Louis Pauwels Jacques Bergier



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Habitantes de Marte pousam na Terra

Conforme ainda se verá, não falta ao trabalho da Rand Corporation nem fantasia, nem bom humor. Apesar disso, trata-se de considerações muito sérias, das quais pode depender a sobrevivência da humanidade. O objetivo dos exames é evitar a deflagração casual de uma guerra que ninguém deseja, na qual, em consequência de um encadeamento de acasos infelizes, poderiam ser envolvidas outras nações. Trata-se de impedir a destruição dos

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Estados Unidos e, com eles, da Terra. Os especialistas não alimentam os computadores eletrônicos só com dados precisos, perfeitamente conhecidos, mas também com uma série de dados que representam o desconhecido, o acaso. Esse conjunto de informações que, para uma única operação de cálculo, pode consistir em vários milhares de cartões perfurados, é chamado Monte Cario.

Quem se dedica a pesquisas relacionadas com tais perigos, tem de tempos a tempos uma necessidade, perfeitamente compreensível, de relaxação. Uma das pesquisas refere-se ao projeto que, segundo os autores, atualmente é elaborado por seus colegas em Marte. Trata-se de seu plano de invasão da Terra por discos voadores, que consta serem fabricados em Marte. Esse problema inverossí-mil é típico para os trabalhos que se realizam nesses laboratórios. Primeiro, os matemáticos da Rand Corporation determinam a curva da presumível produção de discos, com base nos custos e na mão-de-obra disponível. A seguir, os discos são levados em navios, presumivelmente nos canais de Marte, aos locais onde ficam armazenados. Há, pois, um problema de logística a ser solucionado. Devem-se calcular as curvas de vôo dos discos nos vários campos de gravidade da Terra e tomar em consideração também os campos de gravidade de Marte e dos satélites da Terra e de Marte. Nesta fase do cálculo o disco pode ser substituído por um ponto.

Assim, porém, que o disco penetrou na atmosfera terrestre, o ponto que representa a nave espacial torna-se inaproveitável e deve ser substituído por um modelo aerodinâmico. Quando, na atmosfera da Terra, o disco tiver sido descoberto pelo radar, e aviões tiverem levantado vôo para capturar o engenho voador, o modelo já deverá ter sido corretamente modificado e aperfeiçoado. Os colegas marcianos dos homens da Rand Corporation parecem ter solucionado esse problema de maneira excelente, pois até hoje ainda não se conseguiu derrubar a tiro um disco voador de Marte, nem obrigá-lo a aterrar. O mencionado exemplo torna claro que nesses laboratórios não se estuda apenas a guerra que homens podem travar entre si, mas também a que pode ser provocada por adversários possivelmente ainda desconhecidos.

Desmonte os aviões para protegê-los

É rigorosamente proibido, é claro, publicar os relatórios sobre as guerras imaginárias que os técnicos da Rand Corporation têm travado num passado recente. Para isso o mundo vira depressa

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demais. Ainda faz pouco tempo que a arma mais importante era o avião. Os documentos liberados pela Rand Corporation descrevem algumas guerras imaginárias travadas há mais de dez anos. Seja dito logo de início que, na sua maioria, essas guerras do ano de 1956 teriam sido perdidas. As bases aéreas americanas estavam quase todas perto demais das bases soviéticas para que pudessem ter sido advertidas em tempo de um ataque. Provam-no de modo inequívoco as imagens e descrições. Era preciso analisar todo o problema mais uma vez e, para isso, antes de mais nada defini-lo de novo. Tratava-se de tornar na medida do possível invulneráveis os bombardeiros americanos, sem prejudicar sua capacidade de ação. Algumas das soluções encontradas por meio de análise matemática lembram, com seu humor sombrio, as passagens de um filme inesquecível. Nesse filme, um dos matemáticos, apoiado em computadores eletrônicos, propôs que o melhor meio de proteger os aviões do comando aéreo estratégico contra ataques soviéticos de surpresa, seria desmontá-los e enterrá-los em qualquer.lugar na Antártida. Infelizmente, porém, neste caso nada mais poderiam ter realizado contra o inimigo.



Outra solução propunha, como medida de proteção dos bombardeiros americanos, mantê-los permanentemente no ar, abastecendo-os no vôo por meio de aviões-tanque do tipo KB 36. Mas, para isso, seriam necessários 1.700 aviões-tanque, muito mais do que os americanos tinham à sua disposição. Apesar disso, esta solução de fato foi aceita, pelo menos em parte, como hoje é do conhecimento geral. Certo número de bombardeiros americanos, com bombas atómicas, está constantemente no ar. Do lado soviético procede-se da mesma maneira.

•Para abranger todas as possibilidades de uma guerra aérea de 60 horas, com participação de efetivos aéreos da União Soviética, dos Estados Unidos e dos aliados de ambos, uma IBM-704 deve efetuar operações de cálculo durante cerca de seis horas sem interrupção. Alimenta-se o computador eletrônico com todas as posições de partida possíveis para cada uma das duas partes em luta. Entre os dados figuram sobretudo o potencial das forças aéreas (bombardeiros, aviões-tanque, aviões de transporte, caças), campos de pouso, instalações defensivas (radar, defesa antiaérea, aeroportos para caças). Além disso é tomada em consideração uma série de planos de ação para cada lado. Esses planos assemelham-se a tabelas estratégicas. Consideram o potencial das forças combatentes que possivelmente possam entrar em campo em vários lugares e oferecem numerosas variantes de ação. Uma vez alimentada com

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todas as eventualidades, a máquina inicia a guerra propriamente dita, que transcorre sem interrupção. Para tal luta de 60 horas necessitam-se aproximadamente 150 mil cartões perfurados diferentes.



Os métodos da Rand Corporation, com suas análises prévias realizadas por meio de computadores eletrônicos e matemática elevada, têm pelo menos a vantagem de evitar catástrofes de grande extensão.
Intuições erradas são caras

Um futuro possível: bases na Lua


No ano de 1956, a Rand Corporation conseguiu, após numerosas operações de cálculo, ganhar uma guerra imaginária contra a União Soviética. A vitória tornou-se possível por terem sido utilizadas numerosas bases aéreas no exterior. Apenas uma parte dessas bases estava guarnecida num determinado momento e os bombardeiros americanos foram rapidamente transferidos de uma base para outra, de modo que os soviéticos só puderam destruir uma parte dos aviões. Convém lembrar que, na realidade, o General de Gaulle assumiu o poder na França em 13 de maio de 1958, conseguindo logo depois que fossem desocupadas as bases americanas para bombardeiros atómicos em solo francês. Ter-lhe-ão dito seus assessores científicos e militares que, em qualquer circunstância, no caso de um conflito armado entre as grandes potências, os países com bases americanas de bombardeiros em seu território seriam os primeiros a ser destruídos?

Outra guerra imaginária inteiramente fora do comum partiu da ideia de se atrair os soviéticos para uma armadilha, fazendo-os acreditar que o comando aéreo estratégico fosse vulnerável. Os russos talvez fossem dessa maneira levados a atacar com toda a sua força aérea as bases do comando aéreo estratégico localizadas na América. Os aviões soviéticos teriam sido aniquilados por meio de caças e artilharia antiaérea e os americanos seriam assim os incontestados senhores do mundo. Todavia, uma análise meticulosa do plano revelou um ponto negativo: Já que os russos, como todos os seres humanos, podiam-se enganar, seria admissível que em seu ataque maciço errassem o alvo e, em vez de atingirem as bases aéreas e as armadilhas dispostas ao redor, arrasassem cidades como Washington, Nova York e Los Angeles. Pela lógica matemática bastaria depois disso que os soviéticos continuassem a guerra até a vitória final, sem esperar um contragolpe americano. Dessa guerra imaginária tirou-se uma lição: na tentativa de lograr os russos, seria preciso primeiro despender bilhões de dólares, para verificar logo depois que os Estados Unidos estavam fadados ao extermínio.

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A Rand Corporation não se ocupa apenas com o presente; estuda também o possível futuro. E. W. Paxson examinou os problemas que surgiriam com a instalação de uma base na Lua. Como a maioria dos documentos da Rand, também este apresenta traços bem notáveis de humor sombrio. Assim, encontra-se a seguinte definição do ser humano, emprestada de von Karman, ilustre técnico americano de origem húngara, especialista em aerodinâmica: "O homem é um cérebro mecânico extraordinariamente eficiente, produzido a baixo preço por operários sem conhecimentos especializados, mas cheios de entusiasmo".



Por base lunar entende a Rand um ponto de apoio militar, permanentemente guarnecido, no satélite da Terra. Segundo os cálculos, a construção de tal base se tornará possível quando a indústria americana tiver criado uma máquina motriz nudear-elétrica capaz de produzir um empuxo de 1.000 kW por quilo de peso. Disso ainda estamos muito longe; por megawatt de empuxo necessitam-se cerca de 10 toneladas. No entanto, a curva do desenvolvimento técnico mostra que num futuro próximo se poderá fabricar tal máquina motriz. A partir do momento em que isso for possível, poder-se-á, como o faz a Rand, calcular todos os requisitos para a instalação de um ponto de apoio na Lua. Uma das primeiras tarefas de tal base consistirá em se produzirem na própria Lua os combustíveis nucleares, necessários para acionar foguetes. Neste caso poder-se-ia reduzir de modo muito considerável (em cerca de 80%) o peso do combustível necessário para uma viagem de ida e volta da Terra à Lua. Não se viajará diretamente da Terra à Lua, mas de uma estação espacial a outra, uma girando ao redor da Terra e outra ao redor da Lua. Não se trata absolutamente de ficção científica. Tudo já foi calculado e planejado, com tabelas e diagramas, nos mínimos detalhes, tal como se calcula a instalação de uma nova linha de ônibus. Até a taxa de amortização das despesas já foi calculada!

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» A ligação entre a Terra e uma estação espacial em órbita ao seu redor, como também entre a Lua e um satélite lunar, será efetua-da por meio de foguetes comuns, acionados por combustíveis químicos. Do satélite da Terra para o da Lua, porém, se viajaria com energia atómica.

Preparou-se, assim, um diagrama semelhante ao do desenvolvimento de uma fábrica, com a diferença de mostrar, compreendendo um período de uns 25 anos, em todos os detalhes, a marcha da colonização da Lua, a montagem de pontos de apoio, de estufas de hidroponia (cultura de plantas sem terra), criações de coelhos alimentados com algas e fungos produzidos no local, fábricas de combustíveis e, finalmente, estações de observação e bases militares voltadas para a Terra.

Da Lua se observaria a Terra com instrumentos que permitiriam distinguir objetos com apenas 10 metros de diâmetro. E se poderiam lançar foguetes com ogivas nucleares que alcançariam qualquer ponto da Terra. Tudo isso é discutido sobriamente, segundo pontos de vista matemáticos, até contábeis. Não faz parte do plano o possível efeito de uma base lunar sobre a política, ou a psicologia; não se toma em consideração o que aconteceria se a humanidade tivesse de viver constantemente sob a ameaça de um ataque vindo da Lua.

Três documentos para evitar o irrevogável

No relatório da Rand é mencionada literatura secundária, embora apenas num breve resumo. Destaca-se sobretudo um trabalho do tipo Robinson Crusoe. Nele se fala da possibilidade de uma catástrofe qualquer interromper a ligação entre a Terra e a estação lunar. Neste caso a base teria de tentar sobreviver durante certo tempo.

Possibilitarão os trabalhos teóricos da Rand Corporation uma previsão daquilo que acontecerá na realidade? Eis aí uma pergunta nada fácil de se responder. O certo é que os trabalhos da organização vêm sendo atentamente seguidos pelo Estado-Maior do Exército americano e por ele são amplamente levados em conta na re-dação de importantes documentos. Estes, constantemente atualiza-dos, são os seguintes:

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1. O Joint Strategic Capability Plan analisa o futuro, compreen

dendo o período de um ano. Ocupa-se sobretudo com os aspectos

militares.

2. O Joint Strategic Operating Plan refere-se aos dez anos se

guintes, e toma sobretudo em consideração a possibilidade da

criação de novas armas, sua produção em série, bem como seu

custo de fabricação.

3. A Joint Long-Range Strategic Study ocupa-se com um perío

do correspondente aos 14 anos futuros, e sobretudo com aspec

tos políticos.

Que alianças internacionais se formarão? Que grandes crises internacionais virão? Como terão os Estados Unidos que intervir? Com que recursos? Até onde deverão ir? A última gradação é uma guerra termonuclear generalizada, na Terra, na Lua e nos espaços interplanetários. Esses planos terão sido alterados com frequência? Naturalmente ninguém o sabe com certeza e por isso não se pode dizer se as previsões do futuro, elaboradas pela Rand Corporation, corresponderão à realidade. Na opinião dos especialistas da Rand, um preço de custo pode subir a dez vezes mais do que o melhor dos cálculos prévios, e uma demora estimada pode variar em até cinco anos. É verdade que os computadores eletrô-nicos não erram em suas operações de cálculo, mas os homens que utilizam esses mecanismos podem ter feito perguntas erradas ou formulado erradamente perguntas certas. Neste terreno, que se considera tão objetivamente exato e rigoroso, a intuição desempenha importante papel.

Na Rand menciona-se sempre como exemplo o problema do caixeiro viajante. Suponhamos que um viajante, partindo de Washington, teria de visitar as 49 capitais dos outros Estados da União e voltar a Washington para apresentar seu relatório. O problema é o seguinte: Qual é o caminho mais curto? Uma primeira análise por meio de computadores eletrônicos mostra que existem IO61 (1 seguido de 61 zeros) soluções possíveis. Um plano de operação mostra que, mesmo com os melhores mecanismos calculadores, se levaria tanto tempo para solucionar o problema, que no meio tempo o Sol teria esfriado e a Terra congelado.

Em vista deste resultado, pouco animador, alguns engenheiros da Rand, de muitas ideias, procuraram solucionar o problema segundo um método inteiramente diverso. Tomaram um mapa, alfinetes e um novelo de linha. Agindo por pura intuição, encontraram o caminho mais curto dentro de um quarto de hora. Assim, o modo ideal de predizer o futuro consistiria em encontrar pri-

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meiro uma solução intuitiva, examinar a solução por meio de mecanismos calculadores e depois fazer o prognostico.



Mas às vezes a intuição pode estar errada. Eis um exemplo típico disso. Suponhamos que todas as forças armadas dos Estados Unidos, juntamente com foguetes teleguiados, bombardeiros atómicos, submarinos atómicos, artilharia antiaérea, raios da morte, etc. estivessem montados para defesa do país e de prontidão. Passa-se um ano. O esperado ataque não ocorre. No meio tempo a indústria bélica americana produz outras armas de defesa, novos canhões, foguetes, instalações de radar, canhões de laser, etc. Onde montá-las? A intuição responde a esta pergunta. Devem-se empregar as novas armas para a proteção de objetivos que, até então, por falta de armamento adequado, tinham ficado desprotegidos. Tal raciocínio parece impor-se como lógico, mas é erróneo. Quando se analisam as contingências, chega-se à conclusão de que o reforço da defesa americana conduz a uma redução proporcional do poderio adversário. O inimigo se concentrará, pois, nos objetivos mais importantes e estes devem por isso ser ainda melhor defendidos, mesmo que já estejam recebendo a melhor proteção que antes se podia ter. Isso não convence assim sem mais nem menos, mas o resultado do cálculo é irrefutável. A intuição origina} era inexata, mas em todo caso apontou o rumo aos cálculos, embora o resultado depois tenha sido bem diverso do que se esperava.

Pode-se, por conseguinte, prever o futuro. De tempos a tempos, até se publicam dados exatos sobre tais previsões da Rand Corporation, quando os respectivos documentos não precisam mais ser mantidos em segredo.

Isso se aplica a um relatório que prediz a estratégia soviética por um período de dez anos, tendo determinado de modo correspondente a estratégia americana. Pois prever equivale a agir e, ao contrário do antigo dilema filosófico, a liberdade é possível por ser possível a previsão.

Que seres humanos são esses?

A despeito de algumas escassas informações, que na maioria logo a seguir foram desmentidas, os homens da Rand Corporation continuam a ser em grande parte desconhecidos. Não se sabe como são selecionados aqueles a quem é permitido ingressar no recinto mais
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sagrado, em Santa Mônica, na Califórnia. O Federal Bureau of Investigation — o famoso FBI — investiga o passado dos candidatos, retrocedendo a nove meses antes de seu nascimento. Isso porque o nascimento de um filho ilegítimo poderia um dia ser empregado por agentes estrangeiros como meio de pressão. É preciso ser diplomado em ciências naturais e ser excelente matemático e contabilista; nos trabalhos da Rand, a matemática e a contabilidade desempenham papel dos mais importantes. Conhecem-se alguns nomes: Edward S. Quade, J. Hitch, R. D. Specht, R. N. McKean, Malcolm W. Hoag, Albert Wohlsetter, R. Schamberg, T. C. Schel-ling, M. G. Weiner, W. H. Meckling, Paul Armer, E. W. Paxson. Mas nenhum documento dá informação exata sobre a estrutura dessa organização, dessa extraordinária tecnocracia que tem o nome de Rand Corporation.

Não se sabe também se os empregados da Rand, ao entrar para o serviço, ou a intervalos regulares, devem submeter-se a exame psicológico. Tal exame parece aconselhável se considerarmos as realizações de um antigo membro da equipe da Rand, Hermarin Kahn, que abriu um escritório próprio, para análises. Hermann Kahn é o protótipo do protagonista do filme há pouco citado. Descobriu a máquina do Juízo Final e publicou os planos dessa máquina. Sua pesquisa foi realizada às custas do governo americano que, para isso, despendeu 73 milhões de dólares. A máquina do Juízo Final é uma superbomba de cobalto, cuja deflagração seria suficiente para aniquilar toda a vida sobre a Terra. A bomba está ligada a um computador eletrônico que a detona quando, em consequência de um determinado número de explosões atómicas, a Terra estiver poluída pela radioatividade, numa proporção previamente determinada. Com um humor digno de um Eichmann, afirma Hermann Kahn que, com isso, os agressores seriam intimidados, desencorajados. Fato muito consolador, porém, é que a própria Rand desconfia das máquinas e das experiências de laboratório extrapoladas com excessiva rapidez. Num relatório da sociedade encontra-se a seguinte frase digna de reflexão: "Todas as boas ideias nascem no laboratório, são desenvolvidas no laboratório e morrem no laboratório e, na maioria dos casos, a coisa toda não dura mais de vinte minutos".

Todas as publicações da Rand Corporation destacam o aspecto humano, a necessidade de maior cuidado, o aspecto prático. Por isso, a Rand dá tanto valor aos conhecimentos contábeis, toma em consideração o valor em dólares de um projeto, para não ser vítima de extrapolações demasiado superficiais.

A influente revista americana Space Aeronautics dedica o artigo de fundo de seu número de dezembro de 1964 à questão de se sa-

: .•.•/■■■■ . ■•■. ' : - ■. . •■■ V • 175

li.

ber se está em tempo de substituir os foguetes de combustível líquido do tipo Atlas e Titan por foguetes de combustível sólido do tipo Minuteman e Polaris: "Quem decide se os russos perderam suficientemente o ânimo? O Kremlin, não nós. De quantos foguetes precisamos para lhes tirar a vontade de atacar? Podem dizê-lo os soviéticos, não nós. O Ministro da Defesa, McNamara, deveria saber que há casos em que nem mesmo quatro ases são suficientes para se ganhar uma partida de pôquer. Isso acontece quando somente o adversário sabe que jogo está sendo jogado". Em todo caso, é bom que essa terrível partida de pôquer esteja sendo jogada nos laboratórios da Rand Corporation ou nos laboratórios soviéticos correspondentes, na Sibéria.



CAPÍTULO XVI Gigantes no Universo — os Quasares

Jacques Bergier

"Incessantemente o infinito rola em busca de um abismo sem

fundo." Vítor Hugo

"Além do alcance de nossa fantasia". H. P. Lovecraft

Nasce uma nova física

l! I

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■ N o UNIVERSO OCORRE algo que, no momento, supera de muito tudo quanto a fantasia humana até agora conseguiu imaginar em matéria de ciência e ficção científica. Certos objetos celestes produzem mais energia do que toda uma galáxia e, apesar disso, pelo menos na opinião de alguns cientistas, mal ultrapassam em tamanho um sol comum. Deu-se a esses objetos o nome provisório de quasares, abreviação do inglês quasi stellar radio sources. Foram descobertos pela radioastronomia. Depois vieram dos observatórios de Monte Wilson e Monte Palomar, que dispõem dos mais possantes telescópios ópticos, comunicados anunciando que também lá tinham sido descobertos os quasares.

Verificou-se posteriormente que os quasares se movem com extraordinária velocidade através do espaço cósmico: alcançam até 46% da velocidade da luz. Como emitem enormes quantidades de energia, podem ser descobertos a distâncias muito maiores que as de uma galáxia comum.

As galáxias são conjuntos de corpos celestes, e têm um diâmetro médio de 50 mil anos-luz. Compõem-se, em média, de 100 bi-

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lhões de estrelas. É muito pouco provável que todas as estrelas de uma galáxia venham a explodir ao mesmo tempo. E, apesar disso, esse deveria ser o caso se uma galáxia emitisse tanta energia como o faz um quasar.

Já no ano de 1963, os quasares criavam muitos quebra-cabeças, mas em janeiro de 1964 isso se agravou ainda mais. Verificou-se que alguns quasares tinham modificado sua claridade num período de seis meses. Ora, um conjunto celeste das proporções de uma galáxia não pode modificar sua claridade em tão curto período, pois a luz leva milhares de anos para correr de um extremo a outro da galáxia. Mas, se um quasar não é muito maior do que uma estrela comum, e é muito menor do que uma galáxia, como pode emitir tão extraordinária energia? Em 15 de maio de 1964, o boletim informativo técnico-científico da Embaixada Americana, Technical Science, escreveu, num relatório sobre uma conferência da American Physical Society, a respeito dos quasares:

"No decorrer dos últimos doze meses, os radioastrônomos descobriram nove quasares, grandes, luminosas e vibrantes nuvens de gás, grandes demais para serem estrelas e pequenas demais para serem galáxias, que se compõem de bilhões de estrelas. Os quasares enviam raios de luz e ondas de rádio desde pontos que podem distar até dez bilhões de anos-luz."

Na reunião de primavera da American Physical Society, dois físicos expuseram fatos novos sobre o possante mecanismo de produção de energia que deve estar presente no interior de um quasar. Louis Gold e John W. Moffat, do Instituto for advanced Studies da Martin Company em Baltimore (Maryland), afirmaram que um quasar deve produzir mais energia por segundo que um octilhão de bombas de hidrogénio (1 000 000 000 000 000 000 000 000 000) para poder enviar raios de luz e ondas de rádio até a Terra.

Existem, pois, no Universo, fontes de energia infinitamente mais produtivas do que a energia nuclear ou mesmo do que a total destruição da matéria, fontes de energia que, para nós, são tão incompreensíveis como o era a energia solar para os cientistas do século XIX. Como a ambição dos cientistas em nosso tempo não conhece limites, procuram eles meios de explicar o fenómeno. Antes, porém, de analisarmos suas tentativas de explicação, que avançam até o limite extremo da fantasia humana e, sem dúvida, ainda assim não vão suficientemente longe, queremos conhecer os fatos em torno do extraordinário problema.

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Que são quasares?

Acredita-se de um modo geral que os quasares estão muito distanciados de nós, de 2 a 10 bilhões de anos-luz aproximadamente. Segundo se afirma, o quasar 3C273 dista 2 bilhões de anos-luz e o SC 147, 6 a 8 bilhões de anos-luz de nós. (5C significa Third Cam-bridge Catalogue, isto é, a terceira relação de estrelas estabelecida pela Cambridge; 273 e 147 são os números correntes nesse catálogo.)




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