Manual de procedimentos básicos em microbiologia



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Tricomoníase


A Trichomonas vaginalis afeta aproximadamente 180 milhões de mulheres em todo o mundo. Em muitos países industrializados a prevalência da tricomoníase tem diminuído. A Trichomonas vaginalis é identificada em 30-40% dos homens, parceiros sexuais de mulheres infectadas. Ela também está associada com outras doenças sexualmente transmitidas. Na mulher, a tricomoníase varia de portadora assintomática até doença aguda inflamatória. Em mulheres grávidas, sem tratamento, está associada com ruptura de membranas, nascimento prematuro e celulite pós-histerectomia.



Diagnóstico Laboratorial

O diagnóstico laboratorial da tricomoníase pode ser realizado através de exames diretos, cultura ou técnicas moleculares. O pH vaginal está marcadamente elevado e há aumento do número de leucócitos polimorfonucleares. A visualização de Trichomonas móveis pelo exame direto a fresco é positiva em cerca de 50-70% dos casos confirmados em cultura. Embora os Trichomonas possam ser visualizadas através de esfregaços pelo Papanicolaou, a sensibilidade é de apenas 60-70%. Microbiologistas experientes visualizam facilmente estas estruturas pelo método de Gram que detecta também as formas imóveis.


As técnicas de cultura possuem alta sensibilidade (95%) e devem ser realizadas quando os exames diretos são negativos e o pH está aumentado na presença de numerosos leucócitos polimorfoncleares.
Um diagnóstico rápido pode ser realizado através de “Kits” usando sondas de DNA e anticorpos monoclonais com sensibilidade de 90% e especificidade de 99,8%. Os testes mais freqüentemente utilizados são:

  • Exame direto a fresco e/ou após coloração pelo Gram

  • Exame colpocitológico pelo Papanicolaou

  • Isolamento em meios de cultura específicos (Roiron, Kupferberg, Diamond)

  • Pesquisa pela metodologia de sondas de DNA


Vaginose Bacteriana


É a mais frequente causa de vaginite em mulheres sexualmente ativas. Além da Gardnerella vaginalis outras bactérias estão envolvidas, tais como: Mobilluncus spp., Bacteroides spp. e Mycoplasma hominis.


Vários estudos têm demonstrado um aumento de 2 a 7% na taxa de risco de nascimentos prematuros em mulheres com vaginose bacteriana. A vaginose bacteriana representa uma mudança complexa na microbiota vaginal, caracterizada pela redução na prevalência e concentração de lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e um aumento na prevalência e concentração de Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp., Mycoplasma hominis, bacilos Gram negativos anaeróbios principalmente dos gêneros Prevotella, Porphyromonas e Bacteroides.
A transmissibilidade da vaginose bacteriana foi demonstrada por Gardner e Dukes (1955) e a doença pode ser considerada uma DST. A transmissão não é suficiente para explicar todos os casos, pois o microrganismo é encontrado normalmente em algumas mulheres sadias e também em jovens sem atividade sexual. Os fatores de risco para vaginose bacteriana incluem o uso de dispositivo intrauterino e gravidez.

Diagnóstico Laboratorial

Os critérios para se estabelecer o diagnóstico de vaginose bacteriana são simples e podem ser usados na clínica e no Laboratório com bastante sucesso. A presença de “clue cells”, células escamosas do epitélio vaginal cobertas com bactérias de modo que os bordos da célula perdem a definição, é o achado de melhor valor preditivo de vaginose bacteriana. O exame pelo Gram de secreção vaginal é o método de escolha para visualização de “clue cells” com sensibilidade de 93% e especificidade de 70%.


A cultura para G. vaginalis é positiva em todos os casos de vaginose bacteriana, e pode ser detectada em 50-60% de mulheres sadias assintomáticas. Desta maneira a cultura vaginal, isoladamente, não deve fazer parte do diagnóstico de vaginose bacteriana. O uso de metodologia de sondas de DNA, possui sensibilidade e especificidade semelhantes à cultura, mas o seu custo é muito elevado.
No diagnóstico laboratorial os seguintes testes são freqüentemente utilizados:

  • pH vaginal > 4,5; odor desagradável após a adição de KOH 10% à secreção

  • Bacterioscópico pelo Gram: ausência ou diminuição de leucócitos e de lactobacilo, presença de “clue-cells”, grande quantidade de bacilos Gram-variáveis (lábeis)

  • Cultura: isolamento em meio seletivo (ágar vaginalis)

  • Pesquisa pelo uso de metodologia de sondas de DNA



Incidência relativa de vaginite/vaginose em mulheres com sintomas





Vaginose bacteriana

Candidíase

Trichomoníase

Incidência relativa

35% a 50%

20% a 25%

5% a 15%

Fatores demográficos

População dependente:

  • 20%: clínicas de planejamento familiar.

  • 35%: clinicas de DST

  • 10-30%: em mulheres grávidas

Fatores de risco:

diabetes, gravidez, contraceptivo oral, baixa imunidade.




Transmitida sexualmente, alta incidência com outras DST.




Incidência de co-infecção nas vaginites/vaginoses


Tipos de vaginites

Patógenos Associados

Incidência de co-infecção

Vaginose bacteriana

Gardnerella vaginalis, Prevotella spp., Bacteróides spp., Mycoplasma hominis, Mobiluncus spp.

Candidíase

Candida spp.

  • 15 a 25% com vaginose bacteriana

  • > 15% com Trichomonas

Tricomoníase

Trichomonas vaginalis


  • > 10% com vaginose bacteriana

  • > 15% com leveduras também com Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae





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