Informe técnico I



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PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE

VIGILÂNCIA EM SAÚDE - COVISA

GERÊNCIA DO CENTRO DE CONTROLE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS

NÚCLEO MUNICIPAL DE CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR





INFORME TÉCNICO XIX

Outubro 07
Hemoculturas positivas com crescimento de Staphylococcus coagulase negativo: contaminação de coleta ou infecção da corrente sangüínea?

As falhas na técnica asséptica de coleta de sangue para hemoculturas têm se relacionado com a ocorrência de falsos diagnósticos de infecção da corrente sangüínea por microrganismos que colonizam a pele do paciente. A ocorrência de eventuais “pseudo-surtos” de infecção da corrente sangüínea determina o uso incorreto de antimicrobianos. Por outro lado, a coleta de hemoculturas dos pacientes com quadro clínico compatível com bacteremia é conduta fortemente recomendada pela literatura e o Staphylococcus epidermidis foi o microrganismo identificado com maior prevalência no crescimento em hemoculturas, de pacientes críticos internados em UTI adulto de hospitais públicos e privados, da cidade de S.Paulo, no período de 2005-2006. Com objetivo de aprimorar o diagnóstico de bacteremias verdadeiras e baseado nas recomendações técnicas do Centro de Controle de Doenças dos EUA e de artigos técnico-científicos, foram elaborados critérios com pistas para uma definição mais apurada de casos de bacteremia verdadeira e falsa bacteremia causada por Staphylococcus coagulase-negativo:


Bacteremia verdadeira:

  • Isolamento de Staphylococcus coagulase-negativos em 2 ou mais frascos de hemocultura.

  • Evidência clínica de infecção (pelo menos um dos seguintes): febre > 38º.C, calafrios, hipotensão arterial sistêmica. Para crianças < 12 meses acrescentar: hipotermia, apnéia, bradicardia.

  • Crescimento de Staphylococcus coagulase-negativos em 48 horas ou menos após a coleta.

Critério complementar:

  • Paciente em uso de dispositivo intravascular.


Falsa bacteremia:

  • Crescimento microbiano em hemoculturas > 48 hs.

  • Uma hemocultura negativa quando colhidas 2 amostras.

  • Hemocultura positiva para Staphylococcus coagulase-negativo sem evidência clínica de infecção.


Para reduzir riscos de contaminação de hemoculturas com a microbiota que coloniza a pele do paciente, torna-se importante a atenção à técnica asséptica de coleta de sangue e do processamento de hemoculturas no laboratório de microbiologia.
Referências bibliográficas:

1. Análise crítica da pseudosepticemia e falso negativo:valor diagnóstico das hemoculturas Rev Ass Med Brasil 43(1): 9-14, 1997.

2. Infecção pelo estafilococo coagulase-negativo em recém-nascidos: mito ou verdade? Jornal de pediatria 78(4):255-256, 2002.

3.What is the optimal schedule for obtaining blood cultures? Clin Infect Dis 35:842-50, 2002.



4. Manual ANVISA: Pediatria Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar –Ed. ANVISA, 2006




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