Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia


MARCOS 1:1 - Por que Marcos não dá nenhuma genealogia de Jesus, como o fazem Mateus e Lucas?



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Marcos




MARCOS 1:1 - Por que Marcos não dá nenhuma genealogia de Jesus, como o fazem Mateus e Lucas?

PROBLEMA: Tanto Mateus (capítulo 1) como Lucas (capítulo 3) mencionam os ancestrais de Jesus (veja Mt 1:1). Entretanto, Marcos não fornece genealogia alguma. Por que tal omissão?

SOLUÇÃO: Marcos apresenta Cristo como um servo, e servos não necessitam de genealogia. O público romano, a quem Marcos direcionou o seu Evangelho, não tinha interesse em saber de onde um servo tinha vindo, mas sim em saber o que ele poderia fazer.

Diferentemente do público romano de Marcos, o público-alvo judeu de Mateus esperava pelo Messias, o Rei. Assim, Mateus dá os antecedentes de Jesus, até suas raízes judaicas como Filho do rei Davi (Mt 1:1). Lucas também apresenta Cristo como o homem perfeito, citando os ancestrais de Cristo até o primeiro homem, Adão (Lc 3:38).

João, por outro lado, apresenta Cristo como o Filho de Deus. Portanto, ele o aponta para a eternidade com o Pai.

Considere o seguinte quadro comparativo dos quatro Evangelhos, que explica por que Marcos não precisava apresentar a genealogia de Jesus.







MATEUS

MARCOS

LUCAS

JOÃO

Cristo é apresentado como

Rei

Servo

Homem

Deus

Símbolo

Leão

Touro

Homem

Águia

Ênfase

Soberania

Ministério

Humanidade

Divindade

Público-alvo

Judeus

Romanos

Gregos

O mundo

Seus antecedentes mostram

Quem é Rei (filho de Davi)

(São anônimos)

Sua humanidade

Sua divindade



MARCOS 1:2 - Como se pode justificar o erro de Marcos na citação dessa profecia do AT?

PROBLEMA: Marcos comete alguns erros ao citar essa profecia de Malaquias, como demonstram as palavras em itálico:


Malaquias 3:1
"Eis que eu envio o meu

mensageiro, que preparará

o caminho diante de mim".


Marcos 1:2
"Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho."


SOLUÇÃO: Em primeiro lugar, deve-se salientar que, apesar da alteração de palavras, o sentido original é mantido. Em vista de um dos princípios fundamentais de compreensão dos textos difíceis (veja Introdução), "uma citação não tem de ser uma repetição exata do que está escrito". Contanto que o sentido seja mantido, as palavras podem ser diferentes.

Em segundo lugar, nesse caso, Marcos simplesmente reforça o sentido acrescentando "diante da tua face". Isso está implícito na passagem original, mas é explicitado no livro de Marcos.

Em terceiro lugar, a alteração de "mim" (primeira pessoa) para "teu" (segunda pessoa) é necessária porque é Deus quem está falando na passagem de Malaquias, ao passo que Marcos fala acerca de Deus. Se ele não tivesse feito esta alteração, ele teria alterado o significado.

MARCOS 2:26 - Jesus não se enganou, quando se referiu a Abiatar como sendo sumo sacerdote, em lugar de Aimeleque?

PROBLEMA: Jesus disse que quando Davi comeu os pães sagrados, Abiatar era o sumo sacerdote; contudo, 1 Samuel 21:1-6 menciona que o sumo sacerdote naquele tempo era Aimeleque.

SOLUÇÃO: O livro de 1 Samuel está correto quando afirma que o sumo sacerdote era Aimeleque. Por outro lado, Jesus também não incidiu em erro. Olhando com maior cuidado as palavras de Jesus, vemos que ele empregou as palavras "no tempo do sumo sacerdote Abiatar" (v. 26), o que não implica necessariamente que Abiatar fosse o sumo sacerdote no momento em que Davi comeu os pães sagrados.

Depois que Davi se encontrou com Aimeleque e comeu os pães, o rei Saul fez com que matassem Aimeleque (1 Sm 22:17-19). Abiatar escapou, foi até Davi (v. 20) e mais tarde tomou o lugar do sumo sacerdote. Portanto, mesmo tendo Abiatar sido feito sumo sacerdote depois do dia em que Davi comeu os pães, ainda está correto falar dessa maneira. Além disso, Abiatar estava vivo quando Davi fez aquilo, e logo em seguida, com a morte de seu pai, ele se tornou o sumo sacerdote. Foi, portanto, no tempo de Abiatar, mas não durante o seu exercício do cargo.



MARCOS 5:1-20 - Quantos endemoninhados havia? Onde se processou a libertação?

(Veja os comentários de Mateus 8:28-34.)


MARCOS 6:5 - Se Jesus é Deus, por que não pôde fazer milagres nessa ocasião?

PROBLEMA: Antes de mais nada, a Bíblia descreve Jesus como sendo Deus (Jo 1:1), que tem com o Pai "toda a autoridade... no céu e na terra" (Mt 28:18). Contudo, nesta ocasião, Jesus "não pôde fazer ali nenhum milagre" (v. 5). Por que não pôde, se ele tem todo o poder?

SOLUÇÃO: Jesus é todo-poderoso como Deus, mas não todo-poderoso como homem. Na condição de Deus-homem, Jesus tem tanto a natureza divina como a humana. O que ele pode fazer numa natureza não é necessariamente o que pode fazer na outra. Por exemplo, como Deus, Jesus nunca se cansou (Sl 121:4); mas como homem ele se cansou, sim cf. Jo 4:6).

Além disso, só pelo fato de possuir todo o poder, isso não significa que ele sempre quis exercê-lo. O "não pôde" de Marcos 6:5 possui o significado "moral" e não "real", isto é, ele decidiu não realizar milagres por causa da incredulidade deles" (Mc 6:6; Mt 13:58). Jesus não era alguém que fazia espetáculos, nem ainda lançava pérolas aos porcos.

Assim, a necessidade nesse caso é moral, não metafísica. Ele tinha a capacidade de fazer milagres lá, e de fato fez alguns (v. 5); mas recusou-se tão-somente a fazer mais, porque considerava que seria um esforço em vão.

MARCOS 6:8 - Jesus ordenou aos discípulos que levassem um bordão, ou não?

(Veja a abordagem de Mateus 10:10.)



MARCOS 8:11-12 - Jesus se contradisse ao dizer que nenhum sinal seria dado? (Cf. Mt 12:38-39.)

PROBLEMA: Em Marcos, os fariseus pediram um sinal a Jesus, mas ele disse que àquela geração não seria dado sinal algum. Mas o relato de Mateus diz que Cristo respondeu afirmando que o sinal do profeta Jonas lhe seria dado (a saber, a ressurreição de Jesus).

SOLUÇÃO: Primeiramente, o ponto principal nessa questão é que Cristo não quis atender o pedido que eles fizeram de um sinal imediato. Jesus não disse em Mateus que o sinal do profeta Jonas seria dado de imediato. Esse sinal (de sua morte e ressurreição) ocorreria mais tarde. Assim, mesmo em Mateus ele não atendeu ao pedido dos fariseus.

Jesus recusava-se a fazer milagres apenas como espetáculo (Lc 23:8). Ele não lançava "pérolas aos porcos". Entretanto, realizou milagres para confirmar que era o Messias (Jo 20:31), e a ressurreição foi o milagre que coroou tal condição (cf. At 2:22-32).

Em segundo lugar, é evidente que em mais de uma ocasião Jesus foi solicitado a dar um sinal. Lucas 11:16, 29-30 afirma que outros pediam dele um sinal do céu. Aqui em Lucas, Jesus responde de forma semelhante à de Mateus 12. Novamente em Mateus 16:1-4, os fariseus pediram um sinal de Jesus, ao que ele respondeu que sinal algum seria dado, a não ser o de Jonas, tal como ele o fez no capítulo 12.

Assim, está claro que em outras ocasiões pediram a Jesus para dar um sinal e, a cada vez, Jesus recusou-se a atender os pedidos imediatos deles. Os milagres são realizados segundo a vontade de Deus, não de acordo com o querer dos homens (cf. Hb 2:4; 1 Co 12:11).



MARCOS 9:48 - Por que Jesus disse que no inferno os vermes não morreriam?

PROBLEMA: Jesus disse que o inferno é um lugar "onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga" (Mc 9:48). Mas o que vermes eternos têm que ver com o inferno?

SOLUÇÃO: Jesus não está falando de vermes da terra, nem de nenhum outro tipo de animal. Ele está falando sobre o corpo humano. Observe que ele não diz: "onde o verme não morre", mas diz: "onde não lhes morre o verme". O termo "lhes" refere-se aos homens que pecaram e morreram sem arrependimento (cf. 9:42-47). "Verme" é simplesmente um modo de referir-se ao "verme humano", ou a esta carcaça, conhecida como corpo.

Isso está de acordo com o contexto, em que Jesus está falando das partes do corpo, tais como "mãos" e "pés" (9:43-45). Ele disse que não deveríamos temer os que podem matar o corpo (os homens), mas não a alma; mas que, antes, temêssemos aquele (Deus) que tem poder para lançar corpo e alma no inferno eterno (Lc 12:4-5; cf. Mc 9:34-48).



MARCOS 10:17-31 -Jesus negou que era Deus ao jovem rico?

(Veja os comentários de Mateus 19:16-30.)



MARCOS 10:35 - Quem veio falar com Jesus: a mãe de Tiago e João ou eles mesmos?

(Veja o que foi comentado sobre Mateus 20:20.)



MARCOS 10:46-52 - Jesus curou dois cegos ou apenas um?

(Veja os comentários de Mateus 20:29-34.)



MARCOS 11:2 - Foram dois os jumentos utilizados na entrada triunfal, ou foi apenas um?

(Veja o que foi comentado sobre Mateus 21:2.)



MARCOS 11:12-14,20-24 - Quando a figueira foi amaldiçoada por Jesus?

(Veja os comentários de Mateus 21:12-19.)



MARCOS 11:23-24 - Jesus prometeu dar-nos literalmente qualquer coisa que lhe pedirmos com fé?

PROBLEMA: À primeira vista esse versículo parece estar dizendo que, se crermos, Deus nos atenderá em qualquer pedido que lhe fizermos. Por outro lado, Paulo pediu a Deus por três vezes que lhe fosse afastado aquele espinho da carne, e Deus recusou (2 Co 12:8-9).

SOLUÇÃO: Há limitações sobre o que Deus dará, indicadas tanto pelo contexto como por outros textos e pelas leis da própria natureza de Deus e do universo.

Primeiro Deus não pode nos dar qualquer coisa. Há coisas que são realmente impossíveis. Por exemplo, Deus não atenderá ao pedido de uma criatura para ser Deus. Nem pode atender a quem peça que aprove um pecado que tenha cometido. Deus não nos dará uma pedra se lhe pedirmos pão, nem nos dará uma serpente se lhe pedirmos um peixe (cf.Mt 7:9-10).

Segundo, o contexto da promessa de Jesus em Marcos 11 indica que ela não foi incondicional, pois o versículo seguinte logo diz: "perdoai,... para que vosso Pai vos perdoe... mas, se não perdoares, também vosso Pai... não vos perdoará". Assim, não há razão para acreditar que Jesus pretendia que tomássemos a sua promessa ao pé da letra, de nos dar "tudo" que pedíssemos, sem condição alguma.

Terceiro, todas as passagens difíceis devem ser interpretadas em harmonia com outras passagens claras das Escrituras. E está claro que Deus não promete, por exemplo, curar todas as pessoas por quem orarmos com fé. Paulo não foi curado, embora tenha orado ardentemente e com fé (2 Co 12:8-9). Jesus ensinou que não foi a falta de fé daquele cego que impediu a sua cura, mas explicou que ele tinha nascido cego "para que se manifestem nele as obras de Deus" (Jo 9:3).

Apesar da capacidade dada por Deus ao apóstolo Paulo para curar outros (At 28:9), aparentemente ele não pôde curar, mais tarde, Epafrodito (Fp 2:25ss) nem Trófimo (2 Tm 4:20). Com certeza não foi a falta de fé que trouxe a doença a Jó (Jó 1:1). Além disso, se a fé do recebedor fosse a condição para que um milagre fosse recebido, então nenhum dos mortos que Jesus ressuscitou teria voltado à vida, pois os mortos não podem crer!

Finalmente, quando se considera o restante das Escrituras, além da fé há muitas condições colocadas na promessa de Deus para a resposta a uma oração. Temos de "permanecer nele" e permitir que a sua Palavra permaneça em nós (Jo 15:7). Não podemos "pedir mal", segundo o nosso egoísmo (Tg 4:3). Além disso, temos de pedir "segundo a sua vontade" (1 Jo 5:14). Até mesmo Jesus orou: "Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! (Mt 26:39).

Com efeito, sempre essa condição - "se for da tua vontade" - tem de ser afirmada ou estar implícita, exceto nas promessas incondicionais de Deus. Porque a oração não é um recurso mediante o qual Deus nos serve. A oração não é um meio pelo qual conseguimos que toda a nossa vontade se faça nos céus, mas um meio pelo qual Deus faz com que a sua vontade se faça na terra.

MARCOS 13:32 - Jesus não sabia quando seria a sua segunda vinda?

PROBLEMA: A Bíblia ensina que Jesus é Deus (Jo 1:1) e que sabe todas as coisas (Jo 2:24; Cl 2:3). Por outro lado, ele crescia "em sabedoria" (Lc 2:52), e às vezes parecia não saber certas coisas (cf. Jo 11:34). De fato, ele negou saber o tempo de sua segunda vinda, quando disse: "a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai".

SOLUÇÃO: Temos de distinguir o que Jesus sabia como Deus (tudo) daquilo que ele sabia como homem. Como Deus, Jesus era onisciente (conhecedor de todas as coisas), mas como homem era limitado em seu conhecimento. A situação pode ser esquematizada da seguinte maneira:



JESUS COMO DEUS
Ilimitado em conhecimento

Conhecimento pleno, isento de etapas

Sabia o tempo de sua volta


JESUS COMO HOM EM
Limitado em conhecimento

Cresceu no conhecimento

Não sabia o tempo de sua volta




MARCOS 14:12ss - Jesus instituiu a Ceia do Senhor no dia da Páscoa ou na véspera desse dia?

PROBLEMA: Se os três primeiros Evangelhos (os sinóticos) estão corretos, então Jesus instituiu a Ceia do Senhor "no primeiro dia dos pães asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal" (cf. Mt 26:17; Lc 22:1). João, porém, coloca-a "antes da Festa da Páscoa" (13:1), o dia antes da crucificação, no qual eles comeriam a Páscoa (cf. Jo 18:28).

SOLUÇÃO: Há duas posições principais abraçadas pelos estudiosos evangélicos a respeito desse ponto. Alguns afirmam que Jesus comeu o cordeiro pascal (e instituiu a Ceia do Senhor no fim daquela ceia) no mesmo dia que era observado pelos judeus, e sustentam sua posição da Seguinte maneira: (1) Esse era o dia prescrito pela Lei do AT, e Jesus disse que ele não viera para revogar a Lei, mas para cumpri-la (Mt 5:17-8). (2) Esse parece ser o significado de Marcos 14:12, ao dizer que foi no primeiro dia dos pães asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal". (3) Quando João 19:14 fala que "era a preparação da Páscoa" (R-1BB, SBTB), consideram que isso significa apenas a preparação para o Shabbath que ocorreu naquela semana pascal.

Outros estudiosos argumentam que Jesus comeu o cordeiro pascal um dia antes dos judeus porque: (1) Ele teria de comê-lo na véspera (quinta-feira), para que pudesse oferecer-se a si mesmo no dia seguinte (na sexta-feira santa) como o Cordeiro Pascal (cf. Jo 1:29) aos judeus, em cumprimento do que fora tipificado no AT, e no mesmo dia que estives-m comendo o cordeiro pascal (1 Co 5:7). (2) O que realmente está escrito em João 19:14 é que era "a preparação da Páscoa" (SBTB) [não o abado] ou, em outras palavras, era o dia anterior àquele em que os judeus comiam a Páscoa. (3) De igual forma, João 18:28 afirma que os judeus não queriam se contaminar no dia em que Jesus foi crucificado para "poderem comer a Páscoa".

Cada uma dessas duas interpretações é possível, não havendo contradição. Entretanto, a última delas parece explicar os textos de uma forma mais decisiva. (Veja também os comentários de Mateus 12:40.)

MARCOS 14:30 - Quando Pedro negou Cristo, quantas vezes o galo cantou: uma ou duas vezes?

(Veja os comentários de Mateus 26:34.)



MARCOS 15:25 (cf. Jo 19:14) -Jesus foi crucificado na terceira hora ou na hora sexta?

PROBLEMA: O relato do Evangelho de Marcos diz que foi na hora terceira (9 horas da manhã, conforme o tempo judeu) que Cristo foi crucificado (15:25). O Evangelho de João diz que cerca da hora sexta (ao meio-dia) Jesus estava ainda em julgamento (19:14). Isso faria com que sula crucificação tivesse de ocorrer bem mais tarde do que foi especificado por Marcos. Qual dos Evangelhos está correto?

SOLUÇÃO: Os dois evangelistas estão corretos em suas afirmações. A dificuldade é superada quando percebemos que cada um deles fez uso de um sistema diferente de medição do tempo. João segue o sistema de tempo romano, ao passo que Marcos segue o sistema judaico.

De acordo com o tempo romano, o dia corria de meia-noite a meia-noite. O período de 24 horas judaico começava às 6 horas da tarde e a manhã, às seis horas da manhã. Assim, quando Marcos afirma que na terceira hora Cristo foi crucificado, esse horário corresponde a 9 horas do nosso tempo.

João afirmou que o julgamento de Cristo foi cerca da hora sexta, ou seja, às seis da manhã. Isso colocaria o julgamento antes da crucificação e não negaria qualquer testemunho dos autores dos Evangelhos.

Isso está de acordo com outras referências ao tempo feitas por João. Por exemplo, ele fala de Jesus estar cansado de sua viagem desde a Judéia até a Samaria "por volta da hora sexta", quando pediu água para a mulher junto ao poço. Considerando a extensão de sua viagem, o seu cansaço, e que normalmente era no final da tarde que as pessoas iam até o poço para beber e dar de beber a seus animais, isso está mais de acordo com as 6 da tarde, que é "a hora sexta" pelo sistema romano.

O mesmo é verdade a respeito da referência de João (1:39) à hora décima, que seria para nós 10 horas da manhã, uma hora bem mais propícia para se estar pregando ao ar livre, do que 4 horas da manhã.

MARCOS 15:26 - Por que a inscrição na cruz é diferente em cada um dos Evangelhos?

(Veja os comentários de Mateus 27:37.)



MARCOS 15:39 - O que na verdade disse o centurião acerca de Jesus na cruz?

(Veja a abordagem de Mateus 27:54.)



MARCOS 16:2 - Maria foi ao túmulo antes ou depois de o sol nascer?

PROBLEMA: Marcos afirma que Maria foi até lá "muito cedo,... ao despontar do sol" (v. 2). Mas João diz que era "de madrugada, sendo ainda escuro" (Jo 20:1).

SOLUÇÃO: Há duas possibilidades. Uma delas sugere que a frase "ao despontar do sol" (Mc 16:2) indica apenas que era muito cedo (cf. SI 104:22), e "ainda escuro", no linguajar de João (20:1).

Outra possibilidade é a que sustenta que Maria veio sozinha primeiramente, quando ainda estava escuro, antes de o sol nascer (Jo 20:1), e depois veio de novo, após o nascer do sol, com as outras mulheres (Mc 16:1). Em apoio a essa posição está o fato de que somente Maria é mencionada em João, mas em Marcos são citadas ela e as outras mulheres. Também, Lucas (24:1) diz que era "alta madrugada", quando as mulheres (não apenas Maria) foram lá. Ainda, Mateus (28:1) fala que foi "ao findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana" que "Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro". Somente João menciona Maria estando lá sozinha "sendo ainda escuro" (Jo 20:1).



MARCOS 16:8 - As mulheres falaram do que tinham visto no túmulo, ou não?

PROBLEMA: Marcos diz que as mulheres, ao retornarem do túmulo vazão, "de medo, nada disseram a ninguém" (16:8). Entretanto, Mateus afirma que elas, tendo ouvido o que disse o anjo, "correram a anunciá-lo aos discípulos" (Mt 28:8; cf. v. 9).

SOLUÇÃO: Em resposta, deve-se observar que Mateus na verdade não diz que as mulheres realmente anunciaram aquela nova aos discípulos, mas que elas correram com a intenção de assim fazer. Também, por Marcos revelar que elas não falaram porque estavam com medo, pode ser que a princípio elas se contiveram (como Marcos indicou), e que depois falaram (como Mateus parece dizer). É possível, ainda, que as mulheres tenham deixado o túmulo em dois grupos, um logo depois do outro, e que Marcos tenha se referido a um e Mateus, ao outro.

MARCOS 16:9-20 - Por que essa passagem da Escritura é omitida em algumas Bíblias?

PROBLEMA: A maioria das versões atuais da Bíblia contém esse texto final do Evangelho de Marcos, inclusive a ARA, a SBTB, a EC, a BJ e outras. Contudo, a R-IBB e a TLH colocam esse trecho entre colchetes, com uma nota explicativa, dizendo: "nos melhores manuscritos antigos não consta o trecho dos versículos 9 a 20" (R-IBB). A NVI não coloca colchetes, mas inclui uma nota semelhante. Esses versículos estavam no evangelho original de Marcos?

SOLUÇÃO: Os eruditos estão divididos quanto à autenticidade desses versículos. Os que aceitam o tradicional texto recebido apontam para o fato de que esse texto do final de Marcos é encontrado na maioria dos manuscritos bíblicos em todos os séculos. Assim, crêem que ele estava no manuscrito original do Evangelho de Marcos.

Por outro lado, aqueles que advogam a tradição do criticismo textual insistem que não devemos acrescentar evidências, mas pesá-las. Segundo ele , a verdade não é determinada por voto da maioria, mas pelos testemunhos mais qualificados. Eles lançam mão dos seguintes argumentos para rejeitar esses versículos:

(1) Esses versículos não constam em muitos dos mais antigos e mais confiáveis manuscritos gregos, bem como em importantes manuscritos em latim antigo, siríaco, armeniano e etiópico.

(2) Muitos dos antigos pais da Igreja revelam não conhecer esses versículos, inclusive Clemente, Orígenes e Eusébio. Jerônimo admitiu que quase todas as cópias gregas não os contêm.

(3) Muitos manuscritos que contêm essa seção assinalam que é uma espúria adição ao texto.

(4) Há outro final (mais curto) de Marcos que é encontrado em alguns manuscritos. (5) Outros apontam para o fato de que o estilo e o vocabulário não são os mesmos do resto do Evangelho de Marcos.

Se essa parte do texto pertence ou não ao original, a verdade que ele contém certamente está de acordo com o original. Assim, a presença dessas linhas não faz nenhuma diferença, já que, se aceitas, não há nelas nada que seja contrário ao restante das Escrituras; e, não sendo aceitas, não há verdade bíblica que fique faltando na Bíblia, já que tudo que é ensinado nesse trecho é encontrado em outras partes das Escrituras. Isso inclui sua menção às línguas (veja At 2:1 ss), ao batismo (At 2:38) e à proteção de Deus aos seus mensageiros que inadvertidamente fossem picados por serpentes (cf. At 28:3-5).

Portanto, todo esse debate acaba sendo simplesmente sobre se esse texto pertence ou não à Bíblia, mas não se questiona quanto ao seu conteúdo, quanto a haver qualquer verdade que esteja faltando.



MARCOS 16:12 - Jesus apareceu em corpos diferentes depois de sua ressurreição?

PROBLEMA: De acordo com Marcos, Jesus apareceu "em outra forma". Com base nisso, alguns argumentam que depois da ressurreição Jesus assumiu corpos diferentes em ocasiões diferentes, não tendo o mesmo corpo físico que tivera antes da ressurreição. Mas isso é contrário ao ortodoxo entendimento que se tem da ressurreição, como é indicado por muitos outros versículos (veja os comentários de Lucas 24:34).

SOLUÇÃO: Tal conclusão não tem cabimento por várias razões. Primeiro, há sérias questões quanto à autenticidade do texto envolvido. Marcos 16:9-20 não é encontrado em alguns dos mais antigos e melhores manuscritos (veja os comentários de Marcos 16:9-20 acima). E sobre a reconstrução dos textos originais a partir dos manuscritos disponíveis, muitos eruditos crêem que os textos mais antigos são mais confiáveis, já que são mais próximos do manuscrito original.

Segundo, mesmo admitindo a autenticidade do texto, o evento do qual ele é um resumo (cf. Lc 24:13-32) simplesmente diz que "os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer" (Lc24:16). Isso torna claro que o elemento miraculoso não estava no corpo de Jesus, mas nos olhos daqueles discípulos (Lc 24:16,31). O reconhecimento de Jesus lhes tinha sido impedido até que os olhos deles foram abertos.

Terceiro, na melhor das hipóteses, essa é uma referência obscura e isolada. E não é sábio basear nenhum pronunciamento doutrinário num texto assim.

Quarto, seja qual for o significado de "em outra forma", com certeza não é o de uma forma diferente do seu corpo material, físico, real. Pois, nessa mesma ocasião, Jesus comeu comida material (Lc 24:30), e mais tarde, nesse mesmo capítulo de Lucas, ele deu uma prova de que era carne e ossos", e não um "espírito" não-material (vs. 38-43). Finalmente, "em outra forma" provavelmente tenha o sentido de ser erente da figura do jardineiro com que Maria anteriormente o confundira (Jo 20:15). Nesse tempo Jesus apareceu na forma de um viajante (Lc 24:13-14).






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