I o envelhecimento no feminino um desafío para o novo milénio 1/ V colecçÃo informar as mulheres n°



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1.2.2. Literacia

Apesar do aumento considerável das taxas de escolarização e da consequente baixa no analfabetismo, constata-se um novo tipo de "analfabetismo" relacionado com as dificuldades na utilização do Material escrito. De facto o saber ler e escrever por si só não significa lue o indivíduo consiga satisfazer determinadas exigências sociais e/ou profissionais com as quais se confronta no seu dia a dia. Este novo "analfabetismo" é visível na incapacidade do domínio da leitura, da escrita e do calculo mental que poderão diminuir ou limitar a Participação do indivíduo na actual sociedade global e competitiva.

De acordo com o Estudo Nacional de Literacia, realizado em 1998 (INE, 2002b), a maioria da população adulta inquirida residente em Portugal continental situa-se nos níveis baixos ou muito baixos de literacia, sendo muito poucos os que correspondem a níveis supe­riores de literacia.



1.3. O ENVELHECIMENTO E A FAMÍLIA

A maioria da população portuguesa continua a procurar na família o seu principal apoio. A família de hoje distingue-se de forma significativa do modelo do século XIX na qual o homem, encarado como pai e chefe de família, era considerado o patriarca e a mulher, intrinsecamente associada à célebre trilogia de esposa, mãe e dona de casa, tinha um papel subalterno. Actualmente, apesar da persistência deste tipo de estruturas familiares, elas já não representam de forma exclusiva o modelo de família. Mesmo as famílias nucleares conju­gais, compostas por pai, mãe e filhos, não se alicerçam nos mesmos princípios e valores do passado, isto é, a família nuclear conjugal manter-se-à desde que continue a permitir que cada um dos seus ele­mentos encontre formas de satisfazer e concretizar as suas aspirações, necessidades e projectos.



A família nos dias de hoje é um projecto de felicidade. Quando falha, desmorona-se, quebram-se os elos entre os seus elementos e constrói-se outro modelo, é por isso que na actualidade surgem cada vez mais famílias recompostas, monoparentais ou, no extremo oposto, a família unitária onde a solidão poderá ser uma constante.

Segundo a socióloga Engrácia Leandro2, da Universidade do Minho, "estamos perante uma mãe que trabalha fora de casa, um pai que deixou de ser o produtor de bens, o "pater famílias" que ordena e que tem sempre a ultima palavra". Segundo a mesma autora, pelos

2 Conferência proferida no XXI Encontro Nacional de Clínica Geral, em Vilamoura, em 2004.

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Censos de 2001, verifica-se que, nos dias de hoje, a família é mais restrita, compondo-se cada agregado familiar por uma média de 2,5 pessoas, constatando-se, simultaneamente, que a autoridade na famí­lia é mais partilhada.

Segundo a mesma socióloga, "na história da humanidade a famí­lia nunca apresentou uma forma única, coexistiam várias formas, embora uma delas predominasse". Nos dias de hoje continua a pre­valecer a família nuclear conjugal, mas paralelamente estão surgindo novas formas de família, como atrás já foi referido, nomeadamente as famílias monoparentais, recompostas e a família conjugal de cariz homossexual.

Segundo Engrácia Leandro, "no passado a mulher solteira não tinha honras de família, e o conceito de família monoparental só surgiu nos anos 70 em Inglaterra. Contudo a família recomposta data do século XIX ou de tempos ainda mais recuados, quando era comum a mulher morrer durante o parto e portanto ainda jovem. Nessa altura os homens procuravam casar rapidamente pois não estavam capacitados para preencher o papel que a mãe representava na família". O que é interessante constatar, segundo a mesma soció­loga, é que "antigamente as famílias recompostas se formavam na ausência de um dos pais, enquanto que nos nossos dias, elas formam-se a seguir a um divórcio ou uma separação, com a presença viva dos pais biológicos". Estes podem intervir na vida dos seus filhos, e em caso de conflitos não resolvidos, na vida dos ex-cônjuges.

O que importa reter é que nas famílias recompostas as relações entre os vários protagonistas (pai, mãe, padrasto, madrasta, avós, irmãos e/ou meios irmãos) é complexa e difícil e mais ainda quando nos debruçamos sobre os elementos mais velhos dessas mesmas famílias, que bastas vezes têm sobre si a responsabilidade dos cuidados a prestar aos elementos mais jovens, nomeadamente a netos e netas. Assim sendo, o impacto desta complexa relação de afectos e de vivências entre os elementos deste tipo de famílias pode provocar alguma morbilidade em termos de saúde física e mental nalguns dos Seus elementos, fenómeno que não deverá ser minorizado.

Outra questão a ter em conta segundo a mesma socióloga, e com efeitos a médio prazo em termos de Saúde Pública são as questões do Síndrome de ImunoDeficiência Adquirida (SIDA), que está a aumentar nos grupos etários mais velhos acima dos 50 anos, sobretudo nos heterossexuais do sexo masculino divorciados e com uma procura sexual não protegida. Também aqui as questões de género são visí­veis, pois, após um divórcio, o novo casamento é mais facilitador para os homens do que para as mulheres, pois são estas que normalmente ficam com a custódia dos filhos.

Apesar de tudo, segundo refere Engrácia Leandro "a família sendo uma instituição universal e ancestral, tem sabido resistir e adaptar-se aos tempos modernos, sendo ela própria construtora de modernidade".



De acordo com José Cruz Lopes3, professor da Universidade Nova de Lisboa, 1999 foi um ano de referência em Portugal pois pela primeira vez o país passa a ter por cada 100 jovens (menos de 15 anos) mais de 100 idosos, assistindo-se ao aparecimento da quarta idade (mais de 75 anos), com as respectivas repercussões sociais e económicas que a família moderna sozinha não tem capacidade para suportar.

Segundo a Maria José Hespanha4, médica e directora dos servi­ços da Sub-Região de Saúde de Coimbra, as profundas alterações produzidas no seio da família não podem ser só objectivadas nem resolvidas no seu interior. É necessário "responsabilizar as institui­ções públicas através de políticas de protecção adequadas... pois as famílias têm maior longevidade mas menos capacidade para enfren­tar as necessidades do quotidiano".

De facto, em termos de prestação de cuidados médicos, nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), as consultas médicas são cada vez mais procuradas por idosos, não apenas por efeito de maior



3 Conferência proferida no XXI Encontro Nacional de Clínica Geral, em Vilamoura, em 2004.

4 Conferência proferida no XXI Encontro Nacional de Clínica Geral, em Vilamoura, em 2004.

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sobrevivência mas sobretudo por falta de disponibilidade das famílias activas para cuidarem e ouvirem os mais velhos, sendo esta uma das razões da necessidade de institucionalizar alguns idosos.

Outra das questões actuais é a prevalência que o indivíduo, enquanto tal, tem sobre o grupo. As pessoas preocupam-se cada vez mais com os seus problemas e conflitos pessoais, tentando resolvê-los à sua maneira, sem se preocuparem com as consequências que daí resultam para os outros elementos familiares, nomeadamente os mais velhos, que pelas circunstâncias do próprio envelhecimento necessitam de mais tempo por parte dos familiares.

Recorde-se, ainda, o significativo alargamento do papel da mulher para além das suas actividades domésticas e familiares e a sua presença no mercado de trabalho, o que veio transformar profunda­mente a dinâmica da própria estrutura familiar. A realidade muda mais rapidamente do que as mentalidades e a mulher não viu ainda plenamente reconhecida a necessidade de partilha, no casal, das tare­fas e das obrigações domésticas, bem como dos cuidados a ter com a família.

O duplo ou triplo papel da mulher na sociedade, resultante da dupla jornada, é um dado novo, não tendo ainda sido feitos investi­mentos em equipamentos e serviços que possam servir de apoio ao trabalho doméstico e ao cuidar de terceiros, e que permitam corrigir a desigualdade de género que se repercute na divisão sexual de tare­fas na vida familiar.



É pois fundamental que surjam e que sejam dinamizadas novas formas de estruturas de apoio às famílias e aos gerontes que com elas vivem, pois a mulher de hoje deixou de ser a tradicional cuidadora dos elementos mais velhos da família.
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2. O ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL

Uma das características das sociedades ocidentais nos finais do século XX foi a evolução da demografia no sentido de um envelheci­mento global da população. Os avanços da medicina, a generalização dos hábitos de vida mais saudáveis e o controlo de doenças infecciosas vieram permitir o aumento da esperança média de vida dos indivíduos. O fenómeno do envelhecimento agudiza-se ainda mais porque para­lelamente ao aumento de esperança de vida produziu-se uma queda substancial no índice de fecundidade das mulheres, fazendo com que o número de nascimentos tenha vindo a baixar nos últimos anos.

Assim podemos dizer que a sociedade ocidental é cada vez mais grisalha.

2.1. A IMPORTÂNCIA DA PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVEN­ÇÃO DA DOENÇA

Assim como nascemos, crescemos, amadurecemos também envelhecemos. O envelhecimento deverá ser visto de uma forma autónoma, optimizando ao máximo as características e potencialidades de cada pessoa idosa ou geronte, devendo ser estimuladas estratégias a nível dos cuidados médicos para uma promoção de saúde e pre­venção de doenças que possam afectar a deterioração física e psíquica do indivíduo, estabelecendo simultaneamente medidas de apoio e de reabilitação que favoreçam a autonomia pessoal e a manutenção de uma qualidade de vida satisfatória.

2.1.1. Linhas de actuação - objectivos e medidas a ter em conta

Para melhorar o bem-estar físico, psíquico e social das pessoas lQosas, deve-se antes de mais promover a saúde e fazer prevenção primária de algumas doenças.

Medidas a adoptar:

  • Realizar programas e campanhas de divulgação na imprensa, televi­são, rádio e outros meios de comunicação social que possam melhorar a educação para a saúde das pessoas mais velhas.

  • Levar a cabo campanhas de formação e informação sobre temas vários desde a hipertensão arterial (HTA), diabetes (DM), osteoporose, demências, etc. - temas estes escolhidos por cada utente e suas famílias. Estas campanhas poderão ser realizadas nos próprios centros de saúde, centros de dia, centros sociais, paróquias, juntas de freguesia, etc.

  • Elaborar programas, seminários e colóquios com orientações práticas e distribuição de folhetos ou textos explicativos sobre as várias temá­ticas escolhidas a realizar naqueles locais.

  • Promover hábitos de vida saudáveis, desde as questões de nutrição, de uma boa alimentação, da prática de actividade física regular e contí­nua, da higiene do sono, etc.

  • Realizar campanhas de sensibilização contra comportamentos aditivos como o uso e abuso de álcool, drogas, tabaco, etc.

  • Prevenir acidentes domésticos e o abuso de medicamentos.

  • Estimular a prevenção de algumas doenças como a gripe, pneumonia, e outras patologias do foro respiratório através da vacinação.

  • Fazer campanhas de rastreios contra o cancro da mama, do útero, do cólon, da prostata, etc.

  • Proporcionar o exercício físico nas pessoas mais velhas fazendo-as participar em actividades físicas programadas em centros gerontolo-gicos, polidesportivos, municipais, clubes desportivos, etc.

  • Incluir programas de formação inicial de profissionais que formam a equipa de prestadoras/ores de cuidados com os conteúdos gerontologi-cos suficientes para prestar uma assistência integral e global às pessoas mais velhas.

No caso de dependência física da pessoa idosa, deve-se estimu­lar o mais possível a permanência desta no seu domicílio através de equipas de profissionais (de enfermagem, médicas, gerontologistas) que se desloquem à própria residência do indivíduo, prestando-lhe

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cuidados médicos, de enfermagem e de reabilitação por forma a restabelecer sempre que possível a autonomia física e psíquica, diminuindo o mais possível o tempo do internamento hospitalar.



2.1.2. A importância dos estilos de vida saudáveis

De uma forma simples, podemos afirmar que quanto mais infor­mação acerca dos vários temas de saúde e doença as pessoas possuí­rem, mais responsabilidade cada um terá no seu próprio estado de saúde e/ou doença. Se as condições sociais, exógenas ao ser humano, como sejam os contextos profissional, familiar, de lazer etc, forem favoráveis à realização pessoal do indivíduo, elas constituem uma mais valia significativa para a sua saúde física e mental. Se as mesmas condições forem adversas à realização pessoal dos indivíduos, elas poderão conduzir a estados de saúde negativos do ponto de vista, quer mental, quer físico

Qualquer estratégia de intervenção deverá ser dirigida a cada indivíduo, respeitando, deste modo, a diversidade e heterogeneidade que representa o conjunto das pessoas mais velhas. Cada uma deverá ser protagonista do seu próprio programa, responsabilizando-se ao máximo pela participação colectiva que faz com o grupo social em que está inserida.



Contudo os estudos realizados sobre os estilos de vida saudáveis apontam para a complexidade de relações entre "informação" e "acção", mostrando que um elevado nível de informação sobre riscos associados a alguns comportamentos não tem como consequência necessária por parte do indivíduo evitar esses comportamentos. Um exemplo conhecido são os estudos sobre a comunidade homossexual, que mostram como indivíduos com conhecimentos elevados sobre as formas de transmissão do vírus do SIDA mantém no entanto práti­cas de elevado risco (FITZPATRICK et ai, 1989).

A saúde vista como um bem-estar psico-social, espiritual e cul­tural, e não apenas ausência de doença deverá ter como exigência

uma prevenção da mesma. Dever-se-à fazer uma séria educação para a saúde que seja realmente preventiva, contribuindo-se para o desa­gravamento dos resultados dos comportamentos negativos. Nesta área, a prioridade absoluta tem de ser os Cuidados de Saúde Primários, onde o papel da/o médica/o de família especialista em Medicina Geral e Familiar é insubstituível, pois ela/ele é cada vez mais um elemento de informação e de veiculação de mensagens para a implementação de estilos de vida saudáveis dos/das pacientes.

2.2. ALGUMAS QUESTÕES DE SAÚDE/DOENÇA MAIS COMUNS NA MULHER QUE ENVELHECE

2.2.1. Problemas Cardio-Vasculares

As doenças cérebro-vasculares como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), vulgo trombose, é uma causa comum de morbili­dade5 e mortalidade na Europa, sendo a primeira causa de morte em Portugal e a principal causa de incapacidade e dependência das pes­soas idosas. Estima-se que 8% dos indivíduos com mais de 50 anos sofra um acidente vascular cerebral. Contudo é importante salientar que 80 a 90% dos doentes sobrevivem ao AVC mas com elevada taxa de morbilidade que se reflecte na própria qualidade de vida do indi­víduo.



Segundo um estudo da Direcção Geral de Saúde (DGS) a inci­dência do acidente vascular cerebral é habitualmente de 1 a 2 por mil habitantes por ano, aumentado significativamente segundo a espe­rança média de vida.

As mulheres e os homens estão sujeitos aos mesmo factores de risco de doença coronária mas o grau de risco difere entre os dois sexos e de acordo com a idade. Em regra, o risco de ataque cardíaco

5 Entende-se por morbilidade o déficit físico e/ou psíquico que cria condições que facilitam a doença.

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nos homens começa a aumentar mais cedo, a partir dos 40-45 anos, enquanto que nas mulheres o mesmo risco manifesta-se cerca de 10 anos mais tarde, aumentando abruptamente, após a menopausa, por volta dos 50-55 anos. O risco das mulheres contraírem doença coro­nária continua a aumentar até aos 70-80 anos de idade, de acordo com o envelhecimento feminino. Assim, a partir de uma certa idade, a doença coronária é mais frequente nas mulheres. Depois dos 65 anos, comparativamente aos homens, é mais elevado o número de mulheres hipertensas pelo que elas correm mais risco de virem a sofrer as consequências de doença coronária (como o enfarte do miocárdio). Nos homens, o pico da tensão arterial elevada verifica-se na meia-idade, enquanto que nas mulheres pode continuar a aumentar até, pelo menos, aos 80 anos.

Cerca de 85% das pessoas doentes tem mais de 65 anos de idade, e à medida que se avança na faixa etária a incidência aumenta com cerca de 20% no grupo etário dos 85 anos. Sabe-se que as con­sequências desta patologia como a hemiplegia (paralisia de uma das partes do corpo), afasia (dificuldade na fala), disartria (dificuldade na articulação da palavra), défice cognitivo (perda de memória, atenção, concentração, etc.) são frequentes, e o seu impacto na família é gran­de, do ponto de vista social, económico, psicológico, etc. Especialistas afirmam que quem teve um AVC muito provavelmente terá outro e, por isso, será fundamental fazer tratamento preventivo, nomeada­mente controlar os principais factores de risco (ou causas) como a hipertensão arterial, tabagismo, vida sedentária, etc.

A doença isquémica do coração (nomeadamente o enfarte) e o ocidente vascular cerebral são as patologias mais frequentes até ao ano 2020 a nível mundial e nos países ocidentais segundo estudos Prospectivos da Organização Mundial de Saúde.

A ausência do controlo da hipertensão arterial, a falta de activi­dade física, uma alimentação inadequada com excesso de sal e de gorduras e os estilos de vida pouco saudáveis como o consumo de alcool, drogas e tabaco são algumas das causas que estão na génese deste tipo de patologias.

Assim, terá que se promover a saúde através dos estilos de vida saudáveis, que estão ao alcance de cada indivíduo, pois vivemos numa sociedade de informação em que cada vez mais o indivíduo deverá ser o principal protagonista do seu estado de saúde e/ou doença. Aqui, o/a médico/a de família, especialista em medicina geral e familiar, bem como outros/as técnicos/as de saúde terão a respon­sabilidade de informar os/as utentes e suas famílias acerca dos male­fícios dos comportamentos de risco, respeitando ao mesmo tempo a liberdade individual de cada pessoa na tomada dessa responsabilidade e no cumprimento ou não da toma da medicação adequada (anti--hipertensores, anti-diabéticos orais, etc).

Além dos problemas cognitivos (diminuição de memória, do raciocínio, da concentração, etc.) que poderão surgir como conse­quência dos acidentes vasculares cerebrais, outros poderão existir como os défices motores (paralisia de um lado do corpo ou de algum membro), que piorem a qualidade de vida e autonomia das pessoas doentes. Estas podem também ser afectados do ponto de vista psico­lógico devido à sua incapacidade física e psíquica, podendo surgir quadros de depressão, ansiedade e mesmo dependência de outros familiares para a realização de actividades de vida diária como o banho, higiene, alimentação, etc.

Se no momento actual a esperança média de vida tem vindo a aumentar, o mesmo poderá não acontecer no futuro. Com efeito, as gerações mais novas têm vindo a adquirir estilos de vida pouco sau­dáveis, em que os jogos de vídeo, o computador e a televisão são o seu "desporto" favorito e os hamburgers e o "fast-food" a sua ali­mentação preferida, em substituição da dieta mediterrânica. Assim, a inactividade física, o sedentarismo e a obesidade infantil são caracte­rísticas comuns nesta geração, o que significa que podemos vir a estar perante um novo fenómeno, o da redução da esperança média de vida das gerações mais novas, em virtude daqueles comportamentos.

Se, de facto, forem feitas campanhas sérias a nível da educação para a saúde, a qual deverá começar na família e na escola, a pano­râmica poderá finalmente mudar.

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Segundo um estudo realizado pela União Europeia, a taxa de sedentarismo em Portugal ronda os 60% - ou seja, somos o país mais "preguiçoso" da Europa, aquele onde o exercício físico é menos valorizado. Podemos concluir que uma abordagem centrada na pro­moção de saúde permitirá também modificar o impacto negativo nas doenças transmissíveis e não transmissíveis, como o SIDA, tubercu­lose, hipertensão arterial, diabetes, acidentes e doenças psiquiátricas. A adopção de comportamentos saudáveis dependerá sempre e em última instância do indivíduo, tendo a sociedade e as instituições várias a preocupação de criar contextos facilitadores de comporta­mentos saudáveis, nomeadamente na escola, no local de trabalho, na família, nos locais de lazer, nas comunidades em que cada pessoa deverá ser o/a principal interveniente.



2.2.2. A alimentação

Começamos a envelhecer a partir do momento em que somos concebidos. No entanto, só a partir de certa idade, mais ou menos avançada conforme as pessoas, é que alguns órgãos e aparelhos começam a perder alguma funcionalidade entrando em perda, quando os ritmos de reconstrução estrutural e de funcionamento biológico não superam os ritmos de destruição e de debilidade funcional.



O envelhecimento relaciona-se com características genéticas e com factores ambientais, entre os quais a alimentação e os estilos de vida têm um papel fundamental. Uma melhor alimentação, bem como melhores cuidados médicos, controle de doenças infecciosas e redução das taxas de mortalidade infantil, vieram proporcionar um aumento da longevidade e esperança de média vida das populações.

A conjugação de factores favoráveis tais como maior disponi­bilidade de alimentos sadios e variados, cuidados médicos mais eficazes e controle relativo sobre doenças infecciosas na infância e juventude, aliadas à redução notável das mortalidades infantil e juve­nil, aumentou o tempo médio de vida das populações dos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento.

O pão, massas, arroz e puré de batata são as fontes de energia mais adequadas porque são as que se digerem melhor, se forem bem toleradas devem dar-se igualmente batatas, pequenas porções de fei­jão, grão, lentilhas, ervilhas ou favas bem cozinhadas ou em puré. Este grupo de alimentos é fundamental na dieta, pois o amido é o hidrato de carbono mais adequado, proporcionando um nível de glicemia estável no sangue.

Uma pequena porção de peixe ou carne, cerca de 100 gramas por dia, é suficiente, fornecendo aproximadamente 20 g de proteínas de boa qualidade.

Na velhice embora a quantidade de calorias necessária seja menor, continua a ser fundamental a ingestão de vitaminas, minerais, ácidos gordos e antioxidantes como nutrimentos reguladores do organismo.

Quando os anos avançam, a actividade muscular e a massa corporal são reduzidas, diminuindo assim as necessidades que o orga­nismo necessita.

A actividade física ajuda a disciplinar o apetite e a saciedade, melhorando a digestão e facilitando a defecação.



A alimentação tradicional da população portuguesa e dos povos mediterrânicos era considerada bastante equilibrada. Mas desde a Segunda Guerra Mundial, os hábitos alimentares alteraram-se, o que tem contribuído para o avanço rápido das doenças metabólicas e degenerativas na população, à semelhança do que já acontecia nou­tros países, com utilização excessiva de gorduras e com consumo reduzido de alimentos vegetais fornecedores de vitaminas e antioxi­dantes.

Nos últimos anos, a alimentação mediterrânica tem suscitado grande interesse por ser muito saudável e não ocasionar as chamadas "doenças da civilização" ou doenças das sociedades de consumo, onde se come muito e desequilibradamente, estando as gerações mais novas a importar estilos alimentares nocivos à saúde e de uma forma geral ao organismo.

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2.2.3. O Alcoolismo



Definição

Consumo regular e excessivo de álcool com dependência psico­lógica associada à sua utilização, durante o quotidiano, resultando em problemas sociais e profissionais e distúrbios físicos.



História

Os pacientes apresentam:



  • dificuldades conjugais

  • problemas de emprego

  • problemas legais (condução sob efeito de álcool)

  • distúrbios de comportamento, etc.

Bebidas não alcoólicas

A água é a mais importante de todas as bebidas existentes, sem a qual não é possível viver. Está presente nas células e faz parte inte­grante do sangue e linfa. É o elemento básico de todas as reacções químicas.

Diariamente cada pessoa perde 2-3 litros de água (nas fezes, ar expirado e o suor) que devem ser repostos. Por isso o consumo da água é essencial para a saúde.

O chá, o café e a coca-cola devem ser usadas de modo moderado.



Bebidas alcoólicas

Todas as que contém álcool na sua composição. O álcool é o vul­gar da farmácia (álcool etílico ou etanol) sem qualquer valor nutritivo.

Portugal é o Io consumidor europeu de bebidas alcoólicas com graves consequências para a saúde da população.

A graduação

É o volume em percentagem de álcool por litro de bebidaj. Exprime-se em graus e varia consoante a bebida.



  • 1 litro de vinho de 12° tem 12 % ou 0,121 ou 120 ml de álcool puro.

  • 1 litro de cerveja de 6o tem 6% ou 0,06 1 ou 60 ml de álcool puro.

  • 1 litro de aguardente de 50° tem 50% ou 0,5 1 ou 500 ml de álcool puro.

  • Se misturar água ou gasosa na bebida alcoólica não diminui a quantidade de álcool que aí se encontra, apenas diluirá.

  • 1 litro de vinho (12°) é igual a V4 de litro de aguardente (48°) ou a 2 litros de cerveja (6o) em quantidade de álcool.

Portugal é um país produtor e exportador de bebidas alcoólicas, principalmente vinho. É o país da União Europeia onde se consome mais álcool. Em 1997, em média, cada português ingeriu 11,3 litros de etanol (World Drink Trends, 1998).

Onde chega o álcool no organismo?



Através da boca o álcool chega ao estômago e intestino onde é absorvido pelo sangue. O sangue transporta o álcool a todo os órgãos (fígado, pulmões, cérebro e coração). É no fígado que se processa a depuração do álcool.

Alterações físicas devidas ao consumo do álcool

A nível do órgão digestivo:

  • esofagite, gastrite, hepatite alcoólica, cirrose hepática, pan­creatite

  • a nível neuromuscular

  • ceguem18' °aimbras' cansaÇo muscular, tremores das mãos,





Um homem adulto saudável não deve consumir mais de 24 g de álcool/dia (3 copos vinho ou 3 copos médios de cerveja) repartidos pelas 2 principais refeições (OMS/87).

Uma mulher adulta saudável não deve consumir mais de 16 g de álcool/dia o que equivale a 2 copos de vinho ou 2 cervejas (OMS/87).





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