I primeiros anos



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D) Paixão mariana
Poucas horas depois de ter sido eleito Papa (17 de Outubro de 1978), dirigindo-se a todo o mundo, a fim de enunciar as grandes linhas de seu pontificado, ele afirmou: "Nesta hora, [...] não podemos deixar de voltar, com filial devoção, o nosso olhar para a Virgem Maria [...], repetindo as palavras "Totus Tuus" (todo teu), que [...] gravamos em nosso coração e em nossas armas, no dia da ordenação episcopal".

D 1) Consagração a Jesus Cristo pelas mãos de Maria: Totus Tuus


Durante o seu longo pontificado, nas mais diversas situações, ele tinha os seus olhos voltados constantemente para Nossa Senhora.

Aproveitou-se de ocasiões solenes ou intimas, visitas a grandes santuários

ou a pequenas igrejas e capelas, fóruns internacionais ou encontros privados para, sempre, renovar a sua "consagração a Cristo pelas mãos de Maria" (RMa 48).

Ele escolheu este meio para mostrar ao mundo seu amor à Virgem Maria e o seu desejo de viver fielmente esse compromisso de fidelidade a sua devoção mariana. E assim ele agiu até ao fim de sua vida.

De onde ele auriu e encontrou fundamentos para essa entranhada

devoção a Nossa Senhora?

Sem dúvida alguma, na Tradição Católica e nos exemplos de vida de inúmeros santos. Contudo, a mariologia de João Paulo II foi beneficamente influenciada, sobretudo, por S. Luís Maria Grignion de

Montfort (1673-1716) que afirmava: "Toda a nossa perfeição consiste em sermos configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo. Portanto, a mais perfeita de todas as devoções é, incontestavelmente, aquela que nos configura, une e consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo.

Ora, sendo Maria, entre todas as criaturas, a mais configurada a Jesus Cristo, daí se conclui que, de todas as devoções, a que melhor consagra e configura uma alma a nosso Senhor é a devoção a Maria, Sua Santa Mãe;

e quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais será a Jesus Cristo" (Tratado, 120 - in RVM 15).

Na vida de Carlos Wojtyła, o Totus tuus tornou-se como que o respiro da sua alma, o palpitar do seu coração a partir de 1940 quando descobriu, aos vinte anos, o Tratado de Montfort. Muitas vezes, João Paulo II falará acerca de tudo isto. Fê-lo de modo especial em 1996, no momento do seu

50º aniversário de sacerdócio no livro “Dom e Mistério”. Segundo o seu

testemunho, foi um leigo, Jan Tyranowski – agora Servo de Deus –, quem lhe fez conhecer o Tratado de Montfort e as Obras de São João da Cruz,

abrindo-o à mais profunda vida espiritual, nos anos duríssimos da ocupação nazi na Polónia. O jovem Carlos tinha que trabalhar como operário numa fábrica, descobrindo progressivamente no mesmo período a sua vocação para o sacerdócio. Falando deste período, João Paulo II

insistia sobre o fio «mariano» que guiara toda a sua vida desde a infância, na sua família, na sua paróquia, na devoção carmelita ao escapulário e na

devoção salesiana a Maria Auxiliadora. A descoberta do Tratado – recorda

o Papa – ajudou-o a dar um passo decisivo no seu caminho mariano, superando uma certa crise: «Houve um momento no qual de

certa forma pus em questão o meu culto por Maria considerando que ele,

dilatando-se excessivamente, acabasse por comprometer a supremacia do

culto devido a Cristo. Então serviu-me de ajuda o livro de São Luís Maria

Grignion de Montfort com o título Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Encontrei nele a resposta às minhas perplexidades. Sim, Maria aproxima-nos de Cristo, conduz-nos a Ele, com a condição de que se viva o seu mistério em Cristo (...). O autor é um teólogo de classe. O seu pensamento mariológico está radicado no mistério trinitário e na

verdade da Encarnação do Verbo de Deus (...). Está assim explicada a

proveniência do Totus tuus. A expressão provém de São Luís Maria Grignion de Montfort. É a abreviação da forma mais completa da entrega

à Mãe de Deus que ressoa assim: Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria» (Dom e mistério, pp. 38-39).

Estas palavras em latim, continuamente rezadas e copiadas por Carlos Wojtyla nas primeiras páginas dos seus manuscritos, encontram-se no final do Tratado de Montfort, quando o santo convida o fiel a viver a comunhão eucarística com Maria e em Maria. É preciso ressaltar que este Totus Tuus se torna para sempre, de 1940 até 2005, a directriz de toda a vida de Carlos Wojtyła, como seminarista e sacerdote, depois como Bispo


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e Papa. Quando, em 1958, é nomeado por Pio XII bispo auxiliar de Cracóvia, escolhe já o Totus Tuus como lema episcopal, juntamente com o brasão que simboliza Cristo Redentor e Maria ao Seu lado, o mesmo que conservará como Papa. E sobretudo vivê-lo-á até ao fim, nos grandes sofrimentos dos últimos meses. Depois da traqueotomia, já não podendo

falar, escreverá por último as palavras Totus Tuus. Sabe-se também através


das pessoas mais próximas dele que lia todos os dias um trecho do Tratado.

Nos seus escritos, João Paulo II fez muitas vezes referência a São Luís Maria, como por exemplo na Redemptoris Mater (n. 48). Mas, de modo particular, nos finais do seu pontificado, deixou-nos uma lindíssima síntese

da sua doutrina interpretada à luz do concílio Vaticano II, na sua Carta aos religiosos e às religiosas das famílias monfortinas de 8 de Dezembro de 2003. Este é, talvez, o texto mais iluminador para compreender o profundo significado teológico do Totus tuus e do brasão episcopal.

No início da Carta (n. 1), João Paulo II narra de novo a sua descoberta

pessoal, com referência ao seu livro Dom e mistério. Citando depois o

Tratado, ele insiste sobre a principal característica da sua doutrina: «A verdadeira devoção mariana é cristocêntrica». O fundamento desta doutrina é evidentemente o Evangelho. E é precisamente a partir do texto de São João que é explicado o brasão e o lema Totus tuus: «A Igreja, desde as suas origens, e sobretudo nos momentos mais difíceis, contemplou com particular intensidade um dos acontecimentos da Paixão de Jesus Cristo referido por São João: – Junto da Cruz de Jesus estavam Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cleófas, e Maria de Magdala. Ao ver a

Sua Mãe e junto dEla, o discípulo que Ele amava, Jesus disse a Sua mãe: 'Mulher, eis aí o teu filho'! Depois, disse ao discípulo: 'eis aí a tua mãe!' E desde aquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa» (Jo 19, 25-27). Ao longo da sua história, o Povo de Deus experimentou este dom feito por Jesus crucificado: o dom de Sua mãe. Maria Santíssima é deveras a nossa mãe, que nos acompanha na nossa peregrinação de fé, esperança e caridade rumo à união cada vez mais intensa com Cristo, único salvador e mediador da salvação (cf. Lumen gentium, 60 e 62). Como se sabe, no meu brasão episcopal, que é a ilustração simbólica do texto evangélico agora citado, o lema Totus tuus inspira-se na doutrina de São Luís Maria Grignion de Montfort (cf. Dom e mistério, pp. 38-39; Rosarium Virginis Mariae, 15). Estas duas palavras expressam a pertença total a Jesus por meio de Maria: 'Totus tuus ego sum, et omnia mea tua sunt', escreve São Luís Maria».

É no final do Tratado que se encontram as palavras em latim, acima citadas, continuamente recopiadas por Carlos Wojtyla, sacerdote, bispo e Papa. Luís Maria ensina a viver a santa comunhão com Maria. Trata-se de renovar a consagração do baptismo nas mãos de Maria para receber com Ela o Corpo de Jesus: «Renovarás a tua consagração, dizendo: Totus tuus

ego sum, et omnia mea tua sunt. Sou todo teu, minha querida Senhora;

com tudo o que me pertence. Implorarás a esta boa Mãe para que te empreste o seu coração, para nele acolher o seu Filho com as suas mesmas disposições (...). Pedir-lhe-ás o Seu Coração com estas ternas palavras: Accipio te in mea omnia, praebe mihi cor tuum, o Maria [Considero-te como todo o meu bem, dá-me o teu coração, ó Maria!]» (Tratado da verdadeira devoção à santa Virgem, 266).

Estas palavras são dirigidas ao fiel para a sua plena participação na Eucaristia. Mas têm evidentemente um valor particular para o sacerdote

que celebra a Santa Missa. S. Luís Maria di-lo, sempre no final do Tratado, convidando a renovar esta consagração mariana «antes de celebrar ou de participar na Santa Missa, na Comunhão».

As palavras: Accipio te in mea omnia («Considero-te como todo o meu bem») são a aprovação pessoal do texto do Evangelho: Accepit eam discipulus in sua («O discípulo recebeu-A em sua casa», Jo 19, 27). Maria é um dom que o discípulo recebe continuamente do próprio Jesus, e que acolhe na doação de si expressa pelas palavras Totus tuus ego sum («Sou todo teu»).

Mas este dom de Maria vem sempre de Jesus e conduz sempre a Jesus. E o sentido do pedido Praebe mihi cor tuum, Maria («concede-me o Teu Coração, ó Maria»). Não se trata principalmente de amar Maria, mas antes de amar Jesus com o Coração de Maria. A verdadeira devoção a Maria é cristocêntrica. O discípulo que recebe do próprio Jesus o dom de Maria mediante a doação total de si mesmo, entra por meio dela no mistério da

Aliança, na profundidade do intercâmbio admirável entre Deus e o homem em Cristo Jesus. «Deus fez-Se homem para que o homem se tornasse Deus», diziam os Padres da Igreja. O Filho de Deus desceu do Céu e encarnou-Se por obra do Espírito Santo no seio virginal de Maria, para

nos elevar com ele ao seio do Pai. Maria ocupa o mesmo lugar no

movimento «descendente» da encarnação e no movimento «ascendente» da nossa divinização. Como a Suma teológica de São Tomás de Aquino, também o Tratado de Montfort é totalmente articulado segundo esta dinâmica de exitus et reditus, ou seja, de ida e volta entre Deus e o homem em Jesus Cristo.

A «devoção perfeita a Maria» ensinada por São Luís Maria consiste essencialmente na doação total de si expressa no Totus tuus, integrando todas as boas práticas de devoção, especialmente o rosário. Mas mais

profundamente é «prática interior», vida interior, um caminho de vida espiritual profunda que deve levar à santidade. Não há dúvida que João Paulo II viveu esta espiritualidade mariana no nível mais alto da união transformadora com Cristo. O pedido Praebe mihi cor tuum, o Maria foi satisfeito. O próprio S. Luís Maria, que tem a experiência maravilhosa desta «identificação mística com Maria» espera que a sua doutrina dê muitos frutos nos séculos sucessivos da Igreja.

Ao apresentar os «efeitos maravilhosos» (Tratado da verdadeira devoção à santa Virgem, 213-225) desta «perfeita devoção», S. Luís Maria mostra-

-nos corno a pessoa que vive plenamente o Totus Tuus caminha com Maria pela estrada da humildade evangélica, que é via de amor, de fé e de esperança. No final da sua Carta aos religiosos e religiosas das famílias monfortinas, João Paulo II sintetiza este ensinamento do Tratado sempre à

luz da “Lumen Gentium”. A santidade à qual todos são chamados mais não é do que a perfeição da caridade. Nesta vida sobre a terra, a humildade é a maior característica da caridade. «É próprio do amor

submeter-se», escreveu Santa Teresa de Lisieux no início da sua História de uma alma. É o mesmo amor de Deus que em Jesus se faz pequeno e pobre do presépio até à cruz. E é o significado profundo da «escravidão do

amor».


O ponto final da “Lumen Gentium” era a contemplação de «Maria, sinal de esperança certa e de conforto para o Povo de Deus peregrino» (n. 68-69). Sob esta luz termina também a Carta à família monfortina de João Paulo II, citando as últimas linhas da “Lumen Gentium” e resumindo a doutrina de Montfort sobre a esperança vivida com Maria, defendendo-o sobretudo contra a acusação injusta de «milenarismo». E recorda-se como, na antífona da Salve Rainha, a Igreja chama a mãe de Deus «nossa Esperança».

Em todas as dificuldades da vida sacerdotal, Maria é e será sempre a âncora da esperança, uma esperança certa para o futuro da Igreja e para a salvação do mundo.

Por isso, quando jovem seminarista, o beato João Paulo II consagrara-se a Maria como “escravo de amor”, segundo a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort.

E assim continuou durante toda a sua vida:

Bispo – toma como lema “totus tuus”

Papa – o “Totus Tuus” está presente no brasão pontifício

Quando escrevia à mão o que viria a ser uma futura encíclica punha em cima as palavras “Totus Tuus”

Finalmente, à hora da morte, as suas últimas palavras são “Totus Tuus”

Vejamos agora novamente (embora já se tenha falado disso no início quando vimos o brasão de João Paulo II nas páginas 22 a 24) a parte mariana do seu brasão pontifício:

Descrição e interpretação dos focos marianos no brasão: O campo de blau representa o firmamento celeste e ainda o manto de Nossa Senhora,

A letra "M" representa a Virgem Maria, principal intercessora do género humano, que esteve todo o tempo junto à cruz de seu Filho ("Iuxta crucem lacrimosa" Cf. Jo 19,25), sendo de jalde (ouro), tem o significado já descrito deste metal.

No listel o lema "TOTVS TVVS", é uma expressão da imensa confiança do

Papa na Mãe de Deus: "Sou todo teu, Maria", sendo que ele colocou toda a sua vida sacerdotal sob a protecção da Virgem. Por outro lado, queria igualmente recordar a consagração feita a Maria na sua juventude pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort (Foto 4, pág. 23).

Comentário: Assim como seu lema, “Totus Tuus”, o brasão (escudo pontifício) do Papa João Paulo II reflete seu amor e devoção à Virgem Maria. Na sua surpreendente simplicidade, o escudo dele é uma clara expressão da importância que o Papa reconhecia em Santa Maria como eminente cooperadora na obra da reconciliação realizada por seu Filho.

O seu brasão demonstra o amor terno e filial à Mãe do Senhor Jesus e é um constante convite a todos os filhos da Igreja para que reconheçam o papel da Virgem de cooperadora na obra da reconciliação, assim como sua dinâmica função materna para com cada um de nós. De fato, entregando-se filialmente a Maria, o cristão, como o Apóstolo João, “acolhe entre seus próprios bens” a Mãe de Cristo e a introduz na sua vida interior, isto é, em seu “eu” humano e cristão. Assim, o cristão busca entrar no raio de ação daquela “caridade maternal”, com a que a Mãe do Redentor “cuida dos irmãos do Filho dela” e “a cuja geração e educação coopera” segundo a medida do Dom, própria de cada qual pela virtude do Espírito de Cristo. Assim se manifesta também aquela maternidade conforme o espírito, que chegou a ser a função de Maria ao pé da Cruz e no Cenáculo.


Foto 25
D 2) História de uma devoção


Na verdade, a relação de Carlos Wojtyla com nossa Senhora começou quando ele era menino. Foi com a sua mãe que aprendeu a ter-Lhe uma devoção materna. A mãe consagrou-o aos cuidados de nossa Senhora de Czestochowa, padroeira de todos os polacos. O pequeno Carlos aprendeu não somente a rezar Ave-Maria, mas também a chamar nossa Senhora de mãe e amiga.
Desde então, a Virgem Maria tornou-se um referencial de vida e devoção para ele. À noite, antes de dormir, a sua mãe ficava ao pé da sua cama para lhe falar sobre o amor a Deus e a devoção à Virgem Maria. Mais tarde, ele mesmo vai lembrar como essas noites abençoadas e extremamente importantes para o seu crescimento na fé e para o seu amor autêntico a Deus.

Quando a mãe morreu, tinha ele sete anos, o seu pai pensou: “Não vou deixar meus filhos sem uma mãe”. E fez uma coisa que vários santos fizeram ao longo dos séculos, entre eles Santa Teresa de Ávila: quando perdiam a mãe da terra dirigiam-se à Mãe do Céu e diziam-Lhe: “Já que, a partir de agora, não tenho mãe aqui na Terra, sede Vós a minha Mãe, ocupando o seu lugar”. Foi o que ele fez: levou os filhos ao santuário da Virgem de Kalwaria, próximo de Wadowice. Lolek ajoelhou-se com seu pai e o seu irmão e, juntos, rezaram. O coração dos meninos saem reconfortados: já não são órfãos de mãe.

Desde então o pequeno órfão habituou-se a rezar diariamente junto a uma imagem de Nossa Senhora de sua paróquia, diante da qual se prostrava. Carlos desabafava as suas alegrias, tristezas e esperanças diante da Mãe Celestial, tal como faria com a sua mãe e, talvez, até com mais confiança. De nossa Senhora a sua alma de criança recebia compreensões e afagos que só a melhor das mães pode dar.

Tendo nascido e vivido na Polónia onde a maioria de seus compatriotas veneram a Virgem de Czestochowa, padroeira da sua abençoada e mariana terra, esta relação cresceu ao longo da sua existência acompanhando-o na sua formação e durante a vida de sacerdote.

Uma das suas frases poderia resumir a razão de ele dizer "Totus Tuus" a

Maria: "Importa reconhecer que, antes de que qualquer outro, o próprio Deus, o Pai eterno, Se confiou à Virgem de Nazaré, dando-Lhe o próprio Filho no mistério da Encarnação" (RMa 39).


D 3) Rosário: “a minha oração predileta!"
"O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e profundidade".

Estas palavras de João Paulo II, ditas em 20 de Outubro de 1978, uma semana depois de ter sido eleito Papa, ajudam a mostrar atitudes de uma espiritualidade que ele vivia e que tomou mais corpo durante o seu pontificado. Nesse período, ele aprofundou e amadureceu a sua devoção a nossa Senhora e disso dava sempre mostras: rezava constantemente o rosário.

Era frequente vê-lo rezar o terço devotamente nos momentos de pausa, em seus traslados no papamóvel, nos encontros mais longos com jovens, enquanto eles executavam músicas para ele, e nas horas de recolhimento diante do Santíssimo Sacramento ou de uma imagem de Nossa Senhora.

As suas inúmeras e importantes actividades nunca foram empecilho que justificassem deixar de rezar o terço. Tornou-se conhecido o facto de que nas audiências que concedia ou nas visitas que fazia, o presente que mais oferecia era sempre um rosário, mesmo que a pessoa não fosse católica ou nem tivesse Fé alguma. Ele chegou mesmo a afirmar que "nunca como no Rosário o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo."


D 4) Contemplar com Maria o Rosto de Jesus
Não causa espanto que João Paulo II tenha desejado dedicar ao Santo Rosário o ano que antecedeu o Jubileu de Prata de seu pontificado. Essa foi uma atitude querida por ele para incentivar "a contemplação do rosto de Cristo na companhia e na escola de sua Mãe Santíssima. Com efeito, recitar o Rosário nada mais é [que] contemplar com Maria o rosto de Cristo" (RVM - 3). Assim, depois de 25 anos na direcção da Igreja, o já então ancião Carlos Wojtyla confirmava, uma vez mais, o "Totus Tuus" da sua vida.

"Meditar com o Rosário significa entregar os nossos cuidados aos corações misericordiosos de Cristo e da sua Mãe. À distância de vinte e cinco anos, ao reconsiderar as provações que não faltaram nem mesmo no exercício do ministério petrino, desejo insistir, como para convidar calorosamente a todos, a fim de que experimentem pessoalmente isto mesmo: verdadeiramente o Rosário «marca o ritmo da vida humana» para harmonizá-la com o ritmo da vida divina, na gozosa comunhão da Santíssima Trindade, destino e aspiração da nossa existência".


D 5) Ano do Rosário, ano para o rosário
João Paulo II escreveu na Carta Apostólica "Rosarium Virignis Mariae": "na esteira da reflexão oferecida na Carta apostólica "Novo millennio ineunte" na qual convidei o Povo de Deus, após a experiência jubilar, a "partir de Cristo" senti a necessidade de desenvolver uma reflexão sobre o Rosário, uma espécie de coroação mariana da referida Carta apostólica, para exortar à contemplação do rosto de Cristo na companhia e na escola de sua Mãe Santíssima. Com efeito, recitar o Rosário nada mais é senão [que] contemplar com Maria o rosto de Cristo. Para dar maior relevo a este convite, [...] desejo que esta oração seja especialmente proposta e valorizada nas várias comunidades cristãs durante o ano. Proclamo, portanto,o período que vai de Outubro deste ano até Outubro de 2003 Ano do Rosário.

D 6) Constante apostolado através de Maria


O Papa João Paulo II sempre quis deixar patente diante de todos a sua devoção a nossa Senhora. Essa devoção era uma forma de ele caminhar na santificação, sem dúvida, mas os efeitos dela tinham como corolário fazer apostolado, atrair mais almas para Jesus. Ele sabia que os exemplos influenciam, entusiasmam e arrastam.

João Paulo II encontrou no exercício dessa devoção um modo de, ao mesmo tempo, mostrar o seu apreço pela Virgem Maria e praticar uma catequese mariana, alcançando assim um número maior de almas que pudessem abrir seus corações para Jesus.

Todos sabiam que, depois de Papa - como já fazia na Polónia - nunca deixou de praticar a popular devoção dos primeiros sábados, conforme o pedido de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima.

Ele quis também demonstrar a sua devoção a nossa Senhora quando atribuiu à intercessão de Maria o fato de ter sobrevivido ao atentado que sofreu na Praça de São Pedro, em 13 de Maio de 1981, uma data especialmente associada às aparições da Virgem em Fátima.


D 7) Nas audiências públicas
Ele utilizou-se das sempre muito concorridas audiências públicas das quartas-feiras para difundir as glórias de Maria e propagar a devoção a Ela. Entre os anos de 1995 e 1997, em 58 delas, o Sumo Pontífice teve Nossa Senhora como assunto constante dessas audiências.

Com uma didática simples e direta, capaz de atingir qualquer nível de cultura, ele proporcionou aos que tomaram conhecimento dessas homilias uma incursão através de diversos e variados temas que constituem a mariologia.

Numa delas, João Paulo II tratou da "Devoção mariana e o culto das imagens". Foi, então, uma ocasião para Ele afirmar:

"Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher...(Gl 4,4). O culto mariano funda-se sobre a admirável decisão divina de ligar para sempre, como recorda o apóstolo Paulo, a identidade humana do filho de Deus a uma mulher, Maria de Nazaré.

O mistério da maternidade divina e da cooperação de Maria na obra redentora suscita nos crentes de todos os tempos uma atitude de louvor, quer para com o Salvador quer [para com] Aquela que O gerou no tempo, cooperando assim na redenção.

Um ulterior motivo de reconhecido amor pela Bem-aventurada Virgem é oferecido pela sua maternidade universal. Ao escolhê-la como Mãe da humanidade inteira, o Pai celeste quis revelar a dimensão, por assim dizer materna, da Sua ternura divina e da Sua solicitude pelos homens de todas as épocas" (A Virgem Maria - 58 Catequeses do Papa sobre Nossa Senhora. - Aquino, Felipe Rinaldo Queiroz de (org.). - 6ª. ed. - Lorena: Cléofas, 2006, p. 171).

Noutra dessas audiências das quartas-feiras, João Paulo II tratou sobre "A oração de Maria". O Papa assim concluía sua reflexão:

"Tendo recebido de Cristo a salvação e a graça, a Virgem é chamada a desempenhar um papel relevante na redenção da humanidade. Com a devoção mariana os cristãos reconhecem o valor da presença de Maria no caminho rumo à salvação, recorrendo a Ela para obter todo o gênero de graças. Eles sabem sobretudo que podem contar com a sua intercessão materna, para receber do Senhor [tudo] quanto é necessário ao desenvolvimento da vida divina e à obtenção da salvação eterna.

Como atestam os numerosos títulos atribuídos à Virgem e as peregrinações ininterruptas aos santuários marianos, a confiança dos fiéis na Mãe de Jesus impele-os a invocá-la nas necessidades quotidianas. Eles estão certos de que o seu coração materno não pode permanecer insensível às misérias materiais e espirituais de seus filhos" (idem - p. 181).
D 8) Em qualquer ocasião oportuna
As homilias de João Paulo II sobre a Bem-aventurada Virgem Maria e seu papel e lugar no mistério de Cristo e da Igreja chegam às centenas, não se limitando apenas às alocuções das quartas-feiras. Ele dedicou também, em diversas outras ocasiões, um número enorme de orações e consagrações à Santíssima Virgem.




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