Iii encontro científico e simpósio de educaçÃo unisalesiano educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins, 17 – 21 de outubro de 2011



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III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO

UNISALESIANO

Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores

Lins, 17 – 21 de outubro de 2011







ANÁLISE DO EQUILÍBRIO, MARCHA E A INCIDÊNCIA DE QUEDAS EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS

ANDREZZA PARRA DA SILVA

RESUMO

Com o crescimento mundial da população idosa, a preocupação em relação à capacidade funcional vem surgindo como novo destaque para a estimativa da saúde desse segmento etário. Esse aumento gera maior probabilidade de ocorrência de doenças crônicas e, com isso, o desenvolvimento de incapacidades associadas ao envelhecimento.



O envelhecimento manifesta-se por declínio das funções dos diversos órgãos e sistemas, que caracteristicamente tendem a ser lineares em função do tempo, não se conseguindo definir um ponto exato de transição. O termo “idoso” refere-se à pessoa com 65 anos em países desenvolvidos e com sessenta anos nos países em desenvolvimento. (PAPALÉO NETTO,2006).

De acordo com Soares, A. V. et al. (2003), nem todas as pessoas chegam à velhice nas mesmas condições: umas são mais vigorosas, mais autônomas e mais desenvolvidas do que outras, que não conseguem conservar seu dinamismo.Assim, alguns idosos estão mais propensos do que outros a diversas condições patológicas.Um idoso fragilizado por qualquer enfermidade, especialmente as que levam a alterações da mobilidade, equilíbrio e controle postural, ou mesmo a uma perturbação do equilíbrio, fica predisposto a quedas.

Segundo Ruwer, S. L. et al. (2005), a queda é considerada um evento crítico na vida do idoso, sendo o acidente mais freqüente entre eles, que pode gerar desde escoriações leves até limitações de atividade de vida diária (AVDs), fraturas, medo de quedas, perda de independência funcional, imobilidade, isolamento social. Em razão das suas complicações é considerada a principal causa de morte naqueles com idade superior a 65 anos. Seu risco aumenta com o passar dos anos e sua maior prevalência é no sexo feminino, explicada pelo fato de as mulheres apresentarem média de idade mais elevada que os homens, podendo, assim, ter mais chances de distúrbios de equilíbrio.

Nos idosos, as quedas estão intimamente relacionadas com a marcha e a postura. Com o envelhecimento, podem ocorrer distúrbios no controle motor e na marcha, acarretando maiores chances de perturbações auto-induzida. O risco de quedas aumenta no idoso em comparação a um indivíduo jovem, pois sabe-se que, com o avançar da idade, há uma diminuição na quantidade e qualidade das informações enviadas ao sistema nervoso central; a falta de um controle postural eficiente reduz seu equilíbrio, tornando-o mais suscetível a quedas, mesmo em situações mínimas de desestabilização.Outro fator que pode contribuir para o risco de quedas é a diminuição da força muscular. (GAZZOLA, J. M. et al. 2006).

Para PAIXÃO JUNIOR., C. M.; HECKMANN, M. (2002), dentre os idosos que relataram grande medo de quedas, 91% reportaram ao menos uma característica de fragilidade, 22% relataram demora para se levantar após uma queda e 85% teriam equilíbrio prejudicado.O equilíbrio, ou controle postural, pode ser definido como o “processo pelo qual o Sistema Nervoso Central gera os padrões de atividade muscular necessários para regular a relação entre o centro de gravidade e a base de suporte.

Esse equilíbrio pode ser considerado de duas formas: a primeira, quando o indivíduo se encontra na postura ereta, denominado “equilíbrio estático”, ou seja, quando consegue manter seu centro de gravidade sobre a sua base de suporte; a outra, durante a marcha, denominada de “equilíbrio dinâmico”. Quando o corpo está em equilíbrio estável e é deslocado por uma força externa, pode reagir de três maneiras: retornar a sua posição original, ir para uma nova posição e mover-se para longe da posição original, denominados, respectivamente, de equilíbrio estável, neutro e instável. (SANVITO, W. L. 2000).

Segundo GAZZOLA, J. M. et al. ( 2006), os sistemas responsáveis pelo controle postural são sensorial (visão, somatossensorial e vestibular), efetor (força, amplitude de movimento e alinhamento biomecânico) e processamento central.Esses sistemas podem sofrer influências decorrentes das alterações fisiológicas do envelhecimento, doenças crônicas, interações farmacológicas ou disfunções específicas.

A força da gravidade e outras forças desestabilizadoras devidas ao movimento do corpo e sua interação com o ambiente colaboram para a instabilidade postural do indivíduo. (PAIXÃO JUNIOR., C. M.; HECKMANN, M. , 2002).

Hoje, sabe-se que um dos principais fatores que limitam a vida do idoso é o desequilíbrio. Estima-se que a prevalência de queixas de equilíbrio nos idosos acima de 65 anos chegue a 85%, podendo se manifestar como desequilíbrio, desvio de marcha, instabilidade, náuseas e quedas freqüentes. (RUWER, S. L. et al., 2005).

Atualmente, não há um consenso na literatura sobre qual a idade ou faixa etária em que os idosos começam a perder o equilíbrio. Porém, Bittar, R. S. M. et al. (2002) citam em seu trabalho que em mais da metade dos casos o desequilíbrio é visto como conseqüência de um comprometimento do sistema de equilíbrio como um todo, tendo origem, aproximadamente, entre os 65 e os 75 anos, e cerca de 30% dos idosos apresentam os sintomas nesta idade.

Quando a capacidade funcional começa a se deteriorar é que os problemas começam a surgir. O conceito está intimamente ligado à manutenção da autonomia, dependência e a transferência do idoso para uma instituição, caso não seja possível mobilizar recursos financeiros e familiares para cuidar do idoso em sua própria casa, recorrendo à internação quando a sobrecarga torna-se insuportável ou supõem que o idoso não está recebendo assistência adequada.

A institucionalização do idoso está diretamente ligada a fatores como: classe social, manifestação de doença e disfunção, sendo que imobilidade, instabilidade, incontinência e perdas cognitivas são os principais.A internação do idoso em uma instituição de longa permanência pode se apresentar como única saída para a família, frente à não disponibilidade do suporte familiar, financeiro e psicológico que o mesmo necessita. Nestas instituições, o indivíduo vive na forma de internato, por tempo determinado ou não.A institucionalização por si só já representa um fator de risco, já que os idosos institucionalizados necessitam de atenção, suporte e serviços especializados, pois a grande maioria é fragilizada e apresenta morbidades físicas ou mentais, tornando-os mais propensos a quedas. Pelo seu isolamento social, inatividade física e processos psicológicos, subentende-se que quanto maior o tempo de institucionalização, maior a debilidade do idoso (SANTOS; ANDRADE, 2005).

Para Carvalhães, L. et al (1998), um dos motivos das taxas de quedas serem maiores nas instituições é que nestas o ambiente parece ser menos complexo e mais restrito quando comparado á comunidade.Além disso, as instituições são cuidadosas em documentar cadê queda e, na comunidade, há sub-notificação e algumas nem são lembradas.

Segundo Papaléo Netto (2006), entre os idosos residentes nas instituição, aproximadamente a metade sofre uma queda todo o ano, em que 10 a 15% apresentam conseqüências graves.

As estimativas de idosos que sofrem quedas a cada ano são: indivíduos com mais de 65 anos em torno de 30%, outros com mais de 80 anos com 40% e aqueles intitucionalizados com 66% (GUCCIONE,2002).

Portanto, tendo em vista o envelhecimento como um acontecimento inevitável, acompanhado de declínio funcional, com conseqüentes alterações posturais de equilíbrio, episódios de queda, e o fato de mais idosos chegarem a idades mais avançadas, percebeu-se a importância do tratamento multiprofissional, interdisciplinar e também da prevenção. Assim, este estudo tem o objetivo avaliar o equilíbrio e a marcha e estabelecer parâmetros para identificar idosos com maior suscetibilidade de cair.

Para esse estudo optou-se pela Escala de Equilíbrio de Berg e o teste “Timed Up and Go” (TUG), que apresenta boa correlação com medidas laboratoriais e clínicas relativas às quedas e instabi­lidade.

A Escala de Berg é um instrumento validado, de avaliação funcional do equilíbrio composta de 14 tarefas com cinco itens cada e pontuação de 0-4 para cada tarefa: 0 - é incapaz de realizar a tarefa e 4 - realiza a tarefa independente.O escore total varia de 0- 56 pontos,quanto menor for a pontuação, maior é o risco para quedas; quanto maior, melhor o desempenho. (GAZZOLA et al., 2006). A escala foi adaptada para aplicação no Brasil por Miyamoto et al. (2004), apresentando em cada item escores de 0-4 e um tempo determinado para cada tarefa; tem como pontuação para risco de quedas escore abaixo de 45 pontos.

Proposto por Podsiadlo & Richardson (1991) o teste TUG avalia o equilíbrio sentado, transferência de sentado para a posição de pé, estabilidade na deambulação e mudanças do curso da marcha, sem utilizar estratégias compensatórias. O paciente é solicitado a levantar-se de uma cadeira, deambular uma distância de 3m, virar-se, retornar e sentar-se na cadeira novamente, sendo o seu desempenho analisado em cada uma das tarefas através da contagem do tempo necessário para realizá-las. Pacientes adultos, independentes e sem alterações no equilíbrio realizam o teste em 10 segundos ou menos, os que são dependentes em transferências básicas realizam o teste em 20 segundos ou menos e os que necessitam mais de 30 segundos para realizar o teste são dependentes em muitas atividades de vida diária e na habilidade da mobilidade.

A analise será realizado no Asilo São Vicente de Paulo, situado na rua: Álvaro Sampaio Silva, 700, bairro: Córrego do Barbosa, na cidade de Lins-SP, no período de fev./outubro de 2011.A amostra será composta por indivíduos idosos com faixa etária acima de 65 anos de ambos os sexos.




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