Louis Pauwels Jacques Bergier



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deste processo a metalurgia moderna desenvolveu a nitrogena-



çao do aço e, depois, o método mais eficaz de bombardear o aco

com íons de nitrogénio. *

Os egípcios sabiam endurecer o cobre. Não sabemos de que

modo o faziam. "

Ainda mais extraordinário é que na China foram encontrados objetos antiquíssimos, fenos de uma liga de alumínio. Um artigo ^^U6A lAl"mtnium> ^ janeiro de 1961, baseado num trabalho do arqueólogo Yan-Hang, publicado na revista chinês" St Vao, deitou por terra todas as nossas ideias sobre a história do alumínio. Até o mício do século XIX, diz a explicação t™ dicional, o alumínio era desconhecido. Em 1807 Davv o àei cobriu, mas só em 1827 pôde o mesmo ser extraído, mas com muita impureza, no laboratório; a forma pura só foi conseguicS em 1854, com o recurso de um processo químico. Só a partir de então existia o alumínio. A produção industrial foi possibilitada pelo método eletrolítico de Héroult e Hall. Por conseguinte só há pouco mais de um século a humanidade dispõe de alu! mimo.

Essa noção teve de ser retificada depois que foram descobertos objetos numa sepultura em Kuang-Su, na China Oriental Encontravam-se no túmulo de um general da época dos Tsin (250-313 da era crista) e consistem em diversas ligas, entre elas uma de alumínio e cobre. Os objetos de alumínio-cobre são prova! velmente fivelas de cintos. Foram examinados pela faculdade de química de Nanquim, pelo instituto de física da Academia Chinesa de Ciências e na Escola Politécnica de Dunbai Até com nossos conhecimentos atuais não somos capazes de produzir tal liga. Éc difícil acreditar que ela se tenha formado apenas por acaso. Sua fabricação requer temperaturas de mais de mil graus Nao sabemos como os chineses conseguiam produzir temperaturas tao elevadas. É difícil explicá-lo, mesmo com o emprego de carvão vegetal e de ar previamente aquecido. Provavelmente fabricaram seu bronze-alumínio segundo métodos dos quais não temos a menor ideia. É possível que, por meio de reações que Sxas na° eSC°brÍmos> Puderam fundir cobre a temperaturas

Mas este não é o único problema. Sem nos determos aqui

com a alquimia, seja dito apenas que em livros sobre a maeia

se encontram indicações precisas sobre- 6

- um vidro mineral flexível (obtêm-se hoje de resinas sintéticas

massas de vidro flexíveis, mas vidro mineral flexível não so-

mos capazes de fabricar);

— ferro absolutamente inoxidável;

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_ um aço de tão alta qualidade que não é atacado nem pela água-régia (água-régia compõe-se de três partes de ácido clorídrico e uma parte de ácido nítrico e dissolve até ouro e platina);

— metais que brilham na escuridão. Consta que o oricalco, o metal da Atlântida, também era fosforescente. Hoje não se conhece nenhum metal que tenha brilho próprio na escuridão.

Magia e eletricidade

A arca da aliança dos hebreus teria sido um condensador ele-trostático? Há quem o afirme, mas não existem quaisquer provas disso. Certo é que na Pérsia a eletricidade era utilizada na magia, já na época dos Sassânidas, isto é, entre 244 e 651 da Era Cristã. A prova disso foi apresentada em 1936, pelo Dr. Wilhelm Kõnig, do Museu Nacional do Iraque, em Bagdá. Em Khujut Rabu'a, a sudeste de Bagdá, descobriu ele recipientes de barro com 14 centímetros de altura e o diâmetro de 8 centímetros. Continham cilindros de cobre e lâminas de ferro, cada elemento isolado um do outro por meio de asfalto. No fundo dos recipientes encontrou-se sulfato de cobre. Acrescentando-se água, podia-se produzir com essas primitivas baterias uma corrente elé-trica suficientemente forte para dourações ou prateações pelo sistema galvanoplástico. A mais antiga dessas baterias é proveniente mais ou menos do ano 250 a.C, a mais recente foi feita por volta de 650 d.C. Desenterraram-se também objetos dourados por meio da galvanoplastia.

Galvani redescobriu, em 1791, o fenómeno elétrico a que se deu seu nome; em 1800, Volta criou a primeira pilha elétrica de nossa civilização, que tomou seu nome. Não tivemos ainda 200 anos à nossa disposição para explorar as possibilidades de aproveitamento da eletricidade. Os antigos mágicos, porém, tiveram pelo menos 2.000 anos para isso. Não é fora de cogitação que tenham descoberto possibilidades de emprego hoje não conhecidas entre nós.

O segredo da eletricidade parece ter sido bem guardado. Nunca é mencionado diretamente nos documentos de alquimistas ou mágicos. No entanto, encontra-se toda uma série de alusões disfarçadas que podem ser interpretadas nesse sentido. Lê-se sobre

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lâmpadas que brilham sem calor, sobre dispositivos que se assemelham às máquinas eletrizadoras usadas nas clínicas médicas, e aparelhos para reprodução de imagens, sobre mecanismos que fazem pensar em fotografia elétrica ou xerografia. O estudo de tais antigos escritos poderia ser compensador para um técnico moderno.



A coloração de metais, a produção de ouro vermelho, azul ou preto, de ouro incolor, a obtenção de metais transparentes — a todas essas técnicas a literatura alquimista faz contínuas alusões. Não temos mais nenhum motivo para por de lado tais referências, como contos da carochinha. Talvez existam fenómenos ele-troquímicos — migração de íons, deslocamentos globais de gás ionizado — que ainda não conhecemos. Os antigos eram de uma paciência inesgotável; é perfeitamente admissível que tenham submetido um metal ou uma liga um século inteiro, durante quatro gerações, a um tratamento eletrolítico ou eletroquímico, até o metal mudar de cor ou se tornar transparente. Com o recurso de nossas técnicas modernas, sobretudo com correntes alternadas de alta frequência, talvez seja possível realizar tais fases de transformação em poucos segundos. Mas, em primeiro, lugar, o essencial seria ocupar-se com o problema — e é o que não está sendo feito. Unicamente na União Soviética os cientistas se aprofundam cada vez mais nesse terreno. Seus estudos fazem, aliás, surgir novos problemas em profusão. Assim, encontraram-se em Taschkent estranhos objetos, vasilhas de barro, seladas com uma espécie de matéria sintética. Nada continham além de uma grande gota de mercúrio. Para o que teriam servido, não se sabe... A revista soviética O Jovem Técnico publicou uma descrição desses objetos, ilustrada com fotografias. Se fossem de vidro poder-se-ia supor que se tratasse de dispositivos para a produção de eletrici-dade estática ou de fontes de luz. Piccardi demonstrou que se tfbtêm ondas eletromagnéticas de baixa frequência quando se agita mercúrio num recipiente de vidro. São suficientes para fazer um tubo néon arder com uma luz bruxuleante. Mas com uma vasilha de barro isso não é possível. Para que teriam, pois, servido aqueles recipientes? Estamos em posição igual à de uma pessoa inteligente do século XII a quem se tivesse mostrado um transformador ou transistor.

A água c seus segredos

Nos escritos mágicos, com notável frequência são salientadas as maravilhosas propriedades da água de determinadas fontes ou da que é submetida a um tratamento especial.

Até bem pouco tempo, todo o problema foi posto de lado como absurdo. Ultimamente, porém, descobriu-se que a molécula de água tem uma estrutura semicristalina de forma alterável. A modificação pode dar-se sob a ação de forças que envolvem uma molécula mineral ou orgânica. Isso explica por que a água forma hidratos que não podiam ser previstos pela química clássica, sobretudo hidratos de gás nobre. Também campos eletromagnéti-cos naturais ou produzidos artificialmente podem causar a mudança. Foi o que Piccardi descobriu. Verificou o grande sábio florentino que certas reações químicas coloidais, segundo a estação do ano, se processam com velocidade diferente. Concluiu daí que a Terra cruza as linhas de força de um campo-de energia cósmico e que, por isso, no decorrer do tempo se modificam as qualidades químicas, físicas e biológicas da água. Demonstrou, além disso, que se pode ativar a água por meio de ondas eletromagnéticas de baixa frequência.

Sabemos, pois, hoje em dia, que a água pode mudar de estrutura. Pode ter efeito dissolvente, pode exercer sobre os colóides um efeito estabilizador ou catalisador, que não é sua ação normal. Segue-se que certos medicamentos, tóxicos ou catalisadores podem modificar-se em seu efeito, segundo o tipo de água em que são dissolvidos, até mesmo segundo a estação do ano em que as substâncias são dissolvidas na água. Análises nesse sentido ainda se encontram em seus primórdios. Poderiam receber considerável impulso se fosse dada mais atenção às descrições de água ativada que se encontram em profusão na literatura sobre a magia.

Hipnose e sugestão


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Durante longo tempo a hipnotização foi considerada prática mágica. Hoje, a tal ponto lhe foi tiradp o cunho místico que na Inglaterra até o seguro social paga tratamentos hipnóticos.

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Mas os escritos da magia vão além da hipnose e contêm numerosas alusões referentes a fenómenos de sugestão positiva ou negativa. Um bom mágico deve ser capaz de provocar alucinações em grande número de espectadores perfeitamente acordados; exemplos disso são a mágica indiana da corda, da planta que parece crescer de uma vasilha de barro do faquir.



Em sentido inverso, é possível, segundo a tradição mágica,' produzirem-se alucinações negativas cujo efeito consiste em impedir as pessoas de ver alguém. Este método de se tornar invisível, diz-se, é empregado pelos ladrões na índia e na Polinésia. Pode-se, sem provas, simplesmente negar que existem técnicas capazes de provocar uma cegueira hipnótica ou alucinações coletivas? Caso existam de fato tais técnicas, seria de interesse examiná-las cientificamente. O fenómeno parece nada ter a ver com os chamados alucinógenos (drogas que provocam alucinações). Testemunhas de confiança relatam que os espectadores não se encontravam sob o efeito de drogas. Parece, pelo contrário, que se empregam processos capazes de influenciar os centros nervosos dos circunstantes, de modo que as imagens ilusórias ou ruídos imaginários são produzidos pelas próprias pessoas presentes. Elas como que se hipnotizam a si próprias.

A chapa fotográfica não percebe alucinações. Isso valerá também para uma fotocélula ou um detetor eletrostático? Não se sabe. Um artigo, publicado em julho de 1959 na revista inglesa Fate, descreve experiências de Mayne R. Coe, que afirma ter conseguido modificar o campo eletrostático ao redor de seu corpo a tal ponto que provocou a reação de um instrumento medidor. Pode-se modificar o campo de força que envolve o corpo humano o suficiente para exercer influência sobre os centros nervosos e causar alucinações? O sinal eletrostático correspondente pode ser modulado? Estudos experimentais nessa esfera parecem ser realizáveis. Ocorre-nos aqui uma pergunta: o poder de certos vultos da história, de um Hitler, por exemplo, não estaria ligado a essa espécie de magia? Num seminário, na Sorbonne, sobre a força das imagens, declarou Raymond Aron que a influência de políticos como Hitler, Napoleão ou Lenine não pode ser explicada só com aquilo que sabemos. Talvez exista aí uma reação em cadeia de natureza tal que algum fanático tem alucinações e provoca alucinações semelhantes em outros. Poderá tal influência ser transmitida pelo rádio ou pela televisão? Estas são perguntas perturbadoras e merecem que, para sua resposta, se empregue uma minúscula fração dos milhões que se gastam para a pesquisa de motivo. Poderá a capacidade de provocar alucinações ser absorvida por objetos reais, concretos e ser novamente

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irradiada? Seria esta a explicação, o conteúdo racional das inúmeras lendas sobre talismãs? Pode-se carregar um objeto com poderes mágicos e assim fazê-lo provocar alucinações no ambiente? Não fazemos estas perguntas por brincadeira, mas no intuito de despertar um interesse que poderia estimular a realização de pesquisas nesse sentido.



Magia e substâncias aromáticas

Indica a magia que existe um meio infalível para se criarem ilusões e alucinações, para adquirir poder sobre uma grande massa humana: o emprego de substâncias aromáticas adequadas. A química moderna analisou e produziu numerosas substâncias aromáticas, e não menos extensa é a literatura concernente ao assunto. Mas, que nos conste, nunca se apontou, até hoje, a semelhança existente entre a estrutura das moléculas de certas substâncias aromáticas, como o almíscar, e a dos ácidos desoxirribo-nucleicos. No entanto, essa semelhança salta aos olhos quando se examinam minuciosamente as respectivas fórmulas. Tal como as moléculas dos ácidos nucleicos, as moléculas das substâncias aromáticas são de estrutura muito complicada, podendo, por conseguinte, serem portadoras de informação. Este aspecto mereceria que nos ocupássemos seriamente com ele, num estudo que não deveria basear-se apenas na ciência da informação, mas também nos antigos textos mágicos, que em grande número se referem a substâncias aromáticas capazes de transmitir mais informações do que as atualmente em uso, às quais nos habituamos e que não podemos mais dispensar... Tal pesquisa serviria também para provar que os antigos mágicos sabiam muito mais a respeito dos efeitos psicológicos dos perfumes do que os melhores especialistas de nosso tempo.

Para terminar, uma tentativa de explicação

Para nós, que nos apoiamos em fatos e não em preconceitos, não existe dúvida de que a magia frequentemente logrou resultados superiores aos alcançados por nossa moderna tecnologia.

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Vamos, por isso, arriscar uma tentativa de explicar o fenómeno sob forma inteiramente racional.

Antes de mais nada, vamos chegar a um acordo quanto a certas ideias. Cada um tem o direito de acreditar que todo o nosso mundo não passa de uma ilusão. Para os que se colocam neste ponto de vista, a magia não constitui problema. Trata-se simplesmente de substituir uma ilusão por outra. Nós, porém, somos de outra opinião. Estamos convencidos de que o mundo existe realmente. Estamos convictos de que os meios de influência material sobre este mundo real devem necessariamente ser de natureza técnica: máquinas, produtos químicos e outros. Também o corpo humano é uma espécie de máquina, da qual se podem obter serviços diversos. Este é o ponto de vista de um J. B. S. Haldane e um Arthur C. Clarke. Quem o adota, deve decidir-se. Ou se negam sistematicamente todos os fenómenos chamados mágicos, ou então deve-se tentar explicá-los.

Os casos por nós mencionados — constituem apenas uns poucos exemplos — não podem simplesmente ser considerados produto da fantasia. Se, porém, se trata de fatos, deve-se procurar uma explicação. Tentaremos dá-la, de três maneiras diferentes.

Primeira hipótese: o acaso

Poder-se-ia imaginar que a magia é oriunda do acaso. Segundo essa tese, os mágicos teriam durante longo tempo experimentado de tudo, e teriam afinal esbarrado por acaso em suas descobertas. Ter-se-iam guiado exclusivamente pela fantasia ou teriam partido de ideias ou analogias, que não tinham quaisquer relações com a realidade dos resultados almejados. Esta explicação é defendida sobretudo por Gaston Bachelard. Opinou ele, por exemplo, que "o costume de fazer fogo friccionando um pau roliço num buraco escavado num pedaço de madeira foi incentivado pela semelhança deste movimento com o do órgão sexual masculino, fonte da vida e da força, no órgão feminino". Esta tese simplista, porém, parece ser aplicável somente a técnicas muito rudimentares. Quando se quer explicar a obtenção de um alcalóide vegetal por meio de complicados processos químicos, a produção de bronze-alumínio, ou milhares de outros aparelhamen-

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tos e produtos que se encontram descritos nos documentos mágicos, não se vai longe com a hipótese do acaso. Do mesmo modo, poder-se-ia dizer que os inventores do avião não sabiam o que estavam fazendo ou simplesmente queriam imitar os pardais.

Segunda hipótese:

um saber mais elevado do que a ciência

Esta segunda tentativa de explicação deve aborrecer todos os cientistas, pois afirma pura e simplesmente que a magia vai buscar seu saber em fontes mais elevadas do que os métodos experimentais e que aos mágicos foi dado em transe o que os cientistas, em processo lento e penoso, tentam arrancar à natureza. A esse propósito, escreve G. N. M. Tyrrel, o grande parapsicólogo inglês: "É o seguinte o lema da revista científica Nature, que tem a maior tiragem em todo o mundo: 'O espírito científico recorre à sólida fonte da natureza".

Poder-se-ia imaginar que a natureza fosse temida, como concorrente. Mas é compreensível que um cientista, tendo estudado química farmacêutica durante vinte e cinco anos, pode ficar desesperado se lhe dizem que um farmacêutico-místico chinês chegou a melhores resultados por meio de iluminação.

Acreditamos que existe uma realidade espiritual e que o contacto com essa realidade pode conduzir a fenómenos singulares, mal ainda conhecidos, por exemplo, ao êxtase místico. Mas essa realidade espiritual proporcionará a descrição detalhada de um forno reverberatório com aquecimento prévio do ar, câmara de refração e regenerador? No entanto, os chineses utilizaram tais fornos para produzir seu alumínio. Em nossa opinião, a magia se apoia mais na técnica do que em realidades espirituais, se é que essas realidades de fato existem.

Terceira hipótese: saber antiquíssimo

Teremos provavelmente de admitir que os mágicos sempre dispuseram de dados técnicos. Estes talvez tenham sido deformados, fragmentários, mas sempre eram dados técnicos. De onde provi-

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nham? Só deve entrar em consideração uma única fonte: civilizações extintas, em nível mais elevado do que o nosso, e das quais alguns vestígios se conservaram nos rituais e receitas alquimistas. Tal hipótese provoca brados de protesto de todos os arqueólogos. Dizem eles: Até hoje não se encontrou o menor vestígio de tais antigas civilizaçõesl Mas, que dizer do bronze-alumínio chinês, do mecanismo de precisão encontrado na Ilha de Antiquite-ra, da coluna de ferro de Delhi, que não enferruja, e de muitos outros objetos achados, que se põem na lista de Diversos? As pilhas elétricas de Bagdá foram mantidas durante muito tempo num museu como objetos de culto. Sir David Brewster encontrou num túmulo, na Pérsia, lentes ópticas melhores do que tudo quanto se conseguira fazer no seu tempo. A lista de tais exemplos poderia ser prolongada infinitamente. Talvez ainda se admita um dia que também civilizações são mortais e que objetos que não se consegue classificar talvez sejam instrumentos científicos, instalações para telecomunicação, fragmentos de uma instalação técnica ou de um aparelho mecânico. Nesse dia sem dúvida reconheceremos, como parte componente de um possante ciclo, a civilização extinta, que, como num vidro escuro, ainda se re-flete na magia...



CAPÍTULO XIV Assim viveremos em 1984

Jacques Bergier

Que tno esta mais próximo de no», 1900 ou 2000?

Pergunte às penou na rua; na tua maioria responderão: 2000.

Como vejo nosso futuro
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V»# FUTURO JÁ ESTÁ SENDO PREPARADO; já se pode reconhecê-lo em seus contornos, mesmo se os detalhes ainda fogem, é claro, de nosso conhecimento. Em nossa vida atual desempenham importante papel muitos produtos ou utensílios que há vinte anos nem nome tinham. Mas, em grandes traços, o futuro pode ser previsto. A previsão se tornará realidade, caso não ocorra antes qualquer catástrofe de dimensões mundiais, por exemplo, uma guerra atómica.

Com base no que hoje se conhece, pode-se estabelecer uma di-retriz para o futuro mais próximo, digamos, até o ano de 1984. Já agora podemos afirmar que o ano de 1984 não vai ser assim como o descreveu George Orwell em seu famoso romance. Prognosticou ele para essa época uma ditadura impiedosa num mundo desumano. Isso com certeza não acontecerá, pois o mundo que é preparado nos laboratórios é muito diferente.

O futuro próximo será a era da eletricidade. As formas de energia viáveis já são conhecidas há muito tempo, mas na sua maioria os países do mundo mal se beneficiam delas. Isso tem dois motivos:

1. Ainda não podemos conservar eletricidade nem produzi-la em instalações pequenas e leves.

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2. Obtemos eletricidade, entre outros meios, através da transformação da energia contida em combustíveis fósseis (carvão, petróleo). Dentro de vinte anos, utilizaremos para isso a energia do átomo e do Sol.

Para a linguagem do futuro próximo, vamos guardar na memória algumas expressões: elemento combustível, bateria solar, gerador pequeno, acumulador de cádmio-níquel.

Para nossa vida cotidiana, essas expressões indicam o seguinte: o eletromóvel será o veículo de amanhã. Consome gasolina como combustível, mas de maneira nova e mais económica. A energia do combustível é liberada por transformação direta em eletricidade, pelo contacto com o oxigénio do ar. Por isso, o veículo necessitará menos combustível. Será silencioso e de movimento regular. Se for freado, parará quase imediatamente, pois a frena-gem será obtida por meio de inversão do sentido da corrente elétrica, nas rodas. Os freios serão faixas condutoras bem planas, existentes no piso da rua.

O mundo inteiro será atingido por essa mudança para o eletromóvel, de início no plano económico, pois o eletromóvel sal-" vara uma indústria que já luta com um mercado saturado. Nas cidades o novo veículo solucionará o problema do trânsito. Provavelmente não será mais permitido o trânsito de carros pafticula-res nas grandes cidades; seu lugar será tomado por numerosos pequenos carros de aluguel, todos iguais, que, com a introdução de uma moeda, serão postos em movimento por um determinado espaço de tempo. Quando o usuário chegar ao destino, pode aí deixar o carro, onde quer que se encontre.

Tais veículos servirão unicamente para o trânsito urbano. Para o movimento fora das grandes cidades, sobretudo nas longas rodovias interestaduais, o eletromóvel oferece vantagens decisivas. Por meio de dispositivos adequados, podem-se evitar acidentes e organizar viagens programadas. Para evitar desastres, instala-se uma espécie de aparelho de radar, alimentado por energia gerada pelo próprio veículo. No ano de 1984, viagem programada significa que o viajante introduz no computador eletrônico do veículo um cartão programado. Se está em Munique e quer ir a Hamburgo, o cartão é perfurado nessa conformidade e o veículo percorre o trecho pelo trajeto mais curto, sem que o viajante precise se importar com isso. Nos Estados Unidos já foram experimentados carros assim em estradas especiais, curtas. Ninguém precisará mais de carteira de motorista.

Além do eletromóvel, haverá milhares de utensílios aparentemente iguais aos de hoje, tais como aspiradores de pó, máquinas

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perfuradoras elétricas, torradeiras, ferros de engomar, etc. Mas haverá uma enorme diferença: esses aparelhos não serão mais ligados a uma tomada de pinos; serão acionados por uma fonte de energia independente. As primeiras máquinas perfuratrizes acionadas por acumuladores foram fabricadas em 1963. Dentro de 20 anos, todos os aparelhos elétricos serão independentes de tomadas. Esta libertação da rede elétrica terá consequências, na vida cotidiana, que hoje mal conseguimos imaginar. Os novos aparelhos obterão sua eletricidade com o auxílio de pequenos conversores ou de elementos combustíveis de gasolina, ou conterão um acumulador de cádmio-níquel que pode ser carregado por setores. Pode ser também que baterias solares transformem em eletricidade a energia do Sol. Todos os trabalhos e divertimentos domésticos serão assim consideravelmente facilitados. Só então terá realmente começado a era da eletricidade. Com o sucessivo desaparecimento do motor de explosão, a poluição do ar irá diminuindo. Poder-se-ão instalar em qualquer ponto da Terra, longe de qualquer usina geradora, povoações dotadas de todo conforto, cujas casas terão geladeiras embutidas, instalações de ar condicionado, aparelhos de televisão, etc. Algumas latas de gasolina, um conversor — e pronto, já se poderá eletrificar a mais humilde aldeia, a mais remota colónia indígena. Por meio da eletricidade, a vida nos países subdesenvolvidos será completamente transformada. Será possível produzir adubos sintéticos, montar indústrias. As idéias-chave para isso são: reator nuclear, gerador magneto-hidrodinâmico. O reator nuclear fornece calor por meio da fissão do urânio; o gerador magneto-hidrodinâmico transforma esse calor diretamente em eletricidade. Trata-se, aliás, de instalações grandes e pesadas, só rendosas com capacidades elevadas. Mas dentro em breve serão vistas por toda parte, no mundo inteiro, sobretudo nos países ainda atrasados industrialmente. Nesses países, constituirão as mais importantes fontes de energia, darão novo impulso à vida. O padrão de um país hoje definido como subdesenvolvido será medido em 1984 pelo número de seus geradores de energia. A exportação de tais geradores será para as nações industrializadas a forma mais importante de expansão industrial; a concorrência neste setor será a forma mais violenta da guerra fria.




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