Louis Pauwels Jacques Bergier



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Na sua opinião, a cinco ou dez anos-luz da Terra autómatos inteligentes montaram estações que contêm enormes reservas de in-

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formações; estas devem estar à nossa disposição. Apenas ainda não sabemos como poderemos chegar a elas e emitir um sinal capaz de ativá-las. Seria de grande importância obtermos acesso a essas reservas. De acordo com ele, cada astro que não está congelado nem incandescente, mas é habitado por vida biológica ou mecânica, emite radiações infra-vermelhas com um comprimento de onda entre oito e doze mícrons. O perito em conjuntos explosivos nucleares propõe que se construam o mais depressa possível grandes telescópios constituídos de maneira que possam captar essa mensagem infravermelha. Isso, a seu ver, seria mais sensato do que a radioastronomia, de criação recente, que se limita a captar ondas de rádio do espaço cósmico.



Receptores para transmissões estranhas

Terão vindo até nós visitantes de tais estações espaciais? Mac Gowan repete as afirmações já bem conhecidas, menciona as antigas lendas e considera, embora sem apresentar quaisquer novas provas, perfeitamente possível que tenham ocorrido tais visitas. Poderia ser que autómatos inteligentes não tenham deixado vestígios de sua visita. Estarão esperando que os habitantes da Terra se interessem mais por eles? Esperarão que a Terra tenha ultrapassado o baixo nível de vida biológica?

MacGowan acha muito provável que dispositivos automáticos circulam através do sistema solar para observar os planetas, captar informações e transmiti-las aos seus planetas de origem.

Menciona ele vários trabalhos do professor australiano Brace-well, nos quais consta que fragmentos de emissões de rádio ou televisão puderam ser recebidos vários dias, semanas ou até meses após sua irradiação, sem que fosse possível averiguar de onde provinham as ondas eletromagnéticas. Talvez uma coisa qualquer, num lugar qualquer do espaço cósmico, captou os programas e tornou a transmiti-los para fins de informação a outro mundo... Um dos trabalhos científicos do Professor Bracewell traz o título: Sobre a recepção de comunicações de sociedades galácticas superiores.

Sentimo-nos tentados ã propor outra hipótese: Talvez o tempo não seja de natureza tão simples como supomos; possivelmente podem sobrevir deformações de estrutura, de maneira a poderem algumas palavras ou imagens de um transmissor de rádio ou tele-

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visão ser ouvidas ou vistas anos mais tarde. Vêm-nos à lembrança os dois ingleses que de repente viram em sua frente o Parque de Versalhes com o aspecto que ele tinha no século XVIII ... Esta, porém, é uma hipótese não materialista e por isso não foi estabelecida nem por MacGowan, nem por Bracewell.



Das máquinas de MacGowan às borboletas de Clarke

Os aparelhos atualmente disponíveis para a detecção de sinais do espaço cósmico têm um alcance máximo de 8,7 anos-luz. Radio-telescópios aperfeiçoados poderão escutar as estrelas, em número redondo de duas mil, que se encontram numa área esférica de pelo menos de cem anos-luz. Acredita MacGowan que todo ser inteligente, biológico ou mecânico, tende a emitir ondas de um comprimento de 21 cm; ondas desse comprimento são emitidas pelas nuvens de gás de hidrogénio intergalácticas. Também Bracewell está persuadido de que neste comprimento de onda existe em nossa galáxia uma rede de comunicações que liga as estações espaciais automáticas com os planetas habitados por inteligências biológicas ou mecânicas. Segundo MacGowan, sociedades inteligentes extra-terrenas só esperam que também nós descubramos a rede de comunicação interestelar; entrarão então em comunicação conosco.

Essas sociedades nos observam, conhecem nosso nível de evolução. Por que deveriam querer nos exterminar? Para eles nós ainda mal nascemos. Arthur C. Clarke expressou-o maravilhosamente: "Já que só a estrutura é importante, não poderão espírito e inteligência existir e funcionar sem o obstáculo da matéria? Não poderão estar presentes como correntes eletrônicas e quanta de radiação, numa relação entre entidades puras? Assim, o espírito, que se formou em ações recíprocas materiais e por tanto tempo usou a matéria como elemento sustentador, poderia um belo dia emergir desta matéria, como a borboleta sai do casulo. E, tal como a borboleta sobe ao céu estival, o espírito poderia voltar-se para experiências situadas numa ordem de grandeza que de nenhum modo poderá ser comparada às suas fases de transformação anteriores".

O exame do futuro, feito por Clarke, é saturado de um calor quase religioso; gélida, porém, é a visão de MacGowan, que remata suas explicações com quatro conclusões táticas finais.

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Ou nossa sociedade humana biológica se transformará gradati-vamente numa sociedade de autómatos;



ou seremos já dentro em breve dominados pelos autómatos que vamos construir;

ou a humanidade, se ainda hesitar por muito tempo, será aniquilada por autómatos extraterrenos inteligentes; ou inteligências mecanizadas extraterrenas nos ajudarão, nos vigiarão e nos controlarão.

CAPÍTULO VII A História dos Cérebros Eletrônicos

Jacques Bergier


Nossas almas falam na sombra

"Não há máquina capaz de mentir,

Mas também não há máquina capaz de dizer a verdade."

G. K. Chesterton


A leitura do trabalho de MacGowan nos causa certo pavor, mas apesar disso devemos reconhecer que ele é admirável a obra de um especialista a quem se confiam tarefas cheias de responsabilidade, que não recua ante analisar as ficções reais de nosso tempo. Do que não compartilhamos é sua desesperança resignada. Acreditamos que o homem não deve tolerar outro senhor além de si próprio. Acreditamos que, atrás das máquinas, o homem vê a sombra das faculdades que ele mesmo deve adquirir. Na mecanização, o desenvolvimento futuro, que sem dúvida envolverá a maravilhosa máquina humana, ainda inexplorada, já projeta sua sombra. Para empregarmos uma expressão insuficiente: são imagens do deus futuro; não é o próprio Deus.

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Presenteie futuro das máquinas de pensar



H

IÁ ALGUNS ANOS, NO OUTONO, pululava uma multidão nas encostas do Himalaia. Milhares e milhares de chineses, munidos de cestos cheios de pedra e areia com alcatrão, estavam empenhados em construir estradas que deveriam conduzir ao teto do mundo, hoje não mais tibetano. Desenrola-se ali uma luta que talvez pertença à esfera do espírito, mas sobre isso não quero agora entrar em detalhes. Quero apenas dizer que este combate de um mundo milenar-precisamente contra esse mundo, fez a humanidade atrasar-se em cinco milénios.

No âmbito de pensar, porém, também nós, no Ocidente, ainda estamos no nível daqueles chineses com seus cestos: Nossos cientistas e sábios na sua maioria carregam consigo, na cabeça, toda a sua matéria-prima. Ainda trabalham sem o auxílio de máquinas. É verdade que vivemos as derradeiras horas deste modo de ser e de trabalhar.

O homem inventou utensílios que lhe ampliam as faculdades: No batiscafo mergulha nas profundezas do oceano, na nave espacial avança pelo espaço cósmico adentro. Os computadores eletrônicos lhe permitem lançar-se a tarefas para as quais o seu cérebro não seria suficiente.

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Devemos logo de início ter clareza sobre como devem ser entendidas essas máquinas de pensar. Se o homem é uma máquina, maravilhosa e em parte ainda desconhecida, concordo com Louis Pauwels em que esta máquina nunca será superada, a não ser por si mesma. Não acredito nem posso acreditar que um dia existirão máquinas que possam substituir o homem, usurpando-lhe o lugar. Acredito, isso sim, que se inventarão cada vez novas máquinas para ajudar o homem. Acreditamos que o homem, no decorrer de seu desenvolvimento psíquico, nunca cederá seu poder a monstros de aço. É esta a essência do problema filosófico; tudo o mais é polémica vã. Estamos convencidos de que o pensar sintético nunca tomará o lugar do pensar natural. Um fato é certo: O cérebro humano não consiste apenas em matéria e energia. Consiste também em tempo. É o resultado de um desenvolvimento da vida que dura há três bilhões de anos. Um cérebro artificial, construído por nós, quer seja de metal, quer de cristal, tem uma falha decisiva: falta-lhe o tempo acumulado no decorrer da evolução da vida. Somos jovens demais. Talvez em outros mundos, infinitamente mais antigos, os seres vivos tenham sido substituídos por máquinas...



Mas voltemos ao aqui e ao agora. Já existem máquinas que armazenam ideias em enormes quantidades e estabelecem ligações em tempo incrivelmente curto entre as informações armazenadas. Tais máquinas abrem ao espírito humano novas possibilidades. Superando essas máquinas, hoje tornadas realidade, que a nós parecem maravilhosas, mas que são bagatelas em comparação com ulteriores criações, possíveis em futuro próximo, podem-se imaginar instrumentos que multiplicam o intelecto humano tal como a alavanca multiplica a força do braço. Neste terreno, embora só em tempo bem recente, iniciou-se uma legítima revolução. Façamos um balanço provisório.

O homem que gostava de quietude

Neste sistema os algarismos inteiros do tradicional sistema decimal são expressados da seguinte maneira:

12 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 1 10 11 100 101 110 111 1000 1001 1010 1011 1100 1101

Os números do sistema dual consistem em cerca de três vezes mais algarismos do que os do sistema decimal; por isso este sistema não é adequado para o cálculo feito pelo cérebro humano. Mas para um cérebro mecânico presta-se perfeitamente. Tal máquina só tem duas possibilidades: pode responder sim ou não com o sinal + ou , com 1 ou com 0. Quando a corrente circula, é dada a primeira dessas respostas, quando a corrente não circula, é dada a segunda. Com a conjunção de muitos elementos eletrônicos distribuidores obtêm-se as grandes e complicadas máquinas de calcular.

No século XIX apareceram no mercado máquinas de calcular que funcionavam segundo o esquema de Leibniz. Foram construídas e aperfeiçoadas por inventores como Thomas de Colmar, Léon Bollée, Monroe e Friden.

Ainda no século XIX um inglês excêntrico, de nome Babbage, dedicou a vida a dois objetivos: a construção de uma gigantesca máquina de calcular e a luta contra os músicos ambulantes que percorriam o país. Na sua opinião, os tons desafinados dos cantores de rua perturbavam o trabalho intelectual e paralisavam a cultura. No entanto, seus inimigos lhe deixavam tanta folga que ele pôde inventar uma máquina de calcular baseada no princípio do tear de Jacquard; ela já era construída como os modernos computadores, com uma memória artificial (o armazenador de informação), um órgão calculador e um órgão de comando. Só faltavam a Babbage as válvulas eletrônicas. Estas, porém, não tinham ainda sido inventadas.

Meio século mais tarde, no ano de 1880, Hollerith inventou o cartão perfurado.

Por volta da mesma época apareceu outro excêntrico, tão genial como o primeiro, o americano Strowger.

A história das máquinas destinadas a ajudar o engenho humano começou em 1642 com a máquina de calcular de Blaise Pascal, que somava. Trinta anos mais tarde, Leibniz construiu uma máquina de calcular, que não podia apenas somar, mas também multiplicar. Utilizou para isso um sistema de algarismos, que só precisava dos algarismos 0 e 1 (baseava-se nas potências de 2); nós o designamos como sistema aritmético binário ou dual.

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e o homem que detestava as telefonistas



Strowger possuía uma empresa funerária em Chicago. Se Babbage detestara os músicos ambulantes, o ódio inexorável de Strowger se voltava contra as moças de serviço, as que nas centrais telefónicas

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faziam as ligações para o público. Incumbiu ele um de seus sobrinhos de inventar um aparelho que tornasse supérfluas as telefonistas. O sobrinho inventou o seletor automático, que ligava automaticamente um telefone com outro. Só então pôde tornar-se realidade uma verdadeira máquina de calcular. O cartão perfurado veio a ser sua memória; as válvulas eletrônicas desempenhavam o papel dos intermediários entre os seletores automáticos; e os relês tornaram-se os neurônios do cérebro automático. É verdade que antes de 1937 nada de decisivo aconteceu; há a mencionar apenas os trabalhos de dois franceses, Valtat e Couffignal, sobre o sistema dual.



O primeiro computador eletrônico moderno surgiu em 1937 numa pequena escola superior em Filadélfia, a Moore School. Os inventores, dois cientistas americanos de nome Eckert e Mauchly, denominaram o mecanismo Electronic Numerical Integrator and Automatic Computer, abreviado para ENIAC. O computador eletrônico foi equipado com 30 mil válvulas, número imenso para aquela época. O ENIAC era importante em dois sentidos. Em primeiro lugar empregava-se a eletrônica para a construção de máquinas de calcular (o que teoricamente abria a possibilidade de se realizarem operações de cálculo quase com a velocidade da luz) e em segundo lugar empregou-se pela primeira vez o armazenamento de informações ou números, aquilo que se designa como a memória dos computadores eletrônicos. A expressão é infeliz, pois lembra a memória humana, que na realidade nada tem a ver com isso. O ENIAC destinava-se ao exército americano; a máquina devia calcular tabelas de tiro. Mas esses cálculos só foram possíveis nove meses depois do fim da guerra e no meio tempo o exército perdera o interesse.

Um dos homens mais geniais do nosso tempo

Em todas as ciências existem períodos em que o desenvolvimento se acelera. Fervilham novas ideias, trabalhos iniciados independentemente uns dos outros buscam a mesma meta, acumulam-se descobertas e inventos. Tal período notável foi a década de 1937 a 1947. O Institute of Advanced Studies em Princeton publicou em 28 de junho de 1946 um trabalho assinado por John von Neumann, Arthur W. Burkes e Hermann H. Goldstine, que

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foi decisivo para o futuro do pensar eletrônico. Nele foi descrita a técnica da programação. Tratava-se de dar à máquina não só os algarismos que representam sua memória, mas também a compreensão necessária para sua utilização prática, de acordo com o problema apresentado. A técnica permite a essa máquina calcular até o algarismo que ela não armazenou, mas do qual possivelmente irá precisar no decorrer de suas operações. Um programa de operações não é necessariamente uma sucessão de operações lineares, ligadas entre si como elos de uma corrente. Tal programa deve, ao contrário, prever ramificações, dados que possam modificar outros dados.



Nessa década decisiva foram criados, simultaneamente com o mecanismo indispensável às máquinas modernas, os processos da programação. Ingleses e americanos inventaram o armazenador magnético de tambor. No National Bureau of Standard o Dr. Alex-ander criou elementos armazenadores nos quais se empregam, como sinais, ondas elásticas que se propagam em mercúrio. Na Universidade de Manchester o emprego de válvulas de raios catódicos levou ao desenvolvimento dos chamados armazenadores electrostáticos. Pela primeira vez os computadores eletrônicos puderam renunciar às tiras e cartões perfurados, e receberam verdadeiros armazenadores eletrônicos. Na mesma época foram também realizados os primeiros estudos sobre as concepções lógicas que as máquinas modernas tornam possíveis. A maioria destas ideias devemos a um dos mais extraordinários homens de nosso tempo, o matemático John von Neumann. Este, húngaro de nascimento, foi até a morte, no ano de 1960, o cérebro dos Estados Unidos no campo da economia nacional e da defesa. Tão grande era seu prestígio que durante sua última enfermidade (sofria de uma forma rara, traiçoeira, de câncer, provavelmente oriunda da ação de emanações radioativas por ocasião de uma inspeção de reatores atómicos) os mais notáveis políticos do país, do presidente aos ministros e altos funcionários, o visitaram em seu leito de enfermo. Sofrendo dores horríveis, mas com uma força de vontade quase sobre-humana, deu até o fim instruções referentes tanto aos mais secretos projetos de pesquisa como à criação de um sistema económico e industrial no qual não deviam mais ocorrer crises económicas.

John von Neumann estabeleceu concepções gerais que compreendem simultaneamente a física e a psicologia. Partiu ele de análises da teoria de jogos como pôquer, xadrez e damas. Certas possibilidades de emprego de seus trabalhos, pelos quais é generalizada a ideia da estratégia, permitiram-lhe elaborar a teoria dos computadores eletrônicos.

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Tão importante como E = me2



demais repetir este fato) mas é apesar de tudo tão dinâmica e tem tal capacidade de adaptação que pode realmente auxiliar o cérebro humano e abrir-lhe novas possibilidades.
As máquinas pensantes foram de início imaginadas unicamente como máquinas de calcular. Calcular sem dúvida é muito importante. O homem constrói pontes, submarinos atómicos, naves espaciais, aviões e automóveis; para construí-los precisa efetuar cálculos. As máquinas que ele começou por criar para ajudá-lo ainda hoje realizam operações de cálculos. Constituem importante auxílio na pesquisa e na técnica.

Desde 1947, porém, sabe-se que os computadores eletrônicos também podem lidar com outras coisas, não só com algarismos, isto é, elaboram qualquer informação desejada.

A expressão informação é uma ideia geral que, em seu sentido moderno, foi cunhada por Léo Szilard, Claude Charon e Léon Brillon. Os algarismos são apenas uma entre muitas formas de informação; outras informações são a dança das abelhas, a língua, a música, a arte, mensagens codificadas. Assim que se aprendeu a definir matematicamente toda e qualquer informação, reconheceu-se que os computadores eletrônicos podiam fazer muita coisa de que até então nem se suspeitara: traduzir textos de uma língua para outra, procurar uma determinada palavra num livro, decifrar um texto escrito em código desconhecido...

Informação não é nem matéria nem energia. Matematicamente ela pode ser definida de maneira simples, admiravelmente simples, quando se considera o quanto esta ideia é importante. A quantidade da informação resulta da proporção:

Probabilidade de um acontecimento ou de um estado depois de recebida a informação Probabilidade de um acontecimento ou de um estado antes de recebida a informação

Para o futuro da humanidade esta equação é tão importante como a E = me2 de Einstein.

Com seu auxílio, um matemático competente pode demonstrar porque são possíveis as palavras cruzadas, pode decifrar a dança das abelhas na construção dos favos, pode calcular uma tra-jetória que permita uma ligação com os planetas Marte ou Vénus, pode construir um computador eletrônico capaz de trabalhar com informações de toda a espécie e não apenas com algarismos, um autómato que joga xadrez, dança, aprende, traduz, efetua análises. £ verdade que tal máquina não sabe pensar (nunca é

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Pensar cada vez mais depressa

Depois de 1947 houve um verdadeiro dilúvio na área dos computadores eletrônicos; surgiram continuamente novos mecanismos. Com velocidade sempre crescente executaram tarefas que lhes foram confiadas. A Bendix já anunciou um computador experimental que pode trabalhar 100 milhões de informações num segundo. Pretende utilizar para isso o mais recente invento no campo da eletrônica, o túnel de díodos (semelhante ao transistor, mas praticamente isento de inércia). Para tal aparelho haveria como único limite a velocidade da luz; elabora dados ainda mais depressa do que o cérebro humano. Poderia acompanhar as ocorrências que se desenrolam no interior de uma bomba atómica ainda antes que esta tenha realmente explodido. Tais computadores eletrônicos ainda não se encontram no mercado, mas também os mecanismos elaboradores de dados que hoje se podem adquirir, Gamma 60, por exemplo, já realizam coisas assombrosas. No Comptoir National d'Escompte em Paris, tal máquina calcula 30 mil títulos em cerca de quatro horas por dia, tarefa em que, anteriormente, cem homens tinham que trabalhar um dia inteiro. Todo o serviço de contas-correntes está sendo confiado a computadores eletrônicos. Para processar automaticamente mais de um milhão de contas, será necessário um único aparelho, o Gamma 60. Este efetua em duas horas um trabalho que máquinas alimentadas com cartões perfurados demandam 200 horas para realizar.

Os novos armários mágicos

Vi vários destes equipamentos computadores em funcionamento, em Paris, Bruxelas e Milão. Bem pensando, não se pode neste caso falar de máquinas. Um Gamma 60 consiste, à primeira

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vista, em um grande compartimento vazio, que lembra uma sala de operações. No centro estão sentadas duas pessoas junto a uma escrivaninha. Lidam com a máquina por meio de um teclado, que se assemelha ao de uma maquina de escrever elétrica. Este teclado é acionado pelo Gamma 60 ou pelo operador, quando este tem que introduzir um dado. A instalação propriamente dita consiste em uma fileira de armários de aço, distribuídos pelo aposento sem qualquer ordem evidente e sem ligações visíveis entre si. Os cabos de comunicação passam por baixo do piso. Podem-se interligar quantos destes armários se quiser. Absolutamente indispensável é apenas um único armário, o elemento central, que representa o órgão de comando. Ao contrário do cérebro humano, este órgão de comando pode ocupar-se simultaneamente com vários problemas. Tem um número praticamente ilimitado de subconscientes, que trabalham paralelamente. É como se um cientista pudesse pensar ao mesmo tempo em problemas físicos, químicos, matemáticos e biológicos. No armário central encontra-se um armazenador nuclear de ferrite, de serviço, e uma série de elementos distribuidores eletrônicos que comandam os armários ligados ao sistema e possibilitam a execução simultânea de várias tarefas. Um núcleo de ferrite é minúsculo; seu diâmetro não chega a atingir um milímetro. Ferrite é uma composição química de óxido de ferro com óxidos de outros metais; pode armazenar dados por meio de magnetização. A capacidade de armazenamento orienta-se pelas necessidades. Tal armazenador pode reter até 200 mil algarismos, que podem ser convocados a uma velocidade de seis algarismos num centésimo milésimo de segundo.



Os elementos de serviço têm as seguintes tarefas a realizar: processar dados; assim, o elemento aritmético efetua operações de cálculo com os algarismos que lhe são fornecidos pelo armazém; armazena dados; os armazéns de fita magnética podem conter até 10 milhões de dados (algarismos ou letras), podendo ser ligados a eles até 24 dispositivos de convocação; introduzir dados na máquina (dispositivo de entrada) e transmitir dados (dispositivo de saída); a um mecanismo computador podem estar ligados vários perfuradores de cartão ou de fita ou também os modernos impressores rápidos de linhas. Os armários distribuídos ao redor do elemento central no aposento calculam, combinam, agem e depois entregam seus resultados. Para entrar em comunicação com eles, os operadores utilizam o elemento central. Este dispõe de uma língua própria,

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composta de símbolos matemáticos, para uso interno e de uma série de línguas simples, das quais se serve para se comunicar com o mundo exterior.



1.530 quilómetros de literatura por hora

Com tal mecanismo computador pode-se dirigir um banco ou uma companhia de seguros, juntar todas as palavras da língua francesa num armazém dinâmico, para estudá-las ou traduzi-las, calcular órbitas de vôo para sondas interplanetárias, possibilitar ao cérebro humano novas sínteses nos campos mais variados.

A elaboração eletrônica de dados oferece uma possibilidade de transformar o impossível em realidade. De um momento para outro tornaram-se realizáveis trabalhos de pesquisa ou reorganizações industriais que não se ousava abordar. Na nossa época vemos homens sérios ocupar-se com problemas que ainda há cinco anos eram considerados como pertencentes ao campo da ficção científica. Banqueiros se interessam por armazenadores eletrônicos de dados, filólogos estudam o sistema dual, militares querem ver calculada em menos de um segundo a trajetória de um foguete que, voa a enorme velocidade, ou analisada uma bomba atómica que explode. Ainda não foram criadas todas as condições necessárias; as possibilidades de comunicação com o mecanismo computador, isto é, a entrada e saída de dados, são ainda muito mais lentas do que as operações do próprio mecanismo. Mas já se criaram impressores rápidos que podem imprimir até 1.530 quilómetros de papel por hora em sinais compreensíveis para o programador. E o futuro nos reserva perspectivas ainda mais fantásticas.




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