Informe sobre febre amarela



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NÚCLEO DE EPIDEMIOLOGIA – SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE BH – MARÇO/2001


INFORME SOBRE FEBRE AMARELA


  1. INTRODUÇÃO

Diante da ocorrência de casos confirmados de febre amarela silvestre em pacientes residentes ou provenientes da região Centro Oeste de Minas Gerais, o Núcleo de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde vem informar alguns aspectos da doença e alertar os profissionais para que incluam a febre amarela entre suas possibilidades diagnósticas. Em especial, caso venham a atender pacientes provenientes dos municípios de Martinho Campos, Florestal, Pitangui, Onça do Pitangui, Leandro Ferreira, Conceição do Pará, Nova Serrana, Santo Antônio do Monte, Bom Despacho, Divinópolis, Arcos, Moema , principalmente aqueles que estiveram em áreas rurais ou silvestres próximos às margens do Rio Pará e seus afluentes ( Lambari, Santana e outros) e com quadro clínico compatível.


2 - ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS
A Febre Amarela (FA) é uma doença febril aguda, de curta duração (no máximo 12 dias), e de gravidade variável. A forma grave caracteriza-se clinicamente por manifestações de insuficiência hepática e renal, que podem levar à morte.
Agente Etiológico: o agente causal da Febre Amarela é o vírus amarílico (vírus da febre amarela), um arbovírus pertencente ao gênero Flavivirus, família Flaviviridae.
Formas Epidemiológicas: a Febre Amarela pode apresentar-se sob duas formas epidemiologicamente distintas: Febre Amarela Urbana e Febre Amarela Silvestre. Semelhantes dos pontos de vista etiológico, fisiopatológico, imunológico e clínico, as diferenças entre elas dizem respeito à localização geográfica, espécie vetorial e tipo de hospedeiro.

A febre amarela silvestre ocorre acidentalmente pela penetração do homem no ciclo enzoótico natural (situação onde a doença é endêmica entre os macacos). Isto porque, pessoas não vacinadas, entram em área de mata onde há circulação do vírus entre os macacos e ali são infectados.

A FAS tem um comportamento cíclico e é sempre precedida de epizootias, com mortandade em macacos.

No Brasil, a FAU encontra-se erradicada desde 1942, quando foi registrada no município de Sena Madureira , no Acre.


Reservatório: na Febre Amarela Urbana (FAU), o homem é o único hospedeiro vertebrado com importância epidemiológica. Na Febre Amarela Silvestre (FAS), os macacos são os principais hospedeiros vertebrados do vírus amarílico, sendo o homem um hospedeiro acidental.
Vetores: O mosquito da espécie Aedes aegypti é o principal transmissor da Febre Amarela Urbana. Na Febre Amarela Silvestre, os transmissores são mosquitos com hábitos eminentemente silvestres, sendo que os dos gêneros Haemagogus e Sabethes são os mais importantes na América Latina. No Brasil, a espécie Haemagogus janthinomys é a que mais se destaca na transmissão do vírus entre os primatas .
Modo de Transmissão: na FAU, através da picada do mosquito Aedes aegypti infectado no ciclo de transmissão: homem → Aedes aegypti→ homem. Na FAS, pela picada de espécies de mosquitos silvestres do gênero Haemagogus no ciclo: macaco → mosquito silvestre→ homem.
Período de Incubação: de três a seis dias após a picada do mosquito infectado, com um período máximo de 10 dias (infecção produzida em laboratório).
Período de Transmissão: começa um dia antes do início dos sintomas e vai até o 3º ou 4º dia da doença. Não se transmite por contágio direto, nem através de objetos contaminados. O período de incubação extrínseco no Aedes aegypti, dura, em média, de nove a doze dias. Uma vez infectado, o mosquito pode transmitir o vírus amarílico durante toda sua vida.
Suscetibilidade e Imunidade: Imunidade ativa: a doença confere imunidade por um longo período, não se conhecendo recidivas. A vacina confere imunidade ativa artificial por um período mínimo de 10 anos. Imunidade passiva: os filhos de mães imunes podem apresentar imunidade passiva e transitória até o 6º mês de vida.
Distribuição:
1. Febre Amarela Silvestre:. A maioria dos casos se verifica entre adultos, do sexo masculino, entre 15 a 45 anos de idade. Essa distribuição se explica pela exposição ocupacional ou outras relacionadas ao contato com ambientes silvestres, tais como garimpeiros, pescadores, agricultores, etc.

A distribuição dos casos por mês tem demonstrado que a maior freqüência da doença ocorre nos meses de janeiro a abril, período com maior índice pluviométrico, quando a densidade vetorial é elevada.



2. Febre Amarela Urbana: A forma urbana pode ocorrer em qualquer localidade desde que exista população humana suscetível, presença de Aedes aegypti e reintrodução do vírus.
Letalidade: Em inquéritos realizados após surtos da doença, demonstrou-se que até 90% da população apresenta anticorpos recém adquiridos. No Brasil, no período de 1980 a 1997 a taxa média de letalidade foi 58,8%, variando de 22,9 % a 100,0%. A letalidade da febre amarela grave é de aproximadamente 50%. No entanto, considerando-se todas as formas clínicas, é da ordem de 5%. Fatores que influem na gravidade da doença não estão bem identificados, mas devem ser consideradas as diferenças entre as cepas de vírus, a quantidade de vírus infectantes e à exposição anterior a outros flavivírus.

3- ASPECTOS CLÍNICOS
O espectro clínico da FA varia desde infecções assintomáticas ou oligossintomáticas até formas fatais. Caracteriza-se por apresentar quadro clínico bifásico, separadas por curto período de remissão. A viremia ocorre durante a primeira fase, quando o quadro clínico é inespecífico e corresponde às formas leves e moderadas. A segunda fase é caracterizada por disfunção hepato-renal e hemorragias e corresponde às formas graves.

O número de casos das formas leves e moderadas representa 90% do total de casos de infecção. Os restantes 10% são formas graves.




  • Forma leve e moderada: Caracterizada por início abrupto, com febre alta e pulso lento em relação à temperatura (sinal de Faget), cefaléia, dores musculares, náuseas, vômitos e prostração. Geralmente, no 3º ou 4º dia há remissão do quadro. Pode haver evolução para cura ou, horas depois, para a forma grave.




  • Forma grave: reaparecimento de febre, exacerbação das manifestações clínicas descritas anteriormente e queda progressiva e rápida do estado geral, surgindo sintomas de insuficiência hepática evidenciados por icterícia, vômitos borráceos, diarréia, dor abdominal alta, hematêmese, melena e outras manifestações hemorrágicas (como equimoses, gengivorragias e epistaxes). Os sinais e sintomas são ligados ao comprometimento multissistêmico. Sinais de desidratação associados a oligúria e outros sinais de insuficiência renal e comprometimento do sensório, podendo evoluir até o coma. Pode haver bradicardia em presença de hipotensão.

Pode ocorrer, ao final de 1 semana, recuperação completa ou óbito.



  • Forma fulminante: tem início abrupto dos sintomas, com sinais prodrômicos e discreta, ou mesmo

ausência, de sinais de comprometimento hepato-renal. Não há evolução bifásica. O quadro toxêmico

pode instalar-se antes do 4º dia, com prognóstico grave, registrando-se alta letalidade, mesmo em

regime de terapia intensiva. Coagulação intravascular disseminada está comumente associada. O

óbito pode ocorrer precocemente, em 24 a 72 horas após início dos sintomas.




  1. - DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA FEBRE AMARELA




  1. EXAMES GERAIS DE ACOMPANHAMENTO DOS PACIENTES:

Nas formas leves e moderadas, que apresentam quadro clinico benigno e autolimitado não há alterações laboratoriais importantes.

Considerando-se os prováveis órgãos e sistemas acometidos, a princípio indica-se o acompanhamento diário do hemograma completo, plaquetas, RNI, bilirrubinas, transaminases, uréia e creatinina. Outros exames devem ser solicitados de acordo com a gravidade e a evolução da doença.
As alterações laboratoriais mais freqüentemente observadas são:



  • Leucograma: inicialmente pode ocorrer discreta leucocitose (com neutrofilia e intenso desvio à esquerda e eosinopenia). À partir do 3º dia, leucopenia (1500 a 2500 cel/mm3), linfocitose e desvio à esquerda, com eosinopenia.

  • Trombocitopenia

  • Distúrbios da coagulação sangüínea (aumento do tempo de protrombina, tempo de coagulação e tromboplastina parcial). Diminuição dos fatores de coagulação sintetizados pelo fígado (II, V, VII, IX e X).

  • Elevações importantes das transaminases séricas, em geral acima de 1000UI (especialmente da TGP, devido à injúria viral hepática, do miocárdio e da musculatura esquelética)

  • Hiperbilirrubinemia (com predomínio da BD, que pode alcançar 20 mg% ou mais)

  • Elevação dos níveis de uréia e creatinina sérica, em até 5 ou 6 vezes

  • Albuminúria, hematúria e cilindrúria

  • Oligúria com baixa densidade, reflete o dano tubular renal

  • Alterações eletrocardiográficas (bradicardia sinusal, anormalidades do segmento ST e T, especialmente elevação das ondas T e extra sístoles).


Os níveis séricos de TGO e TGP, uréia e creatinina são importantes indicadores laboratoriais da gravidade da doença.

Por outro lado, elevação dos níveis de bilirrubinas e fosfatase alcalina não tem valor prognóstico.

b) CONFIRMAÇÃO LABORATORIAL


Pode ser feita através de diagnóstico sorológico, virológico e histopatológico.


  1. Virológico: a etiologia pode ser confirmada pelo isolamento viral e pela detecção de antígenos virais e/ou ácido nucléico viral (através da técnica de PCR).

ENTRE O 1º E O 5º DIA DO INÍCIO DOS SINTOMAS, PARA REALIZAÇÃO DE ISOLAMENTO VIRAL:

Coletar 7 – 10 ml de sangue entre o 1º e o 5º dia do início dos sintomas, centrifugar e enviar o soro o mais urgente possível para o laboratório de sorologia da FUNED – Av. Conde Pereira Carneiro, 80 - Gameleira, acondicionado em gelo reciclável ou gelo comum. A amostra deve ser devidamente identificada com o nome completo do paciente, data da coleta e data de início dos sintomas, acompanhada da Ficha de Investigação Individual de Febre Amarela. Até o envio da amostra ao laboratório, esta deverá ser conservada em gelo seco, nitrogênio líquido ou em último caso em geladeira a 4º C.


  1. Sorológico: vários testes podem ser utilizados, sendo a reação imunoenzimática de captura IgM (MAC ELISA) um dos melhores métodos.

A PARTIR DO 6º DIA DE INÍCIO DE SINTOMAS, PARA REALIZAÇÃO DE MAC ELISA:

Coletar amostra de sangue (7 – 10 ml de sangue sem anticoagulante) para processamento de IgM por Mac Elisa, devendo este também ser transportado para o laboratório da FUNED devidamente acondicionada e identificada, acompanhada de Ficha de Investigação Individual de Febre Amarela.
Coletar esta amostra mesmo já tendo sido colhida a primeira amostra para o isolamento viral.
c) Histopatológico: é realizado a partir de espécimes obtidos “post-mortem”. Para realização de isolamento viral e sorologia, o sangue deve ser puncionado diretamente do coração. As maiores lesões anátomo- patológicas são encontradas no fígado e rins.

DIAGNÓSTICO EM CASO DE ÓBITO SUSPEITO, EM QUALQUER FASE DA DOENÇA:

No caso de ocorrerem óbitos suspeitos de febre amarela, além da solicitação do isolamento viral e da sorologia, devem ser retirados dois fragmentos de fígado, rim, coração, baço, linfonodos e cérebro, através de viscerótomo ou punção aspirativa, preferentemente nas primeiras 8 horas e no máximo até 12 horas após o óbito. Colocar uma amostra em recipiente estéril e levar imediatamente ao freezer para isolamento viral e a outra amostra em frasco com formalina tamponada para histopatologia, mantendo-a em temperatura ambiente. Identificar os frascos e preencher a Ficha de Identificação Individual de Febre Amarela.
Caso não seja possível realizar este procedimento no Hospital , os pacientes deverão ser encaminhados ao IML para a coleta de material para realização de estudo anátomo-patológico. Preencher a Ficha de Identificação Individual de Febre Amarela.


5 - DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

A febre amarela é de difícil reconhecimento nos estágios precoces quando pode ser confundida com dengue, leptospirose, febre maculosa, outras ricketsioses, hepatites virais, hantaviroses, malária, e febre tifóide.

Os dados epidemiológicos podem indicar a princípio, quais as doenças mais prováveis. Pesquisar: história de viagens nos últimos dez dias (local e data), contatos com roedores e águas naturais, com carrapatos, história de circulação de alguma das doenças citadas nas localidades onde vive ou transitou.

Embora algumas manifestações clínicas sejam mais freqüentemente encontradas em uma doença, em todas elas o espectro clínico pode ser bastante amplo, apresentando desde formas assintomáticas até formas graves, com rápida evolução para o óbito. Com as formas graves, o diagnóstico diferencial deve ser feito principalmente com:




  • Febres hemorrágicas virais: grupo complexo de doenças produzidas por arbovírus, que inclui a FHD (febre hemorrágica do dengue) constitui o maior problema de diagnóstico diferencial, uma vez que os dados clínicos e epidemiológicos têm vários pontos comuns. O diagnóstico diferencial é possível mediante investigação epidemiológica, identificação do vírus, estudos sorológicos, alterações histopatológicas típicas e conhecimento de áreas de incidência destas doenças.

  • Leptospirose: manifestações digestivas são menos pronunciadas. Hemorragias são mais tardias. Os níveis de transaminases estão discretamente aumentados. VHS aumentada é favorável à leptospirose.

  • Hepatite Viral: a febre é pouco acentuada ou ausente. Uréia e creatinina são normais e há ausência de albuminúria.

  • Febre maculosa: lesões de porta de entrada e exantemáticas que surgem após o 3º dia da doença, bem como início tardio da icterícia.

  • Malária: a anemia é precoce, com presença de esplenomegalia, menor tendência hemorrágica e aumento discreto das transaminases. A pesquisa do parasita no sangue (por gota espessa), confirma imediatamente o diagnóstico. Pode haver concomitância das duas doenças, já que ambas podem ser adquiridas nas mesmas condições epidemiológicas.

  • Septicemia por gram negativo, cursando com icterícia: menor freqüência de hemorragias e aumento discreto das transaminases. Hemocultura positiva fecha o diagnóstico.

Pensar também em outros diagnósticos diferenciais de menor freqüência: febre tifóide, febre recorrente, intoxicações por fósforo, tetracloreto de carbono, halotano, etc.




6 -TRATAMENTO
Não há tratamento específico. Nas formas leves e moderadas faz-se apenas tratamento sintomático da febre, cefaléia, mialgias a artralgias. O ácido acetil salicílico está contra-indicado, da mesma forma que nos casos de Dengue, devido ao aumento dos riscos de sangramento. Estão indicados a dipirona e o paracetamol

Nas formas graves é necessária internação hospitalar e, por se tratar de doença sistêmica com comprometimento de múltiplos órgãos, pode haver necessidade de transferência para UTI. O tratamento visa, fundamentalmente, a correção das disfunções hepática, renal, da coagulação e hemodinâmica.




a) PROTOCOLO PARA ATENDIMENTO AO PACIENTE COM QUADRO ICTÉRICO/HEMORRÁGICO/FEBRIL


Com o objetivo de orientar o atendimento clínico e rotinizar o processo de investigação epidemiológica, apresentamos um protocolo de assistência que poderá ser modificado de acordo novos achados laboratoriais/epidemiológicos.


O médico da sala de emergência deve pesquisar e caracterizar os seguintes sinais e sintomas:


  • Febre

  • Cefaléia

  • Dor retro-orbitária

  • Náuseas

  • Vômitos

  • Diarréia

  • Exantema

  • Mialgia

  • Tosse

  • Dispnéia

  • Prostração

  • Dor Abdominal

  • Sangramentos

  • Hemorragia Conjuntival

  • Alteração urinária (oligúria)

  • Icterícia


Observações: como os sinais e sintomas são inespecíficos, o diagnóstico diferencial extenso: “viroses”, dengue, influenza, “hantavirose”, apendicite aguda, bacteremias e septicemias, colagenoses, colecistite aguda, febre tifóide, infecção de vias aéreas superiores e inferiores, malária, pielonefrite aguda, riquetsioses, toxoplasmose, menigites, febre amarela, dentre outras. Por isso se faz necessário um acompanhamento clínico/laboratorial rigoroso dos pacientes que apresentarem o quadro descrito acima, lembrando que a população está sujeita a várias outras doenças que podem se apresentar inicialmente com um quadro clínico muito semelhante.

- Coleta de Dados Epidemiológicos Importantes:

  • Contato com o córrego ou coleções de água com excreções de animais.

  • Contato com doentes.

  • Deslocamento para outros municípios nos últimos 30 dias.

  • Atividade Ocupacional.

  • Exposição à pesticidas e/ou medicamentos.

  • Vacinação para Febre Amarela ( ) sim ( ) não Quando?________________

  • Contato/Manipulação de fezes de ratos.

  • Contato com carrapatos



- Avaliação Clínica



Exame Físico minucioso, com especial atenção para a presença de exantema, icterícia, hemorragia conjuntival, dor à palpação abdominal, hepato-esplenomegalia, medida de pressão arterial, temperatura axilar, avaliação da hidratação, frequência cardíaca e respiratória, além de realização de Prova do Laço.
Deve ser feita uma avaliação rápida do paciente para detecção precoce e tratamento das anormalidades ameaçadoras da vida.
Todo paciente crítico deve ser monitorado: eletrocardiograma e oximetria de pulso contínua.

A permeabilidade das vias aéreas (Airway) é sempre o primeiro passo, seguido da avaliação da qualidade da ventilação e oferta de oxigênio (Breathing). A circulação (Circulation), só deve ser abordada quando as etapas anteriores forem adequadamente avaliadas e tratadas. Todo paciente em choque deve ter sua via aérea garantida, com intubação endotraqueal assim que possível.


São importantes a freqüência cardíaca, a pressão arterial, a perfusão e pulsos periféricos e a perfusão cerebral. Os pulsos centrais devem ser pesquisados na região femural e carotídea em adultos, e braquial e femural em lactentes.
Não há necessidade de alteração de valores de pressão arterial para se caracterizar o estado de choque. Este achado pode ser tardio já mostrando descompensação dos mecanismos fisiológicos do sistema cardiovascular.
O débito urinário pode servir de parâmetro para avaliação do fluxo sangüíneo renal, devendo ser de 1 a 2 ml/Kg/h em crianças e de pelo menos 0,5 ml/Kg/h em adultos.



  1. Exames a serem realização na Unidade de Pronto Atendimento:




  • Hemograma completo (Eritrograma, leucograma, hematócrito e plaquetas)

  • Uréia

  • Creatinina

  • Transaminases

  • Bilirrubinas

  • Fosfatase Alcalina

  • Atividade de Protrombina/RNI

  • ASTO

  • Urina Rotina

  • Rx de Tórax



  1. Exames Sorológicos:

Colher 10 ml de sangue sem anticoagulante e centrifugar, armazenando o soro em geladeira de 4 a 80C . Comunicar com a referência técnica de Epidemiologia do Distrito Sanitário da Unidade.



  • Solicitar sorologia para:

  • Leptospirose

  • Febre Maculosa

  • Dengue

  • Hantavirose

  • Febre Amarela

  • Hepatite B


Recomendação: Para os pacientes internados, de acordo com os critérios acima, solicitar hemocultura e coleta de material para isolamento de vírus (deve ser colhido nos primeiros dias da doença – fase febril). Deve ser feito contato imediato com a Epidemiologia do Distrito Sanitário da Unidade ou com o plantão da SMSA através do telefone: 9982-4229.

- Tratamento

O tratamento inicial para a maioria das apresentações de choque é a infusão de cristalóides, freqüentemente em grandes quantidades. Para isso temos sempre que garantir pelo menos 2 bons acessos venosos. Preferencialmente devemos eleger os cateteres de número 14 ou 16 em veias superficiais dos membros superiores.


O “paciente chocado” deve receber cristalóide o rapidamente quanto possível, sendo a dose habitual de um a dois litros em adultos e de 20 ml/Kg em criança. O uso da PVC pode ser de muito auxílio no controle da administração de líquidos, mesmo em uma unidade de pronto atendimento.
Se o paciente se mantiver em choque apesar da reposição volêmica, deve receber aminas vasoativas.

Se existir a hipótese diagnóstica de origem séptica, deve-se iniciar antibiocoterapia o mais precocemente possível após coleta de material para cultura.




  • Medidas de suporte de acordo com a necessidade do caso. Lembre-se que não se deve aguardar rebaixamento de nível pressórico para fazer diagnóstico de choque – que deve ser tratado agressivamente com cristalóide (acesso periférico com um ou dois jelcos calibrosos).




  • Medicamentos Sintomáticos.




  • Antibioticoterapia o mais precocemente possível, após coleta de material para sorologia




  • Adultos: Penicilina G Cristalina – 1.500.000 unidades EV de 6 em 6 horas durante 7 dias

  • Crianças: Penicilina G Cristalina – 100.000 unidades/Kg/dia EV, dividida em quatro doses por dia.


PARÂMETROS PARA INDICAÇÃO DE TERAPIA INTENSIVA


  • Pacientes com oligúria ( 20ml/h) azotemia progressiva, hipercalemia e choque.

  • Hemorragia gastrointestinal , coagulação intravascular disseminada e Icterícia.

  • Alterações de comportamento, convulsões coma.

  • Insuficiência respiratória.

  • Arritmias , principalmente com e bloqueios do sistema de condução e alterações do segmento ST e T do ECG.


CONDUTAS COM O PACIENTE EM TERAPIA INTENSIVA
Uma vez admitido na terapia intensiva o paciente será tratado com medidas suportivas, visando a correção dos distúrbios metabólicos e volêmicos a manutenção do estado nutricional e a monitorização respiratória e se necessário, ventilação mecânica. O quadro é de sepse pelo vírus da febre amarela podendo evoluir com graus variados de insuficiência de múltiplos órgãos. Portanto, indica-se o tratamento suportivo utilizado para outros tipos de sepse, já de domínio dos intensivistas e preconizado nos protocolos dos CTIs.


  • Pacientes com insuficiência renal progressiva deverão ser submetidos a tratamento dialítico .

  • O uso de componentes sangüíneos (plaquetas, plasma e glóbulos ) podem ser indicados para pacientes com distúrbios de coagulação e hemorragias.

  • A incidência de sangramentos intestinais pode ser reduzida pela administração preventiva de inibidores da bomba de próton e antagonistas H2 .

  • Infecções secundárias podem advir durante esta fase sendo importante causa de óbito . Diante destas complicações os pacientes deverão ser tratados com antimicrobianos,conforme as recomendações da CCIH das respectivas instituições.

  • Não há necessidade de isolamento dos pacientes durante a sua permanência na UTI, exceto se o mesmo for portador de microorganismos multiresistentes. Nestes casos, seguir normas específicas da CCIH.


7 – VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Conduta frente a um Caso:

A ocorrência de casos suspeitos de Febre Amarela requer imediata notificação por telefone ao Serviço de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Belo Horizonte, através das Referências em Epidemiologia dos Distritos Sanitários ou do plantão da Epidemiologia para que sejam acionadas as medidas de controle necessárias. Proceder, também, a coleta de material para realização de exames laboratoriais, seguida do preenchimento da ficha individual de notificação de Febre Amarela.


Definição de Caso suspeito:

Todo paciente residente e/ ou procedente de área endêmica para Febre Amarela silvestre (Norte e Centro Oeste do Brasil) ou de áreas onde estejam sendo detectados surtos (vide Informe Técnico de 28/02/2001) ou mortandade de macacos, e que apresente quadro clínico sugestivo.


Caso Confirmado:

Todo paciente com quadro clínico compatível, que apresente diagnóstico laboratorial confirmado através de:



  • Isolamento do vírus ou PCR positivo em amostras de sangue ou tecido hepático e/ou

  • Achado de IgM específica em uma amostra sangüínea, pela técnica de MacElisa e/ou

  • Achados característicos na anatomia patológica e na imunohistoquímica ou

  • Aumento de 4 vezes ou mais (em intervalo de cerca de 15 dias) na dosagem de IgG, atrvés da técnica de imunofluorescência.



8- MEDIDAS DE CONTROLE
VACINAÇÃO: A vacinação antiamarílica pode ser aplicada a partir dos seis meses de idade, especialmente naqueles que se dirigirem para as regiões endêmicas ou epidêmicas. Na população de residentes em Belo Horizonte, ela está sendo indicada nos maiores de 9 meses de idade, por não se tratar de região endêmica. Sua eficácia esta em torno de 99% , com formação de anticorpos protetores 7 a 10 dias após a vacinação. Mantém-se eficaz por um período de 10 anos.

As reações vacinais mais freqüentes são : dor local, cefaléia, mal estar e febre baixa e podem surgir do 5º ao 10º dia pós vacinação, com duração de 1 a 2 dias. As contra-indicações são: crianças menores de 06 meses, gestantes (exceto em situações de emergência epidemiológica), em processos infecciosos agudos, imunossuprimidos, pessoas debilitadas, hipersensíveis a ovo de galinha e seus derivados.


CONTROLE DO VETOR: Não há medida de controle eficaz contra o vetor silvestre. Em Belo Horizonte, o controle do Aedes aegypti é realizado pela Secretaria Municipal de Saúde de acordo com as técnicas preconizadas no “Manual de Normas Técnicas –Instruções para Pessoal de Combate ao Vetor”- FNS/MS, 1977.
9-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



  1. MANDELL,G.L. PRINCIPLES AND PRACTICE OF INFECTIOUS

DISEASES. 5º EDIÇÃO, PHILADELPHIA : CHURCHILL

LIVINGSTONE,2000.

2 ) TONELLI, E. DOENÇAS INFECCIOSAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA.

2º EDIÇÃO, RIO DE JANEIRO: MEDSI, 2000.

3 ) VERONESI, R. TRATADO DE INFECTOLOGIA SÃO PAULO:

ATHENEU, 1996.

4 ) BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. GUIA BRASILEIRO DE

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. 5º EDIÇÃO. BRASÍLIA:

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, 1998.



5)BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. MANUAL DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DE FEBRE AMARELA.BRASÍLA: FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, 1999.









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