Manual de procedimentos básicos em microbiologia


Infecções por Mycoplasma spp



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Infecções por Mycoplasma spp.


Alguns micoplasmas são habitantes normais do trato genito-urinário, sobretudo em mulheres. Em ambos os sexos, a presença de micoplasma no trato genital está diretamente relacionada com o número de parceiros sexuais.


O M. hominis pode ser isolado de 30-70% das mulheres assintomáticas, enquanto o U. realyticum é encontrado no trato genital de 40-80% das mulheres sexualmente ativas. Além disso, outras espécies de micoplasmas podem ocorrer no trato genital inferior, tais como: M. fermentans e M. genitalium com pequeno significado clínico.
O M. hominis está fortemente associado à infecção das trompas ovarianas e a abscessos tubo-ovarianos. Ele pode ser isolado através de hemoculturas em cerca de 10% das mulheres com febre puerperal e no líquido sinovial de pacientes com artrite.
O U. urealyticum é comum no trato genital feminino, porém a sua associação com doença é discutível. Ele tem sido associado à ocorrência de doenças pulmonares em prematuros com baixo peso que contraíram o microrganismo durante o nascimento. Existe evidência de associação entre o Ureaplasma urealyticum e infertilidade.

Diagnóstico Laboratorial

Os micoplasmas são bactérias desprovidas de parede celular, são pleomórficas e somente crescem em meios hipertônicos, contendo 20% de soro de cavalo e extrato de levedura. O método de Gram não tem valor na pesquisa desta bactéria.


Como fazem parte da microbiota genital normal, as culturas para seu isolamento necessitam ser quantitativas. Títulos iguais ou superiores a 103 UTC (unidades trocadoras de cor) são considerados clinicamente significativos. Em alguns casos pode ser necessária a realização do antibiograma que é feito em meio sólido ou líquido, utilizando-se pelo menos duas concentrações de cada antibiótico. Os antibióticos freqüentemente utilizados incluem: tetraciclina, eritromicina, roxitromicina, ofloxacina e tianfenicol.
Testes sorológicos não são utilizados na rotina, para infecções genitais por micoplasmas. Os principais testes utilizados no diagnóstico de infecções genitais por micoplasmas incluem:

  • Cultura quantitativa de materiais, tais como: secreção vaginal, uretral, cervical, urina de 1º. jato, esperma e líquido prostático em meios U-9, M-42 e A-7. Títulos iguais ou maiores que 103 UTC (unidades trocadoras de cor) são clinicamente significativos.

  • Testes sorológicos: utilizados somente para infecções pulmonares ou articulares.

  • Antibiograma: tetraciclina, eritromicina, roxitromicina, ofloxacina e tianfenicol são testados rotineiramente.


Outras Infecções Genitais e seus Patógenos




Amnionite

Streptococcus agalactiae (grupo B) principal patógeno, Capnocytophaga spp., E. coli, Listeria monocytogenes, Neisseria gonorrhoeae, Haemophilus spp., Streptococcus pyogenes

Bartolinite

N. gonorrhoeae, U. urealyticum, Enterobacterias. Agentes mais raramente relacionados: Anaeróbios, C. trachomatis, S. aureus.

Endometrite/salpingite

Bacteroides spp., C. trachomatis, N. gonorrhoeae (importante em salpingite), Enterococcus spp., S. agalactiae, Enterobactérias, L. monocytogenes, Actinomyces spp. (associado ao uso de DIU)

Epididimite/orquite

Chlamydia trachomatis, N. gonorrhoeae, Enterobacterias, Pseudomonas spp.

Prostatite

Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Enterobactérias, Pseudomonas aeruginosa, Enterococcus spp., S. aureus (abscesso)

Úlceras genitais

Cancro mole - Haemophilus ducreyi Cancro duro - Treponema pallidum (sífilis) Herpes genital - Herpes simplex vírus.

Uretrites e cervicites

Chlamydia trachomatis, N. gonorrhoeae, Herpes simplex virus, Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealyticum, Haemophilus spp. (no homem).



9.INFECÇÕES DO TRATO RESPIRATÓRIO SUPERIOR



INTRODUÇÃO


A maioria das infecções de vias aéreas superiores são autolimitadas, de etiologia viral, porém outras são provocadas por bactérias e exigem tratamento antimicrobiano. Serão consideradas IVAS (infecções de vias aéreas superiores) infecções da laringe, nasofaringe, orofaringe, nariz, seios paranasais e ouvido médio. Como muitas vezes são indistinguíveis clinicamente, o diagnóstico laboratorial é fundamental.


A identificação de uma bactéria patogênica ou potencialmente patogênica não necessariamente indica seu envolvimento na infecção, pois estes microrganismos podem também ser detectados em portadores como é o exemplo do Haemophilus influenzae. Desse modo, o conhecimento da flora normal do trato respiratório superior é essencial para a interpretação dos resultados da cultura.
A orofaringe contém uma microbiota mista com grande densidade de bactérias aeróbias, anaeróbias facultativas e anaeróbias estritas, incluindo Streptococcus alfa hemolíticos e não hemolíticos, Streptococcus beta hemolíticos não pertencentes ao grupo A, Neisserias não patogênicas, Haemophilus spp., difteróides, Staphylococcus sp, Micrococcus spp., Anaeróbios (Bacteroides spp, Fusobacterium spp., Veillonella spp., Peptostreptococcus spp., Actinomyces spp.).
Alguns patógenos como Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes, Haemophilus influenzae, Neisseria meningitidis, enterobactérias e leveduras como Candida albicans podem ser componentes transitórios da flora de orofaringe em indivíduos saudáveis, sem desenvolvimento de doença. O trato respiratório abaixo da laringe não possui flora residente normal. A mucosa nasal anterior é freqüentemente colonizada por Staphylococcus epidermidis e difteróides, e alguns indivíduos são portadores intermitentes ou definitivos de Staphylococcus aureus. Por outro lado, os seios paranasais e o ouvido médio não possuem flora microbiana.





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