Manual de procedimentos básicos em microbiologia


INFECÇÕES ABDOMINAIS AGENTES MICROBIANOS MAIS FREQUENTES



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5. INFECÇÕES ABDOMINAIS



AGENTES MICROBIANOS MAIS FREQUENTES




  • Intrabdominais (peritonite pós-trauma de vísceras ocas): Enterobactérias (Escherichia coli, Klebsiella spp., Proteus spp., Enterobacter spp.), Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Enterococcus spp., Anaeróbios (Bacteroides spp., Fusobacterium spp., Veillonella spp., Peptostreptococcus spp., Propionibacterium spp.).

  • Abscesso intrabdominal: incluindo apendicite, diverticulite. As mesmas bactérias do ítem anterior, e ainda: Clostridium spp., Eubacterium spp., S. pyogenes e Streptococcus spp.

  • Peritonite Bacteriana Espontânea Primária: Enterobactérias (2/3), S. pneumoniae (15%), enterococos (6-10%) e anaeróbios < 1%.

  • Peritonite associada a diálise peritonial crônica: S. aureus, S. epidermidis, P. aeruginosa, enterobactérias e 20% estéril.

  • Infecções hepáticas, incluindo abscessos: Streptococcus spp., Escherichia coli, Proteus spp., Peptostreptococcus spp., Fusobacterium spp., Bacteroides spp., Enterococcus spp., Entamoeba histolytica, Leishmania donovani (kalazar), microsporidiose.

  • Granuloma hepático: M. tuberculosis, Mycobacterium spp., Brucella spp., Histoplasma capsulatum, Coxiella burnetii, T. pallidum (sífilis secundária), Echinococcus spp., Schistosoma spp., Citomegalovírus, vírus Epstein-Barr. Pacientes da America do Norte ou outros continentes pode-se incluir a Francisella tularensis e Coccidioides immitis.

  • Infecções pancreáticas: E. coli, Klebsiella spp., Proteus spp., Enterococcus spp., Staphylococcus spp., Candida spp., Pseudomonas spp., Streptococcus spp., Trulopsis glabrata, Haemophilus spp., Corynebacterium spp., Serratia marcescens.

  • Abscesso esplênico: os anteriores, e ainda Salmonella spp., Shigella spp., Bacteroides spp., Fusobacterium spp., Propionibacterium spp., Clostridium spp., Fusobacterium spp., Aspergillus spp., Leishmania donovani, microsporidiose.


COLETA e TRANSPORTE DO MATERIAL


Estas amostras são habitualmente colhidas através de procedimentos invasivos: punções, laparoscopia ou durante ato cirúrgico. Deverão ser observados cuidados de assepsia para que a amostra coletada não seja contaminada. A secreção ou líquidos (peritoneal, ascítico) serão aspirados com o auxílio de agulha/seringa estéreis, colocados em frasco com meio de transporte para anaeróbios facultativos e estritos (caldo de tioglicolato) e encaminhados logo ao laboratório de microbiologia.




Processamento das amostras


No laboratório de microbiologia, estas amostras serão processadas nas seguintes etapas:



  • Avaliação da qualidade do material encaminhado: identificação adequada, frasco/meio de transporte correto, volume da amostra suficiente para os testes requeridos, data/horário da coleta.

  • Coloração de Gram do esfregaço do material em lâmina: serão observados forma, coloração e agrupamento dos microrganismos, além da presença de células (leucócitos íntegros ou degenerados, inclusões bacterianas, etc). Se houver suspeita de microrganismos álcool-ácido resistentes, preparar também lâminas para coloração de Ziehl Neelsen e auramina, e na suspeita de fungos, preparação de azul de lactofenol ou de algodão e calcofluor.

  • Semeadura em meios adequados:

  • Meios de cultura para bactérias aeróbias: Ágar sangue, Ágar Mac Conkey - incubar a 35ºC durante 18 a 24 horas, verificar crescimento bacteriano em ambas as placas; se negativo, incubar mais 24 hs; se positivo, identificar o(s) microrganismo(s).

  • Ágar chocolate suplementado - incubar a 35ºC em jarra com 5% CO2 durante 18 a 24 horas, verificando o crescimento bacteriano; se negativo, reincubar; se positivo, proceder a identificação do microrganismo.

  • Meios de cultura para bactérias anaeróbias estritas: Ágar infusão de cérebro coração ou Brucella Ágar acrescido de vitamina K e hemina - incubar a 35ºC em jarra com gerador de anaerobiose durante 48 hs; verificar crescimento; se negativo, repicar a amostra do tioglicolato suplementado com hemina e vitamina K a cada 48 h até completar 7 dias; se positivo, proceder à identificação da bactéria. Pode-se semear em paralelo em meio seletivo e enriquecido para anaeróbios como o Ágar sangue com hemácias rompidas, adicionado de Kanamicina e Vancomicina (LKV) seletivo para Bacteroides e Prevotella.

  • Se houver suspeita clínica de micobactérias, semear também em meios especiais (Lowenstein Jensen ou Middlebrook); aguardar 60 dias para diagnosticar a cultura como negativa.

  • Se houver suspeita clínica de fungos, semear também em Ágar Sabouraud glicose; incubar a temperatura ambiente durante 4 semanas.

6.INFECÇÕES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL



INTRODUÇÃO


O sistema nervoso central (SNC) compreende o cérebro e a medula, envolvendo ainda meninges, vasos sanguíneos, nervos cranianos e espinhais.


Principais processos infecciosos que comprometem o SNC

  • Meningite aguda

  • Meningite crônica

  • Encefalite, mielite e neurite

  • Abscesso cerebral

  • Empiema subdural, abscesso epidural e flebite intracraniana supurativa

  • Infecções associadas a procedimentos invasivos e dispositivos implantados no SNC


Natureza dos processos infecciosos do SNC

  • Bactérias

  • Vírus

  • Fungos

  • Protozoários


Via de acesso dos agentes infecciosos ao SNC

  • Via hematogênica (principal)

  • Via direta, através de trauma e procedimentos invasivos (cirúrgicos)

  • Por contiguidade (rinofaringe, mediastino posterior, espaço retroperitonial, etc.)

  • Ascensão de vírus por nervos periféricos


Principais causas de meningite aguda infecciosa

  • Bacteriana: bacterioscopia positiva (Gram), cultura e/ou pesquisa de antígenos positiva. S. pneumoniae, H. influenzae, N. meningitidis, Enterobactérias, Streptococcus agalactiae (grupo B), Listeria monocytogenes, Staphylococcus spp., M. tuberculosis

  • Meningite por outros agentes ou não determinada

  • Foco supurativo para-meníngeo (abscesso cerebral, sinusite paranasal, empiema subdural, abscesso epidural, etc.)

  • Espiroquetas: T. pallidum, Borrelia burgdorferi (doença de Lyme, Leptospira spp.)

  • Rickettsias

  • Protozoários: Naegleria fowleri, Strongiloides stercoralis

  • Vírus: Echovirus e Coxackievirus, Sarampo, Arbovírus, Herpesvírus, Coriomeningite linfocítica, HIV, Adenovírus, Poliovírus

  • Fungos: Cryptococcus spp., Candida spp., Histoplasma capsulatum, Aspergillus spp. e outros fungos filamentososos oportunistas

  • Pneumocistis carinii e Paracoccidioides brasiliensis


Causas mais frequentes de meningite infecciosa crônica


Meninges

Lesões Focais

Encefalite

tuberculose

cryptococose

histoplasmose

candidíase

sífilis

brucelose




actinomicose

blastomicose

cisticercose

aspergilose

nocardiose

esquistossomose

toxoplasmose


citomegalovírus

enterovírus



sarampo

outras encefalites a vírus





Causas mais frequentes de encefalomielite


Vírus (a mais importante)

Enterovírus e herpes-virus

Riquetsias

Doença de Lyme

Bacteriana

Mycoplasma spp., brucelose, listeriose e erlichiose, endocardite bacteriana subaguda, sífilis e leptospirose, tuberculose, Nocardia e Actinomicose

Fúngica

Criptococose, histoplasmose, Pneumocystis carinii

Amebas

Naegleria e Acanthamoeba

Protozoários

Toxoplasma, plasmodium, tripanosomíase

Outras

Doença de Behçet, Doença da arranhadura do gato



Principais agentes etiológicos do Abscesso Cerebral


Streptococcus spp. (viridans)

60-70%

Bacteroides spp.

20-40%

Enterobactérias

23-33%

Staphylococcus aureus

10-15%

Fungos

10-15%

S. pneumoniae

<1%

H. influenzae

<1%

Nocardia spp., Listeria spp.

<1%

Protozoários e helmintos

<1%

Em populações de pacientes imunocomprometidos e distribuições regionais podem evidenciar predomínio diferente dos seguintes agentes etiológicos:



  • Bactérias: M. tuberculosis e Nocardia spp.

  • Fungos: Aspergillus spp., Candida spp., Cryptococcus spp. e outros fungos oportunistas

  • Parasitas: estrongiloidíase, Entamoeba histolytica, cisticercose e toxoplasmose





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