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JUSSIMARA GARCIA VILAR

BAIXA ADESÃO AO EXAME COLPOCITOLÓGICO: PROJETO DE INTERVENÇÃO


VICENTINA/MS

2011

J

USSIMARA GARCIA VILAR



BAIXA ADESÃO AO EXAME COLPOCITOLÓGICO: PROJETO DE INTERVENÇÃO

Trabalho Conclusão apresentado ao curso de Especialização em Atenção Básica e Saúde da Família da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul sob a orientação da Profª Enfª Esp. Nadieli Leite Neto.


VICENTINA/MS

2011

RESUMO
O presente estudo trata-se de uma pesquisa de natureza exploratória e descritiva; dividiu-se em revisão bibliográfica e pesquisa de campo utilizado como recurso um formulário para obtenção dos dados. A pesquisa foi desenvolvida na unidade ESF Jardim Vista Alegre. Este estudo tem como objetivo identificar o conhecimento das mulheres em relação ao exame Papanicolau e as causas que levam as mulheres a não se submeterem a tal exame. Os resultados mostram que as entrevistadas conhecem a importância do exame, sendo que as mais jovens temem realizá-lo, porém há uma aceitação maior em relação às de idade superior.
Palavras chaves: Exame Papanicolau, Câncer do Colo o Útero, Saúde da Mulher.

SUMÁRIO





1 INTRODUÇÃO 4

2 REVISÃO DE LITERATURA 6

2.1 Anatomia do Útero 6

2.2 O Câncer do Colo do Útero 6

2.3 Exame Papanicolau 8



3 OBJETIVOS 9

3.1 Objetivo Geral 9

3.2 Objetivos Específicos 9

4 METODOLOGIA 10

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 11

6 CONCLUSÃO 15

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS 16

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 18

APÊNDICE A – FORMULÁRIO PARA COLETA DE DADOS 20


1 INTRODUÇÃO


O câncer de colo uterino tem sido considerado um sério problema de saúde pública, decorrente da sua alta incidência, do seu progresso na taxa de morbidade e mortalidade. Com uma incidência em todo o mundo de aproximadamente meio milhão de casos por ano, principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil, que este câncer permanece como um dos mais temíveis e danosos cânceres da mulher (FREITAS, et al., 2006).

O controle do câncer de colo uterino pode ser eficaz através da sua prevenção e da sua detecção precoce, utilizando-se de um exame indolor e de baixo custo, denominado "Papanicolau” (BRASIL, 2006a).

Conforme o Ministério da Saúde, cerca de 40% das mulheres brasileiras nunca realizaram o Papanicolau e o exame clínico das mamas, dificultando ações de saúde e assistência com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce (BRASIL, 2002).

O câncer do colo do útero é descrito como uma afecção iniciada com transformações intra-epiteliais progressivas podendo evoluir para uma lesão cancerosa invasora, em 10 a 20 anos. De tal modo, pode ser considerada uma neoplasia evitável devido à longa fase pré-invasiva, quando suas lesões precursoras podem ser detectadas, diante da disponibilidade de triagem através do exame Papanicolau e seguido pela possibilidade de tratamento eficaz das lesões (Rev. Bras. Epidemiologia, 2006).

De acordo com Kurman (1997), o câncer de colo do útero desenvolve-se a partir de lesões potencialmente precursoras da doença conhecida como Neoplasias Intraepitelias Cervicais (NIC). São classificadas operacionalmente como NIC I (Displasia leve), NIC II (Displasia Moderada) e NIC III (Displasia grave e carcinoma in situ). Pesquisas indicam que quase todo câncer invasor progride de uma neoplasia intraepitelial cervical. Em média, um terço delas regridem, um terço permanecem estacionário e apenas um terço evoluem para câncer in situ, ou seja, invasor do colo uterino.

As neoplasias escamosas do colo do útero correspondem a um grupo de alterações na maturação celular restritas ao epitélio e graduadas segundo a proporção de células imaturas atípicas e grau de discariose. Estas lesões caracterizam-se pelo aumento da relação núcleo/citoplasma, atípias nucleares e mitóticas, e acompanham-se de sinais citológicos indicativos de infecção pelo HPV (Papiloma Vírus Humano) (HALBE e MANTESE, 2000).

O número de novos casos de câncer do colo do útero esperado para o Brasil em 2006 é de 19.260, com um risco estimado de 20 casos a cada 100 mil mulheres (BRASIL, 2006b).

No Município de Vicentina-MS, no ano de 2010, foram realizadas 430 coletas de exame preventivo de colo uterino (LIVRO PRETO, 2010). O número da população feminina do município em idade de 25 a 59 anos é de 1389 mulheres (SIAB, 2010); onde destas 556 deveriam ter realizado o exame Papanicolau; e como citado anteriormente somente 430 mulheres o realizou. Já especificamente na ESF Jardim Vista Alegre, fazem parte dessa área 960 mulheres (SIAB, 2010) na faixa etária de 25 a 59 anos; onde foram coletados 231 exames no ano de 2010 segundo Livro Preto. O baixo percentual (24%) de exames coletados pela equipe é preocupante, pois mesmo havendo uma oferta semanal e campanhas durante o ano; ainda tem muito a avançar quanto à prevenção do câncer de colo uterino.

Deve-se considerar o estímulo ao desenvolvimento de pesquisas na linha de prevenção e controle do câncer do colo do útero, uma vez que estas contribuem para a melhoria da efetividade, eficiência e qualidade de políticas, sistemas e programas (BRASIL, 2006b).

Considerando o alto índice de mortalidade de mulheres por câncer do colo do útero e as baixas coberturas de exames observadas no município, o presente trabalho foi realizado com o intuito de identificar os motivos da baixa adesão do exame Papanicolau, a fim de desenvolver estratégias e atividades educativas ao público alvo.
2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Anatomia do Útero

O útero, um órgão muscular em forma de pêra, tem cerca de 7,5 cm de comprimento e 5 cm de largura em sua parte superior. Suas paredes têm cerca de 1,25 cm de espessura (BRUNNER & SUDDARTH, 1996).

Segundo Spence (1991), o útero tem duas partes: a cérvix, que se projeta para a vagina, e a parte superior mais larga, o fundo ou corpo, que é coberto posterior e, em parte, anteriormente pelo peritônio. O útero fica posterior à bexiga e é mantida em posição na cavidade pélvica por vários ligamentos.

Este órgão é constituído por quatro partes, são elas: fundo, corpo, istmo e cérvix. Na qual a porção que fica acima se denomina fundo, a ela está ligada o corpo, a principal porção do útero. O corpo comunica-se com as tubas uterinas e estende-se até uma região estreitada interior chamada ístmo. O ístmo mede cerca de 1 cm e dele segue-se a cérvix (ou colo do útero) que faz projeção na vagina e comunica-se com ela pelo óstio do útero, onde a cérvix tem sua extremidade voltada para trás e para baixo. Vale ressaltar que a forma, tamanho, posição e estrutura do útero podem variar de pessoa para pessoa (DÂNGELO; FATTINI, 2003).

De acordo com Dângelo; etc. (2003) o útero apresenta três camadas. O endométrio é a camada interna que sofre modificações de acordo com as fases do ciclo menstrual e na gravidez, o miométrio, ou parte média, constitui a maior parte da parede uterina e é formado por fibras musculares lisas. Outra camada é a externa ou perimétrio, representada pelo peritônio. Mensalmente, o endométrio sofre várias modificações e se prepara para receber o óvulo fecundado, se não houver fecundação, esta camada de endométrio que se formou e se preparou para receber o embrião descama, ocorrendo uma eliminação sanguínea pela vagina, o que chamamos de menstruação.

2.2 O Câncer do Colo do Útero

O câncer do colo do útero são alterações celulares onde há uma disseminação das células anormais de forma progressiva e gradativa. É uma doença crônico-degenerativa mais temida, em virtude do seu alto grau de letalidade e morbidade, apresentando possibilidade de cura se for diagnosticada precocemente (ROMAN; PANIS, 2010).

Segundo Silveira (2005), o câncer do colo ocupa o terceiro lugar em incidência representando ainda, um problema de saúde pública, pois se trata de alta morbimortalidade que acomete mulheres em idade produtiva, econômica, social e familiar.

As neoplasias escamosas do colo do útero correspondem a um grupo de alterações na maturação celular restritas ao epitélio e graduadas segundo a proporção de células imaturas atípicas e grau de discariose. Estas lesões caracterizam-se pelo aumento da relação núcleo/citoplasma, atípias nucleares e mitóticas, e acompanham-se de sinais citológicos indicativos de infecção pelo HPV (Papiloma Vírus Humano) (HALBE e MANTESE, 2000).

O HPV atua nas células do colo uterino, promovendo a proliferação celular por seus efeitos de estimulação, podendo determinar a iniciação de células neoplásicas a partir da integração do DNA viral ao DNA celular ocasionando, assim, o câncer de colo de útero (HALBE, CUNHA e DOLCE 2001; RIVOIRE et al, 2001).

Porém, somente a infecção pelo HPV não é suficiente para causar câncer, co-fatores como o tabagismo e estado imunológico podem ser necessários antes que a neoplasia possa ocorrer (RIVOIRE et al, 2001; DIOGENES, 2006).

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda o exame Papanicolau para câncer de colo uterino a toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se ao exame preventivo periódico, especialmente se estiver na faixa etária dos 25 aos 59 anos de idade. Inicialmente, um exame deve ser feito a cada ano e, caso dois exames seguidos (em um intervalo de 1 ano) apresentarem resultado normal, o exame pode passar a ser feito a cada três anos. Se o exame acusou:

• Negativo para câncer: se esse for o primeiro resultado negativo, é necessário fazer novo exame preventivo daqui a um ano. Se já houver um resultado negativo no ano anterior, o exame preventivo deverá ser feito daqui a 3 anos;

• Alteração (NIC I): repetir o exame daqui a 6 meses;

• outras alterações (NIC II e NIC III): o médico deverá decidir a melhor conduta. Será necessário fazer novos exames, como a colposcopia;

• infecção pelo HPV: o exame deverá ser repetido daqui a 6 meses;

• amostra insatisfatória: a quantidade de material não deu para fazer o exame. Repetir o exame logo que for possível (INCA, 2010).



2.3 Exame Papanicolau

O Papanicolau é um método de exame preventivo do câncer de colo uterino (GUIMARÃES, 2002).

O exame Papanicolaou, foi criado pelo Dr. George Papanicolaou em 1940 e mostrou-se muito eficaz, e de extrema importância na prevenção do câncer, podendo reduzir mortes por câncer de colo do útero em 70% dos casos desde a sua criação. O objetivo deste seria detectar doenças no colo do útero antes do desenvolvimento de uma neoplasia (MATSUDA, 2005).

Para a realização deste exame, as mulheres devem ser previamente orientadas a não terem relação sexual ou fazerem uso de duchas, medicamentos ou exames intravaginais durante 48 horas que precedem o exame. O exame deve ainda ser realizado fora do período menstrual, pois o sangue dificulta a leitura da lâmina, podendo tornar o esfregaço inadequado para diagnóstico citopatológico (INCA, 2007).

É fundamental que os serviços de saúde orientem sobre o que é e qual a importância do exame preventivo, pois a sua realização periódica permite reduzir a mortalidade por câncer do colo uterino na população de risco. O INCA (2008) tem realizado diversas campanhas educativas, voltadas para a população e para os profissionais da saúde, para incentivar o exame preventivo.

De acordo com Cestari (2005), o comportamento preventivo está intimamente relacionado a fatores sociais, psicológicos, ambientais e culturais. O enfermeiro deve adquirir conhecimento sobre a população que necessita de serviço, como as condições socioeconômicas, conhecimento da doença e do serviço de prevenção disponível além da perspectiva do exame e seus objetivos.

Além disso, o enfermeiro deve ter consciência de que seu papel na prevenção do câncer de colo uterino não se restringe apenas à realização de mutirões para a coleta de exame de Papanicolaou, mas também, deve levar em consideração todos os fatores citados anteriormente estabelecendo estratégias para o envolvimento da equipe e da população, com objetivo principal de prevenir esse câncer (QUEIROZ, 2006).

3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral

 


  • Conhecer os motivos da baixa adesão ao exame Papanicolau em mulheres de 25 a 59 anos na ESF Jardim Vista Alegre.


3.2 Objetivos específicos


  • Identificar as mulheres que não realizam o exame.

  • Desenvolver estratégias para o aumento da cobertura do exame ao público alvo, com base nos resultados encontrados.

4 METODOLOGIA
O presente trabalho trata-se de uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva na qual se utilizou de questionário como método de coleta de dados. Foram aplicados 28 questionários, nas sete micro-áreas pertencentes à ESF Jardim Vista Alegre, na cidade de Vicentina – MS, contendo 03 perguntas direcionadas para identificar a concepção das mulheres acerca do exame de Papanicolau, a aceitação das mesmas e a influência do profissional que o realiza na adesão.

Posteriormente a elaboração, o questionário foi submetido a um teste piloto na unidade de saúde, para devidas adequações, ficando apto ao propósito.

Os questionários foram aplicados pela enfermeira da unidade. A coleta de dados foi realizada nos domicílios dos bairros Santa Terezinha, Jardim Vista Alegre, Sonho do Meu pai II, Centro e regiões pertencentes à ESF Jardim Vista Alegre, onde os sujeitos do estudo foram convidados a participar, após esclarecimento dos objetivos da pesquisa e do sigilo profissional com as informações coletadas, respeitando a vontade das mulheres em participar.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Após aplicação dos 28 questionários, foi realizada análise minuciosa das questões respondidas, buscando o objetivo proposto em cada item. Com a referida análise, verificou-se que dentre as 28 mulheres que responderam ao questionário, 19 tinham mais de 31 anos e 9 entre 25 e 30 anos, conforme apresentado no gráfico 01.





Gráfico 01 - Idade das entrevistadas.
Quanto ao grau de escolaridade 26 tinham apenas o ensino fundamental e 02 o ensino médio incompleto, mostrado no gráfico 02.



Gráfico 02 - Grau de escolaridade.
Das 28 entrevistadas, 25 mulheres já submeteram ao exame alguma vez, e 03 nunca o realizaram, as porcentagens são mostradas no gráfico 03.



Gráfico 03 - Mulheres que realizaram o exame Papanicolau.
As mulheres em idade acima de 31 anos mostraram-se mais representativas (19 mulheres) com relação à aceitação ao exame de Papanicolau. Tal resultado demonstra que as mulheres mais jovens (25 a 30 anos) temem mais a realização do exame, fato que é comprovado nas pesquisas cientifica (Davin et al. 2005, FERREIRA, 2009).

No quesito de freqüência de realização do exame, 08 mulheres responderam que o realizam anualmente, 10 realizam em média de dois a quatro anos, 07 delas têm mais de quatro anos que não o fazem e 03 mulheres afirmam nunca terem feito. Os resultados em valores relativos são mostrados no gráfico 04.





Gráfico 04 - Freqüência da realização do exame Papanicolau.
Quanto à importância do preventivo, todas responderam achar o exame muito importante para a prevenção do câncer do colo do útero, conforme demonstrado no gráfico a seguir.



Gráfico 05 - Conhecimento sobre a importância do exame Papanicolau.
Quando questionadas sobre o que consideram um obstáculo a realização do exame, 05 mulheres disseram falta de tempo, 10 disseram vergonha de expor seu corpo a estranho, 03 referiram não achar necessário, 02 sentem medo, (pois sentiram muita dor na primeira coleta), 02 por não praticarem relações sexuais e 06 relataram que não sentem nada, por isso não acham necessário a realização do exame, os valores são mostrados no gráfico 06.



Gráfico 06 - Motivos para não realizar o exame.
Como dito anteriormente o medo é um dos fatores que influencia a não realização do exame, a dor, a vergonha e falta de tempo também são outros motivos para a baixa adesão ao exame Papanicolau, porém a literatura comprova que a oferta do serviço na saúde da família é um fator que melhora a adesão ao exame (RAMOS et al, 2006), o que está relacionado ao elo de confiança que é estabelecido entre a população e a equipe de saúde da família.

Apesar de todas acharem que o exame Papanicolau é importante para prevenir o câncer de colo de útero, as 20 mulheres que não realizam o exame anualmente não possuem informação adequada sobre realização do exame, fato que foi constatado em outra pesquisa feita por César et al. (2003). Assim, verifica-se o quanto é importante a equipe realizar atividades educativas para informar e orientar as mulheres a respeito dos critérios corretos para a realização do exame .

Também é essencial durante as consultas de rotina médica e de enfermagem não deter-se apenas nos aspectos físicos, mas nos aspectos psicossociais e culturais que estão envolvidos nos determinantes de saúde das mulheres, tendo em vista a grande relutância das mulheres em se submeter a esse exame (PINHO e FRANÇA,2003).

Após um trabalho árduo realizado na ESF Jardim Vista Alegre, constatou-se que é de extrema importância conhecer os motivos relacionados à não submissão das mulheres ao exame, para que a equipe possa intervir de maneira efetiva. Também é importante que os profissionais estabeleçam um ambiente tranqüilo e acolhedor, minimizando o sentimento de vergonha, que as distancia da prevenção.


6 CONCLUSÃO

A população de cultura tradicional apresenta pudor acentuado, o que dificulta a aceitação do exame, sendo a exposição do corpo colocada como maior obstáculo à realização do Exame de Papanicolau. Apesar de saberem a importância do exame, fatores como a vergonha, o medo e a própria falta de tempo às impedem de realizá-lo. Inúmeras campanhas de divulgação propiciam maior esclarecimento para essa população, mas o pudor ainda ultrapassa os valores da prevenção.

Através do presente trabalho, foi possível conhecer os motivos da baixa adesão ao exame Papanicolau pelas mulheres de 25 a 59 anos na ESF Jardim Vista Alegre, sendo apontada à vergonha como o motivo mais expressivo. Foi possível ainda, identificar as mulheres que não realizam o exame e intervir junto a essas.

A análise das informações obtidas com a pesquisa promoveu um maior envolvimento por parte da equipe na questão da prevenção do câncer do colo do útero, além de serem realizadas atualizações sobre o assunto. Foram intensificadas ações de orientações à comunidade utilizando algumas parcerias e demais recursos. Tais estratégias contribuíram para o aumento da cobertura do exame Papanicolau na área de adscrição da equipe Jardim Vista Alegre.


7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Foram realizadas capacitações ministradas pela enfermeira da unidade aos Agentes Comunitários de Saúde, nos dias 07 a 11 de fevereiro de 2011 no período vespertino, na ESF Jardim Vista Alegre. Foram utilizados como recursos, data Show, materiais educativos relacionados à saúde da mulher (Folder do Ministério da Saúde). Os agentes foram orientados sobre a importância da realização anual do exame preventivo, e que após iniciar atividade sexual as mulheres devem procurar a unidade para realizá-lo; durante o ato sexual usar preservativo; e também sobre o material utilizado na coleta que é descartável. As atualizações foram realizadas para subsidiar as visitas domiciliares pelos ACS, incentivando as mulheres à busca pela realização do exame.

Semanalmente são realizadas reuniões na ESF Jardim Vista Alegre com o intuito de envolver a equipe na prevenção do câncer do colo do útero e promover o acolhimento das usuárias. Além da preocupação inicial com o acolhimento, é fundamental que todos os profissionais sejam esclarecidos sobre a importância da realização do exame Papanicolau para a manutenção da saúde, fornecendo às usuárias informações necessárias, diminuindo a ansiedade e o medo.

A população foi conscientizada através de atividades educativas, visitas domiciliares, entrega de panfletos, orientações sobre a necessidade da realização do exame, eventos, campanhas, mutirões periódicos e divulgação através de carro de som. Durante as atividades enfatizou-se a importância da realização do exame Papanicolau, cuja finalidade é a prevenção do câncer de colo uterino, e que o mesmo deve ser realizado por todas as mulheres uma vez ao ano. Semanalmente são realizadas palestras na ESF pela enfermeira, para os pacientes que aguardam o atendimento médico, após, distribuídos folder educativos. Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (08/03/2011) foram realizadas ações de orientação, prevenção e proteção à saúde da mulher na ESF; com o objetivo de sensibilizar a população feminina sobre a importância dos cuidados gerais com a saúde; reduzir a morbimortalidade feminina por causas que podem ser evitadas e prevenidas, além de proporcionar informações para as mulheres sobre temas relacionados à saúde, e também sobre a coleta do preventivo. Dia 26/07/2011 esteve presente no município de Vicentina à carreta de Barretos, cuja prioridade foi à busca de mulheres que nunca realizaram o exame preventivo e também aquelas que há mais de dois anos não o realizam. Houve uma clientela significante e a equipe da ESF esteve envolvida na mobilização. No dia 06/08/2011 foi realizado na ESF uma campanha de coleta de preventivo, onde as mesmas receberam convites personalizados para comparecerem na unidade para realizar o exame. Além disso, foi efetuada divulgação através de carro de som, onde a enfermeira da unidade convocava às mulheres para a coleta do preventivo.

Na última semana do mês de outubro, em comemoração ao “Outubro Rosa”, as usuárias faltosas foram convocadas através de carta convite entregue pelos agentes comunitários de saúde. As mulheres que realizaram exame Papanicolau e o exame clínico das mamas receberam um vale para o “Dia da Beleza da Mulher” que ocorreu no dia 31 do decorrente mês, sendo contempladas com manicure, pedicure, corte e tintura de cabelo, sobrancelha e massagem corporal. Tal estratégia proporcionou uma demanda expressiva.

Como resultado da pesquisa e das intervenções citadas, foi observado um aumento significativo (52%) no número de coletas de exames de Papanicolau, variando de 231 (LIVRO PRETO, 2010) no ano de 2010 para 496 (LIVRO PRETO, 2011) até o presente momento.

Dessa forma, recomenda-se investir em campanhas de divulgação do exame de Papanicolau, promovendo o esclarecimento através da utilização de uma linguagem simples e do acolhimento.




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APÊNDICE A – FORMULÁRIO PARA COLETA DE DADOS

ENTREVISTA

DATA:                                                                  

Nº DE ORDEM:

IDADE:

ESCOLARIDADE:



ESTADO CIVIL:

OCUPAÇÃO:


1. QUAIS OS MOTIVOS (POR QUE) PARA NÃO TER FEITO O EXAME PREVENTIVO NOS ÚLTIMOS ANOS?
(   ) TEM MEDO

(   ) NÃO CONFIA NO SERVIÇO DE SAÚDE(PROFISSIONAL OU OUTRO)

(   ) NÃO ACHA NECESSÁRIO

(   ) NÃO TEM RELAÇÕES SEXUAIS

(   ) NÃO SENTE NADA

(   ) OUTROS. QUAIS___________________________________________________________


2. SE NUNCA REALIZOU:
SE VOCÊ NUNCA FEZ O EXAME, QUAL O MOTIVO (POR QUE)?
(   ) DESCONHECE A IMPORTÂNCIA

(   ) NUNCA FOI INFORMADO SOBRE O EXAME

(   ) TEM MEDO

(   ) NUNCA SENTIU NADA

(   ) NÃO TEM RELAÇÕES SEXUAIS

(   ) OUTROS. QUAIS___________________________________________________________


3. PORQUE É IMPORTANTE REALIZAR O EXAME PREVENTIVO?
(   ) EVITAR O CÂNCER DO COLO DO ÚTERO

(   ) PARA O TRATAMENTO GINECOLÓGICO E DE DOENÇAS



(   ) OUTROS. QUAIS___________________________________________________________







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