Istituto Figlie di Maria Ausiliatrice



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Instituto Filhas de Maria Auxiliadora

Via dell’Ateneo salesiano 81

Roma
Às Inspetoras e

Superioras de Visitadoria

Em sede

Caríssimas,


com alegria venho até vocês, neste encontro anual em preparação para a festa da Gratidão em nível mundial. Nós a celebramos cada vez como evento sempre novo, que ajuda a encurtar as distâncias e a sentir-nos em comunhão com a Madre e entre nós. Neste ano, somos convidadas a um encontro muito especial

em Hong Kong

na Inspetoria Chinesa Maria Auxiliadora

no dia 26 de abril de 2008.

A Inspetora, Ir. Mônica Liu Man Way, e as Irmãs da Inspetoria estão felizes por terem sido escolhidas para manifestar à Madre o profundo reconhecimento de todas as Filhas de Maria Auxiliadora, das comunidades educativas, especialmente dos jovens dos cinco continentes.

Todos os anos vivemos com grande intensidade a preparação e a celebração dessa Festa de família, muito querida por todas nós. Ela permite manifestar de modo visível, os sentimentos guardados e cultivados com amor no coração de cada Irmã. A oportunidade oferecida para expressá-los e compartilhá-los faz crescer a alegria e ajuda a consolidar os laços que nos constituem como família. Há doze anos, a nossa caríssima Madre é o vínculo de comunhão e manifesta a nós o Amor de Deus, através da sua vida e de suas orientações que nos ajudam a revitalizar o carisma. Anima-nos continuamente a ser um sinal sempre mais luminoso desse amor, para que, por nossa vez o transmitamos aos jovens e, como numa parábola de comunhão, eles possam senti-lo e anunciá-lo a outros.

Esse período pré-capitular é um momento favorável para reler com afeto e gratidão o rico magistério salesiano que a Madre nos doou nestes anos do seu serviço de animação, pelo seu testemunho de vida, sinal eloqüente que fala para além das palavras, e para fazer tesouro da luz que nos proporcionou para continuar confiantes os processos em curso.

Somos convidadas particularmente a louvar o Senhor pelas inúmeras graças que Ele concede à Madre no desempenho da sua missão, e por aquelas que largamente recebemos na nossa vida cotidiana e nos permitem continuar colorindo o esboço que Dom Bosco e Maria Domingas Mazzarello nos deixaram; pela maravilhosa missão educativa, hoje particularmente importante e urgente, em todos os lugares em que atuamos. A Festa da Gratidão é também um momento favorável para tomar maior consciência do dom que somos umas para as outras, e inventar as modalidades adequadas para dizer-nos reciprocamente um sincero e sentido: obrigada!

É com essa atitude de fé e de gratidão que somos chamadas a doar, de forma habitual, a nossa vida ao Senhor no meio dos jovens (cf. C1). Como seria lindo se obrigada! fosse a primeira palavra a florir em nossos lábios quando despertamos a cada manhã! Mais de quinze mil obrigada! subiriam ao céu e atravessariam o mundo, do nascer ao pôr-do-sol! Nessa sinfonia entraria também a juventude e todas as pessoas desejosas de estar nesse clima. Somos chamadas a fazer da Eucaristia cotidiana um obrigada! contínuo ao longo do dia. 26 de abril de 2008 seja um dia especial em que, de todos os cantos da terra em que estamos presentes, se eleve ao Senhor um hino de gratidão por suas maravilhas.

O tema escolhido pelas Irmãs da Inspetoria Chinesa de Hong Kong é muito sugestivo:

Juntas, construamos a ponte da esperança.

Foi o Espírito Santo mesmo que o inspirou. De fato, em 1997, a primeira festa da gratidão para a Madre, em Táranto (Itália), teve como tema: Faça uma ponte, cante a vida. O símbolo da ponte abriu o caminho de gratidão do Instituto a Madre Antônia, e retorna de modo circular, no final do seu segundo sexênio, como para tornar visível o seu ser vínculo de comunhão e centro de unidade da nossa Família religiosa. A coincidência do tema não foi planejada antes, mas felizmente descoberta, logo depois. O Senhor quis dar-nos esse sinal para colocar em relevo o fio condutor que atravessa a vida da Madre: a paixão por construir pontes, nada antepor à comunhão, promovendo tudo o que é possível para favorecê-la, alimentá-la, consolidá-la. O seu desejo de criar laços se manifesta no âmbito do Instituto, mas também em nível eclesial e intercongregacional, na Família Salesiana e com diversas entidades educativas, organismos e movimentos que promovem vida e esperança para os jovens.


A ponte é um elemento universal: em todo o mundo existem pontes de diversos tipos, e todos têm a função de ligar, de colocar em comunicação duas partes que, de outra forma, permaneceriam separadas. O objetivo é sempre ajudar a superar um obstáculo. Ivo Andrić, escritor sérvio-croata, Prêmio Nobel de Literatura em 1961, afirma: “De tudo aquilo que o homem - impelido por seu instinto vital - constrói e erige, para mim nada é mais bonito e mais precioso do que as pontes. Essas indicam o lugar em que a pessoa humana encontrou o obstáculo e não ficou bloqueada, superou-o e o transpôs da melhor maneira que pôde, de acordo com suas concepções, seu gosto e as circunstâncias. Assim, pelo mundo, em qualquer lugar a que o meu pensamento vá e se veja detido, encontra pontes fiéis e operosas, como eterno e jamais satisfeito desejo do homem de ligar, pacificar e unir tudo aquilo que aparece diante do nosso espírito, dos nossos olhos, de nossos pés, para que não haja divisões, contrastes, separações… E, por fim, tudo o que esta nossa vida revela, pensamentos, esforços, olhares, sorrisos, palavras, suspiros, tudo tende para a outra margem, como para uma meta, e só assim adquire seu verdadeiro sentido. A nossa esperança está na outra margem”. O Evangelho muitas vezes descreve Jesus na atitude de “passar à outra margem” e de ser sinal de comunhão entre pessoas de diversas camadas sociais, idade, proveniência e situações.

Neste momento histórico em que se multiplicam as construções de muros - depois de tê-los derrubado - somos chamadas a formar jovens que cultivem a convicção de que é importante construir pontes e não muros, para promover a solidariedade, a fraternidade numa humanidade criada por Deus para ser uma grande família. Nossa missão educativa exige que nós, junto com os jovens e os leigos adultos que compartilham o mesmo carisma, sejamos construtoras de pontes. O caminho começa nos corações que se deixam purificar constantemente de tudo o que separa, afasta. A partir do interior, isso se projeta para fora através de relacionamentos, palavras, gestos. A nossa vocação se exprime num ser ponte entre Deus e os jovens e entre os jovens e Deus, entre culturas diferentes, entre diferentes religiões, entre fé e cultura.


As Irmãs da Inspetoria Chinesa Maria Auxiliadora querem ser uma ponte que ligue as duas margens de uma única nação; uma ponte que deixe passar a Boa Notícia; uma ponte que leve a esperança a um imenso povo em busca de pastores segundo o coração de Deus. A ponte é sinal de esperança, porque leva à outra margem, rumo a um novo horizonte marcado pela novidade, pela mudança, não raro pela surpresa. No ano passado, também, a festa da gratidão realizada no Haiti, havia sublinhado o tema da esperança. Filhas de Dom Bosco, um grande sonhador, que trazia em si uma esperança indestrutível, somos chamadas a ser também portadoras de uma esperança forte, radicada na fede, sustentada pela certeza de que o Espírito Santo age sempre, e em toda parte. Os jovens, de modo especial, precisam encontrar testemunhas de esperança para prosseguir com coragem e criatividade na sua caminhada rumo a um futuro que tenha sentido.
Em preparação à festa da gratidão, é espontâneo recordar o sonho que Dom Bosco teve na noite de 9 para 10 de abril de 1886, em Barcelona (Espanha), no qual viu uma grande cidade chinesa cortada por um grande rio, sobre o qual havia algumas pontes: “Quando os Salesianos estiverem na China e se acharem sobre as duas margens do rio que passa nas proximidades de Pequim,… uns virão à margem esquerda, do lado do grande Império, os outros à margem direita, do lado da Tartária. Oh! quando uns forem ao encontro dos outros para se darem as mãos…que glória para a nossa Congregação… Mas o tempo está nas mãos de Deus” (MB 18,74). Atualmente esta profecia se realiza. Deus está revelando progressivamente que a Sua hora chegou. A Madre continuou a sonhar com Dom Bosco, compartilhando o sonho com o Conselho geral, com todo o Instituto. Nossas Irmãs de Hong Kong sentem-se chamadas a – em nome de todas as Filhas de Maria Auxiliadora – atravessar a ponte vista por Dom Bosco. Todas juntas nos sentimos em profunda comunhão com o Papa Bento XVI que tem no coração esse grande continente, como testemunha a sua carta de 27 de maio de 2007, dirigida aos bispos, presbíteros, pessoas consagradas e aos fiéis leigos da Igreja Católica na República Popular Chinesa.
Como sabemos, para nós, a esperança já brotou na outra margem da ponte. A fecundidade do carisma, levado àquelas terras pelas primeiras missionárias Filhas de Maria Auxiliadora, em 1923, não se deixou bloquear pelas dificuldades e perseguições. No silêncio profundo de uma terra fértil, a semente continuou a produzir seu fruto, mediante a fidelidade das Irmãs e o dom de novas vocações. Uma estrela guia os nossos passos, e um sinal luminoso nos é concedido: vemos com os nossos olhos que o Espírito Santo constrói sozinho as pontes de que precisa para superar os obstáculos que impedem sua passagem.
Num texto muito conhecido, Charles Peguy apresenta as virtudes teologais da fé, esperança e caridade como três irmãs. A esperança é a menor delas. Para esperar – diz Peguy – é preciso ter alcançado uma grande graça. A pequena esperança caminha entre as duas irmãs maiores, a fé e a caridade. Ela ocupa o centro e impele as duas irmãs maiores a ir em frente. De fato, a fé não vê senão o que é. A caridade não ama senão aquilo que é. A esperança vê e ama o que virá a ser, no tempo e na eternidade.
A palavra esperança é particularmente adequada a expressar as expectativas a respeito da China e de toda realidade: a esperança vê aquilo que será. É ela que nos acompanha neste momento de atravessar a ponte da China que une as duas margens dessa imensa nação e nos leva a novos horizontes missionários repletos de esperança. É ainda a esperança que convida a atravessar a ponte da nossa história que liga o passado com o presente e o futuro, as pessoas e os grupos que encontramos nas relações cotidianas, os jovens que a cada dia procuramos colocar em comunicação com Jesus e entre si, as diversas culturas das quais somos portadoras, as várias vocações que compõem as comunidades educativas, os povos emigrados por diferentes motivos, e as crianças e jovens que freqüentam as nossas casas. Que a vida de cada uma de nós seja um contínuo construir pontes de esperança! Cada manifestação de amor e de bondade é uma ponte que se atravessa.
Construir, juntas, a ponte da esperança quer ser um gesto de coragem; o gesto de quem não teme arriscar tudo, até mesmo a própria vida, para fazer crescer a vida e transmitir a Boa Notícia. Na consciência da nossa pobreza diante dessa aventura apaixonante, embora difícil, somos sustentadas por Maria: a pastorinha presente no sonho de Dom Bosco, a Auxiliadora a quem o Papa Bento XVI confia a Igreja na China, a “Estrela do mar”, maris stella que ele nos convida a implorar, na conclusão da Encíclica Spes salvi: “Estrela do mar, brilha sobre nós e guia-nos no nosso caminho”.
Na oportunidade da festa da gratidão, penso que o presente mais agradável à Madre seja o nosso empenho concreto, pessoal e comunitário, para entrar decididamente num caminho de conversão, de forma a fazer de nossa vida sinal e expressão do amor preveniente de Deus, em todo lugar e circunstância, e ser construtoras de pontes.

Possamos também preparar - em nível inspetorial ou comunitário, uma ressonância sobre as circulares da Madre, a partir do n. 884, destacando algum elemento particularmente significativo para a nossa vida. Tal ressonância pode ser enviada à Inspetoria Chinesa - Hong Kong, numa página formato A4, ou com alguma imagem de Power Point, até o fim do próximo mês de março, no seguinte endereço: festamadre2008@yahoo.com.

Um dossiê informativo sobre a China será enviado e inserido no Site web do Instituto, para acompanhar a preparação da Festa.

As ofertas feitas em dinheiro serão destinadas ao Serviço China.


Cumprimento-as afetuosamente, em nome da Madre e das Irmãs do Conselho e desejo-lhes Santa Quaresma: uma caminhada em subida rumo à Páscoa. A Cruz é um cruzamento de pontes que ligam o céu e a terra, em sentido vertical, e todas as pessoas humanas entre si, na linha horizontal. No encontro dos dois braços está o coração de Jesus, aquele coração onde Maria Domingas Mazzarello se encontrava com todas as suas filhas, de perto e de longe. Sintam-nos sempre em comunhão de oração e de doação às novas gerações, com amor e alegria. O Senhor as abençoe e torne fecunda a vida de vocês, com o dom de muitas e santas vocações.
Roma, 11 de fevereiro de 2008

Sr. Yvonne Reungoat










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