I primeiros anos



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B) Paixão de Jesus

B 1) Paixão na sua vida

1 - O grande sonho dos santos é unirem-se à Paixão de Jesus. João Paulo II não escapou. Vê-se isso quando, já com a doença de Parkinson, se formou a opinião de que ele deveria resignar ao pontificado. Resposta: “Se Jesus tivesse aceite descer da cruz, eu resignaria ao pontificado. Como Ele não quis, também eu não resignarei. Levarei a minha cruz até ao fim”. E levou a sua cruz até ao fim. Se cedeu a outros sacerdotes a realização de todos os actos religiosos da Semana Santa no Vaticano, " a Via Sacra da Sexta-Feira Santa não a delegou”. Mas a sua união à Paixão de Jesus não esteve apenas no facto de não ter aceite resignar. Todo o seu pontificado, a partir do momento em que sofreu o atentado na Praça de S. Pedro, foi uma união profunda com a Paixão de Jesus.
2 - Por isso dizia o cardeal (português) José Saraiva Martins:

“Ele sofreu muitíssimo, sobretudo nos últimos tempos, mas sofria à luz da fé, procurava identificar-se com Cristo, REPRODUZIR EM SI MESMO A PAIXÃO” .


Vejamos alguns casos:

- sofreu dois atentados: Roma e Fátima (nomeadamente Karachi, no Paquistão, e na Índia, ambos em 1981, 3 meses antes do atentado fatal de 13 de Maio)

- flagelava-se, em união com a flagelação de Jesus. Já o fazia em Cracóvia,

escreve monsenhor Oder, o encarregado do seu processo de beatificação e canonização no livro “Why a saint?” (Porquê um santo?), citando

depoimentos de pessoas do círculo mais próximo de João Paulo na época em que ainda era bispo no seu país de origem, a Polónia, e depois de ser eleito papa, em 1978. "No seu armário, no meio das suas vestimentas, um tipo especial de cinto ficava pendurado num cabide, e ele o usava como açoite", escreve. Fazia-o em reparação dos pecados, antes da ordenação de bispos e de sacerdotes, e pedia perdão a Deus com vista à ministração dos sacramentos.

- (Por Susana Tassone) Sentei-me mesmo atrás do Papa João Paulo e desde aí não havia genuflexórios tive que pendurar na sua cadeira onde a sua vestimenta estava colgada. Ele parecia tão forte. Os seus ombros eram largos como se estivesse a transportar o mundo. Reparei também que o CORPO DE NOSSO SENHOR NÃO TINHA A COROA DE ESPINHOS. Disseram-me que a COROA DE ESPINHOS ESTÁ NA CABEÇA DO PAPA E QUE ELE A TRANSPORTA.

- O sacerdote diocesano de Roznada (Eslováquia) Jarek Cielecki, redator-chefe de «Vatican Service News», novo serviço da Televisão do Padre Pio de São Giovanni Rotondo (...) recorda que nos seus apartamentos o Papa tem uma Via Crucis em cuja quinta estação não aparece a imagem do Cirineu, o homem que ajudou Jesus a carregar a Cruz, mas aparece o próprio João Paulo II.

- Desde o dia do atentado, o Papa não deixou de ter dôr física no corpo, seja pelas causas do mesmo atentado e por todas as complicações que surgiram, depois por posteriores QUEDAS ou problemas que houve. (o que faz lembrar as quedas de Jesus a caminho do Calvário)

Outros:


Em Agosto de 1981 (3 meses depois do atentado) foi submetido a uma colostomia, onde lhe retiraram o ânus artificial.

Ainda decorrente dessas intervenções (13 de Maio e Agosto 1981) ficou a saber-se mais tarde que tinha contraído o vírus citamegalovirus devido às transfusões de sangue que recebeu.

Em 1992, regressou à mesa de operações depois de lhe ter sido diagnosticado um tumor no cólon, do tamanho de uma laranja. Este era benigno, mas são cortados mais 20cm de intestino e reaberta a cicatriz da operação de 1981. Curiosamente, durante a intervenção, os cirurgiões observaram alguns cálculos na vesícula biliar e resolveram removê-los. Por esta altura, João Paulo II sofria de problemas ósseos e estava cada vez mais fragilizado. Em 1993,mais uma operação e um sinal de futuro de dor que se aproximava. Desta vez, o Papa caiu depois de uma audiência no Vaticano e o resultado foi uma luxação traumatológica do ombro direito. No ano seguinte, nova queda e nova operação. O Sumo Pontífice encontrava-se na casa de banho dos seus aposentos quando caiu e fracturou o fémur direito, tendo-lhe sido implantada uma prótese. A década de 90 não acabou sem mais uma intervenção cirúrgica, a sexta. Desta vez, o problema foi uma apendicite crónica, apesar de rumores que corriam sobre uma possível infecção no pâncreas. Contudo a informação oficial referia que o Papa há muito que sofria com uma apendicite crónica e que a operação era o melhor para resolver a situação.
3 - Um bispo dizia que as suas complicações de saúde se devem a "um querer de Deus de tê-lo muito perto de Jesus Crucificado e assim levou à frente o desempenho da sua missão e está a fazê-lo agora".

O mesmo dizia que Deus permitiu que houvesse fracturas de ossos, quedas, que tivesse o Parkinson que afecta a capacidade de falar correctamente.


4 - O Papa João Paulo II ensinou-nos que há muito mais para o papado do que falar, escrever, saudar as pessoas e viajar – embora certamente ele tenha feito muito disso tudo. O Papa João Paulo II ensinou-nos como viver, COMO SOFRER e COMO MORRER
5 - Outros: ver o 5º mistério doloroso que devido à sua extensão não se põe aqui (página 190).
B 2) A Sabedoria da Cruz na vida de João Paulo II
Cidade do Vaticano, 16 Mai (RV/SIR) – “O sofrimento é aquele continente do qual ninguém pode dizer ter alcançado os confins.” “Mediante o sofrimento é possível progredir no dom de si e alcançar o grau mais alto do amor”: esses dois pensamentos do Beato João Paulo II foram evocados pelo Teólogo emérito da Casa Pontifícia, Cardeal George Marie Martin Cottier, em sua conferência no simpósio realizado esta terça-feira, no Vaticano, sobre o tema “A Sabedoria da Cruz no pensamento e no testemunho do Beato João Paulo II”, promovido pela Pontifícia Universidade Lateranese.

O cardeal desenvolveu uma longa reflexão sobre a espiritualidade do Papa Wojtyla, marcada pelas vicissitudes pessoais e familiares, desde muito jovem, com a perda da mãe quando ele tinha apenas nove anos – quatro anos após o falecimento do irmão mais velho, que era médico; com a perda do pai – “seu mestre espiritual” – aos 21 anos. A esse ponto de sua vida, o jovem Wojtyla confiou-se somente a Deus e mostrará ao longo de toda a sua existência uma grande e intensa atenção a todas as formas de sofrimento”, observou o conferencista evocando as fontes espirituais dessa predisposição interior: de um lado, os escritos de São Luís Maria Grignon de Monfort (“Tratado sobre a verdadeira devoção a Maria”) e, do outro, os escritos de São João da Cruz.

“Toda a biografia do Beato João Paulo II é marcada pelo sofrimento e por uma forte sensibilidade que Karol Wojtyla mostrou, desde muito jovem, a todas as formas de sofrimento”, prosseguiu o Cardeal Cottier em sua conferência sobre a “Sabedoria da Cruz” no Papa Beato. “Diante da massa enorme de sofrimento da humanidade, que por vezes parece desmedida e cruel, muitos cedem e se rebelam porque muitas formas de sofrimento não encontram explicação”, disse. “Porém – continuou –, nos ensinamentos do Papa Wojtyla a dor tem significado, aliás, mediante a fé nos faz partícipes, de modo profundo, do próprio mistério de Deus.” O purpurado suíço citou a visita do Papa, no dia seguinte ao de sua eleição à Cátedra de Pedro, ao então Bispo Andrzej Maria Deskur – internado na Policlínica “Gemelli” em Roma –, criado Cardeal pelo próprio João Paulo II em 25 de Maio de 1985.

Durante a visita que Carlos Wojtyla dirigiu-se aos doentes – admirados por encontrar o novo Sucessor de Pedro no meio deles – pedindo-lhes a sua oração “que me dá – disse o Papa – uma força especial para realizar menos indignamente a missão que me foi confiada com esse ministério”. Segundo o Cardeal Cottier, foi ainda mais eloquente “a doação de seu sofrimento a Deus e em favor da Igreja, um dia após ao do atentado de 13 de Maio de 1981, cujas consequências se fizeram sentir pelo restante de sua vida e que ele ofereceu como sacrifício para acompanhar a Igreja na entrada do terceiro milénio da era cristã”.


Cardeal Coyyier
C) Paixão pela Misericórdia Divina
C1 ) Festa Litúrgica
O culto da Divina Misericórdia, teve o seu início nas revelações de Jesus a uma jovem religiosa polaca, a Irmã Maria Faustina Kowalska, na década de trinta do passado século vinte. Relata a própria Irmã Faustina, que no dia 22 de Fevereiro de 1931, «à noite, quando me encontrava na minha cela, vi Jesus com uma túnica branca. A sua mão direita erguida para abençoar e a outra tangendo a veste junto ao peito. Do lado entreaberto da túnica emanavam dois grandes raios de luz, um de tom vermelho e outro pálido... Jesus disse-me: Pinta uma Imagem conforme a visão que te aparece, com a inscrição: “Jesus, eu confio em vós”. É Meu desejo que esta imagem seja venerada primeiramente na vossa capela e depois em todo o Mundo. Eu prometo que a alma que venerar esta Imagem não se perderá.» Posteriormente, Jesus explicou a Faustina o simbolismo dos raios da imagem nos seguintes termos: «Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas... Estes dois raios brotaram das entranhas da Minha Misericórdia, quando na cruz o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança... Desejo que no primeiro Domingo a seguir à Páscoa se celebre a Festa da Misericórdia».
A Irmã Faustina, que faleceu em 5 de Outubro de 1938, apenas com 33 anos, escreveu ao seu confessor em 1935 a seguinte profecia: «Virá o tempo em que esta Obra, que Deus tanto me recomenda, parecerá como que completamente destruída e, depois disso, a acção divina manifestar-se-á com grande força, e há-de dar testemunho da sua autenticidade. Será um novo esplendor para a Igreja».

Tendo a Mensagem da Misericórdia sido dada a uma religiosa polaca, é portanto que tenha sido o povo polaco a espalhar esta devoção. Assim, em 8 de Abril de 1948, a Sociedade Teológica, assistida pelos vários professores de Teologia das Universidades e Seminários da Polónia, tomou a resolução de pedir à Santa Sé que se dignasse estabelecer a Festa da Misericórdia de Deus, de harmonia com a proposta apresentada pelos bispos polacos. O terceiro domingo de Maio foi designado pela hierarquia polaca para ser observado como da Festa da Misericórdia, até que a Igreja reconhecesse e proclamasse o Domingo da Pascoela como sendo o Domingo da Festa da Misericórdia.

A partir daqui, tudo se complicou. Sendo a Mensagem incompreendida por muitos, e recebendo por isso muita oposição, em 1959 a Santa Sé mandou encerrar tudo o que se referia à causa da Misericórdia Divina, cumprindo-se assim a profecia da Irmã Faustina, acima referida. Mas foi João Paulo II que teve um grande papel em tudo o que se referia à Misericórdia Divina.

Como jovem operário da fábrica tedesca “Solvay”, durante a Segunda Guerra Mundial, frequentava a Capela das Irmãs da Divina Misericórdia onde se conservava a imagem de Jesus Misericordioso.

Depois do encerramento da causa da Misericórdia Divina em 1959, deixou passar alguns anos até que os ânimos exaltados se acalmassem. A partir de 1964, mal foi ordenado bispo de Cracóvia, abriu o processo para a beatificação e canonização da Irmã Faustina.

Passados uns 3-4 anos, por alturas do encerramento da 1ª. fase do processo de canonização da Irmã Faustina, começou a ser atacado pelo seu apoio à Misericórdia Divina. Mas apesar dos ataques e incompreensões, manteve o seu apoio. Incompreensões que se mantêm ainda hoje, passados anos da sua morte, embora mais aliviadas.

Em 15 Abril de 1978, já cardeal, graças à sua intervenção, quase no final do pontificado de Paulo VI, a Santa Sé retirou a proibição da divulgação dos escritos da religiosa polaca e do culto da Divina Misericórdia. Tal acontecimento constitui a realização da segunda parte da profecia acima mencionada. Seis meses depois que o veto foi retirado, o mundo inteiro aplaudia o cardeal Wojtila, acabado de ser eleito João Paulo II. Como Papa, a primeira encíclica que publicou foi “Dives in Misericórdia” (“Rico em Misericórdia”), de 30 de Novembro de 1980 (pouco mais de um ano depois de ter chegado ao pontificado) que lança as bases doutrinárias e práticas para que o oculto à Misericórdia Divina seja compreendido e universalmente acolhido.

Na Sede de Pedro, leva consigo as palavras de Santa Faustina: “A humanidade inteira não encontrará a paz, se não voltar-se à Divina Misericórdia.” (Diário 300) Destas palavras de Santa Faustina compreende--se os gestos do Papa João Paulo II por aproximar o mundo de hoje do mistério da Divina Misericórdia: a sua Encíclica Dives in misericordia (Rico em Misericórdia) de 1981, a beatificação de Irmã Faustina a 18 de Abril de 1993 e a sua canonização em 30 de Abril de 2000 quando estendeu ao

mundo todo a celebração do Domingo da Divina Misericórdia. Conhecendo a mensagem da Divina Misericórdia revelada a Santa Faustina, compendiada no seu Diário, compreende-se facilmente o quanto ela esteve inscrita na vida e no ministério pastoral do Papa João Paulo II. Já as suas primeiras palavras, quando da sua eleição para a Sede de Pedro: “Abri as portas ao Redentor!”, em 16 de Outubro de 1978, revelam a sua

confiança audaciosa na Misericórdia Divina que dirige os destinos da humanidade para o encontro definitivo com o Pai. As suas inúmeras viagens pelos mais diversos países do planeta testemunham a sua capacidade de compadecer-se das fraquezas humanas, e o seu esforço por iluminar as trevas da humanidade com a luz radiante da Misericórdia de Deus.

Apenas dois anos depois da sua eleição, João Paulo II publicou em 30 de Novembro de 1980 uma Carta Encíclica sobre a Divina Misericórdia “Dives in Misericordia” (Deus Rico em Misericórdia) o­nde lança as bases doutrinárias e práticas para que o oculto à Misericórdia Divina seja compreendido e universalmente acolhido. Por outro lado, leva até ao fim a canonização da Irmã Faustina. Assim, no II Domingo da Páscoa de 1993, beatificou a Irmã Faustina dizendo na homilia: “Saúdo-te, Irmã Faustina. A partir de hoje a Igreja chama-te Bem-Aventurada... Precisamente tu, pobre e simples filha do povo polaco, foste escolhida por Cristo para recordar aos homens o grande mistério da Misericórdia Divina! É deveras maravilhoso o modo como a devoção a Jesus Misericordioso progride no mundo contemporâneo e conquista inúmeros corações humanos! Este é sem dúvida um sinal dos tempos, um sinal do nosso século XX. O balanço deste século que está a terminar apresenta, além das conquistas, que muitas vezes superam as das épocas precedentes, também uma profunda inquietação e receio acerca do futuro. O­nde, portanto, senão na Misericórdia Divina pode o mundo encontrar refúgio e luz de esperança?


Foto 23

Os crentes intuem-no perfeitamente!” Finalmente, no II Domingo da Páscoa, do ano jubilar 2000, canonizou Faustina Kowalska. Referindo-se à mensagem de que a nova Santa fora portadora João Paulo II explicou que “não é uma mensagem nova, mas pode-se considerar um dom de especial iluminação, que nos ajuda a reviver de maneira mais intensa o Evangelho da Páscoa” e pediu a Santa Faustina para nos obter “ a graça de perceber a profundidade da misericórdia divina. A tua mensagem de luz e de esperança se difunda no mundo inteiro, leve à conversão dos pecadores, amenize as rivalidades e os ódios, abra os homens e as nações à prática da fraternidade. Hoje, ao fixarmos contigo o olhar no rosto de Cristo ressuscitado, fazemos nossa a tua súplica de confiante abandono e dizemos com firme esperança: Jesus Cristo, confio em Ti!”. Ainda no ano jubilar, João Paulo II, correspondendo favoravelmente ao apelo da mensagem e estabeleceu que o “II Domingo da Páscoa, de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de «Domingo da Divina Misericórdia», assim instituindo para a Igreja toda a Festa da Divina Misericórdia no Domingo da oitava da Páscoa, evidenciando desse modo a intima ligação entre o mistério pascal da Redenção e o mistério da Misericódia de Deus.

A 17 de Agosto de 2002, após a dedicação da Basílica da Divina Misericórdia, João Paulo II confiou todo o mundo à Misericórdia Divina. Ele assim se expressou: “hoje, neste Santuário, quero solenemente confiar o mundo à Divina Misericórdia. Faço-o com o desejo ardente que a mensagem do amor misericordioso de Deus, aqui proclamada por meio de Santa Faustina, chegue a todos os habitantes da terra e encha os corações de esperança. Tal mensagem se difunda deste lugar em toda nossa amada Pátria e no mundo. Cumpra-se a firme promessa do Senhor Jesus: daqui deve sair “a chama que preparará o mundo para a sua última vinda” (Diário 1732). É preciso acender esta chama da graça de Deus. É preciso transmitir ao mundo este fogo da misericórdia. Na misericórdia de Deus o mundo encontrará a paz, e o homem a felicidade. Confio esta missão a vós, caríssimos Irmãos e Irmãs, à Igreja que está em Cracóvia e na Polônia, e a todos os devotos da Divina Misericórdia que aqui chegarão da Polónia

e do mundo inteiro.” (Homilia a Lagiewniki, 17-08-2002).

Nestas referências compreendemos que a Misericórdia Divina esteve no

coração do ministério pastoral do Venerável João Paulo II. Pode-se assim

dizer que João Paulo II foi para a Igreja e o mundo no final do século XX e no despontar do século XXI um testemunho da Misericórdia.

Não foi sem razão que Deus o chamou a Si na véspera do Domingo da Misericórdia (2 de Abril de 2005), confirmando o seu testemunho e propondo-o para a Igreja como modelo de confiança e daquele amor misericordioso efetivo preconizado por Santa Faustina, centro da devoção à Divina Misericórdia! A Páscoa de João Paulo II justamente nesse dia, é como que uma consagração definitiva daquela festa. Ao morrer na Festa da Divina Misericórdia, João Paulo II prestou-nos ainda mais um último serviço e deu-nos a sua última catequese, a de que a festa e o culto da Divina Misericórdia são uma fonte inesgotável de bençãos para a humanidade que não devemos desperdiçar. Cumpriu-se mais uma vez a profecia de Santa Faustina: «A acção divina manifestar-se-á com grande força, e há-de dar testemunho da sua autenticidade. Será um novo esplendor para a Igreja».

C2) Canonização da Irmã Faustina
A abertura do processo de beatificação e canonização da Irmã Faustina foi uma iniciativa tomada em 1948 pelo cardeal polaco Adão Estêvão Sapieha em ordem ao reconhecimento do culto da Misericórdia Divina. Mandado encerrar pela Santa Sé em 1959 (cumprindo-se assim a profecia de Santa
Faustina) foi reaberto por um outro polaco, o arcebispo de Cracóvia, Carlos Wojtyla (futuro João Paulo II) em 1964. A partir daqui, todo o processo é obra sua.

Assim, em 20 de Setembro de 1967, já cardeal, encerrou, com uma sessão

solene, o processo canónico informativo. Todos os documentos contidos

no processo foram enviados a Roma.

Em 31 de Janeiro de 1968, por um decreto da Sagrada Congregação para

as Causas dos Santos, é formalmente aberto o Processo de beatificação da Serva de Deus.

Em 18 de Abril de 1993, em Roma, no Domingo da Pascoela (Primeiro Domingo depois da Páscoa), foi beatificada a Irmã Maria Faustina

Kowalska, pelo Santo Padre, João Paulo II.

Em 30 de Abril de 2000, em Roma, no Domingo da Pascoela (Primeiro Domingo depois da Páscoa), foi canonizada a Bem-aventurada Faustina Kowalska pelo Santo Padre, Papa João Paulo II.

C3) João Paulo II e a Divina Misericórdia

Fala Ma. Ángeles Manglano, autora de um livro sobre a mensagem de Santa Faustina

VALÊNCIA, domingo, 15 de Maio de 2011 (ZENIT.org) - A vida terrena do Papa João Paulo II foi coroada com a mensagem central de seu pontificado, a da Misericórdia Divina. Isso é o que afirma a espanhola Mª Angeles Manglano, autora do livro "Orar com a Divina Misericórdia" (Cobel Edições, 2010).

No livro, a autora recolheu as chaves das revelações de Cristo à santa polonesa, para fazer chegar a um público amplo a mensagem da Divina Misericórdia. Nesta entrevista a ZENIT, ela explica a relação de João Paulo II e seu pontificado com esta mensagem.
ZENIT: Como a mensagem da Divina Misericórdia influenciou o magistério de João Paulo II?

Mª Angeles Manglano: O próprio João Paulo II definiu a mensagem da Divina Misericórdia como a chave privilegiada para compreender seu magistério petrino. Além disso, o Papa polonês estava convencido de que "fora da misericórdia de Deus, não existe nenhuma outra fonte de esperança para o homem". Essa convicção o levou a promover a santidade de Faustina Kowalska, a quem ele mesmo canonizou, e a estabelecer a festa do Domingo da Divina Misericórdia (2º Domingo da Páscoa), em 2000.

A mensagem da divina misericórdia influenciou a sua pregação e a sua própria vida. A respeito de sua pregação, Bento XVI o resumiu assim: "O seu longo e multifacetado pontificado encontra aqui o seu núcleo; toda a sua obra ao serviço da verdade sobre Deus e sobre o homem e da paz no mundo se resume neste anúncio". Isto pode ser visto, por exemplo, numa das suas primeiras encíclicas, Dives in misericordia, de 1980, que estabelece que a Divina Misericórdia é a força que transforma o mundo.

ZENIT: Que influência teve na vida do Papa polaco?

Mª Ángeles Manglano: No olhar de João Paulo II para o mundo, um facto salta à vista: a sua confiança na misericórdia divina, que o ajudou a confrontar de uma maneira heroica as forças do mal presentes no mundo. Um primeiro aspecto é a sua experiência com o nazismo e o comunismo na Polónia, como ele mesmo reconheceu em 1997: "Sempre apreciei e senti próxima a mensagem da Divina Misericórdia. É como se a história a tivesse inscrito na trágica experiência da 2ª Guerra Mundial. Nesses anos difíceis, foi um apoio particular e uma fonte inesgotável de esperança, não só para os habitantes de Cracóvia, mas também para toda nação. Essa foi também a minha experiência pessoal, que levei comigo para a Sé de Pedro e que, de certo modo, forma a imagem deste pontificado. Agradeço à Divina Providência porque me concedeu contribuir pessoalmente para o cumprimento da Vontade de Cristo, mediante a instituição da festa da Divina Misericórdia".

Em segundo lugar, cabe considerar a importância desta mensagem à raiz do atentado que esteve a ponto de lhe tirar a vida, no dia 13 de Maio de 1981. As imagens da sua visita a Ali na prisão constituem talvez o exemplo mais gráfico do modo como o Papa assumiu o perdão e a misericórdia divina como modelo e esperança de sua própria vida.

Finalmente, não posso deixar de me referir ao falecimento de João Paulo II, que constitui talvez a prova mais clara da misericórdia divina com o seu servo bom e fiel. A passagem do Papa polaco para a vida eterna esteve imediatamente precedida pela Celebração Eucarística do Domingo da Divina Misericórdia. O acto redentor de Deus tomava nesse dia um tom talvez mais misericordioso, ao estar revestido da liturgia da festa que o próprio apóstolo da misericórdia tinha mandado instituir. A sua vida terrena era assim coroada com a mensagem central de seu pontificado.
ZENIT: Existe uma relação entre a mensagem da Divina Misericórdia e a mensagem de Fátima?

Mª Angeles Manglano: Tanto a mensagem de Fátima como a da Divina Misericórdia aconteceram entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, e o seu conteúdo têm um fio condutor comum: em Fátima, Nossa Senhora pede orações para aplacar a justiça de Deus e obter a Sua Misericórdia, enquanto em Cracóvia, o próprio Cristo pede aos pecadores que recorram à Sua Misericórdia. Mais ainda: na primeira faz-se uma referência à Rússia como origem de certos males que atingiriam o mundo, incluindo de modo especial a Polónia; e na segunda faz-se referência à própria Polónia, como berço de uma nova mensagem de esperança diante desse mal tremendo. Novamente, vem à mente o papel central de João Paulo II na queda do

comunismo.

Por outro lado, ambas as revelações contêm elementos proféticos que poderiam ter João Paulo II como vínculo comum. Como é bem conhecido hoje, o terceiro segredo de Fátima aponta de maneira profética e misteriosa o atentado ao Papa. Mas também Santa Faustina recebeu a revelação, directamente de Jesus Cristo, de que da Polónia "sairá uma faísca que preparará o mundo para a minha última vinda". Não obstante, o próprio Papa João Paulo II, durante a sua Consagração do Mundo à Divina Misericórdia, em Cracóvia, interpretou estas palavras não em referência à sua pessoa, mas ao convite à misericórdia que tanto ele como Santa Faustina propagaram ao mundo inteiro: "Tomara que se cumpra a firme promessa do Senhor Jesus: daqui deve sair ‘uma faísca que preparará o mundo para a minha última vinda'. É preciso acender essa faísca da graça de Deus; é preciso transmitir ao mundo esse fogo da misericórdia. Na misericórdia de Deus, o mundo encontrará a paz, e o homem a felicidade".




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