Manual de procedimentos básicos em microbiologia


INFECÇÕES SISTÊMICAS INTRODUÇÃO



Baixar 0.71 Mb.
Página15/25
Encontro21.10.2017
Tamanho0.71 Mb.
1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   ...   25

7.INFECÇÕES SISTÊMICAS



INTRODUÇÃO


A presença de microrganismos viáveis no sangue do paciente pode levar a um considerável aumento da morbidade e da mortalidade. Devemos também lembrar que este fato representa uma das mais importantes complicações do processo infeccioso, o que torna a hemocultura um exame de significativo valor preditivo de infecção.


A maioria dos episódios sépticos é de origem hospitalar e, às vezes, resultado de microrganismos que apresentam grande resistência aos antimicrobianos, com uma mortalidade bem superior aos episódios que ocorrem na comunidade.
A invasão do sangue por microrganismos geralmente ocorre por um dos seguintes mecanismos:

  1. Penetração a partir de um foco primário de infecção, através de vasos linfáticos e daí até o sangue.

  2. Entrada direta na corrente sanguínea, via agulhas ou outros dispositivos vasculares, como catéteres.

A presença de bacteremia ou fungemia representa também uma falha nas defesas do hospedeiro em localizar e neutralizar uma determinada infecção em seu foco inicial, ou também numa eventual falha médica em remover ou drenar um foco infeccioso. Geralmente, num paciente imunocompetente, as defesas naturais respondem prontamente à presença de microrganismos estranhos. Esta eliminação pode ser menos eficiente quando os microrganismos são encapsulados, ou mais eficiente quando o paciente já apresenta anticorpos contra o organismo infectante. Existem também situações em que esta eliminação não é eficaz, como nos casos de infecções com focos intravasculares ou em endocardites.


Conceitualmente, ainda se classificam as bacteremias em transitória, intermitentes ou contínuas. A do tipo transitória, que em geral é rápida com duração de alguns minutos a poucas horas, é a mais comum e ocorre após uma manipulação de algum tecido infectado (abscessos e furúnculos), durante algum procedimento cirúrgico que envolve algum tecido contaminado ou colonizado (cavidade oral, cistoscopia, endoscopia) ou ocorre em algumas infecções agudas como pneumonia, meningite, artrite e osteomielite. Quando a bacteremia se manifesta, com intervalos variáveis de tempo (com o mesmo microrganismo) é denominada de intermitente. Geralmente este tipo de bacteremia ocorre em processos infecciosos relacionados a abscessos intra-abdominais, pneumonias e outras. A bacteremia contínua é característica da endocardite infecciosa e de outras infecções intravasculares.
As bacteremias na grande maioria das vezes são causadas por um único microrganismo, porém em algumas situações são de etiologia polimicrobiana.
Embora qualquer infecção localizada possa se disseminar para o sangue, a bacteremia e/ou fungemia geralmente são mais freqüentemente devidas à dispositivos intra-vasculares (catéteres), infecções abdominais, infecções dos tratos respiratório e urinário. Bacteremia e fungemia são termos que simplesmente identificam a presença de bactérias ou fungos no sangue. Sepse é a presença de sintomas clínicos de infecção na presença ou não de hemocultura positiva.


FATORES DE RISCO PARA BACTEREMIA E FUNGEMIA


As condições que predispõem um paciente ao quadro de bacteremia ou fungemia, incluem a idade, doenças de base, medicamentos (corticóides, quimioterápicos, drogas citotóxicas) e alguns procedimentos médicos invasivos (catéteres, procedimentos endoscópicos). Há maior risco nas faixas etárias extremas e os pacientes com doenças hematológicas, portadores de neoplasias, diabetes mellitus, insuficiência renal em uso de diálise, cirrose hepática, imunodepressão e queimaduras são os mais predispostos. Alguns procedimentos cirúrgicos são também predisponentes, particularmente os do trato geniturinário e gastrointestinal.



Microrganismos freqüentemente envolvidos

Destacam-se as prevalências de S. aureus e de E. coli, sendo que na última década nota-se um significativo aumento na incidência de casos devidos a estafilococos coagulase negativos, o que pode causar dificuldade na interpretação dos resultados microbiológicos, pois cerca de 85% destes isolamentos podem representar contaminação ao invés de uma bacteremia verdadeira.


Entre os agentes que na última década se tornaram prevalentes, destacam-se os enterococos, os fungos e as micobactérias relacionadas aos pacientes portadores do HIV. As bacteremias causadas por bactérias anaeróbias são muito raras. Em crianças, o perfil de microrganismos assemelha-se ao da população adulta (os microrganismos são similares aos que ocorrem na população adulta), mas há uma maior prevalência de bacteremias por estafilococos, e , principalmente, por S. pneumoniae, meningococos e hemófilos.
A identificação do microrganismo isolado fornece um valor preditivo importante.


  • Alguns microrganismos em cerca de 90% dos casos sugerem uma infecção verdadeira como S. aureus, E. coli e outras enterobactérias, Pseudomonas aeruginosa, S. pneumoniae e Candida albicans.

  • Outros agentes como Corynebacterium spp., Bacillus spp. e Propionibacterium acnes, raramente representam uma verdadeira bacteremia (menos de 5% dos casos são verdadeiros).

  • Os S. viridans, Enterococos e Staphylococcus coagulase negativos representam em média respectivamente 38%, 78% e 15% de bacteremias verdadeiras.

  • Considera-se aceitável um percentual entre 3 a 5% de hemoculturas contaminadas.


Patógenos raros relacionados à imunossupressão causada por câncer ou leucemia


  • Aeromonas hydrophila

  • Bacillus spp.

  • Campylobacter spp.

  • Capnocytophaga spp.

  • C. septicum

  • Corynebacterium jeikeium

  • L. monocytogenes

  • Mycobacterium fortuitum/chelonei

  • Rhodococcus equii

  • S. typhimurium

  • Streptococcus do grupo G

  • Streptococcus bovis





1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   ...   25


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal