Manual de Massagem Terapêutica



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Face, cabeça e pescoço
OBSERVAÇÕES E CONSIDERAÇÕES
O rosto retrata o estado de saúde de uma pessoa, e sua observação pode revelar muito sobre o paciente. A própria expressão pode fornecer informações sobre seu estado emocional e sua saúde física. Uma pessoa sadia está alerta e tem os olhos brilhantes. Na doença, a expressão pode ser apática e sonolenta. Um número considerável de condições patológicas apresenta-se por meio de anormalidades no rosto e na cabeça. Essas vão desde hipertiroidismo, síndrome de Down, doença de Grave e tirotoxicose até a síndrome de Cushing e obesidade simples. Embora um exame completo esteja além do alcance deste livro, é válido ter em mente alguns dos sinais mais comuns.

Cor da pele
Palidez
A pele pálida não é necessariamente sinônimo de anemia. A despigmentação pode ser uma explicação; outra é a vasoconstrição dos vasos sangüíneos ou uma queda no nível de hemoglobina. Entretanto, a anemia pode apresentar-se com diferentes graus de palidez. Na anemia perniciosa, por exemplo, a palidez é muito distinta e pode ser observada em toda a face, nos lábios, nas conjuntivas, nas pálpebras e, até mesmo, nos cabelos.

Icterícia


Nessa condição, a pele e os olhos adquirem um tom amarelado.

Hipotireoidismo


O paciente com hipotireoidismo apresenta um rosto roliço e sem expressão, pele espessa e pálida, olhos sem brilho, cabelos finos, voz rouca e fala lenta.

Edema restrito a uma região
Os edemas mais comuns no pescoço são as dos gânglios linfáticos, que indicam processos inflamatórios e alterações patológicas nos tecidos associados. Edemas da glândula tireóide são as segundas massas mais comuns e diferem dos gânglios linfáticos no sentido de quase sempre se moverem para cima e para baixo com a deglutição. Localizadas na frente do pescoço, profunda e medialmente aos músculos estemomastóideos, esses edemas podem ser agudos ou crônicos e surgir de causas como bócio ou mixoedema. No bócio, a glândula tireóide aumentada tem aparência bilobular. O aumento da tireóide também pode ser causado por um carcinoma. Um aumento nos gânglios linfáticos, observado como edema bilateral nos gânglios cervicais superiores, pode ser um sinal de doença de Hodgkin.

Um caroço na fossa supraclavicular pode indicar uma glândula inchada por patologia do estômago, por exemplo, carcinoma, porque a drenagem linfática do estômago ocorre em direção às glândulas supraclaviculares. Os gânglios cervicais profundos são obscurecidos, em sua grande parte, pelo músculo esternomastóideo, mas os gânglios tonsilares e os gânglios supraclaviculares podem ser palpados nos dois extremos da cadeia cervical profunda. Os gânglios cervicais posteriores e os gânglios cervicais superficiais (que se estendem ao longo da veia jugular externa) são mais fáceis de palpar.

Edema generalizado
Em geral, o edema facial acompanhado de palidez é causado por problemas renais, como a síndrome nefrótica. A inchação aparece em torno dos olhos e espalha-se pela face e, em alguns casos, para outras regiões do corpo. Outra causa de edema em torno dos olhos é o hipotireoidismo ou mixoedema.

O rosto arredondado conhecido como "cara de lua cheia", com bochechas avermelhadas, é resultado de aumento na produção de hormônio adrenal, na síndrome de Cushing.



Atrofia ou paralisia muscular
A atrofia ou paralisia dos músculos faciais envolve os nervos cranianos. De modo similar, a atrofia das fibras superiores do trapézio ou dos músculos estemomastóideos indica problemas com o décimo primeiro nervo craniano (acessório espinhal). Lesões no cérebro também podem afetar os músculos faciais. Expressão vazia, movimentos faciais diminuídos e face que lembra uma máscara descrevem as características associadas à doença de Parkinson.


Sensibilidade e dor
Dor originada nos órgãos respiratórios
Distúrbios do sistema respiratório, particularmente dos pulmões e do diafragma, podem provocar dor referida no lado esquerdo do pescoço. A sensibilidade também pode estender-se para o ombro, em especial para sua região medial. Condições como bronquite e asma produzem maior sensibilidade ou sensação nesses tecidos (certas patologias, como carcinoma brônquico ou esofagiano, também podem provocar dor referida nas costas).

Dor nervosa


A dor que percorre um trajeto específico origina-se, invariavelmente, em um nervo. Um exemplo é a dor associada ao nervo craniano trigeminal, que é sentida ao longo de suas fibras sensoriais:

■ do lado do nariz para a têmpora (oftálmicas);

■ da boca para a face e a têmpora (maxilares);

■ do queixo para a mandíbula e o ouvido (mandibulares).

Dor nos seios nasais
Os seios paranasais são cavidades repletas de ar localizadas nos ossos do crânio; eles drenam para as cavidades nasais. A congestão dos seios paranasais causa uma sensação pesada, de bloqueio, e dor na testa e face. A sensibilidade dolorosa é suscitada na palpação dos seios frontais, na localização medial das sobrancelhas, e dos seios dos maxilares, nos ossos da face.

Cefaléias


Os sinais e sintomas de cefaléias foram discutidos com a aplicação da massagem (ver Capítulo 4). Uma vez que o pescoço está sendo discutido neste capítulo, é válido salientar que a anatomia e o mecanismo da área cervical são muito complexos e, portanto, o tratamento precisa ser executado com extremo cuidado. O plexo braquial, o nervo vago, o tronco simpático e a artéria vertebral (que corre pelo forame transversal da maior parte das vértebras cervicais) contribuem para sua complexidade.

Tontura
A degeneração das vértebras cervicais é comum, particularmente em pacientes idosos. Isso promove a compressão da artéria vertebral, que corre ao longo da coluna cervical. Os pacientes podem sentir tontura, sensação de "cabeça cheia", desmaios, cefaléia, tinido e perturbações da fala ou da visão.

Rigidez e movimento limitado do pescoço


Esse tipo de problema tem origem em muitas causas, como as relatadas a seguir.

■ O torcicolo geralmente é uma condição congênita, que resulta de problemas ao nascer. Existe uma contração permanente do músculo esternoclidomastóideo em um lado e esse encurtamento e espessamento fazem o músculo tornar-se saliente, como uma faixa apertada, e a cabeça ser puxada para o mesmo lado. Como resultado da mesma contração, a face e o queixo são inclinados para o lado não afetado. Os movimentos da cabeça e do pescoço ficam restritos devido à disfunção da musculatura e em razão da curvatura relacionada da coluna.

■ A inflamação ou o aumento dos gânglios linfáticos, em casos agudos de inflamação por infecção, também podem ser acompanhados de rigidez muscular.

■ A dor do trauma aos músculos, ligamentos ou articulações é necessariamente acompanhada de uma limitação dos movimentos do pescoço.

■ A dor episódica aguda é encontrada em casos de espondilose cervical (fusão da vértebra) e esta, talvez, seja a causa mais comum de rigidez no pescoço (em pessoas com mais de 60 anos). Ela se deve à degeneração de ossos, articulações e cartilagens. A dor com freqüência é transmitida do pescoço para o occipício e para os ombros. Espondilite ancilosante é uma condição artrítica que pode exacerbar a rigidez; ocorre com menor freqüência na artrite reumatóide da vida adulta que na artrite juvenil crônica (doença de Still).

■ O resfriamento dos tecidos, pela exposição a vento ou corrente de ar, por exemplo, ao dirigir ou dormir perto de uma janela aberta, com freqüência resulta em rigidez do pescoço.

■ Uma das infecções sistêmicas agudas que podem causar rigidez no pescoço, em particular em crianças, é a meningite. O pescoço pode estar em uma posição fixa de extensão. A poliomielite é menos comum, mas igualmente debilitante, e a rigidez do pescoço pode ser um sinal inicial. A rigidez e a retração espasmódica do pescoço também podem ocorrer na infecção tetânica.

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TÉCNICAS DE MASSAGEM

PARA FACE, CABEÇA E PESCOÇO

As técnicas aqui apresentadas são aplicadas principalmente para equilibrar os músculos e eliminar a rigidez. Embora essas técnicas tenham um efeito relaxante, outras manobras de massagem podem ser acrescentadas (em especial na face) para induzir o relaxamento profundo. O paciente deita-se em decúbito dorsal, com uma almofada de apoio sob os joelhos e outra sob a cabeça e com todas as outras regiões do corpo cobertas por uma toalha ou cobertor para manter a temperatura corporal.

As manobras de massagem no lado esquerdo do pescoço (regiões anterior, lateral e posterior) podem ter um efeito benéfico secundário sobre os pulmões e diafragma. Uma área reflexa estende-se da clavícula e extremidade medial do supra-espinhal. Ela também cobre a maior parte do lado esquerdo do pescoço, estendendo-se além da linha mediana para a direita. A massagem no lado direito correspondente do pescoço também pode ser benéfica para o fígado e a vesícula biliar.



Técnica de deslizamento

Deslizamento no pescoço e nos ombros
Efeitos e aplicações
■ Essa técnica de deslizamento tem grande valor como manobra relaxante e é particularmente indicada quando o paciente pode apenas deitar-se em decúbito dorsal.

■ A manobra é muito eficaz no alongamento dos músculos póstero-laterais do pescoço, em especial do trapézio e do elevador da escápula. O esplênio da cabeça e do pescoço são igualmente afetados, embora em menor grau. Uma vez que a técnica envolve alguma curvatura do pescoço para o lado, não pode ser aplicada se existirem contra-indicações, como espondilose ou osteoporose.


Postura do profissional

Coloque-se à cabeceira da maca, na postura ereta e com os pés levemente afastados. Essa posição ampla permite que você oscile seu corpo para a esquerda e para a direita.

Procedimento


Segure e apoie a cabeça do paciente colocando sua mão medial sob o occipício. Coloque sua mão lateral no lado lateral do pescoço do paciente, próximo ao processo mastóide. Aplique uma leve pressão com a palma, os dedos e as eminências tenar e hipotenar de sua mão lateral. Execute o deslizamento ao longo das fibras musculares no lado póstero-lateral do pescoço. Continue o movimento sobre a região superior do ombro, seguindo as fibras do trapézio, e termine na extremidade superior do braço. Enquanto aplica o deslizamento com a mão lateral, curve o pescoço do paciente um pouco para o lado com a mão mais medial, mantendo a preensão no occipício e gentilmente levando a cabeça para o lado oposto. A ação combinada de curvar para o lado em uma direção e fazer o deslizamento na direção oposta aplica um alongamento moderado nas fibras musculares. Repita o procedimento algumas vezes.

Técnica de trabalho corporal

Alongamento transversal no pescoço e nos músculos da parte superior do ombro
Efeitos e aplicações
■ Essa técnica aplica um alongamento entre as fibras do trapézio, elevador da escápula e, até certo ponto, esplênio da cabeça e do pescoço. Com os dedos estendidos para a região torácica e cervical, o alongamento também pode incluir o rombóide menor. Soltar esses músculos melhora a mobilidade do pescoço e da articulação do ombro.

■ Uma vez que também diminui a tensão nos músculos, a técnica é muito relaxante e aplicável à maioria das situações.

Postura do profissional


Coloque-se na postura de vaivém, ao lado da mesa de tratamento. Gire o corpo ficando de frente para o paciente, o que permite o alcance confortável do ombro contralateral com a mão mais medial. Deixe seu braço reto e incline-se para trás para exercer pressão no começo da manobra. Repouse sua mão mais lateral no braço ipsilateral.

Procedimento


Coloque sua mão mais medial no lado superior do ombro e na base do pescoço. Curve seus dedos em torno do ombro, na região das fibras superiores do trapézio e elevador da escápula. Desde que seja confortável, estenda seus dedos de modo que também alcancem o rombóide menor. Pegue os tecidos aplicando pressão, principalmente com os dedos. Mantenha essa preensão e seu braço reto enquanto alonga os músculos em uma direção anterior. Aumente o alongamento gradualmente enquanto se inclina para trás e transfere seu peso corporal para o pé traseiro. Mantenha esse alongamento por alguns segundos antes de transferir seu peso corporal para o pé dianteiro e soltar a preensão. Repita algumas vezes.



Técnica de deslizamento profundo

Deslizamento nos músculos do masseter
Efeitos e aplicações
■ O músculo masseter (do grego masétér, que significa "que mastiga") está situado sobre a articulação temporomandibular. No aspecto emocional, esse músculo está associado à tensão não expressa, à frustração e à raiva. Já que esses são estresses lamentáveis mas, ainda assim, comuns na vida cotidiana, o músculo com freqüência se apresenta em estado de contração. O deslizamento profundo ajuda a reduzir um pouco da rigidez.

■ Reduzir a tensão no músculo masseter também melhora a mobilidade da articulação temporomandibular, e a redução de limitações nessa articulação ajuda os mecanismos dos outros ossos cranianos.

Postura do profissional

Sente-se em uma cadeira ou banco, à cabeceira da mesa de tratamento, e posicione os antebraços um em cada lado da cabeça do paciente. Apoie a cabeça do paciente em uma toalha dobrada ou almofada fina. Massageie ambos os lados da face simultaneamente.

Procedimento
Localize a articulação temporomandibular. Instrua o paciente a abrir e fechar a boca enquanto você sente o côndilo proeminente da mandíbula sob seus dedos. Flexione as articulações interfalangianas distais dos dedos indicador e médio e coloque-os na fossa temporal, superiormente ao arco zigomático e à articulação temporomandibular. Aplique pressão com a ponta dos dedos, mantendo as articulações interfalangianas flexionadas. Faça o deslizamento para baixo sobre a articulação, na direção da borda lateral da mandíbula, acompanhando as fibras musculares. Solte a pressão e leve os dedos de volta ao osso temporal; repita o movimento.


Técnica de fricção

Massagem no couro cabeludo
Efeitos e aplicações

■ O couro cabeludo, que recobre o crânio, é um tecido com várias camadas, formado por pele, um tecido conjuntivo subcutâneo denso, uma aponeurose (epicraniana ou gálea), um tecido conjuntivo frouxo (subaponeurótico) e pelo periósteo, que cobre os ossos cranianos. O músculo occipitofrontal faz parte das bordas temporal e occipital, e nervos e vasos sangüíneos também são abundantes no interior do couro cabeludo. A congestão pode ocorrer dentro dessas camadas, e as aderências também são comuns.

Essa técnica de fricção é aplicada para aumentar a circulação extracraniana, reduzindo assim a congestão.

■ A melhora na circulação extracraniana também beneficia o fluxo sangüíneo intracraniano.

■ Adicionalmente, a técnica ajuda a reduzir qualquer restrição. A tensão no couro cabeludo pode estar associada a transtornos como tensão geral, prejuízo na circulação sistêmica, toxicidade e infecções virais. A manobra de fricção melhora a mobilidade do couro cabeludo sobre os ossos cranianos e, portanto, é iniciada para evitar ou tratar essas condições.

■ A massagem por fricção no couro cabeludo também pode agir como método preventivo para cefaléias. Entretanto, como causa um aumento súbito na circulação, precisa ser realizada com cuidado ou omitida quando o paciente é suscetível a enxaquecas. A massagem por fricção certamente é contra-indicada durante um ataque de enxaqueca.

Postura do profissional

Coloque-se na postura ereta, à cabeceira da mesa de tratamento. Apoie a cabeça do paciente em uma almofada baixa ou toalha dobrada.

Procedimento
Posicione as mãos uma em cada lado da cabeça do paciente. Abra seus dedos e coloque-os sobre os ossos temporais e parietais. Flexione as articulações interfalangianas distais e aplique pressão com a ponta de todos os dedos; evite, no entanto, o uso do polegar para não colocar muita pressão durante a manobra. Aumente a pressão com a ponta dos dedos o suficiente para apreender o couro cabeludo e movê-lo sobre os ossos cranianos. Efetue pequenos movimentos circulares, no sentido horário ou anti-horário, com ambas as mãos simultaneamente. Evite deslizar os dedos sobre o couro cabeludo, para não perder a preensão.

Continue com a manobra por alguns segundos, depois coloque as mãos em outra região do crânio e repita a rotina.

Movimento por fricção na parte posterior do crânio


Para massagear a parte posterior da cabeça, gire-a para um lado e a apoie com uma das mãos. Repouse a mesma mão na mesa de tratamento e apoie o antebraço contra a testa ou estabilize a cabeça. Abra os dedos da mão livre e massageie a parte posterior da cabeça, aplicando os mesmos movimentos e pressão com a ponta dos dedos. A seguir, gire suavemente a cabeça para o outro lado, mude a posição das mãos e repita o movimento.

Técnica de trabalho corporal

O revestimento ósseo craniano: apoio envolvente
Efeitos e aplicações
■ Essa é uma técnica extremamente relaxante para o paciente, além de promover diversas respostas indiretas e benéficas em todo o corpo.

■ Apoiar a cabeça dessa forma transmite uma sensação de proteção e, em particular, de empatia emocional pelo paciente.

■ A tranqüilidade e o relaxamento induzidos por essa técnica equilibram o corpo, principalmente o sistema nervoso autônomo, trabalhando o sistema parassimpático.

■ A técnica exerce um efeito normalizador sobre o líquido cefalorraquiano, auxiliando na redução da pressão intracraniana. Também pode ser útil aos mecanismos interrelacionados dos ossos cranianos.

■ É provável que a técnica cause um relaxamento dos planos fasciais contraídos na área cervical. Muito ocasionalmente, essa rigidez associa-se a uma história de trauma, e o relaxamento pode causar desconforto e inquietação no paciente. Embora esta seja uma reação normal e eventualmente desapareça, o paciente pode considerá-la desagradável; neste caso, interrompa a aplicação e permita que o paciente repouse um pouco.

Postura do profissional


Sente-se à cabeceira da mesa de tratamento. Repouse os antebraços (incluindo os cotovelos) sobre a mesa, com as mãos posicionadas por baixo e em cada lado da cabeça do paciente. Enquanto a cabeça do paciente estiver sobre suas mãos, não será necessário apoiá-la em uma almofada ou toalha dobrada.

Procedimento


Posicione as mãos, que estão supinadas e pousadas na mesa de tratamento, sob a cabeça do paciente. Coloque os dedossob a borda occipital e a extremidade superior do pescoço. Evite exercer pressão nos tecidos com a ponta dos dedos. Coloque os polegares acima das orelhas do paciente ou próximos à sua palma e a seus dedos. Mantendo as mãos relaxadas, use as palmas e as eminências tenares e hipotenares para apoiar o occipício e suportar todo o peso da cabeça.


Mantenha essa posição de quietude e apoio, acomodando qualquer ajuste que o paciente deseje fazer para sentir-se mais confortável. Observe a respiração do paciente, que pode tornar-se mais profunda com o relaxamento. Permita que seu próprio corpo relaxe e fique livre de tensão. Continue com essa técnica por alguns minutos ou até sentir que é apropriado soltar suavemente o apoio e retirar as mãos da posição.
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TÉCNICAS DE MASSAGEM LINFÁTICA PARA O PESCOÇO
Técnica de massagem linfática

Deslizamento na região supraclavicular
Efeitos e aplicações
■ A massagem linfática nas áreas supraclaviculares promove a drenagem do duto torácico, no lado esquerdo, e do duto linfático direito, no lado direito. Ambos os dutos oferecem uma saída para toda a linfa sistêmica em direção ao sistema venoso.

■ A massagem linfática também incentiva a drenagem dos gânglios cervicais profundos para o tronco linfático jugular. Este vaso, por sua vez, abre-se na junção entre as veias subclaviana e jugular interna, no lado direito, ou na extremidade do duto torácico, no lado esquerdo.

■ Devido a este efeito importante, a massagem linfática nessa região é executada antes de outros movimentos de massagem linfática e entre eles. Esse procedimento é adotado quer as manobras sejam empregadas no tórax, no abdome, na face ou no pescoço, e para qualquer condição que exija a drenagem linfática. Uma lubrificação mínima é necessária para essa técnica.

Postura do profissional



Coloque-se na postura ereta, ao lado da maca e alinhado com o ombro do paciente. Ajuste sua posição ficando de frente para a mesa, para poder alcançar o lado contralateral. Coloque um apoio baixo sob a cabeça do paciente para que este se sinta confortável e para auxiliar na drenagem linfática na área cervical.


Tabela 10.1 Gânglios e vasos linfáticos cervicais
■ Os gânglios cervicais profundos correm ao longo da veia jugular interna. A maioria dos gânglios está sob o músculo estemomastóide. Outros gânglios cervicais profundos estendem-se lateralmente além da borda do estemomastóide, alguns formando uma corrente cervical posterior

■ Alguns dos gânglios cervicais profundos inferiores estendem-se para baixo, atrás da clavícula

■ Os gânglios cervicais profundos drenam para o tronco linfático jugular

■ O tronco jugular abre-se nos seguintes pontos:

a. na junção entre as veias subclávia e jugular interna no lado direito; ou

b. na extremidade do duto torácico no lado esquerdo

■ O duto torácico no lado esquerdo está localizado ligeiramente lateral e profundamente ao músculo estemomastóide. Ele também é lateral à veia jugular interna e superior à clavícula. O duto linfático direito está localizado na posição correspondente no lado direito. O duto recebe linfa dos troncos linfáticos jugular e subclávio, O duto linfático direito também recebe o tronco broncomediastino

■ Os gânglios cervicais superficiais estão situados ao longo da veia jugular externa, que corre ao longo do estemomastóide, em sua extremidade superior, e levemente posterior a este, mais embaixo. Os gânglios cervicais superficiais drenam para os gânglios cervicais profundos

■ A face e acabeça drenam para vários gânglios primários, como o submental, submandibular e da parótída, bem como para os gânglios cervicais

■ Os distúrbios patológicos podem fazer os gânglios cervicais aderirem à veia jugular interna e serem observados como gânglios aumentados ao longo da borda posterior do músculo estemomastóide. Os gânglios retroauriculares e occipitais também podem estar aumentados e salientes, nos casos de rubéola



Procedimento


Repouse sua mão cefálica no lado superior do ombro do paciente, mais ou menos paralela à clavícula. Coloque os dedos na fossa supraclavicular e também lateral e posteriormente ao esternomastóide; isso também forma a borda inferior do triângulo posterior do pescoço. Execute a manobra com as falanges distais dos dedos indicador e médio (ou com os dedos médio e anular). Aplique uma leve manobra de deslizamento com a ponta de ambos os dedos.

Comece na margem anterior do trapézio e massageie na direção da clavícula. A manobra, portanto, é realizada transversalmente ao escaleno médio e ao escaleno anterior rumo à inserção esternomastóide na clavícula. As manobras nessa região incentivam a drenagem do duto torácico, à esquerda, e do duto linfático, à direita. Mantenha os dedos mais ou menos retos, e a mão na posição horizontal. Enquanto aplica a manobra na direção da clavícula, supine a mão levemente para executar uma ação de "escavamento" com os dedos. Depois de ter completado o movimento, erga os dedos e coloque-os na margem anterior do trapézio para repetir o movimento.



Técnica de massagem linfática

Drenagem dos gânglios cervicais
Efeitos e aplicações
■ A massagem linfática na borda ântero-lateral do pescoço drena os gânglios cervicais superficiais, situados acima do músculo esternomastóide, assim como os gânglios mais profundos, quase ocultos por aqueles.

■ A melhora no fluxo linfático, portanto, beneficia os gânglios situados em torno da cabeça e da face, incluindo os gânglios submentonianos, submaxilar, tonsilar, occipital, retroauricular (mastóide) e pré-auriculares, a maior parte dos quais drena para os gânglios cervicais superficiais e profundos.

■ A técnica pode ser aplicada em várias situações, como no tratamento de congestão dos seios paranasais, depois de um resfriado (não durante um ataque) ou após a inflamação das glândulas. Em casos de patologia grave, a técnica pode ser contra-indicada.

■ Use muito pouca ou nenhuma lubrificação para esse movimento.

Postura do profissional
Sente-se à cabeceira da mesa de tratamento e coloque as mãos uma de cada lado do pescoço do paciente. Coloque uma almofada ou toalha dobrada sob a cabeça do paciente, elevando-a para auxiliar o fluxo de linfa.

Procedimento para deslizamento nos gânglios cervicais


Posicione as mãos uma em cada lado do pescoço do paciente (Figura 10.7). Apoie um lado da cabeça e do pescoço do paciente com a mão que não está massageando. Posicione a mão que massageia na região superior do pescoço e coloque os dedos em posição ligeiramente transversal. Faça contato com a palma e com os dedos e mantenha-os relaxados durante toda a manobra. Estenda o pescoço levemente e gire a cabeça para o lado oposto àquele que está sendo massageado; isso lhe possibilita acesso fácil aos tecidos laterais do pescoço. Execute movimentos leves de deslizamento nas direções indicadas a seguir:
1. execute o deslizamento para baixo, na direção da clavícula, ao longo do escaleno médio e do escaleno anterior. A veia jugular externa e os gânglios cervicais superficiais localizam-se nessa região. Ao se aproximar da clavícula, erga a mão e posicione-a novamente na região superior do pescoço, para recomeçar a manobra;

2. repita a ação de deslizamento ao longo do esternomastóide. Os gânglios cervicais profundos inferiores e superiores estão localizados nessa área; a massagem na direção da clavícula estimula o fluxo linfático na mesma direção;

3. aplique uma manobra de deslizamento similar, começando na região superior do pescoço, no processo mastóide. A manobra incentiva a drenagem dos gânglios mastóides (retroauriculares), localizados nessa área. Coloque a mão na borda occipital e repita o movimento, o que também ajuda na drenagem dos gânglios occipitais, situados na fixação craniana do trapézio. Esses dois grupos esvaziam-se nos gânglios cervicais profundos.
Uma vez completada a série de movimentos em um lado do pescoço, inverta a posição das mãos e continue com a massagem no lado oposto. Além das manobras de deslizamento, aplique a técnica de pressão intermitente descrita a seguir.

Drenagem dos gânglios cervicais -técnica

de pressão intermitente
Continue apoiando a cabeça do paciente com uma das mãos; a posição permanece a mesma. Coloque a outra mão no lado oposto do pescoço, como para a manobra de deslizamento. Comece com a mão próxima à clavícula e movimente-a gradualmente para cima, na direção do processo mastóide. Usando sobretudo a ponta dos dedos, aplique uma leve pressão nos tecidos. Simultaneamente, alongue os tecidos para a linha mediana e na direção da clavícula, descrevendo um arco com seus dedos. Essa manobra tem o efeito de alongar os vasos linfáticos, o que cria uma contração reflexa de suas paredes musculares, fazendo a linfa mover-se para a frente. Além disso, a pressão aplicada estimula o movimento do fluido pelos gânglios linfáticos. Solte a pressão, para levar os tecidos de volta a seu estado de repouso, e repita o movimento várias vezes na mesma área tecidual. A seguir, coloque a mão um pouco mais para cima do pescoço e aplique a técnica de pressão intermitente novamente. Continue com esse procedimento nas mesmas regiões do pescoço massageadas em movimentos de massagem linfática. Tendo completado a técnica em um lado do pescoço, repita o procedimento no lado oposto. Nenhuma lubrificação é necessária para essa manobra.
TÉCNICAS SUPLEMENTARES

PARA O PESCOÇO


Técnica de deslizamento

Deslizamento na região lateral do pescoço
Efeitos e aplicações
■ A manobra de deslizamento na região ântero-lateral do pescoço pode ser aplicada enquanto o paciente está deitado em decúbito lateral. A técnica pode ser utilizada como um substituto eficaz ou como um método alternativo àquele usado para o paciente em posição de decúbito dorsal. Portanto, é particularmente útil quando os pacientes podem apenas deitar-se de lado.

■ Se executado muito suavemente, o deslizamento auxilia no fluxo linfático através dos gânglios e vasos cervicais. Uma pressão mais forte é benéfica para os músculos, sobretudo para o esternomastóide, escaleno médio e escaleno anterior.

Postura do profissional
Sente-se à cabeceira da mesa de tratamento. Apoie a cabeça do paciente - que está deitado de lado - em uma almofada ou travesseiro. A cabeça deve ficar em posição horizontal, e não deve haver nenhuma flexão ou extensão do pescoço.

Procedimento


Coloque a mão mais lateral no lado do pescoço. Ajuste o ângulo da mão, de modo que ela fique ligeiramente transversal ao pescoço, mais ou menos alinhada com as fibras do músculo escaleno. Faça deslizamento com a ponta dos dedos, a partir do processo mastóide rumo à clavícula.


Aplique muito pouca ou nenhuma pressão para influenciar a drenagem linfática; use manobras muito lentas e mantenha sua mão relaxada. Realize o deslizamento ao longo do músculo escaleno médio e do escaleno anterior para ajudar a drenar os gânglios linfáticos cervicais superficiais. Aplique a massagem ao longo do esternomastóide para drenar os gânglios cervicais profundos. Enquanto você repete a massagem, inclua também o processo mastóide e o occipício para drenar os gânglios mastóides e occipitais.

Para beneficiar os músculos, aplique a manobra de deslizamento usando uma pressão um pouco mais profunda. Siga as fibras dos músculos do escaleno durante a manobra; depois repita-o ao longo do esterno mastóide. Esses músculos com freqüência estão tensos, mas podem ser incentivados a relaxar com esta manobra de deslizamento. Evite uma pressão exagerada sobre a veia jugular externa.






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