Louis Pauwels Jacques Bergier



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Mas voltemos à célula inteira. Inicialmente, vamos dirigir nossa atenção para a membrana, que separa a parte interna do mundo exterior. Hoje em dia empregam-se milhões nas tentativas de imitar perfeitamente tais membranas. Evidentemente, elas não consistem só em matéria, mas de forças que formam uma barreira. Caso o homem um dia consiga produzir artificialmente tais membranas, poderá sem maiores despesas transformar água do mar em água potável e, além disso, obter eletricidade no processo. Belo sonho — mas para torná-lo realidade seria preciso saber de que espécie é a misteriosa força que atua na membrana da célula. No momento, fala-se, com reserva, de forças eletros-táticas ou osmóticas. Forças eletrostáticas constituem um fenómeno que nos é conhecido. Da força osmótica, porém, pouco mais se conhece além de uma parte do seu comportamento. Diametralmente oposta às leis da gravidade, ela faz a seiva das plantas subir a alturas às vezes inacreditáveis.
Ainda não se compreende bem como se poderia instalar um elemento receptor num ribossomo; em matéria de reduzir ao mínimo existem limites que no ARN provavelmente já foram alcançados. Naturalmente, mecanismos processadores de dados não seriam os únicos instrumentos que poderiam beneficiar-se de um armazenamento de dados em base biológica.

Também para a televisão a cores o processo poderia adquirir importância. Quando se pensa nas enormes quantidades de fitas magnéticas necessárias para a gravação de programas de televisão, compreende-se facilmente que só neste setor já se abrem possibilidades comerciais quase intermináveis. Teoricamente a coisa é simples. Devem-se cultivar micróbios, triturá-los, centrifugá-los para separar os componentes genéticos, isto é, os ácidos nudei-

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A célula nos revelará o segredo da imortalidade física?



No instituto politécnico de Brooklyn, Weiss desintegra uma pena de galinha a tal ponto que até as ligações entre as células são desfeitas e depois introduz a massa numa solução nutritiva adequada. As células tornam a juntar-se e formam de novo uma pena de galinha. Em alguns animais, fenómenos semelhantes se realizam espontaneamente. Temos motivos fundamentados para

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sonhar que o homem será desfeito em células e formado de novo após a eliminação dos tóxicos. É este o poço rejuvenescedor, estes são os banhos de sangue dos cultos secretos como o culto da Magna Mater.

Amebas do tamanho de bois

Que tamanho pode atingir a célula quando a gravidade é excluída e o biologista lhe proporciona um crescimento ilimitado? Ouve-se muitas vezes esta pergunta desde que se formulou o plano de instalar laboratórios de pesquisas em estações espaciais. Seria da maior utilidade obterem-se células cancerosas de grandes dimensões, pois se tornaria muito mais fácil investigá-las. Também seria interessante saber que tamanho poderiam alcançar seres unicelulares, amebas, por exemplo, se a gravidade fosse eliminada e nenhum obstáculo fosse posto ao seu crescimento. Experiências nesse sentido poderão ser realizadas em futuro próximo. A ficção científica já fala em mebas gigantescas, fugidas do laboratório de um cientista maluco.

Na Terra, uma coisa assim seria impossível, porque a gravidade forçaria tal monstro a ficar no chão. Mas no espaço sideral, ou mais exatamente, num laboratório de ambiente apropriado, isso seria perfeitamente possível. Existirão no espaço cósmico seres vivos unicelulares ou multicelulares? Talvez. Continua-se sem saber o que seriam os vaga-lumes que Glenn e Titov observaram no espaço. A explicação oficial, afirmando que se trata "de tinta despegada da cabina de uma nave espacial", é um tanto ridícula, quando se considera o quanto a cápsula é aquecida no momento da partida. O calor supera muito as temperaturas possíveis quando em órbita e, apesar disso, não se desprendem partículas de tinta. Em seu romance Contos Espaciais, dois autores de ficção científica americanos, Jack Williamson e Frederic Pohl, partem da suposição de poderem viver animais no espaço cósmico. Este é um sonho encantador, mas ainda não se sabe se ele poderá tornar-se realidade.

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Células como espiões magistrais



Tem-se pensado muito na possibilidade de investigar os raios emitidos pela célula, sobretudo durante a sua divisão. Afirmou o biologista americano George Crile ter descoberto no interior da célula pontos luminosos muito quentes, a que denominou radiogenes. Nenhum outro cientista já observou alguma vez esses radiogenes. Eles seriam realmente da máxima utilidade para explicar os fenómenos de transmutação produzidos pela matéria viva, que nosso amigo Kervan acredita ter comprovado.

Caso realmente existirem os radiogenes, a célula de tempos a tempos deve emitir alguns quanta de ultravioleta. Certos cientistas, o russo Wurwitsch entre eles, julgam ter encontrado tais raios e os chamam raios mito-genéticos.

Quando eu trabalhava no laboratório do Professor René An-dubert, aconteceu-me uma coisa aborrecida. Estávamos submetendo a provas um detector sobremodo sensível, um dos chamados contadores de fótons. (Trata-se de um contador de Geiger com um de seus elétrodos sensibilizado por meio de iodo.) Nosso instrumento descobria tudo, inclusive os raios mito-genéticos. Sua sensibilidade ia da luz azul visível até os raios cósmicos. Os biologistas traziam-nos todas as células possíveis, nas quais descobríamos os raios mais surpreendentes. Eu já tinha esperanças de ver aquele trabalho resultar numa dessas teses que constituem um marco na vida de um cientista, e se revelam sensacionais para toda a ciência. Infelizmente ocorreu-me a infeliz ideia de ligar ao fio-terra tanto o contador de fótons como os supostos emissores de raios. Imediatamente o fenómeno desapareceu e nunca mais pude descobrir as radiações. Outros cientistas também não o conseguiram. Até hoje não se pôde comprovar a presença de radiações oriundas da célula. Ela não parece emitir radiação, nem na fase estacionária, nem durante a divisão celular. Bom seria se a célula emitisse uma radiação que nos traísse se ela está com saúde ou não, para se poder restabelecer-lhe o equilíbrio sempre que fosse necessário. Mas em nosso tempo isso não passa de um belo sonho.

A célula que emite raios serviu de argumento para interessantes romances a alguns autores de ficção científica, entre eles o russo Dolguschin, em O Gerador Maravilhoso, e o americano Robert Heinlein, em Sexta Coluna. Heinlein oferece até uma explicação científica de seus raios. Acredita ele que, além do espectro das ondas eletromagnéticas, que aos poucos aprendemos a manejar, exis-

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tem mais três espectros de raios: um magnético de gravitação, um elétrico de gravitação e um espectro trifásico eletromagnético de gravitação. Desta maneira consegue ele explicar radiações de tipo inteiramente novo. Nos sonhos e na ficção científica é permitida a hipótese de emitir a célula em funcionamento raios que correspondem ao seu código genético.



Assim, o francês Jacques Spitz, em seu livro A Parcela Z, sonha com uma célula libertada do organismo humano, colocada entre duas placas de vidro, numa camada de líquido extremamente ténue. Por meio de um campo de energia, ela é forçada a imitar os movimentos do organismo do qual proveio. Bastaria traçar um mapa sobre a placa de vidro para ter o mais perfeito e mais infalível instrumento de espionagem. Um dia, porém, morre a pessoa da qual se tirou a célula; esta, porém, no líquido, continua a mover-se. Será ela dirigida por alguma coisa que sobreviveu ao morto? Trata-se de movimentos casuais? O autor achou prudente deixar ao leitor a resposta a estas interrogações.

Reconstrução de um ser

vivo a partir de uma única célula

Pensou-se na possibilidade de reproduzir todo um organismo, partindo de uma única célula, intensificando-se com as radiações oriundas da célula e fazendo-as exercer influência sobre uma solução neutra, amoldável, de matéria orgânica. Nesta ideia fundamentam-se George F. Worts, em A Volta de George Washington, e Maurice Renard e Albert Jean, em O Macaco. Além disso, existem ainda pelo menos cinquenta ou até cem outros romances de ficção científica que abordam esse assunto, mas os dois livros citados oferecem o mais rico pasto à fantasia. Trabalho sério sobre o mesmo tema é Perfil do Futuro, de Arthur C. Clarke. O polonês Stanis-las Lem dedicou-lhe recentemente um artigo que foi publicado na revista belga Techniques nouvelles.

No primeiro momento, a ideia causa efeito lúgubre: se de uma célula do cabelo de Mr. Smith se pode reproduzir o referido cidadão, quem é então o verdadeiro Mr. Smith? Pior ainda: Se de algumas células que se conservaram vivas no cadáver de George Washington se pudesse reproduzir George Washington, que efeito teria isso sobre nosso mundo atual? Clarke e Lem, ambos mate-

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rialistas convictos, encaram tranquilamente tal possibilidade. Maurice Renard e Albert Jean, porém, deixam infiltrar-se em sua narrativa sentimentos religiosos e o conceito do pecado contra o espírito. O descobridor do processo de uma reprodução de seres vivos não é, para eles, nenhum Prometeu, é apenas o macaqueador de

Deus.


Como tudo quanto afeta o conceito de identidade pessoal, a ideia da reprodução, que parte de uma única célula, é extremamente inquietante. Seria de se desejar que essa possibilidade ficasse para sempre relegada à esfera da ficção científica. Mas será assim? Em seus trabalhos com cenouras e plantas de tabaco conseguiu o Dr. Frederick C. Stewart, da Cornell University (EUA), de uma única célula, tomada do acaso, cultivar plantas normais. Para o Dr. Stewart, a aplicação dos resultados de seus trabalhos a seres humanos é coisa em que não se deve nem pensar; mas alguns de seus colegas acham-na absolutamente admissível.

Em todo caso, é um fato concreto que cada núcleo de cada uma de nossas células — não apenas o núcleo das células genitais — contém tudo quanto é teoricamente necessário para nossa reprodução. Mas é verdade também que ainda é longo o caminho para uma efetiva reprodução por meio de tais células.

Mas passemos a um terreno menos inquietante. Se conseguisse descobrir as radiações celulares e decifrar o código genético de uma célula, o biologista disporia de um meio infalível de identificação. As impressões digitais podem ser alteradas, mas o código genético de uma célula, não. Talvez um dia as autoridades, num requerimento de passaporte, ou cartão de identidade, exigirão a entrega de algumas células nas quais se verifique o código genético. , Quando se conheceram as leis da transmissão por herança do código genético, será possível também solucionar de modo definitivo e inequívoco as contendas em torno da paternidade, examinando-se os núcleos das células da mãe, do filho e do suposto pai. Hoje em dia, a genética permite apenas julgamentos baseados em probabilidade e, em casos muito raros, decisões negativas, por exemplo, quando de pais brancos nasce uma criança preta. Ao mesmo tempo recomenda-se usar a máxima cautela em face das leis da genética. Parece que combinações de genes são possíveis através de consideráveis espaços de tempo.

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A célula encerrará o segredo da evolução?

Autores de ficção científica sonharam com a possibilidade de se produzirem artificialmente, após a fecundação no embrião, células especializadas, que se desenvolveriam em órgãos especializados. Tal manipulação deveria ser realizada por meio de microcirurgia ou de radiações. O novelista americano Norman F. Knight ocupou-se com esse tema e descreveu raças que descendem do homem, mas podem viver no mar ou em outros planetas. Não se trata no caso de mutações provocadas artificialmente, mas de uma super-cirurgia, que ultrapassa muito tudo quanto hoje em dia pode ser realizado, mas apesar disso não é completamente fora de cogitação. Contemplando-se os monstruosos seres vivos que o Professor Etienne Wolf produziu no laboratório, pode-se chegar à convicção de que os romances de Norman F. Knight talvez não sejam tão absurdos como parecem à primeira vista. A isso vem juntar-se o fato de ser hoje a cirurgia de fato capaz de operar no interior da célula, não com o auxílio de instrumentos cirúrgicos, mas com o raio laser. Isto já foi feito no laboratório do Professor Bessis, no Centre de Transformation Sanguine em Paris.

Tais experiências abrem à fantasia amplo campo de ação. Quando se trabalha com um supermicroscópio, talvez também com um microscópio eletrônico, e se maneja um raio laser firmemente enfeixado como se fosse um bisturi cirúrgico, deveria ser possível realizar numerosas intervenções na célula. Seria talvez impossível cortar fatias do núcleo celular e até perfurar a membrana e desta maneira introduzir elétrodos ou receptores capazes de captar informação da célula. Talvez também o campo de organização, que determina os movimentos das partículas no interior da célula, exerça influência sobre instrumentos adequados. Ainda há pouco tempo a ideia de elétrodos menores do que um núcleo celular teria parecido um completo desvario. Mas, utilizando-se a técnica de circuitos integrados, consegue-se cortar camadas de cristal tão minúsculas que podem ser introduzidas numa célula e ali talvez até possam captar informação. Pois, como todos os seres vivos, a célula não consiste apenas em matéria e energia, mas também de informação. A célula acha-se envolta por uma aura de informação, por um campo unitário biológico, um campo organizador, sobre o qual atualmente mal sabemos alguma coisa. Talvez esse campo seja aquilo que se designa por aura. É verdade que ainda não vi nenhum instrumento registrador que pudesse indicar a presença da aura, mas conheço pessoas de bom senso que afirmam perce-

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bê-la. Este campo com certeza está ligado ao Tempo. Seres vivos se desenvolvem porque as leis das ligações entre as várias células com o tempo se transformam. Hereditariedade e seleção natural são duas manifestações dessa evolução, mas não passam de manifestações. Continua-se a não saber o que é que causa a evolução. Nem ao menos se sabe ao certo se a causa da evolução é de natureza biológica. Talvez exista um campo de evolução de Espaço e Tempo no qual as células se alinham exatamente como a agulha imantada se alinha no campo magnético no sentido do Pólo Norte. Talvez pesquisas adequadas levem à descoberta desse campo. Poder-se-iam, por exemplo, combinar células com gotas de um líquido carregado de eletricidade e depois acelerar estas células carregadas, fazendo-as atingir uma velocidade quase igual à da luz. Deste modo, poder-se-iam observar simultaneamente os efeitos do campo e os efeitos da modificação de tempo sobre as células. Para tais devaneios não existem limites, são permitidos até os sonhos mais ousados.

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Livros Melhoramentos, leitura de interesse permanente

Edições Melhoramentos

Série HOJE E AMANHÃ

Livros que discutem os grandes problemas da atualidade e sua projeção no futuro do Homem

Comunicação e Mudança nos Países em Desenvolvimento

D. Lerner e Wilbur Schramm

(co-edição com a Editora

da Universidade de São Paulo)

O Preço do Futuro

Coordenação de

G. R. Urban e Michael Glenny

Uma Terra Somente

Barbara Ward e René Dubos

(co-edição com a Editora da Universidade de São Paulo e Editora Edgard Blúcher Ltda.)

Um Deus Interior

René Dubos

(co-edição com a Editora

da Universidade de São Paulo)

A Inflação da Técnica

Eugene S. Schwartz

Terra — Um Planeta Inabitável?

Hans Liebmann (co-edição com a Editora da Universidade de São Paulo)

Centrais de Ideias

Paul Dickson

Série ENIGMAS DO UNIVERSO

Os segredos do Universo numa série que transporta o leitor às fronteiras do impossível

Eram os Deuses Astronautas?

Erich von Dániken

De Volta às Estrelas

Erich von Dãniken

Semeadura e Cosmo

Erich von Dãniken

O Planeta Desconhecido

Peter Kolosimo

Não é Terrestre

Peter Kolosimo

Nem Deuses, Nem Astronautas

R. Fiebcaist

Astronaves na Pré-História

Peter Kolosimo

Série ESCAPE

Uma leitura sob medida para quem ainda é capaz de sonhar e se libertar do dia-a-dia

Nunca é Tarde P. S. Buck

O Ano Novo

P. S. Buck

Para Minhas Filhas, com Amor P. S. Buck

Alguém Atrás da Porta Jacques Robert

A Mulher do Domingo

Cario Fruttero e Franco Lucentini

No Verão, a Primavera

Lucília J. A. Prado

Amar é Nunca...

Ítalo Terzoli e Enrico Vaime

O Homem que viu o Disco Voador

Rubens Teixeira Scavone

Série ESCALADA

Livros onde o novo e o original da melhor ficção brasileira se manifestam, transformando-se em literatura de alcance universal

Avalovara Osman Lins

O Fiel e a Pedra

Osman Lins

Nove, Novena Osman Lins

Os Gestos

Osman Lins

A Mais que Branca

José Geraldo Vieira

A Mulher que Fugiu de Sodoma

José Geraldo Vieira

Doramundo

Geraldo Ferraz

A Noite dos Três Degraus Rubens Teixeira Scavone

Memórias do Medo

Edla van Steen

O Banco de Três Lugares Maria de Lourdes Teixeira

A Virgem Noturna

Maria de Lourdes Teixeira

Série VERSO E REVERSO

Uma coleção que revela o outro lado dos mitos e dos fatos da História e da atualidade

Enterrem meu Coração na Curva do Rio

(índios contam o massacre de sua gente) Dee Brown

Kissinger

(O Número Dois Mais Poderoso do

Mundo) Charles Ashman

Massacre!

(índios derrotam Custer em Little Big Horn) Dee Brown

Os Enigmas da História

(Revisão de Lendas e Mitos da

História)

G. Prause

Zeppelin

(Â verdadeira história do desastre do

Hindenburg) Michael Aí. Mooney

Búfalo Bill

John Burke

As "Domadoras" do Velho Oeste



Dee Brown


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