Manual de procedimentos básicos em microbiologia


ASSOCIAÇÕES entre os aspectos clíncios e os agentes etiológicos



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ASSOCIAÇÕES entre os aspectos clíncios e os agentes etiológicos




  • Ingestão de frutos do mar: em especial ostras, induz a pesquisa de Vibrio parahaemolyticus, e virus Norwalk.

  • Viagem a países tropicais:

  • sem leucócitos nas fezes: E. coli enterotoxinogenica (ETEC), Rotavirus e Norwalk virus, ou parasitas.

  • com leucócitos nas fezes: Shigella spp., Salmonella spp., E. coli (EIEC), Campylobacter jejuni e Entamoeba histolytica.

  • Disenteria (muco, sangue e pus, com dor a evacuação): amebíase, shigelose, E. coli (EIEC).

  • Fezes com sangue, sem leucócitos fecais: deve-se suspeitar de EHEC (O157:H7), pode estar acompanhada de síndrome hemolítico-urêmica, principalmente em crianças. Existe a possibilidade de amebíase.

  • Diarréia sanguinolenta com leucócitos: salmonelose, campilobacteriose, shigelose e E.coli (EIEC).

  • Diarréia secretória, cujo quadro importante é a desidratação podendo evoluir para o choque e cujas fezes apresentam aspecto de água de arroz, sugerindo o diagnóstico de cólera.

  • Diarréia e vômito significativo, em crianças pequenas sugere Rotavirus.

  • Diarréia crônica ou subaguda, com ou sem flatulência, pode-se direcionar o exame para o diagnóstico de giardíase. Outras causas de (>10 dias), com perda de peso, lembrar de ciclosporiase e criptosporidiose. Ou na suspeita de uma síndrome apendicular pode-se sugerir uma yersiniose.

  • Intoxicação com incubação de curta duração, acompanhado de vômito, pode-se sugerir uma intoxicação de origem alimentar causada por toxina de Staphylococcus aureus ou Bacillus cereus.

  • Dor abdominal sugerindo apendicite, lembrar de Yersinia enterocolítica.

  • Diarréia acompanhada de artrite: Yersinia enterocolitica

  • Em pacientes imunossuprimidos considerar:

  • Vírus: Citomegalovirus, Herpes simplex virus, virus Coxsackie, Rotavirus,

  • Bactérias: Salmonella spp., complexo Mycobacterium avium

  • Parasitas: Cryptosporidium spp., Isospora belli, Strongyloides stercoralis, Entamoeba coli, e Giardia lamblia.

  • Em surtos de gastroenterocolite, deve ser considerada a presença dos seguintes patógenos: S. aureus, B. cereus, C. perfringens, Cryptosporidium spp., ETEC, Vibrio spp., Salmonella spp., Campylobacter spp., Shigella spp., EIEC e Cyclospora spp. Na toxi-infecção alimentar, a doença resulta da ingestão direta de enterotoxinas pré-formadas no alimento contaminado, sendo os exemplos mais comuns o Staphylococcus aureus enterotoxigênico, B. cereus e C. perfringens.

  • Gastroenterite viral é a segunda maior causa de doença em países desenvolvidos, após as infecções virais do trato respiratório; e o Rotavirus é a maior causa de gastroenterite viral em países desenvolvidos e em desenvolvimento.



Mecanismos de patogenicidade dos principais agentes de diarréia


Produção de Toxina

Invasão

Adesão

Aeromonas, Bacilus cereus

Campylobacter spp.

E. coli enteropatogênica

Clostridium difficile, C. perfringens

E. coli enteroinvasora

E. coli enteroaderente

E. coli enterotoxinogenica ETEC

Plesiomonas shigeloides

E. coli enterohemorragica

E coli enterohemorrágica EHEC

Salmonella spp.




Staphylococcus aureus

Shigella spp.




Vibrio cholerae, V. parahaemolyticus

Yersinia enterocolitica






Doenças gastrointestinais de origem alimentar (alimentos e água)
Bactérias

Agente etiológico

Início dos sintomas

Dados clínicos mais comuns

Diagnóstico

Bacillus cereus

- toxina de vômito



1-6 h

Vômitos, diarréia ocasional; Comum em surtos de toxi-infecção alimentar.


Isolamento nas fezes ou no alimento: 105 UFC/g. Bacillus cereus (Seletive Medium Oxoid).

Bacillus cereus - toxina de diarréia

6-24 h

Diarréia e dor abdominal.

Idem

Campylobacter

2-5 até 10 d

Diarréia geralmente sanguinolenta, dor abdominal e febre.

Coprocultura em meio específico (Karmali).

Clostridium botulinum


2 h a 8 d média: 12-48h

Disturbios visuais, fraqueza progressiva, com paralisia descendente e bilateral. Sem diarréia.

Pesquisa de toxina no soro, fezes, coprocultura.


Clostridium perfringens

6-24 h

Diarréia, cólicas abdominais.

Isolamento nas fezes ou no alimento > 105 UFC/g.

E. coli Enterohemorrágica (EHEC) O157:H7


1-10 d média: 4-5 d


6% das crianças com sindrome hemolítico-urêmica, adultos. Púrpura trombocitopênica e insuficiência renal aguda; diarréia sanguinolenta é característica , fortes cólicas abdominais.

Isolamento de E.coli O157:H7 nas fezes e/ou alimento – (soroaglutinação) CHROmagar O157.

E. coli enterotoxinogênica (ETEC)

6-48 h

Diarréia, naúseas, cólicas abdominais.

Coprocultura para isolamento e testes p/ enterotoxina ST/LT.

E. coli enteropatogênica (EPEC)

Variável

Diarréia, febre, cólicas abdominais.

Coprocultura para isolamento e sorotipagem.

E. coli enteroinvasora (EIEC)

Variável

Diarréia que pode se sanguinolenta, febre, cólicas abdominais.

Coprocultura para isolamento e sorotipagem.

Listeria monocytogenes – forma diarréia

9-32 h

Diarréia, febre, cólicas abdominais.

Coprocultura em caldo de enriquecimento (caldo Fraser, caldo Listeria-Oxoid) e meio seletivo (Listeria Seletive Medium / Oxoid).

Salmonella typhi

3-60 d média: 7-14 d


Febre, anorexia, indisposição, cefaléia, mialgia, diarréia e constipação podem se alternar.

Coprocultura em caldo de enriquecimento e meios seletivos; titulos de anticorpos específicos.

Outras salmoneloses


6-10 d média: 6-48 h


Diarréia, em geral com febre e cólicas abdominais.


Coprocultura em caldo de enriquecimento e meios seletivos Salmonella-Shigella, Hektoen.

Shigella spp.


12 h a 6 d média: 2-4 d


Diarréia com tenesmo, muco, múltiplas evacuações de pequeno volume, cólicas e febre.

Coprocultura com caldo de enriquecimento e meios seletivos (Salmonella-Shigella).

Staphylococcus aureus


30 min. a 8 h média: 2-4 h


Vômitos e diarréia. Comum em surtos de toxi-infecção alimentar.

Coprocultura em meio seletivo (Baird-Parker, Vogel-Johnson ou Ágar manitol sal) e demonstração de toxina.

Vibrio cholerae e outros

1-5 d

Diarréia aquosa geralmente acompanhada de vômitos.

Coprocultura em meio seletivo (Ágar TCBS) e isolamento de cepa produtora de toxina.

Vibrio parahaemolyticus

4-30 h

Diarréia.

Coprocultura em meio TCBS.

Yersinia enterocolitica

1-10 d média: 4-6 d

Diarréia e dor abdominal geralmente severa.

Isolamento em meio seletivo ou Salmonella-Shigella com incubação em geladeira.



Vírus

Agente etiológico

Início dos sintomas

Dados clínicos mais comuns

Diagnóstico

Rota vírus


15-77 h média: 1-2 d


Inicio súbito, com vômitos e diarréia, principalmente em crianças, ocasionalmente dor abdominal e sintomas respiratórios. Surtos hospitalares.

Testes por aglutinação com particulas de látex ou Elisa Imunoensaio (EIA) com anticorpos poli ou monoclonais.

Norwalk (calicivírus ) e outros enterovírus

15-77 h média: 1-2 d

Vômitos, cólicas, diarréia e cefaléia.

Laboratórios de Saúde Pública. Enviar fezes conservadas a menos 20oC.


Parasitas


Agente etiológico

Início dos sintomas

Dados clínicos mais comuns

Diagnóstico

Cryptosporidium parvum

2-28 d média: 7 d

Diarréia, náusea, vômito e febre.

Pesquisa com Ziehl modificado ou imunofluorescência / Elisa.

Cyclospora cayetanensis

1- 11 d média: 7 d

Fadiga, diarréia insidiosa.

Pesquisa nas fezes.

Giardia lamblia

3-25 d média: 7 d

Diarréia, flatulência, cólicas, náuseas e fadiga.

Fezes, aspirado duodenal ou biópsias - pesquisa direta ou técnica imunológicas.





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