Introdução 2 Fundamentação Teorica 4



Baixar 156.92 Kb.
Página1/4
Encontro05.01.2018
Tamanho156.92 Kb.
  1   2   3   4


Sumário


1 Introdução 2

2 Fundamentação Teorica 4

2.1 Dificuldades de Aprendizagem 4

2.2 Diagnóstico 14

3 Procedimentos Educacionais 16

3.1 A dislexia e a disgrafia 19

3.2 A dislexia e a discalculia 21

3.3 A dislexia e a disortografia 23

4 Intervenção Reeducativa 25

4.1 Como os pais podem ajudar 25

4.2 Sugestões para os Professores 26

5 Histórico do Método Panlexia 28

Conclusão 32

Referências bibliográficas 33





DISLEXIA


1 Introdução

A criança com dificuldade de aprendizagem, durante muito tempo, foi encaminhada ao médico, cujo diagnóstico isolado, ansiosamente aguardado pela família e pela escola, iria confirmar ou negar a sua normalidade.


Num passado ainda próximo, nos casos detectados, geralmente a criança era encaminhada para classes ou escolas especiais que ofereciam um ensino diferenciado. Com isso, acabava por tornar-se estigmatizada e fazer parte de um segmento social marginalizado, onde as oportunidades de ampliação de suas potencialidades eram reduzidíssimas. Apenas com a chancela do médico, na maioria das vezes, a criança com dificuldade de aprendizagem passava a ser considerada, por muitas pessoas, como um ser incapaz de criar e produzir conhecimento.
Mesmo hoje, não podemos ignorar que, diante de qualquer desvio do padrão de comportamento, principalmente na escola, a primeira hipótese de explicação ainda faz referência a um possível problema mental.
Como sujeito dotado tão somente de cabeça, desprovido de corpo, emoção e sentimento, a criança distante dos padrões de competência foi, até há bem pouco tempo, vítima de um julgamento equivocado e parcial.
Esse procedimento se modificou somente há poucas décadas, em decorrência, principalmente, dos avanços nas pesquisas neurológicas comprovando a plasticidade do cérebro que, mesmo lesado, tem condições de reconstituir-se e garantir seu funcionamento, bem como da Psicologia, em especial a Psicanálise, cuja contribuição está sendo significativa no sentido de colaborar para que a criança seja também considerada como dotada de sentimentos, que desde a vida intra-uterina influenciam o seu comportamento. A Pedagogia, igualmente, acabou por repensar a sua prática, investigando mais profundamente a relação ensino-aprendizagem. E todos esses profissionais, atuando integradamente, deram um impulso à questão.
Há que se destacar que, com o surgimento e contribuições da Psicopedagogia, todos os conceitos envolvidos no aprender estão sendo reconsiderados. Por aprendizagem, por exemplo,  estendeu-se o conceito para além do conhecimento formal, acadêmico. Qualquer sujeito, independente do seu comprometimento corporal, orgânico, cultural ou psicológico se relaciona e elabora aprendizagem, pois é um ser social, que estabelece relações vinculares durante toda a sua existência.
A prática psicopedagógica mais moderna nos tem mostrado que, mesmo na "ignorância", a criança assim persiste certamente por elaborar mecanismos inteligentes de defesa ou de manutenção de uma dinâmica grupal na qual se encontra inserida.

Nos dias de hoje, fica cada vez mais evidente que se faz necessário considerar o aspecto orgânico como importante na avaliação do problema de aprendizagem, no entanto é, também, indispensável que os aspectos cognitivos e afetivos sejam ponderados na elaboração do diagnóstico, como também no tratamento indicado.

Além desses fatores, não se pode deixar de levar em conta os níveis econômicos e culturais em que o grupo familiar da criança se encontra, bem como o tipo de escola que freqüenta, uma vez que, se forem bem entendidas e encaminhadas as dificuldades de aprendizagem, as crianças/alunos podem ter assegurada uma relação mais harmônica, coerente e saudável com o conhecimento.
Finalmente, é indispensável registrar que equipes multidisciplinares, compostas por médicos, pedagogos, psicopedagogos, psicólogos, professores e demais profissionais envolvidos, cada vez mais, se colocam a serviço dos casos de problemas de aprendizagem, colaborando para que as crianças encaminhadas possam desfrutar plenamente sua cidadania


2 Fundamentação Teorica



2.1 Dificuldades de Aprendizagem

Estima-se que, no Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas tem algum tipo de necessidade especial. As necessidades especiais podem ser de diversos tipos: mental, auditiva, visual, físico, conduta ou deficiências múltiplas. Deste universo, acredita-se que, pelo menos, noventa por cento das crianças, na educação básica, sofram com algum tipo de dificuldade de aprendizagem relacionada à linguagem: dislexia, disgrafia e discalculia. Entre elas, a dislexia é a de maior incidência e merece toda atenção por parte dos gestores de política educacional, especialmente a de educação especial.


A dislexia é a incapacidade parcial de a criança ler compreendendo o que se lê, apesar da inteligência normal, audição ou visão normais e de serem oriundas de lares adequados, isto é, que não passem privação de ordem doméstica ou cultural. Encontramos disléxicos em famílias ricas e pobres.
Enquanto as famílias ricas podem levar o filho a um psicólogo, neurologista ou psicopedagogo, uma criança, de família pobre, estudando em escola pública, tende a asseverar a dificuldade persistir com o transtorno de linguagem na fase adulta. Talvez, por essa razão, isto é, por uma questão de classe social, a dislexia seja uma doença da classe média, exatamente porque, temporão, os pais conseguem diagnosticar a dificuldade e partir para intervenções médicas e psicopedagógicas.

A Federação Mundial de Neurologia, que em 1968 definia a dislexia como: "Uma desordem, que se manifesta pela dificuldade de aprender a ler, apesar de a instrução ser a convencional, a inteligência normal, e das oportunidades socioculturais. Depende de distúrbios cognitivos fundamentais, que são, frequentemente, de origem constitucional" (Rebelo,1993, p.101).


Dificuldades de aprendizagem é um termo geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e utilização da compreensão auditiva, da fala, da escrita e do raciocínio matemático, tais desordens consideradas intrínsecas ao individuo, presumindo-se que sejam devidas a uma disfunção do sistema nervoso central, podem ocorrer durante a vida toda.


2.1.1 Dislexia

Dislexia é uma dificuldade especifica na aprendizagem da linguagem, que se apresenta na língua escrita, vai emergir nos momentos iniciais da leitura e da escrita, mas já se encontrava subjacente a esse processo de reconhecer, reproduzir, identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras, organizando-os corretamente.

As dificuldades de aprendizagem, presentes na dislexia, são alterações decorrentes das dificuldades especificas no processamento lingüístico, que tem a leitura e a escrita como suas ferramentas principais.
Em geral, as dificuldades de aprendizagem costumam ser atribuídas a:
a) Variáveis pessoais tais como a hereditariedade ou as lesões cerebrais.

b) Variáveis ambientais como ambientes familiar e educacionais pobres.



c) Uma combinação interativa de ambos os tipos.
Importante é pensar a dislexia como uma modalidade peculiar de processamento da linguagem, o que vem sendo cada vez mais pesquisado pelas ciências neuro-cognitivas, tendo a linguagem como vetor. A pessoa com dislexia, ou com fatores disléxicos, mereceria ser examinada e acompanhada por profissionais especializados em linguagem, para que não venham a ser confundidos os sintomas de distúrbios de linguagem com distúrbios de aprendizagem. Vale relembrar, alguém não é apenas a dificuldade que apresenta, esta é só um detalhe de uma paisagem, rica, complexa e bela.
Sabemos que a dislexia é um dos mais severos transtornos da aprendizagem, já que afetam à principal ferramenta de acesso ao conhecimento: a leitura.
Apesar de que não existem muitos dados de prevalência no Brasil, as percentagens se estimam ao redor de 5%.
De igual modo que outros transtornos da aprendizagem, a solução ou minimização do problema depende em boa parte de um diagnostico e tratamentos precoces, ainda que não é conveniente falar de dislexia antes dos 7 anos.
Vamos fazer uma contextualização geral da dislexia, já que em nossa prática diária apreciamos que muitas pessoas da comunidade educativa utilizam esta terminologia sem ter a suficiente base empírica na qual se sustentar.
As causas da dislexia são ou podem ser múltiplas: dificuldades na percepção visual, incapacidade para organizar-se espacialmente, problemas do desenvolvimento psicomotor, dificuldades de orientação temporária, menor rendimento da memória, dificuldades no processamento auditivo, ainda que é a hipótese lingüística e de deficiências no desenvolvimento da linguagem é a que adquire mais importância.
O que está claro, e assim nos o demonstram os recentes estudos e investigações, é que a dislexia é um problema de origem neurológica, que conquanto com o tempo podem remeter-se, a pessoa que o padece deverá aprender a conviver com ele ao longo da vida.
Para ajudar a entender de forma simples como atua a dislexia, devemos primeiro conhecer qual é o modelo de leitura que normalmente utilizamos, denominado modelo de dupla rota. Por um lado, quando nos enfrentamos a uma palavra, frase ou texto, seguimos uma rota de tipo fonológico, já que convertemos grafemas (letras) em fonemas (sons) e desta maneira vamos lendo letras, sílabas, palavras. Portanto, realizamos uma decodificação leitora.
Mas paralelamente também pomos em prática a chamada rota visual, consistente em comparar a forma ortográfica general da palavra (sem decodificá-la) com a recordação, ou em termos técnicos léxico visual, que temos dela. Desta maneira, quando temos que ler por exemplo a palavra habitação, utilizamos a rota léxica, não sendo necessário decodificá-la, já que vendo sua estrutura global recordamos de anteriormente tê-la lido que aí há habitação.
Quando falha, com a suficiente intensidade e sintomatologia, algum destas rotas de acesso à leitura, é quando se produz a dislexia, podendo ser esta:
Dislexia visual: A leitura se produz por rota fonológica.
A dislexia visual é a dificuldade para seguir e reter seqüências visuais e para a análise e integração visual de quebra-cabeças e tarefas similares. Esta dificuldade caracteriza-se pela inabilidade para captar o significado dos símbolos da linguagem impressa. Não esta relacionada com problemas de visão, só com a inabilidade de captar o que se vê. A maioria percepciona letras invertidas e percepciona também invertidas algumas partes das palavras e têm problemas com as seqüências. Este tipo de dislexia é o mais fácil de corrigir, por meio de exercícios adequados podem-se aprender os signos gráficos com precisão e gradualmente aprender seqüências; porém a lentidão pode persisti.
Dislexia fonológica: A leitura se produz pela rota visual.
A dislexia fonológica caracteriza-se pela ocorrência dos chamados erros semânticos i.e., o sujeito lê "roda" no lugar de "pneu", bem como pela grande dificuldade em ler palavras desconhecidas. Por não existir na nossa língua, um disléxico profundo experimentaria grandes dificuldades ou não seria mesmo capaz de ler a pseudopalavra "beringíneo".
Dislexia mista: Apresentam-se problemas nas duas rotas anteriores.
O modo de orientação detalha somente alguns dos sintomas ou sinais de alertas que nos devem pôr em pré-aviso de possível dislexia:


  • Leitura mecânica, lenta, imprecisa e pouco compreensiva.




  • Retificações, vacilações e saltos de linha à hora de ler.




  • Omissões, substituições, inversões, vícios& tanto de letras como de sílabas, junto com uniões e fragmentações de palavras.

Entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes e, até, geniais experimentarem dificuldades paralelas em seu caminho diferencial do aprendizado, é desafio que a Ciência vem deslindando paulatinamente, em130 anos de pesquisas. E com o avanço tecnológico de nossos dias, com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas sobre o que é Dislexia.


A dislexia é uma das mais comuns dificuldades de aprendizagem segundo pesquisas realizadas 20% de todas as crianças sofrem de dislexia, portanto é um fato preocupante para especialistas, pais, educadores, psicólogos e médicos e constitui-se em um problema social de grande gravidade.
Em virtude disso, mundialmente pesquisam-se processos capazes de resolver esta situação, nem sempre com bons resultados, é de supor que os resultados pouco satisfatórios, até então obtidos, resultem de uma abordagem incompleta do problema Dislexia.
A dislexia vai emergir nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita, mas já se encontrava subjacente a este processo, é uma dificuldade especifica nos processamentos da linguagem para reconhecer, reproduzir, identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras, organizando-os corretamente. Tem sempre como causa elementar a relação espacial desvirtuada, fazendo com que a criança não consiga compreender suficientemente os identificadores da escrita. Não é um problema de inteligência, nem uma deficiência visual ou auditiva, tampouco um problema afetivo emocional, temos várias pessoas famosas disléxicas, tais como: Leonardo da Vinci, Tom Cruise, Albert Einstein, Bill Gates, Anthony Hopkins, Pasteur, Julio Verne, Spielberg e Ágata Christie, entre muitos outros.
Se caracteriza como um distúrbio da coordenação do desempenho cerebral, e que é necessária no período da aprendizagem da leitura, e nada tem a ver com o coeficiente mental, pois é comum que pessoas muito inteligentes apresentem esse problema,não se rejeita a possibilidade de que o disléxico seja um individuo superdotado, com uma aptidão mental especial, inventivo , produtivo, e com capacidade de liderança, os sintomas da dislexia pode afetar a aprendizagem da leitura e escrita, porém não danifica a criatividade, idéias, talentos e aspirações. Como a linguagem é fundamental para o sucesso escolar, os disléxicos lidam quase sempre com a dificuldade de calcular, porque deparam com dificuldades em entender os enunciados das questões matemáticas.
Não existe cura para a dislexia, pois sendo um distúrbio, o disléxico sempre será disléxico.


2.1.2 A criança disléxica

Estas crianças, geralmente, apresentam uma atenção instável em conseqüência da fadiga que advém do empenho na superação das dificuldades perceptivas e um grande desinteresse pelo estudo, dado que geralmente o rendimento e as classificações baixas provocam falta de motivação e de curiosidade.


O aluno disléxico exige um tratamento diferenciado por parte dos professores e da instituição.Diferenciado no sentido de que precisa de mais atenção para aprender a matéria, precisa ser submetido a outro tipo de avaliação, que não a convencional aplicada pelas escolas.

É direito, já está na constituição para deficiências físicas e de aprendizado. Mas a maioria das escolas ainda se mostra resistente a isso, porque significa mais trabalho e alguns professores até evitam saber sobre o assunto, revela João Alberto Inhaez.


As principais características escolares são observáveis, basicamente, na leitura, na escrita e na matemática. Nesta última, ainda que a criança manifeste uma atitude positiva, são consideráveis as dificuldades em manipular os símbolos numéricos. Entre as matérias escolares em que as dificuldades podem ter particular incidência contam-se a história (problemas em captar as sequências temporais), a geografia (dificuldade no estabelecimento de coordenadas) e a geometria (dificuldades nas relações espaciais).
De forma geral, a leitura das crianças disléxicas é lenta, sem ritmo, com leitura parcial de palavras, perda da linha que está a ser lida, confusões quanto à ordem das letras - por exemplo: "sacra" em vez de "sacar", inversões de letras ou palavras - por exemplo: "pro" em vez de "por" e mistura de sons ou incapacidade para ler fonologicamente. Por sua vez a escrita, pode ser afetada a componente motora do ato de escrever, provocando compressão e cansaço muscular. Esta pode ser responsável por uma caligrafia difícil de se ler, com letras pouco diferenciadas, mal elaboradas e mal proporcionadas. Elas apresentam combinações de sintomas, em intensidades de níveis que variam entre o sutil e o severo, de modo absolutamente pessoal, em algumas delas a um número maior de sintomas e sinais, em outras são observadas somente algumas características, essas que pesar de todas as dificuldades, conseguem ler e aprender, mas vão carregando a sua dislexia camuflada.
No plano da linguagem, as crianças fazem confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia como "a-o", "e-d", "h-n" e "e-d", por exemplo.
Apresentam uma caligrafia muito defeituosa, verificando-se irregularidade do desenho das letras, denotando, assim, perda de concentração e de fluidez de raciocínio, confusão com letras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço como " b-d". "d-p", "b-q", "d-b", "d-p", "d-q", "n-u" e "a - e".
A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: "d-t" e "c-q", por exemplo.
A maior dificuldade que a criança com dislexia encontra, e de reconhecer as palavras sem confundi-las com outras que tem fonemas parecidos. Elas não reconhecem os fonemas individuais somente conseguem ouvir o som da palavra inteira.
As principais dificuldades apresentadas pela criança disléxica, de acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), são:


  • Demora a aprender a falar, a fazer laço nos sapatos, a reconhecer as horas, a pegar e chutar bola, a pular corda.




  • Tem dificuldade para: - escrever números e letras corretamente; - ordenar as letras do alfabeto, meses do ano e sílabas de palavras compridas; - distinguir esquerda e direita.




  • Necessita usar blocos, dedos ou anotações para fazer cálculos. Apresenta dificuldade incomum para lembrar a tabuada




  • Sua compreensão de leitura é mais lenta do que o esperado para a idade;




  • O tempo que leva para fazer as 4 operações aritméticas parece ser mais lento do que se espera p/ sua idade.




  • Demonstra insegurança e baixa apreciação de si mesma




  • Confunde-se às vezes com instruções, números de telefones, lugares, horários e datas.




  • Atrapalha-se ao pronunciar palavras longas.




  • Tem dificuldade de planejar e fazer redações.

O esforço de lutar contra essas dificuldades, faz com que a criança manifeste sintomas como dores de cabeça, abdominais ou transtornos de comportamento.


Em geral, essa criança é considerada relapsa, desatenta, preguiçosa, sem vontade de aprender, o que cria uma situação emocional que tende a se agravar, especialmente em função da injustiça que possa vir a sofrer.
A motivação é muito importante para a criança disléxica, pois, ao se sentir limitada, inferiorizada, ela pode se revoltar e assumir uma atitude de negativismo. Por outro lado, quando se vê compreendida e amparada, ganha segurança e vontade de colaborar.
Como existe sempre relação entre a palavra impressa e o som, a criança precisa primeiro aprender a ler para depois escrever.
Assim, entre as sugestões apresentadas para ajudar a criança disléxica, pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD), destacamos:


  • Estabelecer horários para as refeições, sono, deveres de casa e recreações.




  • As roupas do disléxico devem ser arrumadas na seqüência que ele vai vestir para evitar confusões e preocupações à criança.




  • Quando for ensinar a amarrar os sapatos, não fique de frente para a criança; coloque-se ao seu lado, com os braços sobre os ombros dela.




  • Como a criança disléxica tem dificuldade para saber as horas, marque no relógio com palavras, as horas das obrigações. Isso evita a preocupação da criança.




  • Para as que têm dificuldade de direita e esquerda, uma marca é necessária. Isso pode ser feito com um relógio de pulso, um bracelete ou um botão pregado no bolso do lado favorecido.




  • Reforçar a ordem das letras do alfabeto, cantando e dividindo-as em pequenos grupos.




  • Ensinar a criança a sentir as letras através de diferentes texturas de materiais, como areia, papel, veludo, sabão, etc.




  • Ler histórias que se encontrem no nível de entendimento dela




  • Providenciar para que a criança use lápis e caneta grossos, com película de borracha ao redor e que sejam de forma triangular.




  • A criança disléxica confunde-se com o volume de palavras e números com que tem de se defrontar. Para evitar isso, arranjar um cartão de aproximadamente 8cm e comprimento por 2cm de largura, com uma janela no meio, da largura de uma linha escrita e comprimento de 4cm.




  • Deslizando o cartão na folha à medida que a criança lê, ele bloqueia o acesso visual para as linhas de baixo e de cima e dirige a atenção da criança da esquerda para a direita.


2.1.3 Sintomas e sinais da dislexia

De acordo com a sociedade brasileira de educação inclusiva (SOBREI), a apresentação de alguns ou vários desses sintomas não significa que a pessoas seja disléxica, mas que apresenta um quadro de risco.


Na primeira infância:


  • atraso no desenvolvimento motor desde a fase do engatinhar, sentar e andar;




  • atraso ou deficiência na aquisição da fala, desde o balbucio á pronúncia de palavras;




  • parece difícil para essa criança entender o que está ouvindo;




  • distúrbios do sono;




  • enurese noturna;




  • suscetibilidade à alergias e à infecções;




  • tendência à hiper ou a hipo-atividade motora;




  • chora muito e parece inquieta ou agitada com muita freqüência;




  • dificuldades para aprender a andar de triciclo;




  • dificuldades de adaptação nos primeiros anos escolares.

O sintoma mais conclusivo acerca do risco de dislexia em uma criança, pequena ou mais velha, é o atraso na aquisição da fala e sua deficiente percepção fonética. Quando este sintoma está associado a outros casos familiares de dificuldades de aprendizado - dislexia é, comprovadamente, genética, afirmam especialistas que essa criança pode vir a ser avaliada já a partir de cinco anos e meio, idade ideal para o início de um programa remediativo, que pode trazer as respostas mais favoráveis para superar ou minimizar essa dificuldade.


A dificuldade de discriminação fonológica leva a criança a pronunciar as palavras de maneira errada. Essa falta de consciência fonética, decorrente da percepção imprecisa dos sons básicos que compõem as palavras, acontece, já, a partir do som da letra e da sílaba. Essas crianças podem expressar um alto nível de inteligência, "entendendo tudo o que ouvem", como costumam observar suas mães, porque têm uma excelente memória auditiva. Portanto, sua dificuldade fonológica não se refere à identificação do significado de discriminação sonora da palavra inteira, mas da percepção das partes sonoras diferenciais de que a palavra é composta. Esta a razão porque o disléxico apresenta dificuldades significativas em leitura, que leva a tornar-se, até, extremamente difícil sua soletração de sílabas e palavras. Por isto, sua tendência é ler a palavra inteira, encontrando dificuldades de soletração sempre que se defronta com uma palavra nova.
Porque, freqüentemente, essas crianças apresentam mais dificuldades na conquista de domínio do equilíbrio de seu corpo com relação à gravidade, é comum que pais possam submetê-las a exercícios nos chamados "andadores" ou "voadores". Prática que, advertem os especialistas, além de trazer graves riscos de acidentes, é absolutamente inadequada para a aquisição de equilíbrio e desenvolvimento de sua capacidade de andar, como interfere, negativamente, na cooperação harmônica entre áreas motoras dos hemisférios esquerdo-direito do cérebro. Por isto, crianças que exercitam a marcha em "andador", só adquirem o domínio de andar sozinho, sem apoio, mais tardiamente do que as outras crianças.
Além disso, o uso do andador como exercício para conquista da marcha ou visando uma maior desenvoltura no andar dessa criança, também contribui, de maneira comprovadamente negativa, em seu desenvolvimento psicomotor potencial-global, em seu processo natural e harmônico de maturação e colaboração de lateralidade hemisférico-cerebral.
Alguns sinais na idade escolar:


  • Dificuldade na aquisição e desenvolvimento das habilidades lingüísticas;

  • Dificuldade com análise e síntese dos sons de uma palavra;

  • Pobre reconhecimento de rima (sons iguais no fim das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);

  • Desatenção e dispersão;

  • Dificuldade na coordenação motora fina: desenhos, pinturas, etc.;

  • Dificuldade na coordenação motora grossa: ginástica, dança, etc.

  • Desorganização geral: como exemplo podemos citar os cantantes atrasos na entrega de trabalhas escolares;

  • Dificuldades visuais, com impacto na organização do trabalho no papel e na postura da cabeça para escrever;

  • Confusão entre direita e esquerda;

  • Dificuldade em manusear mapas, dicionários, etc.;

  • Dificuldade na linguagem e na fala, com vocabulário pobre, sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas;

  • Dificuldade de memória de curto termo, como as que se referem a instruções, dígitos, tabuadas, etc.;

  • Problemas de conduta, com desenvolvimento de retração, timidez excessiva ou depressão (pode ocorrer ainda de se tornar o "palhaço" da turma);

  • Dificuldade de copiar de livros ou da lousa;

  • DIficuldade na leitura;

  • Dificuldade na matemática e desenho geométrico;

  • Dificuldade em aprender uma segunda língua;

  • Grande desempenho em provas orais;

  • Disnomias(darnomesaobjetosepessoas).

Quando sinais só aparecem enquanto a criança é pequena, ou se alguns desses sintomas somente se mostram algumas vezes, isto não significa que possam estar associados à Dislexia. Inclusive, há crianças que só conquistam uma maturação neurológica mais lentamente e que, por isto, somente têm um quadro mais satisfatório de evolução, também em seu processo pessoal de aprendizado, mais tardiamente do que a média de crianças de sua idade.


Pesquisadores têm enfatizado que a dificuldade de soletração tem-se evidenciado como um sintoma muito forte da Dislexia. Há o resultado de um trabalho recente, publicado no jornal Biological Psychiatry e referido no The Associated Press em 15/7/02, onde foram estudadas as dificuldades de disléxicos em idade entre 7 e 18 anos, que reafirma uma outra conclusão de pesquisa realizada com disléxicos adultos em 1998,constando do seguinte:
Que quanto melhor uma criança seja capaz de ler, melhor ativação ela mostra em uma específica área cerebral, quando envolvida em exercício de soletração de palavras. Esses pesquisadores usaram a técnica de Imagem Funcional de Ressonância Magnética, que revela como diferentes áreas cerebrais são estimuladas durante atividades específicas. Esta descoberta enfatiza que essa região cerebral é a chave para a habilidade de leitura, conforme sugerem esses estudos.
Essa área, atrás do ouvido esquerdo, é chamada região ocipto-temporal esquerda. Cientistas que, agora, estão tentando definir que circuitos estão envolvidos e o que ocorre de errado em Dislexia, advertem que essa tecnologia não pode ser usada para diagnosticar Dislexia.
Esses pesquisadores ainda esclarecem que crianças disléxicas mais velhas mostram mais atividade em uma diferente região cerebral do que os disléxicos mais novos. O que sugere que essa outra área assumiu esse comando cerebral de modo compensatório, possibilitando que essas crianças conseguiam ler, porém somente com o exercício de um grande esforço.
Alguns sinais na fase adulta:


  • Continua a ter dificuldade na leitura e escrita;

  • Dificuldade para soletrar;

  • Memória imediata prejudicada;

  • Dificuldade em dar nomes a objetos e pessoas (disnomias);

  • Dificuldade em aprender uma segunda língua;

  • Dificuldades em organização geral;

  • Comprometimento emociona





  1   2   3   4


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal