Louis Pauwels Jacques Bergier



Baixar 0.65 Mb.
Página4/18
Encontro18.09.2019
Tamanho0.65 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   18

Acredita o Professor Maurice Goldhaber, do Instituto de Pesquisas Nucleares norte-americano em Brookhaven, que o antimundo de antimatéria surgiu simultaneamente com nosso Universo, como resultado de uma explosão de protomatéria. Segundo ele, o antimundo existe além do Espaço e dentro de outro Tempo, mas ele considera possíveis certas ligações, através das quais nos chegam fragmentos do antimundo.

De Pascual Jordan...

Alguns cientistas, entre eles Pascual Jordan, vão ainda além. Na sua opinião, existem gigantescas cadeias de mundos paralelos numa quinta dimensão de realidade. Destes mundos paralelos não só átomos de matéria e antimatéria poderiam penetrar em nosso Universo, mas também planetas, sóis e galáxias inteiras. Assim, a constante transformação de matéria em energia nos sóis seria compensada constantemente pela adução de novas matérias de outros mundos.

Pascual Jordan até acha possível que a mente humana tenha acesso a esses outros mundos e que isso permite a explicação de certos fenómenos parapsicológicos. Ele parece estar sozinho com sua opinião, se não levarmos em conta os autores de ficção científica, que há meio século, de maneira mais ou menos hábil, recor-

40

rem à teoria de mundos paralelos. Pascual Jordan foi acoimado de ocultista, por terem seus mundos paralelos forte semelhança com os planos astrais dos teósofos e antropósofos. Mas com isso faz-se injustiça ao cientista. É verdade que suas ideias são muito originais, mas elas se baseiam inteiramente em fundamentos científicos.



...à escuta das estrelas

Novas possibilidades da observação do céu levaram nos últimos dez anos a revoluções muito grandes na cosmogonia. Uma grande parte de nosso atual saber sobre o Universo observado não se origina mais dos tradicionais telescópios ópticos, mas dos radiotelescópios, com o auxílio dos quais podemos captar ondas eletromagnéticas vindas do espaço cósmico.

As origens dessas ondas foram descobertas nos Estados Unidos por Cari G. Jansky. Em 1951, o astrónomo americano Walter Baade, com o auxílio do telescópio do Monte Palomar, de cinco metros, pôde verificar que elas se originam, entre outras fontes, da constelação do Cisne, distante 700 milhões de anos-luz. Desde então, graças sobretudo aos grandes radiotelescópios de Cambridge (Inglaterra) e de Sidney (Austrália), conseguiu-se localizar muitos milhares dessas fontes de ondas de rádio. Em nenhum caso se trata de sinais produzidos artificialmente. A radiação de alta frequência tem uma tal energia que deve ser oriunda de fenómenos naturais. A intensidade da radiação alcança de IO28 a IO34 kW. Isso corresponde a uma força de 100 mil a 100 bilhões de bombas atómicas do tipo lançado sobre Hiroxima, por segundo. Se de fato chegassem até nós, vindos do espaço cósmico, sinais produzidos por seres inteligentes, precisaríamos de instrumentos ultra-sensíveis para separá-los da profusão de ondas de origem natural. As ondas que nos chegam do espaço cósmico nos permitem distinguir obje-tos situados além dos corpos celestes perceptíveis por meio de telescópios ópticos. Mas de onde vêm essas ondas?

41

Mensagens do "além" e o segredo das fontes de radioemissão



A primeira hipótese sobre a origem das ondas eletromagnéticas do espaço cósmico foi estabelecida em 1940. Foi proposta por um autor de ficção científica americano de nome Edward Elmer Smith. Em seu romance Os Guardas da Via-Láctea trata ele da possibilidade de um embate entre dois sistemas de galáxias. Para os habitantes dos planetas tal colisão não ofereceria perigo, por transcorrer com excessiva lentidão. Mas a influência recíproca de gases das duas galáxias em colisão causaria intensa emissão de ondas eletromagnéticas. Hoje em dia prevalece a opinião que a genial fantasia de Smith antecipou um fenómeno que de fato existe e pode ser observado em certas regiões celestes. Entretanto, essa teoria ainda está longe de explicar todas as fontes de radioemissão.

_ Também a suposição de que tais fontes se localizem nos pontos em que se chocam nosso mundo e o antimundo da antimatéria, não é explicação suficiente. Tais pontos devem realmente existir, mas são extremamente raros.

Que outras explicações são possíveis? Em 1953 o radioastrônomo soviético I. S. Schklowsky estabeleceu uma nova teoria. Seja dito desde logo que Schklowsky é um cientista absolutamente honesto e que sua teoria obteve reconhecimento geral. Na sua opinião, as fontes de radioemissão se estabelecem quando eléctrons atravessam o espaço cósmico com velocidade quase igual à da luz e são captados pelo campo magnético de uma galáxia. Os eléctrons são presumivelmente libertados por explosões de estrelas, por conseguinte pela formação de novae. Se esta teoria corresponder à realidade, muitas fontes de rádio são de data relativamente recente; a fonte de rádio na constelação do Cisne não teria, pois, mais de 400 mil anos.

Partindo de observações que fez no observatório de Yerkes (Estados Unidos), Geoffrey Burbidge chegou recentemente a uma teoria muito mais fantástica. Segundo ela, as fontes de rádio são produzidas por uma violentíssima reação em cadeia que se propaga com velocidade igual à da luz e aniquila galáxias inteiras, tal como numa explosão nuclear são desfeitos os núcleos atómicos. Acredita ele que a radiação intensa de uma supernova ao colidir com outro corpo celeste o contamina, o transforma igualmente em su-pernova, continuando o processo até estar destruída toda uma galáxia. Seria perfeitamente admissível tal reação em cadeia no cen-

42 ■ •■..,... ,, , . -

tro relativamente denso de uma galáxia. Mas é verdade também que mal podemos fazer uma ideia exata de tão grande cataclismo. Se partirmos da suposição de que no espaço cósmico existem inúmeros planetas habitados, tal catástrofe deve causar o aniquilamento de milhões de civilizações um juízo final muito mais horrendo do que tudo quanto ousaram pintar as mais sombrias religiões de nosso planeta.

O físico soviético V. L. Ginzburg, porém, é de opinião que as ondas eletromagnéticas não são causadas por galáxias em vias de extinção, mas por novas galáxias em fase de formação. Uma onda de protomatéria se contrai e dá origem a numerosas galáxias. Essa contração produz raios cósmicos que atingem o gás da nuvem. Assim, tornam-se livres eléctrons velozes, que por sua vez produzem ondas de rádio. A teoria de Ginzburg baseia-se em cálculos exatos. Ela explica pelo menos uma parte das fontes de radioemissão.

Por conseguinte, é provável que existam não uma, mas várias explicações para a origem dessas fontes. Em todo caso, são sempre provocadas por catástrofes de dimensões incríveis, que provam não ter o Universo atingido uma condição estável, estacionária.

As incompreensíveis galáxias

As galáxias se influenciam reciprocamente. Meticulosos exames científicos deste fenómeno demonstraram que as forças ativas que atuam neste caso nada têm a ver com a clássica gravidade. Deve tratar-se de forças de outra espécie, que só atuam a distâncias enormes e sobre massas muito grandes. Até agora não se tem a menor ideia sobre a natureza de tais forças.

As observações mostraram, além disso, que sob a influência dessas forças desconhecidas as galáxias atuam como líquidos viscosos. No entanto, a galáxia consiste em matéria muito rarefeita que, teoricamente, de modo algum pode ter as características de líquido viscoso. Ainda não se encontrou explicação para esse fenómeno.

Não menos incompreensíveis são as pontes de estrelas que ligam as galáxias umas às outras. Difíceis de compreender são as jovens galáxias ovais de cor branco-azulada, recentemente descobertas por astrónomos soviéticos. Emitem elas uma radiação fora do comum, que não obedece às leis válidas para a emissão de raios pelos corpos luminosos.

43

De modo geral pode-se dizer que, quanto às dimensões e massas, as galáxias diferem muito. Umas têm diâmetro de apenas 7 mil parsecs, outras atingem uma extensão de até 40 mil parsecs. O número de estrelas oscila entre IO7 e IO12. Conhecem-se galáxias em forma de espiral ou elíptica, bem como galáxias anãs de formato esférico. A distância média entre duas galáxias situa-se na ordem de 500 mil parsecs. Provavelmente não existem duas galáxias com-pletamente iguais, assim como não existem duas estrelas ou duas pessoas completamente iguais. Dificilmente se compreende que leis iguais tenham conduzido a formações tão diferentes. Sentimo-nos tentados a acreditar que as leis da natureza no Universo oscilam muito mais do que em geral se acredita.



Que se passa no interior das estrelas?

Mais diversificadas ainda do que as galáxias são as próprias estrelas. Provavelmente existem estrelas invisíveis, de matéria muito compacta, que têm apenas o tamanho de um punho fechado, mas se compõem de massa igual à do nosso Sol. Com certeza existem extrelas que são milhões de vezes mais brilhantes do que o Sol (por , exemplo a S Doradus), e outras que têm apenas uma setecentésima milésima parte da luminosidade do Sol (por exemplo, o escuro acompanhante da estrela Wolf 1055). Existem estrelas 2 mil vezes maiores do que o Sol e outras tão pequenas como a nossa Lua.

Quanto à massa, as estrelas também diferem umas das outras. As menores têm cerca de 4% da massa solar, as maiores têm aproximadamente cinquenta vezes mais do que isso. A temperatura da superfície oscila entre 40.000°C e 1.000°C (em nosso Sol ela é de 6.000°C). Nos livros de ciência popular encontra-se frequentemente a afirmação de que as temperaturas no interior das estrelas se elevam a vários milhões ou até a bilhões de graus. Na realidade, porém, não sabemos o que ocorre no interior das estrelas; provavelmente a esses processos nem se podem aplicar ideias como temperatura e matéria. De modo geral acredita-se que, por meio de fusão nuclear, os sóis constróem outros elementos a partir do hidrogénio, com o que enormes energias são libertadas e irradiadas.

Está-se em vias de examinar meticulosamente tais fenómenos. É verdade que surgem então numerosas indagações para as quais até agora não se encontraram respostas. Como, por exemplo, podem estrelas, cuja duração de vida média é de apenas 250 mil

44

anos, construir um elemento como tecnécio, quando se pode demonstrar a existência deste elemento químico em estrelas que já têm bilhões de anos de idade? Não se sabe. Nenhuma reação nuclear conhecida poderia levar a tal resultado. Tratar-se-á de transmutações alquimistas? Os elementos resultarão, como as estrelas, de explosões de protomatéria? Estes são enigmas cuja solução ainda não conhecemos.



O Universo esconde mais segredos do que jamais se acreditou. Sua exploração apenas começou. Qual é a extensão da parte do Universo que nos é fisicamente acessível? Também acerca deste ponto as opiniões divergem. Se a velocidade da luz representa um limite máximo, até mesmo com foguetes de fótons não se chegará além de aproximadamente dez anos-luz. Todavia, Jean Charon defende a opinião de que a velocidade da luz absolutamente não representa o limite máximo; que, ao contrário, todo o Universo nos é acessível e que, dentro de mais algumas dezenas de anos, poderemos voar até a Nebulosa de Andrômeda e voltar à Terra. Caso essa teoria venha a ser confirmada pelos fatos, nossos descendentes viajarão por extensas regiões do espaço cósmico, certamente tendo muitas surpresas. Desde que o homem observa o céu, não simplificou o mundo, pelo contrário, complicou-o sem parar. Em minha colaboração esforcei-me no sentido de pôr um pouco de ordem nessa multiplicidade e em tantos e tão diferentes aspectos da questão.

45

CAPÍTULO V Pesquisas Parapsicológicas na U.R.S.S.



Jacques Bergier

"Além do nosso inundo ainda existem outros mundos que to-pologicamente não têm ligações com o nosso, mas oferecem o que se pode estabelecer por meio dos fenómenos telepáticos, cuja existência os psicólogos vão aos poucos admitindo."

Professor G. B. C. Stueckelberg

quando este se encontra em outro aposento, em outra casa ou até em outra cidade. Para o professor, a telepatia é fácil de explicar: Quando um cérebro envia fortes sinais a outro, este não deve ter dificuldade em captá-los.

A perplexidade dos racionalistas franceses resulta de sua completa ignorância quanto ao estado da ciência soviética e à evolução do pensamento científico na U.R.S.S. As pesquisas parapsicológicas, mal toleradas no tempo dos tzares, foram muito intensificadas desde 1917. Em pouco tempo, a parapsicologia obteve acesso às universidades. Um autor soviético nos fala sobre a história deste desenvolvimento.

A colher de prata e o materialista


Há surpresas pela frente

RACIONALISTAS FRANCESES só podem fazer uma ideia da vida espiritual na União Soviética através de impressões que correspondem ao século XIX. Na sua opinião, os cientistas que cresceram à sombra do marxismo são obrigatoriamente positivistas e caminham pelas sendas tradicionais do conhecimento. Nos últimos tempos, essa opinião conformista tem sido várias vezes abalada, embora na França não se tenha ainda compreendido plenamente o significado de tais abalos. O último choque ocorreu recentemente sob a forma de uma notícia num grande jornal francês, segundo a qual hipnose e telepatia na União Soviética são consideradas hoje fatos científicos. A notícia acrescentava ainda que os atuais trabalhos de pesquisa se baseiam no materialismo dialético.

Na opinião do professor soviético Wasiliew, que dirige as experiências telepáticas realizadas em vários locais de pesquisas, o cérebro de um hipnotizador é como que uma espécie de radioemis-sor, enquanto os cérebros dos hipnotizados atuam como receptores. Suas experiências provam de maneira um tanto convincente que os hipnotizados obedecem a ordens do hipnotizador, mesmo 46

Bernard Bernardowitsch Kaschinski é um eletrotécnico. Há 40 anos participa de todos os trabalhos de pesquisa relacionados com a telepatia na União Soviética. Sua obra principal, Comunicação Radiobiológica foi publicada no ano passado pela Academia Ucra-niana de Ciências, em Kiew.

O interesse de Kaschinski pelos fenómenos parapsicológicos data de um acontecimento fora do comum.

No ano de 1919, quando vivia em Tiflis, seu melhor amigo adoeceu gravemente. Tifo, diagnosticaram os médicos. Numa noite quente de agosto, Kaschinski foi de repente despertado por um ruído que soava como se uma colher de prata batesse contra vidro. Procurou em seu quarto para ver de onde partira o ruído, mas foi em vâo. Na tarde seguinte soube que seu amigo morrera durante a noite. Foi à casa do morto, para vê-lo pela última vez. Viu na mesinha de cabeceira um copo e uma colher de prata. A mãe de seu amigo notou que ele não tirava os olhos daqueles objetos e contou entre lágrimas: "Eu ia dar-lhe seu remédio; no momento em que lhe levava a colher à boca, seus olhos se apagaram. Assim ele morreu; estava predeterminado que ele não devia mais tomar aquela dose".

Indizivelmente emocionado, Kaschinski pediu à mulher, com muitas desculpas, que lhe mostrasse exatamente como tudo se passara. Ela pôs no copo a colher que, ao tocar no fundo, produziu exatamente o mesmo ruído que Kaschinski ouvira durante a noite, a mais de um quilómetro de distância. De que misteriosa

47

maneira o som se comunicara a ele, a tal distância e apesar de seu profundo sono?



Kaschinski não é supersticioso; é materialista convicto. Mas naquele dia jurou que haveria de desvendar o mistério, e que um dia iria saber o que se passara no cérebro da mãe de seu amigo e no seu próprio cérebro. Iniciou com o famoso cientista Alexander Wassilijewitsch Leontiwitsch o estudo do sistema nervoso do homem. Coligiu fatos, e chegou à convicção de que o sistema nervoso humano pode reagir a forças ainda desconhecidas. Em 1923 publicou um livro com o título A Transmissão de Pensamento. Numerosos cientistas se interessaram por esse trabalho, mas os dois homens que mais interesse revelaram não eram cientistas.

O olho emite raios?

Um deles era o russo Alexander Belaiew, autor de ficção científica, o Júlio Verne soviético. Alicerçado nos trabalhos de Kaschinski, escreve ele um romance com o título Os Senhores do Mundo, que teve grande público na União Soviética. Muitos jovens leitores tornaram-se por sua vez pesquisadores e começaram a interessar-se pela telepatia. Sem exagero pode-se dizer que Os Senhores do Mundo teve para a telepatia importância igual à que Vinte Mil Léguas Submarinas teve para o submarino.

O segundo homem a entusiasmar-se pelos trabalhos de Kaschinski foi Wladimir Leonidowitsch Durow, um dos mais famosos domadores de seu tempo. Suas experiências tinham-no levado à convicção que seria possível transmitir pensamentos aos animais. Em 1923 e 1924, Durow realizou 10 mil experiências que foram controladas por especialistas. Conseguiu transmitir ordens a animais, fazendo-os, por exemplo, apanhar um objeto e trazê-lo.

Avaliaram-se estatisticamente essas experiências. Verificou-se assim que a probabilidade de um sucesso casual era de dezesseis em dez milhões. Os mais cépticos psicólogos de animais ficaram plenamente persuadidos. Todavia, o clima espiritual da década de trinta na União Soviética não era sobremodo favorável a debates sobre tais assuntos. Os resultados das experiências foram publicados, mas pouca atenção despertaram. Só em tempos mais recentes, alguns cientistas voltaram a ocupar-se com eles. Hoje, procuram-se na 48

União Soviética homens que possuam, como Durow, a extraordinária capacidade de transmitir seus pensamentos a animais.

Durante as experiências de adestramento, verificou-se que o cérebro de Durow emitia ondas de alta frequência, com um comprimento de 1,8 mm. É verdade que, naquele tempo, os instrumentos com que se podiam medir tais ondas ainda eram extremamente primitivos, de modo que não foi possível comprovar com rigor científico a existência dessa radiação. Apesar de não ser cientista, Durow era sem dúvida um observador perspicaz. Entre outras coisas, estava convencido de que os olhos de homens e animais emitem raios. Observara que o olhar humano era capaz de amansar o animal mais bravio. Além disso realizou experiências em torno do efeito inexplicável, apesar de já conhecido desde os tempos mais remotos, que o olhar tem sobre a nuca de uma pessoa. Fitou firmemente a nuca de pessoas que disso não estavam advertidas, e em 100% dos casos elas viraram a cabeça. Conclamou então os cientistas a comprovar a radiação emitida pelo olho humano. Tal, porém, não foi conseguido. No meio tempo foi dado. prosseguimento aos seus trabalhos. Acreditam os soviéticos dispor de uma série de provas da existência de uma radiação que parte do olho; esta radiação, diz-se, é captada pela glândula pineal.

Ao ouvir isso, pensamos instintivamente nas lendas do terceiro olho. Também os soviéticos sabem disso. Em seu trabalho, Kaschinski cita um livro publicado na Rússia em 1907, do indiano Ramacharaka, que já define a glândula pineal como receptor telepático. Em 1959, relatou-se no Congresso de Fisiólogos em Buenos Aires que um estímulo elétrico da glândula pineal produz na pessoa utilizada na experiência impressões ilusórias de luz. Ao mesmo tempo apareceram fonemas na retina. Durow examinara muito detidamente os fenómenos de paralização provocados pelos olhares de homens e de certas cobras e peixes. Partindo da hipótese de que o olho emite uma radiação eletromagnética, retomaram-se novamente na União Soviética essas pesquisas. O comprimento de onda da radiação consta ser de oito centésimos de milímetro; ela se situaria portanto entre as ondas de rádio e os raios infravermelhos. Diz-se que é fortemente enfeixada e que uma parte do olho como que. tem a função de orientador de raios.

Como tais ondas se propagam em linha reta e são interrompidas por objetos que obstam a passagem de luz, elas naturalmente não explicam o fenómeno de comunicação telepática através de grandes distâncias. Caso, porém, fosse possível provar que existe uma radiação emitida pelo olho e captada pela glândula pineal, já na fase atual da pesquisa deveriam ser eliminadas muitas opiniões tra-

49

dicionais da psicologia. Como disse Kaschinski, com acerto, os fisiólogos e os especialistas do cérebro seriam obrigados a ocupar-se com eleitos à distância.



Um programa para a pesquisa de forças parapsicológicas

Campos de força e transmissão de pensamento

Desde o início de nosso século a ciência soviética mostra-se mais progressista ante tais fenómenos. Em tempos mais recentes puderam ser publicados vários trabalhos sobre a análise da transmissão de pensamento e das radiações que emanam do homem. De peculiar importância é um trabalho que apareceu em Leningrado em 1942, da autoria do Professor S. J. Turlugin. Em primeiro lugar Turlugin provou que o efeito do olhar humano cessa quando se introduz entre o emissor (olho humano) e o receptor (nuca de uma segunda pessoa), que se encontra ao alcance da visão, uma tela de arame muito fina. Demonstrou além disso que se pode refletir a radiação por meio de redes de difração muito finas, mas não por meio de espelhos metálicos. Tirou daí a conclusão de que, no caso da radiação emanada do olho humano, deve tratar-se de ondas eletromagnéticas muito curtas, de ondas de milímetro, da mais alta frequência. Os resultados das pesquisas de Turlugin foram por sua vez revisadas por P. P. Lazareff, membro da Academia. Também o grande fisiólogo Pawlov verificara a existência de fenómenos semelhantes. Hoje retomaram-se os trabalhos, simultaneamente dirigidos em vários sentidos. Um dos exames serve para esclarecer a questão de se saber se a emissão de raios do olho pode ser estimulada por meio de mescalina ou outros alucinógenos.

Ainda quando isso não era visto com bons olhos, o Instituto Pavlov prosseguiu com as pesquisas em torno da telepatia e da reação do organismo às ondas de diversos tipos. Em 1959, Petrow descobriu que campos magnéticos de alta frequência influenciam o sistema nervoso superior, modificam o desenrolar dos reflexos e provocam sensações de dor. Hoje em dia, todos se ocupam abertamente com tais pesquisas. O Dr. W. A. Kosak, do Instituto Pavlov, é de opinião que fenómenos como transmissão de pensamento e produção de sensações a grandes distâncias são causados por um campo de energia, não sendo de nenhum modo necessário que esse campo de energia seja de natureza eletromagnética.

Pesquisas desta natureza absolutamente não constituem monopólio dos soviéticos, pois fazem parte das investigações realizadas no mundo inteiro sobre as forças por meio das quais é organizada a substância viva. Essas forças obrigam os átomos e as moléculas dentro e mesmo fora de um organismo vivo a seguirem rumos bem determinados. Este fenómeno parece transgredir as leis do acaso, tal como habitualmente as interpretamos. Até hoje não pôde ser criado nenhum instrumento com o qual fosse possível provar a presença dessa força organizadora; no entanto, numerosas experiências levam a concluir que ela deve existir. Assim, o Professor Weiss, da Universidade de Nova York, demonstrou por meio de experiências que uma pena nova esmagada, quando colocada numa solução nutritiva, se reconstitui. As moléculas de que se compõe a pena são evidentemente coordenadas por um campo de força segundo um esquema fixo. Efeitos secundários desse campo de força se manifestam como fenómenos de natureza elétrica.

Esse campo de força será o mesmo que atua também na transmissão de pensamento? Seria perfeitamente possível.

Em todo caso, parece fora de dúvida que o organismo pode reagir a estímulos que não lhe chegam pelos caminhos habituais. Para verificá-lo, o Instituto Pavlov realizou uma série de experiências das mais surpreendentes. Uma pessoa é posta nas imediações de um condutor através do qual passa uma corrente. Se ela tocar o condutor naturalmente receberá um choque elétrico. A experiência é repetida várias dezenas de vezes. Simultaneamente com a descarga elétrica através do condutor é emitido um sinal de ultra-som, que não é percebido pelo ouvido por causa de sua alta frequência. A corrente é então desligada, emitindo-se de novo o sinal assim que a pessoa toca o condutor. Ela não recebe mais nenhum choque elétrico, mas retira a mão com a rapidez do raio. Trata-se aí evidentemente de um reflexo condicionado. Mas como o sinal de ultra-som atingiu o sistema nervoso se não é audível para ouvidos humanos? E mesmo se admitirmos que de um modo ou de outro o sinal penetrou no subconsciente, isso não explica por que foi necessário um choque elétrico repetido para que a pessoa se tornasse sensível ao sinal. Na opinião dos cientistas soviéticos está aí a verdadeira essência do problema.




1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   18


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal