Louis Pauwels Jacques Bergier



Baixar 0.65 Mb.
Página3/18
Encontro18.09.2019
Tamanho0.65 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   18

28

ra a formar-se nova figura, que representa uma potência. Os homens da Terra entendem o que eles querem dizer; a resposta dos marcianos é: "Deixem-nos em pazl"



No entanto, seguindo-se a um novo invento, o laser, a questão de repente voltou a ser atual. O laser é um aparelho eletrônico para a produção de raios luminosos fortemente enfeixados, dotados de intensa energia. A ideia do laser provém dos trabalhos do cientista francês Alfred Kastler; em 1958 foi novamente abordada pelos americanos Charles H. Townes e Arthur L. Schawlow. Em julho de 1960, T. H. Maiman construiu nos laboratórios da Hughes Aircraft Company dos Estados Unidos o primeiro aparelho de laser. Um rubi artificial excitado de certo modo emite uma luz mais clara do que a luz solar. Os raios luminosos, enfeixados pelo cristal e emitidos sob a forma de um intenso raio luminoso vermelho duram aproximadamente meio milésimo de segundo. É incrível a intensidade do raio. Uma superfície de menos de um centímetro quadrado emite uma energia luminosa de dez mil watts; no Sol o valor correspondente é de apenas seis watts. Numa extensão de um quilómetro o raio de luz desvia-se no máximo um metro de sua trajetória. Com o recurso dos raios laser seria teoricamente possível projetar sobre a superfície da Lua um círculo luminoso com cinco quilómetros de diâmetro, que seria visível a grande distância. Mas isso ainda não esgota as possibilidades do laser. Concentrando-se os raios, atinge-se uma intensidade de 100 milhões de watts por centímetro quadradol Mas o invento ainda está numa fase inicial. O presidente da Academia de Ciências da União Soviética declarou, em julho de 1961, que previa a construção de aparelhos laser tão possantes que com eles se poderiam produzir sinais luminosos visíveis ainda a uma distância de dezenas de anos-luz. Sinais desta ordem poderiam ser percebidos por possíveis habitantes dos planetas que giram em torno de estrelas como Tau Ceti e Epsílon Eridâni. Esta é, pois, a primeira janela que hoje está aberta para outros mundos.

A segunda janela: A radioastronomia

A segunda janela para a imensidade é de natureza eletromagné-tica. Foi aberta pela primeira vez pelo maior inventor de todos os tempos, o americano Thomas Alva Edison. Um minucioso depoimento nos proporciona esclarecimentos sobre sua ideia. Edison

29

recorreu ao Professor A. E. Kennely como consultor científico, o primeiro a presumir a existência de camadas ionizadas na atmosfera superior. Em 2 de novembro de 1890 (antes da descoberta da radioatividade e da invenção dos raios X, antes do primeiro avião) o Professor Kennely comunicou por carta a um colega, o Dr. Hol-den, diretor do observatório de Lick (E.U.A.), que Edison e ele iam tentar investigar ondas eletromagnéticas irradiadas pelo Sol; imaginavam que essas ondas deviam ser atraídas pelo minério de ferro. A tentativa não foi bem sucedida, pois baseava-se numa suposição errónea. Apesar disso, Edison, pai da luz elétrica, pode ser considerado também o fundador da radioastronomia. Em 1894 sua ideia foi novamente ventilada por Sir Oliver Lodge. Seguiu-se então um período de trinta e oito anos (1894-1932) no qual a radioastronomia foi relegada ao campo de ficção científica. Mas aí sobreveio o impacto. No número de dezembro de 1932 da famosa revista americana Proceedings of the Institute of Radio Engineers apareceu um artigo de importância histórica. Era assinado por Cari Jansky, técnico que trabalhava para a Companhia Bell; cabia-lhe a tarefa de procurar, com o auxílio de uma antena dirigida, fontes de interferência que prejudicavam a recepção. Além dos ruídos produzidos por tempestades eletromagnéticas, por automóveis e aviões, descobriu ele ruídos que procediam de onda eletromagnéticas do espaço cósmico. As ondas não eram emitidas nem pela Terra, nem pelo Sol. Vinham de uma direção que conduzia ao centro de nossa Via-Láctea. Estava assim descoberta a radioastronomia. Um radio-amador americano de nome Reber interessou-se pelas pesquisas de Jansky e erigiu em seu jardim uma antena parabólica giratória com diâmetro de 10 metros. Jansky trabalhava na faixa de 15 metros. Reber construiu um receptor que reagia a ondas de 60 centímetros. Depois começou a elaborar os primeiros mapas radiográficos do céu invisível. Descobriu as ondas hertzianas emitidas pelo Sol e verificou que no espaço existem fontes de radiação invisíveis, sobretudo nas constelações de Cassiopeia, Cisne e Touro. Publicou, entre 1940 e 1942, os resultados de suas pesquisas. Por volta da mesma época, foi descoberto o radar. Simultaneamente, também os russos, sob a direção de I. S. Schklowsky, passaram a dedicar-se à radioastronomia. Desta maneira estava definitivamente aberta a segunda janela de nossa prisão terrestre. A partir de então o homem era capaz de descobrir sinais de corpos celestes que se encontram a distâncias incríveis de nosso planeta.



m

A terceira janela: o segredo de Pontecorvo

A terceira janela ainda está fechada, mas estamos em vias de abri-la. Em janeiro de 1961 foram anunciados na União Soviética trabalhos de pesquisa nesse sentido. A revista Estudos Soviéticos publicou o seguinte texto, fora do comum:

"Terá o homem de fato encontrado uma possibilidade de descobrir o antimundof Será realidade que se pode ver o Sol através da Terra? Um relatório enviado à Junta Cosmológica do Conselho de Astronomia da Academia Soviética de Ciências era dedicado a estas e outras questões que beiram o incrível.

Tivemos oportunidade de conversar com um dos autores do relatório, o Professor Bruno Pontecorvo, membro correspondente da Academia Soviética de Ciências. Ele falou conosco sobre as incríveis qualidades do neutrino, uma partícula elementar que promete tornar-se importante recurso para a exploração do Universo."

Mas até que ponto os neutrinos nos poderão ajudar na exploração do Universo?

Até agora só as ondas eletromagnéticas (ondas luminosas e de rádio) nos trouxeram esclarecimentos a respeito do Universo e por meio delas obtínhamos unicamente dados sobre a superfície dos astros. Raios de neutrinos enfeixados, porém, nos permitirão ver o interior dessas estrelas. Pois as estrelas produzem neutrinos em enormes quantidades, pelo menos as estrelas nas quais ocorrem fusões nucleares, como em nosso Sol

É verdade que hoje ainda não é possível com auxílio dos neutrinos obter-se documentação do núcleo de astros distantes, pois ainda não dispomos de aparelhos suficientemente sensíveis que possam registrar os neutrinos que caem em cheio.

Coisa diferente dá-se em relação ao Sol. Em cada segundo muitas dezenas de bilhões de neutrinos emitidos pelo Sol penetram através de cada centímetro quadrado da superfície terrestre. É este um número incalculável. É muito difícil captar tal torrente de neutrinos, mas apesar disso é possível. Provavelmente não está mais longe o tempo em que se poderão estudar os fenómenos atómicos que se desenrolam atrás da cromosfera e da fotosfera do Sol. O homem poderá olhar diretamente para dentro do reator nuclear solar é poderá verificar de que natureza é a energia ali produzida.

Quando se contempla o futuro mais distante abrem-se perspectivas ainda mais emocionantes para a influência dos neutrinos na astronomia.

31

Para cada partícula elementar existe outra que lhe corresponde, uina espécie de reflexo, com carga elétrica oposta. A parte correspondente ao eléctron de carga negativa, por exemplo, é o posítron, de carga positiva. Sob carga, porém, neste caso não se entende só a carga elétrica. Também o neutrino tem sua parte correspondente, o antineutrino. Distinguem-se por sua rotação diversa: o neutrino gira da direita para a esquerda, o antineutrino da esquerda para a direita. Teoricamente não é fora de cogitação que existam no Universo astros, planetas e galáxias de antimatéria: o anti-mundo.



É verdade que até hoje não há nenhuma possibilidade de verificar se de fato existe tal antimundo. No entanto, para os físicos e astrónomos é da máxima importância verificar a exatidão da hipótese. Se existisse certeza quanto a esse ponto, poder-se-ia responder a muitas perguntas relativas à origem das galáxias.

Pelo menos teoricamente, a astronomia dos neutrinos oferece a possibilidade de se demonstrar a existência de um antimundo no universo. As partículas elementares sem carga emitidas pelo Sol são, na sua maior parte, neutrinos. Mal se pode comprovar a existência de antineutrinos. Um anti-sol, por sua vez, enviaria predo-minantemente antineutrinos ao Universo. Caso se pudesse determinar a relação entre neutrinos e antineutrinos nas radiações emitidas pelos astros, seria possível determinarmos se no nosso caso se trata de um corpo celeste da espécie do nosso Sol ou de um anti-sol.

Motivos decisivos para o pacifismo

Estas são, pois, as três janelas abertas para o infinito. Mas podemos nos inclinar para fora? Poderemos, no futuro, pesquisar livremente o Cosmo? Não. Nossas próprias atividades nos impedem de fazê-lo. Para a astronomia, que trabalha com recursos ópticos, a poluição do ar é extremamente prejudicial. A radioastronomia já se encontra quase ante uma paralisação total, pois os gigantescos ra-diotelescópios, antenas parabólicas altamente sensíveis, captam todas as ondas eletromagnéticas. Recebem transmissões de rádio e televisão, estações de radar, mas também motores elétricos, aparelhos de barbear e brinquedos elétricos, etc.

32

Nos Estados Unidos montaram-se os radiotelescópios a centenas de quilómetros da habitação humana mais próxima. Os cientistas e técnicos vão de bicicleta para o trabalho. É proibido o uso de aparelhos de barbear elétricos. No entanto, nem todas essas medidas precautórias são suficientes, pois existem satélites artificiais, sinais refletidos de meteoros, anormalidades na recepção. Ameaça ainda mais grave para os radioastrônomos é o projeto elaborado por americanos e russos de formar na atmosfera um cinturão de milhares de lâminas metálicas, que reflete todas as ondas eletromagnéticas. Durante a Segunda Guerra Mundial usaram-se lâminas assim para prejudicar as instalações de radar. É verdade que tornariam possíveis comunicações radiofónicas e telefónicas de âmbito mundial, mas a humanidade estaria para sempre isolada dos astros, pois as ondas vindas do espaço cósmico seriam refleti-das pela face externa do cinturão e retransmitidas ao espaço.



Finalmente os radioastrônomos também protestaram contra explosões de bombas atómicas a grande altura, pois elas resultam em camadas ionizadas altamente prejudiciais na atmosfera.

Deve-se ter sempre em mente que a radioastronomia é ciência extremamente importante. Ela nos proporciona a possibilidade de ligação com seres inteligentes no Cosmo e nos dá esclarecimentos da mais alta importância sobre o Universo.

A humanidade seria indizivelmente tola se, no momento em que se iniciou a navegação espacial, fechasse uma das três janelas para o infinito, isolando-se voluntariamente no imenso Universo.

Ainda não existe como fato concreto a terceira forma de astronomia, a neutrino-astronomia. Mas se ela um dia chegar a existir, teremos a possibilidade de localizar através da Terra todas as fontes de energia nuclear. Poderemos verificar onde se deposita hidrogénio pesado, o isótopo necessário à fabricação de bombas de hidrogénio. Uns poucos neutrino-telescópios nas mãos de uma comissão de controle internacional seriam suficientes para se chegar a um desarmamento controlado.

Manter abertas as três janelas depende mais do desenvolvimento da humanidade do que do desenvolvimento da ciência num sentido mais restrito. Devia-se, em plano internacional, tratar de manter certas regiões da Terra reservadas aos observatórios, radiotelescópios e postos de observação de neutrinos. Por meio de uma lei internacional devia-se proibir, de um modo geral, as emissões nos comprimentos de ondas nos quais está aberta a segunda janela. Devia-se impedir a crescente poluição d* atmosfera por meio de

33

testes de bombas atómicas. Os interesses fundamentais da humanidade coincidem com os interesses das ciências mais progressistas.



Cabe aqui uma pergunta: Por quê? A humanidade não se arranjou até agora sem comunicação com inteligências de outros mundos? Terá realmente sentido procurarmos tal comunicação?

Quando se perguntou a Faraday: Para que servirá a eletricidade? ele deu a resposta acertada: Para que servirá uma criança recém-nascida?

CAPÍTULO IV

Novas hipóteses da Astronomia moderna

Jacques Bergier

Teorias em profusão

54

QUE ERGUEU os OLHOS para o alto, o homem sentiu-se fascinado pela grandiosidade da abóbada celeste. Foram- necessários muitos séculos e instrumentos cada vez mais aprimorados até ele se tornar capaz de reconhecer de que material era feita essa abóbada. Ele a via, mas não podia sondá-la. Pois, mal o cientista julga ter certeza quanto à constituição do Cosmo e já um sinal do espaço interplanetário deita por terra todas as suas teorias. Só na última década houve neste campo numerosas revoluções pacíficas.



O espaço cósmico, tal como começa a se nos revelar hoje, difere fundamentalmente do Universo que se julgava conhecer antes do início da era espacial.

Assim, encaram-se hoje os cometas, massas envoltas em névoa cujas órbitas se conhecem, mas não a origem, como corpos celestes relativamente novos; alguns não têm nem 10 mil anos completos e foram presumivelmente lançados ao espaço por erupções vulcânicas em estrelas gigantes. Também o anel de Saturno provavelmente é de data mais recente e ainda é instável, achando-se numa fase incipiente de organização. Em nosso sistema de Via-Láctea também se formam novos corpos celestes, surgindo igualmente novas galáxias, possivelmente até em grupos inteiros.

Entre as galáxias atuam forças desconhecidas, que nada têm a ver com a força da gravidade. De um modo absolutamente geral não se vê mais hoje em dia o Universo como um todo gigantesco estacionário; está-se mais propenso a acreditar que ele se encontra em constante transformação. E apesar disso ele parece existir em toda a eternidade e não ser limitado no espaço.

35

A extensão do Universo e a fuga das galáxias ao infinito (teoria estabelecida em 1921 por Lemaítre (são hoje consideradas fenómenos locais, limitados ao alcance dos instrumentos de observação daquele tempo; em outras regiões do Universo ocorre contração. Da mesma forma o Universo presumivelmente não consiste em matéria igual em todos os lugares. Provavelmente certas regiões do Cosmo são constituídas de antimatéria, ao passo que alhures existe uma protomatéria, isto é, nem matéria, nem antimatéria, mas algo neutro que de tempos a tempos se divide para fazer surgir matéria e antimatéria. Algumas regiões do Cosmo ainda estão desorganizadas e se encontram numa espécie de estado primitivo.



Essa visão do mundo está em desacordo com nossas concepções tradicionais, não se coaduna com aquilo que aprendemos. Apesar disso, porém, é uma consequência inevitável dos fatos observados em tempos bem recentes. Quando dispusermos de observatórios no espaço cósmico, ela nos parecerá muito menos anormal.

Um bilhão de planetas habitados no sistema de nossa Via-Láctea?

existe há eternidades e existirá em toda a eternidade. Facilmente se reconhece que, num mundo tão gigantesco, em grande parte desconhecido, e cuja porção conhecida é imensamente complicada, o espírito humano tem grande dificuldade em compreender a grande ordem.

Sendo infinito, o Universo não pode nem distender-se nem contrair-se. Só a metagaláxia se distende. Ela provavelmente se formou há cerca de 10 bilhões de anos, resultante da explosão de uma nuvem de protomatéria, da qual, segundo se presume, simultaneamente se originou uma metagaláxia construída de antimatéria.

Vivemos numa parte do Universo em vias de expansão; em outras regiões ocorrem contrações. Na opinião do cientista russo G. I. Naan, a contração nas outras regiões do Universo conjunto tem como consequência um retorno do tempo.

Alguns cosmogonistas, Thomas Gold, por exemplo, defendem a opinião de que a vida, como a matéria, é eterna, sendo difundida por seres vivos de um sistema solar a outro com o auxílio de naves espaciais interestelares. Esta é uma hipótese ousada. Mas, na sua maioria, os cientistas modernos, que a refutam, admitem que em alguns lugares do Universo possam ter surgido formas de vida altamente organizadas, que poderiam exercer muito maior influência sobre a natureza do que nós, da Terra, podemos observar. Acreditam que só em nossa galáxia existe um bilhão de planetas habitados.


Parece sobretudo a julgar pela opinião da maioria dos astrónomos soviéticos que o Universo não é limitado, nem no espaço, nem no tempo. Além da metagaláxia, a que pertencem todos os sistemas de galáxias conhecidos, devem existir ainda outros mundos.

A metagaláxia consiste em hipergaláxias (grupos de sistemas galácticos). Ao sistema de nossa galáxia, pertencem dois satélites: a grande Nebulosa de Magalhães, distante de nós 38 mil parsecs (1 parsec = 3,26 anos-luz), e a pequena Nebulosa de Magalhães, a uma distância de 36 mil parsecs. A Nebulosa de Andrômeda é um sistema de cinco galáxias. Entre as galáxias, que formam um grupo, existem, na maioria dos casos, pontes formadas por estrelas. Os grupos de galáxias acham-se como que enfiados num eixo composto de estrelas. Tais hipergaláxias podem ser incrivelmente enormes: a constelação da Virgem compõe-se de 3 mil galáxias, a Cabeleira de Berenice, de 10 mil. Supergaláxias têm um diâmetro de 30 a 40 megaparsecs. Não é conhecido o número exato de supergaláxias de que se compõe a metagaláxia. Todavia, a metagaláxia é simples fracção do infinito e, portanto, ilimitado universo que

36

A .protomatéria ou a formação das estrelas



Tais planetas naturalmente circulam ao redor de sóis; são de diferentes idades. Descobriu o astrónomo americano Allan Sand-age que alguns planetas possivelmente habitados podem ter até 28 bilhões de anos.

Nosso planeta tem presumivelmente 4 bilhões de anos apenas e a vida nele só existe há cerca de 2 bilhões de anos. Se num planeta de 28 bilhões de anos a vida também começou a desenvolver-se 2 bilhões de anos após seu aparecimento, ela teve 26 bilhões de anos para se aperfeiçoar treze vezes o tempo que a vida sobre a Terra teve até agora à sua disposição. Que nível de desenvolvimento terá atingido a vida naqueles planetas? Talvez o saibamos um dia, quando recebermos visitas do espaço cósmico. Este sim-

..■■-..■■•■..■ 37
pies exemplo mostra que a questão da origem dos astros não é de interesse apenas académico.

A astronomia tradicional ensina que as estrelas se formam por meio de condensação de matéria estelar semelhante a pó. O astrónomo soviético V. A. Ambartsumian contradiz tal concepção,- na sua opinião, as estrelas se originam de proto-estrelas extremamente densas, formadas não de matéria ou antimatéria, mas de pro-tomatéria. Esta protomatéria explode e dá origem a um grupo de estrelas. A protomatéria tem uma densidade incrível, que corresponde aproximadamente à do núcleo atómico. As proto-estrelas não emitem raios e não podem ser vistas com telescópios. Mas os resultados de suas explosões tornam-se visíveis como aglomerações de estrelas recém-formadas, envoltas em névoas. Ambartsumian descobriu tais aglomerações de estrelas, sobretudo na constelação de Perseu, onde se formam supernovas. Também em outras regiões celestes encontrou ele aglomeração de estrelas, que não têm ainda 100 mil anos de existência.

O astrónomo soviético absolutamente não afirma ter descoberto a única causa e o único processo imaginável de formação de estrelas. Não exclui a possibilidade de se formarem estrelas segundo a suposição clássica, por meio de contração de matéria, mas o considera apenas um caso peculiar, já que na sua opinião as estrelas não se formam lentamente, mas muito de súbito, por meio de um processo semelhante a uma explosão. Esta teoria está em concordância com a mais recente concepção do Universo, segundo a qual não existe e nunca existirá um mundo estável, um universo rijo.

Pode-se imaginar que, tal como um átomo de urânio na fissão nuclear, uma galáxia, sob o efeito de forças que nos são inteiramente desconhecidas, dá origem a uma ou mais pequenas galáxias. Em tal fissão de galáxias são libertadas radiações eletromagnéticas extraordinariamente fortes, que podem ser captadas pelos radio-telescópios. Perceberam-se tais radiações, sobretudo na constelação do Cisne e na de Perseus.

No telescópio, as galáxias instáveis deste tipo aparecem com uma cor branca azulada característica, porque com sua explosão fragmentos são lançados ao espaço com considerável energia. É até possível que toda uma metagaláxia consista nos destroços de um gigantesco corpo que explodiu; neste caso a expansão do Universo seria realmente um fenómeno muito local.

Nossa metagaláxia não seria pois nada mais do que um ângulo, um caso isolado no Universo conjunto, que por sua vez não pode nem expandir-se, nem se contrair. Mas então tudo quanto observamos em nossa metagaláxia não permitiria quaisquer conclusões

38

quanto ao Universo conjunto. O espaço somente estaria curvo em nossa metagaláxia.



Talvez tenhamos de renunciar novamente à imagem, à qual com tanto custo acabamos de chegar, de um universo encerrado em si mesmo, curvado como a superfície da Terra. Patenteia-se mais uma vez o quanto nos devemos precaver contra conclusões baseadas em analogias: o que vale aqui embaixo absolutamente não precisa valer também lá no alto. O átomo não é um sistema solar em miniatura, o Universo não é um equivalente da superfície terrestre em quatro dimensões. Não se pode circundar o Universo, como Magalhães circunavegou o globo. Mais uma vez nossa inata morosidade intelectual nos levou a encarar o Universo conjunto como uma ampliação do mundo que conhecemos. Na realidade o Universo na sua maior parte nos é desconhecido e assim continuará.

Mas, provavelmente, até o incrível, o enorme e imenso Universo ainda não é toda a realidade; além dele, deve haver pelo menos um segundo universo, o mundo da antimatéria.

Existirá além do mundo um antimundo?

Com o recurso de um acelerador de partículas pode a ciência moderna produzir partículas de antimatéria, como antiprótons, an-tinêutrons, etc. Tais aceleradores existem, por exemplo, no centro de. pesquisas nucleares europeu, em Genebra. Levam à descoberta de antipartículas sempre novas. Até hoje nenhum cientista ainda conseguiu construir no laboratório antimatéria com essas partículas, mas teoricamente isso seria possível. O que o homem ainda não foi capaz de fazer, os mundos em colisão sem dúvida já realizaram há muito tempo.

Cientistas famosos, como Geoffrey Burbidge e Fred Hoyle, são de opinião que em algum lugar existe um antimundo de antimatéria. Esse mundo talvez esteja situado além do Espaço e dentro de outro Tempo. Mas poderia do mesmo modo existir ao lado do nosso mundo, no mesmo Espaço e no mesmo Tempo. Neste caso, o desconhecido estaria sobreposto ao conhecido, um mundo fantasma nos acompanharia por toda parte, ou talvez somos nós que o acompanhamos. Acreditam Burbidge e Hoyle que dois mundos desse tipo se encontram na grande Nebulosa do Câncer, e que ali matéria e antimatéria colidem e se aniquilam na colisão. De fato, esta

39

nebulosa emite radiações extremamente ricas de energia, ondas eletromagnéticas com uma intensidade de IO33 ergs por segundo, o que corresponde a cerca de cem bilhões de bombas atómicas por segundo do tipo lançado sobre Hiroxima.



Se partirmos da quantidade de energia libertada, segundo o que já foi observado, chegamos à conclusão, através de cálculos, de que, naquela nebulosa, a cada 10 milhões de partículas de matéria deve corresponder uma partícula de antimatéria. Aquele ponto do Universo é como que um gigantesco forno no qual os mundos são queimados.

Possivelmente a Galáxia Messier 87 consiste inteiramente de antimatéria. Ela tanto emite luz visível como ondas eletromagnéticas em quantidades extraordinárias. Uma explicação para isso se encontraria na suposição de tratar-se de uma sentinela avançada do antimundo, formada de antimatéria, na qual constantemente embate matéria normal.




1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   18


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal