Língua portuguesa e literatura brasileira



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LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA

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TEXTO 1
“- Fala, Kleid. Bem que tu poderias. Tu que a tudo assististe. Tu que tudo guardaste. Vê só. Estou sozinho. Tão velho por fora e por dentro, que mal posso conter a avalanche de todas as lembranças. Um mundo de visões que passaram por nós. Tu te lembras? Quando voltei do enterro da Grossmutter te perguntei como era a minha mãe. Eu não me lembro dela. Morreu moça, eu e as minhas irmãs muito pequenas. Como seria a minha mãe alemã, tocadora de violino, segundo contava a vó Sacramento? Ela não existiu para mim. Meu pai era um sujeito danado de alegre. Bebedor de bier e sempre fazendo travessuras. Era uma criança grande que foi morrer na Segunda Guerra, só por amor à Alemanha. Pensava que Hitler era o Deus.”
LAUS, Lausimar. O guarda-roupa alemão. 4. ed. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2006, p. 129-130.



Questão 01


Considerando o TEXTO 1 e o romance O guarda-roupa alemão, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
01. A narrativa constitui-se das memórias de Homig, o último Ziegel, que dialoga com Kleiderschrank, o guarda-roupa.

02. O guarda-roupa é personificado: ele assistiu à história, é testemunha dos fatos que aconteceram na casa dos alemães e é depositário de um grande segredo da matriarca da família.

04. As palavras em idioma alemão: Kleiderschrank, Grossmutter e bier são vestígios de que o romance se passa em uma pequena cidade da Alemanha.

08. Dentro do romance, as referências a Hitler, à Segunda Guerra e à Alemanha apontam o quanto os problemas da Alemanha se refletiram duramente nos colonos da Região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

16. A vó Sacramento, típica açoriana, personifica a mistura de raças que aconteceu com a vinda dos imigrantes para Santa Catarina. Seu convívio com a família Ziegel é exemplo da harmonia entre açorianos e alemães na região.

32. A família Ziegel não conseguiu manter as tradições vindas da Alemanha, já que assimilou com tranqüilidade os costumes da região que a acolheu.



Questão 02


Ainda em relação ao TEXTO 1, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
01. Em “Vê só” (linha 2), o verbo se encontra no modo imperativo; porém, houve um deslize quanto à norma padrão da língua; a forma adequada seria “Veja só”, já que o narrador utiliza a 2a pessoa do singular para referir-se a Kleid.

02. O trecho mostra a intenção do narrador de dialogar com o guarda-roupa, o que é perceptí-vel através do vocativo utilizado em “Fala, Kleid”.

04. O narrador sabe que a mãe tinha aptidão para tocar um instrumento musical graças aos relatos de vó Sacramento.

08. Os verbos poderias, assististe, seria e foi estão todos no pretérito perfeito, o que significa dizer que representam ações acabadas, como ocorre na sentença: Naquela época, as brincadeiras faziam a platéia muito feliz.

16. O narrador achava que, se preciso, deveria dar a vida pela Alemanha e que Hitler deveria ser tão respeitado quanto Deus.

32. Segundo o narrador, a “avalanche” (linha 2) de suas lembranças era fruto da avançada idade de Kleid, que estava velho “por fora e por dentro”.



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TEXTO 2

“ ‘Há mais de meio século’, continuou. ‘Eu era moleque, e eles uns curumins que já carregavam tudo, iam dos barcos para o alto da praça, o dia todo assim. Eu vendia tudo, de porta em porta. Entrei em centenas de casas de Manaus, e quando não vendia nada, me ofereciam guaraná, banana frita, tapioquinha com café. Em vinte e poucos, por aí, conheci o restaurante do Galib e vi a Zana... Depois, a morte do Galib, o nascimento dos gêmeos...’ ”


HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 133.



Questão 03


Com relação ao TEXTO 2 e ao romance Dois irmãos, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
01. No Texto 2, o narrador principal da história (Nael, filho de Omar) cede espaço para um narrador secundário (Halim, pai de Omar) resumir sua saga de imigrante libanês.

02. A narrativa apresenta um drama familiar e a conflituosa relação entre os dois irmãos gêmeos, Yacub e Omar.

04. Nael, personagem/narrador perturbado pela dúvida quanto à sua filiação, reconstrói a memória da família libanesa, que é, também, a sua própria memória/identidade.

08. O excerto apresenta os principais elementos da narrativa de Hatoum: romance ambientado em Manaus; o narrador, Galib, é mascate, conhece Zana, filha do dono de um restaurante, e é pai dos gêmeos Yacub e Omar (foco da discórdia familiar).

16. São recorrentes, em obras de ficção ou que representam diferentes culturas, as disputas entre irmãos gêmeos, a exemplo de Caim e Abel, Esaú e Jacó, mas que, diferentemente de Yacub e Omar, encontram uma saída harmoniosa para o conflito.

32. Embora os dois irmãos sejam gêmeos, Omar é chamado de “o caçula”, o que denuncia o tratamento desigual dado, pela mãe, aos dois personagens principais e criticado pela irmã dos gêmeos, Rânia.

64. Nael, o narrador, é filho da índia Domingas e de Omar, filho de imigrante libanês. Nael simboliza a mistura das raças resultante dos processos de imigração, que se deu de forma tranqüila e equilibrada.

Questão 04


Ainda considerando o TEXTO 2, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
01. Em “Eu era moleque, e eles uns curumins que já carregavam tudo” (linhas 1-2) houve, na segunda oração, elipse de um verbo, cuja compreensão é possível a partir da leitura da oração anterior.

02. “Em vinte e poucos, por aí, [...]” (linhas 4-5) corresponde semanticamente a Quando eu tinha vinte e poucos anos...

04. Na frase “Entrei em centenas de casas de Manaus” (linha 3), pode-se substituir a forma verbal por “entrava”, sem prejuízo do sentido.

08. Na última sentença do excerto, o paralelismo sintático obtido através da omissão dos verbos em nada prejudicou a compreensão do texto.

16. No trecho apresentado, a expressão “por aí” (linha 5) faz referência ao local onde o casal Galib e Zana se conheceu.


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TEXTO 3
“Quando a noite está escura, e cai o vento noroeste, vê-se dois vultos brancos como a neve atravessarem o mar, vindos da Ilha do Mel à Ponta Grossa, e irem costeando até a Ponta da Pedreira. Dali se transformam em duas pombas brancas, e voam pelo mesmo caminho que vieram; porém então são perseguidas por três corvos que procuram agarrá-las com seus bicos hediondos, grasnando horrivelmente: chegando bem no meio do mar, os corvos se transformam em Meninos queimados, e lançam gritos tão agudos que fazem acordar as crianças em seus berços, iluminando todo o mar com o clarão de suas caudas inflamadas.”
CASTRO, Ana Luísa de Azevedo. D. Narcisa de Villar. 4. ed. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2000, p. 126.



Questão 05


Com base no TEXTO 3 e no romance D. Narcisa de Villar, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
01. O livro, nos moldes da estética romântica de José de Alencar, conta a história de D. Narcisa e de Leonardo, que vivem um amor impossível e morrem por esse amor.

02. A narradora, muito presente em todo o romance, relata uma lenda do imaginário popular trazida de Portugal e mantida por sua família.

04. A oposição entre “pombas brancas” e “corvos” representa a luta entre o bem e o mal, proposta na narrativa.

08. Os “três corvos” são os três irmãos de D. Narcisa que, metamorfoseados, ainda carregam as características dos colonizadores, retratados no romance como ricos, mas humildes e caridosos.

16. O recurso da comparação do ser humano com elementos da natureza, a exemplo de “vul-tos brancos como a neve” (linhas 1-2), destoa do tom geral da estética romântica, à qual se pode filiar a obra.

32. Pode-se concluir, de acordo com o excerto, que, após a morte, os bons serão recompensa-dos e os maus, perdoados.

64. D. Narcisa é o protótipo da heroína romântica (pura, boa, defensora do bem), traço que carrega consigo após a morte, transformando-se em símbolo da paz.




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