I primeiros anos



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1963

30 de Dezembro

O Papa Paulo VI nomeia-o arcebispo de Cracóvia. A sua consagração é no dia 13 de Junho de 1964.
1967

29 de Maio

Paulo VI nomeia-o cardeal
Setembro

Não assiste ao sínodo convocado pelo Papa, por protestar contra as autoridades polacas por se negarem a conceder um passaporte ao cardeal Wyszynski.


1969

11 – 27 de Outubro

Após o sínodo extraordinário dedicado ao “episcopado, a colegialidade, o Papa, Roma e as igrejas locais”, defende o princípio da colegialidade dentro do governo da Igreja.
1971

Eleito em 3º lugar (no segundo turno) no concílio da Secretaria-Geral em Roma.


30 Setembro – 6 Novembro

Intervenção destacada no segundo sínodo consagrado ao sacerdócio ministerial e à justiça no mundo. Quanto ao celibato dos sacerdotes, mostra-se hostil perante os modernistas holandeses e defende a “conaturalidade entre o celibato e o sacerdócio”.


1974

No terceiro sínodo consagrado à evangelização, intervém de forma crítica em relação à teologia da libertação, lembrando que o marxismo não deixa nenhuma alternativa de existência da Igreja.


1976

Paulo VI escolhe-o como pregador da Quaresma.


Agosto

Participa no congresso eucarístico de Filadélfia.


1978

Nomeado membro da Congregação para a Educação Católica.


16 de Outubro

Eleição de Carlos Wojtyla ao trono de São Pedro.


22 de Outubro

Início das suas funções e primeiro discurso

IV - PROFECIAS

a) Santa Faustina


“Amo a Polónia de maneira especial, e se ela for fiel à Minha Vontade, dela sairá uma centelha que preparará o mundo para a Minha Vinda derradeira.”
b) Monge de Pádua
Aa profecias do monge de Pádua referem-se aos Papas. A frase referente a João Paulo II diz:
"Virá de longe e manchará a pedra com o seu sangue"
“Virá de longe” – os Papas anteriores, desde o século XVI, eram todos italianos. Ele veio da Polónia.

“com o seu sangue” – referência ao atentado de 13 de Maio de 1981 em Roma.


c) S. Pio de Pietrelcina
A) Carlos foi ordenado sacerdote em 01 de Novembro de 1946. Ele estava muito interessado em teologia mística. Tinha uma paixão pelas obras de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, de tal forma que ele pediu ao seu bispo, se ele poderia entrar no Carmelo, para se tornar um monge na mesma ordem religiosa como Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, os dois santos que ele mais admirava. O seu bispo, o cardeal Sapieha, disse ao superior dos Padres Carmelitas, que havia feito o pedido: "Carlos é mais útil à Igreja da Polónia, e em seguida, ele será útil à Igreja Universal".

Carlos Wojtyla resignou-se a ser um sacerdote secular, abandonando para sempre o plano de se tornar um monge. Enviado a Roma para se doutorar

em teologia, soube que, no Monte Gargano, vivia um monge que tinha os
estigmas. Nas férias da Páscoa de 1948 foi visitá-lo e lá ficou uma semana.

Confessou-se a ele. A certa altura, o padre Pio pareceu entrar em um breve êxtase e disse-lhe: “Serás Papa” e continuou: “Também vejo sangue e martírio na tua vida”… Chegando a Roma, falando disto aos seus amigos, o jovem Carlos ria-se da profecia: “Como sou polaco, não tenho hipótese de chegar a Papa. Os santos têm cada uma…”

Mas depois que ele se tornou bispo de Cracóvia, ele não voltou a falar disso pois começou a pensar que a profecia se poderia tornar realidade.

B) Um segundo contacto com o Padre Pio ainda vivo, desta vez por correspondência, aconteceu em 1962, quando Carlos já era Bispo, Vigário Capitular da Diocese de Cracóvia, Polónia. Achando-se em Roma para a primeira fase do Concílio Vaticano II, foi informado de que a Dra. (médica psiquiatra) Wanda Poltawska, que trabalhara na pastoral universitária com ele em Cracóvia, estava desenganada em razão de um cancro generalizado nos intestinos. O marido dela, aflito, comunicou ao Bispo em Roma a desesperada situação. Este não teve dúvidas em dirigir-se imediatamente ao Padre Pio por carta: “Venerável Padre, peço-vos uma prece por uma mãe de 4 filhas, com 40 anos de idade, de Cracóvia, agora em perigo gravíssimo de saúde e da própria vida, em razão de um cancro: para que Deus pela intercessão da Beatíssima Virgem mostre a Sua misericórdia a ela e à sua família. Gratíssimo em Cristo.


+ Carlos Wojtyla
Isso em 17 de Novembro de 1962. A carta foi levada em mãos pelo Comendador Ângelo Battisti, que a entregou ao destinatário no dia seguinte, 18de Novembro. O Padre Pio pediu ao próprio emissário: “Abre e lê!” – Ao tomar conhecimento do teor da carta, encarregou o portador de “garantir ao interessado que rezaria muito por esta mãe”, acrescentando também: “A este (Wojtyla) não se pode dizer não”. O Comendador, curioso, perguntou-lhe: “Porquê?” – O Padre Pio sussurrou algumas palavras, ininteligíveis.

No dia 21 daquele Novembro, em Cracóvia, antes da intervenção cirúrgica, a Doutora Wanda acordou sem dores. Foi submetida a radiografias de rotina antes de entrar na sala de cirurgia. O oncólogo, surpreendido, aproximou-se dela dizendo “que não havia mais necessidade de intervenção”. Ela não sabia dos trâmites do marido com Dom Wojtyla e deste com o Padre Pio; pensou que se tratara apenas duma infecção e não de um cancro generalizado.

O marido de Wanda, porém, que havia pedido ao Bispo orações, comunicou ao mesmo a cura instantânea. E Dom Wojtyla, convencido de que se tratava de um milagre, no dia 28 de Novembro, escreveu outra carta ao Padre Pio nos seguintes termos: “Venerável Padre, a senhora de Cracóvia, mãe de 4 filhas, no dia 21 de Novembro antes da intervenção cirúrgica instantaneamente readquiriu a saúde graças a Deus e também a vós. Venerável Padre, apresento o meu maior agradecimento em nome dela, do seu marido e de toda a família.
+ Carlos Wojtyla, Vigário Capitular de Cracóvia”
O mesmo Comendador levou-a ao Padre Pio entregando-lha no dia 1 de Dezembro. O padre Pio desta vez perguntou quem era o remetente. O portador não sabia (pois nas duas vezes recebera as cartas por intermédio dum terceiro), mas desconfiava que fosse o mesmo da carta anterior. O Padre Pio ordenou: “Abre e lê!” Acabada a leitura, o Padre Pio comentou:

“Deus seja louvado!” – Na mesinha encontrava-se ainda a primeira carta. O padre Pio entregou-a ao Comendador, dizendo:

“Guarda estas duas cartas”. Battisti na ocasião não compreendeu o porquê disso; veio a compreendê-lo quando Wojtyla foi eleito Papa.

A Dra. Wanda, mesmo informada pelo Bispo, da intercessão do Padre Pio em favor da sua saúde, por um bom tempo, não quis acreditar nisso, pois dizia nem saber da existência desse Padre. Mas, finalmente, em Maio de 1967, decidiu visitar o Padre Pio. Ela mesma dá a versão desse encontro:

“Colocamo-nos (com uma religiosa que fazia de intérprete) na igreja junto ao altar, bastante próximas. Podia observar o Padre Pio enquanto celebrava a Missa. Uma Missa excepcional. Nenhum sacerdote havia jamais celebrado a Missa como o Padre Pio. E jamais tinha visto os italianos tão silenciosos como durante essa Missa. Porque normalmente falam, gritam... Ademais, a Missa durava longamente. Assim pude observar o Padre Pio de perto. Caminhava com dificuldade, apoiando-se em alguém. Como médica conhecia os sintomas do sofrimento.

Via que sofria, que cada passo dele era doloroso. Durante a Missa vi o sangue dos seus estigmas impregnando as luvas. Acabada a celebração, o Padre Pio dirigia-se devagarinho à sacristia pelo lado em que nos achávamos. E olhava, olhava, como a procurar alguém. Veio na minha direcção, fez-me uma carícia e disse: “agora está bem?”. Só naquele momento dei-me conta de que houvera uma intervenção dele (para o milagre) porque antes não acreditava. Daquele momento em diante, o Padre Pio mudou a minha vida. Agora eu invoco o Padre Pio, ‘o meu santo particular’. É meu. Assiste-me em cada viagem. Protege-me”


d) Teresa Musco (1943-1976)
“Apareceu-me de novo a Mãe Celeste que falava, segurando as mãos do Filho. E disse-Lhe, a chorar:

- Filho, faz que o mundo se converta. São Teus filhos.

Jesus respondeu:

- Mãe, o povo enlouqueceu.

Minha filha, reza para que quando tentarem matar o Papa, o golpe falhe.”

Na altura do atentado a Paulo VI em Manila (Filipinas) em 27 de Novembro de 1970, recordámos estas palavras que antes pareciam inverosímeis (foram escritas em 1952).

Em 1974, o padre Franco Amico, ao assistir a um êxtase de Teresa, viu-a, de repente, agitada a gritar:

- Não, não, isso não! Mas como será possível? Não, Senhor, não permitais… Que fez ele de mal?

Voltando a si, disse estupefacta:

- Padre Franco, sabe o que eu vi? Muita gente na Praça de S. Pedro: muito clamor. Entre a multidão alguém queria matar o Santo Padre… Depois, muita confusão, muitos gritos…


e) Beata Irmã Helena Aiello (1865-1961)
O povo chamava-lhe “ a freira santa de Cosenza”, fundadora de uma Congregação de Irmãs. Foi favorecida com fenómenos místicos verdadeiramente impressionantes. Profetizou factos importantíssimos que se verificaram à letra e, depois da última guerra, viu também um atentado cometido junto da escadaria de S. Pedro contra um Papa não identificado. Ao narrar a cena, afirma que nossa Senhora salvaria a vida do Papa.

Foi beatificada em 14 de Setembro de 2011.


f) Nostradamus (1503-1566)
C2: Q97 (tradução aproximada)
Pontífice romano guarda de te aproximares

Da cidade em que dois rios fluem,

O teu sangue virá a jorrar

Tu e os teus quando florir a rosa


Explicação:
Cidade regada por dois rios - dá a impressão de que a profecia não se encaixa na quadra, visto que a profecia menciona dois rios e geograficamente em Roma só existe ao pé da letra apenas um rio: - o TIBRE. Mas poucos sabem que Nostradamus estava correcto porque Roma é atravessada ainda por outro rio, o Aniene, que conflui no Tibre ainda em território urbano.

Tu e os teus – Não foi apenas João Paulo II que foi ferido. Houve mais duas peregrinas feridas.

Quando a Rosa florir - A rosa é o emblema do Partido Socialista. O socialista François Mitterrand venceu as eleições em 10 de Maio de 1981 frente ao conservador Giscard d’Estaing.

Cinco dias depois, João Paulo II sofreu o atentado. Na época, alguns jornais franceses chegaram a publicar artigos exibindo a quadra de Nostradamus, associando "as rosas florescerem" com a vitória socialista e avisando o Papa que ele iria sofrer o atentado, o que aconteceu.

g) Outras profecias
A profecia de um companheiro de Carlos Wojtyla: «Serás Papa» Revelações do padre Malinski, companheiro de juventude do Santo Padre
CIDADE DO VATICANO, 17 de Outubro de 2003 (ZENIT.org-Avvenire).- Um dos companheiros de juventude de Carlos Wojtyla havia profetizado: serás Papa; Vinte e cinco anos depois, parece algo óbvio. Mas o padre Mieczyslaw Malinski, orgulhoso, recorda como havia previsto o inesperado, um bispo de Roma polaco.

Numa Santa Missa que celebrava no Colégio Polaco de Roma em 25 de Agosto de 1978, pouco antes do Conclave do qual sairia eleito João Paulo I, o padre Malinski elevou uma oração aos fiéis que surpreendeu os poucos sacerdotes presentes: «Rezemos para que o nosso cardeal Carlos Wojtyla seja eleito Papa».

Os presentes ficaram petrificados. Depois de vacilar por alguns instantes, os padres Stanislaw Dziwisz, secretário então do arcebispo de Cracóvia, e Stanislaw Rylko, actual presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, responderam com voz tímida: «Te rogamos, ouvi-nos». O cardeal Wojtyla, co-celebrante principal, não respondeu.

O padre Malinski era companheiro do jovem purpurado de 58 anos desde os anos 1940, quando eles participavam do grupo do «Rosário Vivo», do alfaiate Jan Tyranowski. Ambos entraram depois no seminário clandestino

criado pelo cardeal Adam Sapieha.

Em 2003 o padre Malinski, de 80 anos, era reitor da Igreja de São Francisco de Sales, em Cracóvia, apaixonado pela pesquisa académica e pelo jornalismo.

Um dia, enquanto acompanhava o cardeal Wojtyla a uma reunião no Vaticano, disse-lhe: «Tu serás Papa. Todos sabem que os três candidatos italianos de renome, Sebastiano Baggio, Paolo Bertoli e GiovanniBenelli, não poderão ser eleitos».

O arcebispo de Cracóvia respondeu; «O cardeal Stephan Wyszynski disse-me que o Papa é romano, e que portanto será italiano», continua revelando o sacerdote.

Malinski já tinha preparada a resposta: «Eu sempre acreditei que o primeiro Papa fosse judeu…».

Wojtyla aceitou o jogo: «Está bem, admitamos que seja um estrangeiro. Poderia ser um americano, um francês ou um alemão».

«Não pode vir de uma grande potência, deve ser de um país pequeno, mais marginal», rebateu.

Carlos Wojtyla propôs então: «O cardeal Franz Konig, de Viena, por exemplo». O amigo insistia: «Deve ser de um país pequeno, mas com um catolicismo forte. A Polónia é o único país que não vive a crise após o Concílio».

Desta vez Wojtyla não pôs objecções. Malinski retomou a palavra, como se falasse de uma terceira pessoa: «Além do mais o arcebispo de Cracóvia não é um burocrata, mas um pastor e um intelectual, que foi conhecido durante o Concílio e depois durante os Sínodos dos bispos. Será o próximo Papa!».

Quando o cardeal Wojtyla saiu daquele conclave sem ser eleito Papa, Malinski recorda: «Estava feliz. Puxou-me pelo cabelo: “Que dizes? Não tens outro argumento para propor?”».

Quando chegou o conclave de Outubro, após a inesperada morte de João Paulo I, o padre Malinski não quis ir a Roma. Ficou comprometido com os seus livros em Munster (Alemanha), de onde constatou que sua inesperada oração havia sido escutada.

Foto 2

V – PAPA


a) Eleição

Aquando da morte do Papa Paulo VI, em 6 de Agosto de 1978, esteve presente no conclave de 26 de Agosto de 1978, que escolheria Albino Luciani para um dos pontificados mais curtos da História. Trinta e três dias depois de votar no conclave, no dia 28 de Setembro de 1978, o então cardeal de Cracóvia, Carlos Wojtyła, ficou a saber da triste – e até hoje suspeita – morte de João Paulo I pelo seu motorista particular. De volta a Roma, ele foi escolhido Papa em 16 de Outubro de 1978.

O conclave (14 a 16 de Outubro de 1978) que se sucedeu ao inesperado falecimento do Papa João Paulo I, foi dominado por duas correntes que tiveram como candidatos o conservador arcebispo de Génova Giuseppe Siri, e o mais liberal arcebispo de Florença Giovanni Benelli. Crê-se que a eleição de Carlos Wojtyla tenha sido uma solução de compromisso e que constituiu uma surpresa.
b) Nome
Ao ser eleito Papa, Carlos Wojtyla quis ser Estanislau I, lembrando o padroeiro da Polónia, a "glória da nação", que viveu entre 1030 e 1079. Mas a cúria romana insistiu num nome mais romano. E ficou João Paulo II, lembrando os três Papas anteriores (João XXIII, Paulo VI e João Paulo I).
A revelação foi feita no livro “99 domande su Wojtyla” (“99 perguntas sobre Wojtyla”), do vaticanista italiano Marco Tosatti.

c) Brasão


Quando, em 1958, é nomeado por Pio XII bispo auxiliar de Cracóvia, escolhe o brasão que virá a adoptar, mais tarde, como Papa, com pequenas diferenças entre um e outro. Como bispo, o brasão simboliza Cristo Redentor e Maria ao seu lado, o mesmo que conservará como Papa.

d) O brasão e a Medalha Milagrosa


Curiosamente, este brasão (foto 3) lembra, de maneira muito clara, a Medalha Milagrosa (foto 4), da aparição da Rua du Bac , a 27 de Novembro de 1830, que nossa Senhora revelou e pediu.

Numa das faces desta surge, em grande plano, um M inicial de Maria. A mesma letra domina o rectângulo maior do escudo de João Paulo II. A Medalha Milagrosa ostenta sobre o M uma cruz. Uma cruz de braços desiguais domina por cima do M toda a superfície do escudo papal. A Medalha Milagrosa foi desde sempre considerada como sinal de consagração à Mãe de Deus, isto é, como prova de que Lhe pertencemos, de que somos dEla.

Para que não haja dúvidas de que o mesmo é o significado deste escudo lá está a legenda latina “Totus Tuus” (todo teu)
e) Escudo eclesiástico.
Campo de azul, com uma cruz latina de jalde adestrada acompanhada de uma letra "M" do mesmo, no cantão sinestro da ponta. O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobre duas chaves "decussadas", a primeira de jalde e a segunda de argente, atadas por um cordão de goles, com os seus pingentes.
f) Timbre
A tiara papal de argente com três coroas de jalde. Sob o escudo, um listel de blau com o mote: "TOTVS TVVS", em letras de jalde. Quando são postos suportes, estes são dois anjos de carnação, sustentando cada um, na mão livre, uma cruz trevolada tripla, de jalde.




Foto 3



Foto 4


g) Brasão pontifício
Interpretação: O escudo obedece às regras heráldicas para os eclesiásticos. O campo de blau representa o firmamento celeste e ainda o manto de Nossa Senhora, sendo que este esmalte significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. A cruz é o instrumento da salvação de todos os homens e representa o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e, sendo de jalde (ouro), simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortinio. A letra "M" representa a Virgem Maria, principal intercessora do género humano, que esteve todo o tempo junto à cruz de seu Filho ("Iuxta crucem lacrimosa" Cf. Jo 19,25), sendo de jalde (ouro), tem o significado já descrito deste metal. Os elementos externos do brasão expressam a jurisdição suprema do Papa. As duas chaves "decussadas", uma de jalde (ouro) e a outra de argente (prata) são símbolos do poder espiritual e do poder temporal. E são uma referência do poder máximo do Sucessor de Pedro, relatado no Evangelho de São Mateus, que narra que nosso Senhor Jesus Cristo disse a Pedro: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu" (Mt 16, 19).

Por conseguinte, as chaves são o símbolo típico do poder dado por Cristo a São Pedro e aos seus sucessores. A tiara papal usada como timbre, recorda, por sua simbologia, os três poderes papais: de Ordem, Jurisdição e Magistério, e sua unidade na mesma pessoa. No listel o lema "TOTVS TVVS", é uma expressão da imensa confiança do Papa na Mãe de Deus: "Sou todo teu, Maria", sendo que ele colocou toda a sua vida sacerdotal sob a protecção da Virgem.

VI– ATENTADOS

a) Atentado em Roma – o dia dos milagres


A) Mártir? – Antes do pontificado
Ao ser eleito Papa, os polacos olhavam para ele como para um irmão mais velho que lhes inspirava respeito e, ao mesmo tempo, um certo temor.

Perturbava-lhes a alegria o pressentimento de que o Papa fosse um dia chamado a dar testemunho da fé pelo sangue. Temiam que acabasse mártir. Conheceriam eles a profecia que S. Pio de Pietrelcina lhe dera no início do seu sacerdócio “Vejo sangue e martírio na tua vida”?

Na juventude esteve pelo menos três vezes às portas da morte:

1 – uma bala disparada involuntariamente por um colega da escola primária que lhe roçou pela cabeça

2 – um camião nazi que o atropelou no regresso da mina, deixando-o sem sentidos, sofrendo uma fracturas de crânio

3 - O dia 6 de agosto de 1944, festa litúrgica da Transfiguração do Senhor, ficou gravado, em Cracóvia, como o "domingo negro": A Gestapo varreu, aniquilou a cidade prendendo os jovens, de forma a impedir a retomada da sublevação de Varsóvia. O arcebispo Sapieha convocou,imediatamente, os seminaristas clandestinos, com a intenção de escondê-los na sua residência. (...)

Ao chegar ao local, a primeira pergunta do padre Mieczyslaw Malinski, seu companheiro de estudos, foi: "Carlos Vojtyla está aí?" Ele lá estava, fazia pouco. Fora salvo por um triz. Durante a busca da véspera, a Gestapo

havia revistado, esmiuçado os dois primeiros andares da casa da Rua Tyniecka, nº 10. Carlos estava escondido atrás de uma porta fechada, no pequeno quarto, no subsolo, rezando para ser libertado, o coração descompassado. E os alemães partiram de mãos vazias.

Os polacos não são supersticiosos. Mas conhecem as emboscadas que a morte aproveita. E notavam neste Papa vocação para o martírio. Mesmo que nada de extraordinário viesse a acontecer (o que não veio a acontecer: lembremo-nos do atentado – capítulo 6 deste livro - e do que ele veio a sofrer em consequência do atentado - capítulo 13).

B) Mártir? – Primeiros tempos do pontificado

A João Paulo II já várias vezes tinha sido apresentada a hipótese de poder tornar-se alvo de algum terrorista. “Quem pode querer mal a algum homem indefeso como eu?”, replicava invariavelmente.

O atentado de 13 de Maio de 1981 podia ter ocorrido muito antes, sobretudo durante as anteriores viagens ao estrangeiro. Na viagem ao Japão, grupos de terroristas corriam dia e noite em volta da catedral e da nunciatura gritando “morte ao Papa católico”.

A viagem ao Extremo Oriente foi a mais perigosa de todas. Os atentados sucederam-se em quase todas as cidades visitadas.

No aeroporto de Karachi, onde o avião parou para se abastecer, a polícia conseguiu por sorte detectar uma bomba, minutos antes de o Papa iniciar a Santa Missa. Explodiu nas mãos do terrorista, um muçulmano, na refrega com os agentes da autoridade. Dois mortos. Não quiseram dizer nada ao Santo Padre, que só soube da ocorrência no dia seguinte pelos jornais.

Nas Filipinas os que o acompanhavam viviam continuamente em sobressalto. Foi-lhe mesmo pedido que aceitasse deslocar-se exclusivamente num auto blindado e que suprimisse algumas etapas.

O Papa ouviu e respondeu com toda a calma:

- Eu vou às Filipinas exactamente para estar no meio do povo. Quero misturar-me com a multidão. Sou um pastor. Tenho de correr alguns riscos.

- Mas a guerrilha, Santidade? – insistiam o núncio e o cardeal Sin.

- É para defender os direitos dos que sofrem que empreendo a viagem. Não tenham medo. Tudo correrá bem.

Assim foi, de facto, mas só Deus sabe a que preço.

Para proteger a vida do Pontífice, o Presidente Marcos quase teve que decretar o estado de emergência.

E João Paulo II, como se ignorasse os perigos que o rodeavam, passou por entre dois milhões de fiéis que o aclamavam em carro aberto, coberto de flores, ao alcance de qualquer pistola ou faca traiçoeira.

- A Providência é mais eficaz que os serviços de segurança – comentava ele.

Os que o rodeavam não duvidavam desta verdade, mas era sempre com um suspiro de alívio que, à noite, o viam entrar no edifício da nunciatura.

Por isso, mais tarde, por ocasião do atentado de 13 de Maio de 1981, João Paulo II dizia:

“Para que me hei-de preocupar? Nossa Senhora já me salvou duas vezes” (Referia-se ao Paquistão e às Filipinas).

Vieram depois os boatos, talvez mais que boatos, sobre possíveis atentados.

Durante a visita aos Estados Unidos e à Irlanda obrigaram-no a usar um auto blindado. Aconteceu o mesmo na Alemanha, em 1980, onde a “Mercedes” fabricou, de propósito, um carro de tecto alto, em pexiglas anti-balas, para que todos o pudessem ver sem correr perigo.


C) O atentado, antes, durante e depois
Mas a ameaça mais directa e mais séria foi a de Istambul, vinda do jovem que o viria a atingir na Praça de S. Pedro.

No dia 27 de Novembro de 1980, um diário turco publicava uma carta em que o terrorista dizia:

- Se a visita não fôr cancelada, ver-me-ei obrigado a matar o Papa.

João Paulo II chegaria no dia seguinte. A nunciatura telefonou imediatamente para Roma a contar o que se passava.

- Rezarei por esse jovem – respondeu o Papa com toda a serenidade.

- Trata-se de um terrorista perigoso – avançaram as autoridades turcas – já matou um homem. Foi condenado à morte. Não tem nada a perder…




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