Lá iam a caminho de Ítaca, pelo mar fora, vencendo vento e vento através de onda e onda



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Ulisses


III A Ciclópia

Lá iam a caminho de Ítaca, pelo mar fora, vencendo vento e vento através de onda e onda.

De súbito, começaram a notar que o navio estava a ser arrastado por uma estranha corrente submarina que os ia levando para onde eles não queriam ir. E de tal maneira que, se acaso obrigassem o navio a seguir a direcção que pretendiam, este corria o risco de se virar. Então Ulisses decidiu:

- Não vale a pena resistirmos agora. Deixemo-nos ir nesta corrente, e quando ela abrandar, retomaremos o rumo de Ítaca.

Assim fizeram. Mas a corrente não abrandava nunca.

Aumentava

Aumentava

Aumentava…

Já iam longe de tudo, mesmo de encontro ao desconhecido. Começaram a avistar terra: era uma ilha onde o navio calmamente aportou. Aí já a corrente misteriosa abrandara. Ulisses olhou em volta e, de repente, deu um grande grito:

- Ai, meus amigos, onde nós viemos parar!

- Onde foi? Onde foi? – perguntaram os marinheiros, aflitos.

- Olhem, viemos parar à Ciclópia, às ilhas da Ciclópia. Mas esperem, se não me engano, tivemos uma sorte espantosa!

- Uma sorte espantosa? – Admiraram-se os marinheiros.

- Sim – explicou Ulisses. – Aqui é realmente o arquipélago da Ciclópia. Tudo neste lugar é gigantesco, é ciclópico: os animais, as plantas, as pedras…Os seus habitantes são os ciclopes, espécies de gigantes com um só olho no meio da testa, e que são devoradores de homens…

- Devoradores de homens? – Gritaram os marinheiros, espavoridos.

- Sim, mas acalmem-se, porque esta é a única ilha desabitada, já aqui passei uma vez ao largo, e sei isso muito bem.

Todos sossegaram então um pouco, e como realmente não aparecesse ninguém por ali, resolveram sair e ir apanhar alguma fruta fresca, beber água pura!

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Aventuraram-se também a percorrer a ilha deserta. Mas antes de saírem, Ulisses lembrou que era melhor levarem um pequeno barril de vinho que traziam no navio, pois podia apetecer-lhes. Assim fizeram.



Continuaram a explorar a ilha, todos contentes e cada vez mais descansados. A certa altura, depois de terem subido uma pequena colina, ao descerem a vertente do lado de lá, viram-se de repente no meio de um enorme rebanho de ovelhas, cabras e carneiros. E o pior de tudo é que avistou mesmo no meio do rebanho, sentado num rochedo altíssimo, um ciclope formidável!

Ele estava tão entretido a aparar um tronco de árvore para fazer uma flauta, como é hábito os pastores fazerem de palhinhas, que nem deu por eles.

Apavorados, quiseram fugir. Mas era tarde, pois se tentassem votar para trás e o ciclope os visse, o que era quase inevitável, nem um bocadinho se lhes aproveitava! Esconderam-se então no meio de rebanho, e como reparassem que ali ao lado havia uma entrada de uma gruta enorme, para lá se dirigiram todos rastejando com muita cautela para o monstro não os ver.

Chegaram à gruta e lá dentro respiraram. Pelo menos por uns tempos estavam a salvo, pois o ciclope não os tinha pressentido. Agora pergunto-vos eu: e os ciclopes, existem? Os ciclopes existiam, sim, mas na imaginação dos primeiros marinheiros. Eles não conheciam bem o mar, acreditavam em correntes misteriosas, em deuses que protegiam ou perseguiam os homens, em monstros, em sereias que encantavam com a sua voz doce…Inventavam razões para os naufrágios, deixavam correr livremente a sua imaginação! O ciclope era para os Gregos destes tempos, o mesmo que o gigante Adamastor foi para os Portugueses: duas imagens criadas por dois poetas, Homero e Camões, para nos falar do medo do desconhecido.

Mas voltemos a Ulisses e os seus companheiros. Lá dentro da gruta combinaram que, ao começar a cair a noite se escapariam em direcção ao navio e fugiriam dali a sete pés, porque afinal aquela ilha também era habitada, e por UM CICLOPE enorme!

Ulisses pensava: “ – Como é possível que haver aqui um ciclope? O que terá acontecido? Muito eu gostava de saber!”

Ele realmente não sabia o que eu vos vou contar: Ulisses tinha razão quando pensara que ali não havia ciclopes, pois eles habitavam mesmo em todas as outras ilhas do seu arquipélago da Ciclópia. Mas havia entre eles um que era

Mais forte que todos

Mais cruel que todos

Mais bravo que todos

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E que era o terror de todos! Chamava-se Polifemo e tinha um mau génio horrível! Zangava-se por tudo e por nada, e depois dava murros para



a esquerda

murros para

a

direita,


e já só havia por aquelas paragens ciclopes de cabeças partidas, braços ao peito, pernas cheias de nódoas negras, sem dentes – um horror! É verdade que o Polifemo arrependia-se, mas o mal já estava feito.

Então os ciclopes tinham-se reunido e dito para o Polifemo:

- Olha, é melhor é tu viveres sozinho. Nós levamos-te o rebanho para aquela ilha deserta de além, e tu vives lá.

Assim foi. Todas as noites se ouvia:

- Estás bom, Polifemo?

- Estou. E vocês?

- Estamos bem. Boa Noite!

- Boa Noite!

E pronto: já não havia desordens nem lágrimas. E assim viviam já há uns tempos perfeitamente em paz de ciclopes.

Ora foi este Polifemo que os nossos amigos foram encontrar ali.

Mas voltando à história: já era quase noite, e Ulisses e os seus companheiros resolveram abandonar a gruta e correr até ao navio.

Precisamente no momento em que começavam a sair, eis que começaram a entrar as ovelhas, as cabras, os carneiros…e o Polifemo. Só tiveram tempo para se esconder atrás deste ou daquele pedregulho, dos muitos que havia espalhados por ali.

Calculem onde eles tinham ido parar: à própria caverna onde morava o ciclope!

Quando o Polifemo entrou, trazia um veado morto às costas, que ele tinha apanhado para a sua ceia. Nem reparou nos homens. Foi ordenhar as ovelhas e as cabras, guardou o leite em grandes vasilhas, e depois foi acender uma fogueira no meio da gruta, e nela pôs o veado a assar. Depois, cansado, sentou-se ali no chão.

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De repente, o que viu ele? Sombras de homens dançando na parede, mesmo na sua frente, sombras de homens que se escondiam entre a fogueira e a parede…



Deu um salto e começou a gritar:

“HOMENS…HOMENS…HOMENS…”

Pegou num grande pedregulho e com ele tapou a entrada da gruta. Depois começou a agarrar um homem, outro homem, e a engoli-los inteiros! E mais outro, e mais outro…

Os marinheiros começaram a gritar apavorados, e a correr doidamente pela gruta em todas as direcções, e mais facilmente ele os ia apanhando a um e a outro. Os fortes marinheiros pareciam bonecos nas suas mãos brutais, ou uvas que, com os seus dedos peludos ele ia colhendo e depois engolindo sofregamente.

Ulisses tremia de medo e encolhia-se no seu esconderijo. O pânico tomava conta dos marinheiros e parecia não haver salvação para nenhum. Já uns nove homens tinham desaparecido nas goelas do monstro e já este começava e não querer agarrá-los…

Agora, já muito empanturrado, só queria era dormir. Dirigiu-se pesadamente para um canto da caverna e ali se sentou.



(Continua)


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