Louis Pauwels Jacques Bergier



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Na opinião dos russos, quando o cientista souber como pode o subconsciente receber sinais que não passaram pela consciência,

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mas são absolutamente de natureza substancial (ultra-som pode ser comprovado com o auxílio de cristais), compreenderá também os fenómenos telepáticos, que no seu entender são uma simples ampliação das capacidades humanas de percepção que se estendem ao desconhecido. Encarada desta maneira, a telepatia não é, pois, nenhuma manifestação de uma alma imortal ou de um espírito, é uma peculiaridade material que, por conseguinte, pode ser examinada com o recurso das ciências exatas. Atualmente está sendo realizado na União Soviética, em larga frente, um programa de pesquisas adequado. A telepatia é apenas um entre os muitos fenómenos estudados. Também figura entre eles a reação do corpo humano às ondas eletromagnéticas e ao ultra-som. Um terceiro campo de pesquisas é constituído pela hipnose e o possível retorno ao passado da pessoa hipnotizada.



No âmbito desse programa de pesquisas conseguiu o Dr. L. B. Kompanejez fazer uma mulher de 66 anos voltar ao tempo em que tinha 8. Essa mulher não só recordava as mínimas ocorrências de um dia passado havia mais de meio século, não só escrevia na ortografia antiga, abolida desde a revolução, mas conseguia até ler perfeitamente sem óculos durante toda a experiência. A hipnose evidentemente torna sensíveis certos receptores no cérebro e em outras partes do corpo e, também, os órgãos receptores telepáticos ainda desconhecidos. Esses receptores são com certeza de natureza material e por conseguinte deveriam poder ser localizados. Os cientistas soviéticos em todo caso estão firmemente convencidos disso.

Magnetismo e hipnose

Entre os trabalhos nesse meio tempo também realizados abertamente, figuram as pesquisas do Professor Wasiliew, hoje considerado o Nestor(*) da pesquisa parapsicológica na União Soviética. Desde 1921 Wasiliew ocupa-se com esses problemas. É além disso especialista em fenómenos físicos na atmosfera superior e em campos eletromagnéticos: dirige um laboratório de física teórica na Universidade de Leningrado.

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As primeiras experiências de Wasiliew compreenderam fenôme» nos que ele descobriu em 1921 e que hoje ainda não podem ser explicados. Trata-se do seguinte: Quando se aproxima a até cinco centímetros da nuca de uma pessoa hipnotizada, submetida a experiência, um imã em ferradura, podem-se deslocar imagens ópticas que foram sugeridas à pessoa, mas que na realidade não existem. Isso, porém, só é conseguido quando o pólo norte do imã se encontra atrás da fonte (região temporal) direita, mas não quando o imã se encontra atrás da esquerda, isto é, quando se invertem os pólos. A pessoa de nenhum modo pode averiguar que alguém está aproximando um imã de sua nuca; além disso, quem dirige a experiência não explica o que está fazendo. A experiência é invariavelmente bem sucedida. Recentemente, acreditou-se ter encontrado uma explicação nas pesquisas dos cientistas franceses Sadron, Douzon e Polensky. Pretendem os três cientistas ter verificado que os ácidos de nucleína, que tão importante papel desempenham na hereditariedade e na memória, têm qualidades magnéticas. Todavia, os resultados de suas experiências são çm. si contraditórios e, por conseguinte, devemos admitir que o fenómeno descoberto por Wasiliew ainda não encontrou explicação correia.



Como pode um campo magnético influenciar estruturas cerebrais que correspondem a uma imagem sugerida? Por que a imagem parece deslocar-se? Ainda não conhecemos a solução do enigma. O certo é que na telepatia temos apenas o caso peculiar de um fenómeno muito difundido. Por meio de hipnose ou de reflexos condicionados podemos tornar o corpo sensível a forças que ele normalmente não percebe: ao magnetismo e ao ultra-som. O campo de força telepático consiste provavelmente em toda uma série de forças físicas. Que partes do corpo humano ou animal recebem as forças magnéticas, as ondas de ultra-som, as mensagens telepáticas? Não o sabemos. Mas não descobrimos dia a dia nas células e no cérebro novas partes componentes? Nesse campo, os soviéticos atribuem grande importância aos trabalhos do cientista alemão Kirsch. Este especializou-se na exploração dos neurônios, das células nervosas. Julga ter encontrado nos neurônios estruturas que se assemelham a um receptor de rádio com antena e detector. Contudo, sua opinião é muito controvertida; na União Soviética foram publicados vários trabalhos relacionados com este tema.

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Comunicação radiofónica entre os cérebros?



Quando se fala em telepatia, pensa-se instintivamente numa ligação efetuada por meio de ondas eletromagnéticas e sobretudo de ondas radiofónicas. Os parapsicólogos americanos, na sua' maioria, refutam essa opinião; querem provar que a telepatia é uma manifestação da alma imortal. Tal atitude, porém, não é científica, mas filosófica. Ora, só pode desvendar o segredo, pelo menos em parte, quem se apegar aos fatos concretos.

Em algumas experiências telepáticas realizadas a grande distância não foi providenciado um anteparo que pudesse obstar a transmissão das ondas. Efetuaram-se também algumas experiências utilizando dispositivos isolantes, mas é duvidoso que tenham sido eficazes a ponto de conter ondas curtas de alta frequência. Ao contrário de suposições anteriores, sabe-se hoje em dia que ondas eletromagnéticas, na faixa de um milímetro a um metro, às vezes podem difundir-se para além do horizonte por meio de reflexão múltipla. É verdade que isso só raramente ocorre, mas também os fenómenos telepáticos são raros. Alguns cientistas soviéticos apresentam esse argumento em apoio da hipótese de ser a telepatia condicionada por ondas ou raios que emanam do homem. Outros pesquisadores soviéticos, porém, rejeitam sem mais nem menos tal suposição, entre eles o Professor Arkadiew, que calculou quanta energia o cérebro pode irradiar. Segundo seus cálculos, a energia é tão fraca que já a poucos metros de distância de nenhum modo pode mais ser percebida. Arkadjew confirmou os resultados das pesquisas dos americanos W. K. Volkers e W. Candib que, em março de 1960, descobriram que na contração os músculos emitem sinais eletromagnéticos. É verdade que estes são extremamente fracos. Com instrumentos de alta sensibilidade sua presença pode ser demonstrada a alguns centímetros de distância. Mesmo se o cérebro humano (ou a pele, ou todo o sistema nervoso) fosse mais sensível do que o melhor instrumento medidor o que teria ainda que ser provado dificilmente se poderia imaginar uma transmissão eletromagnética entre dois cérebros a uma distância superior a um metro. Muitos cientistas soviéticos são por isso de opinião que é inconsistente a hipótese baseada em ondas eletromagnéticas.

Provavelmente eles têm razão. Se o organismo humano fosse sus-cetível a ondas eletromagnéticas, seria possível verificar quaisquer efeitos psicológicos ou fisiológicos nos engenheiros e técnicos que trabalham constantemente nas imediações de fontes de intensa

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radiação de alta frequência. Mas nada disso tem sido observado. Alguns fenómenos estranhos observados nos arredores de fortes emissoras de radar podem ser explicados de maneira muito simples. Na maioria dos casos trata-se de puros efeitos de calor, de uma elevação de temperatura consequente à absorção de ondas eletromagnéticas. Em outros casos, são reações químicas igualmente bem conhecidas, que só ocorrem com a intensidade máxima do campo de radiação. Por enquanto, deve-se em todo caso rejeitar a suposição de existir para a telepatia uma explicação no campo ele-tromagnético.



A situação atual na União Soviética

Na União Soviética as análises sobre a telepatia são realizadas sobretudo no Instituto Fisiológico da Universidade de Leningrado, dirigido pelo Professor P. I. Guliaiew. Atualmente os cientistas não publicam comunicações sistemáticas sobre seus trabalhos.


Os resultados até agora alcançados provam unicamente que a telepatia é possível se a pessoa, submetida à experiência, e destinada a atuar como receptor, for previamente hipnotizada. O programa de pesquisas do Instituto compreende os seguintes setores: exame de fenómenos telepáticos em gémeos, governo de máquinas por meio de sinais telepáticos, incitação do sistema nervoso por meio de radiações diversas, exame de contacto telepático entre duas pessoas, cada uma ligada por sua vez a um encefalógrafo, registro direto de pensamentos.

Também na Tchecoslováquia existe um instituto que se dedica a pesquisas parapsicológicas, sob a direção do Dr. Ryzl. Um instituto semelhante foi fundado na Polónia.

Sobretudo na União Soviética, porém, a pesquisa parapsicoló-gica é amplamente aprovada pela opinião pública. Assim que es-. tiver assegurada uma série de resultados, serão provavelmente postos à disposição dos pesquisadores soviéticos consideráveis recursos estatais para seu trabalho. Estes pesquisadores têm uma vantagem sobre os seus colegas em outros países, por partirem de hipóteses rigorosamente científicas. Não querem provar que existe um espírito. Não fazem política com seus trabalhos, como o fez, por exemplo, o americano J. B. Rhine, que declara em seu livro mais recente: "A pesquisa parapsicológica é a arma mais segura contra o comunismo".

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Por outro lado, sua atitude materialista os leva a negar a possível existência de outros fenómenos parapsicológicos, como o da vidência e da telecinese. Mas talvez, em sentido tático, isso deve até causar satisfação: para não ofender as autoridades estatais competentes, provavelmente é melhor que ataquem um fenómeno de cada vez e não todos ao mesmo tempo.



Mas já a telepatia por si só ameaça romper as fronteiras da ciência reconhecida. Se ela de fato é independente da distância, se não pertence ao nosso sistema de Espaço e Tempo, deve-se rever inteiramente tanto a psicologia como a física e a química.

Se existir um espaço psicológico que vai além de nossa continuidade física de Espaço e Tempo, se as distâncias dentro desse espaço podem desaparecer assim que dois cérebros estejam perfeitamente sintonizados um com o outro, somos obrigados a estabelecer uma cosmogonia inteiramente nova. E parece mesmo que a telepatia só pode ser explicada com o auxílio de tal supercontinui-dade.

Veremos nos próximos anos a que resultados os cientistas soviéticos chegam com suas pesquisas.

CAPÍTULO VI

Existem seres extraterrenos inteligentes?

Louis Pauwels e Jacques Bergier

"É perfeitamente possível que a humanidade seja controlada por inteligências extraterrenas automatizadas."

Roger MacGowan


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INiNGUÉM EXIGE DE UM CRÍTICO literário que ele seja capaz de escrever uma obra igual a  Ia Recherche du Temps Perdu; ele é aceito como o que realmente é, assíduo leitor de livros, com bom gosto e discernimento, leigo competente. Coisa bem diferente se dá quando alguém, que não é cientista, ousa criticar razoavelmente a ciência: na opinião da grande maioria dos especialistas ele simplesmente não tem esse direito.

Temos em nossa frente o volume 255 (segundo semestre de 1962) das Atas das Reuniões da Academia Francesa de Ciências. Nessa publicação, pesquisadores famosos se especializaram em ninharias. Nelas não encontramos alimento para nossos grandes sonhos, como tampouco o encontramos nos volumes 254 e 256. Se não alimentam, pois, os sonhos, estarão pelo menos dando novo impulso à ciência? Isso é mais do que duvidoso. Desde 1935 não coube mais à França qualquer dos Prémios Nobel de ciência. Haverá qualquer coisa de errado com o espírito de nossa ciência? Em todo caso nós, amigos do excepcional e cronistas das maravilhas, como o expressou Maurice Renard, acreditamos que com contribuições tão altamente eruditas como A influência do calor de incubação sobre a síntese artificial de certos esteróides nos testículos dos ratos a ciência francesa não irá reconquistar seu prestígio de outrora. Sem dúvida temos aí um trabalho de valor. Mas para o limiar da era espacial seu gabarito apesar de tudo é um tanto baixo...

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Do pequenino tupinambo* à grande galáxia



"Antes de decorridos vinte anos a humanidade entrará em contacto com seres extraterrenos inteligentes. Com certeza não serão seres vivos orgânicos, mas uma espécie de máquinas pensantes. Há muitos indícios de que essas inteligências já nos observam. Tudo permite imaginar que eles nos dominam. Tudo indica que devíamos preparar-nos para o que vem aí."

Estas linhas absolutamente não foram redigidas por um discípulo do alegre e genial Charles Fort, colecionador de fatos malditos. O autor não é nem escritor de ficção científica nem visionário iluminado. Podemos assegurar que ele é tão sério como o já mencionado pesquisador dos testículos de ratos. Chama-se Roger A. MacGowan e ocupa cargo de responsabilidade nas instalações industriais de Redstone, Alabama, onde são fabricadas as ogivas explosivas atómicas que ajudam a manter o equilíbrio do terror. Seu artigo, no qual se encontram as linhas citadas acima, tem o "título: Sobre a possível existência de inteligências extraterrenas. Contém numerosas fórmulas matemáticas, diagramas e 66 indicações de novos trabalhos publicados em torno deste tema. Apareceu em 80 páginas de impressão compacta no quarto volume de Science and Technology of Space, revista publicada para cientistas sob a direção dos mais importantes especialistas ocidentais, pela University Press, Nova York. Não existe publicação melhor qualificada. Que nos perdoem se nós, cientistas diletantes, preferimos tais trabalhos, cheios de um hálito poderoso à maioria das publicações francesas que, evidentemente, há muito tempo perderam o fôlego, como, por exemplo, um trabalho publicado com o título Efeito dos raios X sobre as raízes do tupinambo ou Anomalias estivais da formação do orvalho no ar.

Inteligências do espaço cósmico

"São perfeitamente legítimos os esforços para descobrir comunicações provenientes de inteligências extraterrenas. Quando estiverem funcionando os grandes radiotelescópios, esses esforços serão

* Planta da família das Compostas (Hclianthus tuberosus, L.) também conhecida como gira&sol-de-batatas, tupinamba e tupinambor. (N. da £.)

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coroados de êxito. Isso se dará em dez ou quando muito em vinte anos."



MacGowan defende o ponto de vista de que, em certos planetas de nosso sistema solar, existem inteligências não humanas, automatizadas. O astrónomo inglês Fred Hoyle não tem medo de afirmar, como coisa possível, que as grandes nuvens escuras no espaço são uma espécie de consciência. MacGowan não toma em consideração esta hipótese, um pouco lírica, mas parte de uma teoria de Holmberg que, em 1938, descobriu fora de nosso sistema solar 60 planetas que giram em torno de outros sóis. Chega à conclusão de que 67% das estrelas de nossa galáxia são acompanhadas de planetas. 67% equivale a 1,3 x IO11, número incrivelmente grande, imenso, segundo nossas escalas: 130 bilhões. Se realmente for assim, nossa galáxia pulula de vida.

Vida mais antiga do que as estrelas

Mas como surgiu essa vida? De onde veio? Vários autores soviéticos e americanos retomaram há pouco tempo a discussão sobre a possibilidade de uma panspermia artificial em relação à Terra. Acreditam que a vida em nosso planeta se originou de fragmentos de vida deixados na Terra por visitantes de outro mundo. O astrónomo Thomas Gold, de Cambridge, estabeleceu a tese de que a vida terrena surgiu das sobras de um piquenique feito por navegantes espaciais intergalácticos. Também MacGowan não exclui a possibilidade de ter a vida sido trazida à Terra de propósito, ou por acaso, de outro lugar. Não obstante, na sua opinião deviam-se realizar experiências adequadas e investigar se a vida apesar de tudo não se criou independentemente em nosso planeta. Por que não deveria a vida ter surgido espontaneamente? Sabe-se que Pasteur refutou tal teoria. MacGowan opina que tal atitude alicerçada em convicções religiosas, atrasou em um século o progresso científico.

Louis Kervan acredita na possibilidade de mutações biológicas. É verdade que a exatidão de sua hipótese ainda não foi provada, mas se ela se revelasse como certa, a vida seria apenas uma sequência de ocorrências físico-químicas. As mutações teriam outras causas, seriam acionadas por outra força, como aliás já supunham os antigos alquimistas. Os elementos estáveis em condição natural,

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segundo Kervan, deixam de sê-lo assim que a vida entra em jogo. Por conseguinte, Pasteur teria tido razão ao considerar impossível o aparecimento espontâneo de vida, baseado unicamente em rea-ções físico-químicas; estaria em concordância tanto com a tradição como com as mais recentes pesquisas científicas.

É possível que a vida já exista há toda a eternidade, que tenha vindo a esta Terra antes de tudo o mais, tal como o Espaço e o Tempo... Oh! Vida, mais antiga do que as próprias estrelas! dizem as sagradas escrituras dos indianos.

MacGowan também cita com frequência o Professor Nagy que, com uma equipe de pesquisadores, provou que o meteorito caído no século passado no departamento de Orgueil, continha substância orgânica.

Da evolução biológica à evolução mecânica
Lua, Marte e Vénus

Que provas temos de que também fora da nossa Terra existe - vida? Charles-Noêl Martin está persuadido de que existe infinito número de mundos e formas de vida. MacGowan ocupou-se exclusivamente com nossos arredores mais próximos, com a Lua, Marte e Vénus.


Segundo um artigo de Gilvarry, publicado em 1950, os mares da Lua, hoje ressecados, contêm sedimentos orgânicos. As tectites, misteriosas massas hialinas que se encontram na Terra, seriam oriundas da Lua, tendo sido lançadas ao espaço por erupções de vulcões lunares.

Quanto à vegetação de Marte, as fotografias que nos foram transmitidas por sondas espaciais ainda não nos proporcionaram dados perfeitamente claros; tem-se a impressão de que durante a primavera de Marte o limite da vegetação avança 15 quilómetros por dia.

Quanto a Vénus, debatem-se atualmente quatro teorias:

1. O planeta está coberto por um matagal composto de plantas

inferiores, aproximadamente comparável à vegetação terrena du

rante o mesozóico.

2. A superfície de Vénus é um deserto açoitado pelos ventos.

3. Cobre o planeta uma espessa camada de petróleo na qual na

dam minúsculos organismos.

4. Um mar de água com forte teor de ácido carbónico envolve

o planeta, como que um mar de água mineral.

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Se nas imediações de nossa Terra existir vida, esta evidentemente ainda se encontra em nível muito baixo. Mas em planetas distantes, nos quais a vida já é bilhões de anos mais antiga do que no nosso, deve ter alcançado um nível incrivelmente elevado. Baseando-se em nossa realidade atual e no presente nível da evolução da humanidade, MacGowan imaginou o assombroso progresso que devem ter atingido inteligências tanto mais antigas. Partindo deste ponto de vista, estabeleceu ele uma lei que deve aplicar-se a nosso mundo, bem como a outros:



"Assim que a vida biológica se torna dotada de inteligência, começa a substituir os componentes biológicos de sua essência por componentes mecânicos. Formam-se então seres inteligentes, autómatos que só pensam mecanicamente. O desenvolvimento mecânico tomou o lugar do desenvolvimento biológico".

Para aquele extraordinário especialista, que é ao mesmo tempo cientista e militar, é este o aspecto do nosso futuro. E em certos lugares do Espaço, este futuro já se tornou presente.

Não podemos concordar com tal opinião, pois nos parece muito duvidoso que um pensar artificial possa tomar inteiramente o lugar de um pensar natural. Isso pode ser possível em certa proporção, num determinado nível de desenvolvimento da técnica, mas poderá ocorrer sem que a essência do pensar seja prejudicada? Tal pensar sintético poderia expandir-se e aperfeiçoar-se sem a vida, provavelmente eterna? Encontramo-nos no divisor de águas da filosofia, hoje como ontem, e hoje ele é ainda mais nitidamente destacado do que jamais foi antes.

Para MacGowan, homem das máquinas e dos esquemas aerodinâmicos, de visão prática, a perfeição da vida e a renúncia à vida são elementos idênticos. Vamos resumir mais uma vez como ele encara a evolução:

Primeiro vem o homem. Depois vem cTcyborg, o ser-robô, meio

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ser vivo, meio máquina, equipado com órgãos eletrônicos. Em sua luta contra a morte, a ciência talvez um dia nos dê corações inteiramente transistorizados, montará em nossa circulação um dispositivo mecânico que nunca falha. A seguir, segundo MacGowan, passaremos do cyborg para o ser inteiramente eletromagnético, para um robô programado pelo cérebro humano. Por último,-o cérebro também é eliminado. O robô programa a si próprio, desenvolve a si próprio, fecunda sua inteligência, dotada de capacidade de adaptação. Com isso, o espírito, após ter-se separado da carne, teria estabelecido seu domínio completo.



Da essência do pensar

uma memória que talvez seja mais antiga do que nós,

a faculdade do pensar análogo?

Que se dá com aquilo que torna o homem mais misterioso do que seu próprio espírito, que o eleva acima deste, que o torna muito mais complexo do que todas as equações com que ele quer expressar sua posição peculiar na criação?

E, finalmente, o pensar é apenas informação? Não será informação mais o significado que a ela corresponde? Nega-o MacGowan, que se restringe ao observável e só quer contemplar o espírito sob uma luz absolutamente fria. Só pode acompanhá-lo quem for de opinião que toda a psicologia humana se reduz à psicologia da conduta. Não pode acompanhá-lo quem conta como pertencentes ao espírito as camadas subconscientes e inconscientes, mas sobretudo também as camadas supraconscientes.
Em seu estudo, notável pelo amplo horizonte e objetividade cien-. tífica, MacGowan analisa também a essência do pensar e estabelece uma série de equações gerais para definir o processo de pensar. Segundo ele, devem-se manter os seguintes fatores.

Dedução


Introspecção

Indução


Memória

Sensações e instintos

Sentimentos

Mostra ele que os vários órgãos dos sentidos e do pensamento podem ser substituídos por dispositivos mecânicos e eletrônicos e que tais órgãos, quando são alimentados com informações adequadas, não só pensam e sentem, mas até têm memória. De fato é assim. O cérebro humano contém IO10 neurônios que acumulam e reproduzem dados com uma velocidade até agora não alcançada por nenhum computador eletrônico. Ainda não existe hoje em dia um computador eletrônico com um acumulador tão fantástico.

MacGowan acredita, porém, que já num futuro próximo se poderão construir cérebros eletrônicos comparáveis ao cérebro humano. Mas o pensar só se comporá dos fatores mencionados por MacGowan? Que se dá com

a percepção não consciente,

a intuição,

a possibilidade de se ouvir a pulsação de ondas do futuro,

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Reservas de informações no espaço cósmico



Hoje os computadores eletrônicos precisam de mil milhões de segundos para explorar alguma coisa na memória, para o que a própria memória precisa um décimo de segundo. Mas MacGowan tem razão quando acredita num rápido progresso. Em 1939 todos os tesouros da Terra não teriam bastado para comprar uma grama de plutônio; em 1962 a grama de plutônio custava nada mais do que oito dólares. Nos mais variados campos do saber registram-se progressos aos saltos, que correspondem a uma multiplicação por dez milhões. Máquinas, que tivessem armazenado um conjunto de informações comparável ao que está contido num cérebro, e se entendessem entre si por meio de ondas eletromagné-ticas, teriam, em confronto com o homem, que se serve da linguagem, a vantagem de frequências de vibração entre 20 mil e 100 bilhões de hertzs. Tais máquinas, opina MacGowan, formariam uma sociedade muito mais competente e de melhor atuação conjunta do que o agrupamento de seres biológicos. Ele acredita evidentemente que em outros planetas já existam tais sociedades mecânicas e se, como o supõe Jean Charon, a velocidade da luz não significar o limite superior da velocidade, já dentro dos próximos trinta anos teremos contacto com tais sociedades.




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