Manual de procedimentos básicos em microbiologia


QUADRO CLÍNICO, agentes etiológicos e diagnóstico laboratorial



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QUADRO CLÍNICO, agentes etiológicos e diagnóstico laboratorial




Faringite *


O agente mais freqüente de faringite bacteriana é o Streptococcus pyogenes. Em pacientes hospitalizados o trato respiratório superior pode ser colonizado por Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp., Klebsiella pneumoniae e outras enterobactérias. Esses microrganismos não são patógenos de faringe e não devem ser reportados nos resultados de rotina. Porém se o paciente for imunocomprometido, e houver solicitação do médico, essas bactérias serão consideradas para laudo e teste de sensibilidade.

Alguns vírus tais como: adenovírus, herpes simplex, influenza, parainfluenza, coxsackie A e EBV (mononucleose infecciosa), produzem faringite acompanhada de rinorréia, tosse, exantema e às vezes febre, sendo o diagnóstico sorológico ou através de provas moleculares.



Laringite e Epiglotite


A laringite aguda, na grande maioria das vezes, é de etiologia viral. Culturas para pesquisa de agentes bacterianos são indicadas apenas na suspeita de difteria. A epiglotite, também chamada de “crupe”, geralmente tem etiologia bacteriana (Haemophilus influenzae tipo B). Mas a coleta com “swab” diretamente da epiglote é contra-indicada por duas razões: em primeiro lugar, a manipulação ou irritação da epiglote edemaciada pode provocar quadro de obstrução; em segundo lugar, o isolamento de H. influenzae b pode não ocorrer.

O diagnóstico é fundamentalmente clínico, porém hemoculturas (> 50% dos casos são bacterêmicos) podem confirmar a etiologia. O meio de cultura deve ser enriquecido com fatores X e V ou adicionado de sangue de cavalo aquecido, sendo importante realizar teste de suscetibilidade com pesquisa de beta lactamases.




Sinusites


Os seios paranasais comunicam-se com a cavidade nasal, sendo então susceptíveis a infecções por microrganismos habitantes do trato respiratório superior. A sinusite aguda é freqüentemente secundária à infecção viral de vias aéreas superiores. Outros fatores predisponentes são: alergia, desvio do septo nasal, pólipos, e em pacientes hospitalizados, entubação orotraqueal prolongada. A infecção de seios paranasais pode se propagar a tecidos adjacentes, como células etmoidais (levando a celulite periorbital), abscessos cerebrais e meningites.

Os microrganismos mais comumente identificados são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não b, anaeróbios estritos, Streptococcus spp., e Branhamella catarrhalis. Em sinusites de origem intra-hospitalar, os agentes mais freqüentes são: Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, e fungos como Candida spp.




Otites


Otite Média: infecção do ouvido médio, geralmente acomete crianças entre 3 meses e 3 anos de idade. O diagnóstico etiológico só pode ser feito através de cultura do fluido do ouvido médio, mas como a obtenção deste material implica em realização de timpanocentese, não é realizado a não ser que haja indicação clínica de drenagem. Os agentes mais comumente isolados são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Streptococcus pyogenes.

Otite Externa: infecção do canal auditivo externo, geralmente causada por Pseudomonas aeruginosa, Proteus spp. e Staphylococcus aureus.



Nasofaringe e Mucosa Nasal


Nasofaringe: o material coletado para diagnóstico da infecção deve ser aspirado através do nariz; utilizado para o diagnóstico de coqueluche, Mycoplasma e alguns casos de difteria. Para detecção de meningococo a amostra deve ser coletada com swab ou por aspiração e semeada imediatamente em meios adequados. Deve ser lembrado que para detecção de portadores de meningococo, deve ser coletado material com zaragatoa de arame, e semeado imediatamente em meios adequados.

Nariz: 20 a 25% dos indivíduos sadios são portadores de Staphylococcus aureus no nariz, e no ambiente hospitalar esta taxa pode aumentar. Alguns autores associam a colonização nasal por este microrganismo com o aumento do risco de infecção hospitalar em pacientes submetidos a cirurgias (cardíaca, por exemplo) e a programas de diálise peritoneal contínua (CADP). Nestes casos de risco, colher material das narinas para pesquisa de Staphylococcus aureus, com teste de susceptibilidade à mupirocina (antibiótico de uso tópico utilizado para erradicação do microrganismo da mucosa nasal).


Candidíase oral


Comum em neonatos e pacientes imunocomprometidos, principalmente após utilização de antibióticos de largo espectro. O diagnóstico é direto, feito através de esfregaço em lâmina do exudato corado pelo Gram ou KOH, onde são visualizadas leveduras.

Os meios de cultura mais utilizados para semeadura, de materiais obtidos das vias aéreas superiores são o Ágar Chocolate (com sangue de cavalo) e Ágar Sangue incubados em atmosfera de 5% de CO2, e Ágar Mac Conkey. Na rotina não se recomenda fazer enriquecimento, nem fazer uso de meios seletivos. Na suspeita de infecções por anaeróbios usar meios e condicões apropriadas para o cultivo destas bactérias.


Para cultura do bacilo diftérico é recomendável encaminhar a Laboratório de Saúde Pública. O meio seletivo é o meio de Ágar Sangue cistina-telurito. O bacilo também cresce em Ágar Sangue, sendo opcional fazer enriquecimento em Ágar Loeffler azul de metileno.
* Principais agentes etiológicos de faringites


Agente

Manifestação clínica

Estimativa de casos (%)

Rhinovirus

Resfriado

20

Coronavírus

Resfriado

5

Adenovirus

Doença respiratória aguda ou febre faringo-conjuntival

5

Herpes simplex vírus

Gengivite, estomatite e faringite

4

Outros vírus

Herpangina, mononucleose, etc

≤1

Influenza vírus

gripe

2

Parainfluenza vírus

resfriado

2

Streptococcus pyogenes

Faringite, amigdalite e escarlatina

15-30

Streptococcus beta hemolítico do grupo C

Faringite e amigdalite

5

C. diphtheriae

Difteria

raramente

Neisseriae gonorrhoeae

Faringite

raramente

Arcanobacterium haemolyticum

Faringite

raramente

Mycoplasma pneumoniae

Faringite, pneumonia

raramente






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