Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia


LUCAS l:26ss - O nascimento de Cristo foi anunciado a Maria ou a José?



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Lucas




LUCAS l:26ss - O nascimento de Cristo foi anunciado a Maria ou a José?

PROBLEMA: Mateus diz que o nascimento de Cristo foi anunciado a José (Mt 1:20), mas Lucas afirma que foi a Maria (Lc l:26ss). Quem está certo?

SOLUÇÃO: O nascimento de Cristo foi anunciado primeiro a Maria e depois a José. Maria tinha de saber antes, já que ela haveria de ser a primeira a saber que teria um bebê. José teria de ser informado em seguida, já que sua esposa estava para ter um bebê que não era seu! Esse tipo de duplicidade de visões em questões importantes é encontrado em outras partes das Escrituras. Compare Pedro e Cornélio (At 10:3,15), e Saulo e Ananias (At 9:6,10-16).

LUCAS 1:36 - Como Isabel poderia ser parenta de Maria, se ela era da tribo de Arão?

PROBLEMA: De acordo com Lucas 1:5, Isabel era da tribo sacerdotal de Arão. Mas em Lucas 1:36 ela é descrita como parenta de Maria, que era da tribo de Judá (1:39;3:30).

SOLUÇÃO: Ser aparentada de alguém da tribo de Judá não significa que Maria fosse daquela tribo. Ela poderia ter se aparentado pelo matrimônio. O casamento entre tribos era permitido, exceto no caso de um herdeiro. O próprio Arão casou-se com alguém da tribo de Judá (Êx 6:23; 1 Ce 2:10).

LUCAS l:28ss - Os cristãos devem cultuar Maria?

PROBLEMA: O anjo disse a Maria que ela era a mais abençoada de todas as mulheres, declarando para ela: "Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres" (Lc 1:28, SBTB). Embora a forma mais elevada de adoração seja reservada a Deus apenas (latria), os católicos romanos crêem que Maria deve ser venerada num sentido inferior (hyperdulia), como a mais favorecida de todas as outras criaturas, já que ela é a "mãe de Deus" e "Rainha dos Céus". Por que os evangélicos não dão a Maria o que lhe é devido?

SOLUÇÃO: Os evangélicos de fato honram a Maria como a abençoada "mãe de... [nosso] Senhor"(Lc 1:43). Mas, por muitas razões, cremos ser idolatria venerar Maria. Primeiro, Maria era um ser humano, não Deus. A Bíblia nos dá o mandamento: "Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto" (Mt 4:10).

Segundo, Maria confessou que ela era uma pecadora e que necessitava de um Salvador, tal como qualquer outra pessoa. Ela disse: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador" (veja comentários de Lucas 1:46).

Terceiro, o anjo de Deus não afirmou que Maria era abençoada mais do que todas as mulheres, mas simplesmente entre todas as mulheres. Ele declarou apenas: "bendita és tuentre as mulheres" (Lc 1:28, SBTB, grifo do autor). Na prática, muitos católicos têm exaltado Maria acima de todas as mulheres, virtualmente no lugar de Deus.

Quarto, o culto de Mariolatria cresceu na Igreja Católica Romana durante a Idade Média, acrescentando a ela títulos tais como "co-re-dentora" e "Rainha dos Céus". Entretanto, isso evidencia uma influência paga sobre o cristianismo, nos moldes da deusa babilônica que tinha precisamente esse mesmo nome de "a Rainha dos Céus" (Jr 7:18; 44:17-19, 25).



LUCAS 1:46 - Maria nasceu sem pecado, como os católicos afirmam?

PROBLEMA: Os católicos romanos afirmam que Maria, a mãe de Jesus, foi concebida de forma imaculada (i.e., foi concebida sem pecado). Entretanto, com exceção de Jesus, a Bíblia assevera que todo ser humano nasce em pecado (SI 51:5; Rm 5:12). Maria foi então concebida de forma imaculada?

SOLUÇÃO: Maria, mãe de Jesus, foi a mais abençoada entre as mulheres (veja comentários de Lucas l:28ss). Entretanto, ela não foi uma mulher sem pecado, e a Bíblia deixa isso claro de muitas maneiras.

Primeiro, Davi declarou a respeito de todos os seres humanos: "Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe" (SI 51:5).

Segundo, Paulo afirmou que todo ser humano nascido de pais naturais, desde Adão, pecou em Adão, pois "por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Rm 5:12).

Terceiro, não há absolutamente vestígio algum em toda a Bíblia de que Maria tivesse sido uma exceção à regra de que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3:23). No caso de Cristo, entretanto, é apontado repetidamente que ele era humano, contudo sem pecado (2 Co 5:21; Hb 4:15; 1 Pe 3:18; 1 Jo 3:3).

Finalmente, a própria Maria proclamou o seu estado de pecado quando reconheceu a sua necessidade de um Salvador, dizendo "o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador". Como todo o mundo, ária também precisou de um Salvador.

LUCAS 2:1 - Será que Lucas cometeu um erro quando mencionou um recenseamento mundial?

PROBLEMA: Lucas refere-se ao decreto de César Augusto, quando Quirino era presidente da Síria, "para que todo o mundo se alistasse" (Ec 2:1, SBTB). Entretanto, de acordo com os anais da história antiga, não se realizou tal recenseamento.

SOLUÇÃO: Até época recente, os críticos asseguravam amplamente que Lucas cometera um erro na sua afirmação quanto ao recenseamento feito por ordem de César Augusto, e que o censo realmente acontecera no ano 6 ou 7 a.D. (isso é mencionado por Lucas no discurso de Gamaliel, registrado em Atos 5:37). A falta de qualquer suporte fora da Bíblia fez com que alguns considerassem que isso foi um erro de Lucas. Entretanto, conhecimentos recentes reverteram essa tendência, e agora é amplamente admitido que houve de fato um recenseamento anterior, como Lucas registra. Isso foi declarado com base em vários fatores.

Em primeiro lugar, como o povo de uma terra subjugada era compelido a jurar lealdade ao imperador, não era incomum que este requeresse um recenseamento em todo o império, como expressão dessa lealdade, como um meio de alistar os homens para o serviço militar ou, corno foi provavelmente nesse caso, como preparação para decretar impostos.

Devido às relações de tensão que havia entre Herodes e Augusto, nos últimos anos do governo de Herodes, como o historiador Josefo relata, é compreensível que Augusto começasse a tratar o domínio de Herodes como uma terra sujeita, e conseqüentemente impusesse tal recenseamento para manter controle sobre Herodes e sobre o povo.

Segundo, alistamentos periódicos desse tipo aconteciam de forma regular a cada 14 anos. De acordo com os próprios documentos que registraram esses alistamentos (ver W. M. Ramsay, Was Christ Born in Bethlehem? [Cristo Nasceu em Belém?], 1898), houve de fato um recenseamento em cerca de 8 ou 7 a.C. Por causa desse costume periódico de recenseamentos, uma ação assim naturalmente seria considerada como decorrente da política geral de Augusto, muito embora um censo local pudesse ter sido instigado pelo governante local. Portanto, Lucas reconhece que o alistamento originou-se do decreto de Augusto.

Terceiro, um recenseamento era um projeto de grande amplitude, que levava provavelmente vários anos para completar-se. Tal alistamento com o propósito de estabelecer impostos tinha começado na Gália entre os anos 10 ou 9 a.C, e levou cerca de 40 anos para terminar. É bem provável que o decreto que deu início ao recenseamento, em 8 ou 7 a.C, não tenha de fato começado na Palestina, senão alguns anos depois. Problemas de organização e preparo podem ter retardado a sua realização até o ano 5 a.C, ou até mesmo para mais tarde.

Quarto, não era também um requisito fora do normal exigir que as pessoas fossem até o lugar de seu nascimento ou ao lugar onde tivessem alguma propriedade. Um decreto de C. Vibius Mazimus no ano 104 a.D. requereu que todos os que estavam fora de sua cidade natal retornassem para lá com o propósito de um alistamento.

Para os judeus, viagens assim não eram estranhas, já que eles estavam acostumados a ir todo ano a Jerusalém. Simplesmente não há por que suspeitar da afirmação de Lucas a respeito do recenseamento no tempo do nascimento de Jesus. Seu relato enquadra-se no padrão dos alistamentos da época, e a data de sua realização não é descabida. Além disso, esse pode ter sido apenas um alistamento local, feito em decorrência da política geral de Augusto.

Lucas simplesmente nos fornece um registro histórico confiável de um acontecimento que, de outra forma, não teria sido registrado. Já que o Dr. Lucas provou por si mesmo ser um historiador de confiança em outras questões (ver Sir William Ramsey, St. Paul the Traveler and Roman Citizen [São Paulo, o Viajante e o Cidadão Romano], 1896), não há por que duvidar dele (veja também os comentários de Lucas 2:2).



LUCAS 2:2 - Por que Lucas diz que o recenseamento ocorreu durante o governo de Quirino, se ele não foi governador até o ano 6 a.D.?

PROBLEMA: Lucas afirma que o alistamento decretado por Augusto foi o primeiro realizado quando Quirino era o governador da Síria. Entretanto, Quirino só assumiu o cargo depois da morte de Herodes, em cerca de 6 a.D. Trata-se então de um erro no registro histórico de Lucas?

SOLUÇÃO: Lucas não cometeu erro algum. Há soluções bastante razoáveis para essa dificuldade.

Primeiro, Quintilius Varus foi o governador da Síria de cerca de 7 a.C. a cerca de 4 a.C. Varus não era um líder que inspirava confiança, o que foi desastrosamente demonstrado no ano 9 a.D., quando ele perdeu três legiões de soldados na floresta Teutoburger, na Alemanha. Ao contrário dele, Quirino era um notável líder militar, que tinha sido o responsável por arrasar a rebelião dos homonadensianos na Ásia Menor. Quando chegou o tempo de começar o recenseamento, em cerca de 8 ou 7 a.C, Augusto encarregou Quirino de resolver o delicado problema existente na área volátil da Palestina, de fato passando por cima da autoridade e do governo d£ Varus, ao destacar Quirino para uma posição com autoridade especial naquela questão.

Tem sido proposto também que Quirino foi governador da Síria em duas ocasiões diferentes, uma enquanto perpetrava a ação militar contra os homonadensianos, entre 12 e 2 a.C, e outra começando em cerca de 6 a.D. A interpretação de uma inscrição latina descoberta em 1764 referiu-se a Quirino como tendo servido como governador da Síria em duas ocasiões.

É possível ainda que Lucas 2:2 possa ser traduzido assim: "Este alistamento foi feito antes de Quirino ser o governador da Síria". Nesse caso, a palavra grega traduzida como "primeiro" (protos) é traduzida como um comparativo, "antes". Devido à estranha construção da frase, essa não é uma versão improvável.

Independentemente de qual das soluções tenha sido aceita, não é necessário concluir que Lucas tenha cometido um erro nos registros que fez dos eventos históricos ocorridos na época do nascimento de Jesus. Lucas demonstrou ser um historiador de confiança, mesmo nos detalhes. Sir William Ramsey mostrou que, ao fazer referência a 32 países, 54 cidades e 9 ilhas, Lucas não cometeu nenhum erro!

LUCAS 3:23 - Por que Lucas apresenta uma genealogia de Jesus diferente da que é apresentada por Mateus?

PROBLEMA: Jesus tem um avô diferente em Lucas 3:23 (Heli), em relação ao que é registrado em Mateus 1:16 (Jacó). Quem foi de fato o avô de Jesus?

SOLUÇÃO: Isso é de se esperar, já que são duas linhas diferentes de ancestrais, uma através de seu pai legal, José, e outra através de sua mãe de fato, Maria. Mateus apresenta-nos a linha oficial, já que seu propósito é mostrar as credenciais messiânicas judaicas de Jesus, que requeriam que o Messias viesse da semente de Abraão e da linhagem de Davi (cfi Mt 1:1). Lucas, tendo em vista um público grego bem mais amplo, dirige-se para o interesse grego de ver Jesus como o homem perfeito (que era o que buscava o pensamento grego). Assim, ele traça a linha genealógica de Jesus até o primeiro homem, Adão (Lc 3:38).

Há várias razões para que Mateus apresente a genealogia paterna de Jesus, e Lucas, a materna. Primeiramente, mesmo que as duas linhas vão de Jesus a Davi, cada uma delas o faz através de um filho diferente de Davi. Mateus inicia com José (pai de Jesus segundo a lei) e vai até o rei Salomão, filho de Davi, de quem Cristo por direito herdou o trono de Davi(cf.2Sm7:12ss).

O propósito de Lucas, por outro lado, é mostrar Cristo como verdadeiramente humano. Então ele vai de Cristo a Nata, filho de Davi, seguindo a genealogia de Maria, sua mãe de fato, pela qual Jesus pode declarar ser perfeitamente humano e o redentor da humanidade.

Lucas não diz que está traçando a genealogia de Jesus a partir de José. Antes, ele observa que Jesus, "como se cuidava" era "filho de José", quando de fato ele era filho de Maria. Também o fato de Lucas registrar a genealogia pela linha de Maria vinha bem ao encontro de seu interesse, como médico, por mulheres e nascimentos, o que se vê inclusive por sua ênfase em mulheres no seu Evangelho, que tem sido chamado de "o Evangelho para as mulheres".

Finalmente, o fato de terem as duas genealogias alguns nomes em comum (tais como Salatiel e Zorobabel, Mt 1:12; cf. Lc 3:27) não prova que são a mesma genealogia por duas razões. Primeiro, esses não são nomes incomuns. Segundo, até na própria genealogia (na de Lucas) há uma repetição dos nomes de José e Judá (3:26, 30).

As duas genealogias podem ser resumidas da seguinte forma:



MATEUS
Davi

|

Salomão



|

Roboão


|

Abias


|

Asa


|

Josafá


|

. . .


|

Jacó


|

José - Maria - esposa legal (pai legal)

|

Jesus



LUCAS
Davi

|

Nata



|

Matará


|

Mená


|

Meleá


|

Eliaquim


|

. . .


|

Heli

|

José - Maria - mãe de fato (marido legal)


Jesus






LUCAS 4:1-13 - Há um erro no que diz respeito à tentação de Jesus, conforme registrada por Mateus e Lucas?

(Veja os comentários de Mateus 4:5-10.)



LUCAS 4:19 - Por que Jesus não cita essa passagem com exatidão?

PROBLEMA: Quando Jesus citou a profecia de Isaías 61:2, ele deixou de fora o restante do versículo, que diz: "e o dia da vingança do nosso Deus". Por que Jesus não citou corretamente?

SOLUÇÃO: Jesus citou essa passagem com exatidão, sim; ele apenas não a citou completamente. Isso não é nem incomum, nem inaceitável, pois é feito até mesmo por autores nos dias de hoje. Na verdade, nós mesmos fizemos isso muitas vezes neste livro, o que geralmente é indicado por reticências (...). Além disso, Jesus tinha uma razão muito boa para não citar o restante daquele versículo - seria uma mentira. Ele disse aos que o ouviam que a citação limitava-se ao que eles tinham acabado de ouvir (Lc 4:21). A única parte do versículo que se cumpria na sua primeira vinda era exatamente a que ele citou. Se ele tivesse continuado e dito: "e o dia da vingança do nosso Deus" (que se refere à sua segunda vinda, Isaías 61:2), então não estaria dizendo a verdade.

LUCAS 6:17 - Por que Lucas diz que Jesus fez esse sermão num lugar plano, e Mateus declara que foi num monte?

PROBLEMA: Lucas afirma que Jesus "parou numa planura" quando fez esse famoso sermão. Porém Mateus diz que ele "subiu ao monte" e depois passou a ensiná-los (Mt 5:1-2). Como esta discrepância pode ser resolvida?

SOLUÇÃO: Admitindo-se que os dois relatos estejam se referindo ao mesmo acontecimento (veja os comentários de Lucas 6:20 adiante), eles podem ser conciliados se observarmos que o monte refere-se à área geral era que todos estavam, ao passo que o lugar plano denota o ponto específico de onde Jesus falou. O texto diz que Ele "parou numa planura". Não diz que todo o povo estava sentado num lugar plano. Uma planura de onde pregar para uma multidão nas encostas de um monte simularia um anfiteatro natural.

LUCAS 6:17 - Por que Lucas diz que Jesus os ensinou de pé, ao passo que Mateus declara que ele se sentou para ensiná-los?

PROBLEMA: Lucas diz que Jesus "parou numa planura" para pregar, e nada diz quanto a Ele ter se sentado. Mateus registra que "assentando-se... abrindo a sua boca, os ensinava" (Mt 5:1-2, SBTB).

SOLUÇÃO: Estas referências podem ser de momentos diferentes durante o mesmo evento. Uma possibilidade é que a referência de Mateus seja a respeito do começo do evento, quando "aproximaram-se dele os seus discípulos ... e os ensinava" (Mt 5:1-2, SBTB). Então, quando aquela grande multidão que o seguia se reuniu para ouvi-lo, naturalmente Jesus teria de se levantar para projetar a sua voz, de modo que pudessem ouvi-la, como Lucas registra.

Outra possibilidade é que a não-referência de Lucas a Jesus sentar-se pode ter sido pelo fato de que Jesus, antes de fazer o seu sermão, estava curando as pessoas (Lc 6:17-19). Então, porque "todos da multidão procuravam tocá-lo", bem pode ser que ele tenha procurado um lugar para sentar, de onde, "olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes... [a sua mensagem] " (6:20).

Isso explicaria a ordem dos acontecimentos registrada por Lucas, e esclareceria também por que Mateus disse que Jesus estava sentado quando falava aos seus discípulos. De qualquer modo, não há uma incompatibilidade entre esses dois relatos, mesmo admitindo que se refiram à mesma ocasião.

LUCAS 6:20 (cf. Mt 5:3) - Por que a versão de Lucas quanto às bem-aventuranças difere da de Mateus?

PROBLEMA: A versão de Lucas da primeira bem-aventurança afirma: "Bem-aventurados vós, os pobres". Já o relato de Mateus diz: "Bem-aventurados os pobres de espírito" (5:3, SBTB). Lucas parece estar falando sobre pobreza no sentido financeiro e Mateus, sobre pobreza no sentido espiritual.

SOLUÇÃO: Alguns acreditam que as diferenças entre as duas versões se explicam por serem duas ocasiões diferentes. Apontam para o fato de que Mateus diz que o sermão foi pregado a uma multidão que incluía os seus discípulos (Mt 5:1), ao passo que a versão de Lucas diz que o sermão foi dado para os seus discípulos (Lc 6:20). Argumentam ainda que, segundo Mateus, Jesus falou num monte (5:1), ao passo que em Lucas ele falou de uma planura (6:17). Ainda, que o relato de Lucas é muito menor que o de Mateus. (Veja "Solução" do problema de Lucas 6:17.)

Outros, entretanto, observam que os dois sermões foram feitos na mesma hora, na mesma área geográfica, para o mesmo grupo de pessoas e com muitas expressões exatamente iguais. Nos dois relatos o sermão foi precedido de curas especiais, e depois dele em ambos os casos é registrada a ida de Jesus a Cafarnaum. Além disso, embora Lucas faça uma introdução ao sermão dizendo: "levantando ele os olhos para os seus discípulos" (Lc 6:20, SBTB), tal como Mateus, ele observa que as palavras de Jesus foram "dirigidas ao povo" (Lc 7:1; cf. Mt 5:1). Tudo isso torna improvável a suposição de serem dois eventos diferentes.

As diferenças existentes entre os dois relatos podem ser devidas a várias razões. Primeiro, o relato de Lucas está muito mais resumido que o de Mateus. Segundo, naquela ocasião Jesus deve ter falado muito mais do que aquilo que os escritores registraram. Assim, cada um dos autores teve de selecionar, de um conjunto bem mais amplo de coisas que Jesus falou, aquelas que eram mais adequadas ao seu tema.

Terceiro, Lucas dá uma certa ênfase às palavras de Jesus, destacando a referência aos que são pobres. Mateus não exclui a pobreza material, mas fala da pobreza de espírito, que com freqüência os pobres têm, de forma contrária ao que acontece com os ricos (cf. Lc 16; 1 Tm 6:17).



LUCAS 6:22-26 - Um bom nome é uma bênção ou uma maldição?

PROBLEMA: Nessa passagem, Jesus disse a seus discípulos que as pessoas iriam falar mal deles, tal como fizeram com os profetas no passado. Por outro lado, Salomão ensinou que: "Melhor é o bom nome do que o melhor ungüento" (Ec 7:1, R-IBB). Mas se um bom nome deve ser buscado mais do que as riquezas (Pv 22:1), então por que Jesus disse a seus discípulos que se regozijassem quando as pessoas falassem mal deles?

SOLUÇÃO: Um bom nome não significa necessariamente que todos falarão bem de quem o possua. Muitas pessoas com bom nome têm inimigos iníquos. Quem tem um nome mais abençoado do que o próprio Jesus e, ainda assim, foi mais amaldiçoado. Jesus preveniu os seus discípulos nessa passagem de Lucas para estarem alertas quando aqueles que se dispõem a sacrificar princípios por popularidade falassem bem deles. Os aplausos de multidões agraciadas são desastrosos, mas o reconhecimento da retidão é abençoado.

LUCAS 7:2-10 - Há um erro nos relatos referentes a Jesus e o centurião?

(Veja os comentários de Mateus 8:5-13.)



LUCAS 8:26-39 - Quantos endemoninhados havia? Em que região se deu a libertação?

(Veja o que foi dito sobre Mateus 8:28-34.)



LUCAS 9:50 - Jesus se contradisse quando se referiu àqueles que são por ele? (cf. Lc 11:23)

PROBLEMA: Em Lucas 9:50, Jesus diz que "quem não é contra nós é por nós" (SBTB). Contudo, em Lucas 11:23, ele diz: "quem não é comigo é contra mim" (SBTB). Qual dessas posições é a correta?

SOLUÇÃO: Primeiramente, a melhor tradução de Lucas 9:50 é a que se encontra na ARA e, com leves alterações, em outras versões em português (R-IBB, EC, TLH, BJ, NVI), em que no lugar de "nós" acha-se "vós" [ou "vocês"]: "quem não é contra vós outros é por vós". O original grego é claro a respeito do pronome empregado. A maioria dos manuscritos gregos anteriores ao século VIII a. D. não contém a forma "contra nós... por nós". Sendo assim, o problema inexiste.

Segundo, os contextos nos dois casos são diferentes. Nas duas passagens, a expulsão de demônios está em cena. Em Lucas 9, um certo homem, que não era um dos doze discípulos, estava expulsando demônios em nome de Jesus, e João quis que ele parasse com isso (9:49). Jesus instruiu os seus discípulos que não o proibissem, "pois quem não é contra vós outros é por vós".

Em Lucas 11 a situação é diferente. Jesus tinha expulsado um demônio de alguém e algumas pessoas estavam dizendo que ele expelia demônios pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios (vv. 14-15). Essas pessoas estavam contra a obra do Senhor, ao passo que o homem de Lucas 9 estava fazendo a obra em nome de Jesus. Um era a favor do Senhor, ao passo que os outros estavam contra o Senhor. Assim, realmente não há contradição alguma.

LUCAS 9:52-53 - Os samaritanos receberam Cristo ou o rejeitaram?

PROBLEMA: Lucas diz claramente que os samaritanos "não o receberam". Contudo, quando Jesus falou com a mulher samaritana junto ao poço, uma grande multidão afluiu para encontrar-se com ele (Jo 4:39-40).

SOLUÇÃO: Essas passagens referem-se a tempos e a lugares diferentes. Antes de mais nada, Lucas está falando de uma determinada aldeia, e não de todos os samaritanos. Ademais, ele diz que a rejeição aconteceu "porque o aspecto dele [de Jesus] era de quem, decisivamente, ia para Jerusalém" (v. 53).

Finalmente, a resposta positiva dos samaritanos no livro de João foi por causa do testemunho da mulher que contou a seus amigos que ela tinha encontrado um profeta, alguém "que me disse tudo quanto tenho feito" (Jo 4:29).



LUCAS 9:60 - Como podem os mortos enterrar os seus próprios mortos?

(Veja os comentários de Mateus 8:22.)



LUCAS 10:23 - Quem são abençoados, os que vêem ou os que não vêem?

PROBLEMA: Nessa passagem Jesus diz a seus discípulos: "Bem-aventurados os olhos que vêem as cousas que vós vedes". Entretanto, mais tarde ele lhes disse: "Bem-aventurados os que não viram e creram". Qual dessas afirmativas está correta?

SOLUÇÃO: Primeiro, a palavra "bem-aventurados" tem um sentido diferente em cada uma dessas passagens. No primeiro caso, ela parece significar que eles foram grandemente favorecidos porque estavam vendo aqueles milagres acontecer (cf. 10:17-19). Na passagem de João, "bem-aventurados" tem o sentido de "dignos de serem aplaudidos", que é uma referência àqueles que creram em Cristo sem terem tido a oportunidade de pôr o dedo nas feridas do corpo ressurreto de Jesus.

Além disso, mesmo que a palavra "bem-aventurados" seja entendida com o mesmo sentido, ainda há uma diferença importante no objeto daquilo a que Jesus se referiu quanto ao que foi visto e ao que não foi visto. Há uma diferença entre requerer a visão como base para se ter fé, como aparentemente foi o caso de Tome, e fazer uso da visão no processo do exercício da fé, como fizeram os discípulos.

Nada há de errado em a evidência ser usada para dar suporte à nossa fé, mas ela não deve ser usada como tf base para a crença. Apenas Dcus e a revelação que ele nos dá de si mesmo é a base para crer, e não evidências de milagres. Assim, devemos crer em Deus por causa de quem Ele é, não meramente por causa das evidências em seu favor. As evidências nos darão no máximo razões para crermos que Deus existe. Somente o próprio Deus, mediante nossa livre escolha, pode persuadir-nos a crer nele. Portanto, exigir que tenhamos de "ver" mais evidências antes de crer, isso diminui o mérito da fé (i.e. a bem-aventurança).

LUCAS 13:24 - Todos os que buscam a Deus o encontrarão?

PROBLEMA: Jesus disse: "Buscai e achareis". Outras passagens da Escritura reafirmam a mesma verdade (1 Cr 28:9; Is 55:6; At 10:35). Contudo, de acordo com Jesus, "muitos procurarão entrar e não poderão" (Lc: 13:24). De igual forma, Ele disse em João: "vós me buscareis, e não me achareis" (Jo 7:34).

SOLUÇÃO: Todos os que resolutamente buscarem a Deus, o encontrarão, porque ele é "galardoador dos que o buscam" (Hb 11:6). De fato, Deus é "longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam" (2 Pe 3:9,SBTB).

Naturalmente, há aqueles que buscam a Deus em seus próprios termos (pelas obras humanas), os quais não se salvarão, já que não "por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou" (Tt 3:5). A Bíblia diz: "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte" (Pv 14:12).

Ainda, há aqueles que buscam tarde demais, ou seja, depois da morte, pois "aos homens está ordenado morrerem uma vez só, vindo, depois disto, o juízo" (Hb 9:27). Mas não há quem vá a Deus nesta vida em, arrependimento, lançando-se sobre a sua misericórdia, que não receba a sua graciosa dádiva da salvação.


AQUELES QUE, BUSCANDO, ENCONTRARÃO A DEUS

AQUELES QUE, BUSCANDO, NÃO ENCONTRARÃO A DEUS

Aqueles que tomarem

o caminho de Deus

Aqueles que forem em tempo

Aqueles que forem em arrependimento



Aqueles que forem por

seus próprios caminhos

Aqueles que esperarem

até tarde demais

Aqueles que forem em remorso

Judas lamentou-se por seu pecado (Mt 27:4), mas Pedro arrependeu-se de seu pecado. Conseqüentemente, Judas perdeu-se (Jo 17:12), e Pedro salvou-se.



LUCAS 16:31 - Os milagres provam a missão divina de Jesus?

PROBLEMA: Começando com Moisés, os milagres foram dados como uma prova da divina missão de cada um dos servos de Deus (cf. Êx 4:1-17). Nicodemos reconheceu que Jesus fora enviado por Deus porque, conforme ele disse a Jesus: "ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele" (Jo 3:2). Lucas nos diz que Jesus foi "aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis" (At 2:22). O autor de Hebreus declarou que Deus deu "testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade" (Hb 2:4).

Por outro lado, é evidente que os milagres não operam no sentido de confirmar a mensagem divina na vida das pessoas que não crêem. O próprio Jesus admitiu isso na passagem em que ele disse: "tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos" (Lc 16:31). E, num importante versículo de João, depois de Jesus ter realizado muitos de seus sinais milagrosos, o evangelista admitiu que "embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele" (Jo 12:37).

Assim, com base nesses versículos, tudo indica que os milagres realmente não contribuem para a confirmação de uma missão divina.

SOLUÇÃO: A razão de tal discrepância não é difícil de ser encontrada. Há uma diferença entre provar e persuadir. Devido ao contexto teísta, os milagres de Jesus eram uma confirmação de suas reivindicações, mas isso não significa que todo aquele que os visse seria convencido por esses milagres. Esses eram uma demonstração objetiva das reivindicações de Jesus, mas nem todos se convenceram subjetivamente por eles. Até mesmo a melhor evidência só é efetiva havendo vontade, não a rejeição.

Aqueles que se fecharem para Deus ouvirão apenas o "trovão", ao passo que aqueles que estiverem abertos ouvirão a própria voz de Deus (cf. Jo 12:27-29).



LUCAS 18:lss - A oração deve ser incessante ou curta?

PROBLEMA: Jesus condenou as longas e repetitivas orações dos fariseus, que pensavam que "pelo seu muito falar serão ouvidos" (Mt 6:7). Contudo, nessa parábola Jesus encorajou a oração incessante daqueles "que t ele clamam dia e noite" (Lc 18:7). Essas passagens parecem estar em conflito.

SOLUÇÃO: O que Jesus condenou não foram as longas orações, mas as orações repetitivas, as rezas proferidas repetidamente. Ele estava mais preocupado com a força da oração do que com o seu tamanho. Os intercessores diante de Deus não são ouvidos por suas "muitas palavras", mas por seu "clamor" sincero.

LUCAS 18:18-30 - Se Jesus é Deus, por que ele admoestou o jovem rico por este ter-lhe chamado de bom?

(Veja o que foi dito sobre Mateus 19:16-30.)



LUCAS 18:35-43 -Jesus curou dois cegos ou apenas um?

(Veja os comentários de Mateus 20:29-34.)



LUCAS 19:30 - Na entrada triunfal de Jesus foram envolvidos dois jumentos ou apenas um?

(Veja o exposto sobre Mateus 21:2.)



LUCAS 22:19 - O que Jesus quis dizer quando afirmou: "Isto é o meu corpo"? Devemos tomar isso literalmente?

PROBLEMA: Evangélicos ortodoxos crêem na interpretação literal da Bíblia. Mas se essa afirmação de Jesus for tomada literalmente, então ela parecerá estar respaldando o ensino católico da transubstanciação, ou seja, que, quando consagrado, o pão da comunhão transforma-se no real corpo de Cristo.

SOLUÇÃO: Jesus não tinha a intenção de que sua afirmação "Isto é o meu corpo" fosse entendida literalmente, da mesma forma como a declaração: "Eu sou a videira verdadeira" (Jo 15:1). A doutrina católica romana da transubstanciação (que o pão se transforma no corpo real de Jesus) não tem base bíblica nem racional, por muitas razões:

Primeiro, o contexto está em oposição a tomar isso literalmente. Todos concordam que quando Jesus fez essa afirmativa, ele estava referindo-se ao pão. Lucas diz: "Tomando o pão, tendo dado graças, o partiu dizendo: 'Isto é o meu corpo' " (Lc 22:19). Mas era óbvio para todos que o corpo real de Jesus estava segurando o pão em suas mãos. Assim, nenhum dos discípulos presentes jamais iria pensar ou entender que ele estivesse dizendo que aquele pão era o seu corpo real.

Segundo, o bom senso se opõe a que tomemos isso literalmente. Deus criou os sentidos, e tudo na vida depende da confiança que temos nas informações que nos são passadas por eles quanto a este mundo. Mas aqueles que crêem na transubstanciação admitem que o pão consagrado (a hóstia) tem aparência, cheiro e sabor de um pão real. Por que então Deus exigiria de nós que deixássemos de confiar nos próprios sentidos, que ele mesmo criou para que neles confiássemos continuamente em toda a nossa vida?

Terceiro, afirmações paralelas feitas por Jesus são contrárias a que tomemos isso literalmente. Jesus costumava falar empregando uma linguagem figurada. Ele disse: "Eu sou a porta" (Jo 10:9). Disse também que deveríamos comer "a carne do Filho do Homem". Mas nem católicos nem evangélicos tomam essas expressões literalmente (veja os comentários de João 6:53-54). Por que então deveríamos tomar literalmente essa sua afirmação sobre o pão da comunhão ("Isto é o meu corpo")?



LUCAS 23:38 - O que de fato estava escrito no sinal posto sobre a cruz?

(Veja os comentários de Mateus 27:37.)



LUCAS 23:43 - Cristo não se enganou quando disse ao ladrão na cruz que ele estaria no paraíso naquele mesmo dia em que Jesus morreu?

PROBLEMA: Se Cristo não foi ao céu senão pelo menos três dias após a sua morte, como poderia o ladrão estar no paraíso naquele mesmo dia em que Jesus morreu?

SOLUÇÃO: A alma de Cristo foi imediatamente ao paraíso, que é o terceiro céu (2 Co 12:2-4), mas o seu corpo foi para o túmulo, lá permanecendo por três dias. Jesus disse na cruz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!" (Lc 23:46), o que indica que sua alma foi para estar com o Pai no céu naquele mesmo instante em que ele morreu.

Quando Jesus disse a Maria, depois da ressurreição: "ainda não subi para meu Pai", ele estava se referindo à ascensão de seu corpo ao céu quarenta dias após a ressurreição (Atos 1), não à ida de sua alma ao céu durante o período entre sua morte e ressurreição.

A frase "desceu ao inferno" não consta no primitivo Credo dos Apóstolos, mas foi acrescentada bem mais tarde. (Veja os comentários deEfésios4:8.)

LUCAS 23:47 - O que o centurião disse a respeito de Jesus foi corretamente registrado?

(Veja os comentários de Mateus 27:54.)



LUCAS 24:23 - As aparições de Jesus depois da ressurreição eram físicas ou eram meras visões?

PROBLEMA: Jesus referiu-se ao seu corpo ressurreto como tendo carne e ossos (Lc 24:39). Ele comeu alimentos físicos (v. 42) e foi tocado por mãos humanas (Mt 28:9). Mas Lucas refere-se a uma "visão", o que implica que não era uma aparição física. Alguns também apontam para o fato de que aqueles que estavam com Paulo, quando ele passou por aquela experiência no caminho de Damasco, não viram Cristo (veja tf 9:7).

SOLUÇÃO: As aparições de Jesus após sua ressurreição foram literais, foram aparições de um corpo físico. Isso é evidente por várias razões. Primeiro, a passagem de Lucas (24:23) não se refere a uma visão de Cristo, mas tão-somente àquelas mulheres vendo anjos no sepulcro, e não a uma aparição de Cristo. Os Evangelhos nunca falam de uma aparição de Jesus após a ressurreição como sendo uma visão, nem o faz Paulo em sua lista de 1 Coríntios 15.

Segundo, os encontros com Cristo após a ressurreição são descritos por Paulo como aparições literais (1 Co 15:5-8), não como visões. A diferença entre uma mera visão e uma aparição física é significativa. As visões são de realidades invisíveis, espirituais, tal como Deus e os anjos.

As aparições, por outro lado, são de objetos físicos que podem ser vistos ie olhos abertos. As visões não têm manifestações físicas a elas associadas, mas as aparições têm.

As pessoas, às vezes, "vêem" ou "ouvem" coisas em suas visões (Lc 1:1 lss; At 10:9ss), mas não com os seus puros sentidos físicos. Quando acontece de alguém ver anjos com os seus olhos físicos, ou ter algum contato físico com eles (Gn 18:8; 32:24; Dn 8:18), não se trata de uma visão, mas de uma aparição real de anjos no mundo físico. Nessas aparições, os anjos assumem temporariamente uma forma visível e depois retornam ao seu estado normal, invisível. Entretanto, as aparições de Jesus após a ressurreição foram experiências em que Cristo foi visto a olho nu em sua permanente e visível forma física. De qualquer forma, há uma significativa diferença entre uma simples visão e uma aparição física.



VISÃO

APARIÇÃO


De uma realidade espiritual

Não há manifestações físicas

Daniel 2; 7

2 Coríntios 12



De um objeto físico

Há manifestações físicas

1 Coríntios 15

Atos 9

Terceiro, certamente a maneira mais comum de se referir a um encontro com o Cristo ressurreto é usando a palavra "aparição". As aparições foram acompanhadas de manifestações físicas, tais como a voz audível de Jesus, as feridas da crucificação em seu corpo físico, sensações físicas (como o toque) e o fato de alimentar-se em três ocasiões. Esses fenômenos não são meramente subjetivos ou do interior da pessoa, eles envolvem uma realidade física, exterior.

Finalmente, a posição discordante de que a experiência de Paulo teria sido uma visão - porque os que estavam com ele não viram Cristo -não tem fundamento, já que seus companheiros viram a luz e ouviram o som, tal como Paulo, mas apenas este olhou para a luz, e somente ele viu Jesus.

LUCAS 24:31a - Depois de uma aparição, Jesus desaparecia repentinamente diante de seus discípulos, desmaterializando-se?

PROBLEMA: Jesus podia não apenas aparecer de repente depois de sua ressurreição (cf. Jo 20:19), como também desaparecer instantaneamente. Será isso uma evidência, como alguns críticos alegam, de que Jesus se desmaterializava nessas ocasiões?

SOLUÇÃO: Jesus ressuscitou com o mesmo corpo físico, embora glorificado, com o qual morrera. Tal corpo é uma importante característica de sua permanente humanidade tanto antes (cf. Jo 1:18) como depois (Lc 24:39; 1 Jo 4:2) de sua ressurreição.

Primeiro, o fato de que ele podia aparecer e desaparecer rapidamente não diminui a sua humanidade, mas a intensifica. Isso revela que, tendo o corpo ressurreto mais poderes do que o corpo anterior à ressurreição, ele não era nada menos do que físico. Isto é, não deixou de ser um corpo material, muito embora pela ressurreição tenha ganho poderes além dos que têm os meros corpos físicos.

Segundo, é da própria natureza do milagre ser imediato, em oposição ao processo gradual natural. Quando Jesus tocou a mão de um certo homem, "imediatamente ele ficou limpo da sua lepra" (Mt 8:3). Da mesma forma, com o comando de Jesus, o paralítico "no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos" (Mc 2:10-12). Quando Pedro proclamou que o coxo de nascença fosse curado, "imediatamente, os seus pés e tornozelos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar ..."(At 3:7-8).

Terceiro, Filipe foi imediatamente trasladado da presença do eunuco etíope, com o seu corpo físico, ainda não ressurreto. O texto diz que, depois de batizar o eunuco, "o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, não o vendo mais o eunuco"(At 8:39). Num momento Filipe foi visto com o eunuco; no momento seguinte ele de repente e miraculosamente desapareceu e veio a aparecer noutra cidade (At 8:40). Tal fenômeno não necessita de um corpo imaterial. Portanto, as aparições e os desaparecimentos repentinos não são provas do imaterial, mas sim do sobrenatural.



LUCAS 24:31b - Se Jesus tinha o mesmo corpo físico depois da sua ressurreição, por que os seus discípulos não o reconheceram?

PROBLEMA: Aqueles dois discípulos andaram com Jesus, falaram com çle, comeram com ele e, entretanto, não o reconheceram. Outros discípulos tiveram a mesma experiência (veja os versículos abaixo). Se Jesus ressuscitou com o mesmo corpo físico (cf. Lc 24:39; Jo 20:27), então por que ele não foi reconhecido?

SOLUÇÃO: Jesus ressuscitou precisamente com o mesmo corpo de carne e ossos que ele tinha quando morreu (veja os comentários de 1 Corín-ios 15:37). Foram várias as razões por que ele não foi imediatamente econhecido por seus discípulos:

1. Estupidez - Lucas 24:25-26

2. Incredulidade - João 20:24-25

3. Desapontamento - João 20:11-15

4. Temor - Lucas 24:36-37

5. Escuridão - João 20:1,14-15

6. Distância - João 21:4

7. Roupas diferentes - João 19:23-24; cf. 20:6-8

Note, entretanto, duas coisas importantes: o problema foi apenas temporário, e antes que Jesus desaparecesse a cada vez eles estavam absolutamente convencidos de que era o mesmo Jesus, com o mesmo corpo físico de carne, ossos e cicatrizes que possuía antes da ressurreição! E eles saíram de sua presença para pôr o mundo de cabeça para b!aixo, destemidos diante da morte, porque não tinham a mínima dúvida de que Jesus vencera a morte com o mesmo corpo físico com o qual havia passado por ela.

LUCAS 24:34 - Jesus era invisível aos olhos mortais antes e depois de suas aparições?

PROBLEMA: A frase "ele apareceu" significa "ele se tornou visível" para eles (cf. 1 Co 15:5-8). Jesus desaparecia também (Lc 24:31). Com isso, há quem considere que ele não era necessariamente material, mas que apenas se materializava quando aparecia aos seus discípulos e se desmaterializava quando desaparecia. Entretanto, outras passagens declaram que Jesus teve em todo tempo o mesmo corpo material de carne e ossos com o qual morreu (Lc 24:39; Jo 20:27).

SOLUÇÃO: Que o corpo ressurreto de Jesus era um corpo essencialmente material, está bem claro a partir dos seguintes fatos. Primeiro, o corpo ressurreto de Cristo podia ser visto a olhos abertos durante suas aparições. Elas são descritas com a palavra horaõ ("ver"). Embora essa palavra às vezes seja usada com o sentido de ver realidades invisíveis (cf. Lc 1:22; 24:23), com freqüência o seu sentido é o de ver com os olhos abertos.

João, por exemplo, emprega a mesma palavra (horaõ) quando diz que pessoas viram Jesus com seu corpo terreno antes da ressurreição (6:36; 14:9; 19:35) e quando o viram com o corpo ressurreto (20:18, 25, 29). Já que a mesma palavra para "corpo" (soma) é usada com referência a Jesus antes e depois da ressurreição (cf. 1 Co 15:44; Fp 3:21), e desde que a mesma palavra para "ver" (horaõ) é empregada nas duas ocasiões, não há razão para crer que o corpo ressurreto não tenha sido literalmente o mesmo corpo natural de Jesus.

Além disso, mesmo na frase "ele se deixou ser visto" (tempo aoristo passivo, ophthè, o sentido é que Jesus tomou a iniciativa de se mostrar aos discípulos, não que ele estivesse necessariamente invisível. A mesma forma ("Ele [eles] apareceu [apareceram]") é usada no AT grego (2 Cr 25:21), num livro apócrifo (1 Macabeus 4:6), e no NT (At 7:26) a respeito de meros seres humanos aparecendo em corpos físicos normais.

Nessa forma passiva, a palavra significa dar início a uma aparição em público, mover-se de um lugar em que a pessoa não está sendo vista para outro em que seja vista. Não significa necessariamente que esteja expressando que algo invisível por natureza tenha se tornado visível. Antes, o significado geralmente é mais "vir para onde possa ser visto".

Não há razão alguma, portanto, para entender que tal expressão esteja se referindo a alguma coisa naturalmente invisível que tenha se tornado visível, como alguns querem. Se assim fosse, isso significaria que aqueles seres humanos, em seus corpos antes da ressurreição, eram essencialmente invisíveis antes de serem vistos por outras pessoas.

Ainda, o mesmo evento que é descrito pela expressão "ele apareceu" ou "que ele seja visto" (aoristo passivo), tal como a aparição a Paulo (1 Co 15:8), é descrito também na voz ativa. Paulo escreveu acerca dessa mesma experiência em 1 Co 9:1: "Não vi Jesus, nosso Senhor?". Mas se o corpo ressurreto pode ser visto por um olho aberto, então ele não é invisível até que se faça visível por alguma pretendida "materialização".

Jesus desapareceu diante de seus discípulos também em outras ocasiões (veja Lc 24:51; At 1:9). Mas se ele podia desaparecer de repente, assim como aparecer, então sua capacidade de aparecer não pode ser tomada como evidência de que o seu corpo ressurreto era essencialmente invisível. Pela mesma razão sua capacidade de desaparecer de repente poderia então ser usada como evidência de que ele era essencialmente material e que de súbito podia tornar-se imaterial.

Finalmente, há muitas outras explicações racionais para o destaque dado às aparições que foram da iniciativa do próprio Jesus. Em primeiro lugar, elas eram a prova de que tinha vencido a morte (At 13:30-31; 17:31; Rm 1:4). Jesus disse: "Eu sou ... aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno" (Ap 1:18; cf. Jo 10:18). A tradução "foi visto" (1 Co 15:5ss) é um modo perfeitamente adequado para expressar o seu triunfo, de sua própria iniciativa. Ele foi soberano sobre a morte assim como sobre suas aparições após a ressurreição.

Há que se acrescentar ainda que ninguém presenciou o momento histórico em que a ressurreição ocorreu. Mas o fato de Jesus ter aparecido repetidamente com o mesmo corpo por cerca de quarenta dias

(At 1:3) a mais de 500 pessoas diferentes (1 Co 15:6), em doze diferentes ocasiões, isso é uma incontestável evidência de que ele realmente levantou-se, com seu corpo físico, de entre os mortos.

Em resumo, a razão para o destaque nas várias aparições de Cristo não é porque o corpo ressurreto era essencialmente invisível e imaterial, mas antes para mostrar que ele era mesmo material e imortal. Sem o túmulo vazio e sem as repetidas aparições do mesmo corpo, que nele estivera enterrado, não haveria prova da ressurreição. Portanto, não é de todo surpreendente que a Bíblia tão fortemente destaque as muitas aparições de Cristo. Elas são a prova real da ressurreição física que ocorreu.

LUCAS 24:44 - O AT foi dividido pelos judeus dos dias de Jesus em duas ou em três partes?

PROBLEMA: A Bíblia dos judeus é dividida em três seções: a Lei, os Profetas e os Escritos. Muitos crêem que Jesus está se referindo a essa tríplice divisão, na frase: "na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". Entretanto, no NT a forma padrão de referência a todo o AT por Jesus e pelos autores do NT é com a frase: "a lei e os profetas" (cf. Mt 5:17; Lc 24:27). Qual é correta?

SOLUÇÃO: A mais antiga referência às divisões ou seções do AT é a que estabelece duas partes: a Lei e os Profetas. Isso é verdade durante o período do exílio judeu (século VI a.C), tal como indicado por Daniel (9:2, 11, 13), e também depois do exílio (Zc 1:4; 7:7,12; cf. Ml 4:4,5). Referências ao AT continuaram entre o AT e o NT nos apócrifos (1 Macabeus 4:45; 9:27; 2 Macabeus 15:9), bem como na comunidade Qumran (Manual de Disciplina 9.11). Também, como indicado, essa é a forma padrão de se referir às divisões do AT no NT (cf. Mt 5:17; Lc 24:27).

Além disso, essa frase - "a lei e os profetas" - incluía todo o AT (todos os 39 livros), já que Jesus disse que se referia a "todas as Escrituras" (Lc 24:27). Incluía então tudo o que Deus tinha revelado por intermédio dos profetas até João Batista (Mt 11:13). De fato, a maneira enfática com que Jesus referiu-se a "um i ou um til" do AT, que não passariam jamais da lei e dos profetas (Mt 5:17-18), indica que ele estava se referindo a todo o AT.

Entretanto, aparentemente havia uma antiga alternativa de se dividir "os profetas" em duas seções, que vieram a ser conhecidas como "profetas e escritos". O prólogo do Eclesiástico (cerca de 132 a.C.) emprega uma divisão tríplice, assim como o fez o filósofo judeu Filo (cerca de 40 a.D.). Assim também o fez o historiador Josefo (37-100 a.D.) um pouco depois do tempo de Jesus (Contra Apion, 1.8), muito embora ele não tenha colocado exatamente os mesmos livros na sua divisão, como mais tarde o fizeram grupos judeus.

A moderna e tríplice classificação em Lei, Profetas e Escritos encontrada nas Bíblias judaicas de hoje é derivada do Talmude da Babilônia (cerca do século IV a.D.). Assim, as palavras de Jesus em Lucas 24:44 tanto podem referir-se a essa tríplice divisão como não. É interessante que ele não chamou a terceira parte de "Escritos", mas referiu-se apenas ao livro de "Salmos". Alguns crêem que ele o escolheu, entre os demais, somente por causa de sua importância como livro messiânico.

De qualquer forma, Jesus tinha acabado de se referir à dupla divisão padrão de "lei e profetas", chamando-a de "todas as Escrituras" (Lc 24:27).

LUCAS 24:49 - Por que os discípulos foram à Galileia, se Jesus lhes tinha ordenado que permanecessem em Jerusalém?

PROBLEMA: De acordo com Lucas, os apóstolos foram recomendados a permanecer na cidade de Jerusalém até o Pentecostes. Todavia, Mateus nos diz que eles foram à Galileia (Mt 28:10,16).

SOLUÇÃO: Primeiro, tudo indica que a ordem de permanecerem em Jerusalém foi dada depois de eles terem ido à Galileia. Assim, não há nenhum conflito. Além disso, a ordem de Jesus tinha o propósito de fazer de Jerusalém o seu "quartel-general". Isso não os impedia de fazerem curtas viagens para qualquer outro lugar. Jerusalém era onde eles deveriam estar para receber o Espírito Santo (Lc 24:49) e de onde deveriam começar a sua obra.

LUCAS 24:50-51 - A ascensão de Jesus ocorreu em Betânia ou no monte das Oliveiras, próximo de Jerusalém?

PROBLEMA: Lucas diz que Jesus subiu aos céus em Betânia (Lc 24:50), mas Atos 1:9-12 afirma que isso aconteceu no Monte das Oliveiras, próximo de Jerusalém.

SOLUÇÃO: Betânia ficava na encosta a leste do Monte das Oliveiras, que está a leste de Jerusalém. Lucas, que escreveu essas duas passagens, (cf. At 1:1), não viu nenhuma contradição quando se referiu a esses dois lugares como o local da ascensão de Jesus. Ele pode inclusive ter começado sua ascensão no monte, indo para o leste sobre Betânia, ao ir desaparecendo da vista deles.




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