Leon Denis o espiritismo na Arte



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Léon Denis

O Espiritismo na Arte




Degas

A Paisagem


Conteúdo resumido


Nesta obra, Léon Denis retrata o que ocorre na espiritualidade, no que se refere à arte, e como a beleza se manifesta através do artista encarnado na Terra.

A obra foi elaborada com base em uma série de artigos escritos por Léon Denis em 1922, para a Revue Spirite (revista espírita francesa fundada por Allan Kardec), na qual tratava da questão do belo na arte (arquitetura, pintura, escultura, música, literatura, etc.).


“O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites.

A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as indicações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis de harmonia e de beleza que regem o Universo vêm oferecer aos nossos pensadores, aos nossos artistas, motivos inesgotáveis de inspiração.”

Léon Denis

* * *

Os sonhos dos poetas, as visões dos místicos, as criações do gênio, as comprovações e demonstrações da Ciência, as realizações mais perfeitas da Arte são apenas ecos muito débeis e percepções pequeninas que os homens, com melhores dotes, captam como em um relâmpago quando a matéria, dominada por poucos instantes, permite que a alma possa entrever alguns pálidos reflexos do mundo divino.

Léon Denis
(O Mundo Invisível e a Guerra)
Sumário


Apresentação 7

Parte I


» Conceitos de arte
» Espiritismo, fonte de inspiração
» Materialismo, esterilizador da arte 8

Parte II


» Arte: meio de elevação e renovação
» Arte: meio de aviltamento
» O pensamento de Deus
» Fonte das altas e sãs inspirações 21

Parte III

» Senso artístico: constituição e evolução 35

Parte IV


» Literatura e oratória
» A língua francesa e a idéia espiritualista 43

Parte V


» Participação do mundo espiritual na obra humana
» Espiritismo, novo e vigoroso impulso ao pensamento 58

Parte VI


» A Música (Parte 1) 72

Parte VII

» A Música (Parte 2) 79

Parte VIII

» A Música (Parte 3) 86

Parte IX 90

Parte X 95

Parte XI 100

Comentário Final 103




Apresentação



O Espiritismo na Arte, obra em que Léon Denis analisa a participação do mundo espiritual na criação artística e demonstra, com imenso critério, a importância do Espiritismo como mediador na obtenção de infinitos temas de inspiração, foi inicialmente, publicada pela Revista Espírita em formato de artigos.

Dividido em onze partes, aqui numeradas de I a XI, esse magnífico texto veio a público nas edições mensais de 1922, com exceção da do mês de junho.

Em seu trabalho, Léon Denis explica, detalhadamente, o mecanismo da inspiração, “procedimento de transmissão da luz divina”, e o importante papel que ela tem desempenhado, em todos os tempos, na evolução das artes e do pensamento. Nele, o mestre também inclui e comenta dez comunicações do Espírito que se autodenomina o Esteta e outras cinco do Espírito Massenet; comunicações que são verdadeiras lições sobre o tema arte.

Com o seu estilo inconfundível, e irretocável em todos os sentidos, Léon Denis, além de nos enriquecer com seus esclarecimentos, permite que o acompanhemos pelos etéreos caminhos da criação artística, fazendo-nos pressentir todo o encanto, todo o enlevo que a verdadeira beleza proporciona aos que têm o privilégio da sua visão.

Aproveitemos a oportunidade que o “Apóstolo do Espiritismo” nos oferece, vamos caminhar ao seu lado por essas vias de acesso ao conhecimento da verdade que a bondade divina nos concede, com a certeza de que, ao final da caminhada, nos sentiremos mais conscientes, mais seguros e muito, muito mais felizes.

Albertina Escudeiro Sêco


Parte I

» Conceitos de arte


» Espiritismo, fonte de inspiração
» Materialismo, esterilizador da arte


(Janeiro de 1922)

A beleza é um dos atributos divinos. Deus pôs nos seres e nas coisas esse encanto misterioso que nos atrai, nos seduz, nos cativa e enche a alma de admiração, às vezes de entusiasmo.

A arte é a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna da qual percebemos, aqui na Terra, apenas um reflexo. Para contemplá-la em todo o seu esplendor, em todo o seu poder, é preciso subir de grau em grau em direção à fonte de onde ela emana, e isso é uma tarefa difícil para a maioria entre nós. Pelo menos, podemos conhecê-la pelo espetáculo que o Universo oferece aos nossos sentidos e também pelas obras que ela inspira aos homens de gênio.

O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as indicações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis de harmonia e de beleza que regem o Universo vêm oferecer aos nossos pensadores, aos nossos artistas, motivos inesgotáveis de inspiração.

A observação dos fenômenos de aparições proporciona aos nossos pintores imagens da vida fluídica da qual James Tissot já pôde tirar proveito nas ilustrações da sua Vida de Jesus. Os oradores, os escritores, os poetas neles encontrarão uma fonte fecunda de idéias e de sentimentos. O conhecimento das vidas sucessivas do ser, sua ascensão dolorosa através dos séculos, o ensino dos espíritos sobre a questão grandiosa do destino, lançaram, sobre toda a História, uma luz inesperada, e proporcionarão ainda aos romancistas, aos poetas, temas de drama, motivos de elevação, todo um conjunto de recursos intelectuais que ultrapassarão em riqueza tudo o que o pensamento pôde conhecer até aqui.

Quando refletimos em tudo quanto o Espiritismo traz para a humanidade, quando pensamos nos tesouros de consolação e de esperança, na mina inesgotável de arte e de beleza que ele vem lhe oferecer, nós nos sentimos cheios de piedade por esses homens ignorantes ou pérfidos, cujas críticas malévolas não têm outro objetivo senão desacreditar, ridicularizar e mesmo asfixiar a idéia nascente cujos benefícios já são tão sensíveis. Evidentemente, essa idéia, em sua aplicação, necessita um exame, um controle rigoroso; mas a beleza que emana dessa idéia se revela deslumbrante para todo pesquisador imparcial, para todo observador atento.

O materialismo, com o seu sopro dessecante, havia esterilizado a arte. Essa se arrastava no realismo degradante sem poder se elevar até os cumes da beleza ideal. O Espiritismo veio lhe dar um novo estímulo, um impulso mais vivo através das alturas onde ela encontra a fonte fecunda das inspirações e a sublimidade do talento.

– Objetivo da arte
– Objetivo da evolução
– Necessidade das vidas sucessivas
– Apresentação de o Esteta


Dissemos que o objetivo essencial da arte é a procura e a realização da beleza; é, ao mesmo tempo, a procura de Deus, pois que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita da beleza física e moral.

Quanto mais a inteligência se apura, se aperfeiçoa e se eleva, mais se impregna da idéia do belo. O objetivo essencial da evolução, portanto, será a procura e a conquista da beleza, a fim de realizá-la no ser e nas suas obras. Tal é a norma da alma na sua ascensão infinita.

Nisso já se impõe a necessidade das vidas sucessivas como meio de adquirir, por esforços contínuos e graduados, um sentido sempre mais preciso do bem e do belo. Os inícios são modestos aqui na Terra, a alma se prepara primeiro nas tarefas humildes, obscuras, apagadas, depois, pouco a pouco, por novas etapas, o espírito adquire a dignidade de artista. Mais elevado ainda, ele se abrirá às concepções vastas e profundas, que são o privilégio do gênio, e se tornará capaz de realizar a lei suprema da beleza ideal.

Em nossa Terra, os artistas não se inspiram todos nesse ideal superior. A maior parte limita-se a imitar o que eles chamam “a natureza”, sem perceber que ela não é mais que um dos aspectos da obra divina. No espaço, porém, a arte reveste formas ao mesmo tempo mais sutis e mais grandiosas e se ilumina com um reflexo divino.

Eis por que, neste estudo, tivemos que consultar principalmente os nossos espíritos-guias, recolher e resumir seus ensinamentos. No âmbito em que vivem, as fontes de inspiração são mais abundantes, o campo de ação se alarga; o pensamento, a vontade, o poder supremo se afirmam e irradiam com mais intensidade.

Nossos protetores invisíveis nos enviaram primeiro o Espírito Massenet1, que veio nos ditar cinco lições sobre a música celeste, procedendo como o fazia sobre a Terra, nos seus cursos do Conservatório. Mas isso não podia ser suficiente para nós; precisávamos de dados mais gerais, de uma visão global sobre a forma como a arte é sentida e praticada no Além.

Observa-se muitas vezes, nas obras inspiradas por espíritos, principalmente nos livros anglo-saxões, a descrição de lugares, de monumentos, de moradas criadas com a ajuda de fluidos, pela vontade dos habitantes do espaço. Temos necessidade de esclarecimentos sobre esse assunto tão controverso e sobre o qual, até hoje, faltaram indicações preciosas.

De acordo com nossos pedidos reiterados, e a fim de nos ensinarem, os guias nos anunciaram uma entidade que se apresenta sob este nome: o Esteta, cuja personalidade verdadeira só nos será revelada ao final deste estudo. Imediatamente tivemos a impressão de que nos encontrávamos em presença de um espírito de alto valor.

O fenômeno produziu-se sob a forma de incorporações. Desde o momento em que a entidade toma posse do médium em transe, os traços deste, que é um rapaz cego, tomam uma expressão de calma, de serenidade quase angélica e, que contrasta com a maneira de ser dos outros espíritos. A palavra é suave, penetrante, e, quando a sessão termina, os assistentes se encontram sob uma impressão de serena paz, de profunda quietude. O médium, ao despertar, ignora completamente o que foi dito por sua boca durante o transe e declara encontrar-se como mergulhado em um “banho de radiações”. Ele experimenta uma sensação de bem-estar inexprimível.

O Esteta tomou a arquitetura como tema das duas primeiras lições estenografadas, que reproduzimos mais adiante. Escolheu como modelo a catedral, porque ela serve de moldura a todas as outras artes. Mais tarde ele nos falará de escultura, de pintura, de eloqüência e, por fim, o estudo da música e as lições de Massenet virão completar esta exposição.

– O Espírito e sua parcela do poder criador
– Tipos de arquitetura existentes no espaço


Lembramos aqui que todo espírito emanado de Deus não possui somente uma centelha da inteligência divina; ele desfruta, ainda, de uma parcela do poder criador, poder que ele é chamado a manifestar mais e mais no decorrer da sua evolução, tanto nas encarnações planetárias quanto na vida do espaço.

Na Terra, sob o véu da carne, essa inteligência e esse poder são diminuídos; no entanto, não é maravilhoso constatar até que ponto o talento do homem tem conseguido subjugar as forças brutais da matéria, vencer sua resistência, sua hostilidade, submetê-las às suas fantasias? O homem forja o ferro, funde o bronze e o vidro, esculpe a pedra, ergue estátuas, constrói palácios e templos; o homem perfura montanhas e reúne os mares.

No espaço, porém, esse poder criador afirma-se tanto mais intensamente quanto mais sutil é a matéria fluídica e quanto mais o espírito tenha aprendido a combinar os elementos etéreos que são a própria substância do Universo. Lá, todas as dificuldades da obra terrestre desaparecem; basta uma ação mental firme para dar aos fluidos as formas que o espírito quer realizar e tornar duráveis.

Mesmo nesta vida, vemos, no sono hipnótico, a vontade do operador de dar aos objetos, às substâncias, propriedades temporárias que exercem sobre os médiuns influências incontestáveis.

Em um grau mais elevado, por exemplo nas materializações de espíritos, a vontade destes cria formas, rostos, vestimentas, atributos semelhantes àqueles que eles possuíam na Terra e que permitem reconhecê-los, identificá-los. Nesse caso, o pensamento, ajudado pela lembrança, reconstitui os detalhes da existência que lhes eram próprios: vestuário, armas. A vontade lhes dá a consistência necessária para impressionar os sentidos dos observadores. Não é conveniente procurar em outro lugar a explicação desses fenômenos que são conhecidos de todos os espíritas experientes. Nossos guias nos asseguram que no espaço encontramos as arquiteturas mais estranhas, mais variadas, pois elas ultrapassam, em grandiosidade e em beleza, todas as criações dos nossos sonhos. Temos, sobre esse ponto, os testemunhos mais precisos: Raymond, o filho de Oliver Lodge2, construiu uma pequena casa de campo de acordo com seus gostos terrestres. Os Espíritos Mozart3, Victorien Sardou4 e outros construíram palácios ornados de plantas e de flores. Antigos arquitetos terrestres, dizem-nos, edificam santuários onde se celebram os ritos de tal ou tal culto. Os espíritos se comprazem em reconstituir meios semelhantes, porém superiores em beleza, àqueles que freqüentavam na Terra, e isso com muito mais facilidade, porquanto eles podem dispor de materiais bem mais flexíveis e mais maleáveis.

Fica-se admirado com esses relatos, essas descrições, e muitos comentários são trocados a esse respeito. No entanto, tudo o que se passa nas sessões de experimentação – os fenômenos de transporte, de levitação, a penetração da matéria pela matéria, a dissociação e a reconstituição de objetos através das paredes – mostra-nos o poder dos espíritos sobre os fluidos e facilita a nossa compreensão do assunto. Certos sábios psiquistas confessam que eles mesmos não compreendem nada a esse respeito, e por aí mostram a sua falta de prática em matéria de Espiritismo, enquanto que simples adeptos estão bem informados sobre esses fatos.


– Arquitetura na Terra e no espaço
– A catedral terrestre e a catedral fluídica


Voltemos à arquitetura, que o Esteta tomou como objeto das suas primeiras lições. Aqui na Terra já é arte sublime à qual se prendem todas as outras artes e que muitas vezes lhes serve de proteção.

Assim como na Terra, a música representa a arte viva, a harmonia móvel e vibrante, a arquitetura representa a arte imóvel e passiva em suas formas imponentes e rígidas. Porém, enquanto que no âmago dos espaços o espírito modela, à sua vontade, a matéria fluídica e lhe dá as aparências, as cores, os contornos que lhe agradam, em nosso planeta a matéria opõe mais resistência à vontade do homem. O bloco5 resiste ao cinzel do escultor como à ferramenta do maçom6. Às vezes, são necessários longos e pacientes esforços, um trabalho persistente para dar ao mármore, ao granito, a expressão da beleza.

As lições de o Esteta fazem ressaltar a diferença que existe entre os procedimentos em uso na Terra e os do espaço para realizar criações artísticas. Enquanto que na Terra a catedral, tomada como modelo da arquitetura, é a obra paciente de uma coletividade laboriosa, desde o humilde talhador de pedra até o grande artista que traçou o plano do conjunto, ela é, no espaço, a obra particular de um mestre que, instantaneamente e a seu bel-prazer, pode edificá-la ou destruí-la, auxiliado somente por um grupo de alunos que procuram assimilar e imitar sua idéia criadora. Aqui na Terra, o monumento é a obra da multidão humana, o trabalho dos séculos. Gerações de artistas e de operários trabalharam para elevar colunas, telhados7, torres, fundiram vitrais, pintaram imagens, esculpiram estátuas. Assim foram se constituindo, lentamente, a pirâmide, o palácio, a catedral, Eis por que, em sua majestosa unidade, simbolizam o pensamento de um povo, o gênio de uma raça, a alma de uma religião.

Foi a fé, foi o entusiasmo, foi um espiritualismo ardente que erigiu, em direção ao céu, essas “bíblias” de pedra. E, nessas obras colossais, o invisível tem o seu papel; ele pensa com o arquiteto, medita com o artista, trabalha com o artesão e o pedreiro. A todos ele inspira o pensamento de Deus e do Além, na medida em que eles podem compreendê-lo e interpretá-lo.

Assim são edificados esses “livros” imponentes que são as catedrais e que, durante séculos, foram suficientes para guiar, para instruir, para consolar o espírito humano.

A catedral terrestre serve de moldura a todas as artes. A música faz as suas imensas naves vibrarem, a pintura decora as suas paredes, a escultura a povoa de estátuas. No entanto, em seu conjunto, ela conserva a imobilidade fria e a opacidade do granito.

O papel fundamental da arte é exprimir a vida em toda a sua potência, em sua graça e em sua beleza. Ora, a vida é movimento. E nisso exatamente reside a principal dificuldade da arte humana, que apenas pela música pode reproduzir o movimento. O escultor, pela postura que dá à sua estátua, reproduz o movimento que o seu pensamento concebe e, na imobilidade, cria a ação. A pintura dá a mesma impressão por meio do gesto fixado na tela e pela harmonia das cores, o jogo das perspectivas, a simulação das profundidades e dos horizontes fugidios. Há mais força na estatuária, e mais artifício em um quadro; porém, os dois podem exprimir a beleza ideal sob a forma de obras-primas que nos são conhecidas. No entanto, apesar da intenção genial que preside a sua execução, elas nos dão apenas a sensação incompleta.

Não ocorre o mesmo com as obras de arte do espaço: nele tudo é vida, movimento, cor, luz. A catedral fluídica será como que animada e viva. Suas colunas terão a flexibilidade, a elasticidade da matéria mais sutil; suas paredes serão transparentes como cristal, e mil cores fundidas, desconhecidas na Terra, nelas se divertirão em jogos de sombra e luz. Todas as harmonias ali se combinam em ondas de uma suavidade inexprimível; tudo vibra no frêmito de uma vida intensa e profunda.

Os artistas da Terra deverão se inspirar nesses modelos sobre-humanos que os ensinamentos espíritas lhes tornaram familiares. A educação estética humana comporta concepções cada vez mais elevadas para que o sentimento do belo penetre e se desenvolva em todas as almas. Já se produz uma evolução nesse sentido; ela se acentuará sob a influência do Além. Os artistas do futuro se interessarão em dar mais fluidez às cores, mais vida ao mármore, mais espiritualidade a todas as suas obras. As artes complementares se idealizarão inteiramente, deixando à arquitetura a majestade das formas rígidas e a ilusão do imutável na inércia.

A arte se realça e progride em todos os graus da escalada da vida, realizando formas cada vez mais nobres e perfeitas, e que se aproximam da fonte divina da eterna beleza.





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