Manual de Massagem Terapêutica



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Prefácio
Este livro é voltado tanto para o estudante como para o terapeuta profissional.

Presume-se, contudo, que o leitor, em qualquer nível de aprendizagem, já esteja familiarizado com a anatomia, fisiologia, patologia básica e anatomia regional dos músculos.

Esse conhecimento é essencial para a prática da massagem terapêutica e, ainda assim, demasiadamente amplo para ser incluido neste livro.

O termo massagem terapêutica é sinônimo de terapia por massagem e massagem aplicada.

A principal função e ênfase da terapia é sua aplicação específica em uma condição patológica. Tal utilização vai além do efeito de "relaxamento", geralmente associado com a massagem, embora este assuma a preferência em algumas situações.

Com muita freqüência, a massagem terapêutica é usada como um recurso associado a outros tratamentos complementares ou convencionais. Atuando com finalidade terapêutica, o massagista precisa ter um entendimento pleno dos conceitos fisiológicos das técnicas de massagem. Ele deve, também, desenvolver habilidades de palpação, para determinar mudanças nos tecidos que ocorrerem por disfunções estruturais e orgânicas.

A massagem e os procedimentos bem executados de trabalho - corporal têm importância similar. Esforcei-me para abordar esses elementos da massagem neste livro, oferecendo uma base teórica detalhada para a terapia, bem como uma gama abrangente de técnicas. Desde que comecei minha carreira como massagista, muitos anos atrás, eu sempre desejei desenvolver minhas próprias técnicas. Conquistei esse objetivo, não apenas com muita prática clínica onde utilizava a massagem mas também pela prática de outras terapias, como osteopatia, trabalho corporal, medicina esportiva, integração estrutural e trabalho de liberação da fáscia. Também adquiri uma experiência preciosa ao trabalhar com meus alunos e, ainda, com os pacientes, aos quais serei eternamente grato.

Neste livro, descrevi a aplicação da massagem relacionando-a aos vários sistemas orgânicos (ver Capítulo 4) e, novamente, para cada região do corpo (ver Capítulos 5 a 10). Nestes últimos capítulos, incluí observações e considerações estruturadas para ajudar o profissional a avaliar a adequação do tratamento com massagem. As contra-indicações ao tratamento são incluídas ao longo dos vários capítulos. Penso que um tratamento com massagem terapêutica não exige quaisquer rotinas fixas e, conseqüentemente, não ofereço nenhuma neste texto. O mais importante, para mim, é que o método de tratamento seja específico à condição que está sendo abordada. De igual relevância é que os procedimentos sejam apropriados para aquela região particular do corpo e, mais importante ainda, para o paciente. As técnicas que descrevo neste livro, portanto, visam a servir como ferramentas com as quais o terapeuta possa desenvolver suas habilidades e seu método de trabalho.

Espero que este livro encoraje os alunos e os profissionais para a realização de pesquisas, para a discussão dos muitos aspectos da massagem terapêutica, para a experimentação e o desenvolvimento de suas próprias técnicas, contribuindo para o avanço nas conquistas da massagem terapêutica.

Agradecimentos
Sou grato a Paul Forrester por suas excelentes fotografias, e à carinhosa companheira Zoê Harrison, por seus maravilhosos desenhos. Sinto-me profundamente agradecido também a David Cornall, por seu auxílio com a digitalização das ilustrações, e a Graham Brown, por garantir o perfeito funcionamento de meu microcomputador e por evitar desastres.

Outras pessoas a quem devo meus agradecimentos são os modelos, que demonstraram grande paciência durante as sessões fotográficas: Nick Wooley, Hazel Stratton, April Martin, Ruth Adams e Jocelyn Banks. Finalmente, gostaria de agradecer a toda a minha família, aos amigos e aos colegas, pelo apoio contínuo, que apreciei sinceramente.


Capítulo 1



A massagem como tratamento

A HISTÓRIA DA MASSAGEM


A massagem tem uma longa história permeada de uma vasta literatura. Alguns dos fatos históricos são amplamente difundidos, e a necessidade de repeti-los quase que poderia ser contestada. Ainda assim, a história da massagem continua sendo um tema importante tanto para estudantes como para profissionais e, portanto, merece uma menção em qualquer livro sobre massoterapia.

A prática da massagem vem desde os tempos pré-históricos, com origens na índia, China, Japão, Grécia e Roma. A massagem tem sido mencionada na literatura desde tempos remotos, sendo a referência mais antiga a que aparece no Nei Ching, um texto médico chinês escrito num período anterior a 1500 a.C. Escritos posteriores sobre a massagem foram desenvolvidos por eruditos e médicos, como Hipócrates no século V a.C. e Avicena e Ambrose Pare nos séculos X e XVI rira alguns autores seria o século XVII) d.C, respectivamente. Um livro muito famoso sobre massagem, The Book of Cong-Fou, foi traduzido por dois missionários, Hue e Amiot, criando um grande interesse e influenciando o pensamento de muitos profissionais da massagem.

A palavra terapêutico é definida como "de, ou relacionado _: tratamento ou cura de um distúrbio ou doença". Ela vem do grego therapeutikos e relaciona-se ao efeito do tratamento médico a (therapeia). A palavra massagem também vem do grego masso, que significa "amassar". Hipócrates (480 a.C.) usou o termo anatripsis, que significa "friccionar pressionando o tecido, e este foi traduzido, posteriormente, para a palavra latina frictio, que significa "fricção" ou "esfregação". Este termo prevaleceu por um longo tempo e ainda era usado nos Estados "Unidos até 1870. A expressão para massagem na índia era shampoing; na China a massagem era conhecida como Cong-Fou, no Japão, como Ambouk. A história da massagem em geral é registrada cronologicamente, mas, em vez de seguirmos esse rumo, é interessante considerar algumas de suas aplicações históricas como um recurso terapêutico.
Relaxamento
O relaxamento, que em si mesmo possui um valor terapêutico, talvez seja o efeito mais livremente associado com a massagem. Já em 1800 a.C, os hindus usavam a massagem para redução de peso, indução do sono, combate à fadiga e relaxamento. Ao longo dos séculos, a capacidade de relaxamento da massagem tem sido usada para tratar muitas condições, como histeria e neurastenia (uma forma de síndrome pós-viral).
Saúde geral
A massagem, em combinação com exercícios, sempre foi preconizada como um cuidado com a saúde geral. Descobertas arqueológicas indicam que o homem pré-histórico usava linimentos e ervas para promover o bem-estar geral e adquirir uma proteção contra lesões e infecções. As poções friccionadas no corpo também teriam um efeito curativo, especialmente se a "esfregação" fosse realizada por um "curandeiro" religioso ou médico. Na arte indiana da medicina Ayurveda, esperava-se que o paciente passasse por um processo de shampooing, ou massagem, todas as manhãs, após o banho. As propriedades de promoção da saúde da massagem, dos exercícios e da hidroterapia foram mencionadas nos escritos do médico e filósofo árabe Ali Abu Ibn Szinna (Avicena) no século X d.C.

Os exercícios físicos, ou "ginástica", foram novamente incorporados aos recursos de cuidados da saúde no século XVTTT e começo do século XIX. Francis Fuller, na Inglaterra, e Joseph-Clement Tissot, na França, defendiam um sistema integrado de exercícios e movimentos para preservação e restauração da saúde. Fuller faleceu em 1706, mas seu trabalho sobre ginástica ainda foi impresso até 1771. Um sistema similar de ginástica médica foi criado por Tissot, que usava poucos movimentos de massagem, com exceção de alguns movimentos de fricção, e um livro com o seu trabalho foi publicado em 1780 (Licht, 1964). Esses dois pioneiros antecederam o médico sueco Per Henrik Ling, e muito provavelmente influenciaram suas idéias sobre a ginástica.

Per Henrik Ling (1776-1839) desenvolveu a ciência da "ginástica", forma de tratamento que combinava massagem e exercícios. O componente de massagem como forma de terapia não foi particularmente salientado por Ling, j á que era apenas uma parte do tratamento geral e ele dava maior importância aos exercícios realizados pelo paciente e pelo "ginasta" (o profissional da massagem). O sistema de tratamento de Ling ficou conhecido como o Movimento Sueco, ou Movimento da Cura. Muitos anos após sua morte, a massagem foi retirada das rotinas de tratamento e praticada isoladamente como massagem sueca. Da mesma forma, ocorreram mudanças nos objetivos do tratamento. Ling também havia defendido o Movimento Sueco para melhorar a higiene e evitar doenças, mas, no final do século XIX, os médicos interessavam-se pelo método de Ling apenas como um tratamento para doenças. O sistema de massagem de Ling foi introduzido na Inglaterra em 1840, logo após sua morte.

Em 1850, o dr. Mathias Roth escreveu o primeiro livro em inglês sobre os movimentos suecos. Ele também traduziu um ensaio escrito por Ling sobre as técnicas e seus efeitos. Entre 1860 e 1890, o dr. George H. Taylor, de Nova York, publicou muitos artigos sobre a Cura pelo Movimento Sueco, que aprendera com Per Henrik Ling. Seu irmão, Charles Fayette Taylor, também era um escritor ardente sobre o tema (Van Why, 1994). Nos últimos anos do século XIX, quando a massagem era amplamente usada, afirmava-se que a Cura pelo Movimento Sueco tinha muitos efeitos positivos sobre a saúde geral e no tratamento de doenças. Tais afirmações eram descritas e apoiadas por estudos de casos nos escritos de George Taylor. Algumas dessas afirmações, como mencionei aqui, são válidas ainda hoje.


Circulação sangüínea
Ocorria uma melhora na circulação sangüínea após a ginástica e a aplicação de massagem; dizia-se que esse benefício era tanto sistêmico quanto restrito a uma região. Com aumento da circulação sangüínea, os tecidos eram nutridos e a secreção das glândulas intensificada. O retorno venoso também era melhorado, reduzindo assim a congestão.
Respiração
A expansão do tórax aumentava consideravelmente como resultado do exercício e da massagem. A respiração melhorava como conseqüência dessa mudança, o que garantia a prevenção contra doenças como a tísica (tuberculose). Além disso, uma melhora na respiração tornava a eliminação de toxinas mais eficiente e, assim, o nível de fadiga era reduzido e a condição geral do corpo melhorava. Deformidades da caixa torácica também eram corrigidas com o sistema de exercícios e massagem.

Órgãos digestivos


As doenças dos órgãos digestivos podiam ser tratadas com exercícios apropriados, junto com mudanças necessárias na dieta e com higiene correta. A melhora no fluxo sangüíneo para a pele e para as extremidades ajudava a reduzir a congestão, e movimentos apropriados e massagem eram usados para estimular a eliminação de fezes e gases.
Capacidade e função das articulações
As declarações sobre os efeitos da massagem já eram proferidas por médicos como Herodicos (século V a.C), que afirmava ter grande sucesso no prolongamento do tempo de vida com uma combinação de massagem, ervas e óleos. Um de seus alunos, Hipócrates (o Pai da Medicina, que viveu por volta de 480 a.C), seguiu seus passos e afirmou que podia melhorar a função das articulações e aumentar o tônus muscular com o uso de massagem. Ele também aconselhou que os movimentos de massagem fossem executados na direção do coração, e não dos pés. Esta deve ter sido uma declaração intuitiva ou um mero palpite, já que na época não havia nenhum conhecimento sobre o sistema circulatório.

Durante a Renascença (1450-1600), a massagem foi muito popular junto à realeza. Na França, por exemplo, o médico Ambroise Pare (1517-1590) era procurado pelos membros da família real por seus tratamentos com massagem. Seu principal interesse era o uso da massagem, e especialmente dos movimentos de fricção, no tratamento do deslocamento de articulações.

John Grosvenor (1742-1823), cirurgião inglês e professor de medicina em Oxford, mostrou-se extremamente entusiasmado com os resultados que estavam sendo conseguidos com a massagem e assumiu o trabalho de Ling e de seu contemporâneo, dr. Johann Mezger, de Amsterdã. Grosvenor demonstrou os benefícios da massagem no alívio de articulações enrijecidas, gota e reumatismo. Entretanto, ele não incluía os exercícios como parte de seu tratamento porque estava mais interessado na cura de tecidos e articulações pela ação da fricção ou do esfregamento. Ele afirmava que, em muitas doenças, esta técnica abolia a necessidade de realizar cirurgias. William Cleobury, membro do Royal College of Surgeons, também usava a massagem para tratamento das articulações. Ele seguia a prática do dr. Grosvenor e usava fricção e esfregamento para tratar as limitações articulares e os fluidos nos joelhos.

Em New York, Charles Fayette Taylor (1826-1899) publicou muitos livros sobre o Movimento Sueco na década de 1860. Charles Taylor estudara o Movimento Sueco em Londres, sob a orientação do dr. Mathias Roth - um importante ortopedista homeopata que acreditava muito no sistema de tratamento de Ling -, e embora tivesse voltado a New York depois de apenas seis meses, estava muito comprometido com o sistema do Movimento Sueco. Seu irmão, George Taylor, também se dispunha a mostrar os efeitos do sistema para tratamento de alterações nas curvaturas da coluna e oferecia amostras de estudos de casos em seus escritos.


Reumatismo
Em 1816, o dr. Balfour tratou o reumatismo com sucesso, aplicando percussão, fricção e compressão. Entretanto, o pleno reconhecimento da massagem no tratamento do reumatismo só veio muito tempo depois, no mesmo século. Como vários outros membros da realeza, a rainha Vitória beneficiou-se bastante da Cura pelo Movimento Sueco e, conseqüentemente, melhorou em muito a reputação da massagem no final da década de 1880. Ling fundara o Instituto Central de Ginástica de Berlim em 1813 e apontara Lars Gabriel Branting como seu sucessor. Uma das alunas de Branting, lady John Manners, duquesa de Rutland, conseguiu que Branting tratasse as dores reumáticas da rainha Vitória, e o sucesso amplamente divulgado do tratamento de Branting com a "ginástica" criou uma nova demanda da Cura pela Massagem Sueca.
Cãibra do escritor
Na década de 1880, um calígrafo de Frankfurt-am-Main, na Alemanha, adquiriu fama como massagista. Julius Wolff tornou-se conhecido nos círculos médicos por seu tratamento da forma espasmódica da cãibra do escritor, por meio de ginástica, exercícios caligráficos e massagem. Ele declarava uma taxa de sucesso de 57%, e sua reputação e seu trabalho chegaram até a França e a Inglaterra. O tratamento foi observado e aprovado pelo dr. de Watteville (de Watteville, 1885), médico encarregado do Departamento Eletroterapêutico do St. Mary's Hospital, em Londres.
Paralisia
Tibério (42 a.C. - 37 d.C), um médico romano, fez importantes declarações em favor da massagem, afirmando que ela curava a paralisia. Muito depois, no começo do século XIX, o médico norte-americano Cornelius E. de Puy (Massage Therapy Journal, 1991) usou técnicas de massagem para tratar paralisia e apoplexia. De Puy foi membro fundador da Physico-Medical Society de New York, e durante sua curta vida (morreu em um naufrágio aos 29 anos) publicou três artigos para o Society sobre a aplicação da massagem na medicina. Um deles, escrito em 1817, era sobre a eficácia da massagem por fricção no tratamento da paralisia e da apoplexia (ele também praticava sangrias e mudanças dietéticas como parte do tratamento). Em seus escritos, que precederam aqueles de Per Henrik Ling (publicados na década de 1840 a 1850), ele ainda mencionou o uso de dispositivos ou implementos de massagem como escovas e flanelas úmidas. Alguns anos depois, em 1860, os benefícios da Cura pelo Movimento para a paralisia foram descritos e ilustrados com um estudo de caso, por George H. Taylor (Taylor, 1860). Em 1886 William Murrell também afirmou que a massagem era um instrumento importante para o tratamento da paralisia infantil.
Parto
Em muitas civilizações primitivas, era costume o uso de manipulação externa para auxiliar no parto. Essa tradição vem dos hebreus antigos, passando por Roma, Grécia, costa da América do Sul, África e índia. Em muitos lugares o costume ainda está em uso. A compressão do abdome é realizada com a finalidade de aumentar a atividade muscular e de aplicar uma força mecânica sobre o útero. A manipulação externa pode ser de extrema importância na prevenção ou na redução de hemorragias em um útero relaxado e em expansão; ela também é usada para comprimir a placenta (método de Crede) e, às vezes, para corrigir um mau posicionamento da criança dentro do útero. A compressão do abdome e do útero pode ser feita de diferentes maneiras. É comum a aplicação de uma simples pressão com as mãos sobre o abdome, e também o uso de meios auxiliares, como faixas ou cintos enrolados em torno do abdome. Pedras, e até mesmo pressão com os pés, também são usadas sobre o abdome enquanto a paciente está deitada em decúbito dorsal. A posição da parturiente varia; ela pode sentar-se no colo do auxiliar, ajoelhar-se, ficar de cócoras, suspensa pelos braços, em repouso sobre uma estaca horizontal (apoio) ou de bruços.

Um auxílio significativo no parto também tem sido oferecido pela massagem entre os índios norte-americanos e os nativos do México, por exemplo. Seu efeito é ajudar na expulsão da criança e da placenta e evitar hemorragias. A técnica mais usada é uma ação de amassamento sobre o abdome, com uso ocasional de óleos e calor (ou até mesmo de banha de tartaruga, usada entre os Gros-Ventres). Nos países árabes mais antigos, médicos como Rhazes defendiam uma firme fricção do abdome durante o parto. Essa prática ainda é usada em alguns locais.

Os obstetras japoneses supostamente corrigem posições inadequadas das crianças, nos últimos meses da gravidez, pelo uso da compressão. No Sião, no século XVII, a massagem no parto era usada principalmente para reduzir a dor. Os movimentos efetuados então eram fricção leve, toque, pressão delicada, dedilhamento e fricção com a ponta dos dedos. A combinação de compressão e massagem vigorosa, praticada mais tarde no Sião, foi descrita por Samuel R. House no periódico Archives of Medicine (1879). Outro método de massagem consiste em "descascar" o abdome. Para isso, a parturiente é suspensa por faixas sob os braços, e um auxiliar, ajoelhado atrás dela, aplica um movimento profundo do tipo deslizamento, ou "descascamento", no abdome. Esse método também tem sido usado entre os tártaros, entre os índios coyotero-apaches e até mesmo no Sião, conforme relatos do dr. Reed, um cirurgião norte-americano (citado por Engelmann, 1882; reproduzido em 1994).
Tratamento de lesões
Os gregos começaram a usar a massagem por volta de 300 a.C, associando-a com exercícios para a boa forma física. Os gladiadores recebiam massagens regulares para o alívio da dor e da fadiga muscular. Diz-se que Júlio César costumava ter todo o corpo beliscado e friccionado com óleos.

Na Grã-Bretanha, a massagem era usada pelos membros da Incorporated Society of Massage para o tratamento de soldados feridos na Guerra dos Bôeres (século XIX). O Almeric Paget Massage Corps (que posteriormente se tornou o Military Massage Service) foi estabelecido em 1914 para ajudar a tratar os feridos da Primeira Guerra Mundial, e este serviço estendeu-se para cerca de trezentos hospitais na Grã-Bretanha. Ele foi novamente oferecido na Segunda Guerra Mundial.

Os benefícios da massagem no tratamento de ferimentos de guerra foram salientados em um livro escrito por James Mennell em 1920. Mennell era o oficial médico encarregado do Departamento de Massagem no Special Military Surgery Hospital, em Londres. Trabalhava sob a orientação de Sir Robert Jones, diretor do mesmo hospital. Na apresentação do livro, Sir Robert afirma, sobre a massagem:

Como um complemento ao tratamento cirúrgico, a massagem pode ser empregada para aliviar a dor, reduzir o edema, auxiliar a circulação e promover a nutrição dos tecidos.

O termo que ele usou para a prática da massagem foi "físico-terapêutica", e definiu seu efeito como "a restauração da função; o que também inclui o uso da mobilização (passiva e ativa) para completar o tratamento".
O uso de aparelhos para a massagem
Em 1864, o dr. George Taylor fundou a primeira escola norte-americana para ensinar o método de Ling. Como, à época, estivesse incapacitado para ensinar ou tratar pacientes, em razão de uma fratura no cotovelo, Taylor inventou uma aparelhagem para executar a massagem e os exercícios. Esses dispositivos auxiliares podiam ser aplicados com a mesma eficiência que as técnicas manuais e, em alguns casos, serviam até mesmo como auxiliares para o terapeuta. Outro graduado do instituto de Ling na Suécia teve uma idéia similar. Em 1865 Jonas Gustaf Zander criou, em Estocolmo, um sistema mecânico para a realização das mesmas séries de exercícios e movimentos de massagem. Uma dessas máquinas era o aparelho vibrador. Alguém já havia sugerido, anteriormente, que apenas Ling e seus alunos poderiam dominar a arte da vibração. Além disso, a ginástica, em especial os movimentos de vibração, conseguia os efeitos desejados apenas quando realizada em determinada freqüência e intensidade. O aparelho fora criado para executar a mesma qualidade de movimentos - era, portanto, um substituto eficaz. A possibilidade de escolha de aplicação significava que o corpo inteiro ou apenas certas regiões podiam ser tratados, e isso supostamente proporcionava os mesmos benefícios que a vibração manual. A circulação podia ser melhorada e, assim, a nutrição dos tecidos. O aparelho também podia melhorar o tônus muscular, inclusive dos músculos involuntários cardíaco, do estômago e dos intestinos. Os vasos sangüíneos eram afetados de modo semelhante, em decorrência da contração e da dilatação que resultavam em melhor circulação, particularmente nas extremidades. Outros usos para o aparelho incluíam acalmar os nervos, melhorar a digestão e a função dos órgãos respiratórios, bem como aliviar a dor.
A massagem hoje
A massagem contemporânea deve seu progresso não necessariamente aos pioneiros, mas a um grande número de profissionais que a utilizam em clínicas, domicílios, hospitais e cirurgias. Por sua eficácia, a massagem garantiu uma firme posição entre outras terapias complementares. Sendo tanto uma arte quanto uma ciência, sua evolução continuará enquanto continuar sendo explorada e pesquisada por estudantes e profissionais.
A PRÁTICA DA MASSAGEM
A anamnese

Qualquer método de tratamento por massagem deve ser precedido de uma avaliação clínica completa do paciente, ou cliente. Não seguir essa "regra de ouro" seria muito antiprofissional por parte do terapeuta. Uma anamnese fornece ao terapeuta todas as informações relevantes sobre o paciente e ajuda a revelar qualquer condição crucial que possa ser uma contra-indicação; também fornece uma estrutura para o tratamento. Orientações ao paciente podem ser oferecidas apenas depois de uma avaliação completa; em alguns casos, a recomendação envolve o encaminhamento a outro profissional ou a um consultor. Realizar a anamnese não significa, contudo, que o profissional massagista esteja em posição de fazer um diagnóstico, o que, na verdade, os profissionais massagistas não devem tentar fazer. O formulário da anamnese pode ser dividido em seções, como as que relaciono aqui, e cada parte deve incluir detalhes adequados, sem exigir tempo demais para ser completada. Além disso, o documento da anamnese é confidencial e ninguém, exceto o fisioterapeuta, deve ter acesso a ele.


Seção A - dados pessoais
1. Nome e endereço.

2. Número de telefone para contato (de dia ou à noite, ou celular). 3. Data de nascimento.

4. Estado civil.

5. Profissão. O tipo de trabalho do paciente pode causar estresse e síndromes de uso excessivo, como lesões por esforço repetido (ler) ou padrões anormais de postura, que levam a desequilíbrios da musculatura postural e tensão muscular.

6. Endereço do clínico geral. Alguns pacientes preferem omitir detalhes de seu clínico geral e, naturalmente, tal decisão deve ser respeitada. Esses detalhes, contudo, às vezes se fazem necessários no evento improvável de uma emergência, e tê-los registrados por escrito é uma medida adequada, principalmente quando se pensa numa emergência clínica, quando o terapeuta precisar entrar em contato com o médico do paciente.

7. Consentimento para entrar em contato com o médico do paciente fora da situação de emergência. Tendo avaliado as informações obtidas na anamnese, as observações e o próprio tratamento, o terapeuta pode concluir que alguns aspectos são suficientemente significativos para ser passados ao médico do paciente. Isso, contudo, não pode ser feito sem o pleno consentimento do paciente, cuja autorização, portanto, deve ser solicitada no formulário da anamnese.
Seção B - sintomas e histórico
1. Sintomas atuais. O conjunto de sintomas que levaram o paciente a buscar a massagem é registrado nesta seção.

Os sintomas são relacionados por ordem de gravidade e de surgimento, e cada sintoma é analisado e relacionado com possíveis contra-indicações. Por exemplo, ondas de calor, cefaléias persistentes e palpitações podem indicar problemas cardíacos, que exigem um exame completo por um médico; um conjunto de sintomas dessa natureza certamente sugere que a massagem no pescoço é contra-indicada. As informações necessárias para a avaliação incluem a duração e a freqüência de cada sintoma, quaisquer fatores que aumentem ou reduzam sua intensidade e o relato de seu aparecimento.

2. Histórico de tratamentos anteriores e atuais. Detalhes de todos os tratamentos atuais e recentes são registrados; no caso de qualquer desses detalhes suscitar dúvidas sobre a adequação do tratamento por massagem, a autorização para este tratamento deverá ser obtida com o médico do paciente.

3. Condições. Qualquer problema de saúde que o paciente tenha é registrado aqui. Essa informação é necessária para ajudar no delineamento de um quadro geral da saúde do paciente e para estruturar o programa de tratamento. Um paciente que sofre de resinados freqüentes, por exemplo, pode ter um sistema imunológico fraco, e o tratamento indicado, neste caso, é a massagem linfática. Conselhos sobre suplementos alimentares e outras abordagens de tratamento podem também ser apropriados. Outro ponto a ser observado é uma queda rápida no peso, que pode indicar algumas alterações malignas e, portanto, exigir a investigação médica.

4. Medicação. Embora os pacientes geralmente se disponham a oferecer detalhes de seu histórico médico, alguns componentes podem ser omitidos inadvertidamente. Indagar sobre medicamentos, portanto, pode revelar alguma informação crucial. Os pacientes às vezes se esquecem de mencionar que sofrem de insônia, por exemplo, mas recordam-se prontamente disso quando questionados sobre os medicamentos que costumam usar. A insônia pode estar associada com outros sintomas, como depressão e ansiedade.

5. Detalhes adicionais. Questões sobre a dieta e formas de relaxamento podem ser incluídas nesta seção, para ajudar no esboço do estilo de vida do paciente. Embora esse tipo de informação seja muito útil, não pode ser usado para, por exemplo, alterações na dieta do paciente, a menos que o terapeuta seja um nutricionista formado. De modo similar, conselhos sobre métodos de relaxamento são apropriados, mas quaisquer estados de ansiedade profunda exigem a ajuda de um psicólogo especialmente treinado para isso.

6. Exercícios. Para o terapeuta, os problemas mais comuns apresentados pelos pacientes são dores lombares, rigidez e tensão muscular. A prescrição de alguns exercícios simples pode auxiliar no tratamento desses distúrbios. A dor lombar, por exemplo, com freqüência está associada a excesso de peso ou falta de exercícios. Vale a pena lembrar que, em alguns casos, o próprio exercício pode ser um fator agravante. A rigidez muscular muitas vezes está relacionada ao excesso de uso durante uma atividade esportiva.


Tabela 1.1 Exemplos de condições que podem exigir investigação antes da massagem

■ Depressão

■ Insônia

■ Problemas cardíacos

■ Resfriados freqüentes

■ Tensão pré-menstrual

■ Cistite

■ Enxaquecas

■ Perda de peso

■ Pressão arterial elevada (hipertensão) ■ Alergias

■ Diabete

■ Constipação

■ Micção freqüente ou difícil




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