à imagem de Deus (Gn 1:27) e refeitos "segundo a imagem daquele" que nos criou, por meio da redenção (Cl 3:10).

Jesus é de Deus por sua própria natureza; nós apenas procedemos de Deus. Ele é divino pela sua própria natureza, mas nós apenas participamos dela por meio da salvação (2 Pe 1:4). Podemos ser co-participantes da natureza divina apenas no que diz respeito aos seus atributos morais (como santidade e amor), não no tocante aos seus atributos não-morais (como infinidade e eternidade). Em resumo, as diferenças são:


JESUS COMO

O FILHO DE DEUS

HOMENS COMO

FILHOS DE DEUS

Filho natural

Filhos adotivos

Sem começo

Com começo

Criador

Criatura

Deus por natureza

Não divinos por natureza



JOÃO 1:33 - João Batista conhecia Jesus antes do batismo dele, ou não?

PROBLEMA: Antes do batismo de Jesus, João disse categoricamente: "Eu não o conhecia". Entretanto, em Mateus 3:13-14 João reconheceu Jesus antes de o batizar e disse: "Eu é que preciso ser batizado por ti".

SOLUÇÃO: João pode ter conhecido Jesus antes do batismo somente pela reputação que ele tinha, não por reconhecimento. Ou, talvez o conhecesse apenas por apresentação, mas não por manifestação divina. Afinal de contas, Jesus e João Batista eram parentes entre si (Lc 1:36), muito embora tivessem sido criados em lugares diferentes (Lc 1:80; 2:51).

Entretanto, embora João possa ter tido anteriormente algum contato familiar com Jesus, ele nunca o conhecera como Jesus foi revelado em seu batismo, quando o Espírito desceu sobre ele e o Pai falou-lhe do céu (Mt 3:16-17). O contexto indica que, até o seu batismo, realmente ninguém conhecia Jesus da forma como Ele então seria "manifestado a Israel" (Jo 1:31).



JOÃO 1:37-49 - Os apóstolos foram chamados nesse tempo ou depois?

PROBLEMA: João registra que Jesus chamou André, Pedro, Filipe, Natanael e outro discípulo nesse tempo. Entretanto, os outros Evangelhos registram que o seu chamado ocorreu bem depois (cf. Mt 4:18-22; Mc 1:16-20; Lc 5:1-11). Quando eles foram chamados?

SOLUÇÃO: Essa primeira passagem nos mostra uma entrevista inicial de Jesus com aqueles discípulos, não a sua chamada permanente. Em decorrência desse primeiro contato, eles permaneceram com Jesus somente "aquele dia" (Jo 1:39), depois do que retornaram a seus lares e a seu trabalho normal.

As outras passagens referem-se ao tempo em que eles deixaram o trabalho anterior que possuíam e assumiram o ministério em tempo integral como discípulos de Cristo.



JOÃO 3:3 - Jesus ensinou a reencarnação, ao falar sobre "nascer de novo"?

PROBLEMA: Tradicionalmente os cristãos acreditam que a Bíblia não ensina a doutrina da reencarnação (cf. Hb 9:27). Entretanto, muitos grupos usam esse versículo (J° 3:3) para defender sua posição de que Jesus ensinou ser necessária a reencarnação.

SOLUÇÃO: O que Jesus está ensinando nessa passagem não é a reencarnação, mas a regeneração. Vários fatos há que tornam isso bem claro. PHmeiro, a doutrina da reencarnação ensina que, depois que a pessoa morre, ela entra em outro corpo mortal para viver nesta terra de novo; e que esse processo se repete vez após vez, num ciclo praticamente interminável de nascimentos, mortes e reencarnações. Se Jesus estivesse advogando a reencarnação, ele teria dito: "se alguém não nascer de novo, e de novo, e de novo ..."

Segundo, a doutrina da reencarnação ensina que a pessoa morre vez após vez até alcançar a perfeição (Nirvana). Entretanto, a Bíblia ensina claramente que "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo" (Hb 9:27).

Terceiro, nos versículos que seguem à sua palavra, Jesus explica o que ele quis dizer com nascer de novo. Jesus disse: "Quem não nascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus" (Jo 3:5). Embora os comentaristas discordem a respeito do significado de "água" nesse versículo (veja os comentários de João 3:5), todos eles concordam que esses versículos não têm nada que ver com a reencarnação. Ser nascido de novo, então, é ser purificado de nossos pecados, e receber a vida de Deus pelo Espírito de Deus (Rm 3:21-26; Ef 2:5; Cl 2:13).

JOÃO 3:5 - Esse versículo ensina que a regeneração é pelo batismo?

PROBLEMA: Jesus disse a Nicodemos que "quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus". Isso quer dizer que é necessário ser batizado para ser salvo?

SOLUÇÃO: O batismo não é necessário para a salvação (veja os comentários de Atos 2:38). A salvação é pela graça, mediante a fé, e não por obras de justiça (Ef 2:8-9; Tt 3:5-6). Mas o batismo é uma obra de justiça (cf. Mt 3:15). O que então Jesus queria dizer quando se referiu a "nascer da água"? Há três modos principais de entender isso, dos quais nenhum envolve a regeneração por meio do batismo.

Alguns crêem que Jesus está falando da água do ventre materno, já que "o ventre materno" acabava de ser mencionado no versículo anterior. Sendo assim, ele estaria então dizendo: "Quem não nascer uma vez da água (no nascimento físico) e então de novo do Espírito, no nascimento espiritual, não pode ser salvo".

Outros consideram que "nascer da água" refere-se à "lavagem de água pela palavra" (Ef 5:26). Eles observam que Pedro refere-se a sermos "regenerados [nascidos de novo] ... mediante a palavra de Deus" (1 Pe 1:23), referindo-se assim exatamente à mesma coisa que João aborda nesses versículos (cf. Jo 3:3,7).

Ainda outros pensam que "nascer da água" refere-se ao batismo de João mencionado anteriormente (Jo 1:26). João disse que ele batizava com água, mas que Jesus batizaria com o Espírito Santo (Mt 3:11), dizendo: "arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mt 3:2). Se é esse o significado, então quando Jesus disse que eles teriam de "nascer da água e do Espírito" (Jo 3:5), ele queria dizer que os judeus de então teriam de ser batizados com o batismo do arrependimento por João e também que mais tarde teriam de ser batizados com o batismo do Espírito Santo, para que então pudessem "entrar no reino de Deus".



JOÃO 3:13 - Como pôde Jesus dizer que ninguém subiu ao céu, se Elias subiu?

PROBLEMA: Jesus declarou nesse texto que "ninguém subiu ao céu ..." Entretanto, o AT registra a ascensão de Elias ao céu num carro de fogo (2 Rs 2:11).

SOLUÇÃO: Nesse contexto, Jesus está demonstrando o seu conhecimento superior acerca das coisas celestiais. Em essência ele está dizendo: “Nenhum outro ser humano pode falar com base num conhecimento de primeira-mão acerca dessas coisas, como eu posso, já que descido ". Ele está declarando que ninguém subiu ao céu para trazer de volta a mensagem que ele trouxe. De forma alguma ele está negando que qualquer outra pessoa esteja no céu, como Elias ou Enoque (Gn 5:24). Não, Jesus está simplesmente declarando que ninguém na terra foi ao céu e depois retornou com uma mensagem tal como a que Ele lhes dava.

JOÃO 3:17 - Jesus veio julgar o mundo ou não?

PROBLEMA: De acordo com esse versículo, "Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele". E depois acrescentou: "eu a ninguém julgo" (Jo 8:15; cf. lí:47). Entretanto, em outras passagens, Jesus reivindicou ter "autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem" (Jo 5:27). De fato, ele alé mesmo disse: "Eu vim a este mundo para julgamento" (Jo 9:39, NVI) e "o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento" (Jo5:22).

SOLUÇÃO: Esses versículos referem-se a diferentes contextos e expressam diferentes significados. Em geral, as referências a Jesus sentado julgando a raça humana dizem respeito à sua segunda vinda (veja Ap 19-20), ao passo que os versículos que dizem que ele não veio para julgar, mas p4ra salvar, têm em vista a sua primeira vinda. Às vezes Jesus está simplesmente falando acerca de não agir como um juiz deste mundo durante a sua vida na terra. Foi assim no caso da resposta que ele deu ao homem que queria que ele arbitrasse uma herança familiar: "Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?" (Lc 12:14).

Outra diferença que esclarece algumas dificuldades é encontrada entre o real propósito da vinda de Cristo (para salvar os que crêem) e o efeito resultante disso (julgar aqueles que não crerem). A sua afirmativa – “Eu vim a este mundo para julgamento" (Jo 9:39, N VI) - parece enquadrar-se nesta última categoria (cf. v. 40).



JOÃO 4:26 - Por que Jesus confessou ser o Messias, mas evitou fazê-lo em outras ocasiões?

PROBLEMA: Nos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), Jesus parecia fazer todo o possível para evitar ter de dizer que ele era o Messias judaico. Ele preferia perguntar aos seus discípulos em particular (Mt 16:13), e às vezes exortava as pessoas que descobriam isso a "não dizer a ninguém" (veja os comentários de Mateus 16:20). Contudo, a mulher samaritana disse: "eu sei... que há de vir o Messias, chamado Cristo" (Jo 4:25). Jesus prontamente respondeu, sem que ninguém o forçasse: "Eu o sou, eu que falo contigo" (v. 26).

SOLUÇÃO: Jesus estava em Samaria, não na Judéia. Os judeus dos dias de Jesus tinham um conceito distorcido a respeito do Messias, ou seja, tinham-no como alguém que os libertaria da opressão política de Roma. Nesse contexto, Jesus era bem mais cauteloso, encobrindo um pouco suas reivindicações, de forma a fazer com que os seus discípulos gradualmente fossem tendo um conceito mais espiritual daquele que vinha para redimir o seu povo (cf. Lc 19:10; Jo 10:10).

De fato, este é o motivo por que Jesus falou com tanta freqüência por parábolas, de forma que aqueles que estavam buscando verdadeiramente entenderiam, mas aqueles que tinham um falso conceito ficariam confusos (veja Mt 13:13). E por isso que, quando realizava milagres, algumas vezes ele exortava a pessoa a não contar a ninguém, porque não queria ser abordado por uma multidão de curiosos.

Com efeito, Jesus repreendeu aqueles que, vendo-o multiplicar os pães, quiseram fazê-lo rei (Jo 6:15), declarando-lhes que eles o seguiam "não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes" (v. 26). Entretanto, em Samaria, onde esse falso conceito judaico de um libertador político do domínio romano, que podia alimentar as multidões, não prevalecia, Jesus não hesitou em declarar que de fato ele era o verdadeiro Messias. Além disso, ele disse isso apenas a uma mulher samaritana, particularmente, não às multidões de judeus na Judéia.

Não obstante, Jesus declarou ser o Messias em público também, na Judéia e perante os judeus. Entretanto, geralmente sua declaração era mais encoberta, procurando fazer com que eles mesmos viessem a descobrir quem ele era. Todavia, quando a situação não era nada boa, e tornou-se necessário que Ele se declarasse diante do sumo sacerdote, Jesus explicitamente respondeu à pergunta: "És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?" com a declaração: "Eu sou [o Cristo]" (Mc 14:61-62; cf. Mt 26:64; cf.Lc 22:70).



JOÃO 5:28-29 - Jesus advoga a salvação pelas obras?

PROBLEMA: Jesus diz que vem a hora em que as pessoas em seus túmulos "ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (Jo 5:29). Isso parece estar em clara oposição à salvação pela graça (cf. Ef 2:8-9).

SOLUÇÃO: Primeiro, Jesus não crê na salvação por obras. No início do Evangelho, João escreveu: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1:12-13). Jesus disse em João 3:16-18:
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.


Além disso, em João 5:24, Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida". Essas passagens deixam bem claro que Jesus não ensinou a salvação pelas obras.

Segundo, a referência que Jesus fez a boas obras em João 5:28-29 é a respeito das obras que ocorrem depois da salvação pela fé. Para ser salvo, precisa-se da graça de Deus (Ef 2:8-9), mas a fé autêntica expressa-se por meio das boas obras (v. 10).

O apóstolo Paulo, referiu-se, em Romanos, a algo bastante semelhante ao que Jesus dissera em João 5:28-29. Ele disse que Deus "retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça" (Rm 2:6-8). Mas Paulo escreveu também: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus" (Ef 2:8).

Na passagem de Romanos, ele não está falando de quem obtém a vida eterna pela fé, mas da pessoa que demonstra essa vida por meio de suas boas obras. Em Efésios, Paulo está falando que ninguém pode ser salvo por obras anteriores à salvação. (Veja também os comentários de Tg2:21.)

Assim, Jesus não contradiz a si mesmo nem ao resto das Escrituras no que concerne à questão da salvação. Aqueles que recebem a ressurreição da vida demonstraram a sua fé salvadora por meio de suas obras.

JOÃO 5:31 - O testemunho que Jesus deu de si mesmo era verdadeiro ou falso?

PROBLEMA: Em João 8:14, Jesus disse: "Ainda que eu dou testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro" (R-IBB). Mas em João 5:31, ele parece dizer o oposto, a saber: "se eu testifico a respeito de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro".

SOLUÇÃO: Há dois modos de entender esse versículo: hipotética ou fatualmente. Na primeira interpretação, Jesus está dizendo em essência: "Mesmo que você não aceite o meu testemunho a meu respeito, você deve aceitar o de João Batista, em cujo ministério você se regozijou" (cf. 5:32).

Outros tomam o versículo como sendo declarativo, não hipotético, afirmando que ambos os textos são verdadeiros, mas com sentidos diferentes. Isto é, tudo o que Jesus disse era de fato verdade, mas oficialmente só seria considerado verdade se fosse verificado por "duas ou três testemunhas"(Dt 19:15).

Desde que Jesus era a "verdade" encarnada (Jo 14:6), tudo o que disse era verdade. Entretanto, como ele tem como objetivo estabelecer as suas reivindicações nos judeus, Jesus observa que eles não precisam aceitar tão-somente as suas palavras, mas também o testemunho das Escrituras e o do Pai. A diferença entre essas duas passagens pode ser esquematizada como segue:


O TESTEMUNHO DE JESUS

ERA VERDADEIRO

O TESTEMUNHO DE JESUS NÃO ERA VERDADEIRO

Fatualmente

Pessoalmente

Em si mesmo


Oficialmente

Legalmente

Para os judeus




JOÃO 5:34 - Jesus aceitou o testemunho humano sobre quem ele era?

PROBLEMA: Segundo esse versículo, Jesus rejeitou o testemunho humano sobre si mesmo, insistindo: "Eu... não aceito humano testemunho". Mas em outra parte ele aceitou o testemunho de Pedro de que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16:16-18). De fato, até mesmo no livro de João (Jo 15:27), Jesus disse a seus discípulos: "e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio".

SOLUÇÃO: A diferença entre essas afirmações é devida às circunstâncias do testemunho. Ele não aceitou um mero testemunho humano para confirmar quem ele era, mas de fato o aceitou para propagar quem ele era. Deus, por atos miraculosos, confirmou quem era Jesus (cf. At 2:22; Hb 2:3-4), e não os seres humanos. Por outro lado, quando os homens descobriam o que Deus tinha revelado, o testemunho deles era válido.

Mesmo depois da grande confissão de Pedro, Jesus o fez lembrar-se de que "não foi carne e sangue que to revelaram"(Mt 16:17). A questão pode ser resumida da seguinte maneira:




O TESTEMUNHO HUMANO NÃO PODIA

O TESTEMUNHO HUMANO PODIA

Revelar quem era Jesus

Confirmar quem ele era

Provar quem ele era



Descobrir quem era Jesus

Disseminar quem ele era

Propagar quem ele era







JOÃO 5:37 - A voz de Deus pode ser ouvida?

PROBLEMA: Jesus declarou aos judeus: "Jamais tendes ouvido a sua [de Deus] voz, nem visto a sua forma". Contudo, a voz de Deus foi ouvida muitas vezes no AT (cf. 1 Sm 3:4-14), e o Pai falou do céu três vezes durante o ministério terreno de Jesus (Mt 3:17; 17:5; Jo 12:28).

SOLUÇÃO: Há várias interpretações dessa passagem. Primeiro, alguns defendem que Cristo estava simplesmente referindo-se à multidão a quem ele estava ministrando, dessa forma não excluindo o fato de a voz de Deus ter sido ouvida por outros. Entretanto, isso parece ser improvável em vista da devastadora palavra "jamais", bem como pelo fato de que Jesus parece estar-se dirigindo à nação judaica em geral, que o rejeitou (cf. Jo 1:10-11; 5:39; 12:37).

Segundo, outros crêem que Jesus está contrastando o estado do conhecimento deles com o dos profetas do AT, que ouviram a voz de Deus e viram a sua forma (manifestada em teofanias). Sendo assim, a incapacidade de eles compreenderem a voz de Deus era devida ao fato de que e eles não estavam querendo responder a ela (Jo 5:40).

Terceiro, muitos eruditos sustentam que nessa questão há uma referência a eles não atentarem para a singular ou interior voz de Deus falando a seus corações, já que eles não estavam receptivos a sua Palavra (c . 1 Co 2:14). Isso está de acordo com o fato de que eles podiam examinar as Escrituras (Jo 5:39) e mesmo assim não receber a sua mensagem principal, que é Cristo. Além disso, a referência ao testemunho do Pai a respeito de Jesus (no v. 37) pode ser uma referência à voz do céu no batismo de Jesus, a qual, da mesma maneira como a voz posterior do céu (em Jo 12:28), eles não receberam, considerando-a como um "trova^" (Jo 12:29).

JOÃO 6:35 - Por que as afirmações de Jesus do tipo "eu sou" são mencionadas apenas em João?

PROBLEMA: João menciona numerosas vezes que Jesus disse "Eu sou" (por exemplo, Jo 6:35; 8:58; 10:9; 14:6). Contudo, nem mesmo uma dessas afirmações é mencionada em qualquer dos demais Evangelhos. Será que João as inventou, ou Jesus de fato as fez?

SOLUÇÃO: João relatou com precisão o que viu e ouviu. Primeiro, ele foi uma testemunha ocular daqueles eventos 0o 21:34; cf. 1 Jo 1:1). O seu Evangelho está cheio de detalhes geográficos (3:23), topográficos (6:10) e de conversas particulares que denunciam um conhecimento de primeira mão daqueles acontecimentos do primeiro século (cf. Jo 3; 4; 13, 17).

Além disso, quando João registra um acontecimento ou uma conversa que se encontra também nos demais Evangelhos, ele o faz substancialmente, da mesma maneira como os outros evangelistas o fazem. Isso inclui a pregação de João Batista (1:19-28), a alimentação dos 5.000 (6:1-14), Jesus andando por sobre as águas (6:15-21), comendo a Páscoa com os seus discípulos (13:1-2), a negação de Pedro (13:36-38; 18:15-27), a traição de Judas (18:1-11), os julgamentos de Jesus (18-19), sua crucificação (19) e sua ressurreição (20-21).

Adicionalmente, os outros Evangelhos registram as mesmas características de expressão registradas por João. Mateus 11:25-30 parece ser um trecho extraído do Evangelho de João. Até mesmo o emprego da expressão "em verdade...", que era característico de Jesus em João (cf. 1:51; 3:3,11; 5:19,24 etc), acha-se também nos outros Evangelhos (cf. Mt 5:18,26; Mc 3:28; 9:1; Lc 4:24; 18:17), embora João faça uso dessa expressão duas vezes mais que os outros evangelistas, possivelmente por uma questão de ênfase.

Finalizando, as diferenças do Evangelho de João em relação aos sinóticos pode ser explicada de várias maneiras. Primeiramente, João dedica-se bem mais ao ministério de Jesus na Judéia, ao passo que os outros Evangelhos abordam mais o seu ministério na Galiléia.

Em segundo lugar, João registra muitas das conversas particulares de Jesus (cf. capítulos 3-4; 13-17), ao passo que os outros Evangelhos falam mais de seu ministério público.

Em terceiro lugar, a respeito das afirmativas em que, com clareza, Jesus se expressou dizendo: "Eu sou", elas vêm normalmente depois de Jesus ter sido desafiado, quando ele declara o seu ponto de forma simples, mas enfática. Mesmo assim, elas não ficam sem expressões paralelas nos outros Evangelhos, em que Jesus diz "Eu sou" [o Cristo] (Mc 14:62).



JOÃO 6:53-54 - O que Jesus queria dizer quando afirmou que nós deveríamos comer a sua carne?

PROBLEMA: Os cristãos evangélicos crêem que a Bíblia deve ser tomada literalmente. Mas Jesus disse: "se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos" (Jo 6:53). Isso também deve ser tomado literalmente?

SOLUÇÃO: O significado literal (i.e., real) de um texto é o significado correto, mas o sentido literal não implica que tudo deva ser tomado literalmente. Por exemplo, o sentido literal da afirmativa de Jesus "Eu sou a videira verdadeira"(Jo 15:1) é que ele é a real fonte da nossa vida espiritual. Mas não quer dizer que Jesus seja literalmente uma videira com folhas crescendo de seus braços e de suas orelhas! Um significado literal pode ser transmitido por meio de figuras de linguagem. Cristo é o real fundamento da Igreja (1 Co 3:11; Ef 2:20), mas ele não é literalmente uma pedra angular de granito, com inscrições gravadas.

Há muitas indicações em João 6 de que Jesus literalmente queria dizer que a sua ordem para comer a sua carne deveria ser considerada de uma maneira figurada. Primeiro, Jesus afirmou que a sua declaração não deveria ser tomada com um sentido materialista, quando ele disse: "as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida" (Jo 6:63). Segundo, seria um absurdo e um canibalismo considerá-la com um sentido físico. Terceiro, ele não estava falando da vida física, mas da "vida eterna" (Jo 6:54).

Quarto, ele chamou a si mesmo de "o pão da vida" (Jo 6:48) e contrastou esse pão com o pão físico (o maná) que no passado os judeus comeram no deserto (Jo 6:58). Quinto, ele usou a figura do "comer" a sua carne paralelamente à idéia de "permanecer" nele (cf. Jo 15:4-5), que representa outra figura de linguagem. Nenhuma dessas figuras é para ser entendida literalmente. Sexto, se comer a sua carne e beber o seu sangue fosse tomado literalmente, isso iria contradizer outros mandamentos das Escrituras, que ensinam a não comer carne humana nem sangue (cf. At 15:20).

Finalmente, em vista do sentido figurado, esse versículo não pode ser usado em apoio ao conceito católico romano da transubstanciação, ou sep, de comer o real corpo de Jesus na comunhão (ver os comentários de Lucas 22:19).



JOÃO 7:1 - Por que Jesus temeu a morte, e mesmo assim disse a seus discípulos que não a temessem?

PROBLEMA: João nos informa de que "Jesus andava pela Galiléia, porque não desejava percorrer a Judéia, visto que os judeus procuravam mátá-lo". Contudo, Jesus disse a seus discípulos: "Amigos meus: não temais os que matam o corpo"(Lc 12:4).

SOLUÇÃO: Jesus não estava com medo da morte; ele simplesmente evitava morrer antes da hora. Antes do tempo certo, Jesus dizia "ainda não é chegada a minha hora" (Jo 2:4; 8:20). Mas quando a sua hora chegou (cL Jo 12:23), ele enfrentou a morte brava e corajosamente. Do ponto de vista humano, Jesus abateu-se com o horror da cruz (veja os comentários de Hebreus 5:7b); ele orou: "que direi eu? Pai, salva-me desta hora?", a que ele mesmo respondeu com um enfático não: "Mas precisamente com este propósito vim para esta hora" (Jo 12:27).

Jesus sabia desde o princípio que ele viera para morrer (cf. Jo 2:19-20; 10:10-11), e nunca hesitou em seu resoluto propósito de "dar a sua vida em resgate por muitos" (Mc 10:45). Entretanto, para realizar isto, tal como Deus ordenara e os profetas haviam predito, Jesus tinha de se precaver de atentados contra a sua vida antes do tempo e da forma determinados. Por exemplo, ele teria de ser crucificado (cf. SI 22:16; Zc 12:10), e não apedrejado, como os judeus procuraram fazer numa certa ocasião (veja Jo 10:32-33).



JOÃO 7:8 - Jesus mentiu aos seus irmãos?

PROBLEMA: Os irmãos incrédulos de Jesus desafiaram-no a subir a Jerusalém e mostrar-se abertamente se ele fosse o Messias (7:3-4). Jesus recusou, dizendo: "eu, por enquanto, não subo, porque o meu tempo ainda não está cumprido" (v. 8). Entretanto, em alguns versículos depois, vemos que "subiu ele também" (v. 10).

SOLUÇÃO: Jesus não subiu a Jerusalém da maneira como os seus irmãos sugeriram. Eles tinham sugerido que ele fosse e se manifestasse ao mundo (7:4). Mas a Escritura declara de forma explícita que "subiu ele também, não publicamente, mas em oculto"(7:10).

JOÃO 7:53 - 8:11 - Por que alguns eruditos questionam essa história, dizendo que não deveria estar na Bíblia?

PROBLEMA: A história da mulher surpreendida em adultério é encontrada na maioria das versões em português, tais como na ARA, R-IBB, SBTB, EC, NVI, TLH e BV, se bem que, em algumas delas (como na ARA) esse texto vem entre colchetes, indicando que não faz parte do texto de João. Algumas dessas versões incluem também uma nota explicativa. Por que muitos eruditos crêem que essa história não faz parte do manuscrito original do Evangelho de João?

SOLUÇÃO: Há várias razões por que muitos eruditos questionam quanto a esta passagem pertencer ou não ao Evangelho de João: (1) Essa passagem não aparece nos manuscritos gregos mais antigos e confiáveis. (2) Ela não é encontrada nos melhores manuscritos das mais antigas traduções da Bíblia para o siríaco antigo, para o copto, para o gótico e para o latim antigo. (3) Nenhum escritor grego comentou acerca dessa passagem nos onze primeiros séculos do cristianismo. (4) Ela não é citada pela maioria dos grandes primeiros "pais" da Igreja, tais como Clemente, Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Cirilo e outros. (5) O seu estilo não é conforme o restante do Evangelho de João. (6) Ela interrompe o fluxo de pensamento de João. A seqüência parece ser mais natural passando-se de João 7:52 para 8:12. (7) Essa história tem sido encontrada em vários lugares diferentes em certos manuscritos - depois de João 7:36; depois de João 21:24; depois de João 7:44; e depois de Lucas 21:38. (8) Muitos manuscritos que a incluem em João 7:53-8:11 assinalaram-na com um óbelo, indicando ser uma passagem duvidosa.

Apesar disso, muitos eruditos bíblicos acreditam que essa história é autêntica. Ela com certeza não contém nenhum erro de doutrina, e enquadra-se dentro do caráter de Jesus e do seu ensino, mas não se sabe ao certo se ela estava ou não no texto do manuscrito original de João.



JOÃO 8:3-11 (cf. Rm 13:4) - Nesse texto Jesus rejeitou a pena capital?

PROBLEMA: Algumas passagens apresentam um bom argumento em favor da pena capital (de morte). Por exemplo, Romanos 13:4 diz: "porque não é sem motivo que ela [a autoridade do governo] traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal". Em João 8, uma mulher é surpreendida em adultério, o que era causa para apedrejamento, de acordo com a lei mosaica. Contudo, Jesus não agiu de forma a fazer com que ela morresse, mas perdoou-lhe o pecado. Daí pode-se concluir que Jesus rejeitou a pena capital?

SOLUÇÃO: Primeiro, a autoridade em Romanos 13 é o governo romano, e as autoridades em João 8 são judias. A questão é que os judeus tinham de agir conforme a lei romana. Por exemplo, se eles realmente iriam apedrejar aquela mulher, por que eles tiveram de buscar a ajuda de Pilatos na crucificação de Jesus? Pois em João 18:31 os judeus responderam a Pilatos, dizendo: "A nós não nos é lícito matar ninguém". Mas no caso da mulher adúltera, eles estavam prontos para apedrejá-la.

Segundo, eles não agiram em concordância com a própria lei. A lei dizia que os dois, o homem e a mulher, teriam de ser trazidos perante o povo (Dt 22:22-24). Desde que essa mulher tinha sido pega no próprio aro (v. 4), por que o homem não foi trazido junto com ela para ser apedrejado? Os escribas e fariseus que supostamente eram cidadãos guardiães da lei falharam num ponto chave de sua própria lei.

Terceiro, os motivos que aqueles escribas e fariseus tiveram eram errados. Eles estavam usando aquela oportunidade para tentar pegar Jesus de alguma forma, para que assim tivessem uma razão para acusá-lo (v. 6). O crime de adultério não lhes parecia ser importante. Antes, parecia-lhes mais importante encontrar um motivo para acusar Jesus.

Essa passagem, então, não é um bom texto para quem queira propor que Jesus se opunha à pena de morte. De fato, outras passagens da Escritura parecem dar suporte a tal idéia (veja Gn 9:6 e Mt 26:52).



JOÃO 9:31 - Deus ouve as orações dos pecadores?

PROBLEMA: João disse: "Sabemos que Deus não atende a pecadores". Contudo, Jesus disse que Deus ouviu o publicano que orou: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador!" (Lc 18:13). Deus ouve os pecadores quando eles oram?

SOLUÇÃO: Deus ouve os pecadores quando eles confessam que são pecadores e aceitam o perdão de Deus. Porque "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm 10:13). Jesus prometeu: "o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora"(Jo 6:37).

Entretanto, Deus não promete responder as orações de pecadores que não estejam servindo ao verdadeiro Deus. Jesus disse: "se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este [Deus] atende" (9:31). Mesmo assim, a graça de Deus excede a sua promessa, e ele aparentemente às vezes responde à oração de uma pessoa não-salva como parte de seu extensivo plano providencial para trazê-la para si (cf. Jn 1:14-15). Nesse sentido, a resposta de Deus à oração do não-salvo é parte da "bondade de Deus ... que te conduz ao arrependimento" (Rm 2:4).



JOÃO 10:11 - Jesus é pastor ou é uma ovelha?

PROBLEMA: João apresenta-nos Cristo como sendo o "bom pastor". Contudo, em outra passagem Jesus é o cordeiro (ovelha) que morre por nossos pecados (Jo 1:29; 36). O que é ele então?

SOLUÇÃO: Cristo é apropriadamente apresentado por essas duas figuras de linguagem. Ele morreu como o nosso Cordeiro pascal (1 Co 5:7) e ele dirige e guia o seu povo como o bom pastor. Num contexto, os crentes são como o povo de Israel, que precisa do cordeiro pascal para morrer por eles. Noutro, somos como ovelhas errantes, que precisam de um pastor para as dirigir. As duas figuras são verdadeiras.
JOÃO 10:11 - Jesus morreu apenas por seus amigos, ou por seus inimigos também?

PROBLEMA: João menciona Jesus declarando que Ele deu a sua "vida pelas ovelhas" (cf. 15:13). Mas Paulo afirma que "Cristo ... morreu a seu tempo pelos ímpios", enquanto eles eram ainda "inimigos" (Rm 5:6,10). Como essas duas declarações podem ser verdadeiras, se são conflitantes entre si?

SOLUÇÃO: Jesus morreu tanto por seus amigos (discípulos) como por seus inimigos. De fato, seus "amigos" eram inimigos quando Jesus morreu por eles. Não há contradição, já que o texto não diz que Cristo morreu somente por seus amigos. De fato ele morreu por aqueles que se tornariam seus amigos, mas morreu também por aqueles que permaneceriam como seus inimigos. Pedro refere-se aos apóstatas que estavam renegando "o Senhor que os resgatou" (2 Pe 2:1).

JOÃO 10:30 - Cristo era um com o Pai?

PROBLEMA: Jesus disse: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10:30). Mas em outras Ocasiões ele se distinguiu do Pai, dizendo: "Vim do Pai e ... deixo o mundo e vou para o Pai" (Jo 16:28). Ainda, ele orou ao Pai como de uma pessoa para outra (Jo 17), e até mesmo disse: "o Pai é maior do que eu".

SOLUÇÃO: Jesus era um com Pai em natureza, mas distinto dele em pessoa. O Deus triúno tem uma só essência, mas três distintas pessoas (veja qs comentários de João 14:28). Assim, Jesus era o mesmo em substância com o Pai, mas ainda assim tinha personalidade à parte do Pai.

JOÃO 10:34 -Jesus advogou que o homem pode tornar-se Deus?

PROBLEMA: Jesus respondeu a um grupo de judeus e disse: "Não está escrito na vossa lei: ‘Eu disse: sois deuses?’ Isso quer dizer então que os seres humanos podem tornar-se Deus, tal como as religiões panteístas e da Nova Era ensinam?

SOLUÇÃO: O contexto dessa passagem revela que Cristo tinha acabado de se declarar um com o Pai, dizendo: "Eu e o Pai somos um" (10:30). Os judeus quiseram apedrejá-lo porque pensaram que Jesus estava blasfemando, já que ele estava se fazendo igual a Deus (vv. 31-33).

Jesus respondeu citando o salmo 82:6, que diz: "Eu disse: sois deuses". Esse salmo dirige-se a juizes que estão julgando injustamente. O título de "deuses" não é dirigido a qualquer um, mas somente àqueles juízes a respeito de quem Jesus disse que são aqueles para "quem foi dirigida a palavra de Deus" (v. 35).

Cristo estava mostrando que se as Escrituras do AT podiam dar algum status divino a juízes que tinham sido divinamente assim designados, por que eles teriam de achar incrível que ele se chamasse de o Filho de Deus? Assim, Jesus estava defendendo a sua própria divindade, e não a deificação do homem.

JOÃO 11:4 - Jesus cometeu um erro ao dizer que a doença de Lázaro não era para a morte?

PROBLEMA: A princípio Jesus disse: "Esta enfermidade não é para morte" (Jo 11:4). Entretanto, mais tarde até mesmo Jesus admitiu: "Lázaro morreu" (v. 14). Jesus não cometeu um erro então, ao pensar que Lázaro não iria morrer?

SOLUÇÃO: Jesus sabia todo o tempo que Lázaro morreria e que ele o levantaria de entre os mortos, de forma que isso seria para a glória de Deus (v. 4). Ele empregou figuras de linguagem diferentes para ensinar aajs discípulos que a morte de Lázaro não era final. Ele usou a expressão: "Lázaro adormeceu" (v.11) e disse que "não é para morte" (v. 4), querendo com isso dizer que o resultado não seria a morte de Lázaro, mas sim que ele estaria vivo mediante o poder ressuscitador de Jesus. Ou seja, embora a enfermidade de Lázaro temporariamente lhe traria a morte, o poder de Jesus o restauraria à vida.

JOÃO 11:26 - Como Jesus pôde dizer que nunca morreremos, se a Bíblia declara que todos um dia morreremos?

PROBLEMA: Deus mesmo disse a Adão: "No dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2:17). Paulo reafirmou isso, declarando que "por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Rm 5:12). Mas Jesus parece contradizer isso quando afirmou: "todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente" (Jo 11:26).

SOLUÇÃO: Antes de mais nada, mesmo tomando literalmente o que Jesus disse, ele não estava afirmando que os crentes não morreriam. De fato, ele declarou no versículo precedente: "ainda que morra, viverá". Em outras palavras, Jesus declarou que por ser ele a "ressurreição e a vida" (v. 25), ele ressuscitaria para uma vida eterna aqueles que nele cressem (cf. Jo 5:28-29).

Além disso, Jesus poderia estar falando acerca da vida espiritual e da morte espiritual. Nesse sentido, aqueles que nele crêem terão vida espiritual (Jo 3:16, 36), mesmo vindo a experimentar a morte física. Pois aqueles que nascerem uma vez só morrerão duas vezes: uma vez fisicamente e outra vez na "segunda morte" (Ap 20:14), a separação final de Deus. Mas aqueles que nascerem duas vezes (Jo 3:3, 7) morrerão apenas uma vez (fisicamente), mas viverão com Deus para todo o sempre.



JOÃO 11:44 - Como Lázaro pôde sair do túmulo, se ele estava com as mãos e os pés amarrados?

PROBLEMA: Esse versículo afirma algo aparentemente impossível, ou seja, quando Jesus ressuscitou Lázaro, "saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras".

SOLUÇÃO: Isso não é impossível. Os corpos dos judeus mortos não eram amarrados de forma apertada (como as múmias egípcias), a ponto de impedir todo movimento. Quando a vida voltou ao corpo de Lázaro, ele sem dúvida foi sacudido e forçado a agir. Ele pode ter deslizado da prancha onde estava deitado, levantando-se e, se necessário, até mesmo pulando para a abertura daquele túmulo. Nada mais do que isso está implícito na expressão "saiu". Tendo feito o que somente Jesus poderia fazer (ou seja, ressuscitar Lázaro de entre os mortos), Jesus esperava que Lázaro e os outros fizessem o que eles poderiam fazer. Por isso Cristo pediu aos demais que o desatassem.

JOÃO 14:2-3 - O céu foi preparado desde a eternidade, ou Jesus ainda o está preparando?

PROBLEMA: Mateus afirma que o céu foi "preparado desde a fundação do mundo" (25:34). Mas em João 14:2 Jesus disse: "vou preparar-vos lugar", do que se conclui que o céu ainda não estava preparado, naquela hora.

SOLUÇÃO: O primeiro texto fala da criação do céu e o segundo, da sua preparação. A primeira passagem fala em geral da preexistência do céu; i última fala especificamente da sua preparação para cada alma em particular. Há uma dupla preparação: a do céu para cada pessoa e a de ida pessoa para o céu. Já que cada crente terá uma recompensa diferente e individual (1 Co 3:11-15; 2 Co 5:10), então a recompensa no céu, que já existe, terá de ser adequada à obra particular de cada um.

JOÃO 14:16 - Os muçulmanos estão certos ao dizer que essa promessa ia vinda do "Consolador" referia-se a Maomé?

PROBLEMA: Eruditos muçulmanos vêem essa referência ao prometido ''Consolador" (em grego, parakletos) como sendo uma profecia a respeito de Maomé, porque o Corão (Surá 61:6) refere-se a Maomé como "Ahmad" (periclytos), que eles consideram a forma correta de expressar paraklêtos.

SOLUÇÃO: Não há base alguma para se concluir que o "Consolador" que Jesus mencionou seja Maomé. Em primeiro lugar, nem um único dos 51366 manuscritos gregos do NT contém a palavra periclytos ("o que é louvado"), que os muçulmanos dizem ser a expressão correta.

Em segundo lugar, Jesus identifica claramente o "Consolador" como sendo o Espírito Santo, não Maomé. Cristo referiu-se ao "Conso1ador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará" (Jo 14:26).

Em terceiro lugar, o "Consolador" foi dado aos discípulos de Jesus (''Ele vos dará", v. 16), e Maomé não foi seu discípulo. Em quarto lugar, o "Consolador" estaria para sempre com eles (v. 16), e Maomé já morreu há 13 séculos!

Em quinto lugar, Jesus disse aos discípulos: "vós o [o Consolador] conheceis" (v. 17), e eles não conheciam Maomé, que não nasceu senão depois de seis séculos.

Em sexto lugar, Jesus disse a seus apóstolos que o Consolador estaria neles ("em vós", v. 17). Em nenhum sentido Maomé poderia estar "nos" apóstolos de Jesus.

Em sétimo lugar, nosso Senhor afirmou que o Consolador seria enviado em seu nome (de Jesus, v. 26). Mas nenhum islamita crê que Maomé tenha sido enviado por Jesus, em seu nome.

Em oitavo lugar, o Consolador que Jesus enviaria não iria falar por si mesmo (Jo 16:31), ao passo que Maomé constantemente testifica de si mesmo no Corão (cf. Surá 33:40).

Em nono lugar, o Consolador iria glorificar Jesus (Jo 16:14), e Maomé declara substituir Jesus, na condição de um profeta posterior.

Finalmente, Jesus afirmou que o Consolador viria "não muito depois destes dias" (At 1:5), ao passo que Maomé veio somente depois de seiscentos anos.

JOÃO 14:28 - Jesus considerou-se menor do que Deus?

PROBLEMA: O cristianismo confessa que Jesus é totalmente homem é totalmente Deus. Contudo, Jesus disse em João 14:28: "O Pai é maior do que eu". Como pode o Pai ser maior, se Jesus é igual a Deus?

SOLUÇÃO: O Pai é maior que o Filho por ofício, mas não por natureza, já que ambos são Deus (veja Jo 1:1; 8:58; 10:30). Tal como um pai terreno, que possui a mesma humanidade que o seu filho, mas exerce uma função superior à deste, assim também o Pai e o Filho na Trindade são iguais em essência, mas diferentes em função.

De forma semelhante, dizemos que o presidente do país é maior que os demais cidadãos, não em virtude de seu caráter, mas em virtude de sua posição. Portanto, não podemos dizer que Jesus se considerava o mínimo que fosse inferior a Deus em sua natureza. O seguinte sumário ajuda-nos a destacar as diferenças:



JESUS É IGUAL AO PAI

O PAI É MAIOR DO QUE JESUS

Em essência

Em natureza

Em caráter


Em função

Em ofício

Em posição




JOÃO 15:1 - Jesus era a videira ou a raiz?

PROBLEMA: João descreve Jesus como sendo a videira, da qual os crentes são os ramos. Mas em outra passagem a Bíblia o chama de "raiz duma terra seca" (Is 53:2).

SOLUÇÃO: Essas são duas apropriadas figuras de Cristo, cada uma descrevendo um aspecto diferente de seu ministério. No AT, Jesus foi uma raiz (fonte de vida) em relação à videira (Israel). Mas no NT, ele é a videira em que os crentes permanecem para ter vida espiritual (Jo 15:1,3).

JOÃO 16:12-Jesus revelou tudo a seus discípulos, ou reteve algumas coisas?

PROBLEMA: Jesus deixara os seus discípulos com a impressão de que ele lhes tinha dito tudo o que queria comunicar-lhes, quando disse: "tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (Jo 15:15). Entretanto, em João 16:12, ele revela: "Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora". Parece que essas declarações estão em conflito.

SOLUÇÃO: Alguns eruditos crêem que a primeira declaração é proléptica, antevendo no presente tudo o que ele lhes revelaria também no futuro. Nesse caso, o "muito" (de 16:12) referir-se-ia ao que o Espírito Santo ainda teria de lhes ensinar (cf. 16:13).

Entretanto, à luz do fato de que essas duas declarações acham-se no mesmo discurso, a última parece estar qualificando a primeira. Assim, a primeira declaração quer dizer: "tudo o que o Pai tem determinado para vocês no presente momento eu lhes tenho revelado". Em outras palavras, Jesus fielmente comunicou o que o Pai queria que eles soubessem, e no tempo em que o Pai queria que eles tomassem conhecimento.



JOÃO 17:9 - Jesus orou pelos incrédulos?

PROBLEMA: Jesus disse: "É por eles [os discípulos] que eu rogo; não rogo pelo mundo". Mas em outra ocasião Jesus orou pelos incrédulos, até mesmo por aqueles que o tinham crucificado, dizendo: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23:34).

SOLUÇÃO: Em sua oração sacerdotal, Jesus estava concentrando a sua atenção em seus discípulos, não no mundo. Isso não quer dizer que não devemos nunca orar pelo mundo. De fato, Jesus morreu pelos pecados do mundo (Jo 3:16; 1 Jo 2:1-2; Rm 5:6-8). Ele orou para que o Pai perdoasse aqueles que o tinham crucificado (Lc 23:34). Ele ainda pediu aos seus discípulos que orassem para que o Senhor mandasse "trabalhadores para a sua seara" (Lc 10:2). Os seguidores de Jesus exortaram a que se fizessem "orações ... em favor de todos os homens" (1 Tm 2:1). E o apóstolo Paulo orou ardentemente pelos que eram judeus como ele, que não eram salvos (Rm 10:1).

JOÃO 18:31 - Era plenamente legal os judeus aplicarem a pena capital?

PROBLEMA: Nesse versículo, os judeus do tempo de Jesus disseram que "a nós não nos é lícito matar ninguém". Entretanto, precisamente no capítulo seguinte, eles insistiram dizendo: "Temos uma lei e, de conformidade com a lei, ele deve morrer"(Jo 19:7). Qual dessas posições estava correta?

SOLUÇÃO: As duas são corretas. De acordo com a lei judaica de Moisés, quem blasfemasse contra Deus teria de receber a pena capital (veja Lv 24:16). Entretanto, quando falaram com Pilatos, que era o governador romano, os judeus observaram corretamente que os romanos não permitiam que os povos dominados aplicassem a pena capital, mas que tinham retido aquele direito exclusivamente para si. Assim, os judeus corretamente disseram a Pilatos: "A nós não nos é lícito matar ninguém" (Jo 18:31).

JOÃO 19:14-Jesus foi crucificado na sexta-feira?

(Veja o que foi exposto acerca de Mateus 12:40.)



JOÃO 19:14 - A que horas Jesus foi crucificado?

(Veja os comentários de Marcos 15:25.)



JOÃO 19:19 - O que realmente estava escrito no título posto no cimo da cruz?

(Veja o que foi apresentado sobre Mateus 27:37.)



JOÃO 20:17 - Se Jesus não tinha ainda ascendido até o Pai, como foi que ele entregou antes o seu Espírito ao Pai?

PROBLEMA: Jesus disse: "Ainda não subi para meu Pai". Mas anteriormente, na cruz, ele dissera: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!" (Lc 23:46). Se ele já estava com o Pai, então por que disse que não tinha ainda ascendido ao Pai?

SOLUÇÃO: No dia em que Jesus morreu, o espírito dele foi estar com o Pai (como Lucas 23:43, 46 registra). Dessa forma, o seu espírito tinha ido para o Pai, mas o seu corpo ainda não tinha ascendido até o céu quando ele falava com Maria. A ascensão corporal ocorreu cerca de quarenta dias depois (cf. At 1:3, 9-10).

JOÃO 20:19 - Como podia Jesus passar por uma porta fechada tendo um corpo físico?

PROBLEMA: Alguns críticos chegaram à conclusão de que o fato de Jesus ter aparecido dentro de um quarto que estava com as portas fechadas (Jo 20:19) prova que seu corpo tinha que ter sido desmaterializado, para que isso fosse possível, e que portanto o seu corpo ressurreto não era essencial ou continuamente material. Entretanto, muitas outras passagens das Escrituras indicam que o corpo ressurreto de Jesus era literalmente "carne e ossos"(Lc 24:39), que podia comer alimentos físicos e que tinha, inclusive, as cicatrizes da crucificação (Lc 24:40-43).

SOLUÇÃO: O corpo ressurreto de Jesus era em essência continuamente material (veja os comentários de Lucas 24:34). O fato de que Jesus podia entrar num quarto fechado de modo algum prova que ele tinha que se desmaterializar para poder fazer isso. Isto está claro por várias razões.

Primeira, o texto não diz na verdade que Jesus passou pela porta fechada. Ele simplesmente diz que: "Ao cair da tarde daquele dia, ... trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio [deles]" (Jo 20:19). A Bíblia não disse como Jesus entrou dentro daquela casa.

Segunda, se assim Jesus tivesse desejado, ele poderia ter realizado este mesmo milagre antes de sua morte, com o seu corpo físico não-ressuscitado. Como Filho de Deus, seus poderes miraculosos eram de igual forma extraordinários antes da ressurreição.

Terceira, mesmo antes da sua ressurreição Jesus realizou milagres com o seu corpo material que transcenderam as leis naturais, tais como andar sobre as águas (Jo 6:16-20). Esse ato, porém, não prova que o seu corpo antes da ressurreição fosse imaterial. De outro modo, o fato de Pedro ter andado sobre as águas (Mt 14:29) significaria que o seu corpo se desmaterializou por um momento e depois rapidamente materializou-se!

Quarta, embora físico, o corpo ressurreto de Jesus é por sua própria natureza um corpo sobrenatural (veja os comentários de 1 Co 15:44), seria de se esperar que ele pudesse fazer coisas sobrenaturais, tal como aparecer dentro de um quarto trancado.

Quinta, de acordo com a física moderna, não é impossível um objeto material passar por uma porta; é apenas estatisticamente improvável. Os objetos físicos são mais espaço vazio do que matéria. Tudo o que é necessário para que um objeto físico passe por outro meio físico é o correto alinhamento das partículas nos dois objetos. E isto não é problema para aquele que criou o corpo, em primeiro lugar.



JOÃO 20:22 - O Espírito Santo foi dado aos discípulos antes do Pentecostes?

PROBLEMA: Em Atos, os apóstolos foram informados de que deveriam esperar até que recebessem o Espírito Santo, o que aconteceu no dia de Pentecostes (At 1:4-8; cf. 2:1-2). Contudo, mesmo antes de sua ascensão, Jesus soprou sobre os seus discípulos e disse: "Recebei o Espírito Santo"(Jo 20:22). Foi então que eles receberam o Espírito Santo, e não nb dia de Pentecostes?

SOLUÇÃO: Primeiro, a passagem de João é uma daquelas difíceis, que não possui outras paralelas, e não é fácil saber exatamente o seu significado. Como deve ser com toda passagem obscura, não devemos basear nela nenhum ensino importante.

Segundo, alguns eruditos acreditam que o imperativo "recebei" tem a intenção de denotar um futuro "recebereis". Sendo assim, não há conflito algum.

Terceiro, mesmo que Jesus estivesse dizendo que eles estariam recebendo o Espírito Santo naquele momento (em João 20:22), aparentemente havia um sentido diferente nesse recebimento. O Espírito estava sendo dado para que eles perdoassem os pecados (cf. v. 23). Mas depois o Espírito seria dado para capacitá-los com "poder", para serem "testemunhas" de Jesus "até os confins da terra" (At 1:8).

Quarto, a promessa em João era de que o Espírito viria habitar neles (cf. Jo 14:16), não que os estivesse batizando (At 1:5; cf. 1 Co 12:13), que é um ato diferente do Espírito Santo. Nesse sentido, então não há conflito algum entre as duas passagens, já que elas falam de diferentes atividades do Espírito, que os discípulos receberam em tempos diferentes.



JOÃO 20:22-23 - Essa passagem dá suporte à posição católica de que os seus sacerdotes têm o poder de perdoar pecados?

PROBLEMA: Os católicos romanos declaram que Jesus deu aos seus discípulos o poder de perdoar pecados, e que esse poder passou para os sacerdotes católicos através dos séculos. Esse texto dá suporte a tal posição?

SOLUÇÃO: Jesus de fato deu aos seus discípulos o poder para perdoar pecados, e esse poder ainda permanece até hoje. Entretanto, ele não é exclusivo dos sacerdotes católicos. Todo crente em Jesus possui o mesmo poder com base em sua confiança na obra completa realizada por Cristo. Observe o contexto da passagem.

Primeiro, muitos vêem isso como uma extensão do poder prometido em Mateus 18:18 de ligar e desligar com "as chaves do reino dos céus" (Mt 16:19). Esse poder é dado a todos os apóstolos, e não somente a Pedro (veja os comentários de Mateus 16:19). À medida que a missão da Igreja se estende "até a consumação do século" (Mt 28:20), Cristo está "presente" para perdoar pecados com todos aqueles que pregarem o Evangelho, em qualquer tempo ou lugar.

Além disso, é nesse versículo que está a passagem paralela de João à respeito da grande comissão. Jesus a introduz com as palavras: "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio"(Jo 20:21). Mas não são apenas os clérigos (oficiais da igreja) que são comissionados a servir a Cristo; cada crente é chamado para ser uma testemunha (cf. Mt 28:18-20; 2Co4:lss).

Finalmente, esse poder está presente somente pelo Espírito Santo. Jesus disse em João 20:22: "Recebei o Espírito Santo" e novamente em Atos 1:8: disse depois: "Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra". Todos os crentes, portanto, têm esse mesmo poder de pronunciar o perdão de pecados, como testemunhas das boas novas de Cristo por todo o mundo. Nesse versículo não há absolutamente nenhuma menção de que esse poder fosse ficar residente em apenas um grupo sacerdotal ou num determinado grupo de clérigos. É apenas o equivalente da passagem de João que se refere à grande comissão, dada a todos os crentes, para que proclamem a mensagem do perdão de Jesus Cristo a todo o mundo (cf. Lc 24:47).






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