J. R. Ward Amante Liberado



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J. R. Ward

Amante Liberado



Série Adaga Negra - Vol. 5
Disponibilização/Tradução/Pesquisa: Yuna, Gisa, Mare e Rosie

Revisão Inicial: Lu Avanço

Revisão Final: Danielle Aguiar

Formatação: Gisa

Projeto Revisoras Traduções






A doutora Jane Whitman, chefe da equipe de trauma cardíaco,

está a ponto de ir para sua casa ao final de seu turno como toda noite

quando chega uma emergência ao centro médico; um homem que levou um tiro no coração.

Enquanto Jane o examina, começa a abrigar a suspeita de que seu novo paciente,

um homem de aspecto perigoso e sexy, não é de tudo humano.



Enquanto se encontra em recuperação, o desconhecido não para de procurar o contato da doutora,

pois parece que a presença da mulher o tranqüiliza.

E ela, por sua vez, sente-se extramamente fascinada por ele.

Jane não demora a descobrir que seu paciente não é outro, senão Vishous,

a quem muitos chamam de «V», o vampiro mais inteligente da Irmandade da adaga negra.

Mas o torturado passado deste homem levou-o a evitar todo tipo de intimidade com outro ser.

A natureza de V o impede de deixar que alguém veja seu lado vulnerável, com exceção de Jane,



pois tem a estranha sensação de que ela, e apenas ela, pode compreender...

GLOSSÁRIO

A Irmandade da Adaga Negra

Guerreiros vampiros altamente treinados que protegem aos de sua espécie contra a Lessening Society. Como conseqüência da seleção genética de sua raça, os Irmãos possuem uma imensa força física e mental, assim como uma extraordinária capacidade regenerativa —podendo recuperar-se de suas feridas de uma maneira assombrosamente rápida. Normalmente não estão unidos por vínculos de parentesco, e são introduzidos na Irmandade mediante a proposta de outros Irmãos. Agressivos, auto-suficientes e reservados, vivem separados do resto dos civis, mantendo apenas contato com os membros de outras classes, exceto quando precisam alimentar-se. São objeto de lenda e reverência dentro do mundo dos vampiros.


Escravo de sangue.

Homem ou mulher vampiro que sujeita sua existência às necessidades alimentícias de outro vampiro. O costume de possuir escravos de sangue foi suspensa há muito tempo, mas ainda não foi abolida.


Escolhida.

Mulher vampiro que foi criada para servir à Virgem Escriba. São consideradas membros da aristocracia, embora seu enfoque seja mais espiritual que temporário. Sua interação com os homens é virtualmente inexistente, mas podem emparelhar-se por ordem da Virgem Escriba para propagar sua espécie. Possuem o dom da videncia.


Doggen.

Constituem a servidão do mundo vampírico. São fiéis a estritas tradições a respeito de como servir a seus superiores e obedecem a um conservador código de comportamento e vestuário. Podem caminhar sob a luz do sol mas envelhecem relativamente rápido. Sua média de vida é de uns quinhentos anos.


O Fade.

Reino atemporal onde os mortos se reunem com seus entes queridos para passar juntos o resto da eternidade.


Família Principal.

Composta pelo Rei e a Rinha dos vampiros e sua descendência.


Hellren.

Vampiro macho que se emparelhou com uma fêmea. Está permitido que os homens possam ter mais de uma companheira.


Leelan.

Adjetivo carinhoso que se traduz como o/a mais querido/a.


Lessening Society.

Ordem ou organização de assassinos reunida pelo Omega com o propósito de erradicar as espécies vampíricas.


Lesser.

Humanos sem alma, membros da Lessening Society, que se dedicam a exterminar os vampiros. Permanecem eternamente jovens e só pode lhes matar cravando uma adaga no peito. Não comem nem bebem e são impotentes. À medida que passa o tempo, sua pele, cabelo e olhos, perdem pigmentação até que ficam completamente albinos. Soltam um aroma muito parecido ao talco. Quando ingressam na Sociedade —introduzidos pelo Omega— ele lhes extrai o coração e o conserva em um pote de cerâmica.




Período de zelo.

Período de fertilidade das mulheres vampiro. Dura em torno de dois dias e é acompanhado de um forte desejo sexual. Produz-se, aproximadamente, cinco anos depois da transição feminina e, posteriormente, uma vez a cada dez anos. Durante o período de zelo, todos os machos respondem, em maior ou menor medida, à chamada da fêmea o que pode provocar conflitos e brigas entre os mesmos, especialmente quando a fêmea não está emparelhada.


O Omega.

Ente místico e malévolo que quer exterminar à raça vampírica pelo ressentimento que tem para com a Virgem Escriba. Existe em um reino atemporal e possui enormes poderes, embora não o da criação.


Princeps.

A casta mais alta da aristocracia vampírica, só superado pelos membros da Família Principal ou pela do Eleito da Virgem Escriba. É uma casta que se tem por nascimento, sem que possa ser concedido com posterioridade.


Pyrocant.

Termo referido à debilidade vital que pode sofrer todo indivíduo. Esta debilidade pode ser interna, como por exemplo um vício, ou externa, como um amante.


Rythe.

Rito pelo que se tenta apaziguar aquele/aquela cuja honra foi ofendido. Se o rythe é aceito, o ofendido escolhe arma e golpeará com ela ao ofensor, que acudirá desarmado.


A Virgem Escriba.

Força mística conselheira do Rei, guardiã dos arquivos vampíricos e dispensadora de privilégios. Existe em um reino atemporal e tem enormes poderes. Lhe concedeu o dom um único ato de criação que foi o que utilizou para dar vida aos vampiros.


Shellan.

Vampiro fêmea que se emparelhou com um macho. As mulheres vampiros não podem emparelhar-se com mais de um companheiro devido à natureza dominante e territorial destes.


A Tumba.

Cripta sagrada da Irmandade da Adaga Negra. Utilizada como convocação cerimoniosa e como armazém para os potes dos lessers. As cerimônias ali realizadas incluem iniciações, funerais e ações disciplinadoras contra os Irmãos. Ninguém pode entrar, exceto os membros da Irmandade, a Virgem Escriba, ou os candidatos à iniciação.



Transição.

Momento crítico na vida de um vampiro no qual ele ou ela se transforma em adulto. Depois da transição, o novo vampiro deve beber sangue do sexo oposto para sobreviver e, a partir desse momento, não pode suportar a luz do sol. Geralmente ocorre na idade de vinte e cinco anos. Alguns vampiros não sobrevivem a este momento, especialmente os varões. Previamente à transição, os vampiros são fracos fisicamente, sexualmente ignorantes e incapazes de desmaterializarse.


Vampiro.

Membro de uma espécie diferente da humana. Para sobreviver devem beber sangue do sexo oposto. O sangue humano os mantém com vida, embora a força que lhes outorga não dura muito tempo. Uma vez que superam a transição, são incapazes de expor-se à luz do sol e devem alimentar-se obtendo o sangue diretamente da veia. Os vampiros não podem transformar aos humanos com uma mordida ou através de uma transfusão, e em raras ocasiões podem reproduzir-se com membros de outras espécies. Podem desmaterializar-se a vontade, mas para isso devem estar calmos, concentrados e não vestir ou carregar nada pesado. São capazes de apagar as lembranças dos humanos, sempre que essas lembranças não sejam distantes. Alguns vampiros podem ler a mente. A esperança de vida é indeterminável.


PRÓLOGO
Greenwich Country Day School

Greenwich, Connecticut

Vinte anos atrás.
—Pegue-a já Jane.

Jane Whitcomb pegou a mochila.

—Vem, não é?

—Disse-lhe isso esta manhã. Sim.

—OK. —Jane olhou sua amiga dirigir-se abaixo pela calçada até que soou uma buzina. Endireitando a jaqueta, ergueu os ombros e se voltou para o Mercêdes-benz. Sua mãe estava olhando fixamente pelo vidro do acompanhante, com o cenho franzido.

Jane se apressou a cruzar a rua, a chamativa mochila que continha o contrabando fazendo muito ruído, em sua opinião. Saltou para o assento traseiro e escondeu a coisa sob seus pés. O carro começou a rodar antes que tivesse fechado a porta.

—Seu pai virá para casa esta noite.

—O que? —Jane subiu os óculos sobre o nariz— Quando?

—Esta noite. Assim temo que…

—Não! Prometeu!

Sua mãe olhou por cima do ombro.

—Espero suas desculpas, jovenzinha.

Jane exclamou.

—Prometeu isso para meu aniversário de treze anos, supunha-se que Katie e Lucy…

—Já liguei para suas mães.

Jane se deixou cair contra assento do carro.

A mãe levantou os olhos para o espelho retrovisor.

—Tira essa expressão de seu rosto, por favor. Crê que é mais importante que seu pai? Realmente?

—É obvio que não. Ele é Deus.

O Mercedes se desviou para a sarjeta com uma sacudida e os freios chiaram. Sua mãe se virou, levantou a mão, e sustentou a pose, com o braço tremendo.

Jane se encolheu aterrada.

Depois de um momento de indecisa violência, sua mãe se voltou, alisando o cabelo perfeitamente penteado com a palma de sua mão, que se via tão firme como a água fervente.

—Você… não se reunirá conosco para o jantar desta noite. E me desfarei do bolo.

O carro começou a andar novamente.

Jane enxugou as bochechas e baixou a vista para a mochila. Nunca tinha dormido fora de casa antes. Tinha rogado por meses.

Arruinado. Agora tudo estava arruinado.

Permaneceram em silêncio todo o caminho de volta para casa, e quando o Mercedes estacionou na garagem a mãe de Jane saiu do carro e caminhou para a casa sem olhar para trás.

—Já sabe aonde ir. —foi tudo o que disse.

Jane ficou no carro, tratando de recompor-se. Logo pegou a mochila e os livros e se arrastou através da cozinha. Richard, o cozinheiro, estava inclinado sobre a lata do lixo atirando um bolo decorado com uma cobertura de açúcar e flores de cor vermelha e amarela.

Não disse nada a Richard porque tinha a garganta apertada como um punho. Richard não lhe disse nada porque não a apreciava. Não apreciava ninguém à exceção de Hannah.

Enquanto Jane passava pela porta de serviço dirigindo-se a sala de jantar, não queria encontrar-se com sua irmã mais nova e rezou para que Hannah estivesse na cama. Havia se sentido doente essa manhã. Provavelmente porque tinha que fazer um resumo a respeito de um livro.

No caminho para a escada, Jane viu sua mãe na sala.

As almofadas da poltrona. Outra vez.

Sua mãe ainda usava o casaco de lã azul pálido e tinha o cachecol de seda na mão, e sem lugar a dúvida ia ficar vestida assim até que estivesse satisfeita com a forma que luziam as almofadas. O que poderia demorar um pouco. Os padrões com os quais as comparavam eram os mesmos padrões que para o cabelo: suavidade total.

Jane subiu a seu quarto. A única esperança a estas alturas era que seu pai chegasse depois do jantar. Dessa maneira, embora se inteirasse de que fora castigada, ao menos não teria que observar seu assento vazio. Como sua mãe, odiava algo desconjurado, e que Jane não estar na mesa de jantar era algo totalmente desconjurado.

A extensão do sermão que ouviria dele seria mais maior dessa forma, porque teria que incluir ambas as coisas, tanto a decepção que lhe causava à família com sua ausência no jantar, como também o fato de que tinha sido mal educada com sua mãe.

No segundo andar, o quarto amarelo dourado de Jane era como todo o resto da casa: suave como o cabelo e as almofadas da poltrona e a forma como falavam as pessoas. Nada desconjurado. Tudo era de classe de congelada perfeição como o que se via nas revistas sobre casas.

A única que não se encaixava era Hannah.

Colocou a mochila no armário, sobre os mocassins e os Mary Janes1, logo Jane trocou o uniforme do instituto por uma camisola de flanela Lanz. Não havia razão para vestir-se. Não ia a nenhum lugar.

Levou a pilha de livros para a branca mesa. Tinha lição de inglês. Álgebra. Francês.

Olhou para seu mesinha de cabeceira. Noites da Arábia a esperavam.

Não podia pensar em uma forma melhor de passar o castigo, mas os deveres vinham primeiro. Tinha que ser assim. Se não, se sentiria muito culpada.

Duas horas depois estava na cama com Noites sobre o colo quando se abriu a porta e apareceu a cabeça de Hannah. Seu encaracolado cabelo ruivo era outra raridade. O resto deles eram loiros.

—Trouxe comida.

Jane se sentou, preocupada com sua irmã mais nova.

—se meterá em problemas.

—Não, isso não ocorrerá. —Hannah deslizou para dentro, levando uma pequena cesta na mão com um guardanapo de tecido, um sanduiche, uma maçã e uma bolacha— Richard me deu isso para que pudesse tomar um lanche durante a noite.

—E o que tem você?

—Não tenho fome. Aqui tem muito.

—Obrigada, então. —Jane tomou a cesta enquanto Hannah se sentava ao pé da cama.

—Então o que foi o que fez?

Jane sacudiu a cabeça e mordeu o sanduiche de rosbife.

—Zanguei-me com mamãe.

—Porque não podia ter sua festa?

—Uh-huh.

—Bom… tenho algo para animar você. —Hannah deslizou um pedaço de cartolina dobrada sobre o edredom— feliz aniversário!

Jane olhou o cartão e piscou rapidamente um par de vezes.

—Obrigada….

—Não fique triste, eu estou aqui. Olhe seu cartão! Fiz-o para você.

No frente, desenhadas com a torpe mão de sua irmã, havia duas figuras juntas. Alguém tinha cabelo murcho e loiro e a palavra Jane escrita debaixo. A outra tinha cabelo ruivo encaracolado e tinha o nome Hannah a seus pés. Estavam de mãos dadas e tinham amplos sorrisos sobre os redondos rostos.

Justo quando Jane ia abrir o cartão, um par de faróis deslizaram pelo fronte da casa e começaram a avançar pela entrada de carros.

—Papai está em casa —vaiou Jane— Será melhor que saia daqui.

Hannah não parecia tão preocupada como estaria habitualmente, provavelmente porque não se sentia bem. Ou talvez estivesse distraída com… bom, com o que fosse que Hannah se distraí. Passava a maior parte do tempo sonhando acordada, provavelmente era por isso que estava feliz todo o tempo.

—Vai, sério.

—Certo. Mas realmente lamento que tenha ficado sem sua festa. —Hannah se arrastou para a porta.

—Hey. Eu gostei do cartão.

—Não olhou dentro ainda.

—Não tenho que fazê-lo. Eu gosto porque você o fez para mim.

O rosto da Hannah revelou um de seus sorrisos de margarida, do tipo que lembrava a Jane os dias ensolarados.

—É a respeito de você e de mim.

Enquanto a porta se fechava, Jane escutou as vozes de seus pais que subiam o vestíbulo. Velozmente comeu o lanche da Hannah, colocou a cesta entre as dobras das cortinas próximas à cama, e foi para a pilha de livros escolar. Pegou o livro Memórias do Clube Pickwick de Charles Dickens e o levou para cama com ela. imaginava que se estivesse trabalhando em coisas do instituto quando seu pai entrasse, ganharia alguns pontos a seu favor.

Seus pais subiram uma hora depois e se esticou, esperando que seu pai a chamasse. Não o fez.

O que era estranho. Era, em seu caráter dominante, tão confiável como um relógio, e havia um estranho consolo em seu caráter previsível, embora não gostasse de lidar com ele.

Deixou de lado Pickwick, apagou a luz, e colocou as pernas sob o edredom com babados. Deitada sob o dossel da cama não podia dormir, e eventualmente escutou o relógio do avô que estava na parte superior da escada tocar doze vezes.

Meia-noite.

Saindo da cama, foi para o armário, tirou a mochila e a abriu. O tabuleiro da Ouija caiu para fora, abrindo-se e aterrissando de barriga para cima sobre o chão. Pegou-o com rapidez, como se pudesse haver quebrado algo e logo tomou o ponteiro.

Ela e seus amigas tinham estado esperando para jogar esse jogo porque todas queriam saber com quem iriam se casar. Jane gostava de um menino chamado Victor Browne, que estava em sua classe de matemática. Ultimamente tinham conversado um pouco, e realmente pensava que poderiam formar um casal. O problema era que não estava certa do que ele sentia por ela. Talvez só o agradasse porque lhe dava todas as respostas.

Jane deixou o tabuleiro sobre a cama, descansou as mãos no ponteiro e deu uma profunda inspiração.

—Qual é o nome do menino com o que vou casar?

Não esperava que a coisa se movesse. E não o fez.

Depois de tentá-lo um par de vezes mais se recostou para trás frustrada. Depois de um minuto bateu a parede atrás da cabeceira. Sua irmã devolveu o golpe, e um pouco depois Hannah entrava às escondidas através da porta. Quando viu o jogo, entusiasmou-se e saltou sobre a cama, fazendo ricochetear o ponteiro no ar.

—Como se joga?

—Shhh! —Deus, se as apanhavam assim, seriam realmente castigadas. Por toda vida.

—Sinto muito. —Hannah subiu as pernas e se abraçou a elas para evitar voltar a colocar a mão— Como…?

—Faz perguntas e ele diz as respostas.

—O que podemos perguntar?

—Com quem vamos nos casar. —Certo, agora Jane estava nervosa. O que aconteceria se resposta não fosse Víctor?— Comecemos com você. Ponha os dedos sobre o ponteiro, mas não empurre nem nada. Só… assim, sim. OK… Com quem vai casar a Hannah?

O ponteiro não se moveu. Mesmo depois de Jane repetir a pergunta.

—Está quebrado. —disse Hannah, tirando as mãos.

—Me deixe provar com outra pergunta. Ponha as mãos outra vez. —Jane inspirou profundamente— Com quem eu vou casar?

Um leve som de chiaso se elevou do tabuleiro quando o ponteiro começou a mover-se. Quando descansou sobre a letra V, Jane tremeu. Com o coração na garganta, observou-o mover-se para a letra I.

—É Víctor! —disse Hannah— É Víctor! Vai se casar com Víctor!

Jane não se incomodou em fazer calar sua irmã. Isto era muito bom para ser ver…

O ponteiro aterrissou sobre a letra S. S?

—Isto está errado. —disse Jane tem que estar errado…

—Não pare. Vejamos quem é.

Mas se não era Víctor, não sabia quem poderia ser. E que tipo de menino tinha um nome como Vis…

Jane lutou para redireccionar o ponteiro, mas insistia em ir para a letra H. Logo O, U e outra vez a S.

VISHOUS.

O temor revestiu o interior das costelas de Jane.

—Disse a você que estava quebrado. —murmurou Hannah— Quem se chama Vishous?

Jane apartou a vista do tabuleiro, logo se deixou cair para trás sobre os travesseiros. Este era o pior aniversário que tinha tido.

—Talvez deveríamos tentar de novo. —disse Hannah. Quando Jane duvidou, franziu o cenho— Vamos, eu também quero uma resposta. É o justo.

Voltaram a pôr os dedos sobre o ponteiro.

—O que me darão de presente de Natal? —perguntou Hannah.

O ponteiro não se moveu.

—Tenta uma pergunta que implique um sim ou um não para começar .—disse Jane ainda assustada pela palavra que tinha saído a ela. Talvez o tabuleiro não soubesse soletrar?

—Me darão de presente algo no Natal? —disse Hannah.

O ponteiro começou a chiar.

—Espero que seja um cavalo. —murmurou Hannah enquanto o ponteiro fazia um círculo— Devi ter perguntado isso.

O ponteiro se deteve no não.

Ambas o olharam fixamente.

Hannah abraçou a si mesma.

—Eu também quero presentes.

—É só um jogo. —disse Jane, fechando o tabuleiro— Além disso, a coisa na verdade está quebrada. Ele caiu.

—Quero presentes.

Jane se estirou e abraçou a sua irmã.

—Não se preocupe pelo estúpido tabuleiro. Eu sempre compro algo para você no Natal.

Um momento mais tarde quando Hannah se foi, Jane voltou a meter-se entre os lençóis.

Estúpido tabuleiro. Estúpido aniversário. Estúpido tudo.

Enquanto fechava os olhos, deu-se conta que nunca tinha olhado o cartão de sua irmã. Reacendeu a luz e o recolheu da mesinha de cabeceira. Dentro dizia, Sempre estaremos juntas pelas mãos! Amo você! Hannah!

Essa resposta que lhes tinha dado a respeito do Natal estava completamente equivocado. Todo mundo amava a Hannah e lhe comprava presentes.Em algumas ocasiões até podia influenciar seu pai, e ninguém mais podia fazer isso. Assim era certo que lhe dariam presente.

Estúpido tabuleiro…

Depois de um momento Jane dormiu. Devia havê-lo feito, porque Hannah a despertou.

—Está tudo bem? —disse Jane, sentando-se. Sua irmã estava de pé junto à cama vestindo a camisola de flanela, e com uma estranha expressão no rosto.

—Devo ir. —a voz de Hannah era triste.

—Ao banheiro? Vai vomitar? —Jane apartou as mantas—. Irei com…

—Não pode. —suspirou Hannah— Devo ir.

—Bom, se o desejar, quando terminar de fazer o que tem que fazer, pode voltar aqui para dormir.

Hannah olhou para a porta.

—Estou assustada.

—Estar doente sempre assusta. Mas sempre pode contar comigo.

—Devo ir. —quando Hannah olhou para trás, via-se… maior, de certa forma. Nada há ver com os dez anos que tinha— Tratarei de voltar. Esforçarei-me por fazê-lo.

—Um… certo. —Talvez sua irmã tinha febre ou algo assim?— Quer que vá despertar a mamãe?

Hannah negou com a cabeça.

—Só queria ver você. Volte a dormir.

Quando Hannah se foi, Jane se afundou entre os travesseiros. Pensou em ir ver como estava sua irmã no banheiro, mas o sono a reclamou antes que pudesse seguir esse impulso.

Na manhã seguinte Jane despertou com o som de fortes pisadas correndo pelo corredor. A princípio assumiu que alguém tinha atirado algo que estava deixando uma mancha no tapete ou sobre uma cadeira ou uma colcha. Mas logo ouviu as sirenes da ambulância no caminho de entrada.

Jane saiu da cama, olhou pelas janelas dianteiras, logo colocou a cabeça no corredor. Seu pai estava falando com alguém na parte de baixo, e a porta do quarto de Hannah estava aberta.

Na ponta dos pés, Jane caminhou pelo tapete oriental, pensando que habitualmente sua irmã nunca se levantava tão cedo aos sábados. Devia sentir-se realmente doente.

Deteve-se na porta. Hannah jazia sobre a cama, com os olhos abertos fixos no céu raso, a pele tão branca como os antigos lençóis brancos como a neve sobre as que estava estendida.


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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