I o envelhecimento no feminino um desafío para o novo milénio 1/ V colecçÃo informar as mulheres n°



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No contexto da União Europeia, Portugal acompanha a tendên­cia dos países do Sul, como a Itália, Espanha e Grécia que, tal como a Alemanha, registam proporções inferiores de população jovem (com menos de 15 anos), quer em homens, quer em mulheres, como resultado da baixa fecundidade. Suécia, Bélgica e Espanha apresen­tam proporções superiores à média da União Europeia de mulheres com mais de 65 anos. Portugal situa-se abaixo dos valores médios europeus, encontrando-se contudo numa posição superior à dos países menos envelhecidos como a Irlanda e o Luxemburgo.

3.1. NOÇÃO DO QUE É O ENVELHECIMENTO

Ser velho/velha não é sinónimo de ter doença nem ser doente -assim como ser doente ou ter doença não é ser velho/velha. A velhi­ce não é uma idade cronológica nem o envelhecimento sinal de deficit, declínio ou percurso patológico.

Envelhecer é antes de mais uma arte, ou seja, como alguém refe­riu, uma capacidade de interpretar em cada momento a vida existencial no seu percurso para a morte. Envelhecer não é uma involução que isola, é antes um desenvolvimento que socializa. Envelhecer é tomar a consciência de si, é encontrar-se, é a moderação do ego, é conhecer as limitações do corpo.

A pessoa velha é portadora de uma história, de uma cultura, de toda uma experiência de vida, de saber e de existência que deverá ser partilhada com as outras gerações. O termo "terceira idade", que tem a ver com as pessoas com 65 e mais anos, relaciona-se antes de mais com a reforma/aposentação do seu posto de trabalho. Deste afasta­mento não resulta qualquer fragilidade, a reforma deverá ser relacionada apenas com uma idade sócio-económica.

A diminuição de algumas funções orgânicas - algum deficit auditivo, visual, maior limitação na mobilidade, mais dores ósseas e articulares - não é uma característica obrigatória para uma determi-nada idade cronológica, mas antes um processo que acompanha a

senescência. Consideramos que a senescência não é sinónima de senilidade. Senescer não é velhice, é sim envelhecer - processo que se inicia desde o momento da concepção.



3.2. CONSEQUÊNCIA DO ENVELHECIMENTO E SUAS IMPLI-CAÇÕES

As mudanças demográficas da segunda metade do século XX vêm confirmar que a esperança de vida continua a aumentar embora com ritmos diferentes para homens e mulheres e que o declínio da fecundidade é uma constante. A família tradicional sofre profundas transformações, tornando-se mais pequena e surgindo novas formas de família.

As questões de género ganham importância nas últimas déca­das, assistindo-se, nas sociedade ocidentais, a alterações significativas a nível da divisão dos papéis tradicionalmente desempenhados por homens e mulheres.

Assiste-se gradualmente a um novo modelo menos assimétrico de divisão de tarefas entre homem e mulher. Se se analisar o fenó­meno do envelhecimento pela base da pirâmide etária, haverá con­sequências, sobretudo a longo prazo, nas gerações activas futuras e na dinâmica do mercado de trabalho.

Se observarmos a pirâmide pelo topo, a repercussão das questões do envelhecimento e da autonomia será a curto prazo um tema actual. Este fenómeno social é um dos grandes desafios do sec. XXI obrigando à reflexão sobre questões pertinentes e actuais como a idade da reforma, os meios de subsistência, a qualidade de vida das pessoas idosas, o seu próprio estatuto na sociedade em termos de cida­dania, a solidariedade inter-geracional, tal como a sustentabilidade do sistema de segurança social, da saúde e do próprio modelo sócia' vigente.

Simultaneamente, uma sociedade constituída por pessoas malS velhas pode contribuir para o seu próprio desenvolvimento criand0

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novas oportunidades de intervenção em diversos domínios, bem como novas actividades económicas e novas profissões, sobretudo na área da prestação de serviços a nível comunitário, das colectividades e das redes de solidariedade.

É importante não esquecer que as pessoas idosas de hoje são diferentes dos idosos e das gerações mais antigas, tal como os seus próprios padrões de consumo específicos, exigências e formas de intervenção na sociedade actual. Mas então quem é o/a idoso/a? Qual o limite cronológico para definir a pessoa idosa? Obviamente qualquer limitação a impor poderá constituir um erro pois ao falar­mos das pessoas mais velhas deveremos falar das várias idades - isto é: a idade cronológica, a idade biológica e a idade percepcionada pela própria pessoa e pelos outros.

A idade cronológica dificilmente traduz a dimensão biológica, física e psicológica da evolução do ser humano. A idade biológica por si só é também limitativa pois a noção de autonomia e o estado de saúde devem ser factores a ter em conta pois afectam os indivíduos com a mesma idade de maneiras diferentes.

Em 1992 a Comunidade Europeia elaborou um questionário sobre "Idades e Atitudes". Foi um estudo que procurou antes de mais alterar o significado da expressão "terceira idade" devido a estar já desadequada e descontextualizada em consequência do aumento da esperança de vida da actual sociedade. Foi assim proposta em França a noção de "4a idade" para todos aqueles que tivessem 75 e mais anos (INE, 2002a).



Nesse mesmo inquérito, foram avaliadas as respostas dadas por cada pessoa em relação à maneira como gostaria de ser designada. Surgiu, como seria de esperar, grande diversidade de respostas. A designação "pessoas mais velhas" foi a mais aceite pela maioria dos Países que nessa altura constituíam a União Europeia, sobretudo Pelos países da Europa do Sul, com excepção da Itália que preferiu o termo "pessoa de idade".

A expressão "os mais velhos" foi rejeitada por quase todos os Ses membros embora seja a expressão vulgarmente mais utilizada

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pelos políticos, gerontologistas e pelos media, neste estudo. A expres­são "sénior" foi de longe a mais preferida por alguns países do Norte da Europa como o Reino Unido, a Alemanha, e a Irlanda.

Neste livro consideramos a pessoa idosa aquela que tem idade igual ou superior a 65 anos e que, em Portugal, coincide com a idade da reforma.



Como atrás já foi referido, o envelhecimento é uma fase normal da vida de cada indivíduo, tal como se nasce, se cresce, se amadurece, também se envelhece.

O envelhecimento visto assim, como algo natural e inerente ao ser humano, deverá ser vivido de uma forma positiva por cada um, cabendo à sociedade proporcionar as condições, nomeadamente politico-económicas, que permitam melhorar substancialmente as condições de vida das pessoas mais velhas, potenciando a igualdade de oportunidades de intervenção numa visão de cooperação inter--pares e inter-geracional e promovendo autonomia e participação plena das pessoas mais velhas na comunidade, com base nos princí­pios do envelhecimento activo.

Igualmente importante será implementar medidas de prevenção de doença e de promoção de saúde, fomentando a autonomia e a pre­venção da dependência, a fim de conseguir um envelhecimento com êxito, competente e activo, com alguns ganhos psicológicos a nível da auto-estima e auto-imagem.

O futuro deverá ser, antes de mais, potencializante e não catas­trófico, devendo-se promover uma cultura de comunicação entre os indivíduos gerontes, com uma correcta avaliação do seu grau de satis­fação em relação à sua qualidade de vida, reconhecendo ao mesmo tempo algum direito ao risco.

Por outro lado, deve-se reforçar a cidadania activa através do


prolongamento de actividades profissionais e/ou outras, de forma a
que as pessoas mais velhas assimilem papéis relevantes no contexto
familiar desempenhando, ao mesmo tempo, funções de poder e de
influência com intercambio de experiências e saberes com novas
gerações. ;< v

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Deve-se conhecer bem a população existente em cada região, conhecendo as suas características e os recursos existentes a nível das próprias comunidades e, a partir daí, programar projectos sociais de intervenção.

Todos sabemos que não é igual envelhecer em meios rurais e urbanos, como não é igual o envelhecer na mulher e no homem. A velhice vista deste modo será sempre uma velhice com competência, com capacidade individual por parte da pessoa idosa de se cuidar a si mesma conseguindo levar a cabo actividades quotidianas de inde­pendência, de reforço cognitivo, etc.

O envelhecimento activo será pois aquele que permitirá às pessoas mais velhas optimizar os seus recursos levando a cabo as actividades de vida diária (higiene, alimentação, vestuário, etc.), participando activamente na vida das comunidades a que pertencem e, como é geralmente defendido, trabalhando sobre o material de que está feita a vida - que é o tempo. Potencializar, integrar, motivar e testar os recursos das pessoas mais velhas é pois um desafio lançado no novo milénio.



A avaliação das pessoas idosas deve contemplar as várias com­ponentes: biológica, psicológica, cultural, familiar e comunitária. Por parte do pessoal técnico e gerontologista deve-se trabalhar numa mentalidade e postura multi e interdisciplinar em que o conjunto diversificado de profissionais, para além dos seus saberes científicos, se conjugue numa linguagem sistémica e global em relação à pessoa idosa.

3.3. NOÇÃO DE VELHA, IDOSA E GERONTE E SEUS ES­TIGMAS



Já afirmámos anteriormente que vivemos num mundo grisalho. O facto já anteriormente aceite que as mulheres vivem mais tempo do que os homens, mas que apresentam índices de incapacidade superiores, constitui a base de qualquer discussão da relação entre género e saúde.

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Nos países do primeiro mundo, a esperança de vida das mulhe­res cresceu a um ritmo mais rápido do que a dos homens. Contudo, o actual excesso de mortalidade masculina em todas as faixas etárias nem sempre existiu, tendo sido em meados do século XIX que se inverteu a tendência dos homens morrerem mais tarde do que as mulheres. Actualmente, em países como o Butão e o Nepal, a esperança média de vida dos homens é superior à das mulheres. Há especialistas que explicam alguns dos motivos para a maior esperança média de vida das mulheres, nomeadamente a melhoria das condições de vida materiais, familiares e psico-sociais. De facto, durante o século XX a mulher passou a ter menos filhos, a tê-los mais tarde e a dispor de melhores condições de vida, levando assim a uma dimi­nuição da mortalidade feminina durante os "anos reprodutivos".Por outro lado, a melhoria das condições económicas e a entrada maciça da mulher no mercado de trabalho durante o último quarto do século XX, contribuíram também largamente para a baixa mortali­dade feminina.

Em quase todas as causas de morte, a mortalidade masculina excede a feminina, contudo é sobretudo nos acidentes e em certos comportamentos auto-destrutivos que a diferença entre homens e mulheres é mais notória. Aqui também os estilos de vida associados à masculinidade são menos saudáveis que aqueles associados à femi­nilidade. Os homens bebem mais, até há uma geração atrás fumavam mais, guiam mais depressa, e desempenham tarefas profissionais mais arriscadas. Por outro lado, evitam procurar ajuda médica ou psicológica. Assim sendo, a masculinidade não se traduz apenas em privilégios. Ela manifesta-se, antes de mais, em comportamentos vulneráveis que conduzem a situações de risco às quais os homens não prestam a devida atenção. As mulheres, por seu lado, expõem-se menos a condutas de risco, procurando com mais frequência os cuidados médicos existentes.



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3.3.1. Desigualdade de género - variáveis sexo e idade.

Perante as diferenças de comportamento entre homens e mulheres é importante definir os conceitos "sexo" e "género". O pri­meiro diz respeito a uma condição biologicamente dada, o segundo é utilizado para descrever uma condição socialmente definida desde a infância.



As identidades "masculina" e "feminina" são ao mesmo tempo fonte de atitudes e de comportamentos diferenciados e de expectati­vas organizadas em face dos papéis que os homem e as mulheres têm na sociedade actual.

Até ao último quarto do século XX, a mortalidade feminina decorria de questões ligadas à reprodução - ou seja - ao sexo. Actualmente a mortalidade prematura (antes dos 65 anos) depende quase na totalidade das consequências dos estilos de vida por que cada pessoa opta, bem como dos papéis sociais masculino e feminino existentes na esfera da família, na actividade profissional e no lazer.



Contudo, os dados relativos à mortalidade na década de 90 nos EUA e Inglaterra mostram uma tendência para a diminuição da dife­rença entre mortalidade masculina e feminina devido à descida mais rápida da primeira em relação à segunda. Há autores que afirmam que esta tendência veio para ficar e que a vantagem das mulheres pode mesmo desaparecer nos próximos anos, pois, à medida "que os padrões de vida dos homens e mulheres se aproximam, os seus padrões de saúde e susceptibilidade à doença também convergirão" (in VILLAVERDE CABRAL, 2002:57). Uma das razões apontadas para esta diminuição da mortalidade masculina pode estar no declínio de determinadas actividades industriais de risco que empregavam maioritariamente homens e que hoje são substituídas pela tecnologia industrial. Por outro lado, surgiram novos comportamentos de risco para as mulheres como o consumo de tabaco, nestas últimas duas décadas, verificando-se uma diminuição do consumo por parte dos homens, fenómeno que ainda não tem correspondência no sexo femi­nino. As mulheres vivenciam, ainda, no quotidiano novas situações

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decorrentes da necessidade de, exercendo uma actividade profissio­nal, continuar a dar resposta às diversas actividades familiares. Levar crianças ao colo em transportes públicos ou fazer compras depois do emprego e carregá-las, no autocarro ou no metropolitano para casa correspondem a comportamentos de esforço físico e constituem sinais de alguma morbilidade. Recordemos ainda o facto de muitas das tarefas domésticas exigirem igualmente grande esforço físico como o engomar, cozinhar, etc.

Outra questão a ter em conta numa perspectiva de género é a diferença de morbilidade verificada nos homens e nas mulheres. As mulheres britânicas afirmam sofrer mais de doença crónica limitativa e incapacitante com restrição da actividade física e psíquica do que os homens, além de afirmarem de forma sistemática possuírem uma saúde pior que a dos homens. Ao contrário do sexo masculino, o feminino tem de assumir vários papéis no domicílio como mulher e mãe, no trabalho como profissional, geralmente colocada em funções subordinadas em relação aos homens, com salários mais baixos que os seus colegas e por vezes a trabalharem em "part time" para poder conjugar os vários papéis sociais. Assim sendo, as mulheres são mais vulneráveis às questões materiais e isso é visível no caso de mães sol­teiras, cuja saúde é normalmente pior que a das mulheres casadas. Outra questão a ter em conta é que as mulheres recorrem mais à con­sulta médica do que os homens, contudo, para o autor MacFarland, se se descontar os motivos relacionados com a reprodução e a mater­nidade (acompanhamento dos filhos), a diferença entre homens e mulheres dos quinze aos quarenta e quatro anos praticamente desa­parece.



A faixa etária feminina acima dos quarenta cinco anos e que acorre mais à consulta médica pode ser explicada pela socialização feminina, "que torna mais aceitável que as mulheres procurem ajuda médica mais cedo que os homens" (in VILLAVERDE CABRAL-2002: 58-59), prescrevendo os profissionais de saúde mais medica" mentos e de um modo mais fácil às mulheres - nomeadamente ansiolíticos e antidepressivos, não por necessariamente estas terefl1

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mais problemas/doença psíquica, mas pela reprodução de estereó­tipos por parte dos técnicos de saúde em relaçlo à mulher como ser físico emocionalmente mais frágil e instável do que o homem.

Concluindo, o maior recurso aos serviços médicos pode ser um indicador falível de morbilidade, pois o indivíduo pode sentir-se doente e não ir ao médico, ou recorrer a este mal sinta algum sintoma que lhe traga mau estar. É importante compreender que parte da morbilidade feminina pode resultar de diferentes atitudes e compor­tamentos perante a doença. A velha questão se a mais alta morbili­dade das mulheres é real pode não ter resposta perante esta tendência das mulheres sobredeclararem a doença e os homens a subdeclararem. Com a entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho e os benefícios surgidos da evolução da medicina, permitindo-lhe controlar de modo seguro a fecundidade, a mulher passa a dispor de uma auto­nomia que não existia até então. Actualmente as jovens, por via do acesso a mais e melhor educação, têm facilitada a entrada no mercado de trabalho e podem atingir uma carreira profissional equiparada à dos homens.

Contudo, e apesar dos avanços para a construção de uma socie­dade mais paritária, continuam a persistir situações desiguais, nomea­damente no acesso a determinadas funções e cargos na progressão das carreiras, bem como ao nível dos salários, da reforma e da conci­liação dos vários papéis sociais nas esferas familiar e profissional.

A herança de séculos de história de dominação masculina resultou num modelo de sociedade patriarcal que existiu até ao século XX. Contudo é neste século, como atrás já foi referido, que surgiram os movimentos de emancipação das mulheres e a implementação de Planos para igualdade de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres. No último quarto do século XX desenvolveram-se os con­ditos de género e de igualdade de género, e o reconhecimento da •mportância da equidade no processo de desenvolvimento sustentável.

E na década de 90 que as questões da igualdade de oportunida­des e de género, inseridas e integradas numa perspectiva de direitos manos, são abertamente assumidas. Reportando-se o conceito de

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género à construção social do masculino e do feminino, bem como às diferenças sociais de cada sexo, o principio da igualdade de género corresponderá à igual visibilidade e participação, tanto dos homens como das mulheres, na esfera de vida privada e pública. Assim sendo as questões de saúde, reprodução, educação, formação e independên­cia económica são factores essenciais para alcançar essa igualdade

Em 1975 foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas o "Ano Internacional das Mulheres". O Tratado de Amesterdão da União Europeia e as Conferências Internacionais sobre população, realizadas no âmbito da ONU, constituem traves mestras na promoção de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.

Uma das missões atribuídas à União Europeia é promover a igualdade entre homens e mulheres, tendo o Tratado de Amesterdão de 17 de Junho de 1997 reforçado o princípio da não descriminação com base no sexo. Nesse sentido o Quinto Programa Comunitário de Acção a Médio Prazo (2001-2005) consagrou como dois dos seus objectivos "Promover e divulgar as práticas subjacentes à igualdade entre homens e mulheres" e "Desenvolver nos intervenientes a capa­cidade de promover a igualdade entre homens e mulheres, nomea­damente através de apoio ao intercâmbio de informações e boas práticas e da ligação em rede a nível comunitário".



As declarações das diversas Conferências Internacionais sobre a população enunciam os princípios fundamentais que devem guiar as acções políticas e seus programas identificando os problemas, deli­neando estratégias e linhas de actuação e/ou mudanças face a esta nova problemática do género.

Em 2000, o Conselho Europeu apelou aos Estados Membros para que estes fomentassem "todos os aspectos de igualdade oportunidades na política de emprego, incluindo a redução segregação profissional e a ajuda à conciliação da vida profission familiar... definir metas quantitativas de elevada importância pa / concretização da igualdade entre homens e mulheres na vida e mica" (in INE, 2002b:12). A elevação da taxa média de empreg0



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mulheres para mais de 60% até 2010 surge como meta importante 0ara concretizar a igualdade na vida edmómica. Todavia, se as mu­lheres vivem mais tempo que os homens, é fundamental não esquecer 0 lado negativo da vantagem feminina, pois as mulheres mais velhas constituem o grupo mais pobre da população, alvo de "desigualdades criadas e reforçadas pelo mercado de trabalho e transportadas para a reforma..." (VILLAVERDE CABRAL, 2002: 64).

Quando se fala na quarta idade (75 e mais anos) surge o sexo feminino como principal protagonista ao nível da incapacidade tanto física como mental, havendo assim uma maior necessidade de cuida­dos de saúde por parte da população idosa feminina, com maior con­sumo de medicamentos em função da sua múltipla patologia. Será também pertinente afirmar que o modo como são utilizados neste grupo etário os recursos aos cuidados de saúde e os gastos com os medicamentos não é idêntico em todos os grupos sociais, nem entre homens e mulheres. Os grupos com menores rendimentos, menos escolaridade, e aqueles que tiveram ocupações profissionais mais manuais possuem maiores níveis de morbilidade do que as pessoas idosas que se encontram no topo da hierarquia social.



Contudo os indivíduos das classes sociais mais desfavorecidas e que referem mais limitação e incapacidade física ou mental não são necessariamente os que gastam mais dinheiro em medicamentos, ou seja, é nos grupos sociais com um capital de saúde inferior que o acesso económico aos medicamentos é mais problemático.

Face a esta panorâmica podemos afirmar que o estado de saúde do idoso e da idosa parece ser o resultado cumulativo de todas as influências que afectaram o seu percurso de vida desde a infância, como o crescimento, a ocupação profissional, o rendimento, a escola-

de, ° aPoio familiar, etc. Sabe-se que ao longo da história as pes-

as "as classes sociais mais baixas têm taxas mais altas de doença e,

sar de não se saber bem as razões deste fenómeno, podemos

j esentar algumas questões a ter em conta como a pobreza, o mau



mento, a má nutrição, os cuidados médicos inadequados e a educação. As vantagens e desvantagens adquiridas durante

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toda a vida activa irão influenciar a forma e o modo como cada indi­víduo envelhece; envelhece-se de acordo com a forma como cada um viveu e se rf lacionou no trabalho, na família e na sociedade em geral. É importarte não esquecer que a actual população idosa e muito idosa (75 e nais anos) foi alvo de um processo de selecção, superando as barreiras da mortalidade infantil, mortalidade prematura, guerras mundiais, etc. Se não existisse este processo de selecção, as dispari­dades seriai ainda maiores.

Se o Estado continuar a evitar assumir maiores responsabilida­des financeiras, é muito possível que no futuro a mulher, principal "dispensadora de cuidados", seja esposa ou filha, venha a não ter disponibilidade para desempenhar uma função até agora feminina. O facto das funílias serem cada vez menos numerosas e haver grande número de famílias monoparentais faz com que o papel da mulher como traditional cuidadora dos mais idosos tenda a desaparecer face à participarão daquela na vida social. Actualmente, o facto de haver mais velhíS que velhos, mais viúvas que viúvos, faz das mulheres idosas um alvo mais susceptível, pobre e a necessitar cada vez mais de cuidadcs do sector sanitário e social.

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4. A MULHER IDOSA E A GLOBALIZAÇÃO NA SOCIEDADE ACT\JAL



A velhice é uma experiência comum ligada ao ser humano. Não obstante, é a única etapa de desenvolvimento que não tem estatuto social. Contudo, quer a experiência quer a investigação demonstra­ram que a velhice pode ser um tempo propício para o crescimento. Sharon Kaufman (1986) fez um estudo sobre a própria visão que os idosos tinham sobre a sua velhice. "Que representa para eles a expe­riência de ser velho?". As pessoas idosas expressam um "eu sem idades". A seus olhos, cada um é sempre o mesmo, quer em etapas anteriores, quer mais tarde, apesar das modificações físicas e sociais trazidas pelo envelhecimento. As pessoas idosas, que experimentam a sua velhice como uma etapa de crescimento, têm um sentimento de atingirem a totalidade do seu ser, independentemente da sua idade cronológica.

Podemos afirmar que a velhice apresenta três dimensões inter­ligadas, nomeadamente, a crise de identidade, em que há uma neces­sidade da pessoa idosa estabelecer novas relações consigo mesma e com o mundo, a crise de autonomia, em que a pessoa idosa tem neces­sidade de estabelecer novas relações com os outros a fim de satisfa­zer as suas próprias necessidades e, finalmente, a crise de pertença, em que a pessoa idosa precisa de fazer novas relações com o meio que a envolve e consigo mesma, pela perda de papel social a quando da reforma.

As perdas físicas não são as únicas experimentadas pela pessoa idosa nem as mais traumatizantes. A perda do papel social é normal­mente uma situação altamente negativa sentida pela pessoa idosa, Pois, tal papel representa uma fonte de pertença, dinamismo e valo­rização que se perde quando a pessoa é aposentada. Todas as perdas experimentadas pelos/as idosos/as têm o mesmo denominador comum, isto é, constituem uma ameaça á auto-estima das pessoas 'ttais velhas. Assim sendo, a primeira tarefa do/a idoso/a consiste em manter intacto o sentimento da sua própria continuidade, como ser

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vivo, ao longo das perdas vinculadas pelo próprio envelhecimento Isto significa que a pessoa idosa deverá viver as experiências de deca­dência sem que por isso mesmo se altere a imagem que tem de si mesma ou da sua auto-estima. Para isso, é fundamental que viva experiências válidas em contextos apropriados que lhe transmitam as mesmas mensagens de antigamente: "Você é alguém, existe, é imgor^ tante. é estimado/a e é competente". mensagens estas que redefinam o seu próprio sistema de valores, fazendo uma boa integração de riquezas e experiências positivas do passado, bem como do presente.





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